{"id":80996,"date":"2025-04-28T21:28:47","date_gmt":"2025-04-28T21:28:47","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=80996"},"modified":"2025-04-28T21:30:03","modified_gmt":"2025-04-28T21:30:03","slug":"a-luta-pela-educacao-publica-e-pelos-direitos-democraticos-em-nossas-universidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/04\/28\/a-luta-pela-educacao-publica-e-pelos-direitos-democraticos-em-nossas-universidades\/","title":{"rendered":"A luta pela educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e pelos direitos democr\u00e1ticos em nossas universidades"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Blanca Le\u00f3n<\/p>\n\n\n\n<p>O ensino superior nos Estados Unidos est\u00e1 enfrentando ataques sem precedentes. A ofensiva do governo Trump contra a liberdade acad\u00eamica e a liberdade de express\u00e3o nos campus est\u00e1 combinada com enormes medidas de austeridade implementadas tanto pelo governo federal quanto pelas administra\u00e7\u00f5es estaduais, incluindo aqueles liderados pelo Partido Democrata.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo Trump implementou cortes dr\u00e1sticos no Departamento de Educa\u00e7\u00e3o: mais de 1.300 trabalhadores foram demitidos at\u00e9 o momento e mais de 600 aceitaram pacotes de indeniza\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a maioria dos subs\u00eddios federais para pesquisa e educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 em risco.<\/p>\n\n\n\n<p>O Departamento de Educa\u00e7\u00e3o dos EUA enviou cartas<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a> a 60 universidades que declarou unilateralmente estarem sob investiga\u00e7\u00e3o por suposto ass\u00e9dio antissemita a estudantes judeus nos campus que protestavam contra o genoc\u00eddio dos palestinos patrocinado pelos EUA. Exige medidas reacion\u00e1rias extremas, como demiss\u00e3o de estudantes, permitir o livre acesso dos militares ao campus ou fechamento de departamentos para preservar o financiamento federal.<\/p>\n\n\n\n<p>A Columbia se tornou a primeira universidade diretamente afetada por essa chantagem retaliat\u00f3ria devido \u00e0 cobertura da m\u00eddia dos protestos da Palestina Livre. Todos os seus subs\u00eddios federais, totalizando US$ 400 milh\u00f5es, foram suspensos, apesar do compromisso da universidade com novas regras que eliminariam qualquer resqu\u00edcio de governan\u00e7a compartilhada, liberdade acad\u00eamica ou autonomia universit\u00e1ria. Al\u00e9m disso, a Johns Hopkins teve que demitir 2.000 funcion\u00e1rios como resultados dos cortes de US$ 800 milh\u00f5es nos programas da USAID. Certamente haver\u00e1 mais demiss\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse ataque n\u00e3o \u00e9 totalmente novo. No auge da agita\u00e7\u00e3o estudantil contra a Guerra do Vietn\u00e3, o governo Nixon discutiu a possibilidade de cortar o financiamento das universidades<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a> em retalia\u00e7\u00e3o aos protestos no campus. Embora a amea\u00e7a nunca tenha sido concretizada, mais de 100 funcion\u00e1rios sem estabilidade foram demitidos por suas atividades pol\u00edticas, e os estados intensificaram os esfor\u00e7os para criminalizar os protestos no campus. Os ataques atuais s\u00e3o mais ferozes e diretos, e expressam o medo do governo dos EUA de uma poss\u00edvel agita\u00e7\u00e3o estudantil maci\u00e7a que arrastaria o movimento oper\u00e1rio para as ruas.<\/p>\n\n\n\n<p>A combina\u00e7\u00e3o de antissionismo e antissemitismo est\u00e1 sendo usada desta vez para criminalizar o movimento de liberta\u00e7\u00e3o da Palestina e encorajar uma ofensiva contra as universidades, a liberdade acad\u00eamica e as liberdades civis. O sequestro do ativista estudantil da Columbia, Mahmood Khalil, foi apenas a ponta do iceberg. A organiza\u00e7\u00e3o pr\u00f3-Israel Betar US est\u00e1 compilando informa\u00e7\u00f5es<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a> sobre ativistas pr\u00f3-palestinos em uma suposta \u201clista de deporta\u00e7\u00e3o\u201d que inclui indiv\u00edduos, tanto portadores de visto quanto cidad\u00e3os norte-americanos, que foi enviada ao FBI. Em resposta, mais de 1.000 professores judeus emitiram uma carta p\u00fablica denunciando o uso de \u201calega\u00e7\u00f5es c\u00ednicas de antissemitismo para assediar, expulsar, prender ou deportar membros de nossas comunidades universit\u00e1rias\u201d e acusando o governo Trump de usar os judeus como escudo para justificar um ataque descarado \u00e0 dissid\u00eancia pol\u00edtica e \u00e0 independ\u00eancia universit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o contra os judeus tamb\u00e9m tem sido usada como arma para atacar os programas do DEI, em especial o Curr\u00edculo de Estudos \u00c9tnicos Liberados<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a> em escolas e universidades, por meio de organiza\u00e7\u00f5es sionistas de extrema direita disfar\u00e7adas de M\u00e3es Contra o Antissemitismo no Campus (MACA)<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Calif\u00f3rnia e Ohio tamb\u00e9m est\u00e3o desmantelando seus sistemas universit\u00e1rios estaduais, e os cortes federais tamb\u00e9m est\u00e3o afetando outros sistemas p\u00fablicos, como os do Kansas e do Tennessee. Na Calif\u00f3rnia, o governador Newsom prop\u00f4s um corte de 7,95% no financiamento da educa\u00e7\u00e3o quando o Estado estava prevendo um d\u00e9ficit or\u00e7ament\u00e1rio, uma medida que foi contestado desde ent\u00e3o. Esses cortes, somados as demiss\u00f5es em andamento e os cortes de programas em v\u00e1rios campus, podem significar que o sistema da Universidade Estadual da Calif\u00f3rnia (CSU) receber\u00e1 o golpe final no desmantelamento estatal de um dos maiores sistemas de universidades p\u00fablicos do pa\u00eds, com 450.000 alunos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Confer\u00eancia Unidos pela Defesa da Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, em 22 de fevereiro, ativistas da Universidade Estadual de S\u00e3o Francisco argumentaram que os cortes do governador s\u00e3o uma op\u00e7\u00e3o, n\u00e3o algo inevit\u00e1vel, dadas as reservas de US$ 27,5 bilh\u00f5es<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a> do Estado. No caso da m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o da CSU, como na maioria dos sistemas estaduais de ensino superior, h\u00e1 um conluio entre os pol\u00edticos estaduais que cortam verbas da educa\u00e7\u00e3o para financiar pris\u00f5es e centros de deten\u00e7\u00e3o, e os conselhos diretores que acumulam fundos p\u00fablicos para investi-los no mercado de a\u00e7\u00f5es. A CSU, por exemplo, tem US$ 7 bilh\u00f5es de dinheiro dos contribuintes e das mensalidades dos estudantes investidos no mercado de a\u00e7\u00f5es e US$ 2 bilh\u00f5es em reservas de caixa. Somente em 2024, US$ 94 milh\u00f5es em lucros foram obtidos com esses investimentos, e esse dinheiro por si s\u00f3 seria suficiente para reverter \u00e0 maioria das demiss\u00f5es em curso no campus e os d\u00e9ficits artificiais inventados para justificar a austeridade.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudantes e os sindicatos est\u00e3o exigindo cada vez mais uma auditoria externa e independente das finan\u00e7as dos sistemas da CSU e da Universidade da Calif\u00f3rnia (UC) para garantir total transpar\u00eancia. Igualmente importante \u00e9 exigir que a contabilidade de todas as finan\u00e7as da universidade seja aberta aos estudantes e funcion\u00e1rios antes que qualquer corte seja feito, para que propostas alternativas possam ser apresentadas. Por exemplo, poderia ser demitido o n\u00famero crescente de administradores com altos sal\u00e1rios, come\u00e7ando pela remunera\u00e7\u00e3o total do reitor da CSU e do presidente da UC, que ganham US$ 930.000 e US$ 1,3 milh\u00e3o, respectivamente; e as a\u00e7\u00f5es existentes e os retornos dos fundos patrimoniais poderiam ser vendidos ou reinvestidos na miss\u00e3o principal das universidades: ensino e pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todo o pa\u00eds, os professores est\u00e3o come\u00e7ando a se organizar contra esses ataques, apesar da crescente repress\u00e3o. A Jornada Nacional de A\u00e7\u00e3o em 17 de abril, organizado pela Coaliz\u00e3o para a A\u00e7\u00e3o na Educa\u00e7\u00e3o Superior, foi apoiado pela HELU (Higher Education Labor United), pela AAUP (Associa\u00e7\u00e3o Americana de Professores Universit\u00e1rios) e pela FJPN (Faculty for Justice in Palestine Network).<\/p>\n\n\n\n<p>O chamado<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a> \u00e9 pela defesa da autonomia trabalhista, pela liberdade de ensinar e aprender, pela educa\u00e7\u00e3o como um direito civil, bem como pelo aumento da sindicaliza\u00e7\u00e3o no ensino superior e pelo uso do poder de greve para defender os direitos dos trabalhadores e a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A Confer\u00eancia da SFSU Unida para Defender a Educa\u00e7\u00e3o, realizada em fevereiro, tamb\u00e9m endossou um Dia Nacional de A\u00e7\u00e3o pela Educa\u00e7\u00e3o Superior, a ser realizado em 17 de abril, para combinar a luta contra os cortes devastadores com a defesa dos direitos dos imigrantes e das liberdades civis. A confer\u00eancia foi patrocinada pela CFA (Associa\u00e7\u00e3o dos Professores da Calif\u00f3rnia), que representa 29.000 professores, bibliotec\u00e1rios e conselheiros do sistema CSU, e pela UAW 4311, que representa os trabalhadores estudantes. Contou com o apoio de grupos de estudantes e se\u00e7\u00f5es da FJP.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a confer\u00eancia de fevereiro levantou a necessidade de lutar pelo controle democr\u00e1tico total de nossas universidades e faculdades por professores, alunos e funcion\u00e1rios, em parceria com as comunidades da classe trabalhadora que as cercam. Isso significa avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o a um modelo de governan\u00e7a democr\u00e1tica de baixo para cima, em que os representantes eleitos do corpo docente, dos funcion\u00e1rios e dos alunos elejam reitores e decanos e supervisionem o or\u00e7amento e as decis\u00f5es financeiras de sua institui\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de serem respons\u00e1veis pelo plano de estudos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Precisamos de a\u00e7\u00e3o independente e massiva de estudantes e trabalhadores.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Muitos estudantes, funcion\u00e1rios e professores est\u00e3o se perguntando como responder a essa guerra multifacetada contra as universidades e, acima de tudo, como continuar a se organizar diante da crescente repress\u00e3o. Alguns ainda t\u00eam esperan\u00e7a de que os mesmos pol\u00edticos do Partido Democrata que facilitam o desfinanciamento das universidades e dos servi\u00e7os p\u00fablicos lhes ofere\u00e7am uma sa\u00edda, enquanto outros contam com a\u00e7\u00f5es espetaculares de vanguarda para atrair a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia. No entanto, est\u00e1 claro que \u201ca\u00e7\u00f5es radicais\u201d isoladas sem apoio massivo s\u00f3 levar\u00e3o a mais pris\u00f5es, expuls\u00f5es, demiss\u00f5es e deporta\u00e7\u00f5es. Nenhuma aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia, por maior que seja, mudar\u00e1 a opini\u00e3o daqueles que est\u00e3o no poder, a menos que organizemos um grande n\u00famero de pessoas para uma a\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento precisa adotar t\u00e1ticas acess\u00edveis que facilitem sua pr\u00f3pria defesa, onde grandes grupos possam se sentir seguros e confiantes em demonstrar seu apoio vis\u00edvel \u00e0 causa, mas tamb\u00e9m desmoralizados ou amedrontados. Somente as a\u00e7\u00f5es maci\u00e7as que unam diferentes setores com objetivos e mensagens n\u00edtidas reconstruir\u00e3o gradualmente a confian\u00e7a para revidar. Para envolver mais pessoas a a\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante come\u00e7ar do ponto de vista das pessoas, com conversas individuais, pequenas reuni\u00f5es e eventos sociais para forjar relacionamentos fora do trabalho e da escola e superar a sensa\u00e7\u00e3o de atomiza\u00e7\u00e3o e impot\u00eancia vivenciada por alguns setores.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que qualquer esfor\u00e7o de lobby para aprovar uma legisla\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel \u00e9 in\u00fatil, a menos que os trabalhadores se organizem por meio de a\u00e7\u00f5es coletivas para obter o que precisam. Em 2001, por exemplo, a CFA investiu recursos significativos na aprova\u00e7\u00e3o de uma promissora lei, a ACR 73, que aprovou um plano para financiar o aumento da densidade de professores titulares para 75% por meio da contrata\u00e7\u00e3o de mais postos com possibilidade de titularidade e convers\u00e3o do corpo docente em professores titulares. Isso teria melhorado drasticamente a qualidade da educa\u00e7\u00e3o na CSU, com turmas menores, menos professores sobrecarregados e mais assessoramento e apoio aos estudantes.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado? A densidade de postos<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a> no sistema estadual passou de 47% em 2001 para 44% em 2008 e 40% em 2018. Isso se deve ao fato de a legislatura nunca financiou totalmente a CSU e porque os fundos existentes eram constantemente desviados pelos administradores da CSU, que, em vez disso, contrataram mais administradores. Todo o dinheiro e os recursos gastos em lobby n\u00e3o serviram para impedir as pol\u00edticas neoliberais gananciosas e a demanda constante para reduzir o custo da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dessa trai\u00e7\u00e3o, o sindicato n\u00e3o interrompeu sua contribui\u00e7\u00e3o ao Partido Democrata nem redirecionou seus recursos para uma organiza\u00e7\u00e3o genu\u00edna. A primeira greve estadual do CFA ocorreu em 2023 e foi, em grande parte, o resultado de uma insurg\u00eancia cont\u00ednua de base e da luta de classes liderada por organizadores sindicais na SFSU, CSULA e outros campus. No entanto, a CFA n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica a promover a estrat\u00e9gia fracassada de confiar no poder para fazer mudan\u00e7as, em vez de capacitar estudantes e trabalhadores a lutar por suas necessidades. Em 2024, um dos maiores sindicatos de educa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, o NEA, gastou mais de US$ 39 milh\u00f5es em atividades pol\u00edticas e lobby e outros US$ 127 milh\u00f5es em contribui\u00e7\u00f5es, doa\u00e7\u00f5es e subs\u00eddios a autoridades eleitas (ou 38% de seu or\u00e7amento total), mas apenas 9% em atividades de representa\u00e7\u00e3o de membros.<\/p>\n\n\n\n<p>Se os sindicatos aplicassem todo o dinheiro gasto em lobby na organiza\u00e7\u00e3o das bases para greves e movimentos maci\u00e7os em defesa da educa\u00e7\u00e3o e das liberdades civis, as chances de vit\u00f3ria dos trabalhadores contra novos ataques triplicariam ou quadruplicariam. \u00c9 urgente que todos os sindicatos comecem a criar fundos de greve para fornecer os recursos materiais necess\u00e1rios para sustentar greves prolongadas e conquistar suas reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que os trabalhadores tiveram que se organizar para conquistar e preservar seus direitos educacionais. Devemos aprender com nossos sucessos anteriores. Em 2009, um poderoso movimento pela educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica surgiu na Calif\u00f3rnia em resposta \u00e0s medidas de austeridade impostas pela legislatura estadual e pelas administra\u00e7\u00f5es da UC e da CSU, que inclu\u00edam grandes aumentos nas mensalidades, cortes salariais, cortes de programas e licen\u00e7as. Naquela \u00e9poca, os estudantes e trabalhadores da UC organizaram grandes assembleias gerais, com manifesta\u00e7\u00f5es cada vez maiores e amplas reuni\u00f5es de organiza\u00e7\u00e3o que culminaram em greves. No in\u00edcio, por\u00e9m, os ativistas tiveram de dar pequenos passos: primeiro, reunir um grupo de ativistas para transform\u00e1-los em organizadores, o que conseguiram por meio de an\u00fancios em salas de aula, mesas de debates e conversas individuais para envolver outras pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Organizar e desenvolver um grupo de quadros experientes no movimento, com pol\u00edticas cada vez mais consolidadas, e mobilizar um grande n\u00famero de pessoas por meio de manifesta\u00e7\u00f5es e marchas s\u00e3o dois aspectos diferentes da constru\u00e7\u00e3o do movimento. Ambos guardam uma rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica. Para expandir o movimento, os ativistas da UC organizaram uma confer\u00eancia estadual no outono de 2009 que convocou um Dia de A\u00e7\u00e3o na Calif\u00f3rnia pela Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica em 4 de mar\u00e7o de 2010. Dezenas de sindicatos locais de educa\u00e7\u00e3o endossaram a iniciativa, e dezenas de milhares de pessoas se manifestaram em todas as cidades exigindo financiamento. Como resultado, e para apaziguar a crescente agita\u00e7\u00e3o nos campus, o governador da Calif\u00f3rnia, Arnold Schwarzenegger, teve de devolver US$ 300 milh\u00f5es ao or\u00e7amento da UC em outubro de 2010. Outras a\u00e7\u00f5es maci\u00e7as naquele outono levaram \u00e0 revoga\u00e7\u00e3o do anunciado aumento de 81% nas mensalidades em 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, em 2018, os professores do Arizona, Virg\u00ednia Ocidental, Oklahoma e Kentucky protagonizaram a Revolta dos Estados Vermelhos, com greves maci\u00e7as n\u00e3o autorizadas. Eles organizaram estudantes e professores, com participa\u00e7\u00e3o ativa da comunidade, contra cortes salariais e cortes em seus direitos de assist\u00eancia m\u00e9dica e aposentadoria. Tamb\u00e9m obtiveram vit\u00f3rias significativas, como a dos professores da Virg\u00ednia Ocidental que, ap\u00f3s uma greve de nove dias, conquistaram um aumento salarial de 5% para os professores e todos os funcion\u00e1rios estaduais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses casos, a a\u00e7\u00e3o de massa funcionou porque foi capaz de se basear nas estruturas de organiza\u00e7\u00e3o existentes &#8211; ou seja, redes de organizadores sindicais experientes e de classe &#8211; que realizaram o trabalho paciente e constante de organiza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica a partir de baixo. Para sustentar essas lutas, os trabalhadores precisam criar estruturas de longo prazo que possam ajudar a moldar, ampliar e liderar os movimentos de massa. Se os trabalhadores e estudantes estiverem organizados, poder\u00e3o evitar ser pegos de surpresa e despreparados para lutar contra a austeridade, defender os direitos do povo palestino e outras quest\u00f5es sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>O Partido Democrata sempre trabalhou para desmobilizar os movimentos de massa e canalizar sua energia para a a\u00e7\u00e3o eleitoral. Um dos exemplos mais claros disso \u00e9 a forma como os democratas aproveitaram a indigna\u00e7\u00e3o popular em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 revoga\u00e7\u00e3o do caso <em>Roe versus Wade<\/em> e tentaram redirecion\u00e1-la para as urnas, promovendo o slogan \u201choje marchamos, amanh\u00e3 votamos\u201d. Nenhum tipo de press\u00e3o pol\u00edtica restaurar\u00e1 o financiamento p\u00fablico de que precisamos para fornecer educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade e servi\u00e7os sociais gratuitos para a classe trabalhadora. Somente uma a\u00e7\u00e3o de massa sustentada e organizada alcan\u00e7ar\u00e1 esse objetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>O que \u00e9 necess\u00e1rio hoje \u00e9 impor uma revers\u00e3o total das prioridades or\u00e7ament\u00e1rias que os democratas e os republicanos apoiam h\u00e1 d\u00e9cadas. As corpora\u00e7\u00f5es e os bilion\u00e1rios recebem incentivos fiscais, enquanto os sal\u00e1rios dos trabalhadores estagnam, e nossos impostos se destinam para financiar guerras, ocupa\u00e7\u00f5es, mais centros de deten\u00e7\u00e3o e pris\u00f5es privadas e a militariza\u00e7\u00e3o das fronteiras, enquanto a educa\u00e7\u00e3o, os servi\u00e7os sociais e o escasso sistema de sa\u00fade p\u00fablico subsidiado com financiamento p\u00fablico que nos resta, como o <em>Medicare<\/em>, s\u00e3o desmantelados.<\/p>\n\n\n\n<p>Para derrotar o cont\u00ednuo subfinanciamento da educa\u00e7\u00e3o e dos servi\u00e7os p\u00fablicos, precisamos reverter essas prioridades or\u00e7ament\u00e1rias voltadas para o lucro e guerra. Para atingir essa meta, ser\u00e1 preciso mais do que lobby e manifesta\u00e7\u00f5es espor\u00e1dicas. Precisamos de um poderoso movimento de massa para defender a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e os direitos democr\u00e1ticos, um movimento que se enra\u00edze profundamente entre os estudantes, sindicatos e comunidades e promova uma greve confi\u00e1vel. Quando os pol\u00edticos das grandes empresas veem protestos cujos manifestantes e l\u00edderes trabalham diariamente para manter as luzes acesas, as prateleiras das lojas abastecidas, os caminh\u00f5es e trens em movimento e o ex\u00e9rcito marchando, ficam preocupados com sua capacidade de manter seu dom\u00ednio de classe.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vamos construir nossas infraestruturas de luta agora!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As mobiliza\u00e7\u00f5es de massa do passado se mostraram populares e ajudaram a resistir a novos cortes no ensino superior e a defender nossos direitos, mas a batalha contra a implementa\u00e7\u00e3o do Projeto 2025 est\u00e1 apenas come\u00e7ando. A li\u00e7\u00e3o central da organiza\u00e7\u00e3o, extra\u00edda de todos esses epis\u00f3dios de luta e vit\u00f3rias, \u00e9 que, como explicamos, n\u00e3o h\u00e1 substituto para as a\u00e7\u00f5es de amplos setores da sociedade. Essas a\u00e7\u00f5es nunca foram o resultado de mera a\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea; todas elas tiveram organizadores experientes em seu n\u00facleo. Sem uma organiza\u00e7\u00e3o consciente, os movimentos tendem a carecer de agilidade t\u00e1tica e estrat\u00e9gica e, talvez o mais importante, &nbsp;de uma lideran\u00e7a respons\u00e1vel que possa garantir vit\u00f3rias duradouras.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, \u00e0 medida que lutamos para promover a a\u00e7\u00e3o em massa, tamb\u00e9m precisamos construir nossas infraestruturas de luta, como come\u00e7amos a fazer com as conven\u00e7\u00f5es populares e democr\u00e1ticas para a Palestina na Calif\u00f3rnia e em Connecticut no outono de 2024, a primeira Confer\u00eancia de Defesa da Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica em fevereiro, as assembleias gerais regulares do Sindicato dos Estudantes da SFSU ou as reuni\u00f5es de organiza\u00e7\u00e3o nacional em andamento da CAHE. Seu objetivo \u00e9 come\u00e7ar a criar estruturas para coordenar o ativismo estudantil em defesa de nossos direitos democr\u00e1ticos e da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em nossos campus e escolas, precisamos organizar uma unidade muito mais forte de nossas comunidades universit\u00e1rias contra esse ataque multifacetado. Isso significa trabalhar para unir o corpo docente, todos os setores da equipe escolar e as muitas comunidades que comp\u00f5em nosso corpo discente, incluindo as comunidades mais afetadas: estudantes imigrantes e sem documentos, ativistas pr\u00f3-Palestina, estudantes com defici\u00eancia e a comunidade LGBTQ. Devemos ir al\u00e9m dos abstratos \u201cespa\u00e7os seguros\u201d e, em vez disso, construir uma cultura pol\u00edtica inclusiva que combine respeito, educa\u00e7\u00e3o ativa contra comportamentos opressivos e apoio material para garantir a participa\u00e7\u00e3o igualit\u00e1ria quando necess\u00e1rio (tradu\u00e7\u00e3o, creche etc.).<\/p>\n\n\n\n<p>A perspectiva atual \u00e9 continuar construindo bases de luta nas se\u00e7\u00f5es dos sindicatos e nos campus em todo o Estado, multiplicando nossas conversas e organizando reuni\u00f5es. Precisamos de flexibilidade t\u00e1tica para mobilizar as bases sindicais e estudantis. Nos sindicatos, isso pode ser feito por meio de grupos de base, comit\u00eas departamentais e \u00f3rg\u00e3os de organiza\u00e7\u00e3o patrocinados pela dire\u00e7\u00e3o. No caso dos estudantes, isso pode ser feito por meio da cria\u00e7\u00e3o de sindicatos estudantis, grupos universit\u00e1rios de justi\u00e7a social ou grupos socialistas. Devemos estar preparados para perceber que, \u00e0s vezes, esse trabalho de organiza\u00e7\u00e3o paciente parece avan\u00e7ar em ritmo de tartaruga e, ao mesmo tempo, nos comprometer a realiz\u00e1-lo por meio de um processo insistente e democr\u00e1tico de unifica\u00e7\u00e3o das lutas em nossos campus e em todo o Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Igualmente importante \u00e9 aumentar a sindicaliza\u00e7\u00e3o de todos os funcion\u00e1rios acad\u00eamicos, desde estudantes trabalhadores e assistentes de ensino de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o at\u00e9 professores titulares, professores com contrato permanente e pesquisadores. A NLRB ainda pro\u00edbe a sindicaliza\u00e7\u00e3o de professores titulares em universidades privadas. Na \u00faltima d\u00e9cada, uma onda de sindicaliza\u00e7\u00e3o de assistentes de ensino e professores titulares melhorou a densidade sindical no setor de ensino superior, bem como a nova combatividade de alguns sindicatos, impulsionada pelas suas bases. O \u00faltimo relat\u00f3rio 2024 da AAUP<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\">[10]<\/a> sobre o estado da negocia\u00e7\u00e3o coletiva indica que 27% do corpo docente dos EUA \u00e9 sindicalizado, um aumento de 4,5% nos \u00faltimos dois anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 o trabalho de longo prazo que far\u00e1 a diferen\u00e7a: a auto-organiza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica de trabalhadores e estudantes, a obriga\u00e7\u00e3o de solidariedade e unidade na luta e o processo cont\u00ednuo de mobiliza\u00e7\u00e3o que pode aumentar tanto o n\u00famero de trabalhadores em a\u00e7\u00e3o quanto seu poder organizado para enfrentar o ataque.<\/p>\n\n\n\n<p>Igualmente importante \u00e9 construir organiza\u00e7\u00f5es socialistas revolucion\u00e1rias, como a <em>Workers&#8217; Voice (A Voz Oper\u00e1ria)<\/em>, que estejam a servi\u00e7o dessas lutas, transmitindo o conhecimento de gera\u00e7\u00f5es de organizadores com experi\u00eancia de luta e vit\u00f3ria contra os ataques da classe capitalista. Mais importante ainda, os socialistas oferecem oportunidades para que trabalhadores e estudantes se eduquem sobre as causas fundamentais desses problemas sist\u00eamicos e as conex\u00f5es entre lutas aparentemente independentes. Nosso objetivo final \u00e9 desenvolver, organizar e combinar esses movimentos de massa para direcion\u00e1-los contra o pr\u00f3prio sistema capitalista, construindo concretamente o poder oper\u00e1rio e colocando a necessidade de um governo dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desfazendo os princ\u00edpios b\u00e1sicos da educa\u00e7\u00e3o capitalista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto lutam contra os ataques \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, n\u00f3s, os socialistas concordam com aqueles que apontam que o sistema de educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica nunca foi excelente. Queremos defender a educa\u00e7\u00e3o e os direitos democr\u00e1ticos que a classe trabalhadora adquiriu atrav\u00e9s da luta e, ao mesmo tempo, fortalecer a capacidade de <em>transformar<\/em> radicalmente o sistema educacional. O capitalismo sempre desenvolveu sistemas educacionais com preconceitos inerentes de classe, ra\u00e7a e g\u00eanero. Seus objetivos iniciais eram oferecer educa\u00e7\u00e3o apenas para os filhos da elite econ\u00f4mica branca, enquanto as massas, em geral, n\u00e3o tinham acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. A expans\u00e3o progressiva do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o para a classe trabalhadora e, especialmente, para as mulheres e as comunidades negras e latinas, foi alcan\u00e7ada sob a press\u00e3o de uma intensa luta de classes, incluindo uma Guerra Civil.<\/p>\n\n\n\n<p>O desenvolvimento de universidades e faculdades p\u00fablicas nos Estados Unidos \u00e9 um fen\u00f4meno relativamente recente. Antes da Segunda Guerra Mundial, o ensino superior era em grande parte privado e restrito a uma pequena elite. Na d\u00e9cada de 1960, os Estados implementaram um plano ambicioso para estabelecer sistemas p\u00fablicos de ensino superior. Entretanto, essa promessa de fornecer \u201ceduca\u00e7\u00e3o para as massas\u201d nos Estados Unidos n\u00e3o foi o resultado de uma generosa mudan\u00e7a de atitude da classe dominante. Ela respondeu \u00e0 necessidade de formar uma for\u00e7a de trabalho mais qualificada para a economia imperialista em expans\u00e3o, que aspirava dominar os mercados com produ\u00e7\u00e3o industrial e tecnol\u00f3gica avan\u00e7ada.<\/p>\n\n\n\n<p>Em geral, o capitalismo considera a educa\u00e7\u00e3o como parte da tarefa geral de reprodu\u00e7\u00e3o social para produzir e treinar novas gera\u00e7\u00f5es de trabalhadores. Para os patr\u00f5es, a educa\u00e7\u00e3o nunca foi um fim em si mesma. Isso significa que os Estados capitalistas s\u00f3 t\u00eam proporcionado acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o na medida em que ela cumpra os principais objetivos: concentrar-se no desenvolvimento de habilidades e na forma\u00e7\u00e3o em lugar do pensamento cr\u00edtico, estabelecer classifica\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o permanentes para socializar as crian\u00e7as nas normas de competi\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho, absorver vers\u00f5es distorcidas e ideol\u00f3gicas da hist\u00f3ria que apagam todos os crimes do colonialismo e do imperialismo, bem como todas as lutas de resist\u00eancia dos trabalhadores e, acima de tudo, ensinar os jovens a obedecer \u00e0s regras ou serem punidos.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da Calif\u00f3rnia, por exemplo, o Plano Diretor de Educa\u00e7\u00e3o de 1960, que criou os sistemas de Col\u00e9gios Comunit\u00e1rios (CC), a Universidade Estatal da Calif\u00f3rnia (CSU) e a Universidade da Calif\u00f3rnia (UC), foi projetado para oferecer educa\u00e7\u00e3o gratuita. Na d\u00e9cada de 1990, essa promessa foi quebrada com a crescente privatiza\u00e7\u00e3o da UC por meio do aumento das mensalidades estudantis e, na \u00faltima d\u00e9cada, um processo semelhante foi iniciado nas CSUs. Hoje, por exemplo, para um residente da Calif\u00f3rnia, o custo anual de frequentar a UC Berkeley \u00e9 de US$ 16.600 e US$ 7.900 para a SFSU.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, o Plano Diretor n\u00e3o foi projetado para oferecer a mesma educa\u00e7\u00e3o a todos. Desde o in\u00edcio, foi um sistema de sele\u00e7\u00e3o de classes estratificado e escalonado, no qual o acesso universal era concedido apenas \u00e0s faculdades comunit\u00e1rias, que n\u00e3o concedem diplomas e se concentram em treinamento t\u00e9cnico, enquanto apenas uma minoria podia acessar as faculdades da Universidade da Calif\u00f3rnia (UC). Embora seja necess\u00e1rio reverter as medidas de privatiza\u00e7\u00e3o e opor-se veementemente a qualquer aumento futuro das mensalidades, a luta n\u00e3o pode ser simplesmente para \u201crestaurar\u201d o plano inicial, mas para repensar o que deve ser uma verdadeira universidade popular.<\/p>\n\n\n\n<p>O sistema de educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica capitalista foi projetado para reproduzir um conjunto de rela\u00e7\u00f5es e socializar a todos n\u00f3s de uma determinada maneira, para que funcionemos melhor em uma sociedade capitalista, racista e sexista. Todos os alunos s\u00e3o naturalmente socializados em cen\u00e1rios de escassez estrutural (de boas notas, aten\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o, livros e outros recursos), a fim de fomentar o individualismo e ensin\u00e1-los a sobreviver por meio da competi\u00e7\u00e3o e da rivalidade, e a tirar proveito, desde cedo, das rela\u00e7\u00f5es institucionalizadas de domina\u00e7\u00e3o, como as de g\u00eanero e ra\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Em contraste com esse modelo, os socialistas defendem um modelo educacional que n\u00e3o seja apenas totalmente financiado e acess\u00edvel a todos, mas que tamb\u00e9m tenha um conte\u00fado e um m\u00e9todo de ensino radicalmente diferentes, onde o conhecimento e a pedagogia devam ser desenvolvidos para promover em todos os jovens as capacidades intelectuais e criativas e as habilidades sociais necess\u00e1rias para viver em comunidade. Esse seria um modelo de educa\u00e7\u00e3o para a liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa que, ao mesmo tempo em que lutamos contra os cortes, tamb\u00e9m devemos levantar a necessidade de preservar e expandir os programas e conte\u00fados educacionais que ensinam aos alunos a hist\u00f3ria real da luta de classes e que transcendem todas as disciplinas. Devemos tamb\u00e9m explicar como o conhecimento tem sido usado para fins lucrativos e para perpetuar a explora\u00e7\u00e3o e a opress\u00e3o. Nosso objetivo \u00e9 usar a educa\u00e7\u00e3o para o prop\u00f3sito oposto: emancipa\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica. \u00c9 por isso que defendemos veementemente a liberdade acad\u00eamica.<\/p>\n\n\n\n<p>Os professores socialistas tamb\u00e9m se esfor\u00e7am para transformar as rela\u00e7\u00f5es sociais entre seus companheiros e alunos na sala de aula e nos espa\u00e7os organizacionais. Nossas rela\u00e7\u00f5es organizacionais e pedag\u00f3gicas tamb\u00e9m s\u00e3o rela\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas, e devemos moldar uma alternativa combatendo ativamente a opress\u00e3o, abra\u00e7ando a igualdade radical entre n\u00f3s, o direito e o respeito \u00e0 discord\u00e2ncia, a necessidade de coopera\u00e7\u00e3o e solidariedade, bem como a necessidade de respeitar as decis\u00f5es coletivas para o sucesso de nossos esfor\u00e7os coletivos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para al\u00e9m das quest\u00f5es b\u00e1sicas: combinar as lutas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A guerra contra as universidades n\u00e3o \u00e9 apenas um ataque econ\u00f4mico aos trabalhadores da educa\u00e7\u00e3o &#8211; por meio de demiss\u00f5es, cortes salariais, cortes de financiamento, licen\u00e7as e deporta\u00e7\u00f5es &#8211; nem aos estudantes por meio do fechamento de escolas, cortes nos programas acad\u00eamicos e aumentos das mensalidades. Tamb\u00e9m faz parte do ataque \u00e0s liberdades civis e aos direitos democr\u00e1ticos, pois ataca o direito \u00e0 liberdade de express\u00e3o e de reuni\u00e3o nos campus, bem como a aspira\u00e7\u00e3o dos jovens de estabelecer escolas e universidades santu\u00e1rio, onde estudantes e professores possam proteger seus colegas e companheiros de trabalho, sob ataque de Trump e da extrema direita.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, foi importante que a convocat\u00f3ria de 17 de abril apresentasse uma plataforma que combinasse essas lutas. A confer\u00eancia da SFSU adotou uma plataforma<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[11]<\/a> que apoiava ao chamado das universidades santu\u00e1rio, exigindo \u201cnenhum ICE no campus\u201d e \u201cnenhuma colabora\u00e7\u00e3o com o ICE\u201d, exigindo \u201cprote\u00e7\u00e3o do direito dos estudantes de aprender sem intimida\u00e7\u00e3o ou vigil\u00e2ncia pela pol\u00edcia do campus e das for\u00e7as policiais estaduais ou federais\u201d, \u201co desenvolvimento de alternativas ao policiamento\u201d e \u201cprote\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a para pessoas LGBTQ+\/trans\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O documento tamb\u00e9m exige uma firme defesa dos direitos trabalhistas, das liberdades civis e da liberdade acad\u00eamica, bem como da justi\u00e7a social antirracista, e se op\u00f5e abertamente \u00e0s tentativas cont\u00ednuas de sufocar e retirar o financiamento dos programas de DEI, mulheres e g\u00eanero, ind\u00edgenas, afro-americanos, latinos e outros estudos \u00e9tnicos. Por fim, desafia a fal\u00e1cia da \u201cneutralidade institucional\u201d, especialmente em um momento em que a liberdade acad\u00eamica e a pesquisa com financiamento p\u00fablico est\u00e3o sob ataque, prejudicando diretamente o aprendizado dos alunos e nossos direitos como docentes.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o podemos permitir que pequenos movimentos que defendem nossos direitos democr\u00e1ticos sejam divididos por suas pr\u00f3prias quest\u00f5es; precisamos estabelecer as bases para, no final, unir todos eles. Para construir essa unidade, os sindicatos de educa\u00e7\u00e3o devem se unir \u00e0 luta pelos direitos dos imigrantes, pela a\u00e7\u00e3o afirmativa e liberdade de express\u00e3o na Palestina e direitos trans. A educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel em um clima de medo, onde os campus e escolas est\u00e3o sob rigorosa vigil\u00e2ncia policial, em que estudantes e trabalhadores n\u00e3o sabem se o Servi\u00e7o de Imigra\u00e7\u00e3o e Controle das Fronteiras (ICE) vir\u00e1 amanh\u00e3 para prend\u00ea-los ou deport\u00e1-los, ou se ser\u00e3o assediados ou agredidos por usar o banheiro \u201cerrado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, a defesa do direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser eficaz por meio da organiza\u00e7\u00e3o coletiva nas bases. \u00c9 necess\u00e1ria uma solidariedade ativa e organizada para combater o medo generalizado e as suposi\u00e7\u00f5es de que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a pol\u00edcia e a administra\u00e7\u00e3o do campus seriam legalmente obrigadas a colaborar com o ICE e o DHS para deter e deportar membros da comunidade. O corpo docente e os alunos j\u00e1 est\u00e3o realizando workshops conjuntos \u201cConhe\u00e7a seus direitos\u201d e elaborando planos para defender nossos direitos quando um agente do ICE bater \u00e0 porta de uma sala de aula ou de um dormit\u00f3rio. Eles tamb\u00e9m est\u00e3o exigindo que os programas de \u201cDEI\u201d sejam isentos de cortes e que sejam institu\u00eddas ou garantidas \u00e0s prote\u00e7\u00f5es para pessoas trans e LBTQ.<\/p>\n\n\n\n<p>Em \u00faltima an\u00e1lise, devemos ir al\u00e9m das demandas por reformas e apresentar um programa que construa uma ponte para uma nova consci\u00eancia revolucion\u00e1ria: um programa de transi\u00e7\u00e3o para uma economia que atenda \u00e0s necessidades dos trabalhadores e garanta nossa liberta\u00e7\u00e3o. \u00c9 evidente que n\u00f3s, os socialistas, n\u00e3o nos opomos \u00e0s reformas, mas n\u00e3o as vemos como um fim em si mesmo. Em vez disso, \u00e9 necess\u00e1rio combinar as lutas reformistas com a luta pela revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em \u00faltima an\u00e1lise, o papel dos socialistas n\u00e3o \u00e9 apenas ser os melhores organizadores das lutas cotidianas, mas tamb\u00e9m conect\u00e1-las \u00e0 luta pelo socialismo. Isso significa explicar pacientemente que a \u00fanica estrat\u00e9gia vi\u00e1vel para acabar com a crise na educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e tamb\u00e9m com a crise ambiental \u00e9 construir nosso pr\u00f3prio poder de classe para obter os recursos de que precisamos por meio de medidas socialistas, medidas que priorizem as pessoas em detrimento dos lucros e devolvam o controle da economia \u00e0 classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p>Foto: Estudantes da Universidade Estadual de S\u00e3o Francisco sa\u00edram de suas salas de aula e fizeram uma manifesta\u00e7\u00e3o para protestar contra a incurs\u00e3o israelense em Gaza em outubro de 2023. (<em>Neal Wong \/ Golden Gate Xpress<\/em>)<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.ed.gov\/about\/news\/press-release\/us-department-of-educations-office-civil-rights-sends-letters-60-universities-under-investigation-antisemitic-discrimination-and-harassment\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.ed.gov\/about\/news\/press-release\/us-department-of-educations-office-civil-rights-sends-letters-60-universities-under-investigation-antisemitic-discrimination-and-harassment<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.theatlantic.com\/ideas\/archive\/2019\/11\/the-gop-appointees-who-defied-the-president\/602230\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.theatlantic.com\/ideas\/archive\/2019\/11\/the-gop-appointees-who-defied-the-president\/602230\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/us-news\/2025\/mar\/14\/israel-betar-deportation-list-trump\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.theguardian.com\/us-news\/2025\/mar\/14\/israel-betar-deportation-list-trump<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.liberatedethnicstudies.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.liberatedethnicstudies.org\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> <a href=\"https:\/\/karolmarkowicz.substack.com\/p\/how-i-got-kicked-out-of-a-mothers\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/karolmarkowicz.substack.com\/p\/how-i-got-kicked-out-of-a-mothers<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> <a href=\"https:\/\/sites.google.com\/view\/forpublichighered\/home?authuser=0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/sites.google.com\/view\/forpublichighered\/home?authuser=0<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> <a href=\"https:\/\/calbudgetcenter.org\/resources\/understanding-the-governors-2025-26-state-budget-proposal\/#h-governor-s-budget-proposal-includes-withdrawal-of-reserve-funds-proposes-changes-to-reserves-policies\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/calbudgetcenter.org\/resources\/understanding-the-governors-2025-26-state-budget-proposal\/#h-governor-s-budget-proposal-includes-withdrawal-of-reserve-funds-proposes-changes-to-reserves-policies<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.dayofactionforhighered.org\/agenda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.dayofactionforhighered.org\/agenda<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.calfac.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Tables_CSU-Instructional-Faculty-by-Tenure-Status-Systemwide-1985-2018.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.calfac.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Tables_CSU-Instructional-Faculty-by-Tenure-Status-Systemwide-1985-2018.pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> <a href=\"https:\/\/academeblog.org\/2024\/10\/18\/from-the-editor-the-state-of-faculty-unions\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/academeblog.org\/2024\/10\/18\/from-the-editor-the-state-of-faculty-unions\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a> <a href=\"https:\/\/sites.google.com\/view\/forpublichighered\/platform?authuser=0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/sites.google.com\/view\/forpublichighered\/platform?authuser=0<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Rosangela Botelho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Blanca Le\u00f3n O ensino superior nos Estados Unidos est\u00e1 enfrentando ataques sem precedentes. 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