{"id":81432,"date":"2025-08-28T20:10:55","date_gmt":"2025-08-28T20:10:55","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=81432"},"modified":"2025-09-01T21:11:23","modified_gmt":"2025-09-01T21:11:23","slug":"o-programa-e-a-revolucao-uma-polemica-com-a-ft-fracao-trotsquista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/08\/28\/o-programa-e-a-revolucao-uma-polemica-com-a-ft-fracao-trotsquista\/","title":{"rendered":"O programa e a revolu\u00e7\u00e3o: Uma pol\u00eamica com a FT (Fra\u00e7\u00e3o Trotsquista)"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Eduardo Almeida,\u00a0Florence Oppen\u00a0e\u00a0F\u00e1bio Bosco<br>A Fra\u00e7\u00e3o Trotsquista (FT) divulgou um artigo de pol\u00eamica com Moreno e a LIT-QI (\u201cOs dilemas da LIT-QI em sua autocr\u00edtica a Nahuel Moreno e a atualidade da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente\u201d), escrito por Danilo Paris.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse artigo, ele se utiliza de um documento escrito por n\u00f3s em 2020 (\u201cSobre as situa\u00e7\u00f5es da luta de classes a n\u00edvel nacional e internacional\u201d), que faz cr\u00edticas pontuais a Moreno, para chegar \u00e0 conclus\u00e3o equivocada de que Moreno foi \u201cetapista\u201d por se utilizar do conceito de \u201crevolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Realmente a LIT-QI est\u00e1 fazendo todo um esfor\u00e7o de elabora\u00e7\u00e3o program\u00e1tica nos \u00faltimos anos, que est\u00e1 expressa em distintos artigos e documentos internos. Al\u00e9m desse artigo citado pelo FT, podemos lembrar \u201cO marxismo e a luta contra a opress\u00e3o nacional e colonial\u201d (2021), um Correio Internacional inteiramente dedicado \u00e0 quest\u00e3o ambiental (2023), a revista Marxismo Vivo, cujo \u00faltimo n\u00famero (21) traz artigos sobre o imperialismo chin\u00eas emergente e a consolida\u00e7\u00e3o do imperialismo russo, al\u00e9m de documentos sobre as opress\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse esfor\u00e7o de elabora\u00e7\u00e3o, fazemos cr\u00edticas e autocr\u00edticas necess\u00e1rias e absolutamente normais em correntes revolucion\u00e1rias saud\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Como veremos, Moreno nunca foi etapista. Ao contr\u00e1rio, foi pioneiro no combate \u00e0 concep\u00e7\u00e3o stalinista etapista na Am\u00e9rica Latina com seu texto \u201cQuatro Teses sobre a coloniza\u00e7\u00e3o espanhola e portuguesa na Am\u00e9rica\u201d (1977), em que analisa o desenvolvimento desigual e combinado no continente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele buscou entender a realidade concreta do p\u00f3s-guerra tal qual se dava. E, a partir da\u00ed, buscou de forma sadia atualizar a teoria da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente. A nosso ver, esse esfor\u00e7o foi e \u00e9 v\u00e1lido. Nesse processo, Moreno cometeu alguns erros, como assinalamos nesse texto referido. Mas nunca apontou ou defendeu uma postura etapista.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso se comprova pelo pr\u00f3prio texto \u201cRevolu\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo XX\u201d, assim como nos programas defendidos por Moreno e por nossa corrente perante os grandes processos da luta de classes.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa acusa\u00e7\u00e3o da FT \u00e9 parte de uma metodologia equivocada, v\u00e1rias vezes usadas por essa corrente, de atribuir a um oponente uma posi\u00e7\u00e3o que ele n\u00e3o defende, e, a partir da\u00ed, polemizar com essa posi\u00e7\u00e3o fict\u00edcia. Isso sectariza e esteriliza os debates necess\u00e1rios, que poderiam se desenvolver com um m\u00e9todo sadio entre as correntes.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos temas de debate reais que existe entre a LIT-QI e a FT \u00e9 que, quando se vai traduzir os enfoques te\u00f3ricos e program\u00e1ticos sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Permanente nas provas das an\u00e1lises, caracteriza\u00e7\u00f5es e programas concretos para a realidade, a FT n\u00e3o passa. Cometeu e est\u00e1 cometendo erros graves, no entendimento e na resposta program\u00e1tica e pol\u00edtica aos principais fatos da luta de classes, em particular as que est\u00e3o no centro das lutas das massas e envolvem quest\u00f5es democr\u00e1ticas como na Palestina e Ucr\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A import\u00e2ncia da autocr\u00edtica<\/h4>\n\n\n\n<p>Antes de mais nada, queremos reivindicar uma postura de Moreno que, a nosso ver, \u00e9 um exemplo para os revolucion\u00e1rios s\u00e9rios: ser autocr\u00edtico. Moreno prezava a ferramenta leninista da autocr\u00edtica como m\u00e9todo para corrigir os inevit\u00e1veis erros na pol\u00edtica revolucion\u00e1ria. Ele corrigiu a si mesmo, por exemplo, nos primeiros momentos da revolu\u00e7\u00e3o cubana. E se ria dos dirigentes trotsquistas que se julgavam novos \u201cL\u00eanins\u201d e \u201cnunca se equivocavam\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, da dire\u00e7\u00e3o da LIT-QI p\u00f3s-Moreno, nos equivocamos bem mais que Moreno. Por exemplo, na queda do governo Morsi no Egito. A FT faz uma dura cr\u00edtica a n\u00f3s por isso. E realmente houve um erro, mas n\u00e3o de Moreno, e sim de n\u00f3s, a dire\u00e7\u00e3o da LIT-QI p\u00f3s-Moreno.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele momento, ocorreu uma gigantesca mobiliza\u00e7\u00e3o de massas contra o governo Morsi. Antes que essa mobiliza\u00e7\u00e3o derrubasse o governo, as for\u00e7as armadas o fizeram. Houve, portanto, dois elementos na queda de Morsi: a mobiliza\u00e7\u00e3o das massas e a a\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito. E n\u00f3s, erradamente, caracterizamos a queda de Morsi como essencialmente progressiva pela mobiliza\u00e7\u00e3o de massas. E n\u00e3o foi assim, o elemento determinante foi o golpe militar, que se aproveitou do enfraquecimento do governo da Irmandade Mu\u00e7ulmana, pela mobiliza\u00e7\u00e3o das massas.<\/p>\n\n\n\n<p>O golpe militar acabou com o primeiro governo eleito no Egito em d\u00e9cadas. Mesmo que as massas n\u00e3o o entendessem, pela confian\u00e7a que tinham nas for\u00e7as armadas, era o in\u00edcio de uma ditadura que se mant\u00e9m at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse foi um erro importante de caracteriza\u00e7\u00e3o, apoiado em uma vis\u00e3o objetivista magnificando o peso das massas mobilizadas que, exatamente por sua confian\u00e7a no ex\u00e9rcito, foram manobradas e se imp\u00f4s o golpe. Isso foi corrigido por uma decis\u00e3o congressual da LIT-QI.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante constatar que esse erro n\u00e3o tem nada a ver com a compreens\u00e3o de Moreno sobre revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, como veremos a seguir.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse terreno, a FT tem postura oposta. Nunca se autocritica de nada. N\u00e3o admitem nenhum erro.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Moreno nunca foi \u201cetapista\u201d<\/h4>\n\n\n\n<p>Moreno tinha a postura correta de buscar entender a realidade tal qual se passava, aplicando a m\u00e1xima leninista, segundo a qual \u201ca an\u00e1lise concreta da situa\u00e7\u00e3o concreta \u00e9 a alma viva, a ess\u00eancia do marxismo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Analisava essa realidade com as ferramentas te\u00f3ricas acumuladas do marxismo, buscando sempre as m\u00faltiplas determina\u00e7\u00f5es envolvidas que possibilitavam uma aproxima\u00e7\u00e3o progressiva da realidade concreta. E, ao mesmo tempo, buscava corroborar ou reavaliar criticamente essas ferramentas te\u00f3ricas. Essa \u00e9 uma forma correta de enriquecer o marxismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Trotsky, por exemplo, no anivers\u00e1rio de noventa anos do Manifesto Comunista, escreveu um texto no qual reivindica o mais famoso e importante documento program\u00e1tico do marxismo. Mas tamb\u00e9m o comparou com a evolu\u00e7\u00e3o da realidade e fez observa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas a algumas de suas conclus\u00f5es. Por exemplo, corrigiu a apressada caracteriza\u00e7\u00e3o da tend\u00eancia a desapari\u00e7\u00e3o das classes intermedi\u00e1rias, apontando o surgimento da \u201cnova classe m\u00e9dia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Moreno fez uma avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica da afirma\u00e7\u00e3o de Trotsky no Programa de Transi\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201c\u00c9 poss\u00edvel a cria\u00e7\u00e3o do governo oper\u00e1rio e campon\u00eas pelas organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias tradicionais? A experi\u00eancia anterior mostra, como j\u00e1 dissemos, que isso \u00e9, pelo menos, pouco prov\u00e1vel. No entanto, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel negar categoricamente a priori a possibilidade te\u00f3rica de que, sob a influ\u00eancia de uma combina\u00e7\u00e3o muito excepcional (guerra, derrota, colapso financeiro, ofensiva revolucion\u00e1ria de massas, etc \u2026), os partidos pequeno-burgueses, incluindo os stalinistas, possam ir mais longe do que gostariam no caminho para o rompimento com a burguesia. Em qualquer caso, uma coisa est\u00e1 fora de d\u00favida: mesmo que esta variante pouco prov\u00e1vel ocorresse em algum lugar e em algum momento ocorresse e um \u2018governo oper\u00e1rio e campon\u00eas\u2019 \u2013 no sentido indicado acima \u2013 fosse constitu\u00eddo, ele representaria apenas um breve epis\u00f3dio no caminho para a verdadeira ditadura do proletariado.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Moreno constatou que no p\u00f3s-guerra, novos Estados oper\u00e1rios tinham surgido, como China, Cuba, Vietn\u00e3, assim como os da Glacis, e nenhuma dessas revolu\u00e7\u00f5es teve o proletariado como sujeito social e um partido revolucion\u00e1rio como sujeito pol\u00edtico. Esse fato hist\u00f3rico necessitava ser avaliado.<\/p>\n\n\n\n<p>Como afirmamos no texto citado: \u201c<em>Moreno teve um acerto importante ao constatar que as revolu\u00e7\u00f5es que expropriaram o capitalismo e geraram novos Estados oper\u00e1rios no p\u00f3s-guerra n\u00e3o tinham o proletariado como sujeito social, nem partidos revolucion\u00e1rios como sujeitos pol\u00edticos\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, parece-nos que foi errado projetar uma continuidade necess\u00e1ria desse processo para o futuro.<em>&nbsp;\u201cO que a evolu\u00e7\u00e3o posterior demonstrou foi que n\u00e3o se repetiram as revolu\u00e7\u00f5es socialistas vitoriosas dirigidas por partidos reformistas.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O artigo da FT se apoia equivocadamente em nosso texto para afirmar que Moreno era \u201cetapista\u201d:&nbsp;&nbsp;<em>\u201cAqui reside uma das ra\u00edzes do que, caso desenvolvido como concep\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, pode desembocar em uma l\u00f3gica de separar por etapas as \u2018revolu\u00e7\u00f5es no regime\u2019 (ou at\u00e9 revolu\u00e7\u00f5es no governo), sobretudo diante de regimes caracterizados como \u2018contrarrevolucion\u00e1rios\u2019.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a defini\u00e7\u00e3o de Moreno de \u201crevolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d \u00e9 explicitamente discutida como parte do processo da revolu\u00e7\u00e3o permanente nesse mesmo texto. Ele caracteriza que na \u00e9poca imperialista, de revolu\u00e7\u00f5es e contrarrevolu\u00e7\u00f5es, existiram regimes fascistas e nazistas (Hitler, Mussolini, Franco) e existem regimes bonapartistas semifascistas que, para serem derrotados, por vezes, se geram processos revolucion\u00e1rios. Como caracterizar a esses processos revolucion\u00e1rios que s\u00e3o partes do processo da revolu\u00e7\u00e3o permanente?<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em>\u201cO que Trotsky n\u00e3o levantou, apesar de ter feito o paralelo entre o stalinismo e o fascismo, foi que tamb\u00e9m nos pa\u00edses capitalistas era necess\u00e1rio fazer uma revolu\u00e7\u00e3o no regime pol\u00edtico: destruir o fascismo para reconquistar as liberdades da democracia burguesa, mesmo que fosse no terreno dos regimes pol\u00edticos da burguesia, do Estado burgu\u00eas. Concretamente, ele n\u00e3o levantou a necessidade de uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica que liquidasse o regime totalit\u00e1rio fascista, como parte ou primeiro passo do processo rumo \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o socialista, e deixou pendente esse grave problema te\u00f3rico\u201d.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Moreno partia da constata\u00e7\u00e3o de que os processos revolucion\u00e1rios que ocorreram, que se enfrentaram e alguns derrubaram ditaduras burguesas, deveriam ser entendidos no marco da revolu\u00e7\u00e3o permanente. A cr\u00edtica que ele fazia era que esses processos ainda n\u00e3o tinham sido identificados como um momento espec\u00edfico, determinado, dentro da concep\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma como uma guerra de libera\u00e7\u00e3o nacional, como a da Ucr\u00e2nia ou a da Palestina, deve ser entendida como um momento espec\u00edfico, concretos, como guerras de liberta\u00e7\u00e3o nacional, dentro da revolu\u00e7\u00e3o permanente, os processos revolucion\u00e1rios que ocorrem no enfrentamento de ditaduras burguesas podem ser entendidos como \u201crevolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O que tem isso de \u201cetapismo\u201d? Nada. O livro \u201cRevolu\u00e7\u00f5es do S\u00e9culo XX\u201d era um texto que serviu de base para escolas de quadros em 1984 e pode conter imprecis\u00f5es e defici\u00eancias. Mas a acusa\u00e7\u00e3o de \u201cetapismo\u201d \u00e9 absurda.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O conte\u00fado verdadeiro dessa pol\u00eamica<\/h4>\n\n\n\n<p>Na verdade, a pol\u00eamica da FT com essa defini\u00e7\u00e3o de Moreno tem outro conte\u00fado, bem diferente do suposto \u201cetapismo\u201d de Moreno.<\/p>\n\n\n\n<p>A FT tem uma enorme dificuldade de entender os processos revolucion\u00e1rios tais quais eles se d\u00e3o, e como se d\u00e3o. Em particular, quando os processos revolucion\u00e1rios incluem reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas centrais. E, a partir da\u00ed, cometem erros graves na formula\u00e7\u00e3o dos programas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o houve erros program\u00e1ticos de Moreno nos processos revolucion\u00e1rios citados como \u201crevolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O que existia e existe \u00e9 uma necessidade de identificar esses processos tais quais se d\u00e3o, e a partir da\u00ed definir um sistema de consignas, um programa, que se hierarquize ao redor da derrubada das ditaduras, mas que fa\u00e7am uma ponte para a revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9, a nosso ver, o centro da pol\u00eamica real com a FT. N\u00e3o existe a caracteriza\u00e7\u00e3o desses processos de revolu\u00e7\u00e3o permanente incluindo as tarefas democr\u00e1ticas. E, como consequ\u00eancia, n\u00e3o existem programas hierarquizados pela tarefa pol\u00edtica determinada na situa\u00e7\u00e3o concreta da luta de classes ao redor dessas lutas democr\u00e1ticas, articulados com o programa geral da revolu\u00e7\u00e3o socialista. S\u00f3 existe um esquema de caracteriza\u00e7\u00e3o e o programa geral da revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Sobre o objetivismo\u2026 e o subjetivismo<\/h4>\n\n\n\n<p>No nosso documento citado pela FT, n\u00f3s fazemos cr\u00edticas a Moreno e a n\u00f3s mesmos, da dire\u00e7\u00e3o da LIT-QI p\u00f3s-morte de Moreno, por avalia\u00e7\u00f5es objetivistas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o acreditamos que os processos objetivos avancem sem limites, apesar das dire\u00e7\u00f5es. N\u00e3o acreditamos em \u201crevolu\u00e7\u00f5es socialistas inconscientes\u201d. Ao contr\u00e1rio, opinamos que, mais do que nunca, a \u201ccrise da humanidade \u00e9 a crise da dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O mundo hoje acumula elementos crescentes de barb\u00e1rie. Barb\u00e1rie na imposi\u00e7\u00e3o de retrocessos brutais \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores, anulando conquistas do s\u00e9culo XX. Barb\u00e1rie na ultrapassagem de pontos de ruptura no meio ambiente, podendo comprometer n\u00e3o s\u00f3 o futuro socialista como a pr\u00f3pria exist\u00eancia da humanidade. Barb\u00e1rie nas opress\u00f5es as mulheres, negros, LGBTI\u2019s, imigrantes, assim como nas imposi\u00e7\u00f5es nacionais. O genoc\u00eddio nazi-sionista em Gaza \u00e9 o exemplo mais explicito dessa barb\u00e1rie crescente.<\/p>\n\n\n\n<p>As condi\u00e7\u00f5es objetivas est\u00e3o maduras e, como afirma o programa de Transi\u00e7\u00e3o, correm o risco de apodrecer. Mas o fator subjetivo, longe de ser secund\u00e1rio, imp\u00f5e a continuidade de derrotas, mesmo com todos os processos revolucion\u00e1rios que vivemos no passado e no presente.<\/p>\n\n\n\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o da realidade, com a metodologia marxista, pressup\u00f5e a utiliza\u00e7\u00e3o das ferramentas b\u00e1sicas da dial\u00e9tica que incluem a totalidade e sua din\u00e2mica. N\u00e3o se pode separar de forma unilateral os processos objetivos de suas dire\u00e7\u00f5es, ignorando essa totalidade, que interferem diretamente em sua din\u00e2mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, da mesma maneira como criticamos o objetivismo, rejeitamos o subjetivismo. A FT usa um crit\u00e9rio subjetivista para avaliar os processos revolucion\u00e1rios. Segundo eles:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cO primeiro refere-se \u00e0 unilateraliza\u00e7\u00e3o da defesa da consigna \u2018Rep\u00fablica democr\u00e1tica\u2019 como eixo program\u00e1tico e pol\u00edtico frente a regimes ditatoriais, levando a organiza\u00e7\u00e3o a interpretar como vit\u00f3rias a queda de governos ou mobiliza\u00e7\u00f5es de quaisquer tipos, independente do setor que a impulsiona, da interven\u00e7\u00e3o burguesa e imperialista e dos resultados que alcan\u00e7am estrategicamente. Essa formula\u00e7\u00e3o decorre de uma leitura equivocada realizada por Moreno da obra de Tr\u00f3tski, leitura que a LIT n\u00e3o apenas mant\u00e9m, como aprofunda. Essa concep\u00e7\u00e3o tem conduzido \u00e0 incorreta caracteriza\u00e7\u00e3o de \u2018revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas\u2019 mesmo em contextos de regimes burgueses.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cO que queremos sublinhar est\u00e1 em considerar um triunfo de uma \u2018revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u2019 a queda de ditaduras em si mesmo, independente do sujeito hist\u00f3rico e a forma como cai essa ditadura, mesmo que seja substitu\u00edda por um regime burgu\u00eas de conten\u00e7\u00e3o e desvio das massas, em alguns casos por interven\u00e7\u00f5es imperialistas que conformam regimes t\u00e3o ou mais repressivos (como vimos no caso do Egito durante a primavera \u00e1rabe e vamos analisar adiante).\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A FT n\u00e3o reconhece a exist\u00eancias de processos revolucion\u00e1rios se n\u00e3o t\u00eam a classe oper\u00e1ria como sujeito social e uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria \u00e0 sua frente. Isso significa que essa corrente n\u00e3o identifica a maioria ou a quase totalidade das revolu\u00e7\u00f5es que acontecem na realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o por acaso, a FT chama os processos revolucion\u00e1rios que sacudiram o Oriente M\u00e9dio e Norte de \u00c1frica entre 2010 e 2012 de \u201cprimavera \u00e1rabe\u201d. Esse \u00e9 um termo jornal\u00edstico que pode ser utilizado, mas que n\u00e3o caracteriza em termos marxistas o que ocorreu. Houve um processo revolucion\u00e1rio, com v\u00e1rias revolu\u00e7\u00f5es derrotadas. Um processo vivo, contradit\u00f3rio, riqu\u00edssimo.<\/p>\n\n\n\n<p>A FT nunca reconheceu sua exist\u00eancia e depois utilizou suas derrotas para \u201ccomprovar\u201d a inexist\u00eancia dessas revolu\u00e7\u00f5es. Nada a ver com a necessidade da avalia\u00e7\u00e3o concreta da realidade, que caracteriza o leninismo como um guia para a a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Nada a ver com as an\u00e1lises de L\u00eanin e Trotsky dos processos reais de suas \u00e9pocas.<\/p>\n\n\n\n<p>O que \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o? Como dizemos nesse texto citado:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cComecemos pela defini\u00e7\u00e3o b\u00e1sica do que \u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o. Essa n\u00e3o \u00e9 uma tarefa pouco importante. Tomemos a interpreta\u00e7\u00e3o mais precisa, que nos parece ser a de Trotsky:<br>\u201cA caracter\u00edstica mais indiscut\u00edvel das revolu\u00e7\u00f5es \u00e9 a interven\u00e7\u00e3o direta das massas nos acontecimentos hist\u00f3ricos (\u2026) nos momentos decisivos, quando a ordem estabelecida torna-se insuport\u00e1vel para as massas, elas rompem as barreiras que as separam da arena pol\u00edtica, varrem seus representantes tradicionais e, com sua interven\u00e7\u00e3o, criam um ponto de partida para o novo regime (\u2026) A hist\u00f3ria das revolu\u00e7\u00f5es \u00e9, para n\u00f3s, antes de tudo, a hist\u00f3ria da violenta irrup\u00e7\u00e3o das massas no governo de seus pr\u00f3prios destinos.\u201d (Trotsky , Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>As revolu\u00e7\u00f5es, na etapa imperialista, podem se dar contra ditaduras ou democracias burguesas. Podem ter como sujeito social o proletariado, o campesinato ou as massas populares. Podem derrubar governos, regimes ou Estados, ou ainda n\u00e3o derrubar nada. Podem ser vitoriosas ou derrotadas. Mas t\u00eam essa caracter\u00edstica b\u00e1sica da interven\u00e7\u00e3o direta e violenta das massas, tomando o destino em suas pr\u00f3prias m\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa defini\u00e7\u00e3o de Trotsky nos parece necess\u00e1ria para essa discuss\u00e3o. Porque define um processo objetivo (as mobiliza\u00e7\u00f5es) e subjetivo (a supera\u00e7\u00e3o em sua consci\u00eancia, dos limites das dire\u00e7\u00f5es que as impediam antes). Isso pode ocorrer com distintos sujeitos sociais, distintos tipos de dire\u00e7\u00e3o e ter os mais diversos resultados.<\/p>\n\n\n\n<p>Evidentemente, o peso das dire\u00e7\u00f5es vai influenciar cada passo dessas lutas e definir, afinal, o alcance e os resultados desses processos, levando a in\u00fameras derrotas.<\/p>\n\n\n\n<p>A realidade comprovou que n\u00e3o se repetiram, e \u00e9 extremamente improv\u00e1vel que se repitam revolu\u00e7\u00f5es socialistas vitoriosas sem o proletariado como sujeito social e um partido revolucion\u00e1rio em sua dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A metodologia de L\u00eanin da avalia\u00e7\u00e3o concreta da realidade concreta n\u00e3o deve ser entendida como uma apologia do empirismo. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 a express\u00e3o de uma an\u00e1lise sofisticada e precisa, a partir do ac\u00famulo te\u00f3rico das ferramentas marxistas e a incorpora\u00e7\u00e3o das m\u00faltiplas determina\u00e7\u00f5es que relacionam o espec\u00edfico da realidade com a totalidade nacional e internacional, o momento determinado com sua g\u00eanese hist\u00f3rica, a rela\u00e7\u00e3o dessa totalidade com sua din\u00e2mica. S\u00f3 assim se pode chegar \u00e0 \u201crealidade concreta\u201d, a partir de suas m\u00faltiplas determina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A for\u00e7a do leninismo parte do entendimento preciso dessa realidade para extrair da\u00ed as tarefas imediatas e hist\u00f3ricas, a pol\u00edtica e o programa para a realidade, para disputar a consci\u00eancia da vanguarda e das massas em uma a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Existiram e existem processos revolucion\u00e1rios important\u00edssimos, e sua an\u00e1lise concreta deve servir para nos localizar programaticamente (e, se pudermos tamb\u00e9m f\u00edsica e concretamente) como se estiv\u00e9ssemos dentro deles, e n\u00e3o fazendo coment\u00e1rios arrogantes e prepotentes desde um escrit\u00f3rio \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>A FT busca encaixar a realidade em um esquema, que dispensa essa an\u00e1lise concreta, semelhante ao que ocorreu na Revolu\u00e7\u00e3o Russa de fevereiro a outubro de 1917. O que n\u00e3o segue esse esquema n\u00e3o \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Realmente, a revolu\u00e7\u00e3o russa \u00e9 a nossa refer\u00eancia hist\u00f3rica, por ter sido a \u00fanica revolu\u00e7\u00e3o socialista vitoriosa, com o proletariado como sujeito social e o partido revolucion\u00e1rio \u00e0 sua frente. E temos de ter a ambi\u00e7\u00e3o, a estrat\u00e9gia, de avan\u00e7ar nesse caminho. Mas outra coisa, bem diferente, \u00e9 achar que, se a realidade n\u00e3o repete aquele momento, a realidade n\u00e3o existe.<\/p>\n\n\n\n<p>O momento hist\u00f3rico da Revolu\u00e7\u00e3o Russa reuniu condi\u00e7\u00f5es particulares, espec\u00edficas, que at\u00e9 hoje n\u00e3o se repetiram. Em primeiro lugar, os efeitos brutais de uma guerra mundial sobre o pa\u00eds, acelerando e agravando todos os problemas econ\u00f4micos, sociais e pol\u00edticos da R\u00fassia. Em segundo, um proletariado concentrado, organizado em sovietes, em um duplo poder cl\u00e1ssico. Em terceiro lugar, o elemento decisivo, um partido revolucion\u00e1rio constru\u00eddo por d\u00e9cadas, com uma dire\u00e7\u00e3o \u00e0 altura da tarefa.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas condi\u00e7\u00f5es permitiram que a combina\u00e7\u00e3o das tarefas democr\u00e1ticas com a revolu\u00e7\u00e3o socialista fosse vitoriosa. Mas essa realidade, daquela maneira, nunca mais se repetiu h\u00e1 mais de um s\u00e9culo. No entanto, ocorreram dezenas e dezenas de processos revolucion\u00e1rios posteriores a esses, que exigem de nossa parte bem mais que esquemas para serem entendidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os processos revolucion\u00e1rios seguem existindo, ainda que sem o proletariado como sujeito social e uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Isso significa que essas revolu\u00e7\u00f5es n\u00e3o chegar\u00e3o at\u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o socialista vitoriosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Como parte desses processos, podem ocorrer vit\u00f3rias parciais, no terreno democr\u00e1tico em geral (como derrubada de ditaduras) ou no terreno nacional (como foram as liberta\u00e7\u00f5es das col\u00f4nias na \u00c1frica). Como sabemos, essas conquistas retrocedem posteriormente, a partir dessas mesmas dire\u00e7\u00f5es reformistas ou contrarrevolucion\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, tivemos uma vit\u00f3ria parcial com a queda de Assad na S\u00edria, que n\u00e3o foi apenas produto da a\u00e7\u00e3o militar do HTS, mas tamb\u00e9m da a\u00e7\u00e3o das massas ao redor de Damasco. A pol\u00edtica da dire\u00e7\u00e3o do HTS conteve e, de certa forma sequestrou, o conjunto do processo e est\u00e1 conduzindo a reconstru\u00e7\u00e3o de um Estado burgu\u00eas e um projeto de conviv\u00eancia pac\u00edfica os imperialismos, assim como com as pot\u00eancias regionais como Turquia, Ar\u00e1bia Saudita e Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>A FT n\u00e3o entendeu como uma vit\u00f3ria da queda de Assad, assim como ignorou a exist\u00eancia de revolu\u00e7\u00f5es durante a \u201cprimavera \u00e1rabe\u201d. Essa postura dificulta o entendimento da realidade, assim como a necess\u00e1ria luta contra a dire\u00e7\u00e3o contrarrevolucion\u00e1ria do HTS.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O mesmo programa para todas as situa\u00e7\u00f5es?<\/h4>\n\n\n\n<p>Isso nos leva \u00e0 segunda grande diferen\u00e7a com a FT, na formula\u00e7\u00e3o do programa.<\/p>\n\n\n\n<p>Observemos o que diz a FT: \u201c<em>E por que Moreno aponta, de forma clara, nesse sentido de modificar as teses centrais da teoria da revolu\u00e7\u00e3o permanente? Pois \u00e9 conhecido o fato de que, na Revolu\u00e7\u00e3o Russa, a linha te\u00f3rica de Leon Tr\u00f3tski sobre a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o separava, diante de uma ditadura tzarista repressiva, as etapas da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-burguesa das tarefas socialistas e do sujeito social dessas tarefas, o proletariado, conforme diz nas Teses da revolu\u00e7\u00e3o permanente: \u2018No decurso de seu desenvolvimento, a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica transforma-se diretamente em revolu\u00e7\u00e3o socialista e torna-se assim uma revolu\u00e7\u00e3o permanente\u2019 . Com esse ponto, L\u00eanin coincidiu na pr\u00e1tica da pr\u00f3pria revolu\u00e7\u00e3o, perspectiva expressas em suas Teses de Abril.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, para a FT o entendimento do processo da revolu\u00e7\u00e3o permanente n\u00e3o inclui a defini\u00e7\u00e3o dos momentos concretos do processo e, a partir da\u00ed, a defini\u00e7\u00e3o dos programas. Como \u201c<em>a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica transforma-se diretamente em revolu\u00e7\u00e3o socialista e torna-se assim uma revolu\u00e7\u00e3o permanente<\/em>\u201d, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ter um programa definido para os distintos momentos da luta.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, n\u00e3o existia a necessidade de um programa revolucion\u00e1rio contra o tzarismo e outro posterior \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro? Ou isso era produto das limita\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas de L\u00eanin anteriores \u00e0s Teses de abril?<\/p>\n\n\n\n<p>A FT parte de um esquema que n\u00e3o tem nada a ver com a metodologia leninista, nem tampouco com a revolu\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma coisa \u00e9 entender os processos como encadeados pela domina\u00e7\u00e3o imperialista mundial, pelas m\u00faltiplas rela\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o de classes, como parte da revolu\u00e7\u00e3o permanente. Outra coisa \u00e9 a an\u00e1lise concreta da realidade concreta que, na Revolu\u00e7\u00e3o Russa, assim como nas demais, necessariamente se diferenciava o programa de um momento para outro, todos entrela\u00e7ados na estrat\u00e9gia te\u00f3rica e program\u00e1tica da revolu\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n\n\n\n<p>A compreens\u00e3o de um programa como um sistema de consignas, uma ponte que ajude as massas, a partir de suas lutas imediatas em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 luta pelo poder, exige a an\u00e1lise e caracteriza\u00e7\u00e3o da realidade. N\u00e3o se trata do mesmo programa em todas as situa\u00e7\u00f5es da luta de classes. Essa vis\u00e3o esteriliza o marxismo e o transforma em um dogma, um esquema que se aplica em todos os lugares e situa\u00e7\u00f5es da mesma forma.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo muito preciso disso \u00e9 que n\u00e3o se pode entender as Teses de abril de L\u00eanin antes da derrubada do tzarismo. E isso n\u00e3o tem a ver com as limita\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas anteriores de L\u00eanin. Tem a ver com a mudan\u00e7a da realidade exigindo n\u00e3o s\u00f3 um avan\u00e7o na compreens\u00e3o te\u00f3rica como tamb\u00e9m uma mudan\u00e7a no programa.<\/p>\n\n\n\n<p>Evidentemente, as lutas pela derrubada das ditaduras devem estar articuladas com a estrat\u00e9gia da revolu\u00e7\u00e3o socialista. Tanto um programa perante um processo revolucion\u00e1rio contra uma ditadura como um programa ap\u00f3s sua derrubada t\u00eam de estar encadeados pela estrat\u00e9gia da revolu\u00e7\u00e3o socialista. Mas ignorar esses momentos na elabora\u00e7\u00e3o dos programas \u00e9 t\u00edpico de uma vis\u00e3o unilateral, dogm\u00e1tica e esquematista, que nada tem a ver com um \u201cguia para a a\u00e7\u00e3o\u201d t\u00edpica do leninismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Pode servir para comentar \u00e0 dist\u00e2ncia, de forma arrogante, a realidade. Depois das derrotas v\u00e3o afirmar que o sistema capitalista teve continuidade e que as dire\u00e7\u00f5es s\u00e3o traidoras. Mas isso n\u00e3o basta para a interven\u00e7\u00e3o concreta na realidade dos processos revolucion\u00e1rios, e menos ainda para a luta contra as dire\u00e7\u00f5es reformistas desses mesmos processos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse momento hist\u00f3rico em que estamos vivendo, temos visto v\u00e1rios processos revolucion\u00e1rios, desde a primavera \u00e1rabe, passando pelas gigantescas mobiliza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias na Argentina em 2001, Chile, Equador, e Col\u00f4mbia em 2019, Sri Lanka e Bangladesh em 2023-24, que n\u00e3o tiveram o proletariado como sujeito social, e sim as massas populares nas ruas. E n\u00e3o tiveram \u00e0 sua frente dire\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias, mas reformistas que, afinal, as levaram a derrotas ou a serem desviadas para a democracia burguesa. Deixar de reconhecer e apoiar esses processos revolucion\u00e1rios \u00e9 ignorar a realidade e isso limita a nossa capacidade de enfrentar essas mesmas dire\u00e7\u00f5es reformistas.<\/p>\n\n\n\n<p>A FT usa a mesma metodologia unilateral do objetivismo, com os sinais invertidos. Com uma postura subjetivista, ignora a an\u00e1lise concreta da situa\u00e7\u00e3o concreta. Isso leva a erros program\u00e1ticos e pol\u00edticos muito importantes, como vamos ver.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">As pol\u00eamicas com a FT na quest\u00e3o palestina<\/h4>\n\n\n\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es ligadas a FT est\u00e3o presentes nas mobiliza\u00e7\u00f5es de apoio a Palestina, assim como n\u00f3s da LIT e muitas outras organiza\u00e7\u00f5es de esquerda. Nisso n\u00e3o temos nenhuma cr\u00edtica a essa corrente.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, como se trata do mais importante centro da luta de classes do mundo hoje, a resposta pol\u00edtica e program\u00e1tica a esse tema tem enorme import\u00e2ncia como teste para cada uma das correntes.<\/p>\n\n\n\n<p>A LIT tem uma vasta tradi\u00e7\u00e3o nesse tema, com aportes diretos de Moreno, como no texto \u201cPor uma Palestina laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista\u201d (1982). Ali, ele mostra a import\u00e2ncia dessa palavra de ordem, que n\u00e3o tem em si um car\u00e1ter classista: \u201cal\u00e9m de ser a mais progressiva que levantou o movimento palestino, pode abrir passagem para a revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Citamos um texto recente nosso sobre a rela\u00e7\u00e3o dessa consigna com a revolu\u00e7\u00e3o permanente:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA proposta original da OLP, de uma \u201cPalestina laica, livre e n\u00e3o racista\u201d, \u00e9 a bandeira hist\u00f3rica dos palestinos. Mas a \u00fanica possibilidade de viabilizar essa proposta \u00e9 com a destrui\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, para voltar \u00e0 situa\u00e7\u00e3o anterior \u00e0 sua cria\u00e7\u00e3o, quando mu\u00e7ulmanos, judeus e crist\u00e3os coexistiam democraticamente na mesma regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, trata-se de uma guerra muito dif\u00edcil devido \u00e0 desigualdade militar. Israel \u00e9 a quarta pot\u00eancia militar do planeta. E conta com o apoio direto do imperialismo norte-americano, bem como dos imperialismos europeus. Se pensarmos apenas do ponto de vista militar, a derrota \u00e9 quase certa, como tem acontecido at\u00e9 agora.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a hist\u00f3ria ensina que \u00e9 poss\u00edvel derrotar at\u00e9 mesmo a pot\u00eancia imperialista hegem\u00f4nica quando a mobiliza\u00e7\u00e3o de massas e a luta armada se aliam.<\/p>\n\n\n\n<p>Na revolu\u00e7\u00e3o haitiana, os escravos insurgentes derrotaram o imperialismo espanhol e impuseram uma das primeiras derrotas militares ao imperialismo franc\u00eas com Napole\u00e3o Bonaparte. Durante a Revolu\u00e7\u00e3o Russa, o rec\u00e9m-criado Ex\u00e9rcito Vermelho derrotou a invas\u00e3o militar contrarrevolucion\u00e1ria de 16 pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para usar um exemplo mais recente, os Estados Unidos foram derrotados no Vietn\u00e3 em 1975. Isso foi resultado da resist\u00eancia her\u00f3ica do Vietcongue combinada com mobiliza\u00e7\u00f5es em todo o mundo e nos Estados Unidos em particular.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ser preciso, \u00e9 necess\u00e1rio entender a guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional palestina como parte do processo de revolu\u00e7\u00e3o permanente. Nas palavras de Trotsky, no Programa de Transi\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso \u00e9 o que determina a pol\u00edtica do proletariado dos pa\u00edses atrasados: ele \u00e9 obrigado a combinar a luta pelas tarefas mais elementares da independ\u00eancia nacional e da democracia burguesa com a luta socialista contra o imperialismo mundial\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs demandas democr\u00e1ticas, as demandas transit\u00f3rias e as tarefas da revolu\u00e7\u00e3o socialista n\u00e3o est\u00e3o separadas em \u00e9pocas hist\u00f3ricas distintas, mas surgem imediatamente umas das outras\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel derrotar Israel, mas para isso ser\u00e1 necess\u00e1rio, al\u00e9m de manter e aprofundar a resist\u00eancia militar em Gaza, algo semelhante \u00e0 combina\u00e7\u00e3o de uma nova Intifada palestina, a retomada da Primavera \u00c1rabe nos pa\u00edses da regi\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00f5es de massas em todos os pa\u00edses do mundo, particularmente nos pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma nova Intifada provocar\u00e1 confrontos massivos na Cisjord\u00e2nia e nos territ\u00f3rios de 1948, tirando o foco \u00fanico de Gaza.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma nova Primavera \u00c1rabe enfrentar\u00e1 os governos \u00e1rabes da regi\u00e3o, tanto aqueles que apoiam diretamente Israel quanto aqueles que lavam as m\u00e3os no \u201cEixo da Resist\u00eancia\u201d, para apoiar ativamente a luta palestina.<\/p>\n\n\n\n<p>As mobiliza\u00e7\u00f5es nos pa\u00edses imperialistas podem desempenhar o papel essencial das manifesta\u00e7\u00f5es contra a guerra do Vietn\u00e3, que fraturou a burguesia norte-americana e ajudou enormemente \u00e0 vit\u00f3ria da luta vietnamita.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, para isso, ser\u00e1 necess\u00e1rio superar as dire\u00e7\u00f5es burguesas desse processo.\u201d (Revolu\u00e7\u00e3o permanente e guerra na Palestina)<\/p>\n\n\n\n<p>Para n\u00f3s, a consigna \u201cPalestina livre, do rio ao mar\u201d \u00e9 fundamental por expressar um objetivo revolucion\u00e1rio -a destrui\u00e7\u00e3o do estado de Israel-, e por ser de massas entre os palestinos. Ela deve ser entrela\u00e7ada com a perspectiva de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista na regi\u00e3o, por uma Federa\u00e7\u00e3o socialista das rep\u00fablicas do Oriente M\u00e9dio e Norte de \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">a) A polemica com a FT sobre a palavra de ordem \u201cPalestina livre, do rio ao mar\u201d<\/h4>\n\n\n\n<p>A FT se nega a defender a palavra de ordem \u201cPalestina livre, do rio ao mar\u201d, como parte de sua incompreens\u00e3o da incorpora\u00e7\u00e3o das tarefas democr\u00e1ticas no processo da revolu\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante entender a origem dessa consigna. Ela \u00e9 parte do programa original OLP (Organiza\u00e7\u00e3o pela Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina), que foi abandonado por Arafat nos Acordos de Oslo. Mas essa palavra de ordem foi assumida pela Intifada Palestina em 1987, enfrentando o estado de Israel, sob a forma \u201cA Palestina \u00e9 \u00c1rabe, de \u00c1gua \u00e0 \u00c1gua\u201d. Os palestinos reafirmaram seu direito \u00e0s terras de toda a Palestina hist\u00f3rica, com o fim do Estado racista. Desde ent\u00e3o, \u201cPalestina Livre, do Rio ao Mar\u201d \u00e9 uma das consignas mais populares no movimento de solidariedade \u00e0 Palestina.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa consigna tem uma enorme import\u00e2ncia por expressar o direito dos palestinos a que todo o territ\u00f3rio hist\u00f3rico da Palestina seja governado por um \u00fanico estado. Ou seja, ela se enfrenta n\u00e3o s\u00f3 com o genoc\u00eddio sionista atual, como tamb\u00e9m com a pol\u00edtica equivocada dos \u201cdois estados\u201d, defendida por grande parte dos reformistas a n\u00edvel mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Fazemos nossas as palavras de V\u00edctor Alay, sobre o rejei\u00e7\u00e3o da FT em defender o lema \u201cPalestina laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista, do rio ao mar\u201d:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA FT n\u00e3o se sente confort\u00e1vel com este lema hist\u00f3rico e central do trotskismo diante do conflito palestino e o substituiu por um \u201cPalestina oper\u00e1ria e socialista\u201d (ou, na vers\u00e3o de Alcoy, uma \u201cPalestina oper\u00e1ria e socialista, laica, sobre o conjunto da Palestina hist\u00f3rica\u201d). Esta substitui\u00e7\u00e3o \u00e9 um erro extremamente grave.<\/p>\n\n\n\n<p>Os companheiros da FT pensam que defender o slogan \u201cPalestina democr\u00e1tica, laica e n\u00e3o racista, do rio ao mar\u201d equivale a defender uma \u201cetapa democr\u00e1tica\u201d e renunciar ao car\u00e1ter socialista da revolu\u00e7\u00e3o palestina. Mas eles est\u00e3o completamente errados, porque esse slogan \u00e9 atualmente a principal reivindica\u00e7\u00e3o do programa para a revolu\u00e7\u00e3o socialista na Palestina e em toda a regi\u00e3o. Em vez de integrar essa consigna em um programa de transi\u00e7\u00e3o, combin\u00e1-la com demandas econ\u00f4micas e sociais, transit\u00f3rias e socialistas, e dar uma dimens\u00e3o regional e internacional \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o palestina (que culmina na luta por uma federa\u00e7\u00e3o socialista do Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica), a FT a substitui pela consigna de uma \u201cPalestina oper\u00e1ria e socialista\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas essa consigna representa um ultimato pretensioso e sect\u00e1rio que impede a constru\u00e7\u00e3o da unidade da luta das massas palestinas e da regi\u00e3o, a unidade destas com as massas pr\u00f3-palestinas dos pa\u00edses imperialistas e tamb\u00e9m com a pequena e corajosa minoria judaica antissionista israelense. Equivale a impor-lhes como condi\u00e7\u00e3o que concordem com uma Palestina \u201coper\u00e1ria e socialista\u201d, em vez de dar passos juntos e conduzi-los pelo caminho da revolu\u00e7\u00e3o socialista a partir da luta comum por uma Palestina democr\u00e1tica, laica e n\u00e3o racista, do rio ao mar. Na verdade, a posi\u00e7\u00e3o da FT reflete uma profunda incompreens\u00e3o do que significa a revolu\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n\n\n\n<p>Este grave erro da FT colide frontalmente com a metodologia com que os trotskistas abordamos esses problemas ao longo de nossa hist\u00f3ria. Trotsky escreve no \u201cPrograma de Transi\u00e7\u00e3o\u201d que nos \u201cpa\u00edses atrasados\u201d temos que \u201ccombinar a luta pelas tarefas mais elementares da independ\u00eancia nacional e da democracia burguesa com a luta socialista contra o imperialismo mundial\u201d. E acrescenta: \u201cas demandas democr\u00e1ticas, as demandas transit\u00f3rias e as tarefas da revolu\u00e7\u00e3o socialista n\u00e3o est\u00e3o separadas em \u00e9pocas hist\u00f3ricas distintas, mas surgem imediatamente umas das outras\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>(A Fra\u00e7\u00e3o Trotskista e sua posi\u00e7\u00e3o na guerra de Gaza)<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">b) Sobre a tema da metodologia do Hamas<\/h4>\n\n\n\n<p>A LIT se colocou incondicionalmente ao lado da resist\u00eancia palestina contra o estado genocida de Israel e defendeu sua a\u00e7\u00e3o de 7 de outubro de 2023. Nesse processo, n\u00e3o fazemos mais do que aplicar a tradi\u00e7\u00e3o marxista de defesa das lutas de liberta\u00e7\u00e3o nacional. Junto com isso, n\u00f3s nos diferenciamos do programa do Hamas, de sua estrat\u00e9gia de constru\u00e7\u00e3o de um estado burgu\u00eas, das caracter\u00edsticas repressivas e reacion\u00e1rias de seu governo em Gaza. Sobre esse tema, existem v\u00e1rios artigos nossos, dos quais podemos citar como exemplo \u201cUma Perspectiva Revolucion\u00e1ria para a Liberta\u00e7\u00e3o Palestina Hoje\u201d e \u201cQuais Devem Ser os Objetivos e M\u00e9todos da Luta do Povo Palestino?\u201d, de Marxismo Vivo, n\u00ba 20.<br>.<br>No entanto, nesse momento tamb\u00e9m nos enfrentamos com uma parte da esquerda que repudiou \u201cos m\u00e9todos do Hamas\u201d na pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o de 7 de outubro. Entre essas organiza\u00e7\u00f5es, est\u00e1 infelizmente a FT.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, a FT n\u00e3o defende a a\u00e7\u00e3o do 7 de outubro e se une a imprensa burguesa, que questiona sua legitimidade. Ignora que essa a\u00e7\u00e3o recolocou o tema da Palestina no centro da luta de classes mundial e imp\u00f4s uma derrota a autoconfian\u00e7a sionista invulnerabilidade de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos o que disse essa organiza\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEspecificamente sobre a a\u00e7\u00e3o de 7 de outubro, uma parte dela foi dirigida contra alvos militares, como postos de controle, posi\u00e7\u00f5es das For\u00e7as de Defesa de Israel, quart\u00e9is, captura de militares israelenses, etc., mas toda a outra parte da opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o, o que implicou a morte de centenas de jovens que estavam em uma festa, fam\u00edlias que viviam em kibutz e muitas outras que n\u00e3o tinham nenhuma fun\u00e7\u00e3o militar\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo entanto, a quest\u00e3o de fundo \u00e9 qual seria a suposta justificativa, do ponto de vista da causa palestina, para a\u00e7\u00f5es como, por exemplo, o ataque a um festival de m\u00fasica como o que estava sendo realizado nas proximidades de Reim. Nenhuma. Pelo contr\u00e1rio, isso prejudica amplamente a causa, por isso \u00e9 fundamental delimitar esses m\u00e9todos que n\u00e3o t\u00eam nada a ver com os do proletariado.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, Heller se apressa em justificar, advertindo que \u00e9 preciso fazer uma abordagem concreta do que aconteceu. No entanto, \u00e9 exatamente isso que ele n\u00e3o faz. Ele nos lembra que a tomada de ref\u00e9ns \u00e9 um m\u00e9todo usual que ocorreu historicamente em lutas revolucion\u00e1rias, citando, entre outras, a Comuna de Paris e a Revolu\u00e7\u00e3o Russa. Mas o que tem a ver a tomada como ref\u00e9ns do arcebispo de Paris, dos padres e dos gendarmes durante a Comuna com a tomada de ref\u00e9ns em um festival de m\u00fasica onde uma parte significativa dos participantes eram jovens pacifistas que n\u00e3o eram inimigos da causa palestina? Nada a ver. (Meios e fins. Um debate sobre a posi\u00e7\u00e3o da esquerda diante da estrat\u00e9gia e dos m\u00e9todos do Hamas, Mat\u00edas Maiello)<\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos esses argumentos um a um. Em primeiro lugar, a sociedade israelense \u00e9 completamente militarizada. A juventude israelense ou j\u00e1 est\u00e1 na ativa militar ou \u00e9 reservista.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que se tratasse apenas de \u201ccivis\u201d, atacar a resist\u00eancia palestina pela morte de civis \u00e9 um equ\u00edvoco completo. Trata-se de uma a\u00e7\u00e3o de guerra, de um povo oprimido em profunda desvantagem militar contra uma pot\u00eancia nuclear. Pior ainda, Myriam Bregman, candidata a presid\u00eancia da rep\u00fablica pela FIT, lamentou em um debate na tv \u2018a morte de civis palestinos e israelenses\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, sobre a tomada de \u201cref\u00e9ns\u201d. Usamos aspas porque na verdade se trata de prisioneiros de guerra. Esse tipo de a\u00e7\u00e3o foi realmente usado pelos bolcheviques na revolu\u00e7\u00e3o russa, assim como na Comuna de Paris. O que tem de errado? Ao contr\u00e1rio do que foi afirmado pelo FT, a tomada dos \u201cref\u00e9ns\u201d se comprovou como correta, sendo at\u00e9 esse momento um elemento central que provoca crise interna em Israel, provocando a mobiliza\u00e7\u00e3o de milhares de suas fam\u00edlias contra o governo Netanyahu, em defesa de um acordo que consiga sua liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito dif\u00edcil que um militante do FT conven\u00e7a qualquer ativista palestino de que a tomada de \u201cref\u00e9ns\u201d foi um erro. N\u00e3o por acaso, isso desapareceu de sua imprensa. Mas, como \u00e9 t\u00edpico dessa corrente, nenhuma autocr\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando ao artigo de V\u00edctor Alay:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEntrando j\u00e1 nos m\u00e9todos, pensamos que n\u00e3o se pode abstrair que o Hamas \u00e9 uma resist\u00eancia popular sem avi\u00f5es, tanques ou navios, encerrada na maior pris\u00e3o a c\u00e9u aberto do mundo, submetida a um cerco criminoso e a ataques atrozes durante 17 anos. Nestas circunst\u00e2ncias, n\u00e3o se pode exigir ao Hamas que se atenda a um suposto c\u00f3digo moral de combate na sua luta, enormemente desigual, contra o ex\u00e9rcito ocupante.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o se pode esquecer que as col\u00f4nias israelenses nos arredores de Gaza (e, em geral, todo o territ\u00f3rio de Israel, erguidas sobre a pilhagem de terras palestinas e a limpeza \u00e9tnica) n\u00e3o s\u00e3o apenas col\u00f4nias constru\u00eddas sobre terras roubadas pela viol\u00eancia, mas tamb\u00e9m desempenham uma fun\u00e7\u00e3o militar de cerco \u00e0 Faixa, conectadas a uma ampla rede de instala\u00e7\u00f5es militares, atacadas por milicianos e em grande parte destru\u00eddas. Da mesma forma, \u00e9 preciso levar em conta que Israel \u00e9 como uma base militar gigante onde, al\u00e9m das tropas em servi\u00e7o, h\u00e1 400 mil reservistas e um grande n\u00famero de civis armados.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 preciso considerar que uma coisa \u00e9 a propaganda sionista falaciosa, reproduzida de forma massiva e reiterada pelos governos e pela m\u00eddia ocidental, e outra s\u00e3o os fatos reais, parte dos quais foram revelados nas \u00faltimas semanas, embora tenham sido rapidamente silenciados. Sabemos que parte dos mortos no festival de m\u00fasica foi v\u00edtima de tiros indiscriminados de helic\u00f3pteros militares israelenses e que \u2013 como menciona Maiello \u2013 parte dos mortos nas col\u00f4nias vizinhas \u00e0 Faixa de Gaza foi v\u00edtima das tropas israelenses que combatiam os milicianos palestinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os companheiros da FT, longe de contextualizar as \u201cmortes de civis\u201d de 7 de outubro, conferem-lhes uma centralidade que s\u00f3 pode ser compreendida pela press\u00e3o brutal e sustentada da campanha dos meios de comunica\u00e7\u00e3o ocidentais. Alcoy chega a entrar em aprecia\u00e7\u00f5es morais e a dizer que \u201crejeitar a qualifica\u00e7\u00e3o de \u2018terrorismo\u2019 n\u00e3o \u00e9 relativizar e muito menos justificar os crimes do Hamas contra civis palestinos[6] e israelenses\u201d. Mas nunca devemos equiparar a viol\u00eancia do opressor \u00e0 do oprimido. N\u00e3o podemos qualificar de \u201ccrimes\u201d as mortes de civis israelenses, v\u00edtimas da resposta militar do Hamas \u00e0 barb\u00e1rie de Israel, o verdadeiro respons\u00e1vel por suas mortes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Acreditamos que damos continuidade a tradi\u00e7\u00e3o marxista de defender o direito dos povos oprimidos a se rebelar de todos os meios necess\u00e1rios. Nos colocamos no campo militar dos palestinos, ainda que n\u00e3o tenhamos acordo program\u00e1tico e pol\u00edtico com a dire\u00e7\u00e3o do Hamas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">c- Sobre a classe oper\u00e1ria israelense<\/h4>\n\n\n\n<p>A FT justifica a cr\u00edtica a tomada de ref\u00e9ns e a morte de civis pelo Hamas com esse argumento final:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNesses termos, nos diferenciamos dos m\u00e9todos do Hamas, pois apostamos na conflu\u00eancia dos habitantes de Gaza com os milhares que se mobilizam desde o in\u00edcio do ano na Cisjord\u00e2nia contra a ocupa\u00e7\u00e3o israelense e contra a Autoridade Palestina, com os trabalhadores \u00e1rabes de Israel e com os trabalhadores israelenses que rompem com o sionismo. Apostamos que essa unidade seja com os m\u00e9todos da classe trabalhadora, como a greve geral combinada com a intifada e o desenvolvimento de organismos de autodefesa capazes de unir todos esses setores.\u201d (Meios e fins. Um debate sobre a posi\u00e7\u00e3o da esquerda diante da estrat\u00e9gia e dos m\u00e9todos do Hamas, Mat\u00edas Mayello)<\/p>\n\n\n\n<p>Mais adiante, tenta justificar sua pol\u00edtica com o exemplo da postura da III Internacional nos EUA para convencer a classe oper\u00e1ria branca contra seus preconceitos racistas:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMas h\u00e1 um caso bastante gr\u00e1fico com o qual poder\u00edamos comparar a quest\u00e3o do sionismo dos trabalhadores israelenses, o profundo racismo dos oper\u00e1rios norte-americanos com o qual Trotsky se deparou de perto em sua \u00e9poca. Como Trotsky respondia a esse problema? Ele sustentava que: \u201c99,9% dos trabalhadores americanos s\u00e3o chauvinistas, em rela\u00e7\u00e3o aos negros s\u00e3o carrascos e tamb\u00e9m o s\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos chineses. \u00c9 preciso educar essas bestas americanas. \u00c9 preciso faz\u00ea-las entender que o Estado americano n\u00e3o \u00e9 o seu Estado e que elas n\u00e3o t\u00eam que ser as guardi\u00e3s desse Estado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, mais uma vez a FT deixa de lado a an\u00e1lise concreta da realidade concreta. Israel \u00e9 um enclave imperialista, com um estado de car\u00e1ter nazi fascista. O proletariado israelense judeu \u00e9 distinto do proletariado branco norte americano em rela\u00e7\u00e3o aos negros, por um problema material, econ\u00f4mico, que transcende e determina suas ideologias e pol\u00edticas. Tem privil\u00e9gios econ\u00f4micos e pol\u00edticos em rela\u00e7\u00e3o aos palestinos desde o in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o sionista h\u00e1 mais de cem anos. A coloniza\u00e7\u00e3o sionista transformou o proletariado judeu em agentes e benefici\u00e1rios do roubo de terras, casas e empregos do povo palestino.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o exista luta de classes entre a burguesia e o proletariado israelenses. Mas estes conflitos est\u00e3o subordinados \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da ordem colonial contra os palestinos.<\/p>\n\n\n\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o de massas que existe hoje em Israel contra o governo Netanyahu, em defesa de uma tr\u00e9gua e uma negocia\u00e7\u00e3o com o Hamas pelos ref\u00e9ns \u00e9 extremamente progressiva, por levar crise a esse estado nazifascista. Mas n\u00e3o nos enganemos. A maioria absoluta do povo israelense, inclusive dos que est\u00e3o nessas mobiliza\u00e7\u00f5es, s\u00e3o a favor da explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o sobre os palestinos. Mas n\u00e3o est\u00e3o a favor de que seus filhos e parentes continuem morrendo na guerra. Isso os leva a uma mobiliza\u00e7\u00e3o progressiva, embora limitada em seus objetivos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel uma alian\u00e7a entre o proletariado israelense judeu e o palestino pelo fim do genoc\u00eddio e pela liberta\u00e7\u00e3o da Palestina, por essa diferen\u00e7a material, da explora\u00e7\u00e3o dos palestinos e seus benef\u00edcios tamb\u00e9m pelos trabalhadores israelenses. S\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel uma conviv\u00eancia pac\u00edfica entre os palestinos e demais habitantes, mu\u00e7ulmanos e judeus na regi\u00e3o depois da destrui\u00e7\u00e3o do estado nazi fascista de Israel. Os palestinos que existiam na regi\u00e3o, antes de 1948, falam da paz que existia ent\u00e3o e que pode voltar a existir. Mas s\u00f3 depois da destrui\u00e7\u00e3o do estado de Israel e n\u00e3o antes.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Sobre a pol\u00eamica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Ucr\u00e2nia<\/h4>\n\n\n\n<p>O outro centro da luta de classes mundial, al\u00e9m da Palestina, \u00e9 a guerra da Ucrania. Sobre esse tema, mais uma vez, a FT tem um erro grave de caracteriza\u00e7\u00e3o, como uma \u201cguerra interimperialista\u201d e, a partir da\u00ed uma pol\u00edtica abstencionista, \u201ccontra a guerra\u201d, que termina por refor\u00e7ar o lado mais forte, da agress\u00e3o russa.<\/p>\n\n\n\n<p>Diz a FT:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor fim, trazendo o debate para uma quest\u00e3o bastante atual, em uma situa\u00e7\u00e3o de guerra, como a da Ucr\u00e2nia, a LIT reproduz uma l\u00f3gica semelhante e, ao n\u00e3o considerar em sua pol\u00edtica concreta o papel da OTAN, caracterizam a guerra apenas do ponto de vista de uma \u201cresist\u00eancia contra a invas\u00e3o\u201d e subvalorizam mais uma vez o papel do imperialismo. Obviamente nos posicionamos contra a invas\u00e3o russa na Ucr\u00e2nia, mas isso n\u00e3o significa assinar um cheque em branco para o imperialismo, que se unificou por tr\u00e1s do governo pr\u00f3-ocidental de Zelensky \u2013 inclusive, Trump n\u00e3o p\u00f4de deixar de seguir o armamento da Ucr\u00e2nia, obrigando Kiev a entregar seus recursos minerais e os pa\u00edses da Europa a contribu\u00edrem com mais or\u00e7amento militar para a OTAN. A LIT apoia militarmente o campo de Zelensky, inclusive exigindo armas aos pa\u00edses imperialistas \u2013 o que, digno de nota, ocorre desde o come\u00e7o do conflito&nbsp;[25].\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Qual \u00e9 a realidade concreta dessa guerra? O imperialismo russo, a segunda pot\u00eancia nuclear do mundo, invadiu em fevereiro de 2022 a Ucrania, um pa\u00eds semicolonial com menos de um ter\u00e7o de habitantes que a R\u00fassia. Putin pensava que se tratava de uma guerra f\u00e1cil, e que em menos de tr\u00eas meses tomaria Kiev e imporia um governo fantoche. No entanto, desde ent\u00e3o a Ucrania resiste h\u00e1 mais de tr\u00eas anos em uma guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional em plena Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse fato gigantesco e categ\u00f3rico- a invas\u00e3o de uma pa\u00eds imperialista sobre um pa\u00eds semicolonial- \u00e9 o elemento central da caracteriza\u00e7\u00e3o dessa realidade. A ela temos de agregar a exist\u00eancia de um governo burgu\u00eas, Zelensky, na Ucrania, que defende o imperialismo europeu e norte americano, e ataca o proletariado ucraniano limitando sua capacidade defensiva.<\/p>\n\n\n\n<p>O imperialismo europeu apoia a Ucrania, mantendo seu objetivo de semi-coloniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, mas na realidade limita severamente o envio de armas. Os aumentos dos or\u00e7amentos armamentistas dos pa\u00edses imperialistas t\u00eam a ver com seus pr\u00f3prios objetivos contrarrevolucion\u00e1rios e n\u00e3o com o apoio a Ucrania, que s\u00f3 recebe a raspa do tacho.<\/p>\n\n\n\n<p>O imperialismo norte americano tinha uma postura semelhante ao europeu, sob o governo Biden, mas o atual governo Trump mudou essa pol\u00edtica, passando a apoiar a Putin para for\u00e7ar a derrota da Ucrania, enquanto limita o apoio militar a esse pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Qual \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o da LIT? A tradicional do marxismo, perante esse tipo de guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional. Apoiamos a luta do povo ucraniano, mantendo nossa total independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao governo Zelensky.<\/p>\n\n\n\n<p>Tomemos essa cita\u00e7\u00e3o de Trotsky sobre a guerra sino japonesa:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuero me deter nesta carta para discutir apenas a Guerra Sino-Japonesa. Em minha declara\u00e7\u00e3o \u00e0 imprensa burguesa, afirmei que o dever de todas as organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias da China era participar ativamente e na linha de frente da atual guerra contra o Jap\u00e3o, sem abandonar, por um \u00fanico momento, seu pr\u00f3prio programa e atividade independente. Mas isso \u00e9 \u201csocial-patriotismo!\u201d, gritam os eiffelitas. \u00c9 capitula\u00e7\u00e3o a Chiang Kai-shek! \u00c9 o abandono do princ\u00edpio da luta de classes! O bolchevismo pregou o derrotismo revolucion\u00e1rio na guerra imperialista. Ora, a guerra na Espanha e a Guerra Sino-Japonesa s\u00e3o ambas guerras imperialistas. \u201cNossa posi\u00e7\u00e3o sobre a guerra na China \u00e9 a mesma. A \u00fanica salva\u00e7\u00e3o dos oper\u00e1rios e camponeses da China \u00e9 lutar independentemente contra os dois ex\u00e9rcitos, contra o ex\u00e9rcito chin\u00eas, da mesma forma que contra o ex\u00e9rcito japon\u00eas.\u201d Estas quatro linhas, retiradas de um documento eiffelita de 10 de setembro de 1937, bastam para dizermos: estamos aqui ou com verdadeiros traidores ou com imbecis completos. Mas imbecilidade, elevada a este grau, equivale a trai\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o colocamos e nunca colocamos todas as guerras no mesmo plano. Marx e Engels apoiaram a luta revolucion\u00e1ria dos irlandeses contra a Gr\u00e3-Bretanha, dos poloneses contra o czar, embora nessas duas guerras nacionalistas os l\u00edderes fossem, em sua maioria, membros da burguesia e at\u00e9 mesmo, em tempos, da aristocracia feudal\u2026 em todo caso, reacion\u00e1rios cat\u00f3licos. Quando Abdel-Krim se levantou contra a Fran\u00e7a, os democratas e os social-democratas falaram com \u00f3dio da luta de um \u201ctirano selvagem\u201d contra a \u201cdemocracia\u201d. O partido de Leon Blum apoiava esse ponto de vista. Mas n\u00f3s, marxistas e bolcheviques, consider\u00e1vamos a luta dos rifenhos contra a domina\u00e7\u00e3o imperialista como uma guerra progressista. L\u00eanin escreveu centenas de p\u00e1ginas demonstrando a necessidade primordial de distinguir entre na\u00e7\u00f5es imperialistas e na\u00e7\u00f5es coloniais e semicoloniais que constituem a grande maioria da humanidade. Falar de \u201cderrotismo revolucion\u00e1rio\u201d em geral, sem distinguir entre pa\u00edses exploradores e explorados, \u00e9 fazer uma caricatura miser\u00e1vel do bolchevismo e colocar essa caricatura a servi\u00e7o dos imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>No Extremo Oriente, temos um exemplo cl\u00e1ssico. A China \u00e9 um pa\u00eds semicolonial que o Jap\u00e3o est\u00e1 transformando, sob nossos olhos, em um pa\u00eds colonial. A luta do Jap\u00e3o \u00e9 imperialista e reacion\u00e1ria. A luta da China \u00e9 emancipat\u00f3ria e progressista.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Chiang Kai-shek? N\u00e3o precisamos ter ilus\u00f5es sobre Chiang Kai-shek, seu partido ou toda a classe dominante da China, assim como Marx e Engels n\u00e3o tinham ilus\u00f5es sobre as classes dominantes da Irlanda e da Pol\u00f4nia. Chiang Kai-shek \u00e9 o carrasco dos trabalhadores e camponeses chineses. Mas hoje ele \u00e9 for\u00e7ado, apesar de si mesmo, a lutar contra o Jap\u00e3o pelo que resta da independ\u00eancia da China. Amanh\u00e3 ele pode trair novamente. \u00c9 poss\u00edvel. \u00c9 prov\u00e1vel. \u00c9 at\u00e9 inevit\u00e1vel. Mas hoje ele est\u00e1 lutando. Somente covardes, canalhas ou completos imbecis podem se recusar a participar dessa luta.<\/p>\n\n\n\n<p>Usemos o exemplo de uma greve para esclarecer a quest\u00e3o. N\u00e3o apoiamos todas as greves. Se, por exemplo, uma greve for convocada para a exclus\u00e3o de trabalhadores negros, chineses ou japoneses de uma f\u00e1brica, nos opomos a essa greve. Mas se uma greve visa melhorar \u2014 na medida do poss\u00edvel \u2014 as condi\u00e7\u00f5es dos trabalhadores, somos os primeiros a participar dela, independentemente da lideran\u00e7a. Na grande maioria das greves, os l\u00edderes s\u00e3o reformistas, traidores de profiss\u00e3o, agentes do capital. Eles se op\u00f5em a todas as greves. Mas, de tempos em tempos, a press\u00e3o das massas ou da situa\u00e7\u00e3o objetiva os for\u00e7a a seguir o caminho da luta.<\/p>\n\n\n\n<p>Imaginemos, por um instante, um trabalhador dizendo a si mesmo: \u201cN\u00e3o quero participar da greve porque os l\u00edderes s\u00e3o agentes do capital\u201d. Essa doutrina desse imbecil ultraesquerdista serviria para marc\u00e1-lo pelo seu verdadeiro nome:&nbsp;um fura-greve&nbsp;. O caso da Guerra Sino-Japonesa \u00e9, desse ponto de vista, inteiramente an\u00e1logo. Se o Jap\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds imperialista e se a China \u00e9 v\u00edtima do imperialismo, n\u00f3s favorecemos a China. O patriotismo japon\u00eas \u00e9 a m\u00e1scara hedionda do roubo mundial. O patriotismo chin\u00eas \u00e9 leg\u00edtimo e progressista. Colocar os dois no mesmo plano e falar de \u201cpatriotismo social\u201d s\u00f3 pode ser feito por aqueles que nada leram de L\u00eanin, que nada entenderam da atitude dos bolcheviques durante a guerra imperialista e que s\u00f3 podem comprometer e prostituir os ensinamentos do marxismo.<\/p>\n\n\n\n<p>(Sobre a Guerra Sino-Japonesa, Setembro de 1937)<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos citar ainda a posi\u00e7\u00e3o de Trotsky sobre a guerra It\u00e1lia- Eti\u00f3pia:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMaxton e os outros opinam que a guerra \u00edtalo-et\u00edope \u00e9 \u201cum conflito entre dois ditadores rivais\u201d. Para esses pol\u00edticos, esse fato parece isentar o proletariado do dever de escolher entre dois ditadores. Assim, eles definem o car\u00e1ter da guerra pela&nbsp;forma&nbsp;pol\u00edtica do Estado, no curso da qual eles pr\u00f3prios consideram essa forma pol\u00edtica de maneira bastante superficial e puramente descritiva, sem levar em considera\u00e7\u00e3o os fundamentos sociais de ambas as \u201cditaduras\u201d. Um ditador tamb\u00e9m pode desempenhar um papel muito progressista na hist\u00f3ria; por exemplo, Oliver Cromwell, Robespierre, etc. Por outro lado, em plena democracia inglesa, Lloyd George exerceu uma ditadura altamente reacion\u00e1ria durante a guerra. Caso um ditador se colocasse \u00e0 frente da pr\u00f3xima revolta do povo indiano para esmagar o jugo brit\u00e2nico, Maxton recusaria ent\u00e3o o seu apoio a esse ditador? Sim ou n\u00e3o? Se n\u00e3o, por que ele recusa seu apoio ao \u201cditador\u201d et\u00edope que est\u00e1 tentando se livrar do jugo italiano?<\/p>\n\n\n\n<p>Se Mussolini triunfar, isso significar\u00e1 o refor\u00e7o do fascismo, o fortalecimento do imperialismo e o desencorajamento dos povos coloniais na \u00c1frica e em outros lugares. A vit\u00f3ria do Negus, no entanto, significaria um golpe poderoso n\u00e3o apenas contra o imperialismo italiano, mas contra o imperialismo como um todo, e daria um poderoso impulso \u00e0s for\u00e7as rebeldes dos povos oprimidos. \u00c9 preciso ser completamente cego para n\u00e3o ver isso.\u201d (Sobre ditadores e as alturas de Oslo, 1936)<\/p>\n\n\n\n<p>A FT argumenta com a interven\u00e7\u00e3o dos imperialismos norte americano e europeu para afirmar que se trata de uma \u201cguerra proxy\u201d ou seja, uma guerra por procura\u00e7\u00e3o, um conflito armado onde duas pot\u00eancias utilizam terceiros como intermedi\u00e1rios, evitando o confronto direto entre si.<\/p>\n\n\n\n<p>Evidentemente essa \u00e9 uma caracteriza\u00e7\u00e3o completamente equivocada. Ignora o fato central da guerra: a invas\u00e3o russa sobre Ucrania. N\u00e3o houve \u201cuma procura\u00e7\u00e3o\u201d de ningu\u00e9m para Putin. O imperialismo russo decidiu invadir a Ucrania. N\u00e3o houve procura\u00e7\u00e3o de nenhum imperialismo para o povo ucraniano resistir a essa invas\u00e3o. De forma heroica, as massas ucranianas est\u00e3o lutando contra a invas\u00e3o russa, apesar de todas as manobras do governo burgu\u00eas de Zelensky. Ignorar isso, \u00e9 uma express\u00e3o da cegueira citada por Trotsky.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo argumento central do FT \u00e9 que quem dirige a luta n\u00e3o \u00e9 o proletariado e uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, mas o governo burgu\u00eas de Zelesnky. Sobre esse tema, basta lembrar o exemplo citado por Trotsky da postura de um trabalhador perante uma greve dirigida por dire\u00e7\u00f5es sindicais burocr\u00e1ticas, para ver a gravidade de seu erro.<\/p>\n\n\n\n<p>Resgatamos o artigo de V\u00edctor Alay sobre o tema:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAqui entramos em um cl\u00e1ssico dos companheiros da FT, pois, segundo eles, se n\u00e3o h\u00e1 uma \u201cfor\u00e7a pol\u00edtica independente\u201d, revolucion\u00e1ria ou claramente classista, na dire\u00e7\u00e3o ou, pelo menos, desempenhando um papel relevante em um movimento popular, n\u00e3o se pode apoiar tal movimento nem se colocar em seu campo militar em caso de conflito armado. Este n\u00e3o \u00e9 apenas o caso da Ucr\u00e2nia. Foi tamb\u00e9m o caso do poderoso movimento democr\u00e1tico contra a ditadura de Bashar al-Assad na S\u00edria, onde a FT manteve uma postura abstentionista e se recusou a apoiar a rebeli\u00e3o popular, tanto durante as grandes mobiliza\u00e7\u00f5es de massas contra o regime como durante todo o per\u00edodo inicial da guerra civil, antes que o movimento popular fosse sufocado pelas fac\u00e7\u00f5es militares financiadas e dirigidas pelos regimes reacion\u00e1rios da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os revolucion\u00e1rios devem, portanto, estar incondicionalmente no campo militar da Ucr\u00e2nia e lutar pela vit\u00f3ria militar da na\u00e7\u00e3o oprimida e invadida, sem que isso implique qualquer tipo de apoio pol\u00edtico a Zelensky ou \u00e0 OTAN. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 preciso denunciar seus planos e manobras e trabalhar pela organiza\u00e7\u00e3o independente do proletariado ucraniano contra Zelensky, a OTAN, a UE e o FMI.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso se opor e denunciar sem meias palavras a OTAN (e pedir sua dissolu\u00e7\u00e3o) e o rearmamento imperialista, se opor a todos os or\u00e7amentos militares de Biden, Macron, S\u00e1nchez etc., e denunciar abertamente Zelensky como o homem de Biden e da UE na Ucr\u00e2nia. Mas esse confronto pol\u00edtico com Zelensky deve ser feito sendo, em todos os momentos, \u201cos melhores soldados contra Putin\u201d. Da mesma forma que s\u00f3 pod\u00edamos denunciar o governo republicano de Madri, que desmantelava as conquistas revolucion\u00e1rias do in\u00edcio da guerra civil espanhola de 1936-1939, sendo \u201cos melhores soldados contra Franco\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se pode desmascarar a OTAN nem Zelensky fora das trincheiras ucranianas ou com uma postura \u201cnem uma coisa nem outra\u201d, na \u201cterra de ningu\u00e9m\u201d, no meio do fogo cruzado. O que diz o FT aos trabalhadores ucranianos, muitos dos quais est\u00e3o na linha de frente? Que n\u00e3o se deve apoiar nenhum campo militar porque ambos s\u00e3o reacion\u00e1rios e que s\u00f3 se poder\u00e1 apoiar o lado ucraniano quando houver um governo anti-imperialista e socialista?<\/p>\n\n\n\n<p>A FT denuncia a guerra na Ucr\u00e2nia como uma guerra reacion\u00e1ria e aposta em um movimento pela paz, como se estiv\u00e9ssemos em uma guerra entre pot\u00eancias imperialistas pela divis\u00e3o do mundo e n\u00e3o diante de uma guerra justa de liberta\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a FT foi muito longe nessa linha, pois tem sido beligerante contra a entrega de armas \u00e0 Ucr\u00e2nia por parte das pot\u00eancias imperialistas. Em lugares como o Estado espanhol ou a Alemanha, ela fez campanhas de agita\u00e7\u00e3o em defesa de \u201cnem um tanque para a Ucr\u00e2nia\u201d (A Fra\u00e7\u00e3o Trotskista, o contraste entre Gaza e a Ucr\u00e2nia).<\/p>\n\n\n\n<p>Existe uma campanha internacional da ampla maioria das organiza\u00e7\u00f5es estalinistas em todo o mundo em apoio a Putin na guerra da Ucrania, com o argumento que se trata de um governo progressivo (Putin) contra a um governo apoiado pela OTAN. E existe todo um setor, tamb\u00e9m estalinista, que defende uma pol\u00edtica muito pr\u00f3xima da FT, \u201ccontra a guerra\u201d, contra os dois lados.<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica da FT para a Ucrania, portanto, tem um conte\u00fado abstencionista, que termina levando \u00e1gua ao moinho do setor mais forte, o imperialismo russo, hoje apoiado tamb\u00e9m por Trump.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a pol\u00eamica em rela\u00e7\u00e3o a Cristina Kirchner<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto na pol\u00eamica ao redor da queda do governo de Dilma Rousseff como da pris\u00e3o de Cristina Kirchner se expressam a necessidade da independ\u00eancia de classe perante uma polariza\u00e7\u00e3o entre dois blocos burgueses: um projeto de colabora\u00e7\u00e3o de classes e outro da ultra direita. Essa polariza\u00e7\u00e3o est\u00e1 presente de um ou outra forma em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o tema de Dilma Rousseff n\u00e3o vamos desenvolver, deixando para outro artigo, dos camaradas do PSTU.<\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos o que diz a FT sobre o tema Cristina Kirchner:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o suficiente, por n\u00e3o tirar nenhuma li\u00e7\u00e3o desse processo, repetem o mesmo erro atualmente na Argentina, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o se opondo \u00e0 pris\u00e3o da Cristina Kirchner, como tamb\u00e9m defendendo abertamente que ela seja presa, se localizando com a mesma pol\u00edtica que hoje \u00e9 sustentada pela extrema direita de Milei, Macri e Trump.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, mais uma vez, perante a polariza\u00e7\u00e3o entre dois blocos burgueses, a FT se atrela a um deles. Uma delega\u00e7\u00e3o parlamentar do FT chegou a visitar a casa de Kirchner para demonstrar sua solidariedade a ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o tema, resgatamos uma declara\u00e7\u00e3o conjunta de v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, incluindo o PSTU argentino:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCristina Fern\u00e1ndez de Kirchner (CFK) estar\u00e1 presa a partir desta quarta-feira. Este fato polarizou todo o pa\u00eds, impactou o processo eleitoral e obrigou todas as organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sindicais a se posicionarem.<\/p>\n\n\n\n<p>Os partidos de esquerda mais conhecidos \u2013 os que fazem parte da FITU, o Nuevo MAS, Pol\u00edtica Obrera \u2013 e seus l\u00edderes mais conhecidos (de Bregman e Del Ca\u00f1o a Belliboni e Solano, de Altamira a Casta\u00f1eira, etc.) se posicionaram ao lado de Cristina, denunciando, junto com o aparato peronista, uma \u201cpersegui\u00e7\u00e3o antidemocr\u00e1tica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Consideramos um grave erro essa postura, que \u00e9 oportunista, guiada por um c\u00e1lculo eleitoral e representa uma reivindica\u00e7\u00e3o a Cristina. Respeitamos o sentimento de muitos trabalhadores que lamentam a situa\u00e7\u00e3o de sua l\u00edder, mas n\u00e3o o compartilhamos. E nos vemos obrigados a dizer a verdade: Cristina colhe o que plantou.<\/p>\n\n\n\n<p>A direita pol\u00edtica e a maior parte da m\u00eddia comemoram o que apresentam como \u201cuma vit\u00f3ria contra a corrup\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 pura hipocrisia. A Justi\u00e7a \u00e9 parte do que h\u00e1 de mais corrupto no regime pol\u00edtico que nos vendem como \u201cdemocracia\u201d. E a Corte \u00e9 sua m\u00e1xima express\u00e3o. Nenhum deles se preocupou com os neg\u00f3cios de Menem, Macri ou Milei, semelhantes aos dos Kirchner. Repudiamos essa Justi\u00e7a, assim como o conjunto das institui\u00e7\u00f5es da \u201cdemocracia\u201d, que s\u00f3 servem para perpetuar a explora\u00e7\u00e3o, a submiss\u00e3o ao Fundo Monet\u00e1rio e aos capitais estrangeiros e nacionais. N\u00e3o temos nada a ver com isso e rejeitamos suas senten\u00e7as. Neste caso, uma senten\u00e7a guiada por um c\u00e1lculo eleitoral. Mas isso n\u00e3o nos leva a defender Cristina.<\/p>\n\n\n\n<p>O aparato peronista denuncia uma \u201cpersegui\u00e7\u00e3o\u201d e um \u201cataque \u00e0 democracia\u201d. Nada disso \u00e9 verdade. CFK n\u00e3o estar\u00e1 presa por enfrentar os poderosos, mas sim v\u00edtima de seus pr\u00f3prios atos. Os dirigentes sindicais, incapazes de mover um dedo em defesa da classe trabalhadora e que, como todo o peronismo, foram c\u00famplices do ajuste brutal de Milei, agora amea\u00e7am com mobiliza\u00e7\u00f5es. Os governos peronistas, como os outros, perseguiram os lutadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, trata-se de uma disputa entre setores patronais pelo poder e pelo dinheiro. N\u00e3o h\u00e1 um setor \u201cprogressista\u201d nessa quest\u00e3o. \u00c9 mais um passo da \u201cdivis\u00e3o\u201d que serve para impedir que a classe trabalhadora e o povo pobre rompam com todas as variantes patronais e avancem em sua luta por uma nova dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e por uma sa\u00edda oposta a todos eles. Por isso, \u00e9 duplamente errada a defesa do peronismo e de sua \u201cchefe\u201d por parte da esquerda que se diz revolucion\u00e1ria. Pelo contr\u00e1rio, em tempos em que milh\u00f5es de trabalhadores se mostram cansados do peronismo, mais do que nunca precisamos nos distanciar de todos eles, apresentar uma alternativa completamente independente, oposta a todas as variantes patronais, diante de cada fato da realidade.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Uma conclus\u00e3o inicial<\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o fazemos essa resposta como uma mera disputa pol\u00eamica, como uma defesa da LIT perante um ataque descabido da FT. Nos parece que um real debate entre revolucion\u00e1rios pode ser frut\u00edfero, mas pressup\u00f5e um entendimento profundo das cr\u00edticas. Sinceramente acreditamos que, ao contr\u00e1rio do \u201cerro etapista de Moreno\u201d, \u00e9 a FT que se equivoca profundamente em elementos muito importantes explicados aqui:<\/p>\n\n\n\n<p>a- o subjetivismo como metodologia de interpreta\u00e7\u00e3o da realidade, t\u00e3o equivocado como o objetivismo<\/p>\n\n\n\n<p>b- a necessidade da an\u00e1lise concreta da realidade concreta dos processos da revolu\u00e7\u00e3o permanente que envolvam tarefas democr\u00e1ticas<\/p>\n\n\n\n<p>c- a necessidade de programas diferentes para momentos antes e depois de derrubadas das ditaduras, articulados no programa geral de transi\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>d- o erro grave em rela\u00e7\u00e3o a Palestina, por negar a consigna da \u201cPalestina livre, do rio ao mar\u201d , articulada como parte de um programa de transi\u00e7\u00e3o para a revolu\u00e7\u00e3o socialista\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>e- erros n\u00e3o menos graves pela nega\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o de 7 de outubro da resist\u00eancia palestina, atacando a toma de ref\u00e9ns e a morte de civis. Associada a isso vem sua idealiza\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria israelense, desconhecendo a base material do sionismo.<\/p>\n\n\n\n<p>f- sua postura de neutralidade perante a guerra da Ucrania, que a leva a uma capitula\u00e7\u00e3o ao setor mais forte, o imperialismo russo.<\/p>\n\n\n\n<p>g- seus erros em rela\u00e7\u00e3o a democracia burguesa, concretizados na defesa de Cristina Kirchner e o governo Dilma<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo, mas n\u00e3o menos importante, a FT nunca se autocritica de nada. Nesse sentido, tamb\u00e9m se choca com a metologia de Lenin e de Moreno.<\/p>\n\n\n\n<p>A FT nunca se autocriticou do atraso na caracteriza\u00e7\u00e3o da restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo na China. At\u00e9 o dia de hoje n\u00e3o chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que a China \u00e9 imperialista. Segue sem caracterizar que em Cuba j\u00e1 houve uma restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo, o que os levou a recusar a defender os trabalhadores reprimidos pela ditadura burguesa castrista no 11J de 2021. Quando v\u00e3o fazer autocr\u00edtica de terem criticado dura e severamente o Hamas por ter feito ref\u00e9ns na a\u00e7\u00e3o de 7 de outubro de 2023?<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, tamb\u00e9m o terreno da autocr\u00edtica, o leninismo passa longe dessa corrente.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos dispostos a debater esses e outros problemas chaves do programa e da pol\u00edtica trotsquista tanto atrav\u00e9s de artigos como em qualquer f\u00f3rum de discuss\u00e3o que se possa definir. Consideramos que o debate franco, aberto e p\u00fablico, se feito com uma metodologia sadia de argumentos e n\u00e3o am\u00e1lgamas e caricaturas, pode ajudar os ativistas a se posicionarem sobre esses temas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Eduardo Almeida,\u00a0Florence Oppen\u00a0e\u00a0F\u00e1bio BoscoA Fra\u00e7\u00e3o Trotsquista (FT) divulgou um artigo de pol\u00eamica com Moreno e a LIT-QI (\u201cOs dilemas da LIT-QI em sua autocr\u00edtica a Nahuel Moreno e a atualidade da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente\u201d), escrito por Danilo Paris. 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