{"id":81231,"date":"2025-07-05T02:05:08","date_gmt":"2025-07-05T02:05:08","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=81231"},"modified":"2025-07-18T22:48:45","modified_gmt":"2025-07-18T22:48:45","slug":"africa-subsaariana-nova-partilha-ou-luta-pela-ii-independencia-parte-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/07\/05\/africa-subsaariana-nova-partilha-ou-luta-pela-ii-independencia-parte-i\/","title":{"rendered":"\u00c1frica Subsaariana | Nova partilha ou luta pela II Independ\u00eancia \u2013 parte I"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Cesar Neto e J.G. Hata<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O atual ciclo de crise do sistema capitalista mundial se reflete de forma intensa no continente africano. As consequ\u00eancias s\u00e3o variadas, tais como: aumento da explora\u00e7\u00e3o mineral e natural do continente africano, deslocamento de popula\u00e7\u00f5es inteiras, degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente e queda ainda maior da qualidade de vida das massas. Neste texto queremos abrir uma discuss\u00e3o que nos prepare para melhor entender e explicar esses processos e, acima de tudo, ajudar a vanguarda lutadora a elaborar um programa que parta da necessidade da segunda independ\u00eancia rumo a uma sociedade socialista revolucion\u00e1ria. Este texto tem, portanto, a pretens\u00e3o de explicitar como a atual crise capitalista incide na pol\u00edtica interna de cada um dos 54 pa\u00edses africanos.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><em><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-cyan-bluish-gray-color\">Por uma quest\u00e3o pedag\u00f3gica (e em certo sentido arbitr\u00e1ria), dividimos esta discuss\u00e3o em partes. Dado que a \u00c1frica possui 54 pa\u00edses com grande diversidade hist\u00f3rica, econ\u00f4mica e pol\u00edtica, optamos por essa divis\u00e3o formal para melhor poder explicar e enriquecer com dados os principais elementos sobre a situa\u00e7\u00e3o africana e seus principais atores, isto \u00e9, o imperialismo, as submetr\u00f3poles, as burguesias locais e as lutas que aconteceram no \u00faltimo per\u00edodo.<\/mark><\/em><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Os quatro grandes ciclos econ\u00f4micos p\u00f3s-independ\u00eancia desde os anos 1960<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 muita diversidade no desenvolvimento capitalista dos pa\u00edses africanos. H\u00e1 economias como a da \u00c1frica do Sul, da Nig\u00e9ria e de Angola, que s\u00e3o mais avan\u00e7adas que as demais, apesar do enorme atraso em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses sul-americanos, por exemplo. H\u00e1, tamb\u00e9m, pa\u00edses como Ruanda e Uganda, que atuam como centro de tr\u00e1fico de ouro e outros materiais e cumprem um papel de gendarme dos interesses imperialistas na regi\u00e3o. Os dados do PNUD sobre o \u00cdndice de Desenvolvimento Humano, publicados em 2025, trazendo dados de 2023, indicam que dos 193 pa\u00edses listados, entre os dez piores, nove s\u00e3o da \u00c1frica subsaariana.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os quatro grandes ciclos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De 1960 a 1980, anos de crescimento da economia: Foi um per\u00edodo demarcado pela constru\u00e7\u00e3o de infraestrutura para poder administrar os pa\u00edses ap\u00f3s a independ\u00eancia pol\u00edtica, e depois para mostrar for\u00e7a e pujan\u00e7a para a popula\u00e7\u00e3o local. Como exemplo, podemos citar obras em Gana<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a> e Costa do Marfim<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 1967 e 1980 houve um crescimento importante do PIB, que esteve na ordem de 6%. Um crescimento que poderia ser compar\u00e1vel ao de alguns pa\u00edses asi\u00e1ticos. As economias de Gana e Costa do Marfim, por exemplo, cresceram mais do que as da Mal\u00e1sia e da Indon\u00e9sia, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>1980 a 2000, a acelerada decad\u00eancia da economia da \u00c1frica subsaariana: Em fun\u00e7\u00e3o dos fatores externos, como aumento do pre\u00e7o do petr\u00f3leo, diminui\u00e7\u00e3o dos termos de troca e a crise da d\u00edvida, o PIB, que chegou a 6%, caiu para 2,1%.<\/p>\n\n\n\n<p>O car\u00e1ter monoexportador e a queda dos pre\u00e7os internacionais das mat\u00e9rias-primas s\u00e3o dos principais fatores para a decad\u00eancia da economia subsaariana. Em 1975, um trator novo custava o equivalente a oito toneladas m\u00e9tricas de caf\u00e9 africano; em 1990, o mesmo trator custava quarenta toneladas m\u00e9tricas do mesmo caf\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa queda continuou ocorrendo de tal sorte que, em 2015, uma tonelada de cacau valia US$ 1.300 e uma camioneta 4&#215;4 valia US$ 120.000. Ou seja, s\u00e3o necess\u00e1rias 92 toneladas de cacau para comprar um 4&#215;4. Uma tonelada de cacau requer oito hectares; como a maioria dos produtores tem um hectare, significa que ser\u00e3o necess\u00e1rios quinhentos anos de trabalho para comprar a 4&#215;4.<\/p>\n\n\n\n<p>2000 a 2007, um novo ciclo de crescimento: Se entre 1967 e 1980 a economia cresceu em m\u00e9dia 6% ao ano, de 2000 a 2007 voltou a crescer, mas em um patamar inferior, alcan\u00e7ando uma m\u00e9dia de 3,9%. Esse novo ciclo de crescimento se deu em grande parte devido ao aumento significativo dos pre\u00e7os das commodities.<\/p>\n\n\n\n<p>2007 a 2022, fruto da crise econ\u00f4mica mundial: A desacelera\u00e7\u00e3o das economias europeia e norte-americana e a redu\u00e7\u00e3o da economia chinesa provocaram o decl\u00ednio no consumo de mat\u00e9rias-primas e queda dos pre\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses per\u00edodos de crescimento do PIB que relatamos acima n\u00e3o corresponderam \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de vida das massas, pelo contr\u00e1rio, conforme podemos ver no exemplo da Nig\u00e9ria:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>ANO<\/td><td>Sal\u00e1rio M\u00ednimo (Naira, moeda local)<\/td><td>Sal\u00e1rio M\u00ednimo (US$)<\/td><td>PIB per capita<\/td><td>Sal\u00e1rio M\u00ednimo\/PIB per capita %<\/td><\/tr><tr><td>1998<\/td><td>3.000<\/td><td>136<\/td><td>2.204<\/td><td>75<\/td><\/tr><tr><td>2014<\/td><td>18.000<\/td><td>109<\/td><td>5.443<\/td><td>25<\/td><\/tr><tr><td>2024<\/td><td>70.000<\/td><td>44<\/td><td>6.318<\/td><td>10<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>O fim do ciclo de expans\u00e3o e a queda da taxa de lucro na \u00c1frica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como parte da crise mundial, as corpora\u00e7\u00f5es transnacionais e as grandes empresas nacionais africanas t\u00eam apresentado queda acentuada na taxa de lucro. Os dados publicados em 2023 e 2024 mostram que nesse per\u00edodo acumularam quase 25% de lucro, por\u00e9m os dados publicados em 2025 apontam uma forte desacelera\u00e7\u00e3o. Estamos falando de empresas de minera\u00e7\u00e3o, telecomunica\u00e7\u00f5es, e-commerce, etc.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os dados publicados em 2025, das 500 maiores empresas, tomando como exemplo as primeiras 387, a margem m\u00e9dia de lucro est\u00e1 em 6,3%, isto \u00e9, uma queda muito acentuada nos \u00faltimos dois anos. As raz\u00f5es dessa queda foram a instabilidade monet\u00e1ria e a queda nos pre\u00e7os das commodities. Nesse \u00faltimo per\u00edodo, apenas algumas poucas empresas vinculadas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de ouro e ferro e tamb\u00e9m empresas espec\u00edficas do ramo da avia\u00e7\u00e3o conseguiram uma taxa de lucro um pouco maior.<\/p>\n\n\n\n<p>Tomando como refer\u00eancia os dados publicados em 2023, das 351 maiores empresas, a taxa de lucro foi um recorde de 14,9%. Dos dados publicados em 2024, tomando em conta as 377 maiores empresas, a taxa de lucro foi de 11,5%, e os dados publicados em 2025 apontam para 6,3%.<\/p>\n\n\n\n<p>O capital financeiro, por outro lado, tem obtido resultados expressivos. No continente temos um pouco mais de 300 bancos. Analisando a partir de suas origens, conclu\u00edmos que, dos dez primeiros bancos, cinco s\u00e3o da Nig\u00e9ria, tr\u00eas do Egito, um de Angola e outro das Ilhas Maur\u00edcio. A grande maioria se desenvolveu favorecida pelos empr\u00e9stimos p\u00fablicos, flutua\u00e7\u00e3o da taxa de c\u00e2mbio e, em alguns casos, ganhos oriundos do servi\u00e7o da d\u00edvida p\u00fablica. O retorno sobre o patrim\u00f4nio l\u00edquido dos bancos estudados tem estado por cima dos 30%.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da lucratividade dos bancos, esta se d\u00e1 dentro da curva descendente da economia mundial, com possibilidade de crescimento curto e fr\u00e1gil. Sem medo de errar, pode-se afirmar que a era de crescimento acelerado dos gigantes corporativos africanos chegou ao fim, com suas margens de lucro despencando cada vez mais r\u00e1pido.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise capitalista de 2008-2009 e as crises subsequentes e seus impactos na economia africana<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados econ\u00f4micos acima demonstram o quanto a crise capitalista, aberta em 2008-2009, impactou e segue impactando o continente africano, em especial a regi\u00e3o conhecida como subsaariana. Diversas economias historicamente debilitadas entraram em situa\u00e7\u00e3o de default frente \u00e0 d\u00edvida externa, v\u00e1rios governos ca\u00edram, se intensificaram as explora\u00e7\u00f5es dos recursos minerais, e um dado estarrecedor foi o aumento da fome, por conta das quest\u00f5es clim\u00e1ticas e pela redu\u00e7\u00e3o da ajuda alimentar enviada pelo Programa de Alimentos das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Essa redu\u00e7\u00e3o se deve \u00e0 infla\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os e \u00e0 inadimpl\u00eancia dos pa\u00edses que contribu\u00edam para tal fim.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A nova partilha da \u00c1frica: EUA, China e R\u00fassia \u00e0 frente das principais iniciativas<\/p>\n\n\n\n<p>EUA: A presen\u00e7a norte-americana na \u00c1frica vem desde muito antes dos processos de independ\u00eancia dos anos 60 do s\u00e9culo passado. H\u00e1 v\u00e1rios exemplos que comprovam essa presen\u00e7a, sendo um dos mais emblem\u00e1ticos a extra\u00e7\u00e3o e o transporte de ur\u00e2nio, que foi enviado de forma secreta para os EUA durante a II Guerra Mundial para a fabrica\u00e7\u00e3o das bombas at\u00f4micas lan\u00e7adas sobre Hiroshima e Nagasaki. Depois da guerra, continuaram extraindo ur\u00e2nio para novas bombas, assim se impondo como pot\u00eancia at\u00f4mica diante do mundo. Esse processo de extra\u00e7\u00e3o exigiu uma grande invers\u00e3o de capitais na constru\u00e7\u00e3o de estradas, ferrovias e portos.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o governo Obama, foram tentadas diversas iniciativas, que depois foram abandonadas por Trump. No governo Joe Biden, essa pol\u00edtica foi retomada por meio da C\u00fapula de L\u00edderes Estados Unidos-\u00c1frica de 2022 \u2013 dos 54 pa\u00edses representados pela Uni\u00e3o Africana, 49 estiveram presentes. Segundo um comunicado da Casa Branca, \u201ccome\u00e7amos com os pa\u00edses que t\u00eam uma boa reputa\u00e7\u00e3o junto \u00e0 Uni\u00e3o Africana. Portanto, h\u00e1 quatro pa\u00edses que tiveram mudan\u00e7as inconstitucionais no governo e que foram suspensos da Uni\u00e3o Africana: Guin\u00e9, Sud\u00e3o, Mali e Burkina Faso. E n\u00e3o temos rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas plenas com a Eritreia, ent\u00e3o eles tamb\u00e9m n\u00e3o foram convidados\u201d<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Sud\u00e3o, Mali e Burkina Faso, por estarem na \u00f3rbita dos russos, n\u00e3o foram convidados, obviamente.<\/p>\n\n\n\n<p>O atual governo Trump, atrav\u00e9s do Secret\u00e1rio de Estado Adjunto Interino para Assuntos Africanos, Troy Fitrell, anunciou que os EUA promover\u00e3o, em outubro deste ano, nova C\u00fapula de L\u00edderes EUA-\u00c1frica em Nova York. O objetivo desse novo encontro, segundo o Secret\u00e1rio Troy, ser\u00e1 centrado nas quest\u00f5es de com\u00e9rcio e investimento. \u201cN\u00e3o ser\u00e1 uma c\u00fapula para falar apenas de pol\u00edtica, guerra e coisas do tipo. Ela priorizar\u00e1 o interc\u00e2mbio entre parceiros e as rela\u00e7\u00f5es entre iguais.\u201d E acrescenta: \u201caumentar as exporta\u00e7\u00f5es e os investimentos dos EUA na \u00c1frica, eliminar d\u00e9ficits comerciais e impulsionar a prosperidade m\u00fatua (&#8230;) Os EUA t\u00eam um plano de seis pontos para impulsionar o com\u00e9rcio e o investimento dos EUA na \u00c1frica, em coopera\u00e7\u00e3o com a comunidade empresarial, para finalmente reverter d\u00e9cadas de estagna\u00e7\u00e3o durante as quais a \u00c1frica foi respons\u00e1vel por menos de 1% do com\u00e9rcio dos EUA\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, todo esse esfor\u00e7o de realizar a C\u00fapula de L\u00edderes EUA-\u00c1frica, em plena curva descendente da economia, iniciada com a grande recess\u00e3o de 2007-2009, ficar\u00e1 muito limitado: i. pela retirada dos EUA do Banco Africano de Desenvolvimento, devido ao fato de essa ag\u00eancia defender uma pol\u00edtica clim\u00e1tica e esta n\u00e3o ser a prioridade do atual governo dos EUA; ii. pelo Projeto de Lei Or\u00e7ament\u00e1ria conhecido como \u201cOne Big Beautiful Bill\u201d, que prop\u00f5e um imposto federal de 3,5% sobre o dinheiro enviado ao exterior por cidad\u00e3os n\u00e3o norte-americanos. Sendo aprovada, tal lei ter\u00e1 um impacto imenso nas combalidas economias africanas \u2013 no Senegal, por exemplo, essas remessas representam 10% do PIB; iii. pela restri\u00e7\u00e3o de ingresso de pessoas de sete pa\u00edses africanos nos EUA \u2013 governos como o do Chad j\u00e1 se manifestaram duramente contra essa restri\u00e7\u00e3o; iv. e, como se fosse pouco, pelo incremento das tarifas de importa\u00e7\u00e3o do governo norte-americano, entre outras medidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Trocando em mi\u00fados, qual \u00e9 a prioridade, as decis\u00f5es da C\u00fapula de L\u00edderes ou os cortes de Trump? Na verdade, j\u00e1 se foi o tempo em que o imperialismo norte-americano fazia o que queria. Hoje, segue mandando, mas em ritmo de decad\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>China: O pa\u00eds tem rela\u00e7\u00f5es com a \u00c1frica que remontam a 1970, quando financiou e construiu a estrada de ferro TAZARA (Tanz\u00e2nia Z\u00e2mbia Railway), com 1.860 quil\u00f4metros, para transporte de cobre e outros min\u00e9rios da Z\u00e2mbia ao porto tanzaniano de Dar es Salaam, no Oceano \u00cdndico. Essa estrada foi muito usada na \u00e9poca do Apartheid, e depois foi sucateada.<\/p>\n\n\n\n<p>Os chineses, em setembro de 2024, realizaram IX F\u00f3rum de Coopera\u00e7\u00e3o China-\u00c1frica (FOCAC), com a participa\u00e7\u00e3o expressiva de 51 pa\u00edses. O FOCAC esteve marcado pela discuss\u00e3o da d\u00edvida externa. A China, durante a pandemia, suspendeu o pagamento da d\u00edvida, e agora, passados tr\u00eas anos, os pa\u00edses africanos devem come\u00e7ar a pag\u00e1-la, e esse fato est\u00e1 estrangulando suas economias, de tal sorte que, por exemplo, o governo angolano anunciou publicamente que atrasaria o pagamento dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos para poder pagar o servi\u00e7o da d\u00edvida!<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da crise da d\u00edvida, a China prometeu US$ 50,7 bilh\u00f5es em linhas de cr\u00e9dito e financiamento nos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos, para investimento em infraestrutura no continente africano. \u201cOs trinta novos projetos de infraestrutura anunciados no FOCAC em setores-chave como transporte e energia fazem parte da mais ampla Iniciativa Cintur\u00e3o e Rota (BRI). A BRI integra as economias africanas mais firmemente aos mercados e cadeias de suprimentos chineses, solidificando ainda mais a influ\u00eancia e a presen\u00e7a de longo prazo da China no continente.\u201d<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A exporta\u00e7\u00e3o de capitais, segundo Lenin, \u00e9 uma das principais caracter\u00edsticas do imperialismo, e o presidente chin\u00eas Xi Jinping, no FOCAC, foi muito claro nesse quesito: &#8220;Juntos constru\u00edmos estradas, pontes, caminhos-de-ferro, escolas, parques industriais (&#8230;), projetos que mudaram a vida de milh\u00f5es de pessoas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a China tenha investimentos em v\u00e1rios pa\u00edses africanos, podemos dizer que os mais importantes se fazem presentes em cinco pa\u00edses: Guin\u00e9, Z\u00e2mbia, \u00c1frica do Sul, Zimb\u00e1bue e Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (RDC). Z\u00e2mbia, Zimb\u00e1bue e Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo s\u00e3o as maiores fontes de energia verde no continente. \u00c9 o chamado cintur\u00e3o de cobre da \u00c1frica, e tamb\u00e9m o maior estoque de l\u00edtio, cobre e cobalto.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais de 70% do cobalto do mundo \u00e9 produzido na RDC, sendo que a China \u00e9 o principal investidor estrangeiro. Ela det\u00e9m cerca de 72% das minas ativas de cobalto e cobre da RDC, incluindo a Mina Tenke Fungurume, a quinta maior mina de cobre e a segunda maior mina de cobalto do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>O CMOC Group da China \u00e9 a empresa l\u00edder mundial em minera\u00e7\u00e3o de cobalto. Ela pode produzir at\u00e9 70.000 toneladas, gra\u00e7as \u00e0 nova mina de Kisanfu. Em 2019, a RDC e a China foram respons\u00e1veis por cerca de 70% da produ\u00e7\u00e3o global de cobalto e 60% das terras raras.<\/p>\n\n\n\n<p>O Zimb\u00e1bue \u00e9 outro pa\u00eds em que a China tem investido no contexto da corrida da energia verde. O pa\u00eds abriga as maiores reservas de l\u00edtio da \u00c1frica, um elemento cr\u00edtico na produ\u00e7\u00e3o de baterias para ve\u00edculos el\u00e9tricos. Em 2023, a Prospect Lithium Zimbabwe, uma subsidi\u00e1ria da empresa chinesa Zhejiang Huayou Cobalt, abriu uma planta de processamento de l\u00edtio de US$ 300 milh\u00f5es. Ela tem capacidade para processar 4,5 milh\u00f5es de toneladas por ano de l\u00edtio de rocha dura em concentrado para exporta\u00e7\u00e3o, em um cen\u00e1rio global de cerca de 200 milh\u00f5es de toneladas produzidas anualmente.<\/p>\n\n\n\n<p>R\u00fassia: De 1990 a 2015, a R\u00fassia teve pouca participa\u00e7\u00e3o na \u00c1frica. Moscou se retirou estrategicamente da regi\u00e3o nesse per\u00edodo, por\u00e9m nos \u00faltimos dez anos vem crescendo sua participa\u00e7\u00e3o. A receita comercial entre a R\u00fassia e os pa\u00edses africanos quase dobrou, de US$ 9,9 bilh\u00f5es em 2013, para US$ 17,7 bilh\u00f5es em 2021. As exporta\u00e7\u00f5es de gr\u00e3os s\u00e3o de particular import\u00e2ncia, j\u00e1 que quase 30% do suprimento de gr\u00e3os da \u00c1frica vem da R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p>Na C\u00fapula R\u00fassia \u00c1frica de 2023, Putin prometeu enviar gr\u00e3os gratuitamente para seis pa\u00edses impactados com os efeitos da guerra da Ucr\u00e2nia. Todos eles (Burkina Faso, Zimb\u00e1bue, Mali, Som\u00e1lia, Eritreia e Rep\u00fablica Centro-Africana) aliados de Putin.<\/p>\n\n\n\n<p>Empresas russas estatais ou mistas s\u00e3o a ponta de lan\u00e7a dos neg\u00f3cios russos em continente africano. Rosneft, Tatneft e Gazprom, gigantes petroleiras, participam de grandes projetos de hidrocarbonetos no norte da \u00c1frica; Rosatom, empresa de energia nuclear, tamb\u00e9m tem v\u00e1rios projetos, entre eles, a constru\u00e7\u00e3o da primeira usina nuclear no Egito; Alrosa, a principal mineradora de diamantes da R\u00fassia, expandiu suas opera\u00e7\u00f5es em Angola, Congo e Zimb\u00e1bue.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados publicados em 2023 mostram que os la\u00e7os comerciais entre R\u00fassia e \u00c1frica ainda s\u00e3o modestos. Esses dados russos s\u00e3o os oficiais, embora haja d\u00favidas sobre a exist\u00eancia de dados ocultos. A receita comercial entre a R\u00fassia e os pa\u00edses africanos totaliza cerca de US$ 17,7 bilh\u00f5es, enquanto o valor do com\u00e9rcio da \u00c1frica com a Uni\u00e3o Europeia, a China e os Estados Unidos \u00e9 atualmente de US$ 295 bilh\u00f5es, US$ 254 bilh\u00f5es e US$ 65 bilh\u00f5es, respectivamente. A R\u00fassia tamb\u00e9m investe pouco na \u00c1frica, representando menos de 1% do total do investimento estrangeiro direto (IED) destinado ao continente.<\/p>\n\n\n\n<p>O avan\u00e7o russo na regi\u00e3o tamb\u00e9m pode ser medido por meio das vota\u00e7\u00f5es na ONU. Na Assembleia Geral do dia 7 de abril de 2022, por exemplo, votou-se uma resolu\u00e7\u00e3o pedindo a suspens\u00e3o da filia\u00e7\u00e3o da R\u00fassia no Conselho de Direitos Humanos da ONU. Nove pa\u00edses africanos votaram contra, 24 se abstiveram e 11 n\u00e3o apareceram para votar. Isso quer dizer que, dos 54 pa\u00edses, 44 n\u00e3o votaram pela resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<strong>O imperialismo japon\u00eas, o europeu e as submetr\u00f3poles<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Jap\u00e3o: O pa\u00eds sempre priorizou os investimentos na \u00c1sia e secundarizou os investimentos na \u00c1frica. Por exemplo, em 2020 o investimento estrangeiro direto realizado pelo Jap\u00e3o foi de US$ 6,1 bilh\u00f5es, atr\u00e1s de Singapura e Su\u00ed\u00e7a, com US$ 21 bilh\u00f5es e US$ 17 bilh\u00f5es, respectivamente. Isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o haja investimentos japoneses no continente africano. Podemos citar sua participa\u00e7\u00e3o no financiamento do porto de Momba\u00e7a, no Qu\u00eania, ou a pr\u00f3pria presen\u00e7a da Mizuho Financial Group Inc. na condi\u00e7\u00e3o de um dos dez maiores acionistas da Black Rocks, essa que, por sua vez, se tomarmos as dez maiores empresas de minera\u00e7\u00e3o n\u00e3o chinesas que atuam na \u00c1frica, veremos ser acionista das seguintes mineradoras: Rio Tinto, Vale, BHP Billiton, Freeport-McMoran, Newmont Mining, Alcoa, Anglo American, Barrick Gold e Tech.<\/p>\n\n\n\n<p>Fran\u00e7a: Dos pa\u00edses imperialistas europeus, o que mais chama aten\u00e7\u00e3o pela decad\u00eancia do seu imperialismo \u00e9 a Fran\u00e7a. Derrotada militarmente no Sahel, viu seus governos fantoches irem caindo um por um, e a humilhante retirada de suas tropas da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pa\u00edses africanos que anteriormente foram col\u00f4nias francesas<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, com o processo independentista dos anos 60 do s\u00e9culo passado, romperam suas rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas com o antigo colonizador, mas mantiveram rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e comerciais nos moldes da antiga col\u00f4nia. Assim, os acordos impostos pela Fran\u00e7a foram: a) As d\u00edvidas contra\u00eddas pela Fran\u00e7a em nome das col\u00f4nias seriam pagas pelos pa\u00edses rec\u00e9m-independentes; b) Os pa\u00edses rec\u00e9m-independentes manteriam obrigatoriamente 65% de suas reservas financeiras depositadas no Banque de France e, al\u00e9m disso, mais 20% para cobrir riscos financeiros, ou seja, mais de 85% das reservas estariam controladas pelos franceses; c) A Fran\u00e7a teria prefer\u00eancia na explora\u00e7\u00e3o de todo recurso natural descoberto no pa\u00eds; d) A Fran\u00e7a e as empresas francesas teriam prioridade na contrata\u00e7\u00e3o para constru\u00e7\u00e3o de obras p\u00fablicas; e) A Fran\u00e7a manteria exclusividade no fornecimento de equipamentos militares e treinamentos dos oficiais; f) A Fran\u00e7a teria direito de intervir militarmente no pa\u00eds para defender seus interesses; g) O pa\u00eds manteria a l\u00edngua francesa como sua l\u00edngua oficial; h) Teria obrigatoriedade de utilizar o franco CFA como a \u00fanica moeda local; i) Obrigatoriedade de enviar anualmente \u00e0 Fran\u00e7a relat\u00f3rio sobre a situa\u00e7\u00e3o das reservas monet\u00e1rias; j) Qualquer alian\u00e7a militar com outro pa\u00eds somente se concretizaria com a autoriza\u00e7\u00e3o francesa; k) Teria obriga\u00e7\u00e3o de aliar-se \u00e0 Fran\u00e7a em caso de guerra ou crise mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>A curva descendente da economia mundial e suas consequ\u00eancias para a \u00c1frica provocaram uma enorme onda de mobiliza\u00e7\u00f5es em v\u00e1rios pa\u00edses africanos, e assim v\u00e1rios governos foram derrubados por golpes militares (Mali, Burkina Faso, N\u00edger), por processos eleitorais (Senegal e Chad) ou se estabilizaram fechando ainda mais o regime (Rep\u00fablica Centro-Africana e Costa do Marfim).<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira grande derrota francesa se deu ap\u00f3s as \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es vencidas por Faustin-Archange Touadera, na Rep\u00fablica Centro-Africana. Touadera ganhou as elei\u00e7\u00f5es, mas os diferentes grupos de mil\u00edcias vinculadas ao contrabando de diamantes controlavam aproximadamente 70% do territ\u00f3rio e fustigavam o poder central. A ONU aceitou o envio de assessores militares russos e esses enviaram o Wagner Group, que passou a fazer a seguran\u00e7a de Faustin Touadera, negociar e controlar as mil\u00edcias. Dada a superioridade militar do Wagner, os grupos hostis foram sendo controlados e o governo adquiriu estabilidade. Como parte do neg\u00f3cio, a R\u00fassia passou a controlar a comercializa\u00e7\u00e3o e o transporte dos diamantes. O modelo aplicado na Rep\u00fablica Centro-Africana logo foi adotado no Mali, Burkina Faso e N\u00edger.<\/p>\n\n\n\n<p>A Fran\u00e7a foi se debilitando como pa\u00eds imperialista frente a suas col\u00f4nias e suas empresas foram perdendo o espa\u00e7o que ocupavam no passado, sendo o caso mais emblem\u00e1tico o do Grupo Ballor\u00e9, que atuou no transporte e log\u00edstica na \u00c1frica e foi vendido para a gigante su\u00ed\u00e7a MSC. Foi uma venda considerada como uma \u201cfuga\u201d, devido aos in\u00fameros casos de corrup\u00e7\u00e3o envolvendo a empresa no Togo, na Guin\u00e9, nos Camar\u00f5es, em Gana, na Costa do Marfim e na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2018, o governo franc\u00eas privatizou a empresa Areva, que entre outras atividades explorava o ur\u00e2nio no N\u00edger. Em seu lugar entrou a Orano, supostamente com capitais franceses, mas que na realidade tem capitais japoneses (Japan Nuclear Fuel Limited e a Mitsubishi Heavy Industries). As suas instala\u00e7\u00f5es no N\u00edger correm s\u00e9rio risco de serem substitu\u00eddas por empresas russas, segundo a Bloomberg News. O N\u00edger, em 2022, foi respons\u00e1vel por 4% da produ\u00e7\u00e3o mundial de ur\u00e2nio. Isso representa 15% do ur\u00e2nio utilizado pela Fran\u00e7a para abastecer seus reatores nucleares, que garantem 65% da eletricidade do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Pa\u00edses como Ar\u00e1bia Saudita e Brasil t\u00eam historicamente atua\u00e7\u00e3o na explora\u00e7\u00e3o petroleira africana, por\u00e9m est\u00e3oavan\u00e7ando tamb\u00e9m na ocupa\u00e7\u00e3o de grandes de terras f\u00e9rteis e especiais para o agroneg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ar\u00e1bia Saudita: \u201cO parlamento sudan\u00eas aprovou uma lei que permite \u00e0 Ar\u00e1bia Saudita arrendar por 99 anos um milh\u00e3o de acres das f\u00e9rteis terras de Setit e Upper Atbara. \u00c9 um acordo colonial, denunciou a Associa\u00e7\u00e3o Nubia de Luta Contra Barragens.\u201d<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a> Ao mesmo tempo, o pa\u00eds atua com interven\u00e7\u00f5es militares diretas e atividades pol\u00edticas, financeiras e religiosas que influenciam a regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Brasil: No dia 23 de maio de 2025, o governo Lula e o ditador angolano Jo\u00e3o Louren\u00e7o assinaram um acordo de coopera\u00e7\u00e3o no qual o Brasil ter\u00e1 acesso a 35 milh\u00f5es de hectares das melhores terras angolanas para agricultura. O Ministro da Agricultura do governo Lula foi categ\u00f3rico: \u201c[h\u00e1] oportunidades para n\u00e3o s\u00f3 vender os produtos brasileiros, mas tamb\u00e9m plantarmos, ocuparmos terras f\u00e9rteis, de oportunidades, que, se o Brasil e os brasileiros, que t\u00eam a tecnologia e o desenvolvimento tecnol\u00f3gico da agropecu\u00e1ria tropical, n\u00e3o ocuparem, certamente produtores de outros pa\u00edses o far\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Emirados \u00c1rabes Unidos: Faz investimentos vultosos em v\u00e1rios pa\u00edses africanos nos setores de minera\u00e7\u00e3o, petr\u00f3leo, infraestrutura, log\u00edstica e agricultura, ganhando controle de parcelas significativas de suas economias nacionais. Os EAU tiveram atua\u00e7\u00f5es decisivas no controle dos protestos da chamada Primavera \u00c1rabe e est\u00e3o diretamente envolvidos na Guerra do Sud\u00e3o, apoiando a mil\u00edcia For\u00e7as de Apoio R\u00e1pido (RSF). Incentivaram e apoiaram mil\u00edcias que se utilizam de mercen\u00e1rios em v\u00e1rios conflitos do continente. O apoio \u00e0s RSF est\u00e1 vinculado ao contrabando de ouro para os EAU.<\/p>\n\n\n\n<p>Ir\u00e3: Falecido em 2024, o ex-presidente do Ir\u00e3, Ebrahim Raisi, esteve em tr\u00eas pa\u00edses africanos (Qu\u00eania, Uganda e Zimb\u00e1bue) levando consigo projetos comerciais e de infraestrutura. O Qu\u00eania continua sendo o segundo maior parceiro comercial do Ir\u00e3 na \u00c1frica, depois apenas da \u00c1frica do Sul. O com\u00e9rcio bilateral se concentra nas exporta\u00e7\u00f5es de ch\u00e1 do Qu\u00eania e no petr\u00f3leo e produtos qu\u00edmicos iranianos. Al\u00e9m da import\u00e2ncia econ\u00f4mica, esses tr\u00eas pa\u00edses votaram contra san\u00e7\u00f5es ao Ir\u00e3 na Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica. Cyril Ramaphosa, atual presidente da \u00c1frica do Sul, quando era vice-presidente, esteve em Teer\u00e3 por tr\u00eas dias para assinar o Programa de A\u00e7\u00e3o Abrangente Conjunto para remover as san\u00e7\u00f5es ao Ir\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros pa\u00edses tamb\u00e9m investem de maneira intensiva na \u00c1frica, como \u00e9 o caso da Mal\u00e1sia, de Singapura e da Turquia. Por\u00e9m, n\u00e3o detalharemos essas participa\u00e7\u00f5es, devido \u00e0 desproporcional import\u00e2ncia dos EUA, da China e da R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O conflito maior se d\u00e1 entre EUA e China, por\u00e9m cada vez mais a R\u00fassia vai ganhando protagonismo. Esses tr\u00eas atores merecem um estudo melhor sobre como se d\u00e3o essas disputas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guerra comercial ou disputa interimperialista entre os EUA e a China?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o da burguesia e intelectuais de diferentes matizes reduzem todo o problema dos EUA e da China a uma guerra comercial. A burguesia obviamente n\u00e3o vai reconhecer nunca que existe imperialismo, e os intelectuais, por caminhos diferentes, acabam reduzindo tudo a uma disputa meramente comercial, sendo que as taxas que Trump tentou impor \u00e0 China e n\u00e3o conseguiu s\u00e3o, para eles, express\u00e3o dessa disputa comercial.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade n\u00e3o \u00e9 essa e, no caso africano, temos in\u00fameros exemplos que demonstram que se trata de uma disputa interimperialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Um caso emblem\u00e1tico \u00e9 o da Ferrovia TAZARA, de 1.860 km, ligando a Z\u00e2mbia ao porto de Dar es Salaam, na Tanz\u00e2nia, com ramifica\u00e7\u00e3o para a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. Essa estrada foi constru\u00edda pelos chineses em 1970 e muito usada na \u00e9poca do Apartheid. Terminado o regime de segrega\u00e7\u00e3o e normalizada a situa\u00e7\u00e3o na \u00c1frica do Sul, as mercadorias passaram a sair do continente pelo porto sul-africano da Cidade do Cabo. A partir desse momento, a ferrovia foi sucateada. Por\u00e9m, hoje a ferrovia volta a ter muita import\u00e2ncia e se articula com a Rota da Seda, transportando o cobre da Z\u00e2mbia e outros minerais da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo para o Oceano \u00cdndico, e da\u00ed para a China. Os EUA pressentiram o que isso representava e se propuseram a construir e financiar uma outra ferrovia com sa\u00edda pelo Atl\u00e2ntico: a Ferrovia Atl\u00e2ntica do Lobito ser\u00e1 constru\u00edda com capitais dos EUA e da Uni\u00e3o Europeia. Construir essa ferrovia visa a ampliar o acesso de minerais essenciais controlados pela China e reduzir a depend\u00eancia de cadeias de suprimentos controladas pelo pa\u00eds asi\u00e1tico. Na disputa interimperialista envolvendo EUA e China, o chamado Corredor do Lobito ganhou tal import\u00e2ncia que Joe Biden foi a Angola para assinar o acordo.<\/p>\n\n\n\n<p>A disputa pelo petr\u00f3leo passa pela busca de novos campos, mas tamb\u00e9m pela desestatiza\u00e7\u00e3o e desnacionaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o petroleira nos dois principais produtores da regi\u00e3o, Nig\u00e9ria e Angola.<\/p>\n\n\n\n<p>Angola \u00e9 um dos maiores produtores de petr\u00f3leo do continente africano, mas, contraditoriamente, a produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel \u00e9 estrangeira. Desde os tempos de Eduardo Santos, a estatal Sonangol sofreu um processo de falta de investimentos e sucateamento. Dessa maneira, abriu-se a possibilidade de privatiza\u00e7\u00e3o com a constru\u00e7\u00e3o da refinaria em Cabinda, controlada pelo capital ingl\u00eas atrav\u00e9s da Gemcorp Capital LLP, que controla 80% de suas a\u00e7\u00f5es; 10% s\u00e3o da Sonaref (subsidi\u00e1ria da Sonangol) e os outros 10% pulverizados entre acionistas privados. E a refinaria Soyo, essencialmente privada, sem a Sonangol, dever\u00e1 ser controlado pelo Cons\u00f3rcio Quanten, integrado por quatro empresas, sendo tr\u00eas norte-americanas (Quanten LLC, TGT INC e Aurum &amp; Sharp LLC) e uma angolana (ATIS Nebest). Assim, o petr\u00f3leo, que custava 160 kwanzas, pulou para 300, isto para que se aproxime dos pre\u00e7os internacionais. Na verdade, tem que chegar a acima de 500 kwanzas.<\/p>\n\n\n\n<p>A refinaria do Lobito, segundo o site norte-americano VoA, seria constru\u00edda em sociedade com a China, mas o governo angolano n\u00e3o aceitou as imposi\u00e7\u00f5es chinesas, na medida em que toda a produ\u00e7\u00e3o deveria ser enviada para a China. Ap\u00f3s distanciar-se dos chineses, Angola votou pela condena\u00e7\u00e3o da R\u00fassia na Assembleia Geral da ONU e, no site da presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Jo\u00e3o Louren\u00e7o publicou uma longa carta onde afirma que a parceria com os EUA est\u00e1 em marcha para \u201cpatamares cada vez mais altos\u201d, em \u201ccircunst\u00e2ncias iguais\u201d e com uma \u201ccolabora\u00e7\u00e3o direta florescente a todos os n\u00edveis e em todos os dom\u00ednios\u201d. A refinaria do Lobito j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e1 uma sociedade com a China, e tudo leva a crer que ser\u00e1 com os EUA e participa\u00e7\u00e3o marginal dos governos da Z\u00e2mbia e da Nam\u00edbia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o se pode subestimar a R\u00fassia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um clima de festa entre os pan-africanistas e a esquerda reformista com a sa\u00edda da Fran\u00e7a dos principais pa\u00edses do Sahel. A sa\u00edda da Fran\u00e7a e suas tropas e a ruptura de diversos acordos s\u00e3o importantes vit\u00f3rias, mas s\u00e3o vit\u00f3rias parciais, na medida em que o espa\u00e7o foi sendo tomado por governos militares e pela R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o do Sahel come\u00e7ou pela Rep\u00fablica Centro-Africana. Na verdade, a RCA n\u00e3o \u00e9 exatamente parte do Sahel, mas faz parte do mesmo processo hist\u00f3rico e econ\u00f4mico. J\u00e1 descrevemos acima o processo de consolida\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a russa no pa\u00eds, e, sendo \u201dvitoriosa\u201d essa alternativa, outros governos come\u00e7aram a reivindicar essa possibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da RCA, o Mali, que vive um per\u00edodo de lutas de professores, ferrovi\u00e1rios e funcion\u00e1rios p\u00fablicos, encontrou no golpe de Estado a sa\u00edda para o controle do movimento de massas. Assim, o governo aliado dos franceses, IBK (Ibrahim Boubacar K\u00ebita), foi derrubado por um golpe militar amplamente festejado nas ruas. O novo governo, encabe\u00e7ado pelo coronel Assimi Go\u00efta, tratou de vincular as desgra\u00e7as do pa\u00eds ao colonialismo franc\u00eas e trouxe os russos do Wagner Group para lhe dar a mesma prote\u00e7\u00e3o que d\u00e3o ao governo de Faustin-Archange Touad\u00e9ra (Rep\u00fablica Centro-Africana). Em troca, os russos passaram a controlar parte da extra\u00e7\u00e3o de ouro do pa\u00eds e contrabandear o min\u00e9rio para a R\u00fassia ou para os Emirados \u00c1rabes Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois do Mali, veio Burkina Faso. Abalado pelos ataques de mil\u00edcias isl\u00e2micas, o pa\u00eds viu os quase 10% da popula\u00e7\u00e3o refugiada na linha de frente para derrubar o ent\u00e3o presidente Roch Marc Christian Kabor\u00e9, depois substitu\u00ed-lo por Paul-Henri Damiba, que acabou sendo derrubado por um novo golpe militar, agora liderado por Ibrahim Traor\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Encorajados pelos sucessos da Rep\u00fablica Centro-Africana, Mali e Burkina Faso, os militares do N\u00edger deram um golpe de Estado com claro conte\u00fado antifranc\u00eas e bandeiras russas. As massas sa\u00edram \u00e0s ruas durante v\u00e1rios dias para festejar a retirada dos franceses e a chegada dos russos.<\/p>\n\n\n\n<p>Assimi Go\u00efta, Abdourahamane Tchiani e Ibrahim Traor\u00e9 representam governos nacionalistas burgueses, com caracter\u00edsticas de bonapartismo sui generis, como foi Hugo Ch\u00e1vez em seu momento na Venezuela. As arbitrariedades desses governos v\u00e3o desde a repress\u00e3o por meio da proscri\u00e7\u00e3o dos partidos oposicionistas, \u00e0 extens\u00e3o de seus pr\u00f3prios mandatos governamentais e repress\u00e3o direta, como se deu na Universit\u00e9 Joseph Ki Zerbo, em Ouagadougou, Burkina Faso.<\/p>\n\n\n\n<p>A compara\u00e7\u00e3o com Ch\u00e1vez \u00e9 v\u00e1lida e pedag\u00f3gica, embora, como toda compara\u00e7\u00e3o, seja em si mesma abusiva, mas podemos verificar que a pol\u00edtica de controle do movimento de massas segue o modelito do bonapartismo sui generis. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 economia, tal qual Ch\u00e1vez, que \u201cnacionalizou\u201d as quatro empresas do Complejo de Jose, tamb\u00e9m o mesmo est\u00e1 se dando no Mali.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso da canadense Barrick Gold merece aten\u00e7\u00e3o. O governo do Mali exige que a Barrick respeite o Novo C\u00f3digo de Minera\u00e7\u00e3o (2023). A empresa, obviamente, n\u00e3o aceitou, e foi aberto um processo p\u00fablico de den\u00fancias contra a empresa, que resultou na deten\u00e7\u00e3o de quatro funcion\u00e1rios da Barrick em novembro de 2024, e na emiss\u00e3o de um mandado de pris\u00e3o contra seu CEO, Mark Bristow, em dezembro do mesmo ano. A Barrick Gold acaba de anunciar (12 de junho de 2025) que vai retirar de seu planejamento a poss\u00edvel produ\u00e7\u00e3o nas minas do Complexo Extrativo de ouro Loulo-Gounkoto. Essa medida significa uma redu\u00e7\u00e3o de 15 a 20% da produ\u00e7\u00e3o mundial da Barrick. Tal complexo \u00e9 compartilhado entre a empresa canadense e o Estado do Mali e os meios de comunica\u00e7\u00e3o falam em novas empresas na explora\u00e7\u00e3o de ouro no pa\u00eds. Ch\u00e1vez, apoiado pelos sindicatos e comit\u00eas de base, imp\u00f4s, na Venezuela, a nacionaliza\u00e7\u00e3o da Chevron, Conoco Philips, Total, Statoil e da chinesa CNPC, da qual o Estado venezuelano passou de minoria &nbsp;acion\u00e1ria a maioria, sem grandes conflitos com as multinacionais e sem transpar\u00eancia do neg\u00f3cio. Esse \u00e9 o modelo que est\u00e1 sendo aplicado no Mali a servi\u00e7o do imperialismo, inclusive com a ajuda de ex-assessores de Hugo Ch\u00e1vez.<\/p>\n\n\n\n<p>O Sahel \u00e9 uma larga regi\u00e3o que separa a \u00c1frica \u00e1rabe ou do Norte da \u00c1frica subsaariana, com as florestas \u00famidas subsaarianas, se estendendo do oceano Atl\u00e2ntico ao Mar Vermelho. A R\u00fassia vem se instalando nessa regi\u00e3o controlando diretamente Mali, Burkina Faso e N\u00edger, passando pela Rep\u00fablica Centro-Africana. O Chade, que foi o principal parceiro militar franc\u00eas, nesse processo de ruptura com a Fran\u00e7a ordenou que os europeus retirassem suas tropas militares do pa\u00eds. A guerra no Sud\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 vinculada com os russos, por meio da alian\u00e7a Putin-Hemedti, do grupo de milicianos das For\u00e7as de Interven\u00e7\u00e3o R\u00e1pida. Hemedti e suas mil\u00edcias controlam a regi\u00e3o de Darfur, que faz fronteira com o Chade, e pressionam este tamb\u00e9m a se aproximar dos russos. O governo sudan\u00eas, que se enfrenta com as mil\u00edcias de Hemedti, autorizou a R\u00fassia a construir um porto no Mar Vermelho. Assim, desde a proximidade do Oceano Atl\u00e2ntico, por todo o Sahel, a R\u00fassia tem livre tr\u00e2nsito de mercadorias, que ser\u00e3o escoados pelo porto no Mar Vermelho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lutar pela II Independ\u00eancia e construir a revolu\u00e7\u00e3o socialista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 vimos acima que o processo de independ\u00eancia dos anos 60 do s\u00e9culo passado ficou restrito \u00e0s quest\u00f5es pol\u00edticas, sem afetar os interesses dos grandes grupos econ\u00f4micos estrangeiros e dos poucos grupos econ\u00f4micos nacionais daquele per\u00edodo. Ao n\u00e3o expropriar os grandes grupos econ\u00f4micos, esses seguiram a domina\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o com um novo formato colonial. Os acordos impostos pela Fran\u00e7a, por exemplo, expressam essa continuidade colonial. Hoje, com a luta contra o imperialismo franc\u00eas, a esquerda pan-africanista e as organiza\u00e7\u00f5es reformistas batem palmas para a China e para a R\u00fassia e n\u00e3o denunciam esses pa\u00edses como parte do sistema imperialista. N\u00e3o temos imperialismo predileto, lutamos pela II Independ\u00eancia, rumo \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade sem classes, socialista e com democracia oper\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Os desafios que est\u00e3o e estar\u00e3o colocados na luta pela II Independ\u00eancia vamos desenvolver na parte II deste artigo, que ser\u00e1 publicada em curto espa\u00e7o de tempo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Por uma quest\u00e3o pedag\u00f3gica (e em certo sentido arbitr\u00e1ria), dividimos esta discuss\u00e3o em partes. Dado que a \u00c1frica possui 54 pa\u00edses com grande diversidade hist\u00f3rica, econ\u00f4mica e pol\u00edtica, optamos por essa divis\u00e3o formal para melhor poder explicar e enriquecer com dados os principais elementos sobre a situa\u00e7\u00e3o africana e seus principais atores, isto \u00e9, o imperialismo, as submetr\u00f3poles, as burguesias locais e as lutas que aconteceram no \u00faltimo per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Em Gana, Kwame Nkrumah construiu um suntuoso edif\u00edcio para o instituto que leva seu pr\u00f3prio nome.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> F\u00e9lix Houphou\u00ebt-Boigny, o primeiro presidente da Costa do Marfim, construiu o Hotel Ivoire, que entre outras coisas tinha pista de patina\u00e7\u00e3o no gelo. Para o jornal ingl\u00eas <strong>The Economist<\/strong>, \u201cO vasto complexo faz um hotel de Las Vegas parecer um Holiday Inn\u201d \u2013 edi\u00e7\u00e3o digital 13.05.2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> Background Press Call on the U.S.-\u00c1frica Leaders Summit. Dispon\u00edvel em: https:\/\/bidenwhitehouse.archives.gov\/briefing-room\/press-briefings\/2022\/12\/08\/background-press-call-on-the-u-s-africa-leaders-summit\/.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> China-Africa summit: Why the continent has more options than ever. Dispon\u00edvel em:&nbsp; https:\/\/www.chathamhouse.org\/2024\/09\/china-africa-summit-why-continent-has-more-options-ever.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> Camar\u00f5es, Costa do Marfim, Burquina Fasso, Gab\u00e3o, Benim, Congo, Mali, Rep\u00fablica Centro-Africana, Togo, N\u00edger, Chade e Senegal.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> Sud\u00e3o: o jogo de interesses do grande capital e do imperialismo americano em particular. Dispon\u00edvel em: https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/06\/12\/sudao-o-jogo-de-interesses-do-grande-capital-e-do-imperialismo-americano-em-particular\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> Acordo Brasil Angola: Desenvolvimento para o agroneg\u00f3cio brasileiro ou para o povo angolano? Dispon\u00edvel em: https:\/\/cspconlutas.org.br\/n\/19463\/acordo-brasil-angola-desenvolvimento-para-o-agronegocio-brasileiro-ou-para-o-povo-angolano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Cesar Neto e J.G. Hata Introdu\u00e7\u00e3o O atual ciclo de crise do sistema capitalista mundial se reflete de forma intensa no continente africano. As consequ\u00eancias s\u00e3o variadas, tais como: aumento da explora\u00e7\u00e3o mineral e natural do continente africano, deslocamento de popula\u00e7\u00f5es inteiras, degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente e queda ainda maior da qualidade de vida [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":81232,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"Cesar Neto e J.G. 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