{"id":80809,"date":"2025-03-22T02:15:37","date_gmt":"2025-03-22T02:15:37","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=80809"},"modified":"2025-03-22T02:16:57","modified_gmt":"2025-03-22T02:16:57","slug":"a-paz-de-trump-e-putin-contra-o-povo-ucraniano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/03\/22\/a-paz-de-trump-e-putin-contra-o-povo-ucraniano\/","title":{"rendered":"A \u201cpaz\u201d de Trump e Putin contra o povo ucraniano"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Alejandro Iturbe<\/p>\n\n\n\n<p><em>Desde o in\u00edcio deste ano, Donald Trump vem promovendo um plano para acabar com a guerra entre a Ucr\u00e2nia e a R\u00fassia. Trump prop\u00f4s um \u201croteiro\u201d que inclui como ponto essencial, uma reuni\u00e3o entre ele e Putin para chegar a um acordo sobre as etapas a seguir at\u00e9 a assinatura da \u201cpaz\u201d e uma tr\u00e9gua de 30 dias na guerra. Qual seria o verdadeiro significado desse acordo?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A fase atual desse conflito come\u00e7ou em 2022, quando as tropas russas (que dominavam uma faixa oriental da Ucr\u00e2nia desde 2014) lan\u00e7aram uma invas\u00e3o generalizada e ataques maci\u00e7os para assumir o controle de todo o pa\u00eds, especialmente da capital Kiev. Esta ofensiva encontrou resist\u00eancia heroica das massas ucranianas, for\u00e7ando as tropas russas a recuar para a faixa oriental que j\u00e1 controlavam (Luhansk e Donetsk). Por raz\u00f5es que analisaremos mais adiante, a contra-ofensiva ucraniana n\u00e3o conseguiu derrotar e expulsar definitivamente as tropas russas e, desde ent\u00e3o, uma longa e sangrenta \u201cguerra de posi\u00e7\u00f5es\u201d foi travada contra o invasor.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, o plano de Trump tem dois aspectos centrais. O primeiro \u00e9 chegar a um acordo com Putin sobre a divis\u00e3o da Ucr\u00e2nia, entregando-lhe definitivamente a parte oriental do pa\u00eds. Uma proposta que Joe Biden e as pot\u00eancias europeias j\u00e1 haviam feito. Dessa forma, isso daria a Putin e a seu regime uma \u201cretirada digna\u201d da guerra, j\u00e1 que uma derrota completa colapsaria esse regime e transformaria a R\u00fassia em uma \u201cterra de ningu\u00e9m\u201d, algo que o imperialismo norte-americano e os europeus querem evitar a todo custo.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema com essa parte do plano \u00e9 que eles precisam convencer as massas ucranianas a concordar em entregar parte de seu pa\u00eds, que elas defenderam heroicamente por tr\u00eas anos. A tarefa de \u201cconvencimento\u201d recai sobre o governo Zelensky e a burguesia ucraniana.<\/p>\n\n\n\n<p>Um segundo aspecto do plano \u00e9 que a parte ocidental que conservaria a Ucr\u00e2nia sairia desse acordo de \u201cpaz\u201d completamente subjugada ao imperialismo dos EUA, como uma semicol\u00f4nia. Por outro lado, o pa\u00eds foi duramente atingido pela guerra, sofrendo in\u00fameras baixas e sua infraestrutura e capacidade produtiva foram severamente danificadas (o PIB caiu cerca de 30%).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o pa\u00eds ficou profundamente endividado, j\u00e1 que a suposta \u201cajuda\u201d do imperialismo dos EUA e da Uni\u00e3o Europeia (UE) era, na verdade, empr\u00e9stimos que a Ucr\u00e2nia agora precisa pagar. Como garantia de pagamento, o governo de Zelensky aceitou que, ap\u00f3s o fim da guerra, a reconstru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds ser\u00e1 totalmente controlada pelos EUA e pela UE. Dessa forma, eles n\u00e3o apenas lucrar\u00e3o com o neg\u00f3cio da reconstru\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m se apropriar\u00e3o dos despojos significativos das empresas estatais ucranianas e das riqu\u00edssimas terras agr\u00edcolas na plan\u00edcie central do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o subsolo ucraniano \u00e9 rico em minerais, com metais estrat\u00e9gicos, como o tit\u00e2nio, e uma abund\u00e2ncia das chamadas \u201cterras raras\u201d (elementos qu\u00edmicos de valor crescente por seu uso na ind\u00fastria, na telem\u00e1tica e na medicina). 60% de suas reservas est\u00e3o na parte ocidental e 40 % por cento na faixa controlada por Putin. Trump j\u00e1 exigiu que Zelensky assinasse um acordo entregando o controle da explora\u00e7\u00e3o desses minerais aos EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>Zelensky e os oligarcas ucranianos est\u00e3o dispostos a assumir a tarefa de \u201cconvencer\u201d o povo ucraniano a aceitar essa \u201cpaz\u201d e entregar as terras raras a Trump. Mas isso cria profundas contradi\u00e7\u00f5es para ele, porque se assinar essa \u201cpaz\u201d ser\u00e1 visto como um traidor da her\u00f3ica resist\u00eancia ucraniana e sem futuro pol\u00edtico. Ao mesmo tempo, assinar o acordo sobre os minerais o despiria como um agente do imperialismo dos EUA. \u00c9 por isso que ele fez a \u201ccena de TV\u201d de n\u00e3o assinar esse acordo e discutir com Trump em sua recente entrevista nos EUA.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, esse plano de \u201cpaz\u201d proposto por Trump a Putin \u00e9 um acordo contra o povo ucraniano e sua luta pela defesa de seu pa\u00eds. Ou seja, um acordo nitidamente &nbsp;contrarrevolucion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mais uma vez, a teoria dos campos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Diante disso, \u00e9 surpreendente que figuras e organiza\u00e7\u00f5es que se dizem de esquerda ap\u00f3iem a proposta de Trump. \u00c9 o caso de Breno Altman, um jornalista brasileiro que foi membro do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e depois se filiou ao Partido dos Trabalhadores (PT). Diferentemente de outras figuras do PCB, Breno Altman ainda se diz stalinista e tem o m\u00e9rito de expor suas posi\u00e7\u00f5es com nitidez e sem ambiguidades ou manobras discursivas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"901\" height=\"530\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Captura-de-tela_21-3-2025_23104_litci.org_.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-80810\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Captura-de-tela_21-3-2025_23104_litci.org_.jpeg 901w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Captura-de-tela_21-3-2025_23104_litci.org_-300x176.jpeg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Captura-de-tela_21-3-2025_23104_litci.org_-768x452.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 901px) 100vw, 901px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Breno Altman.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mantendo esse estilo, em um programa recente, ele disse que a esquerda e os governos que ele define como \u201cprogressistas\u201d (como o de Lula no Brasil) deveriam apoiar sem hesita\u00e7\u00e3o o plano proposto por Trump. Em sua apresenta\u00e7\u00e3o, ele diz que a assinatura deste acordo de paz seria um triunfo da luta antiimperialista, porque significaria o reconhecimento de que Putin e as tropas russas derrotaram o imperialismo dos EUA e a OTAN. Portanto, eles teriam colocado um fim ao \u201cmonop\u00f3lio da guerra no mundo\u201d, que estes detinham.<\/p>\n\n\n\n<p>A estrutura dessa an\u00e1lise \u00e9 a \u201cteoria do campo\u201d. Essa teoria abandona a concep\u00e7\u00e3o marxista de classes sociais (burguesia e proletariado) e a luta de classes como o \u201cmotor da hist\u00f3ria\u201d. Por isso, analisa os processos pol\u00edticos nacionais e internacionais a partir do entendimento de que, no mundo e nos pa\u00edses, existem dois campos burgueses: um reacion\u00e1rio\/inimigo e outro progressista\/amigo ao qual a esquerda deve se unir para apoiar e defender seus governos em qualquer circunst\u00e2ncia porque \u201c\u00e9 um dos nossos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso levou aqueles que defendem essa teoria a apoiar e defender ditaduras capitalistas repressivas e sangrentas, como a de Assad na S\u00edria ou a de Putin na R\u00fassia, e a apoiar sua agress\u00e3o na Ucr\u00e2nia. Dessa forma, eles n\u00e3o apenas s\u00e3o c\u00famplices dessas ditaduras contra seus povos, mas tamb\u00e9m afastam os trabalhadores e as massas do socialismo e da esquerda, porque eles os v\u00eaem, com raz\u00e3o, como c\u00famplices do governo burgu\u00eas contra o qual est\u00e3o lutando.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quem foi o agressor na guerra entre a Ucr\u00e2nia e a R\u00fassia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com base nisso, Breno Altman (que apoiou a invas\u00e3o russa) avan\u00e7a um passo al\u00e9m ao considerar que esse acordo de paz seria equivalente em seu conte\u00fado e consequ\u00eancias ao que Richard Nixon (ent\u00e3o presidente dos EUA) teve de assinar em 1973, como resultado da derrota do ex\u00e9rcito dos EUA na guerra do Vietn\u00e3, que deixou o imperialismo dos EUA totalmente na defensiva no mundo (a chamada \u201cs\u00edndrome do Vietn\u00e3\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma compara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica completamente falsa. Na Guerra do Vietn\u00e3, o agressor e invasor foi o imperialismo norte-americano. Desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960, para sustentar a exist\u00eancia artificial do Vietn\u00e3 do Sul e seu governo burgu\u00eas, come\u00e7ou a enviar cada vez mais tropas, chegando a mais de 500.000 soldados em combate, com o armamento mais moderno da \u00e9poca e empregando m\u00e9todos de extrema crueldade. Seu objetivo era tentar conter a onda de choque da revolu\u00e7\u00e3o chinesa de 1949 na regi\u00e3o da Indochina, sob o pretexto de \u201ccombater o comunismo\u201d. Apesar dessa superioridade militar e de seus m\u00e9todos genocidas, o imperialismo norte-americano foi derrotado nessa guerra pela combina\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia her\u00f3ica das massas vietnamitas e das mobiliza\u00e7\u00f5es maci\u00e7as contra essa agress\u00e3o dentro dos pr\u00f3prios Estados Unidos. Como apontamos no artigo acima mencionado, essa derrota dos EUA teve um impacto muito positivo, a favor das massas, na luta de classes internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Na atual guerra entre a Ucr\u00e2nia e a R\u00fassia, o agressor contra um pa\u00eds mais fraco foi, sem d\u00favida, o regime ditatorial de Putin, que buscou \u201cvarrer a Ucr\u00e2nia do mapa\u201d. Para isso, tamb\u00e9m mobilizou um ex\u00e9rcito poderoso com armamento muito superior e utilizou m\u00e9todos genocidas. Fez isso com uma s\u00e9rie de raz\u00f5es falsas: que a Ucr\u00e2nia pertencia por \u201cdireito hist\u00f3rico\u201d \u00e0 R\u00fassia, que a Ucr\u00e2nia tinha que ser \u201cdesnazificada\u201d e que estava respondendo a um poss\u00edvel ataque iminente da OTAN \u00e0 R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"499\" height=\"485\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Captura-de-tela_21-3-2025_231034_litci.org_.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-80811\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Captura-de-tela_21-3-2025_231034_litci.org_.jpeg 499w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Captura-de-tela_21-3-2025_231034_litci.org_-300x292.jpeg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 499px) 100vw, 499px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Vladimir Putin, respons\u00e1vel direto pela invas\u00e3o russa na Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia, em favor dos interesses da oligarquia russa.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Putin pensava que conseguiria uma vit\u00f3ria f\u00e1cil contra um pa\u00eds muito mais fraco. Mas a resist\u00eancia her\u00f3ica do povo ucraniano impediu isso, mergulhou a invas\u00e3o russa num atoleiro e deu in\u00edcio \u00e0 guerra sangrenta e prolongada que vimos nos \u00faltimos tr\u00eas anos. Nesse contexto, Putin recorreu novamente \u00e0 falsifica\u00e7\u00e3o e comparou o que estava acontecendo na Ucr\u00e2nia com a batalha de Stalingrado, onde as massas da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica resistiram heroicamente \u00e0 invas\u00e3o da Alemanha nazista e a derrotaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos resumir o que dissemos. No Vietn\u00e3, o agressor a ser combatido era o imperialismo dos EUA e o \u201clado bom\u201d a ser apoiado era o povo vietnamita; em Stalingrado, a luta era contra a agress\u00e3o nazista e o \u201clado bom\u201d a ser apoiado eram as massas sovi\u00e9ticas. Em ambos os casos, essa era a posi\u00e7\u00e3o comum de toda a esquerda mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo contr\u00e1rio, na guerra Ucr\u00e2nia e R\u00fassia, a esquerda se dividiu, e parte dela ap\u00f3ia a invas\u00e3o de Putin. Francamente, \u00e9 preciso olhar a realidade atrav\u00e9s de uma lente muito distorcida para negar que o ex\u00e9rcito russo \u00e9 o agressor que deve ser combatido e que o povo ucraniano \u00e9 quem defende seu pa\u00eds com uma resist\u00eancia her\u00f3ica contra essa agress\u00e3o. Em outras palavras, \u00e9 o \u201clado bom\u201d que deve ser apoiado para derrotar a invas\u00e3o da R\u00fassia de Putin. Essa \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o que a LIT-QI mant\u00e9m desde o in\u00edcio da agress\u00e3o russa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A verdadeira pol\u00edtica do imperialismo norte-americano e da OTAN<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao fundamentar seu apoio ao plano proposto por Trump, Breno Altman deixa de lado outras falsifica\u00e7\u00f5es de Putin e sustenta que esta guerra teve origem na resposta de Putin para defender a R\u00fassia de um ataque iminente dos EUA e da OTAN. Foi, ent\u00e3o, uma guerra entre a R\u00fassia de Putin e os EUA\/OTAN. O povo ucraniano e sua resist\u00eancia \u00e0 invas\u00e3o teriam sido meramente uma ferramenta do imperialismo norte-americano nesta guerra, na qual Trump deve agora admitir a derrota e camufl\u00e1-la como um acordo de paz.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a realidade \u00e9 que nunca houve uma guerra entre os EUA\/OTAN e a R\u00fassia. Desde que o regime de Putin assumiu o poder, a pol\u00edtica do imperialismo norte-americano, das pot\u00eancias europeias e da OTAN tem sido a de \u201ccoexist\u00eancia pac\u00edfica\u201d e de fazer bons neg\u00f3cios com esse regime, especialmente o imperialismo alem\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 durante sua primeira presid\u00eancia, no decorrer da guerra civil s\u00edria, Trump estabeleceu um acordo de fato com Putin (que apoiava a ditadura de al-Assad) para dividir o pa\u00eds em duas \u00e1reas de influ\u00eancia separadas pelo rio Eufrates. Inclusive, em uma cruel zombaria, em 2020 houve propostas para que ambos recebessem o Pr\u00eamio Nobel da Paz.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A presid\u00eancia de Biden introduziu mudan\u00e7as nessa pol\u00edtica: em seu discurso de posse, ele colocou o confronto com o regime de Putin como seu segundo alvo internacional, depois da China. Ap\u00f3s a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia, ele elevou o tom e declarou que, tendo quebrado as regras de \u201ccoexist\u00eancia pac\u00edfica\u201d, o presidente russo \u201c<em>n\u00e3o poderia permanecer no poder<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas esse endurecimento das palavras foi apenas parcialmente expresso na guerra da Ucr\u00e2nia. Embora os pa\u00edses da OTAN estivessem se rearmando at\u00e9 os dentes, o fornecimento de armas para a resist\u00eancia ucraniana e seu ex\u00e9rcito sempre foi muito limitado em quantidade e poder destrutivo. E foram reduzidos ao m\u00ednimo quando a contra-ofensiva ucraniana conseguiu derrotar categoricamente o ex\u00e9rcito russo e expuls\u00e1-lo do pa\u00eds. Nunca houve soldados da OTAN lutando na Ucr\u00e2nia, embora houvesse apoio log\u00edstico dos EUA para o ex\u00e9rcito ucraniano e treinamento de oficiais ucranianos em pa\u00edses europeus.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pa\u00edses da OTAN \u201colharam para o outro lado\u201d quando o regime de Putin anexou \u00e0 Ucr\u00e2nia e ocupou Donetsk e Luhansk em 2014. Como j\u00e1 observamos, eles estavam dispostos, desde o in\u00edcio, a dividir o pa\u00eds com Putin e fazer acordos com ele. Mas tamb\u00e9m ficaram surpresos com a for\u00e7a da heroica resist\u00eancia ucraniana, que deteve a ofensiva russa e lan\u00e7ou uma poderosa contra-ofensiva. Nesse contexto, uma combina\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios motivos os for\u00e7ou a intervir com mais for\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, eles precisavam enfraquecer Putin na perspectiva das negocia\u00e7\u00f5es sobre a divis\u00e3o da Ucr\u00e2nia. Ao mesmo tempo, evitar uma derrota categ\u00f3rica de Putin diante da resist\u00eancia ucraniana, o que levaria ao colapso de seu regime e a um processo de din\u00e2mica irrevers\u00edvel em todo o Leste Europeu. \u00c9 por isso que seu apoio militar sempre foi a conta-gotas. Em segundo lugar, eles tinham que descobrir como controlar e frear o processo do \u201cpovo em armas\u201d que se desenrolava na Ucr\u00e2nia. Uma grande amea\u00e7a ao capitalismo ap\u00f3s o fim da guerra. Eles precisavam construir um ex\u00e9rcito burgu\u00eas cl\u00e1ssico como uma base s\u00f3lida para um estado burgu\u00eas p\u00f3s-guerra. \u00c9 por isso que eles nunca entregaram armas diretamente \u00e0s mil\u00edcias da resist\u00eancia, mas ao governo de Zelensky, que era o instrumento dessa pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica do imperialismo norte-americano e da OTAN era prolongar a guerra o m\u00e1ximo poss\u00edvel para desgastar e sangrar o povo ucraniano, avan\u00e7ar na destrui\u00e7\u00e3o da economia e da infraestrutura do pa\u00eds e deix\u00e1-lo completamente endividado e comprometido. Dessa forma, por um lado, eles tentam for\u00e7\u00e1-los a aceitar esse acordo de \u201cpaz\u201d e, por outro lado, garantem que a reconstru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds seja a maneira de subjug\u00e1-lo completamente como uma semicol\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nunca houve tal guerra entre a OTAN e a R\u00fassia. Para responder a essa falsifica\u00e7\u00e3o, desenvolvemos uma an\u00e1lise complexa do que aconteceu e est\u00e1 acontecendo na realidade desta guerra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Algumas conclus\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por todas essas raz\u00f5es, apelamos aos trabalhadores e a esquerda de todo o mundo a rejeitar esse acordo de \u201cpaz\u201d proposto por Trump a Putin. Como j\u00e1 expressamos, este \u00e9 um acordo contra o povo ucraniano e sua luta pela defesa de seu pa\u00eds. Em outras palavras, \u00e9 claramente um acordo contrarrevolucion\u00e1rio. Por mais que Breno Altman tente esconder isso, eles est\u00e3o lado a lado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o devemos nos deixar enganar pelo uso da palavra \u201cpaz\u201d. Nos tempos antigos, o conceito de \u201cpaz romana\u201d era usado para se referir ao fato de que os povos dominados pelo Imp\u00e9rio Romano aceitavam pacificamente essa subjuga\u00e7\u00e3o. Era a paz do opressor. \u00c9 o mesmo conte\u00fado desta \u201cpaz de Trump e Putin\u201d. Tal como expressa a \u00faltima declara\u00e7\u00e3o da LIT-QI, mantemos nosso total apoio \u00e0 luta dos trabalhadores e do povo ucraniano em sua guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional para derrotar a agress\u00e3o e a invas\u00e3o de Putin. Nas condi\u00e7\u00f5es atuais, eles precisam mais do que nunca do apoio dos trabalhadores e dos povos do mundo. A \u00fanica paz verdadeira vir\u00e1 com o triunfo do povo ucraniano e a derrota da agress\u00e3o de Putin.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Rosangela Botelho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Alejandro Iturbe Desde o in\u00edcio deste ano, Donald Trump vem promovendo um plano para acabar com a guerra entre a Ucr\u00e2nia e a R\u00fassia. Trump prop\u00f4s um \u201croteiro\u201d que inclui como ponto essencial, uma reuni\u00e3o entre ele e Putin para chegar a um acordo sobre as etapas a seguir at\u00e9 a assinatura da \u201cpaz\u201d [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":80812,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"Alejandro Iturbe","footnotes":""},"categories":[49,91],"tags":[1551,4543],"class_list":["post-80809","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-polemica","category-ucrania","tag-alejandro-iturbe","tag-guerra-ucrania"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Ucr.jpg","categories_names":["Pol\u00eamica","Ucr\u00e2nia"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":"Alejandro Iturbe","tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80809","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80809"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80809\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":80813,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80809\/revisions\/80813"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/80812"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80809"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=80809"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=80809"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}