{"id":80734,"date":"2025-03-09T18:10:17","date_gmt":"2025-03-09T18:10:17","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=80734"},"modified":"2025-03-09T18:10:19","modified_gmt":"2025-03-09T18:10:19","slug":"este-8m-contra-os-acordos-de-boric-e-da-direita-unidade-e-luta-da-classe-trabalhadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/03\/09\/este-8m-contra-os-acordos-de-boric-e-da-direita-unidade-e-luta-da-classe-trabalhadora\/","title":{"rendered":"Este 8M: contra os acordos de Boric e da direita, unidade e luta da classe trabalhadora!"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: MIT &#8211; Chile | <\/p>\n\n\n\n<p>O dia 8 de mar\u00e7o marca um dia hist\u00f3rico conquistado pelas mulheres trabalhadoras. No entanto, apesar das grandes mobiliza\u00e7\u00f5es lideradas por mulheres em n\u00edvel internacional e dos chamados a greves feministas, a viol\u00eancia imperialista contra os povos, a pilhagem da natureza e dos territ\u00f3rios, e muito menos a desigualdade social, n\u00e3o foram detidas. A viol\u00eancia que as mulheres ucranianas ou palestinas vivenciam diariamente n\u00e3o \u00e9 muito diferente daquela enfrentada por nossas mulheres mapuches em Wallmapu, com a militariza\u00e7\u00e3o do Estado chileno como pol\u00edtica sistem\u00e1tica do governo Boric ou com o desaparecimento suspeito de ativistas que defendem a terra e a floresta nativa, como Julia Chu\u00f1il, desaparecida desde 8 de novembro de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das promessas e da confian\u00e7a que grupos feministas depositaram neste governo, as expectativas de acabar com a desigualdade e a viol\u00eancia contra as mulheres foram frustradas. Ap\u00f3s tr\u00eas anos no poder, os eixos de seu programa, como feminismo, transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica justa, descentraliza\u00e7\u00e3o e garantia de trabalho decente, parecem letra morta. Pior ainda, a viol\u00eancia sexual veio de dentro do governo e de seu ministro Monsalve.<\/p>\n\n\n\n<p>O empobrecimento gradual da vida empurrou as mulheres para o mundo do trabalho, piorando suas condi\u00e7\u00f5es de vida. O n\u00famero de mulheres chefes de fam\u00edlia aumentou para 46% ap\u00f3s a pandemia \u2014 ou seja, quase metade dos lares no Chile s\u00e3o chefiados por mulheres \u2014 e, embora a participa\u00e7\u00e3o feminina no mercado de trabalho tenha aumentado, os empregos tendem a ser mais prec\u00e1rios e as disparidades salariais n\u00e3o diminuem; pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o abismais se considerarmos a rela\u00e7\u00e3o de classe; porque 1% dos que ganham mais capturam quase 30% da renda, enquanto metade da classe trabalhadora deve sobreviver com menos de 583 mil pesos (Funda\u00e7\u00e3o FTe. SOL). Outra consequ\u00eancia da forma como as mulheres tiveram que se inserir no mercado de trabalho, somada \u00e0 precariedade da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, \u00e9 o abandono de crian\u00e7as em territ\u00f3rios onde imperam a viol\u00eancia, o tr\u00e1fico de drogas, a depend\u00eancia qu\u00edmica e a degrada\u00e7\u00e3o social. As taxas de desemprego tamb\u00e9m n\u00e3o diminu\u00edram significativamente e, somadas ao aumento do custo de vida, ao aumento de servi\u00e7os b\u00e1sicos como \u00e1gua, luz e moradia, nossa classe vive em piores condi\u00e7\u00f5es materiais.<\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia machista \u00e9 uma das express\u00f5es mais brutais das diferentes formas de viol\u00eancia do capitalismo, porque esta sociedade \u00e9 constru\u00edda sobre a m\u00e3e de todas as viol\u00eancias: a desigualdade gerada pela opress\u00e3o de classe exercida por uma minoria sobre a maioria dos trabalhadores e suas fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A verdadeira ofensiva vem de um governo que favorece grandes grupos econ\u00f4micos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A desigualdade social est\u00e1 se aprofundando, e o Estado continua subsidiando empresas privadas com recursos p\u00fablicos, deixando a maioria da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de pobreza. O governo Boric, junto com o Partido Comunista, a antiga Concerta\u00e7\u00e3o e a Frente Ampla, chegou a acordos importantes com a direita para governar, aprovando leis que v\u00e3o contra a classe trabalhadora, muitas vezes prejudicando principalmente as mulheres trabalhadoras: a nova reforma previdenci\u00e1ria, a Lei Antiocupa\u00e7\u00e3o, o resgate dos Isapres, atrav\u00e9s da Lei Short, a Lei de Infraestrutura Cr\u00edtica, a Lei Nain-Retamal que criminaliza a luta do povo Mapuche, entre outras&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Todos esses acordos representam verdadeiros ataques \u00e0 classe trabalhadora, com o objetivo de preservar o padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o capitalista no pa\u00eds. No centro dessas mudan\u00e7as estruturais est\u00e1 a lei das 40 horas e a reforma da previd\u00eancia (que deve ser promulgada em mar\u00e7o) liderada pelo Ministro Jara.<\/p>\n\n\n\n<p>Por um lado, a lei das 40 horas traz consigo o aumento da intensidade do trabalho (produzindo mais em menos tempo), a negocia\u00e7\u00e3o individual da jornada de trabalho ou por meio de sindicatos (fazendo com que as horas trabalhadas semanais cheguem a 52), muitas delas elevadas pelos pr\u00f3prios empregadores, enfraquecendo o poder de barganha dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a Reforma da Previd\u00eancia, ao mesmo tempo em que fortalece o padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o das AFPs, realiza um aumento m\u00ednimo para as mulheres, j\u00e1 que aquelas que contribuem h\u00e1 menos de 20 anos receber\u00e3o um aumento real de dez mil pesos. Esta reforma ir\u00e1, na pr\u00e1tica, obrigar-nos a prolongar a nossa vida ativa para mais de 25 anos, para conseguirmos um aumento significativo das aposentadorias; enquanto grupos seguradores nacionais e transnacionais (3 deles americanos) continuar\u00e3o a lucrar com nossos fundos. Por fim, porque fortalece um sistema que deixa as aposentadorias das gera\u00e7\u00f5es futuras incertas devido \u00e0s flutua\u00e7\u00f5es do mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, ao contr\u00e1rio das correntes feministas, n\u00e3o temos uma \u201cvis\u00e3o cr\u00edtica\u201d do governo. Somos contra o governo e seus pactos com a direita porque sabemos que os problemas sociais levantados em 18 de outubro de 2019 sobre moradia, previd\u00eancia, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e meio ambiente, n\u00e3o s\u00f3 persistem como se agravaram. Nossas diferen\u00e7as s\u00e3o, portanto, baseadas em classe e estamos preparadas para lutar por todos os direitos das mulheres, ao lado de nossos companheiros, porque nossa luta \u00e9 insepar\u00e1vel da luta geral da classe trabalhadora e nossas demandas n\u00e3o podem ser resolvidas dentro da estrutura de uma sociedade capitalista que d\u00e1 origem a tanta opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos tamb\u00e9m que em per\u00edodo eleitoral o discurso chantagista ser\u00e1 instalado pela Frente Ampla, o Partido Comunista, a antiga Nova Maioria, cujo eixo central \u00e9 um chamado para frear o avan\u00e7o da direita. Essa pol\u00edtica \u00e9 um beco sem sa\u00edda, pois, dos setores mais conservadores aos mais liberais, todos governaram e pactuaram com a direita para preservar os interesses das dez fam\u00edlias donas do Chile e das transnacionais. Este \u00e9 um governo de grandes acordos, com a implementa\u00e7\u00e3o de reformas que asseguram os lucros de grupos nacionais ou estrangeiros, promovendo leis que garantem sua propriedade privada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 hora de organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores como a CUT, o Sindicato dos Professores, as Federa\u00e7\u00f5es e as Associa\u00e7\u00f5es de Servidores P\u00fablicos romperem com todas as esperan\u00e7as neste governo e nesses partidos, para organizar uma pauta de reivindica\u00e7\u00f5es que unifique a classe trabalhadora e resgate o significado hist\u00f3rico que o 8 de mar\u00e7o deu \u00e0s mulheres como uma conquista.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos exigir um programa que comece pelas nossas necessidades imediatas, levando adiante uma \u00fanica lista de reivindica\u00e7\u00f5es que comece por acabar com o alto custo de vida e os sal\u00e1rios miser\u00e1veis, e que o sal\u00e1rio m\u00ednimo seja elevado para 700.000 pesos com reajuste autom\u00e1tico de acordo com a infla\u00e7\u00e3o para todos os trabalhadores do pa\u00eds. Congelamento imediato dos pre\u00e7os dos bens e servi\u00e7os mais b\u00e1sicos, como alimenta\u00e7\u00e3o, aluguel, UF (Unidade de Fomento, ndt.), transporte e contas de luz, g\u00e1s e \u00e1gua. Aprova\u00e7\u00e3o do 7\u00ba saque popular emergencial e fim imediato das AFPs, com direito a saque de 100%. Parar a reforma da previd\u00eancia acordada pelo governo e pela direita. Exigir um plano de emerg\u00eancia para a constru\u00e7\u00e3o de moradias de qualidade para acabar com a escassez de moradias agora. O Estado deve criar uma construtora p\u00fablica, sob controle dos trabalhadores, para gerar milhares de empregos e acabar com o d\u00e9ficit habitacional. Garantir trabalho igualit\u00e1rio, remunera\u00e7\u00e3o igualit\u00e1ria e a constru\u00e7\u00e3o de abrigos para mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia de g\u00eanero. Para financiar todas essas medidas, nacionalizar o cobre e o l\u00edtio com o controle dos trabalhadores e suas comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Convidamos todas as mulheres, homens, dissid\u00eancias, jovens, negros, mapuches, imigrantes a construir uma alternativa revolucion\u00e1ria para a classe trabalhadora; porque sem ela todos os avan\u00e7os e conquistas ser\u00e3o parciais e regredir\u00e3o dependendo do governo que estiver no poder se n\u00e3o mudarmos estruturalmente esta sociedade. Precisamos de um partido revolucion\u00e1rio, venha construir o Movimento Internacional dos Trabalhadores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: MIT &#8211; Chile | O dia 8 de mar\u00e7o marca um dia hist\u00f3rico conquistado pelas mulheres trabalhadoras. 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