{"id":81147,"date":"2025-06-12T21:18:26","date_gmt":"2025-06-12T21:18:26","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=81147"},"modified":"2025-06-12T21:19:50","modified_gmt":"2025-06-12T21:19:50","slug":"a-farsa-sul-africana-de-refugiados-de-donald-trump","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/06\/12\/a-farsa-sul-africana-de-refugiados-de-donald-trump\/","title":{"rendered":"A farsa sul-africana de &#8220;refugiados&#8221; de Donald Trump"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: James Markin | <\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio de maio, um pequeno grupo da minoria \u00e9tnica branca afric\u00e2ner deixou a \u00c1frica do Sul. De acordo com <a href=\"https:\/\/www.news24.com\/southafrica\/news\/see-first-group-of-afrikaner-refugees-leave-in-silence-without-any-fanfare-20250511-1264\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a m\u00eddia sul-africana News 24,<\/a>sua partida do Aeroporto Internacional Oliver Tambo foi silenciosa, &#8220;sem alarde&#8221;. A sa\u00edda desse pequeno grupo provocou zombarias e desprezo pelos &#8220;americ\u00e2ners&#8221; em sua terra natal, a \u00c1frica do Sul, bem como confus\u00e3o e raiva generalizadas nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Trump manteve a quest\u00e3o no centro das not\u00edcias com sua insist\u00eancia de que os afric\u00e2neres enfrentam um genoc\u00eddio na \u00c1frica do Sul. Em 21 de maio, durante uma reuni\u00e3o na Casa Branca, confrontou o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa com fotografias e um v\u00eddeo que supostamente demonstravam que o genoc\u00eddio estava sendo cometido. Ramaphosa rejeitou as &#8220;provas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Afric\u00e2neres e sua hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para entender as ra\u00edzes desse problema, \u00e9 preciso primeiro entender quem s\u00e3o os afric\u00e2neres. A minoria \u00e9tnica afric\u00e2ner inclui os descendentes de colonos holandeses na \u00c1frica do Sul. Embora os holandeses tenham sido os primeiros a estabelecer uma col\u00f4nia significativa de colonos na regi\u00e3o, suas col\u00f4nias foram posteriormente ocupadas pelos brit\u00e2nicos. (A Gr\u00e3-Bretanha anexou a Col\u00f4nia do Cabo em 1806.)<\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 1830, isso levou a atritos entre os colonos holandeses propriet\u00e1rios de escravos e seus novos senhores, dada a insist\u00eancia brit\u00e2nica na aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o. Eventualmente, esse conflito levou \u00e0 &#8220;Longa Marcha&#8221;, quando uma grande parte dos colonos holandeses deixou a Col\u00f4nia do Cabo controlada pelos brit\u00e2nicos e invadiu o interior da \u00c1frica do Sul, onde forjaram as &#8220;Rep\u00fablicas B\u00f4eres&#8221;. (Boer significa &#8220;fazendeiro&#8221; em afric\u00e2ner.) Finalmente, em uma s\u00e9rie de guerras brutais contra os b\u00f4eres e os v\u00e1rios povos ind\u00edgenas da regi\u00e3o, os brit\u00e2nicos conquistaram a totalidade do que hoje \u00e9 a \u00c1frica do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>Para consolidar a popula\u00e7\u00e3o branca em um \u00fanico grupo e mitigar o ressentimento dos afric\u00e2neres conquistados, os brit\u00e2nicos dirigiram a col\u00f4nia para uma orienta\u00e7\u00e3o explicitamente supremacista branca. Isso deixou as duas principais comunidades brancas &#8211; os descendentes de colonos brit\u00e2nicos de l\u00edngua inglesa e os descendentes de colonos holandeses de l\u00edngua afric\u00e2ner &#8211; no comando do vasto e diversificado territ\u00f3rio do que acabou sendo proclamado &#8220;A Uni\u00e3o da \u00c1frica do Sul&#8221;. Os brit\u00e2nicos aplacaram os representantes pequeno-burgueses e os trabalhadores b\u00f4eres com v\u00e1rias pol\u00edticas de supremacia branca que garantiam que tanto os brancos afric\u00e2neres quanto os brit\u00e2nicos tivessem acesso a empregos e terras, enquanto os sul-africanos negros eram despojados de suas terras e for\u00e7ados a trabalhar nas piores condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, essas pol\u00edticas n\u00e3o foram suficientes para a direita afric\u00e2ner, e uma vez que a \u00c1frica do Sul conquistou a independ\u00eancia do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico e um grau nominal de direitos democr\u00e1ticos foi outorgado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o branca, eles come\u00e7aram a promover uma pol\u00edtica ainda mais supremacista branca. Isso levou diretamente \u00e0 promulga\u00e7\u00e3o de leis extremamente antidemocr\u00e1ticas e supremacistas brancas que ficaram conhecidas como apartheid. Sob esse esquema, os sul-africanos negros foram declarados estrangeiros na \u00c1frica do Sul, que foi proclamada uma p\u00e1tria branca. Para tentar tornar realidade essa ideia, o governo criou toda uma s\u00e9rie das chamadas &#8220;p\u00e1trias negras&#8221; (bantust\u00f5es) com o objetivo de criar uma for\u00e7a de trabalho negra completamente subjugada, tratada como uma popula\u00e7\u00e3o imigrante prec\u00e1ria na \u00c1frica do Sul e desfrutando apenas de direitos democr\u00e1ticos m\u00ednimos dentro dos bantust\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O apartheid foi finalmente derrotado, mas a extrema direita afric\u00e2ner n\u00e3o desapareceu da \u00c1frica do Sul. O Santo Graal para a &#8220;direita branca&#8221; afric\u00e2ner p\u00f3s-apartheid \u00e9 algum tipo de p\u00e1tria afric\u00e2ner independente. Como os sionistas israelenses, a direita afric\u00e2ner tentou usar a linguagem da autodetermina\u00e7\u00e3o e das nacionalidades oprimidas para argumentar que a retifica\u00e7\u00e3o de s\u00e9culos de pol\u00edticas que os beneficiaram \u00e0s custas da maioria negra \u00e9, na realidade, opress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Solidariteit e Afriforum entram. Solidariteit \u00e9 tudo o que resta do movimento oper\u00e1rio pr\u00f3-apartheid na \u00c1frica do Sul. O momento mais not\u00f3rio do sindicato foi seu papel na lideran\u00e7a da greve dos mineiros de 1922, que exigia a preserva\u00e7\u00e3o dos empregos dos mineiros brancos \u00e0s custas dos mineiros negros. Hoje, o Solidariteit tem pouca semelhan\u00e7a com o sindicato dos mineiros que foi um dia, tornando-se mais uma esp\u00e9cie de associa\u00e7\u00e3o cultural de classe da minoria afric\u00e2ner. No entanto, Solidariteit tem uma associa\u00e7\u00e3o particular com a pol\u00edtica de &#8220;direita branca&#8221; e est\u00e1 intimamente associado ao AfriForum, uma organiza\u00e7\u00e3o que se autoproclama um &#8220;grupo de direitos civis&#8221; para os afric\u00e2neres &#8220;oprimidos&#8221;. O AfriForum se aproveita dos assassinatos em fazendas (assassinatos de agricultores em \u00e1reas rurais) e os n\u00fameros da delinqu\u00eancia na \u00c1frica do Sul para argumentar que h\u00e1 um novo genoc\u00eddio contra a minoria afric\u00e2ner, uma afirma\u00e7\u00e3o rid\u00edcula.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2024, \u00e0s v\u00e9speras do estabelecimento do segundo governo Trump, altos funcion\u00e1rios do AfriForum fizeram uma grande turn\u00ea pelos Estados Unidos, onde interviram na Confer\u00eancia Nacional sobre Conservadorismo e se reuniram com republicanos e representantes da direita americana. Isso, juntamente com a pol\u00edtica de Elon Musk, que cresceu na \u00c1frica do Sul do apartheid, provavelmente explica a ret\u00f3rica do atual governo sobre essa quest\u00e3o, embora Trump tenha feito coment\u00e1rios semelhantes desde seu primeiro mandato. No entanto, muitos na \u00c1frica do Sul se surpreenderam quando Trump <a href=\"https:\/\/www.the-independent.com\/news\/world\/americas\/us-politics\/trump-south-africa-refugees-meeting-b2751947.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">declarou abertamente em 12 de maio<\/a> que os afric\u00e2neres estavam enfrentando um &#8220;genoc\u00eddio&#8221;, uma posi\u00e7\u00e3o que ele reafirmou em sua reuni\u00e3o de 21 de maio com Ramaphosa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os afric\u00e2neres s\u00e3o realmente oprimidos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para entender um pouco da ret\u00f3rica de Trump e do AfriForum, \u00e9 importante entender a atual situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na \u00c1frica do Sul. Nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, o Congresso Nacional Africano (CNA) obteve o menor n\u00famero de cadeiras de sua hist\u00f3ria, sendo for\u00e7ado a formar um governo de coaliz\u00e3o. Seu principal parceiro, a Alian\u00e7a Democr\u00e1tica (AD), representa a burguesia branca nas principais \u00e1reas urbanas, especialmente na Cidade do Cabo (embora o partido afric\u00e2ner de direita, VV+, tamb\u00e9m seja um parceiro minorit\u00e1rio da coaliz\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>Devido em parte a essa escolha de parceiros, o CNA come\u00e7ou a sentir muita press\u00e3o em seus flancos &nbsp;de esquerda e nacionalistas negros. O Partido Comunista Sul-Africano, ex-membro da &#8220;alian\u00e7a tripartid\u00e1ria&#8221; do CNA, por exemplo, prometeu romper as fileiras e <a href=\"https:\/\/mg.co.za\/politics\/2024-12-05-sacp-we-are-contesting-the-elections-but-not-the-anc\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">apresentar seus pr\u00f3prios candidatos nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es<\/a>. H\u00e1 temores no CNA de que dois partidos dissidentes da oposi\u00e7\u00e3o, os Lutadores pela Liberdade Econ\u00f4mica (EFF), de esquerda, e o partido de ideologia mais nebulosa uMkhonto weSizwe (MK), possam acabar se beneficiando desse sentimento anti-coaliz\u00e3o. Uma forma pela qual o governo Ramaphosa tentou defender-se desses rivais \u00e9 por meio de uma tentativa de abordar a quest\u00e3o emblem\u00e1tica da EFF e do MK: a reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Em janeiro, Ramaphosa assinou um projeto de lei de reforma agr\u00e1ria. No entanto, apesar dos protestos de grande parte da direita do pa\u00eds, a nova lei na verdade fica muito aqu\u00e9m da verdadeira reforma agr\u00e1ria necess\u00e1ria e se assemelha mais aos poderes padr\u00e3o de &#8220;dom\u00ednio eminente&#8221; de muitos governos, incluindo os EUA. Em continuidade com as tentativas anteriores fracassadas de reforma agr\u00e1ria da \u00c1frica do Sul, a lei exige compensa\u00e7\u00e3o da parte cujas terras est\u00e3o sendo confiscadas. (H\u00e1 exce\u00e7\u00f5es a isso se a terra n\u00e3o estiver sendo usada ou se n\u00e3o houver inten\u00e7\u00e3o de us\u00e1-la para qualquer empreendimento lucrativo.) \u00c9 altamente improv\u00e1vel que tal lei seja capaz de resolver&nbsp; as <a href=\"https:\/\/www.aljazeera.com\/features\/2025\/2\/21\/are-white-afrikaners-at-risk-in-south-africa-not-really-most-say\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">disparidades significativas da \u00c1frica do Sul na propriedade da terra<\/a>: 73% das terras privadas pertencem \u00e0 minoria branca de 7% do pa\u00eds.&nbsp;&nbsp;&nbsp;A realidade \u00e9 que essa lei s\u00f3 foi aprovada para que Ramaphosa pudesse dizer aos eleitores que ele fez algo sobre a reforma agr\u00e1ria, n\u00e3o para fazer algum progresso significativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra causa c\u00e9lebre do AfriForum e sua laia \u00e9 a rec\u00e9m-aprovada <a href=\"https:\/\/www.aljazeera.com\/news\/2024\/9\/18\/whats-south-africas-new-school-language-law-and-why-is-it-controversial\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Altera\u00e7\u00e3o \u00e0s Leis da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica<\/a> (BELA). Esta lei decorre da tentativa de Ramaphosa de reformar o enorme e desigual sistema de escolas p\u00fablicas da \u00c1frica do Sul, mas os membros das comunidades de cor afric\u00e2ner e de l\u00edngua afric\u00e2ner no Cabo est\u00e3o furiosos por permitir que o governo nacional tenha a palavra final sobre o idioma de instru\u00e7\u00e3o nas escolas p\u00fablicas. Embora as comunidades minorit\u00e1rias devam ser capazes de aprender em sua l\u00edngua nativa, h\u00e1 muito tempo existem preocupa\u00e7\u00f5es na \u00c1frica do Sul de que os testes de profici\u00eancia em afric\u00e2ner ainda sejam usados para excluir estudantes negros de certas escolas p\u00fablicas. Mas se a direita afric\u00e2ner est\u00e1 realmente preocupada em manter a educa\u00e7\u00e3o em sua l\u00edngua materna, faz pouco sentido buscar ref\u00fagio nos Estados Unidos, onde seus filhos quase certamente ser\u00e3o educados em ingl\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>A realidade por tr\u00e1s dessas leis n\u00e3o \u00e9 apenas que os afric\u00e2neres n\u00e3o s\u00e3o oprimidos, mas que eles, e os sul-africanos brancos em geral, ainda desfrutam de um alto grau de privil\u00e9gio no pa\u00eds. Programas modernos de reconcilia\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o afirmativa, como o Black Economic Empowerment (BEE), n\u00e3o se comparam em prop\u00f3sito ou gravidade a s\u00e9culos de tratamento preferencial para brancos ou aos programas expl\u00edcitos de redistribui\u00e7\u00e3o de terras e riquezas que beneficiaram os sul-africanos brancos e os sul-africanos negros empobrecidos. A <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/articles\/c9wg5pg1xp5o\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">realidade<\/a> \u00e9 que sul-africanos brancos representam mais de 60% dos cargos de gest\u00e3o, apesar de serem 7% da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Continua sendo verdade que os sul-africanos negros s\u00e3o muito mais propensos a enfrentar a pobreza e a falta de oportunidades em seu pa\u00eds de nascimento. Os sul-africanos brancos tamb\u00e9m n\u00e3o enfrentam uma taxa de criminalidade mais alta; de acordo com estat\u00edsticas do governo, das aproximadamente 7000 v\u00edtimas de homic\u00eddio no final de 2024, apenas 12 foram v\u00edtimas de ataques a fazendas e apenas uma delas era agricultora.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a realidade em foco, o verdadeiro prop\u00f3sito do AfriForum \u00e9 n\u00edtido. Eles e sua laia tentaram usar a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sul-africana para criar uma falsa realidade que incutir\u00e1 medo na popula\u00e7\u00e3o afric\u00e2ner e a jogar\u00e1 nos bra\u00e7os da direita branca. De fato, incidentes reais de viol\u00eancia ou pol\u00edticas antiafric\u00e2neres s\u00e3o praticamente inexistentes, e o espectro do &#8220;genoc\u00eddio afric\u00e2ner&#8221; foi criado inteiramente a partir do medo que as minorias privilegiadas muitas vezes sentem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 maioria oprimida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A rea\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar desse contexto, a ideia de fugir para os Estados Unidos foi recebida com desprezo e zombaria na \u00c1frica do Sul, n\u00e3o apenas pelos sul-africanos negros, mas tamb\u00e9m por seus compatriotas afric\u00e2neres. De fato, at\u00e9 mesmo o AfriForum e o Solidarit\u00e9it emitiram <a href=\"https:\/\/www.artikels.afriforum.co.za\/en\/ramaphosa-responsible-for-afrikaner-exodus-afriforum\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a>&nbsp;declara\u00e7\u00f5es pedindo aos afric\u00e2neres que permane\u00e7am no pa\u00eds. Embora a ideia de que os afric\u00e2neres sejam t\u00e3o oprimidos em seu pa\u00eds de origem que devem fugir para os Estados Unidos reforce a pol\u00edtica do medo que o AfriForum tem usado para tentar desvi\u00e1-los para a direita, na verdade mina seu projeto maior. Se os afric\u00e2neres fugirem para os Estados Unidos, quem ficar\u00e1 para construir o etnoestado afric\u00e2ner branco? Para os afric\u00e2neres mais moderados e a popula\u00e7\u00e3o em geral do pa\u00eds, ir para os Estados Unidos \u00e9 considerada a maior trai\u00e7\u00e3o ao seu povo e ao seu pa\u00eds; muitas dessas pessoas acusaram os &#8220;refugiados&#8221; de serem simplesmente oportunistas em busca de um sal\u00e1rio mais alto nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m houve uma rea\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos, com a Igreja Episcopal notificando o governo de sua inten\u00e7\u00e3o de se retirar do programa de reassentamento de refugiados em vez de ajudar a reassentar esses chamados &#8220;refugiados&#8221;. Em um <a href=\"https:\/\/www.episcopalchurch.org\/publicaffairs\/letter-from-presiding-bishop-sean-rowe-on-episcopal-migration-ministries\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Declara\u00e7\u00e3o P\u00fablica<\/a>, o bispo episcopal Sean Rowe disse: &#8220;Tem sido doloroso ver como um grupo de refugiados, excepcionalmente selecionado, recebe tratamento preferencial em rela\u00e7\u00e3o a muitos outros que esperam h\u00e1 anos em campos de refugiados ou em condi\u00e7\u00f5es perigosas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse sentimento foi compartilhado por muitas pessoas no pa\u00eds, pois veem um pequeno grupo de pessoas brancas receber um processo acelerado, enquanto muitos mais da \u00c1sia, \u00c1frica e Am\u00e9rica do Sul n\u00e3o conseguem obter o status de refugiado, apesar de enfrentarem circunst\u00e2ncias muito mais graves. Embora o abuso de Trump do programa de refugiados seja particularmente absurdo, o programa tem uma longa hist\u00f3ria de ser usado para convidar grupos politicamente favorecidos (as elites cubanas e sul-vietnamitas), excluindo grupos desfavorecidos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E quanto ao antissemitismo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a maioria dos refugiados evitou a imprensa e manteve um status mais ou menos an\u00f4nimo, um &#8220;refugiado&#8221; em particular, Charl Kleinhaus, decidiu dar entrevistas \u00e0 BBC e ao <em>The New York Times<\/em>. Os coment\u00e1rios de Kleinhaus em entrevistas tornaram a natureza pol\u00edtica da situa\u00e7\u00e3o dos \u201camerikaners\u201d ainda mais absurda.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suas entrevistas, Kleinhaus insiste que veio para os Estados Unidos apenas porque vive com medo. Para apoi\u00e1-lo, disse a rep\u00f3rteres que deixou para tr\u00e1s uma casa de cinco quartos na bela regi\u00e3o de Mpumalanga para vir para os Estados Unidos. Uma r\u00e1pida pesquisa nas redes sociais de Kleinhaus tamb\u00e9m revelou uma s\u00e9rie de postagens de direita e racistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma publica\u00e7\u00e3o que atraiu aten\u00e7\u00e3o especial \u00e9 uma postagem antissemita que ele publicou em 2023, onde ele twittou que os judeus s\u00e3o &#8220;perigosos e pouco confi\u00e1veis&#8221;. Embora tenha dito \u00e0 BBC que esta publica\u00e7\u00e3o foi feita sob a influ\u00eancia de medicamentos, o hist\u00f3rico antissemita de Kleinhaus \u00e9 revelador, j\u00e1 que o Departamento de Seguran\u00e7a Interna de Trump tem afirmado que inclui a detec\u00e7\u00e3o de antissemitismo em sua pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o. Isso, como grande parte da pol\u00edtica de Trump em torno do antissemitismo, n\u00e3o tem nada a ver com a seguran\u00e7a real dos judeus; em vez disso, o Departamento de Seguran\u00e7a Interna tem tentado usar falsas acusa\u00e7\u00f5es de antissemitismo para suprimir o discurso anti-Israel. Na verdade, as publica\u00e7\u00f5es de Charl Kleinhaus exp\u00f5em exatamente isso, demonstrando que o Departamento de Seguran\u00e7a Interna estava mais do que disposto a admitir um &#8220;refugiado&#8221; com uma hist\u00f3ria muito p\u00fablica e \u00f3bvia de antissemitismo se contribu\u00edsse para os objetivos mais amplos de direita do governo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os &#8220;americanistas&#8221; e a classe trabalhadora estadunidense<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, a situa\u00e7\u00e3o dos &#8220;refugiados afric\u00e2neres&#8221; n\u00e3o passa de uma farsa. Os trabalhadores estadunidenses n\u00e3o devem nenhuma solidariedade a organiza\u00e7\u00f5es trabalhistas racistas como a Solidarit\u00e9. Embora devamos defender o direito das pessoas de se deslocarem pelo mundo, devemos nos opor \u00e0s fantasias de persegui\u00e7\u00e3o racista da direita branca sul-africana.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora seu comportamento possa parecer absurdo, a ado\u00e7\u00e3o dessa ret\u00f3rica por Trump deve ser levada a s\u00e9rio.&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sua pol\u00edtica representa uma continua\u00e7\u00e3o do esfor\u00e7o de Elon Musk para construir redes internacionais e camaradagem entre a direita global. Os trabalhadores dos EUA deveriam construir redes ainda maiores e mais s\u00f3lidas de solidariedade internacional para contra-atacar.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Foto: Em 21 de maio, Trump mostra ao presidente sul-africano Ramaphosa supostas evid\u00eancias de genoc\u00eddio contra afric\u00e2neres. (Evan Vucci \/ AP)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: James Markin | No in\u00edcio de maio, um pequeno grupo da minoria \u00e9tnica branca afric\u00e2ner deixou a \u00c1frica do Sul. De acordo com a m\u00eddia sul-africana News 24,sua partida do Aeroporto Internacional Oliver Tambo foi silenciosa, &#8220;sem alarde&#8221;. A sa\u00edda desse pequeno grupo provocou zombarias e desprezo pelos &#8220;americ\u00e2ners&#8221; em sua terra natal, a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":81148,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"James Markin","footnotes":""},"categories":[3519,208,4053],"tags":[9176,8300,331,20],"class_list":["post-81147","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-eua","category-africa","category-africa-do-sul","tag-africaners","tag-james-markin","tag-refugiados","tag-trump"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Captura-de-tela_12-6-2025_18170_www.dw_.com_.jpeg","categories_names":["\u00c1frica","\u00c1frica do Sul","Estados Unidos"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":"James Markin","tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81147","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81147"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81147\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":81149,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81147\/revisions\/81149"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81148"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81147"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81147"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81147"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}