{"id":81089,"date":"2025-05-28T23:54:47","date_gmt":"2025-05-28T23:54:47","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=81089"},"modified":"2025-06-06T13:27:29","modified_gmt":"2025-06-06T13:27:29","slug":"a-ultima-capitulacao-de-gilbert-achcar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/05\/28\/a-ultima-capitulacao-de-gilbert-achcar\/","title":{"rendered":"A \u00faltima capitula\u00e7\u00e3o de Gilbert Achcar"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Alejandro Iturbe<\/p>\n\n\n\n<p><em>Recentemente, Gilbert Achcar publicou em uma p\u00e1gina marroquina o artigo <strong>&#8220;Gaza e a sabedoria do rei Salom\u00e3o&#8221; <\/strong>sobre a situa\u00e7\u00e3o na Faixa de Gaza e suas propostas ao povo palestino. Nesse artigo, Achcar, por meio de suas habituais formula\u00e7\u00f5es amb\u00edguas, prop\u00f5e que, para encontrar uma sa\u00edda para a situa\u00e7\u00e3o, o Hamas e seus aliados <strong>&#8220;devem retirar seus l\u00edderes e combatentes [&#8230;] abandonar a Faixa de Gaza e entregar o controle deste territ\u00f3rio aos homens da Autoridade de Ramallah apoiados por for\u00e7as \u00e1rabes&#8221;.<\/strong><\/em><a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Gilbert Achcar \u00e9 jornalista e professor universit\u00e1rio de origem libanesa<em>, <\/em>radicado na Fran\u00e7a. Por meio de artigos e livros, ele \u00e9 a principal refer\u00eancia, para a Palestina e o Oriente M\u00e9dio, da organiza\u00e7\u00e3o conhecida como Secretariado Unificado (SU) da Quarta Internacional. Apesar do nome, o SU rompeu definitivamente com a concep\u00e7\u00e3o de Trotsky j\u00e1 no final da d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2023, j\u00e1 hav\u00edamos feito uma dura cr\u00edtica a outro artigo de Achcar no qual ele d\u00e1 uma vis\u00e3o absolutamente derrotista das perspectivas de luta do povo palestino contra o Estado sionista e conclui com uma proposta pacifista: que o povo palestino deixe de lado qualquer forma de luta armada ou a\u00e7\u00e3o militar e se limite apenas a realizar <em>&#8220;a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas&#8221;.<\/em><a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Agora, Achcar est\u00e1 dando um passo qualitativo em sua capitula\u00e7\u00e3o: ele prop\u00f5e diretamente que o Hamas pare de lutar contra Israel, deixe Gaza, deponha as armas e docilmente entregue esse territ\u00f3rio aos agentes coloniais do sionismo (&#8220;a Autoridade Palestina de Ramallah&#8221;) e aos governos c\u00famplices de Israel (&#8220;as for\u00e7as \u00e1rabes&#8221;).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que \u00e9 o Estado de Israel?<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para debater esta proposta de Achcar, \u00e9 necess\u00e1rio partir do fato que deu origem a essa terr\u00edvel situa\u00e7\u00e3o. Ou seja, a &#8220;cria\u00e7\u00e3o&#8221; do Estado de Israel, em 1947\/48, dividindo o territ\u00f3rio hist\u00f3rico palestino em dois e concedendo ao &#8220;Estado judeu&#8221; mais da metade do territ\u00f3rio palestino (da\u00ed o conceito de &#8220;os dois estados&#8221;). Isso foi feito por meio de uma resolu\u00e7\u00e3o da ONU impulsionada pelas pot\u00eancias imperialistas (especialmente os EUA) e apoiada pela burocracia stalinista. Durante este per\u00edodo, gangues armadas sionistas expulsaram grande parte do povo palestino, usando m\u00e9todos de limpeza \u00e9tnica. Em seu lugar, uma popula\u00e7\u00e3o de judeus europeus imigrantes foi artificialmente instalada e se apropriou das cidades, casas e campos dos palestinos, em um terr\u00edvel processo chamado <em>nakba<\/em> (cat\u00e1strofe).<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Posteriormente, Israel anexou \u00e0 for\u00e7a mais e mais terras at\u00e9 ocupar diretamente 78% da Palestina. O povo palestino ficou apenas com os territ\u00f3rios da Faixa de Gaza e da Cisjord\u00e2nia (separados um do outro), que estavam primeiro sob a administra\u00e7\u00e3o do Egito e da Jord\u00e2nia, respectivamente, e depois, desde 1967, sob ocupa\u00e7\u00e3o militar israelense direta. Em outras palavras, o Estado de Israel nasceu como um enclave pol\u00edtico-militar do imperialismo no cora\u00e7\u00e3o do mundo \u00e1rabe, com uma popula\u00e7\u00e3o relocalizada artificialmente e usufruindo das casas, terras e campos roubados dos palestinos. Portanto, a ess\u00eancia do estado sionista \u00e9 que, para se manter, deve se armar at\u00e9 os dentes e atacar permanentemente os palestinos (o &#8220;inimigo&#8221;) e outros pa\u00edses \u00e1rabes.<\/p>\n\n\n\n<p>Na maioria de seus artigos, Gilbert Achcar &#8220;esquece&#8221; essa origem do Estado de Israel. Isso n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia, porque ter em mente a ess\u00eancia do car\u00e1ter deste Estado e de seu povo leva inevitavelmente a uma conclus\u00e3o: para que o povo palestino possa recuperar seu territ\u00f3rio e construir uma &#8220;Palestina livre do rio [Jord\u00e3o] ao mar [Mediterr\u00e2neo]&#8221; (para o qual as fam\u00edlias dos expulsos em 1948 podem retornar) \u00e9 necess\u00e1rio destruir o Estado de Israel,&nbsp; tal como na sua \u00e9poca foi necess\u00e1rio destruir o estado nazista para libertar os povos oprimidos &#8220;sob suas botas&#8221;. Uma luta que deve necessariamente ser travada no campo da guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo contr\u00e1rio, Achcar (assim como v\u00e1rias correntes de esquerda e palestinas) nos dizem que o objetivo estrat\u00e9gico do povo palestino deve ser lutar por uma nova vers\u00e3o dos &#8220;dois estados&#8221;. Uma vers\u00e3o piorada pelo fato de que os palestinos ficariam apenas com um estado pequeno (dividido em duas partes separadas), economicamente invi\u00e1vel, cercado e sufocado por um estado sionista armado at\u00e9 os dentes e sem lugar f\u00edsico para o retorno das fam\u00edlias expulsas<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.&nbsp; Todas as posi\u00e7\u00f5es de Achcar partem dessa primeira capitula\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica e, inevitavelmente, o levam a uma dire\u00e7\u00e3o cada vez pior.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os Acordos de Oslo<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Outro &#8220;esquecimento&#8221; muito grave de Achcar \u00e9 o significado e as consequ\u00eancias dos Acordos de Oslo, assinados em 1993 entre Yasser Arafat, l\u00edder da Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (OLP) e o governo israelense, com o endosso de Bill Clinton (ent\u00e3o presidente dos Estados Unidos).<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes desses Acordos, desde o final de 1987, houve a Primeira Intifada (revolta em \u00e1rabe): a rebeli\u00e3o her\u00f3ica contra a ocupa\u00e7\u00e3o israelense, liderada pelos jovens e crian\u00e7as de Gaza e da Cisjord\u00e2nia que enfrentaram soldados e armas israelenses com estilingues e pedras.<\/p>\n\n\n\n<p>A repress\u00e3o sionista assassinou 3.000 palestinos e prendeu v\u00e1rios milhares. Ao mesmo tempo, gerou uma crise aguda no moral dos jovens soldados israelenses que disseram estar dispostos a matar soldados inimigos e &#8220;terroristas&#8221;, mas n\u00e3o crian\u00e7as e adolescentes desarmados.<\/p>\n\n\n\n<p>O sionismo e o imperialismo estavam cientes do grave perigo que enfrentavam. L\u00e1&nbsp; come\u00e7aram a promover os Acordos de Oslo, apresentando-os como uma forma de &#8220;alcan\u00e7ar a paz&#8221; e, ao mesmo tempo, como um primeiro passo no caminho para a suposta constitui\u00e7\u00e3o de um mini-estado palestino em Gaza e na Cisjord\u00e2nia. No papel, as for\u00e7as militares israelenses se retirariam desses territ\u00f3rios, que seriam controlados pelas for\u00e7as da OLP.<\/p>\n\n\n\n<p>A OLP &#8220;comprou&#8221; essa &#8220;propaganda enganosa&#8221;: atrav\u00e9s da assinatura dos Acordos, reconheceu a legitimidade do Estado de Israel e renunciou \u00e0 luta contra ele. Foi uma verdadeira trai\u00e7\u00e3o de Arafat e da OLP que, dessa forma, abandonaram definitivamente seu objetivo fundacional: recuperar o territ\u00f3rio palestino hist\u00f3rico (&#8220;do rio ao mar&#8221;) para construir uma Palestina secular democr\u00e1tica e n\u00e3o racista.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de Oslo, em 1978, o regime eg\u00edpcio tamb\u00e9m reconheceu a legitimidade do Estado sionista e assinou a &#8220;paz&#8221; com ele nos Acordos de Camp David<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Em 1994, a monarquia jordaniana assinou um acordo semelhante estabelecendo o rio Jord\u00e3o como fronteira entre os dois pa\u00edses. Dessa forma, esses regimes \u00e1rabes tornaram-se c\u00famplices do sionismo para cercar e isolar os territ\u00f3rios ocupados e colaborar com o sionismo na repress\u00e3o dos palestinos (incluindo os exilados que vivem em seus pa\u00edses). Por esta raz\u00e3o, tamb\u00e9m devem ser rotulados como traidores do povo palestino. Todos esses acordos s\u00e3o um sinal claro de que est\u00e3o sempre a servi\u00e7o do Estado sionista e do imperialismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Autoridade Nacional Palestina e a Cisjord\u00e2nia&nbsp;&nbsp; <\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os Acordos de Oslo em 1994 instalaram a Autoridade Nacional Palestina (ANP) como o governo de Gaza e da Cisjord\u00e2nia, com um governo e um parlamento eleitos por seus habitantes, com sede na cidade de Ramallah (Cisjord\u00e2nia), e uma pol\u00edcia palestina.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, isso n\u00e3o significou um passo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o do mini-estado palestino (que j\u00e1 era um objetivo limitado). Pelo contr\u00e1rio, a Autoridade Palestina e suas institui\u00e7\u00f5es tornaram-se a administra\u00e7\u00e3o colonial a servi\u00e7o do dom\u00ednio sionista e seus agentes policiais auxiliares da repress\u00e3o israelense.<\/p>\n\n\n\n<p>A Faixa de Gaza foi comprimida e isolada entre Israel e o mar. Enquanto isso, a Cisjord\u00e2nia foi cercada por um muro e postos de controle israelenses, em sua parte ocidental, e &#8220;cortada em v\u00e1rios peda\u00e7os&#8221; controlados pelas for\u00e7as israelenses, pela ANP ou por ambas, em conjunto. \u00c9 imposs\u00edvel para os palestinos que vivem l\u00e1 se deslocarem de uma \u00e1rea para outra sem passar pelos postos de controle.<\/p>\n\n\n\n<p>Qualquer tipo de desenvolvimento econ\u00f4mico aut\u00f4nomo depende e \u00e9 controlado por Israel (a moeda de uso comum \u00e9 o shekel israelense). A pobreza e o desemprego s\u00e3o muito altos e for\u00e7am muitos palestinos a cruzar a fronteira diariamente para trabalhar na constru\u00e7\u00e3o, f\u00e1bricas e campos no territ\u00f3rio que o Estado sionista se apropriou.&nbsp;Mas, mesmo nas terr\u00edveis condi\u00e7\u00f5es coloniais da Cisjord\u00e2nia, foi surgindo uma burguesia palestina que encontra alguns espa\u00e7os de desenvolvimento e enriquecimento, se &#8220;entrela\u00e7a&#8221; com a Autoridade Palestina e se associa \u00e0 burguesia israelense<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, o Estado de Israel continuou a roubar propriedades palestinas, tanto urbanas em Jerusal\u00e9m Oriental quanto terras agr\u00edcolas. Novos imigrantes judeus de origem russa se estabeleceram l\u00e1, chegando a partir de 1990, ap\u00f3s a queda da antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Estima-se que j\u00e1 existam 800.000 desses &#8220;colonos&#8221; (200.000 deles em Jerusal\u00e9m Oriental) que recebem grandes subs\u00eddios estatais para isso. \u00c9 por isso que, atualmente, esses imigrantes s\u00e3o a &#8220;linha de frente&#8221; do ataque e da agress\u00e3o contra os palestinos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hamas e a Faixa de Gaza <\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Hamas \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o palestina fundada em 1987. Em sua carta de princ\u00edpios,&nbsp; reivindica o Alcor\u00e3o como uma fonte ideol\u00f3gica e o m\u00e9todo de <em>jihad <\/em>(guerra) contra o Estado de Israel para estabelecer &#8220;<em>um estado isl\u00e2mico palestino em todo o territ\u00f3rio do antigo <\/em><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Mandato_Brit%C3%A2nico_da_Palestina\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Mandato Brit\u00e2nico da Palestina<\/em><\/a>&#8220;.<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a> Uma pol\u00edtica que contrasta fortemente com a trai\u00e7\u00e3o do al-Fatah e da AP, transformados em agentes coloniais do sionismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, n\u00e3o foi surpresa que, em 2006, em sua primeira participa\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es do Conselho Legislativo Palestino, o Hamas obteve uma vit\u00f3ria esmagadora sobre o Fatah e conquistou uma n\u00edtida maioria na Assembleia Legislativa para formar um governo. Em resposta, Mahmoud Abbas, membro do al-Fatah e presidente da ANP, n\u00e3o reconheceu a vit\u00f3ria do Hamas, proclamou-se a \u00fanica autoridade palestina e, por meio de um golpe, manteve o controle das institui\u00e7\u00f5es centrais da Autoridade Palestina na Cisjord\u00e2nia. Foi apoiado por Israel e pelas pot\u00eancias imperialistas, que reconheceram seu governo como &#8220;leg\u00edtimo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando as for\u00e7as de Abbas tentaram assumir o controle da Faixa de Gaza, foram derrotadas pelo Hamas, que se instalou como o governo leg\u00edtimo daquele territ\u00f3rio. Naquela \u00e9poca, a LIT-QI caracterizou a Faixa de Gaza como tendo se tornado o \u00fanico territ\u00f3rio palestino independente do Estado de Israel, e o governo do Hamas era a express\u00e3o pol\u00edtica e militar disso.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia de Gaza \u00e9 inaceit\u00e1vel para o Estado sionista, que precisa acabar com ela. Assim, isolou completamente o territ\u00f3rio, bloqueou sua economia e, permanentemente, bombardeou-a para destruir sua infraestrutura de sa\u00fade e suprimentos b\u00e1sicos de \u00e1gua e eletricidade. Apesar disso, os palestinos resistiram obstinadamente e, de todas as maneiras que puderam, tentaram contra-atacar (como disparar m\u00edsseis caseiros de curto alcance em territ\u00f3rio israelense).<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A a\u00e7\u00e3o militar do Hamas e a invas\u00e3o de Gaza por Israel<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 7 de outubro de 2023, uma coluna de combatentes do Hamas e de outras organiza\u00e7\u00f5es entrou em territ\u00f3rio israelita e levou a cabo uma ousada opera\u00e7\u00e3o militar. Em outros pontos, centenas de moradores de Gaza romperam a barreira que a separava do Estado sionista e rapidamente realizaram a\u00e7\u00f5es menores. A coluna principal retornou a Gaza com prisioneiros israelenses. Foi um sinal de que, apesar de sua reputa\u00e7\u00e3o de invulnerabilidade, as defesas israelenses t\u00eam pontos de fragilidade e fraqueza<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\">[10]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em retalia\u00e7\u00e3o ao ataque, o governo de Benjamin Netanyahu lan\u00e7ou uma grande opera\u00e7\u00e3o militar: invadiu o norte da Faixa de Gaza e, com m\u00e9todos genocidas de limpeza \u00e9tnica, busca &#8220;empurrar&#8221; um milh\u00e3o de palestinos para o sul e expuls\u00e1-los para o Egito. Essa a\u00e7\u00e3o genocida j\u00e1 matou dezenas de milhares de palestinos e feriu mais de 100.000 (a maioria civis, idosos, mulheres e crian\u00e7as). A f\u00faria assassina do sionismo \u00e9 t\u00e3o grande que n\u00e3o teve nenhum problema em assassinar jornalistas estrangeiros e trabalhadores humanit\u00e1rios. A isto devemos acrescentar os milhares de v\u00edtimas da fome e da falta de cuidados m\u00e9dicos e de medicamentos. Apesar de sua a\u00e7\u00e3o genocida, o estado sionista n\u00e3o consegue consolidar o dom\u00ednio efetivo sobre Gaza. Os palestinos n\u00e3o desistiram e, enquanto podem, est\u00e3o voltando para suas casas destru\u00eddas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, est\u00e3o ocorrendo mobiliza\u00e7\u00f5es massivas em todo o mundo que repudiam a invas\u00e3o israelense e comparam seus m\u00e9todos com os da Alemanha nazista. Depois de um certo impasse, estamos vendo uma nova onda dessas mobiliza\u00e7\u00f5es<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[11]<\/a>. Essas a\u00e7\u00f5es levam governos de pot\u00eancias imperialistas que sempre apoiaram Israel (como Fran\u00e7a, Canad\u00e1 e Reino Unido) a pressionar o governo de Netanyahu a interromper sua ofensiva em Gaza<a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\">[12]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A administra\u00e7\u00e3o Trump \u201c foi e veio&#8221; com sua pol\u00edtica (sempre no \u00e2mbito do apoio incondicional do imperialismo ianque ao estado sionista). Depois de assumir o cargo, pressionou Netanyahu a assinar um cessar-fogo em Gaza, algo que este aceitou a princ\u00edpio e depois rapidamente o rompeu e reiniciou sua a\u00e7\u00e3o genocida. Naqueles momentos, Trump &#8220;deixou correr&#8221; essa a\u00e7\u00e3o sionista e disse que os EUA deveriam <em>&#8220;tomar Gaza&#8221;<\/em> e transform\u00e1-la em uma <em>&#8220;zona livre&#8221;.<a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\"><strong>[13]<\/strong><\/a> <\/em>Finalmente, expressou <em>&#8220;frustra\u00e7\u00e3o&#8221;<\/em> com o fato de Netanyahu ter rompido o cessar-fogo que havia proposto para Gaza<a href=\"#_ftn14\" id=\"_ftnref14\">[14]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A crise no Estado de Israel<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O nervosismo do governo de Netanyahu diante dessa press\u00e3o internacional \u00e9 t\u00e3o grande que chegou a disparar <em>&#8220;tiros de advert\u00eancia&#8221;<\/em> contra uma delega\u00e7\u00e3o de diplomatas europeus e pa\u00edses \u00e1rabes que visitava o campo de Jenin, na Cisjord\u00e2nia, o que j\u00e1 provocou um conflito diplom\u00e1tico com a Uni\u00e3o Europeia<a href=\"#_ftn15\" id=\"_ftnref15\">[15]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Este n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico fator que complica Netanyahu, que vive uma crescente crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica profundamente ligada direta e indiretamente \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de sua a\u00e7\u00e3o genocida em Gaza<a href=\"#_ftn16\" id=\"_ftnref16\">[16]<\/a>. O impacto da campanha BDS (boicote, desinvestimento e san\u00e7\u00f5es) est\u00e1 afetando cada vez mais a economia israelense e atingindo especialmente o setor da popula\u00e7\u00e3o que trabalha na nova economia privada israelense, que exige que o governo cesse o fogo em Gaza<a href=\"#_ftn17\" id=\"_ftnref17\">[17]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Junto com isso, mais e mais soldados reservistas israelenses est\u00e3o se recusando a voltar \u00e0s fileiras para evitar lutar em Gaza.&nbsp; Ainda mais profundo \u00e9 o fato de que milhares de israelenses deixam Israel e migram silenciosamente para a Europa e os EUA para estudar, trabalhar em sua profiss\u00e3o ou abrir seus neg\u00f3cios porque sentem que &#8220;j\u00e1 n\u00e3o pertencem ali&#8221;.<a href=\"#_ftn18\" id=\"_ftnref18\">[18]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A superioridade militar do Estado de Israel em Gaza \u00e9 esmagadora e permite que Netanyahu mantenha sua ofensiva genocida. No entanto, como vimos, mesmo assim&nbsp; n\u00e3o consegue obter uma vit\u00f3ria definitiva sobre os palestinos daquele territ\u00f3rio. Al\u00e9m disso, o isolamento internacional do estado sionista est\u00e1 crescendo cada vez mais em todo o mundo. Mesmo jovens judeus que vivem em v\u00e1rios pa\u00edses, como os Estados Unidos, rompem com o sionismo e repudiam as a\u00e7\u00f5es israelenses. Ao mesmo tempo, Israel est\u00e1 sendo corro\u00eddo internamente por uma grave crise.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, Achcar considera apenas a situa\u00e7\u00e3o em Gaza e &#8220;esquece&#8221; tanto o que est\u00e1 acontecendo no mundo quanto a crise interna do Estado de Israel. Ele faz isso porque precisa mostrar um Netanyahu forte e s\u00f3lido para justificar sua proposta de que o Hamas se renda ao inimigo (na realidade, que os palestinos de Gaza se rendam).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre a proposta atual do Hamas<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em um artigo de 2023, expusemos nossas diferen\u00e7as estrat\u00e9gicas e t\u00e1ticas com o Hamas<a href=\"#_ftn19\" id=\"_ftnref19\">[19]<\/a>. Ao contr\u00e1rio de algumas organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, n\u00f3s (a LIT-QI) <em>&#8220;n\u00e3o <\/em>&#8216;condenamos&#8217;<em> as a\u00e7\u00f5es do Hamas contra Israel e defendemos esta organiza\u00e7\u00e3o dos ataques do Estado sionista, do imperialismo e de seus muitos governos c\u00famplices no mundo. Estamos no mesmo <\/em>&#8220;campo militar&#8221;<em> da luta contra Israel e, por isso, realizamos eventos conjuntos em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo que expressam essa unidade de a\u00e7\u00e3o. \u00c9 parte da defesa do povo palestino e sua luta contra Israel.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse mesmo artigo, afirmamos: <em>&#8220;Para derrotar militarmente Israel e destru\u00ed-lo, \u00e9 necess\u00e1rio que ele seja atacado de fora &#8216;de todos os lados&#8217;. Ou seja, da fronteira dos pa\u00edses \u00e1rabes fronteiri\u00e7os (Egito, L\u00edbano, S\u00edria e Jord\u00e2nia) com o apoio de todos os povos \u00e1rabes e mu\u00e7ulmanos. A resist\u00eancia palestina deve ser uma<\/em> &#8216;fa\u00edsca&#8217; <em>que inflame a luta revolucion\u00e1ria e militar dos povos \u00e1rabes contra Israel&#8221;.<\/em> Em tal situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel derrotar militarmente o Estado de Israel<a href=\"#_ftn20\" id=\"_ftnref20\">[20]<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Achcar abandonou completamente essa perspectiva de luta: critica o apelo do porta-voz do Hamas para que as massas do mundo \u00e1rabe <em>&#8220;peguem rifles, facas, machados, coquet\u00e9is molotov, escavadeiras e carros&#8221;<\/em> para fazer <em>&#8220;uma grande revolu\u00e7\u00e3o que acabe com a ocupa\u00e7\u00e3o israelense&#8221;.<\/em> Afirma que essa possibilidade \u00e9 <em>&#8220;pura fantasia&#8221; <\/em>e prop\u00f5e que o Hamas e os palestinos em Gaza entreguem suas armas, se rendam e deixem de lutar contra Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Para n\u00f3s, o apelo do Hamas \u00e0s massas \u00e1rabes para que lutem com o que tiverem em m\u00e3os contra o Estado sionista \u00e9 totalmente correto. O problema \u00e9 que n\u00e3o prop\u00f5e que, para que uma luta contra Israel &#8220;de todos os lados&#8221; ocorra, \u00e9 necess\u00e1rio que as massas \u00e1rabes e mu\u00e7ulmanas derrubem os governos c\u00famplices do Estado sionista, como os do Egito e da Jord\u00e2nia, o agente colonial do sionismo na Cisjord\u00e2nia (o governo de Abbas e al-Fatah) e encurralar outros governos (L\u00edbano,&nbsp; S\u00edria, Ir\u00e3) para passar das palavras aos atos e iniciar uma luta real contra Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, Achcar acredita que j\u00e1 existe uma derrota irrevers\u00edvel do povo palestino. \u00c9 por isso que ele prop\u00f5e que, para n\u00e3o continuar sofrendo o genoc\u00eddio sionista, eles parem de lutar, se rendam e aceitem ser governados pelos agentes coloniais palestinos e pelos governos \u00e1rabes c\u00famplices do Estado sionista.<\/p>\n\n\n\n<p>Fazendo uma analogia hist\u00f3rica, \u00e9 como se Achcar tivesse proposto aos her\u00f3icos combatentes da Resist\u00eancia, na Fran\u00e7a ocupada pelos nazistas, que abandonassem a luta, entregassem suas armas e aceitassem ser governados pelo regime colaboracionista do marechal P\u00e9tain. Felizmente, os resistentes franceses n\u00e3o deram ouvidos aos conselhos dos Achcars da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Algumas conclus\u00f5es finais<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um salto qualitativo sobre suas posi\u00e7\u00f5es. At\u00e9 este artigo, Achcar e o SU tinham uma vis\u00e3o derrotista e fizeram uma proposta pacifista ao povo palestino: abandonar a luta militar e continuar a enfrentar Israel apenas no &#8220;n\u00edvel pol\u00edtico&#8221;. Agora, eles acreditam que a derrota palestina j\u00e1 se materializou e, diretamente, que as pessoas devem se render.<\/p>\n\n\n\n<p>Para apoiar sua proposta, Achcar e o SU usam o m\u00e9todo repugnante de chantagem moral: para &#8220;proteger seu povo&#8221; para que ele possa sobreviver, o Hamas deve se render e for\u00e7ar o povo de Gaza a aceitar uma situa\u00e7\u00e3o como a da Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Com essa posi\u00e7\u00e3o, Achcar e o SU tornaram-se agentes operacionais do imperialismo, do estado sionista e de seus c\u00famplices. Tenham um pouco de dignidade e n\u00e3o manchem o nome da Quarta Internacional e do trotskismo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.almounadila.info\/archives\/25432\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.almounadila.info\/archives\/25432<\/a> (original em \u00e1rabe, as cita\u00e7\u00f5es s\u00e3o nossa tradu\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> https:\/\/litci.org\/es\/debate-con-gilbert-achcar-sobre-palestina-piedras-contra-tanques-y-misiles\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> https:\/\/litci.org\/es\/nakba-los-jovenes-no-olvidaron\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> https:\/\/litci.org\/es\/palestina-sobre-la-falsa-solucion-de-los-dos-estados\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> https:\/\/litci.org\/es\/oslo-la-paz-de-los-cementerios-para-la-continua-nakba\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> https:\/\/litci.org\/es\/egipto-el-impacto-de-la-situacion-en-gaza\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> https:\/\/litci.org\/es\/cisjordania-el-otro-frente-del-ataque-israeli-a-los-palestinos\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> <a href=\"http:\/\/www.mideastweb.org\/hamas.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&#8220;Carta do Hamas&#8221;.<\/a> Oriente M\u00e9dioWeb. 18 de agosto de 1988<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> https:\/\/www.elconfidencial.com\/tecnologia\/2021-05-19\/gaza-israel-iron-dome-misiles-cohetes-hamas_3087591\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> https:\/\/litci.org\/es\/a-un-ano-del-7-de-octubre-una-accion-historica-de-la-resistencia-palestina-2\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a> https:\/\/es.euronews.com\/my-europe\/2025\/05\/19\/decenas-de-miles-de-personas-protestan-en-la-haya-para-exigir-al-gobierno-holandes-que-act<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[12]<\/a> https:\/\/g1.globo.com\/google\/amp\/mundo\/noticia\/2025\/05\/19\/franca-canada-e-reino-unido-pressionam-israel-e-ameacam-sancoes-se-ofensiva-em-gaza-continuar.ghtml<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\">[13]<\/a> https:\/\/www.theguardian.com\/world\/live\/2025\/may\/15\/israel-gaza-donald-trump-gulf-qatar-uae-iran-middle-east-crisis-live<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\" id=\"_ftn14\">[14]<\/a> https:\/\/www.msn.com\/es-co\/pol\u00edtica\/gobierno\/trump-estar\u00eda-frustrado-con-israel-por-la-guerra-en-gaza-pide-a-netanyahu-que-termine-el-conflicto\/ar-AA1F9BU0?ocid=socialshare<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref15\" id=\"_ftn15\">[15]<\/a> https:\/\/www.france24.com\/es\/medio-oriente\/20250521-ej%C3%A9rcito-israel%C3%AD-dispara-a-delegaci%C3%B3n-de-diplom%C3%A1ticos-de-varios-pa%C3%ADses-en-jenin-la-ue-exige-investigaci%C3%B3n<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref16\" id=\"_ftn16\">[16]<\/a> https:\/\/litci.org\/es\/crisis-politica-en-el-estado-de-israel\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref17\" id=\"_ftn17\">[17]<\/a> https:\/\/www.msn.com\/es-co\/noticias\/other\/el-ambiente-est\u00e1-cambiando-el-creciente-n\u00famero-de-israel\u00edes-que-protestan-contra-la-guerra-en-gaza\/ar-AA1Femx8?ocid=socialshare<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref18\" id=\"_ftn18\">[18]<\/a> https:\/\/www.hispantv.com\/noticias\/economia\/599729\/iinflacion-subida-precios-exodo-israel<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref19\" id=\"_ftn19\">[19]<\/a> <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/nuestros-acuerdos-y-diferencias-con-hamas\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser\">https:\/\/litci.org\/es\/nuestros-acuerdos-y-diferencias-con-hamas\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref20\" id=\"_ftn20\">[20]<\/a> <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/es-posible-la-derrota-militar-de-israel\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser\">https:\/\/litci.org\/es\/es-posible-la-derrota-militar-de-israel\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Alejandro Iturbe Recentemente, Gilbert Achcar publicou em uma p\u00e1gina marroquina o artigo &#8220;Gaza e a sabedoria do rei Salom\u00e3o&#8221; sobre a situa\u00e7\u00e3o na Faixa de Gaza e suas propostas ao povo palestino. 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