{"id":80465,"date":"2025-01-23T22:04:55","date_gmt":"2025-01-23T22:04:55","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=80465"},"modified":"2025-01-23T22:04:57","modified_gmt":"2025-01-23T22:04:57","slug":"siria-foi-uma-derrota-ou-um-triunfo-das-massas-debate-com-a-ft-pts","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/01\/23\/siria-foi-uma-derrota-ou-um-triunfo-das-massas-debate-com-a-ft-pts\/","title":{"rendered":"S\u00edria: Foi uma derrota ou um triunfo das massas? Debate com a FT\/PTS"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Alejandro Iturbe<\/p>\n\n\n\n<p><em>Em 8 de dezembro, ap\u00f3s uma longa e sangrenta guerra civil, o povo s\u00edrio derrubou o sangrento regime ditatorial de Bashar Al-Assad, que estava no poder h\u00e1 25 anos. Em um comunicado, a LIT-QI definiu este evento como uma grande vit\u00f3ria das massas s\u00edrias<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a>. No in\u00edcio deste ano, a FT (Fra\u00e7\u00e3o Trotskista, cuja principal organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 o PTS-Partido Socialista dos Trabalhadores da Argentina) publicou um artigo com fortes cr\u00edticas a essa afirma\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\"><strong>[2]<\/strong><\/a>. Neste artigo, abordaremos esse debate.<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No quadro de um texto muito longo, a cr\u00edtica da FT\/PTS se resume neste par\u00e1grafo:<em> &#8220;A LIT-QI demonstra mais uma vez a fal\u00eancia de sua tese morenista semi-etapista da &#8216;revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica&#8217;. Descreve a derrubada de Al-Assad por fac\u00e7\u00f5es isl\u00e2micas como uma &#8216;revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e popular&#8217;, adaptando-se assim mais uma vez ao campo burgu\u00eas anti-Assad e a ningu\u00e9m menos que pot\u00eancias como Israel, Turquia e o pr\u00f3prio imperialismo norte-americano, que buscam capitalizar a queda deste governo para seu pr\u00f3prio benef\u00edcio&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Neste par\u00e1grafo, a FT\/PTS aborda tr\u00eas quest\u00f5es diferentes. A primeira \u00e9 a cr\u00edtica \u00e0s elabora\u00e7\u00f5es de Nahuel Moreno e da LIT-QI sobre as &#8220;revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas&#8221; nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980. A segunda \u00e9 uma caracteriza\u00e7\u00e3o de que o principal do que aconteceu na S\u00edria foi que, ap\u00f3s a derrubada de Assad, &#8220;fac\u00e7\u00f5es isl\u00e2micas&#8221; tomaram o poder. A terceira \u00e9 que Israel, Turquia e EUA teriam se beneficiado da derrubada de Assad. Vamos abordar cada uma dessas quest\u00f5es separadamente.<\/p>\n\n\n\n<p>As cr\u00edticas da FT \u00e0s elabora\u00e7\u00f5es de Moreno e da LIT-QI n\u00e3o s\u00e3o novas: surgiram desde a pr\u00f3pria origem do PTS, como uma ruptura com o MAS argentino e a LIT-QI, em 1988. Publicamos extensos artigos de discuss\u00e3o com essas cr\u00edticas<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Nelas abordamos, por um lado, as quest\u00f5es fundamentais analisadas por Moreno, a partir da experi\u00eancia hist\u00f3rica das revolu\u00e7\u00f5es da Segunda P\u00f3s-Guerra e da Am\u00e9rica Latina. Ou seja, a exist\u00eancia de processos revolucion\u00e1rios de massas contra regimes burgueses ditatoriais com o objetivo de derrub\u00e1-los e impor um novo regime. Por outro lado, como essas &#8220;revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas&#8221; foram inseridas como um momento espec\u00edfico (com suas pr\u00f3prias palavras de ordem e t\u00e1ticas) na din\u00e2mica geral da revolu\u00e7\u00e3o permanente, de uma maneira diferente de como Trotsky as formulou em suas Teses da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente (inclu\u00eddas no final de sua \u00faltima vers\u00e3o, em 1929\/1930).<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Moreno agiu como um verdadeiro marxista: estudou a realidade, constatou as contradi\u00e7\u00f5es com a teoria e criticou e corrigiu aspectos da teoria que considerava errados. Em termos de l\u00f3gica dial\u00e9tica, ele realizou uma a\u00e7\u00e3o de &#8220;negar afirmando&#8221;: &#8220;negou&#8221; os aspectos que considerava incorretos e &#8220;afirmou&#8221; a totalidade e a ess\u00eancia da teoria, a qual enriqueceu.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o PTS\/FT, Moreno n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o deu nenhuma contribui\u00e7\u00e3o ao marxismo, mas suas elabora\u00e7\u00f5es foram uma adapta\u00e7\u00e3o aos modelos da din\u00e2mica da revolu\u00e7\u00e3o que haviam sido adotados pela maioria da dire\u00e7\u00e3o da Quarta Internacional no per\u00edodo da Segunda P\u00f3s-Guerra II (encabe\u00e7ada pelo grego Michel Pablo e pelo belga Ernest Mandel), que Moreno combateu com firmeza. Por outro lado, as an\u00e1lises e posi\u00e7\u00f5es de Pablo e Mandel estavam pr\u00f3ximas da vis\u00e3o stalinista da &#8220;luta dos campos opostos&#8221; e da &#8220;revolu\u00e7\u00e3o em etapas&#8221;. O PTS chamou essa dire\u00e7\u00e3o de &#8220;<em>trotskismo de <\/em><em>Yalta e Potsdam&#8221;, <\/em>ao qual Moreno estava come\u00e7ando a se adaptar com suas elabora\u00e7\u00f5es. Nesse ponto, decidiu romper com o MAS e a LIT-QI para retornar ao &#8220;trotskismo de Trotsky&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um m\u00e9todo dogm\u00e1tico <\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para o PTS n\u00e3o havia diverg\u00eancia entre realidade e teoria (mesmo que fosse com aspectos dela). Tudo havia sido previsto por Trotsky e n\u00e3o tinha nada com que se preocupar, refletir ou corrigir. O nascimento da FT\/PTS est\u00e1 intimamente associado a esse m\u00e9todo que transforma o marxismo em um &#8220;dogma b\u00edblico&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nesse m\u00e9todo err\u00f4neo, essa corrente sempre faz an\u00e1lises e caracteriza\u00e7\u00f5es equivocadas dos processos revolucion\u00e1rios de luta contra os regimes ditatoriais. Uma incompreens\u00e3o que se aprofunda quando essa luta se transforma em guerra civil (uma das formas mais extremas da luta de classes) na qual se formam na realidade &#8220;campos militares opostos&#8221; (quer a FT\/PTS goste ou n\u00e3o). Nesse caso, a quest\u00e3o chave \u00e9 se um dos dois campos militares expressa, mesmo que de forma distorcida, os interesses e necessidades das massas. Ou seja, se em um deles o &#8220;povo em armas&#8221; participa como express\u00e3o do que Trotsky chamou de <em>&#8220;interven\u00e7\u00e3o direta das massas nos eventos hist\u00f3ricos&#8221;.<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Para ter uma pol\u00edtica correta diante de uma guerra civil, \u00e9 necess\u00e1rio diferenciar o &#8220;campo de classe&#8221; do &#8220;campo militar&#8221; porque, muitas vezes, no &#8220;campo militar&#8221; os campos de classe definidos pelo marxismo (burguesia e proletariado) s\u00e3o distorcidos e confusos. A burguesia foi dividida em fac\u00e7\u00f5es que se enfrentam militarmente e um setor dela faz parte do &#8220;campo rebelde&#8221; e, muitas vezes, o lidera. Como se trata de fra\u00e7\u00f5es burguesas, haver\u00e1 setores reacion\u00e1rios, pr\u00f3-imperialistas e at\u00e9 nitidamente contrarrevolucion\u00e1rios que a &#8220;vida&#8221; os obrigou a participar dessa luta para defender seus interesses de classe.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste quadro muito complexo, a \u00fanica maneira de ter uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria correta \u00e9 responder \u00e0 pergunta-chave que j\u00e1 fizemos: existe um campo militar<\/p>\n\n\n\n<p>em que os trabalhadores e o povo participam porque podem defender melhor seus interesses de classe? Se assim for, n\u00f3s revolucion\u00e1rios devemos fazer parte desse campo militar sem hesita\u00e7\u00e3o e apoi\u00e1-lo em sua luta. Em outras palavras, promover a unidade da a\u00e7\u00e3o militar com o &#8220;campo rebelde&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma contradi\u00e7\u00e3o aguda<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nesta situa\u00e7\u00e3o, os revolucion\u00e1rios s\u00e3o confrontados com uma aguda contradi\u00e7\u00e3o: como promover a unidade de a\u00e7\u00e3o militar e, ao mesmo tempo, combater politicamente as dire\u00e7\u00f5es burguesas que comp\u00f5em e\/ou dirigem o &#8220;campo rebelde&#8221;, a fim de defender os interesses da classe oper\u00e1ria contra aquelas dire\u00e7\u00f5es que tentam permanentemente impedir sua a\u00e7\u00e3o independente e, se n\u00e3o o conseguem &#8220;por bem&#8221;, a atacam e reprimem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Trotsky enfrentou essa contradi\u00e7\u00e3o na Guerra Civil Espanhola entre os campos militares republicano e franquista. No campo republicano havia v\u00e1rios setores burgueses da Catalunha e Madri que queriam parar e paralisar a revolu\u00e7\u00e3o. A eles, se somou a a\u00e7\u00e3o contrarrevolucion\u00e1ria do stalinismo como o principal apoio da rep\u00fablica burguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Duas tarefas combinadas foram ent\u00e3o propostas: participar ativamente do campo militar e, ao mesmo tempo, lutar contra a burguesia republicana e o stalinismo, a fim de construir um campo pol\u00edtico de classe, independente, que preparasse as tarefas estrat\u00e9gicas da revolu\u00e7\u00e3o socialista. Mas isso s\u00f3 pode ser feito com a condi\u00e7\u00e3o de fazer parte do campo militar unificado, o que muitas vezes implica uma certa disciplina militar. \u00c9 uma pol\u00edtica com profundas contradi\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 a \u00fanica poss\u00edvel nessas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um texto da \u00e9poca, Trotsky resumiu esses dois aspectos de uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria: <em>&#8220;Participamos da luta contra Franco como os melhores soldados e, ao mesmo tempo, no interesse da vit\u00f3ria sobre o fascismo, agitamos a revolu\u00e7\u00e3o social e preparamos a derrubada do governo derrotista de Negr\u00edn. Somente tal atitude pode nos aproximar das massas.<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\"><strong>[5]<\/strong><\/a><\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Neste e em outros escritos da \u00e9poca da Guerra Civil Espanhola, Trotsky deixa bem n\u00edtido que o ponto de partida de uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria era participar <em>&#8220;como os melhores soldados na luta contra Franco&#8221; <\/em>(o eixo que, naquela \u00e9poca, mobilizava os trabalhadores e as massas), e combate duramente as propostas de n\u00e3o participar militarmente dentro do campo republicano (o &#8220;derrotismo&#8221;).<\/p>\n\n\n\n<p>Consistente com sua posi\u00e7\u00e3o, Trotsky orientou as pequenas for\u00e7as dos trotskistas espanh\u00f3is para trabalhar em conjunto com a melhor express\u00e3o do anarquismo no pa\u00eds (&#8220;os amigos de [Buenaventura] Durruti&#8221;) e, assim, ser capaz de aplicar melhor sua pol\u00edtica no &#8220;campo republicano&#8221;. O que a FT \/ PTS teria feito nessas condi\u00e7\u00f5es: ser os melhores soldados contra Franco ou abster-se de &#8220;escolher o campo&#8221;?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O &#8220;derrotismo&#8221; do PTS diante da revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A FT\/PTS reivindica ser a \u00fanica representante do &#8220;trotskismo de Trotsky&#8221;. Sua editora (CEIP) republicou muitos de seus textos, incluindo aqueles que se referem \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o e \u00e0 guerra civil na Espanha. No entanto, parece ter interpretado mal seu conte\u00fado: diante da revolu\u00e7\u00e3o e da guerra civil na S\u00edria, tiveram uma pol\u00edtica &#8220;derrotista&#8221; em rela\u00e7\u00e3o ao campo militar &#8220;rebelde&#8221;, oposta \u00e0 proposta por Trotsky na Espanha.<\/p>\n\n\n\n<p>Para justificar sua pol\u00edtica equivocada, a FT\/PTS deve recorrer a v\u00e1rias &#8220;coberturas&#8221;. A principal delas \u00e9 uma interpreta\u00e7\u00e3o completamente distorcida do processo s\u00edrio desde seu in\u00edcio em 2011 at\u00e9 agora: <em>&#8220;<\/em><em>Na din\u00e2mica da luta de classes na S\u00edria, at\u00e9 o final de 2011, prevaleceu o car\u00e1ter de um levante popular, mas com a derrota dos apelos \u00e0 greve geral e \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es no in\u00edcio de 2012, afogados em sangue por Al-Assad, o car\u00e1ter do conflito mudou definitivamente, algo que a LIT foi incapaz de caracterizar. O levante s\u00edrio estava sendo sequestrado, dando poder a movimentos reacion\u00e1rios e a seus patrocinadores estrangeiros.<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\"><strong>[6]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Da nossa parte, consideramos que \u00e9 o m\u00e9todo dogm\u00e1tico e o arcabou\u00e7o te\u00f3rico da FT\/PTS que torna essa corrente &#8220;incapaz de caracterizar&#8221; todo o processo na S\u00edria entre 2011 e a queda do regime de Bashar Al-Assad, seus altos e baixos e complexidades e, nesse curso tortuoso e cheio de contradi\u00e7\u00f5es, seu fio de continuidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro erro da FT\/PTS foi n\u00e3o caracterizar o processo iniciado em 2011 como um processo de revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica contra a ditadura de Bashar Al-Assad, com uma n\u00edtida din\u00e2mica insurrecional, mas apenas como um <em>&#8220;levante popular&#8221; <\/em>de muito menor profundidade. Nesse quadro conceitual, considera que esse <em>&#8220;levante popular&#8221;<\/em> \u00e9 definitivamente derrotado. Pior ainda, a luta contra o regime ditatorial havia mudado de car\u00e1ter: n\u00e3o expressava mais nenhum aspecto progressista e havia se tornado, em sua totalidade, uma luta de <em>&#8220;movimentos reacion\u00e1rios e seus patrocinadores estrangeiros&#8221;. <\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Consistente com essa vis\u00e3o equivocada de dois campos militares igualmente negativos, a FT\/PTS prop\u00f4s uma pol\u00edtica &#8220;nem-nem&#8221; para a S\u00edria: nem Assad nem rebeldes. Ou seja, convocou os trabalhadores e as massas s\u00edrias a n\u00e3o realizarem nenhuma a\u00e7\u00e3o militar contra o regime e a esperarem pela revolu\u00e7\u00e3o socialista na regi\u00e3o e no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Definimos essa pol\u00edtica da FT\/PTS como sect\u00e1ria e propagand\u00edstica. \u00c9 sect\u00e1ria diante das lutas reais do movimento de massas, que tenta desenvolv\u00ea-las em condi\u00e7\u00f5es complexas e cheias de contradi\u00e7\u00f5es, porque n\u00e3o respondem \u00e0s &#8220;receitas de manual&#8221;. \u00c9 propagand\u00edstica porque, em vez de propor pol\u00edticas e t\u00e1ticas concretas que possam ajudar no desenvolvimento das lutas nessas condi\u00e7\u00f5es, limita-se a repetir f\u00f3rmulas gerais e aconselhar as massas a aceit\u00e1-las.<\/p>\n\n\n\n<p>A LIT-QI, armada te\u00f3rica e politicamente com sua concep\u00e7\u00e3o de que era um processo de luta revolucion\u00e1ria de massas contra uma ditadura, na medida de suas for\u00e7as buscou intervir ativamente nela com pol\u00edticas concretas, al\u00e9m de desenvolver uma grande campanha de solidariedade<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. Por exemplo, se juntou a batalh\u00f5es do Ex\u00e9rcito Livre da S\u00edria que lutavam naquele pa\u00eds e ajudou a organizar uma viagem internacional de seu comandante Abou Maen para difundir sua luta, alcan\u00e7ar a solidariedade e, principalmente, exigir a entrega de armamento para essa luta<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. Ao mesmo tempo, foi capaz de estabelecer fortes la\u00e7os com ativistas e combatentes antiditatoriais que, em todos esses anos, foram for\u00e7ados a exilar-se em outros pa\u00edses<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. Estamos orgulhosos de tudo o que fizemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo contr\u00e1rio, a FT\/PTS limitou-se a acompanhar o processo s\u00edrio em jornais e telejornais e a dar o seu parecer a partir dos seus escrit\u00f3rios.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8220;Novos atores&#8221; se juntam<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos agora o que aconteceu na S\u00edria desde o in\u00edcio do processo. Em 2012, o regime de Assad n\u00e3o teria sobrevivido \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o sem a interven\u00e7\u00e3o e o apoio militar das for\u00e7as russas de Putin, do regime iraniano e das mil\u00edcias libanesas do Hezbollah. Gra\u00e7as a esse apoio, conseguiu deter a ofensiva dos rebeldes em Damasco e, com m\u00e9todos genocidas e de terra arrasada, recuperar o controle de uma parte significativa do territ\u00f3rio s\u00edrio. Foi, sem d\u00favida, uma derrota para as massas s\u00edrias. Mas isso n\u00e3o significou sua derrota final, como mostra agora a queda do regime de Assad.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, o regime nunca ganhou o controle total do territ\u00f3rio s\u00edrio. Redutos rebeldes sobreviveram em Idlib e em partes de Aleppo e outras cidades. Por sua vez, os curdos alcan\u00e7aram o dom\u00ednio de toda a regi\u00e3o que chamam de Rojava (quatro distritos no nordeste do pa\u00eds) com um pacto impl\u00edcito de n\u00e3o agress\u00e3o com Al-Assad.<\/p>\n\n\n\n<p>Tornando a situa\u00e7\u00e3o s\u00edria e regional ainda mais complexa, em 2014 surgiu um novo participante: o Estado Isl\u00e2mico (EI) e seu projeto de construir um &#8220;califado&#8221; (ou seja, um novo pa\u00eds) com a parte do territ\u00f3rio iraquiano que j\u00e1 dominava e uma parte do territ\u00f3rio s\u00edrio<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\">[10]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esse projeto, suas for\u00e7as avan\u00e7aram &#8220;cortando&#8221; e dominando uma faixa no meio da S\u00edria. Para consolidar esse dom\u00ednio, o EI precisava tomar a cidade curda de Kobane, onde enfrentou forte resist\u00eancia e acabou sendo derrotado<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[11]<\/a>. A quest\u00e3o do povo curdo \u00e9 uma quest\u00e3o de grande peso regional, abrangendo v\u00e1rios pa\u00edses em que s\u00e3o uma minoria oprimida. Em todos esses anos, lhe dedicamos v\u00e1rios artigos defendendo seu direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o e \u00e0 reunifica\u00e7\u00e3o em um \u00fanico Estado curdo<a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\">[12]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O EI era um &#8220;ator que n\u00e3o havia sido convidado&#8221; para o &#8220;drama s\u00edrio&#8221;. O imperialismo estadunidense considerou-o o &#8220;principal inimigo na regi\u00e3o&#8221; e partiu para liquid\u00e1-lo, primeiro na S\u00edria e depois no Iraque. Nesse contexto, estabeleceu uma alian\u00e7a com a lideran\u00e7a curda de Rojava (o PYD), forneceu armas e treinamento militar \u00e0s suas mil\u00edcias e, com base nelas, construiu uma for\u00e7a armada capaz de derrotar e desalojar o EI e, ao mesmo tempo, dominar parte do territ\u00f3rio s\u00edrio (muito maior que Rojava).<a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\">[13]<\/a> Essa lideran\u00e7a curda tornou-se assim o principal aliado dos EUA no complexo cen\u00e1rio s\u00edrio. Uma pol\u00edtica que se aprofundou durante a primeira presid\u00eancia de Donald Trump. O imperialismo estadunidense procurava repetir a experi\u00eancia bem-sucedida que havia feito com Masoud Barzani no Curdist\u00e3o iraquiano (os curdos chamam essa regi\u00e3o de Basur).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, o ex\u00e9rcito turco invadiu o norte da S\u00edria (pa\u00eds com o qual compartilha uma extensa fronteira). Como vimos em materiais j\u00e1 citados, na Turquia h\u00e1 uma forte minoria curda oprimida, no sul do pa\u00eds. O presidente turco, Recep Erdogan, considerou inaceit\u00e1vel o estabelecimento de um Estado curdo fortemente armado em suas fronteiras e com profundas conex\u00f5es com os curdos da Turquia. Diante desse risco, Erdogan invadiu o norte da S\u00edria e se apropriou do territ\u00f3rio daquele pa\u00eds. Seu principal objetivo era estabelecer um &#8220;cintur\u00e3o de seguran\u00e7a&#8221; separando os territ\u00f3rios curdos da Turquia e da S\u00edria e, assim, isolando os cant\u00f5es curdos da S\u00edria uns dos outros. A opera\u00e7\u00e3o foi finalmente endossada por Donald Trump<a href=\"#_ftn14\" id=\"_ftnref14\">[14]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A Turquia completou sua ofensiva promovendo a forma\u00e7\u00e3o de uma mil\u00edcia s\u00edria a seu servi\u00e7o (o chamado Ex\u00e9rcito Nacional S\u00edrio), que controla esses territ\u00f3rios e nem mesmo parou de atacar os curdos em meio \u00e0 ofensiva de v\u00e1rias for\u00e7as contra Al-Assad<a href=\"#_ftn15\" id=\"_ftnref15\">[15]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todos esses anos, foi formado na S\u00edria o que chamamos de um \u201ccomplexo pol\u00edgono de for\u00e7as&#8221;, tanto pela din\u00e2mica dos setores internos quanto pela interven\u00e7\u00e3o direta ou indireta de pot\u00eancias internacionais e regionais que apoiam algumas dessas for\u00e7as. Um pol\u00edgono de for\u00e7as nas quais, al\u00e9m do conflito central entre o regime de Assad e seus oponentes, outras foram combinadas. No campo anti-Assad, essas for\u00e7as muitas vezes lutavam entre si. O territ\u00f3rio da S\u00edria tornou-se cada vez mais fragmentado. Um mapa produzido pelo ISW (Instituto para o Estudo da Guerra) em 2018 mostra essa fragmenta\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn16\" id=\"_ftnref16\">[16]<\/a>. Uma situa\u00e7\u00e3o que, em outra guerra civil, foi chamada de &#8220;Libaniza\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas mesmo neste quadro complexo, \u00e9 necess\u00e1rio analisar e caracterizar os processos e identificar a continuidade do fio condutor da luta revolucion\u00e1ria para tomar uma posi\u00e7\u00e3o e fazer propostas concretas nos complexos processos que est\u00e3o ocorrendo. Foi o que a LIT-QI fez ao longo de todos esses anos, realizando atividades de apoio p\u00fablico, mesmo em meio \u00e0s dificuldades impostas pela pandemia<a href=\"#_ftn17\" id=\"_ftnref17\">[17]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O triunfo da revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No final de 2024, ocorreu um ponto cr\u00edtico. Por um lado, o regime de Al-Assad estava muito enfraquecido. Sem o apoio das for\u00e7as russas, iranianas e do Hezbollah (concentradas em outros conflitos), sua capacidade militar e seu ex\u00e9rcito come\u00e7aram a &#8220;derreter&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, as for\u00e7as rebeldes iniciaram uma ofensiva militar a partir de Idlib, com uma coluna de 20.000 combatentes, liderada pelo HTS (sigla \u00e1rabe para a Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o do Levante). O ex\u00e9rcito s\u00edrio estava recuando sem combater.<\/p>\n\n\n\n<p>O HTS \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o com ideologia isl\u00e2mica sunita que surgiu no in\u00edcio de 2017 a partir da fus\u00e3o de v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es. Prop\u00f4s-se derrubar o regime de Al-Assad e instalar um governo isl\u00e2mico<a href=\"#_ftn18\" id=\"_ftnref18\">[18]<\/a>. Ganhava cada vez mais peso na luta contra o regime, tanto por sua capacidade militar quanto pelo enfraquecimento das fac\u00e7\u00f5es laicas, duramente perseguidas e reprimidas por Al-Assad, cujos l\u00edderes foram assassinados ou tiveram que se exilar.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma coluna menor deixou a cidade de Deraa, no sul do pa\u00eds (perto da fronteira com a Jord\u00e2nia). Esta cidade afirma ser o &#8220;ber\u00e7o da revolu\u00e7\u00e3o&#8221; porque foi l\u00e1 que ocorreram as primeiras mobiliza\u00e7\u00f5es de massa contra a repress\u00e3o do regime em 2011<a href=\"#_ftn19\" id=\"_ftnref19\">[19]<\/a>. A coluna de Deraa chegou antes a Damasco: <em>&#8220;<\/em><strong><em>&#8216;<\/em><\/strong><strong><em>Os revolucion\u00e1rios de Deraa avan\u00e7aram antes do combinado&#8217;,<\/em><\/strong><em> diz Khaled Joya, ex-presidente da Coaliz\u00e3o Nacional S\u00edria, uma alian\u00e7a de for\u00e7as pol\u00edticas da oposi\u00e7\u00e3o&#8221;.<a href=\"#_ftn20\" id=\"_ftnref20\"><strong>[20]<\/strong><\/a><\/em>&nbsp;O processo se repetiu em outras capitais provinciais do sul do pa\u00eds, como Suweida e Quneitra, onde <em>&#8220;grupos locais se levantaram em armas &#8230; ocuparam a cidade e come\u00e7aram a penetrar nos bairros do sul da capital [Damasco] na noite de s\u00e1bado&#8221;,<\/em> antes que as for\u00e7as do HTS chegassem aos bairros do norte.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo em que as colunas armadas avan\u00e7avam, nos bairros oper\u00e1rios e populares da Grande Damasco, ocorreram levantes que retomaram experi\u00eancias de auto-organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o dadas no in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o. Todas essas mobiliza\u00e7\u00f5es avan\u00e7aram sobre Damasco, tomaram as pris\u00f5es, libertaram milhares de presos pol\u00edticos de Al-Assad e come\u00e7aram a perseguir e retaliar contra os militares do regime (que desesperadamente tiravam seus uniformes e tentavam fugir como podiam) e outros agentes do regime. Esse processo aut\u00f4nomo das massas, t\u00edpico de uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica triunfante, foi t\u00e3o forte que for\u00e7ou o HTS (que n\u00e3o tinha tal pol\u00edtica) a ter que lider\u00e1-lo para centraliz\u00e1-lo e &#8220;disciplin\u00e1-lo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, Bashar Al-Assad renunciou e, com a covardia t\u00edpica de ditadores sanguin\u00e1rios, fugiu do pa\u00eds de avi\u00e3o para Moscou, onde Putin lhe deu asilo pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi o triunfo de uma grande revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, depois de muitos e dur\u00edssimos anos de luta contra o regime ditatorial. Foi emocionante ver as multid\u00f5es que celebraram aquele triunfo na pra\u00e7a principal de Damasco e em muitas outras do pa\u00eds<a href=\"#_ftn21\" id=\"_ftnref21\">[21]<\/a>. A celebra\u00e7\u00e3o foi repetida em v\u00e1rias cidades do mundo, onde vivem migrantes e exilados s\u00edrios, e em v\u00e1rios pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio<a href=\"#_ftn22\" id=\"_ftnref22\">[22]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A celebra\u00e7\u00e3o do povo palestino, em v\u00e1rios lugares, pela queda de um ditador \u00e1rabe que sempre foi inimigo de sua luta \u00e9 muito significativa. Em 2015, atacou e destruiu fortemente o campo de refugiados de Yarmouk, for\u00e7ando a maioria de seus 150.000 habitantes a fugir para outras regi\u00f5es do pa\u00eds. Ap\u00f3s a queda do regime, alguns desses refugiados voltaram para l\u00e1 para tentar reconstruir suas casas<a href=\"#_ftn23\" id=\"_ftnref23\">[23]<\/a>. Ao mesmo tempo, garantiu ao Estado sionista de Israel uma fronteira &#8220;pac\u00edfica e segura&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma alegria que a LIT-QI compartilha com as massas s\u00edrias e palestinas diante do triunfo de uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, que apoiou e defendeu desde seus prim\u00f3rdios. Assim foi expresso na declara\u00e7\u00e3o, que recebeu tantas cr\u00edticas da FT \/ PTS.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dando as costas para as massas<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em sua declara\u00e7\u00e3o sobre a queda de Bashar Al-Assad, esta organiza\u00e7\u00e3o reconhece que <em>&#8220;milhares de s\u00edrios, dentro e fora de suas fronteiras, celebraram&#8230;&#8221;.<\/em> No entanto, imediatamente, acrescenta: <em>&#8220;<strong>Entendemos sua alegria<\/strong> com a queda de um regime odiado e sua esperan\u00e7a de voltar para casa e desfrutar da liberta\u00e7\u00e3o, <strong>ainda que lamentavelmente n\u00e3o possamos compartilh\u00e1-la<\/strong>&#8220;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Qual \u00e9 o principal fator que a FT\/PTS considera para dar as costas \u00e0 alegria das massas pelo que justamente consideram um triunfo de sua luta: o car\u00e1ter das dire\u00e7\u00f5es do processo de luta contra o regime de Al-Assad. Um crit\u00e9rio que j\u00e1 havia usado para qualificar a Guerra Civil S\u00edria, que levou \u00e0 queda da ditadura, como uma <em>&#8220;guerra reacion\u00e1ria&#8221; <\/em>com <em>&#8220;dois lados iguais&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Agora estende esse crit\u00e9rio ao resultado dessa guerra civil: <em>&#8220;As for\u00e7as que derrubaram Al-Assad e tomaram o poder em Damasco s\u00e3o um conjunto heterog\u00eaneo de fac\u00e7\u00f5es isl\u00e2micas e mil\u00edcias apoiadas pela Turquia&#8221;.<\/em> Os processos aut\u00f4nomos das cidades do sul do pa\u00eds e dos bairros da Grande Damasco s\u00e3o analisados com desprezo porque n\u00e3o atingem o n\u00edvel dos shoras (conselhos oper\u00e1rios e populares da revolu\u00e7\u00e3o iraniana de 1979).<\/p>\n\n\n\n<p>Em todas as suas an\u00e1lises sobre o que aconteceu na S\u00edria, a FT\/PT comete um erro t\u00edpico dos sect\u00e1rios dogm\u00e1ticos: caracterizar os processos de luta das massas pelo car\u00e1ter pol\u00edtico-social de suas dire\u00e7\u00f5es e n\u00e3o pelo conte\u00fado objetivo do processo. Este \u00e9 um erro grave, porque a crise da dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria significa que muitos processos de luta (especialmente os de revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas contra ditaduras ou lutas anti-imperialistas contra invas\u00f5es e agress\u00f5es) s\u00e3o liderados por dire\u00e7\u00f5es burguesas e reacion\u00e1rias. No contexto desta profunda contradi\u00e7\u00e3o, n\u00f3s revolucion\u00e1rios devemos saber caracterizar o conte\u00fado objetivo e profundo desta luta e, se for progressista, &#8220;temos um lado&#8221;, intervimos ativamente nela e celebramos quando triunfa.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo contr\u00e1rio, diante dessa contradi\u00e7\u00e3o, a FT\/PTS diz &#8220;obrigado, n\u00e3o fumo, vou esperar um processo de luta sem tantas complica\u00e7\u00f5es&#8221;, e o analisa a partir de seus escrit\u00f3rios. No caso da S\u00edria, eles aprofundaram essa atitude. Sabemos que temos concep\u00e7\u00f5es diferentes diante desse tipo de processo de luta. Podemos at\u00e9 entender que eles caracterizaram que estava &#8220;morto&#8221; entre 2012 e 2014. Mas diante da continuidade da luta e seu triunfo, celebrado pelas massas, seu pedantismo sect\u00e1rio diante dos processos pol\u00edticos reais que as massas est\u00e3o experimentando atinge n\u00edveis incr\u00edveis. Para a FT\/PTS, a luta das massas s\u00edrias e sua vit\u00f3ria foram in\u00fateis por causa do car\u00e1ter da lideran\u00e7a: <em>&#8220;Sua vit\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 um bom press\u00e1gio para a maioria da popula\u00e7\u00e3o s\u00edria&#8221;.<\/em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para n\u00f3s, a queda de Bashar abre uma segunda fase do processo revolucion\u00e1rio s\u00edrio. Um componente central desta segunda fase \u00e9, sem d\u00favida, o car\u00e1ter burgu\u00eas do HTS, que j\u00e1 &#8220;mostrou sua forma&#8221; no curto per\u00edodo do novo governo que conseguiu instalar em Damasco: como todas essas organiza\u00e7\u00f5es isl\u00e2micas que chegam ao poder, querem um lugar &#8220;debaixo do sol&#8221;. Seu objetivo \u00e9 ser aceito pelas pot\u00eancias internacionais e regionais, no \u00e2mbito da manuten\u00e7\u00e3o do capitalismo no pa\u00eds. Por isso, busca rela\u00e7\u00f5es tranquilas com o imperialismo estadunidense, com Turquia, Ir\u00e3, Ar\u00e1bia Saudita, Catar, R\u00fassia e China, na busca de investimentos para &#8220;reconstruir&#8221; o pa\u00eds. Tamb\u00e9m disse que respeitar\u00e1 o cessar-fogo com Israel nas Terras Altas. Por outras palavras, tamb\u00e9m dar\u00e1 as costas ao povo palestino. \u00c9 nesse sentido que este governo <em>&#8220;n\u00e3o prediz nada de bom&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Mas isso \u00e9 apenas parte da realidade. A outra \u00e9 que a queda de Bashar foi o resultado de uma grande luta das massas que, al\u00e9m da coluna controlada pelo HTS, tamb\u00e9m realizaram muitas a\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas. Massas que se sentem fortalecidas por esse triunfo e com a vontade de alcan\u00e7ar suas aspira\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, econ\u00f4mico-sociais e de apoio ao povo palestino.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, abre-se um poss\u00edvel per\u00edodo de luta entre as massas e o governo HTS por essas aspira\u00e7\u00f5es. Uma luta cujos ritmos, din\u00e2micas e m\u00e9todos ter\u00e3o que ser considerados com base na realidade (a evolu\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es, a experi\u00eancia e a consci\u00eancia das massas). Longe de embelezar ou capitular a essa dire\u00e7\u00e3o, a LIT-QI denuncia a pol\u00edtica do novo governo e prop\u00f5e \u00e0s massas s\u00edrias um programa de luta, para que essa luta seja a chama que acende uma nova onda de revolu\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o e de apoio ao povo palestino contra o Estado sionista de Israel. Pode faz\u00ea-lo a partir do respeito que conquistou por seu apoio permanente \u00e0 luta do povo e pelos la\u00e7os que estabeleceu com seus combatentes e exilados. A FT\/PTS, por sua vez, continuar\u00e1 a &#8220;pregar&#8221; de seus escrit\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma estranha coincid\u00eancia<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em um de seus textos, a FT\/PTS cita uma entrevista com Gilbert Achcar, que compartilha suas an\u00e1lises e caracteriza\u00e7\u00f5es sobre o significado da queda de Bashar e as perspectivas para a situa\u00e7\u00e3o s\u00edria: <em>&#8220;<\/em><em>n\u00e3o \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o&#8221;.<a href=\"#_ftn24\" id=\"_ftnref24\"><strong>[24]<\/strong><\/a><\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Gilbert Achcar \u00e9 um professor universit\u00e1rio e intelectual liban\u00eas radicado na Fran\u00e7a. Ele \u00e9 a principal refer\u00eancia em quest\u00f5es relacionadas ao mundo \u00e1rabe da corrente que no movimento trotskista era conhecida como Secretariado Unificado da Quarta Internacional (ou simplesmente SU), cujo principal guia foi por d\u00e9cadas o falecido trotskista belga Ernest Mandel (Mandelismo). Ou seja, o principal expoente do que a FT\/PTS definiu como &#8220;trotskismo de Yalta e Potsdam&#8221;, com o qual era necess\u00e1rio romper para retornar ao &#8220;trotskismo de Trotsky&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos acrescentar que, ap\u00f3s a restaura\u00e7\u00e3o capitalista, apesar de manter o nome de Quarta Internacional, o SU adotou um curso profundamente revisionista cada vez mais \u00e0 direita, abandonou o programa trotskista e a luta pela revolu\u00e7\u00e3o para adotar um programa cada vez mais reformista e pacifista, do qual Gilbert Achcar \u00e9 seu principal expoente no que diz respeito ao mundo \u00e1rabe. Ao longo desses anos, debatemos muitas vezes com seus artigos<a href=\"#_ftn25\" id=\"_ftnref25\">[25]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos examinar mais profundamente essa abordagem. O que caracterizou o setor do trotskismo que a FT\/PTS chama de &#8220;Yalta e Potsdam&#8221; (a linha Pablo-Mandel) foi sua capitula\u00e7\u00e3o ao stalinismo. Na S\u00edria, a maioria da esquerda mundial (derivada do stalinismo ou influenciada por seus crit\u00e9rios de an\u00e1lise da realidade mundial) ficou do lado da ditadura de Bashar al-Assad contra os rebeldes. Uma parte minorit\u00e1ria, como a LIT-QI e outras organiza\u00e7\u00f5es trotskistas, estava no campo militar rebelde (seguindo a orienta\u00e7\u00e3o de Trotsky para a Guerra Civil Espanhola).<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma guerra civil como a da S\u00edria, onde os trotskistas tinham que &#8220;ter um lado&#8221;, adotar uma posi\u00e7\u00e3o &#8220;Nem Assad nem rebeldes&#8221; significa uma capitula\u00e7\u00e3o e uma adapta\u00e7\u00e3o oportunista \u00e0 posi\u00e7\u00e3o do stalinismo. Exatamente a mesma coisa que o &#8220;trotskismo de Yalta e Potsdam&#8221; fez.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, para atacar o morenismo e a LIT-QI, a FT\/PTS n\u00e3o &#8220;fica corada&#8221; utilizando, em seu apoio, suas coincid\u00eancias com a evolu\u00e7\u00e3o degradada dessa corrente. Uma coincid\u00eancia que, na realidade, qualifica a FT\/PTS e a sua evolu\u00e7\u00e3o para a direita nos \u00faltimos anos<a href=\"#_ftn26\" id=\"_ftnref26\">[26]<\/a>.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> <a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/01\/02\/a-queda-de-al-assad-e-uma-vitoria-para-o-povo-sirio-e-para-os-oprimidos-do-mundo\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser\">A queda de Al Assad \u00e9 uma vit\u00f3ria para o povo s\u00edrio e para os oprimidos do mundo! &#8211; Liga Internacional dos TrabalhadoresLiga Internacional dos Trabalhadores<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.laizquierdadiario.com\/La-LIT-CI-ante-la-caida-de-Al-Assad-otro-episodio-de-su-capitulacion-en-Medio-Oriente\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.laizquierdadiario.com\/La-LIT-CI-ante-la-caida-de-Al-Assad-otro-episodio-de-su-capitulacion-en-Medio-Oriente<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Veja, por exemplo, &#8220;O sectarismo mata o conceito de revolu\u00e7\u00e3o&#8221; em <em>Marxism Alive<\/em> \u2013 <em>New Epoch<\/em> No<sup>.<\/sup> 3 (setembro de 2013, (pp. 53-72) em <a href=\"https:\/\/archivoleontrotsky.org\/view?mfn=16154\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/archivoleontrotsky.org\/view?mfn=16154<\/a> e<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-liga-internacional-de-los-trabajadores wp-block-embed-liga-internacional-de-los-trabajadores\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"LIjmAw3q9K\"><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/fraccion-trotskista-pts-del-sectarismo-propagandistico-al-oportunismo-electoralista-parte-i\/\">Fracci\u00f3n Trotskista\/PTS: del sectarismo propagand\u00edstico al oportunismo electoralista [Parte I]<\/a><\/blockquote><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"\u00abFracci\u00f3n Trotskista\/PTS: del sectarismo propagand\u00edstico al oportunismo electoralista [Parte I]\u00bb \u2014 Liga Internacional de los Trabajadores\" src=\"https:\/\/litci.org\/es\/fraccion-trotskista-pts-del-sectarismo-propagandistico-al-oportunismo-electoralista-parte-i\/embed\/#?secret=34pVdOiWcj#?secret=LIjmAw3q9K\" data-secret=\"LIjmAw3q9K\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/trotsky\/revperm\/index.htm<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> https:\/\/ceip.org.ar\/Contra-el-derrotismo-en-Espana<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.laizquierdadiario.com\/La-LIT-CI-ante-la-caida-de-Al-Assad-otro-episodio-de-su-capitulacion-en-Medio-Oriente\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.laizquierdadiario.com\/La-LIT-CI-ante-la-caida-de-Al-Assad-otro-episodio-de-su-capitulacion-en-Medio-Oriente<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> https:\/\/litci.org\/es\/solidaridad-internacional-con-la-revolucion-siria\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/buenos-aires-acto-en-apoyo-a-la-revolucion-siria\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser\">https:\/\/litci.org\/es\/buenos-aires-acto-en-apoyo-a-la-revolucion-siria\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> https:\/\/litci.org\/es\/en-acto-virtual-militantes-y-refugiados-conmemoran-los-diez-anos-de-la-revolucion-siria\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/un-ano-de-califato-en-irak-y-siria\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser\">https:\/\/litci.org\/es\/un-ano-de-califato-en-irak-y-siria\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a> https:\/\/litci.org\/es\/la-victoria-del-pueblo-kurdo-en-kobane\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[12]<\/a> https:\/\/litci.org\/es\/sobre-la-lucha-del-pueblo-kurdo\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\">[13]<\/a> <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/rojava-kurdistan-sirio-las-alianzas-peligrosas-del-pyd\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser\">https:\/\/litci.org\/es\/rojava-kurdistan-sirio-las-alianzas-peligrosas-del-pyd\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\" id=\"_ftn14\">[14]<\/a> https:\/\/litci.org\/es\/repudiamos-el-ataque-del-ejercito-turco-contra-rojava-kurdistan-sirio\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref15\" id=\"_ftn15\">[15]<\/a>https:\/\/www.pucara.org\/post\/el-conflicto-en-siria-trae-m%C3%A1s-actores-turqu%C3%ADa-las-potencias-sunitas-los-intereses-europeos-la-i<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref16\" id=\"_ftn16\">[16]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.understandingwar.org\/project\/control-terrain-syria\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.understandingwar.org\/project\/control-terrain-syria<\/a> e https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/ace\/ws\/640\/cpsprodpb\/6971\/live\/bd85fc50-b7d0-11ef-a0f2-fd81ae5962f4.png.webp<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref17\" id=\"_ftn17\">[17]<\/a> https:\/\/litci.org\/es\/en-acto-virtual-militantes-y-refugiados-conmemoran-los-diez-anos-de-la-revolucion-siria\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref18\" id=\"_ftn18\">[18]<\/a> https:\/\/www.longwarjournal.org\/archives\/2017\/02\/hayat-tahrir-al-sham-leader-calls-for-unity-in-syrian-insurgency.php<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref19\" id=\"_ftn19\">[19]<\/a> https:\/\/www.hrw.org\/news\/2011\/06\/01\/syria-crimes-against-humanity-Deraa<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref20\" id=\"_ftn20\">[20]<\/a> https:\/\/elpais.com\/internacional\/2024-12-08\/los-rebeldes-derriban-el-regimen-de-el-asad-tras-13-anos-de-guerra-y-el-dirigente-huye-de-damasco-en-avion.html<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref21\" id=\"_ftn21\">[21]<\/a> https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=12TUVfiIp5U<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref22\" id=\"_ftn22\">[22]<\/a> https:\/\/www.france24.com\/es\/medio-oriente\/20241208-en-im%C3%A1genes-los-sirios-en-el-mundo-celebran-la-ca%C3%ADda-de-bashar-al-assad<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref23\" id=\"_ftn23\">[23]<\/a> https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Y0SOm8nIGx8<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref24\" id=\"_ftn24\">[24]<\/a> https:\/\/vientosur.info\/el-colapso-del-regimen-de-assad-entrevista-con-gilbert-achcar-sobre-siria\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref25\" id=\"_ftn25\">[25]<\/a> Veja, por exemplo: <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/debate-con-gilbert-achcar-sobre-palestina-piedras-contra-tanques-y-misiles\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser\">https:\/\/litci.org\/es\/debate-con-gilbert-achcar-sobre-palestina-piedras-contra-tanques-y-misiles\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref26\" id=\"_ftn26\">[26]<\/a> https:\/\/litci.org\/es\/fraccion-trotskista-pts-del-sectarismo-propagandistico-al-oportunismo-electoralista-parte-ii\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Alejandro Iturbe Em 8 de dezembro, ap\u00f3s uma longa e sangrenta guerra civil, o povo s\u00edrio derrubou o sangrento regime ditatorial de Bashar Al-Assad, que estava no poder h\u00e1 25 anos. Em um comunicado, a LIT-QI definiu este evento como uma grande vit\u00f3ria das massas s\u00edrias[1]. 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