{"id":81331,"date":"2025-07-25T15:20:01","date_gmt":"2025-07-25T15:20:01","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=81331"},"modified":"2025-08-08T21:20:37","modified_gmt":"2025-08-08T21:20:37","slug":"as-politicas-de-trump-a-disputa-eua-china-e-a-crise-da-ordem-mundial-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/07\/25\/as-politicas-de-trump-a-disputa-eua-china-e-a-crise-da-ordem-mundial-parte-2\/","title":{"rendered":"As pol\u00edticas de Trump, a disputa EUA-China e a crise da ordem mundial \u2013 Parte 2"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Felipe Alegria e Ricardo Ayala<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>China, o grande inimigo<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Como apontamos ao longo do artigo, a pol\u00edtica geral de Trump \u00e9 explicada, em primeiro lugar, pelo desafio que a China representa para a supremacia estadunidense.&nbsp; Nesse sentido, no referido artigo da revista Marxismo Vivo escrevemos: &#8220;<em>Marco Rubio, o novo secret\u00e1rio de Estado de Trump, enfatizou em sua posse que &#8220;a China \u00e9 o advers\u00e1rio mais perigoso e poderoso que os Estados Unidos j\u00e1 enfrentaram&#8221;. Em termos semelhantes, dois anos antes, Blinken, secret\u00e1rio de Estado de Biden, falou na Universidade G. Washington: &#8220;Continuaremos a nos concentrar no desafio de longo prazo mais s\u00e9rio para a ordem internacional, aquele representado pela China (&#8230;) o \u00fanico pa\u00eds com a inten\u00e7\u00e3o de remodelar a ordem internacional e, cada vez mais, com poder econ\u00f4mico, diplom\u00e1tico, militar e tecnol\u00f3gico para faz\u00ea-lo&#8221;. (&#8230;)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Na verdade, desde o surgimento da China como uma nova pot\u00eancia imperialista a partir de sua resposta \u00e0 grande crise econ\u00f4mica de 2008, entramos em um per\u00edodo prolongado de conflito entre os dois imperialismos. \u00c9 um choque que condiciona o funcionamento do organismo econ\u00f4mico mundial, que est\u00e1 globalmente estagnado desde a crise de 2008. Afeta totalmente a divis\u00e3o mundial do trabalho (DMT) e desequilibra profundamente o Sistema de Estados, realocando o papel dos pa\u00edses e regi\u00f5es do mundo. Esse antagonismo tornou-se um eixo central da pol\u00edtica mundial.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A ascens\u00e3o de Trump \u00e0 presid\u00eancia dos EUA precipita a crise da Ordem Mundial, acentuar\u00e1 os confrontos comerciais, tecnol\u00f3gicos e geopol\u00edticos com a China e alimentar\u00e1 a corrida armamentista global, aumentando as tens\u00f5es e o pr\u00f3prio risco de choques militares.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>E continuamos:<em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Poucos dias antes do surgimento do DeepSeek<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a>, a ag\u00eancia estadunidense Bloomberg apontava que a China era l\u00edder mundial em carros el\u00e9tricos (EVs), drones, pain\u00e9is solares e trens de alta velocidade e que estava se esfor\u00e7ando para ser l\u00edder mundial em rob\u00f4s e medicamentos. A aeronave comercial chinesa C919 j\u00e1 est\u00e1 competindo na \u00c1sia com a Boeing e a Airbus. Se tudo isso \u00e9 de grande relev\u00e2ncia, a batalha pela lideran\u00e7a em semicondutores (atualmente nas m\u00e3os da estadunidense NVIDIA) e em IA \u00e9 muito mais importante, visto que, se a China superar os EUA nessa \u00e1rea, poderia levar a uma onda s\u00edsmica com enormes consequ\u00eancias.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A China est\u00e1 em \u00f3bvia inferioridade diante do imperialismo estadunidense no campo financeiro. Os Estados Unidos s\u00e3o a grande superpot\u00eancia financeira, que tem o FMI e o BM e \u00e9 apoiado pelo papel do d\u00f3lar como moeda universal. A China ainda est\u00e1 longe de ser uma alternativa financeira aos EUA, mas est\u00e1 se esfor\u00e7ando para se tornar, paralelamente aos seus investimentos estrangeiros, com\u00e9rcio e alian\u00e7as, como os BRICS+, uma pot\u00eancia financeira global e reduzir sua depend\u00eancia do d\u00f3lar.<\/p>\n\n\n\n<p>Na negocia\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria ainda inconclusiva com os EUA, com resultados incertos e sem d\u00favida tempor\u00e1rios, a China, ao contr\u00e1rio da UE, manteve-se firme, dizendo que a negocia\u00e7\u00e3o deveria ser &#8220;<em>entre iguais<\/em>&#8220;. No final, foi Trump quem cedeu, por enquanto, devido \u00e0 alta depend\u00eancia dos Estados Unidos de terras raras e suprimentos industriais chineses.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, essa vit\u00f3ria t\u00e1tica n\u00e3o pode nos fazer esquecer que a China est\u00e1 sofrendo de um s\u00e9rio problema de superprodu\u00e7\u00e3o (que alimenta uma forte guerra interna de pre\u00e7os de ve\u00edculos el\u00e9tricos<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>) que est\u00e1 entrela\u00e7ado com uma crise imobili\u00e1ria sem fim que est\u00e1 perturbando as finan\u00e7as dos governos locais, juntamente com um significativo desemprego juvenil e consumo que n\u00e3o est\u00e1 decolando. Estima-se que 16 milh\u00f5es de empregos dependam diretamente das exporta\u00e7\u00f5es para os EUA, embora na realidade o n\u00famero aumente significativamente se considerarmos os empregos indiretamente associados. Trump est\u00e1 tentando explorar essa realidade para bloquear o caminho para a ascens\u00e3o da China e for\u00e7ar uma recess\u00e3o. Uma de suas armas importantes s\u00e3o as tarifas sobre os pa\u00edses da ASEAN<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, onde os investimentos chineses est\u00e3o concentrados para contornar as barreiras comerciais dos EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>O imperialismo emergente da China est\u00e1 em uma encruzilhada importante. Dado que n\u00e3o ceder\u00e1 a um aumento substancial do consumo interno, o que implicaria reduzir o grau de explora\u00e7\u00e3o de sua classe trabalhadora<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a>, \u00e9 for\u00e7ado a dar um salto em sua expans\u00e3o externa, estabelecendo <em>zonas de influ\u00eancia<\/em> no que \u00e9 conhecido como&nbsp; <em>Sul Global,<\/em> em confronto aberto com os EUA. Isso afeta as exporta\u00e7\u00f5es, mas vai al\u00e9m disso.<\/p>\n\n\n\n<p>A esse respeito, o influente economista chin\u00eas Huang Yiping<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, membro <em>do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria do Banco Popular da China<\/em>, defendeu recentemente um <em>&#8220;plano Marshall chin\u00eas<\/em>&#8220;. Este foi o nome dado ao chamado <em>&#8220;Programa Global de Desenvolvimento Verde do Sul&#8221;, projetado <\/em>para &#8220;<em>aliviar a press\u00e3o do excesso de capacidade da China e tornar o mundo em desenvolvimento mais verde e, a longo prazo, forjar um nexo estrat\u00e9gico de co-desenvolvimento<\/em>&#8220;. Outro economista influente, Yao Yang<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, reconhece o <em>excesso de capacidade <\/em>da China, que ele define mais precisamente como &#8220;<em>excesso de capital<\/em>&#8220;, e tamb\u00e9m avan\u00e7a a conveni\u00eancia de acompanhar as exporta\u00e7\u00f5es conjuntas (<em>joint ventures<\/em>)em \u00e1reas como carros el\u00e9tricos, energia solar ou energia e\u00f3lica, em pa\u00edses imperialistas como os da UE, tra\u00e7ando um paralelo com as <em>joint ventures<\/em> ocidentais que se instalaram na China.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>A UE numa encruzilhada com dif\u00edcil sa\u00edda<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A Europa, em particular a Uni\u00e3o Europeia (UE), aparece neste quadro internacional como uma pot\u00eancia menor em crise, no meio do conflito entre os EUA e a China. Na verdade, a UE n\u00e3o \u00e9 um bloco imperialista homog\u00eaneo, mas um agrupamento de Estados com interesses diferenciados, presidido pela Alemanha e pela Fran\u00e7a. A UE \u00e9 impotente para agir como uma &#8220;pot\u00eancia imperialista alternativa&#8221; e se subordina aos EUA em pontos internacionais essenciais, apesar dos conflitos entre ambas as partes. Por exemplo, as palavras da Relatora Especial da ONU para a Palestina, Francesca Albanese, que acaba de declarar que &#8220;<em>os Estados da UE pregam o direito internacional, mas s\u00e3o guiados mais por uma mentalidade colonial do que por princ\u00edpios, agindo como vassalos do imp\u00e9rio dos EUA<\/em>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>A desarticula\u00e7\u00e3o e a subjuga\u00e7\u00e3o da UE \u00e9 um dos elementos importantes do plano global dos EUA. A China, por sua vez, est\u00e1 tentando atrair a UE para si e <em>torn\u00e1-la aut\u00f4noma<\/em> dos EUA. A UE encontra-se numa encruzilhada hist\u00f3rica: o que \u00e9 que a Alemanha e a Fran\u00e7a v\u00e3o fazer, com uma UE em crise, sem for\u00e7a para agirem sozinhas em escala global e com interesses que, ali\u00e1s, n\u00e3o coincidem em aspectos substanciais?<\/p>\n\n\n\n<p>Dificuldades praticamente intranspon\u00edveis surgem quando se trata de configurar um centro imperialista europeu aut\u00f4nomo. O projeto da UE est\u00e1 em uma crise profunda: emparedado entre os EUA e a China e com Trump (e Putin) trabalhando ativamente para enfraquec\u00ea-lo e quebr\u00e1-lo. As propostas pr\u00f3-europeias de Enrico Letta ou Mario Draghi (que poderiam ser resumidas como &#8220;<em>a UE deve funcionar como um Estado \u00fanico<\/em>&#8220;) carecem de bases s\u00f3lidas de apoio. Pelo contr\u00e1rio, for\u00e7as de extrema-direita como Orb\u00e1n da Hungria, Fico da Eslov\u00e1quia, os poloneses do PyS, a AfD da Alemanha (apoiada diretamente pelo vice-presidente Vance), bem como o holand\u00eas Wilders, Marine Le Pen da Fran\u00e7a ou Meloni da It\u00e1lia, todos eles associados a Trump, Putin ou ambos, s\u00e3o contra, com maior ou menor contund\u00eancia.&nbsp; \u00e0s&nbsp; pretens\u00f5es <em>europe\u00edstas franco-alem\u00e3s<\/em>. Al\u00e9m disso, a Fran\u00e7a e a Alemanha est\u00e3o abertamente amea\u00e7adas pela ascens\u00e3o eleitoral da <em>extrema-direita antieuropeia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A Alemanha, em pleno retrocesso, sofre uma longa recess\u00e3o e, na decadente Fran\u00e7a, o governo Bayrou acaba de anunciar um brutal plano de austeridade (do qual apenas os gastos militares s\u00e3o poupados), sob o argumento de que <em>o pa\u00eds est\u00e1 a um passo da fal\u00eancia<\/em>. Da mesma forma, as for\u00e7as militares francesas acabam de ser expulsas de suas \u00faltimas bases militares na \u00c1frica. Estamos assistindo, ao mesmo tempo, a uma esp\u00e9cie de metamorfose militarista do plano Draghi<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a>, a cargo da presidente da Comiss\u00e3o Europeia, Ursula von der Leien, e dos governos alem\u00e3o e franc\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto,&nbsp; o <em>keynesianismo militar<\/em> da UE, para ter um impacto no crescimento sustentado do PIB, envolveria a fabrica\u00e7\u00e3o de armas na Europa e depois a venda a terceiros, caso contr\u00e1rio, o est\u00edmulo inicial dos gastos militares acabaria se esgotando rapidamente. E \u00e9 aqui que surge uma quest\u00e3o fundamental: algu\u00e9m pensa que os governos europeus unificar\u00e3o a sua produ\u00e7\u00e3o de armas, recusar\u00e3o gastar dinheiro comprando armas dos estadunidenses e entrar\u00e3o em concorr\u00eancia aberta com eles no mercado mundial de armas?<\/p>\n\n\n\n<p>O que vimos na reuni\u00e3o da OTAN no final de junho em Haia foi uma demonstra\u00e7\u00e3o flagrante de subservi\u00eancia europeia a Trump e suas demandas, expressa na aprova\u00e7\u00e3o de um aumento nos gastos militares para 5% do PIB (um trilh\u00e3o de d\u00f3lares adicionais por ano). Isso implica um aumento acentuado da d\u00edvida do Estado, cortes s\u00e9rios nos servi\u00e7os b\u00e1sicos do Estado de <em>Bem-Estar Social<\/em> e um aumento nos impostos. Al\u00e9m disso, ratifica um alto grau de sateliza\u00e7\u00e3o dos EUA, que se encontrar\u00e3o com as m\u00e3os muito mais livres para concentrar suas for\u00e7as contra a China no Indo-Pac\u00edfico e com uma ind\u00fastria de armas que se beneficia de uma enorme carteira adicional de encomendas europeias. Coincidindo com a reuni\u00e3o, o chanceler alem\u00e3o Friedrich Merz, com uma economia caminhando para seu terceiro ano de recess\u00e3o, anunciou um impressionante programa de compras de armas dos EUA de cerca de 10 bilh\u00f5es de d\u00f3lares e, evidentemente! novas compras de Israel em meio \u00e0 carnificina em Gaza e na Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, come\u00e7am a ressurgir na UE reivindica\u00e7\u00f5es territoriais que nos remetem ao tempo da Primeira Guerra Mundial e p\u00f5em em causa a atual divis\u00e3o territorial europeia. \u00c9 o caso da Mold\u00e1via, por parte da Rom\u00eania, ou da Transcarpetia ucraniana, por parte da Hungria. Essas reivindica\u00e7\u00f5es territoriais que come\u00e7am a surgir s\u00e3o favorecidas pela condescend\u00eancia de Trump sobre as reivindica\u00e7\u00f5es de Putin em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Ucr\u00e2nia, o que, por sua vez, alimenta os riscos de incurs\u00f5es militares russas nos pr\u00f3ximos anos nos pa\u00edses que pertenciam \u00e0 URSS, na \u00c1sia, nos pa\u00edses b\u00e1lticos, na Mold\u00e1via &#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>O progresso das negocia\u00e7\u00f5es tarif\u00e1rias com o governo Trump, ainda em andamento, mostra a mesma fraqueza servil da UE em rela\u00e7\u00e3o aos EUA. Trump, al\u00e9m disso, considera apenas a balan\u00e7a comercial com a UE e n\u00e3o a de servi\u00e7os, onde o super\u00e1vit dos EUA \u00e9 not\u00e1vel. Tamb\u00e9m ignora que uma parte significativa do d\u00e9ficit comercial vem das manobras fiscais das multinacionais estadunidenses que tomam a Irlanda como base de exporta\u00e7\u00e3o para evitar impostos inflacionando artificialmente os pre\u00e7os. Em outras palavras, se considerarmos esses elementos, o d\u00e9ficit \u00e9 inexistente. Isso, sem contar a repatria\u00e7\u00e3o de lucros de bancos e multinacionais estadunidenses. No entanto, Trump enviou uma carta a von der Leien estabelecendo uma tarifa proibitiva de 30%. Como \u00e9 que a UE, a Alemanha e a Fran\u00e7a v\u00e3o responder?<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>O futuro e a luta de classes<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Ao longo do artigo, consideramos a disputa entre os EUA e a China. Uma pergunta-chave a ser feita \u00e9 quem durar\u00e1 mais tempo sem entrar em crise? Trump conseguir\u00e1 impor um bloqueio \u00e0 economia chinesa? A superprodu\u00e7\u00e3o de capital conseguir\u00e1 encontrar sa\u00eddas ou acabar\u00e1 causando uma grave crise na China? Os EUA cair\u00e3o em uma forte recess\u00e3o econ\u00f4mica primeiro? Como a enorme e crescente d\u00edvida p\u00fablica estadunidense afetar\u00e1 a economia dentro e fora dos EUA? Qual ser\u00e1, no final, a resposta da UE \u00e0s tarifas de Trump? Como \u00e9 que estas tarifas afetar\u00e3o as economias europeias e a pr\u00f3pria coes\u00e3o da UE? Qual ser\u00e1 a resposta nos pa\u00edses semicoloniais?<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, \u00e9 poss\u00edvel que entre os maiores problemas de Trump esteja a resist\u00eancia interna, oper\u00e1ria e popular \u00e0s suas medidas. Vimos as mobiliza\u00e7\u00f5es massivas em Los Angeles e outras cidades contra deporta\u00e7\u00f5es e incurs\u00f5es do ICE, bem como a grande mobiliza\u00e7\u00e3o nacional &#8220;<em>No King Day&#8221; <\/em>&nbsp;em 14 de junho, na qual mais de cinco milh\u00f5es de pessoas participaram em 2.100 locais. Vamos ver qual \u00e9 a continuidade desse movimento, os passos que d\u00e1 em sua auto-organiza\u00e7\u00e3o e o grau de independ\u00eancia que alcan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao aparato do Partido Democrata.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m na China, Xi Jinping pode enfrentar conflitos sociais significativos, apesar da aus\u00eancia de liberdades sindicais e da presen\u00e7a dos sindicatos oficiais, que s\u00e3o aparatos de controle do regime e dos empregadores. Vale a pena notar a recente concentra\u00e7\u00e3o de protestos<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a> que se espalhou, com intensidade vari\u00e1vel, por todo o pa\u00eds. Houve conflitos na ind\u00fastria manufatureira e na constru\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m, o que \u00e9 mais in\u00e9dito, na educa\u00e7\u00e3o e na sa\u00fade. Os atrasos salariais continuam a ser o denominador comum da grande maioria dos protestos. A manufatura tem se concentrado principalmente em Guangdong e afeta as ind\u00fastrias voltadas para a exporta\u00e7\u00e3o. S\u00e3o significativas as de duas f\u00e1bricas da Foxconn (a maior fornecedora mundial de iPhones) e duas f\u00e1bricas da ByD, principal fabricante de carros el\u00e9tricos. O setor da constru\u00e7\u00e3o foi respons\u00e1vel por mais de metade dos protestos coletivos de 2025, refletindo a persist\u00eancia da crise imobili\u00e1ria chinesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos vivendo um momento de transi\u00e7\u00e3o com cen\u00e1rios extremamente complexos e hip\u00f3teses alternativas.&nbsp; A disputa interimperialista \u00e9 combinada com uma ofensiva generalizada contra a classe trabalhadora em todo o mundo, nos pa\u00edses imperialistas e nos pa\u00edses semicoloniais, e com a continuidade das guerras e conflitos armados.<\/p>\n\n\n\n<p>O curso do genoc\u00eddio em Gaza e na Cisjord\u00e2nia e a resist\u00eancia \u00e0 barb\u00e1rie sionista, bem como a marcha da guerra na Ucr\u00e2nia contra a invas\u00e3o de Putin, com Trump confraternizando com o agressor, marcar\u00e3o o pr\u00f3ximo per\u00edodo, definido por um agu\u00e7amento da luta de classes que est\u00e1 em andamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Se algo est\u00e1 evidente nesta situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 a necessidade vital de dar passos substanciais na auto-organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e oprimidos e, no calor disso, na constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa oper\u00e1ria independente e revolucion\u00e1ria que mostre que podemos encontrar uma sa\u00edda socialista para a cat\u00e1strofe a que a decomposi\u00e7\u00e3o do capitalismo mundial nos condena. \u00c9 para isso que queremos contribuir a partir da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> O modelo de IA da empresa OpenAI<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Enquanto milh\u00f5es de carros el\u00e9tricos est\u00e3o eternamente nos terrenos dos fabricantes chineses, em 23 de maio passado, a ByD, maior fabricante, baixou os pre\u00e7os de seus carros entre 15% e 30%, gerando uma verdadeira explos\u00e3o na guerra de pre\u00e7os que afetou o setor por muitos meses. O governo chin\u00eas teve que intervir e anunciou, entre outras medidas, o desaparecimento de in\u00fameras marcas de eletricidade que n\u00e3o s\u00e3o lucrativas, incentivando fus\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Associa\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es do Sudeste Asi\u00e1tico (ASEAN)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> Em termos de condi\u00e7\u00f5es de trabalho, o jornal de Hong Kong, South China Morning Post (SCMP), relata a exist\u00eancia generalizada do conhecido regime 996, comum entre as empresas de Internet e tecnologia: dias \u00fateis das 9h \u00e0s 21h durante 6 dias por semana, apesar de a lei trabalhista prescrever 8 horas de trabalho por dia,&nbsp; 44 por semana e um dia de descanso por semana. A situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil (quase todos migrantes do campo) \u00e9 de semiescravid\u00e3o, sem sequer um dia de descanso semanal.&nbsp; Uma situa\u00e7\u00e3o semelhante \u00e9 a dos trabalhadores das marcas de moda ultrarr\u00e1pida Shein ou Temu, tamb\u00e9m migrantes rurais, com um dia de descanso por m\u00eas, 75 horas de trabalho por semana e pagamento por pe\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> SCMP de 18-11-24<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.scmp.com\/economy\/global-economy\/article\/3309715\/unswerving-superpowers-meet-unsustainable-tariffs-yao-yang-breaks-down-paradox\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.scmp.com\/economy\/global-economy\/article\/3309715\/unswerving-superpowers-meet-unsustainable-tariffs-yao-yang-breaks-down-paradox<\/a> Postado em 12 de maio de 2025<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> O Relat\u00f3rio Draghi, apresentado em setembro de 2024 sob o t\u00edtulo <em>O Futuro da Competitividade Europeia<\/em>, defende uma <em>estrat\u00e9gia europeia comum<\/em> para frear o decl\u00ednio da UE. Prop\u00f5e o estabelecimento de uma <em>pol\u00edtica econ\u00f4mica externa e de uma estrat\u00e9gia industrial comuns, de uma pol\u00edtica tecnol\u00f3gica comum<\/em> e de um mercado \u00fanico de capitais, incluindo a emiss\u00e3o conjunta de d\u00edvida. Do mesmo modo, estender o mercado \u00fanico \u00e0 energia, \u00e0s telecomunica\u00e7\u00f5es e \u00e0 ind\u00fastria militar.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> https:\/\/andreaferrario1.substack.com\/p\/la-cina-sotto-pressione-mobilitazioni<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Felipe Alegria e Ricardo Ayala Como apontamos ao longo do artigo, a pol\u00edtica geral de Trump \u00e9 explicada, em primeiro lugar, pelo desafio que a China representa para a supremacia estadunidense.&nbsp; Nesse sentido, no referido artigo da revista Marxismo Vivo escrevemos: &#8220;Marco Rubio, o novo secret\u00e1rio de Estado de Trump, enfatizou em sua posse [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":81332,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[83,32,3523],"tags":[9224,8643,690,20],"class_list":["post-81331","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo","category-economia","category-opiniao","tag-chinaxeua","tag-felipe-alegria-2","tag-ricardo-ayala","tag-trump"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Captura-de-tela_25-7-2025_121938_neofeed.com_.br_.jpeg","categories_names":["Economia","Mundo","Opini\u00e3o"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81331","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81331"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81331\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":81333,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81331\/revisions\/81333"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81332"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81331"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81331"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81331"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}