{"id":80687,"date":"2025-03-05T23:51:45","date_gmt":"2025-03-05T23:51:45","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=80687"},"modified":"2025-03-06T20:46:20","modified_gmt":"2025-03-06T20:46:20","slug":"a-violencia-nao-cessa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/03\/05\/a-violencia-nao-cessa\/","title":{"rendered":"A viol\u00eancia n\u00e3o cessa"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Rosa Cec\u00edlia &#8211; PST\/Col\u00f4mbia<\/p>\n\n\n\n<p>No momento em que esta nota \u00e9 escrita, Amelia Mac\u00edas Pati\u00f1o, uma mulher boyacense de 40 anos, est\u00e1 internada em um hospital de Sogamoso ap\u00f3s sofrer graves les\u00f5es em uma tentativa de feminic\u00eddio por parte de seu companheiro. Lenis Mart\u00ednez foi resgatada do sequestro cometido por seu ex-parceiro, que n\u00e3o apenas a maltratou, mas tamb\u00e9m tentou incendiar o apartamento onde deixou seus dois filhos pequenos amarrados. Felizmente, o agressor n\u00e3o conseguiu seu objetivo e est\u00e1 sendo procurado pelas autoridades.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois filhos de \u00c9rika Paola Monterrosa n\u00e3o tiveram a mesma sorte. No dia 20 de janeiro, foram brutalmente espancados pelo padrasto, o que levou \u00e0 morte do mais novo, enquanto o outro permanece hospitalizado, lutando por sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Poder\u00edamos continuar enumerando nomes de v\u00edtimas de viol\u00eancia de g\u00eanero neste in\u00edcio de ano, e em cada caso encontrar\u00edamos um hist\u00f3rico de agress\u00f5es em que o agressor \u00e9 algu\u00e9m pr\u00f3ximo. Cada hist\u00f3ria parece sa\u00edda de um filme de terror, mas o mais assustador \u00e9 que essa realidade \u00e9 ineg\u00e1vel. Tamanha \u00e9 a gravidade do problema que a Defensoria do Povo instou a Presid\u00eancia, a Vice-Presid\u00eancia e a Procuradoria a tomarem medidas urgentes. At\u00e9 27 de janeiro, foram registrados 18 assassinatos motivados por preconceitos contra mulheres e pessoas LGBTI: <a href=\"https:\/\/caracol.com.co\/2025\/01\/15\/mujeres-trans-en-armenia-denunciaron-amenazas-y-ataques-con-armas-traumaticas\/?outputType=amp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">4 mulheres transg\u00eanero<\/a>, 1 mulher l\u00e9sbica, 2 homens transg\u00eanero, 6 homens gays, 1 pessoa cuja identidade de g\u00eanero ainda est\u00e1 por ser estabelecida, al\u00e9m de v\u00e1rias mulheres cisg\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o podemos perder de vista que, no ano passado, foi registrado o maior n\u00famero de feminic\u00eddios e atos de viol\u00eancia de g\u00eanero dos \u00faltimos sete anos. Embora o feminic\u00eddio tenha sido reconhecido como \u201ca m\u00e1xima express\u00e3o da viol\u00eancia de g\u00eanero\u201d, o mesmo n\u00e3o acontece com os assassinatos e agress\u00f5es contra pessoas LGBTI, cuja incid\u00eancia est\u00e1 aumentando. Esse fen\u00f4meno \u00e9 refor\u00e7ado por discursos de \u00f3dio como os de Trump, que incitam a viol\u00eancia contra as diversidades sexuais. Em 2023, a Procuradoria reportou que 40% das agress\u00f5es registradas por les\u00f5es corporais foram contra mulheres l\u00e9sbicas, bissexuais ou trans. No mesmo ano, a organiza\u00e7\u00e3o Caribe Afirmativo documentou mais de 1.700 situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o LGBTIQ+, incluindo 20 casos de amea\u00e7as e pelo menos 15 panfletos com discursos estigmatizantes contra mulheres l\u00e9sbicas, trans e bissexuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo um relat\u00f3rio da Rede Regional de Informa\u00e7\u00e3o LGBTI, a Col\u00f4mbia, junto com o Brasil, lidera as taxas de homic\u00eddios contra pessoas de orienta\u00e7\u00e3o sexual diversa na Am\u00e9rica Latina e no Caribe. Nosso pa\u00eds det\u00e9m o lament\u00e1vel recorde de 43% dos assassinatos dessa popula\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Por que tanta viol\u00eancia?<\/h3>\n\n\n\n<p>Em nossa vis\u00e3o, vivemos uma \u00e9poca de intensifica\u00e7\u00e3o de todas as contradi\u00e7\u00f5es sociais, resultado da crise do sistema capitalista. A luta de classes exacerba o uso da viol\u00eancia por parte dos poderosos e de seus Estados contra os explorados e oprimidos, que resistem e lutam em todos os continentes para transformar essa realidade cada vez mais dif\u00edcil para os setores populares.<\/p>\n\n\n\n<p>As guerras que testemunhamos hoje, como a de Israel contra o povo palestino\u2014atualmente em tr\u00e9gua, mas longe de uma solu\u00e7\u00e3o\u2014, j<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/01\/17\/cessar-fogo-em-gaza-uma-conquista-palestina-parcial-com-um-custo-humano-inestimavel\/\">\u00e1 custaram cerca de 50.000 vidas em Gaza<\/a>. Ou a de <a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/02\/17\/guerra-na-ucrania-tres-anos-de-resistencia-heroica-a-invasao-de-putin\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser\">R\u00fassia contra a Ucr\u00e2nia<\/a>, onde, segundo a OTAN (com n\u00fameros ainda n\u00e3o confirmados), a R\u00fassia perdeu 350.000 soldados e a Ucr\u00e2nia 428.000. Essas guerras s\u00e3o a manifesta\u00e7\u00e3o mais brutal da viol\u00eancia de uma classe\u2014 a burguesia imperialista\u2014 que busca subjugar povos inteiros e saquear seus recursos e territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia tem sido e continuar\u00e1 sendo uma arma dos poderosos para subjugar a imensa maioria dos trabalhadores e pobres do mundo, explorando sua for\u00e7a de trabalho e defendendo seus privil\u00e9gios a qualquer custo. Outra express\u00e3o dessa viol\u00eancia \u00e9 a repress\u00e3o contra os imigrantes. N\u00e3o apenas Trump, mas todos os governos dos pa\u00edses imperialistas t\u00eam impulsionado pol\u00edticas anti-imigra\u00e7\u00e3o com o objetivo de impedir que os trabalhadores de pa\u00edses semicoloniais cruzem suas fronteiras. E, como sempre, quem paga com a vida s\u00e3o os setores mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro dos setores oprimidos, tamb\u00e9m existem diferen\u00e7as de classe: os mais afetados s\u00e3o os trabalhadores e os pobres. As mulheres trabalhadoras, al\u00e9m de exploradas, s\u00e3o duplamente oprimidas por meio de preconceitos cuidadosamente alimentados por institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, culturais e religiosas a servi\u00e7o da burguesia. Essa ideologia n\u00e3o \u00e9 casual: considerar a mulher inferior ao homem justifica a redu\u00e7\u00e3o de seus sal\u00e1rios e seu confinamento ao trabalho dom\u00e9stico e de cuidados n\u00e3o remunerados.<\/p>\n\n\n\n<p>O racismo, a homofobia, a transfobia e a xenofobia cumprem a mesma fun\u00e7\u00e3o: dividir a classe trabalhadora e coloc\u00e1-la em confronto interno. Sob o argumento de que os imigrantes \u201croubam empregos\u201d dos trabalhadores nacionais, conseguem fragmentar a luta oper\u00e1ria e reduzir os sal\u00e1rios de todos. Essas narrativas sustentam as pol\u00edticas anti-imigra\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses imperialistas, os mesmos que constru\u00edram sua riqueza explorando a m\u00e3o de obra migrante.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, esse sistema est\u00e1 sendo questionado. Como resposta \u00e0 luta dos trabalhadores e dos setores mais oprimidos contra a desigualdade, a mis\u00e9ria e a discrimina\u00e7\u00e3o, a burguesia promove a viol\u00eancia: uma, exercida diretamente por suas for\u00e7as repressivas, e outra, fomentada por meio de discursos e ideologias que justificam a opress\u00e3o. Dentro desta \u00faltima categoria, insere-se a viol\u00eancia de g\u00eanero e contra pessoas LGBTI, que encontra respaldo em institui\u00e7\u00f5es religiosas e setores conservadores que apresentam o direito de decidir sobre nossos corpos como &#8220;pecados&#8221; que merecem castigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, condenamos energicamente a viol\u00eancia contra os explorados e oprimidos. Acreditamos que \u00e9 urgente que as organiza\u00e7\u00f5es sindicais, comunit\u00e1rias, de bairro, pol\u00edticas e culturais impulsionem a educa\u00e7\u00e3o e o debate sobre o papel dessas ideologias na fragmenta\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. N\u00e3o podemos permitir que nos transformem em instrumentos de divis\u00e3o, perpetuando uma viol\u00eancia que s\u00f3 beneficia nossos inimigos.<\/p>\n\n\n\n<p>A classe trabalhadora deve levantar um programa de reivindica\u00e7\u00f5es para as mulheres e os setores oprimidos, exigindo de empresas e governos respostas concretas. Ao mesmo tempo, devemos seguir pressionando o governo Petro para que declare estado de emerg\u00eancia contra a viol\u00eancia de g\u00eanero, com medidas reais de prote\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o, cujos recursos sejam administrados por organiza\u00e7\u00f5es de mulheres e v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa luta contra a viol\u00eancia n\u00e3o pode ser separada de uma estrat\u00e9gia de independ\u00eancia de classe para a organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Somente por meio da transforma\u00e7\u00e3o social e da constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade sem explorados nem oprimidos poderemos erradicar definitivamente essa viol\u00eancia sist\u00eamica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Rosa Cec\u00edlia &#8211; PST\/Col\u00f4mbia No momento em que esta nota \u00e9 escrita, Amelia Mac\u00edas Pati\u00f1o, uma mulher boyacense de 40 anos, est\u00e1 internada em um hospital de Sogamoso ap\u00f3s sofrer graves les\u00f5es em uma tentativa de feminic\u00eddio por parte de seu companheiro. 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