{"id":81418,"date":"2025-08-25T21:48:48","date_gmt":"2025-08-25T21:48:48","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=81418"},"modified":"2025-08-27T21:49:28","modified_gmt":"2025-08-27T21:49:28","slug":"a-longa-noite-a-masmorra-nunca-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/08\/25\/a-longa-noite-a-masmorra-nunca-mais\/","title":{"rendered":"A Longa Noite\u2026 A Masmorra Nunca Mais"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Izle\u00f1o Pipil (PT \/ El Salvador)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na longa noite de inverno de 1982<\/strong>. Em 21 de agosto, no ano da morte. O rel\u00f3gio tiquetaqueava e a noite parecia escura. O caminho era irregular e o cansa\u00e7o evidente, os gritos dos anjos se misturavam \u00e0s m\u00e1scaras da morte, e o canto das corujas anunciava a chegada de um rio de sangue.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na longa noite de um massacre anunciado<\/strong>, diz-se que mais de 200 homens, mulheres, idosos, meninas e meninos perderam a vida nas m\u00e3os de um ex\u00e9rcito covarde, representando a oligarquia nefasta e sanguin\u00e1ria de um pa\u00eds sem hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Longa Noite dos 43<\/strong>. A longa noite j\u00e1 dura 43 anos. Anos de busca incessante por justi\u00e7a. Quarenta e tr\u00eas anos em que ainda exigimos puni\u00e7\u00e3o para os assassinos. Mas, em vez disso, o que tivemos foram quarenta e tr\u00eas anos de zombaria, desprezo, desd\u00e9m e neglig\u00eancia por parte dos perpetradores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na longa noite de 43 anos<\/strong>, as feridas da mem\u00f3ria ainda n\u00e3o cicatrizaram, pois desde o in\u00edcio ficou evidente que o interesse da classe dominante n\u00e3o era reparar os danos perpetrados, mas sim proteger com impunidade os perpetradores. Eles inventaram tantas leis quantas foram necess\u00e1rias para pintar os rios de sangue com as cores da democracia. Em 1993, novos e velhos partidos pol\u00edticos, subservientes \u00e0 democracia burguesa, se uniram no esgoto legislativo e deram origem \u00e0 Lei da Anistia. Esta lei da anistia = Amn\u00e9sia = esquecimento, aprisionamento da mem\u00f3ria. Esta foi uma lei elaborada e concebida pelos perpetradores e para proteg\u00ea-los; mas tamb\u00e9m ignorou e esqueceu as v\u00edtimas. Na longa noite de 43 anos, a impunidade ainda reina, pois os respons\u00e1veis \u200b\u200bpelo massacre na pris\u00e3o ainda n\u00e3o foram condenados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A longa noite de 43 anos<\/strong> tamb\u00e9m viu resist\u00eancia. Resist\u00eancia de sobreviventes que, apesar de tudo, ainda exigem justi\u00e7a. A longa noite de 43 anos tamb\u00e9m viu o nascimento de novas gera\u00e7\u00f5es; gera\u00e7\u00f5es rebeldes que se recusam a ceder e continuam a exigir justi\u00e7a e puni\u00e7\u00e3o para os assassinos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hoje, na longa noite de 43 anos<\/strong>, revivemos nossos mortos, os trazemos \u00e0 nossa mem\u00f3ria e, com eles, damos vida \u00e0quela luz de esperan\u00e7a que ainda persiste. Revivemos nossa mem\u00f3ria e nossa hist\u00f3ria. Essa hist\u00f3ria \u00e9 uma viagem ao passado em busca da verdade. Essa mem\u00f3ria se baseia na mem\u00f3ria de nossos mortos e de muitos outros (a revolta ind\u00edgena de 1932, o massacre de Mozote, o massacre de Tenango e Guadalupe, o massacre de Zumpul, o massacre estudantil de 30 de julho, o massacre de Santa Rita, o massacre de San Francisco Angulo, o massacre de Santa Rosita, o massacre de Aradillas, Romero, Rutilio, as 4 freiras Maryknoll, o assassinato de Romero, os padres jesu\u00edtas, etc.) m\u00e1rtires da esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 hoje, na longa noite de 43 anos<\/strong>, que as comunidades do norte de San Vicente, em El Salvador, levantam suas vozes e exigem a verdade, e que a justi\u00e7a seja feita com base nessa verdade. Somente assim o perd\u00e3o e a reconcilia\u00e7\u00e3o podem existir neste pa\u00eds sem hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Que a mem\u00f3ria hist\u00f3rica sirva para reivindicar o sangue de nossos m\u00e1rtires e, com base nesse legado, incendiar as lutas, essas muitas lutas por um caminho comum.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da indiferen\u00e7a, dizemos \u2014 SOLIDARIEDADE<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da injusti\u00e7a, dizemos \u2014 LUTA<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da impunidade, dizemos \u2014 RESIST\u00caNCIA<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00c3O CAIAMOS, N\u00c3O ESQUECEMOS, N\u00c3O NOS RECONCILIAMOS<\/p>\n\n\n\n<p>JUSTI\u00c7A E CASTIGO PARA OS ASSASSINOS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Izle\u00f1o Pipil (PT \/ El Salvador) Na longa noite de inverno de 1982. Em 21 de agosto, no ano da morte. O rel\u00f3gio tiquetaqueava e a noite parecia escura. 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