{"id":80294,"date":"2025-01-21T21:11:52","date_gmt":"2025-01-21T21:11:52","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=80294"},"modified":"2025-01-21T21:59:02","modified_gmt":"2025-01-21T21:59:02","slug":"uma-analise-do-situacao-mundial-do-capitalismo-neste-seculo-a-partir-das-suas-maiores-empesas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/01\/21\/uma-analise-do-situacao-mundial-do-capitalismo-neste-seculo-a-partir-das-suas-maiores-empesas\/","title":{"rendered":"Uma an\u00e1lise do situa\u00e7\u00e3o mundial do capitalismo neste s\u00e9culo a partir das suas maiores empresas"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: ILAESE <\/p>\n\n\n\n<p>Apresenta\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Estudo realizado pelo ILAESE (Instituto Latino Americano de Estudos Socioecon\u00f4micos) em parceria com o Partido Socialista dos Trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os dados foram retirados de fontes oficiais devidamente indicadas em cada caso.<\/p>\n\n\n\n<p>CRIT\u00c9RIOS UTILIZADOS NA BASE DE DADOS DO ILAESE<\/p>\n\n\n\n<p>O presente estudo baseia-se, principalmente, em uma base de dados constru\u00edda pelo ILAESE nos \u00faltimos anos. A metodologia utilizada foi discutida em um artigo a parte. Aqui, apresentamos os primeiros resultados, ainda provis\u00f3rios e inacabados.<\/p>\n\n\n\n<p>A base de dados em quest\u00e3o abarca cerca de 500 empresas, listadas no anexo ao final deste Estudo por setor e por pa\u00eds de origem do capital. Em cada uma dessas empresas, foram preenchidas dados detalhados, possibilitando, at\u00e9 certo ponto, a aplica\u00e7\u00e3o de uma metodologia de an\u00e1lise marxista. Os dados e todas as empresas abarcam uma s\u00e9rie hist\u00f3rica de mais de 20 anos, exceto aquelas que surgiram ou adquiriram uma maior dimens\u00e3o em algum momento dentro dessa circunscri\u00e7\u00e3o temporal. Trata-se de uma sele\u00e7\u00e3o de empresas cujos crit\u00e9rios de escolha foram qualitativos. Esses crit\u00e9rios s\u00e3o os seguintes:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2714 Para cada um dos subsetores preenchidos, foram selecionadas todas as empresas com dados divulgados com patamar de receitas anuais at\u00e9, pelo menos, 20 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Os subsetores considerados foram os seguintes:<\/p>\n\n\n\n<p>IND\u00daSTRIA EXTRATIVA: petrol\u00edfera, extrativa mineral, agropecu\u00e1ria<\/p>\n\n\n\n<p>MEIOS DE PRODU\u00c7\u00c3O: transporte, telecomunica\u00e7\u00f5es, siderurgia e metalurgia, qu\u00edmica e petroqu\u00edmica, insumos diversos, energia, eletr\u00f4nicos de ponta (semicondutores, baterias, equipamentos de telecomunica\u00e7\u00f5es), ind\u00fastria de constru\u00e7\u00e3o, m\u00e1quinas e equipamentos, insumos aeroespaciais.<\/p>\n\n\n\n<p>BENS DE CONSUMO FINAL: t\u00eaxtil, ind\u00fastria digital, eletr\u00f4nicos de ponta, farmac\u00eautica, eletr\u00f4nicos tradicionais, consumo gerais, autoind\u00fastria, artigos de luxo, alimentos, aeroespacial.<\/p>\n\n\n\n<p>SERVI\u00c7OS: transporte, comunica\u00e7\u00e3o, servi\u00e7os gerais, servi\u00e7os de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>CAPITAL COMERCIAL: e-commerce, varejo e atacado.<\/p>\n\n\n\n<p>CAPITAL PORTADOR DE JUROS: bancos, demais servi\u00e7os financeiros n\u00e3o banc\u00e1rios (seguros, grupos de investimento etc.).<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns setores foram eleitos como priorit\u00e1rios de modo que, nesses casos, temos um total adicional de empresas para al\u00e9m do patamar m\u00ednimo de receita total anual indicado. Isso foi feito em fun\u00e7\u00e3o do peso desses setores na economia capitalista em seu conjunto ou por refletirem novos ramos de produ\u00e7\u00e3o que se tornaram dominantes nas \u00faltimas d\u00e9cadas. S\u00e3o eles: petrol\u00edfero, qu\u00edmico e petroqu\u00edmico, eletroeletr\u00f4nicos (dividido em tr\u00eas setores), autoind\u00fastria. O setor petrol\u00edfero \u00e9 de longe o mais expressivo entre todos os extrativos e o qu\u00edmico e petroqu\u00edmico entre aqueles que integram a ind\u00fastria de base. J\u00e1 a autoind\u00fastria e o eletroeletr\u00f4nico foram priorizados por serem os setores de mercadorias manufaturadas dominantes no \u00faltimo per\u00edodo hist\u00f3rico, passando da autoind\u00fastria e eletr\u00f4nicos tradicionais para o que denominamos eletr\u00f4nicos de ponta. Ressaltamos que, em nossa avalia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foi necess\u00e1rio fazer do setor da ind\u00fastria digital priorit\u00e1rio, devido o elevado grau de monop\u00f3lio verificado nesse setor, de modo que as empresas consideradas j\u00e1 abarcam uma fra\u00e7\u00e3o relevante do capital nele aplicado. \u2714 Com o objetivo de capturar com maior precis\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es sociais envolvidas, empresas ligadas a um mesmo ramo de produ\u00e7\u00e3o do ponto de vista do produto ou da atividade realizada foram classificadas em distintos setores. Por exemplo, o transporte de pessoas foi classificado como servi\u00e7o (capital improdutivo) e o transporte de mercadorias como meios de produ\u00e7\u00e3o (capital produtivo). Os setores eletroeletr\u00f4nico e aeoroespacial est\u00e3o presentes tanto no setor de meios de produ\u00e7\u00e3o, como no setor de bens de consumo final conforme a natureza predominante dos compradores de seus produtos: empresas ou pessoas. Alguns setores tamb\u00e9m foram divididos em categorias distintas com o objetivo de capturar novos ramos de produ\u00e7\u00e3o ou ramos que passam por uma revolu\u00e7\u00e3o na t\u00e9cnica utilizada ou na natureza do produto. Al\u00e9m dos j\u00e1 mencionados eletr\u00f4nicos de ponta e tradicionais, a atividade comercial tamb\u00e9m foi dividida em com\u00e9rcio tradicional (varejo e atacado) e E-Commerce. Em alguns casos, como o setor automobil\u00edstico, n\u00e3o aplicamos o mesmo crit\u00e9rio, pois o desenvolvimento de carros el\u00e9tricos e h\u00edbridos veem se expandindo na quase totalidade das empresas consideradas.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o objetivo da base \u00e9 avaliar o desenvolvimento hist\u00f3rico do capitalismo, tamb\u00e9m foram adicionadas empresas em franca decad\u00eancia, mas que tinham grande impacto 10 ou 20 anos antes. Caso consider\u00e1ssemos apenas as maiores empresas nos \u00faltimos anos, o valor agregado da base poderia produzir uma falsa tend\u00eancia de crescimento. Por esse mesmo motivo, a base tamb\u00e9m contempla empresas que, nesse per\u00edodo, quebraram ou foram incorporadas por outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Procurou-se contemplar, com igual peso, as empresas chinesas, japonesas, coreanas etc. cujos dados s\u00e3o pouco acess\u00edveis nos sites especializados ocidentais, comumente ligados as bolsas de valores europeias e dos Estados Unidos. O esfor\u00e7o \u00e9 de que essa sele\u00e7\u00e3o expresse adequadamente a divis\u00e3o internacional do trabalho entre os pa\u00edses at\u00e9 o patamar de receita considerado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados considerados para cada empresa individual foram os seguintes: total deativos, total de ativos fixos, patrim\u00f4nio l\u00edquido, receita l\u00edquida, custos de produ\u00e7\u00e3o, lucro operacional, lucro l\u00edquido, impostos que incidem sobre o lucro, a soma de receitas e despesas financeiras, os dividendos, o total de trabalhadores diretos empregados, a massa salarial desses trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Para possibilitar a compara\u00e7\u00e3o entre as distintas empresas, sediadas em distintos pa\u00edses com base em suas respectivas moedas, adotamos o seguinte procedimento. Os dados foram todos catalogados com base nas moedas dos pa\u00edses sedes. Na totaliza\u00e7\u00e3o dos dados, contudo, eles foram todos convertidos para o d\u00f3lar, seguindo a cota\u00e7\u00e3o m\u00e9dia anual com o m\u00e1ximo de casas decimais dispon\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>A base possui ainda os seguintes limites:<\/p>\n\n\n\n<p>Com algumas raras exce\u00e7\u00f5es, apenas empresas de capital aberto foram consideradas, pois somente elas possuem dados divulgados segundo um padr\u00e3o preestabelecido e suficientemente amplo tendo em vista nossos crit\u00e9rios. Esse limite \u00e9 relevante, mas n\u00e3o obstaculiza a tarefa aqui proposta, pois a maior parte das grandes empresas mundiais s\u00e3o de capital aberto. O \u00fanico setor fortemente prejudicado em fun\u00e7\u00e3o desse limite foi o agropecu\u00e1rio, cuja quase totalidade das empresas s\u00e3o de capital fechado. \u2714 Na China, temos algumas grandes empresas cuja matriz \u00e9 uma empresa estatal de capital fechado, sendo as subsidi\u00e1rias empresas de capital aberto. Nesses casos, apenas conseguimos contemplar essas empresas por meio da inclus\u00e3o de algumas de suas maiores subsidi\u00e1rias, o que, em alguns casos, abarcam a maior parte do capital da matriz, mas em outros n\u00e3o. Por esse motivo, de todos pa\u00edses considerados, a China \u00e9 sem d\u00favida alguma o mais sub-representado. Mesmo assim, estamos seguros de que a posi\u00e7\u00e3o da China nas an\u00e1lises que se seguem n\u00e3o foi bruscamente afetada. A maior parte do capital de origem chinesa foi contemplado.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem todas as empresas divulgam a informa\u00e7\u00e3o chave da massa salarial dos seus trabalhadores. Esses dados comumente s\u00e3o divulgados pelas empresas do setor banc\u00e1rio, por aquelas de origem europeia, da Am\u00e9rica Latina, contingentemente pelas empresas chinesas e ocasionalmente pelas japonesas. Com exce\u00e7\u00e3o do setor banc\u00e1rio (cuja massa salarial \u00e9 um custo expressivo demais para ser ignorado), essa informa\u00e7\u00e3o chave quase nunca \u00e9 divulgada pelas empresas dos Estados Unidos, da Coreia do Sul e Jap\u00e3o. Em fun\u00e7\u00e3o disso, ajustamos os dados de modo que, em sua totaliza\u00e7\u00e3o, quando a massa salarial \u00e9 relevante, s\u00e3o consideradas apenas os dados das empresas que o divulgaram. \u00c9 importante destacar que esse limite, embora relevante, n\u00e3o obstaculiza an\u00e1lises gerais envolvendo a massa salarial e a remunera\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, pois estamos a falar de empresas globais que, regra geral, atuam em todo o mundo. Por exemplo, a massa salarial da empresa alem\u00e3 Volks n\u00e3o reflete exatamente um vi\u00e9s salarial alem\u00e3o, uma vez que ela est\u00e1 instalada no mundo inteiro e a remunera\u00e7\u00e3o dos trabalhadores da Volks em cada pa\u00eds reflete suas condi\u00e7\u00f5es locais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados foram preenchidos a partir do ano de 2001, no entanto, para muitasempresas, obtemos os dados apenas a partir de 2004. Por esse motivo, quando o que estiver em quest\u00e3o for \u00edndices percentuais e relativos, tomaremos 2001 como refer\u00eancia; quando se tratar de evolu\u00e7\u00f5es nominais e absolutas, tomamos 2004 como refer\u00eancias. Para n\u00e3o distorcer as an\u00e1lises, empresas de grande porte cujo capital foi aberto apenas no per\u00edodo recente, como a Saudi Aramco, presentes em nossa base de dados, n\u00e3o foram consideradas. Fosse esse o caso, em todos os \u00edndices, ter\u00edamos um vi\u00e9s colocado a partir da inser\u00e7\u00e3o dessas empresas n\u00e3o por uma mudan\u00e7a na economia mundial, mas pela abertura de seu capital e, consequentemente, a publica\u00e7\u00e3o de seus dados.<\/p>\n\n\n\n<p>A adi\u00e7\u00e3o de novas empresas na base de dados no futuro \u00e9 uma tarefa importante, mas julgamos que a amostragem que atualmente dispomos \u00e9 significativa e j\u00e1 possibilita as primeiras an\u00e1lises. Devido a enorme concentra\u00e7\u00e3o do capital, associado ao fato de que j\u00e1 inclu\u00edmos as maiores empresas de cada subsetor, a adi\u00e7\u00e3o de outras 500 empresas na base, por exemplo, elevaria&nbsp; o patamar de receitas que ela reflete em torno de 30%, talvez menos.<\/p>\n\n\n\n<p>As 500 empresas consideradas representam um total de ativos (patrim\u00f4nio bruto) de 115 trilh\u00f5es de d\u00f3lares (superior ao PIB anual mundial), uma receita l\u00edquida de 30,5 trilh\u00f5es de d\u00f3lares, um lucro bruto de 9,3 trilh\u00f5es de d\u00f3lares e uma massa de trabalhadores (diretos) de 57,6 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>FONTES: No preenchimento dos dados de todas essas 500 empresas foram utilizadas:<\/p>\n\n\n\n<p>Fontes prim\u00e1rias, isto \u00e9, os demonstrativos financeiros dispon\u00edveis nos sites das respectivasempresas.<\/p>\n\n\n\n<p>Bases de dados que re\u00fanem essas fontes prim\u00e1rias, com particular destaque o site: annualreports.com, uma dos principais reposit\u00f3rios de demonstrativos econ\u00f4micos das empresas do mundo, sobretudo \u00e0s ocidentais. Temos ainda a base de dados chinesa webb-site.com, que re\u00fane os relat\u00f3rios da maior parte das empresas chinesas de capital aberto.<\/p>\n\n\n\n<p>Utilizamos ainda fontes secund\u00e1rias. Sites confi\u00e1veis que j\u00e1 re\u00fanem os dados anuais dasempresas em uma s\u00e9rie hist\u00f3rica consider\u00e1vel. Os principais s\u00e3o: finbox.com, investcroc.com, stockanalysis.com, theglobeandmail.com e ariva.de.<\/p>\n\n\n\n<p>A REPRODU\u00c7\u00c3O AMPLIADA DO CAPITAL<\/p>\n\n\n\n<p>Neste cap\u00edtulo introdut\u00f3rio, consideramos todas as empresas da base de dados do ILAESE e analisamos, principalmente, o processo de expans\u00e3o do capital desde 2004, a evolu\u00e7\u00e3o da taxa de explora\u00e7\u00e3o e de mais-valia (mas n\u00e3o ainda a evolu\u00e7\u00e3o da taxa m\u00e9dia de lucro), bem como a concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o do capital.<\/p>\n\n\n\n<p>1. Uma longa estagna\u00e7\u00e3o do capital a n\u00edvel mundial: exceto a China<\/p>\n\n\n\n<p>Iniciamos pela apresenta\u00e7\u00e3o da receita l\u00edquida e lucro operacional agregados das cerca de 500 empresas consideradas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"515\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Ilaese-1-1024x515.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80295\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Ilaese-1-1024x515.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Ilaese-1-300x151.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Ilaese-1-768x386.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Ilaese-1-1536x773.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Ilaese-1-2048x1030.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Esses dados refletem claramente, as tr\u00eas principais crises econ\u00f4micas dos \u00faltimos 20 anos:<\/p>\n\n\n\n<p>Crise dos econ\u00f4mica de 2008: uma das maiores crises econ\u00f4micas globais desde a Grande Depress\u00e3o de 1929. Ela se iniciou no mercado de hipotecas subprime nos Estados Unidos, em que a inadimpl\u00eancia em massa nesse mercado criou uma bolha imobili\u00e1ria que se alastrou por todos demais setores.<\/p>\n\n\n\n<p>Crise dos pre\u00e7os das commodities (2014-2016): O colapso dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo e outras commodities afetou duramente economias dependentes de exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Crise econ\u00f4mica causada pela pandemia de COVID-19 (2020): A pandemia desencadeou uma das maiores crises econ\u00f4micas globais da hist\u00f3ria recente. Quedas significativas na produ\u00e7\u00e3o global, aumento do desemprego e interrup\u00e7\u00f5es nas cadeias de suprimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tomando esses dados de forma unilateral parece que, a parte esses momentos de crise, a tend\u00eancia geral foi de expans\u00e3o do capital e sua reprodu\u00e7\u00e3o em escala ampliada, j\u00e1 que o patamar de acumula\u00e7\u00e3o (em termos da receita l\u00edquida das maiores empresas) saltou de 11,8 trilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2004 para 18,4 trilh\u00f5es em 2008 e do patamar de 20 trilh\u00f5es para mais de 30 trilh\u00f5es de d\u00f3lares nos \u00faltimos dois anos. Ledo engano.<\/p>\n\n\n\n<p>O que tivemos, na verdade, foi uma desvaloriza\u00e7\u00e3o geral das moedas, incluindo o d\u00f3lar, manifesta por meio de infla\u00e7\u00f5es desenfreadas, mesmo nos Estados Unidos. Sobretudo nos \u00faltimos anos. Ap\u00f3s a pandemia, o mundo enfrentou uma infla\u00e7\u00e3o crescente devido a interrup\u00e7\u00f5es nas cadeias de suprimento, aumentos nos pre\u00e7os da energia e dos alimentos, al\u00e9m do impacto da guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia. O salto nas receitas das empresas, portando, \u00e9 ilus\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O que cresceu foi apenas a express\u00e3o da riqueza em dinheiro, n\u00e3o o conte\u00fado dessa riqueza. Por isso, na an\u00e1lise da expans\u00e3o dessas empresas, os valores nominais medidos em d\u00f3lar foram ajustados por um \u00edndice que criamos a partir da multiplica\u00e7\u00e3o de dois outros \u00edndices j\u00e1 existentes:<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00edndice anual de pre\u00e7os ao consumidor ou Consumer Price Index (CPI) dos Estados Unidos medidos pelo Bureau of Labor Statistics (BLS) desde 1913.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00edndice Nominal Broad U.S. Dollar Index (DTWEXBGS) medido pelo Federal Reserve Bank desde 2006. Esse \u00edndice mede a valoriza\u00e7\u00e3o ou desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar com base em uma cesta de 26 moedas nacionais, considerando o peso dessas moedas no mercado internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>A multiplica\u00e7\u00e3o desses dois \u00edndices, fornece-nos um outro que permite capturar o valor do d\u00f3lar em rela\u00e7\u00e3o as mercadorias no interior do mercado dos Estados Unidos e, em seguida, contrabalancear esse valor em rela\u00e7\u00e3o as principais moedas mundiais contrabalanceada por seus pesos no mercado mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esse ajuste, a evolu\u00e7\u00e3o das receitas de todas as empresas consideradas \u00e9 a seguinte:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"535\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Ilaese-2-1024x535.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80296\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Ilaese-2-1024x535.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Ilaese-2-300x157.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Ilaese-2-768x401.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Ilaese-2-1536x803.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Ilaese-2-2048x1070.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Com esses crit\u00e9rios, vemos que houve uma expans\u00e3o do capital no per\u00edodo anterior a crise de 2008 e&nbsp; no per\u00edodo imediatamente posterior a ela, cujo pico foi o ano de 2011. Desde ent\u00e3o, temos uma estagna\u00e7\u00e3o e mesmo uma recess\u00e3o prolongada do capital a n\u00edvel mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, devemos considerar esses dados com alguma reserva. O \u00edndice que propormos, ao considerar a infla\u00e7\u00e3o apenas nos Estados Unidos e ajust\u00e1-la, em seguida, com base no c\u00e2mbio do d\u00f3lar em rela\u00e7\u00e3o a uma cesta de outras moedas, reflete de modo apenas indireto a infla\u00e7\u00e3o nos demais pa\u00edses. Nesse \u00edndice, a desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar no per\u00edodo recente somando a infla\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos pode ampliar os efeitos inflacion\u00e1rios reais nos demais pa\u00edses, na medida que os dados de todas empresas foram convertidos para a moeda americana.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma outra forma de mensurarmos, n\u00e3o a receita, mas o total do valor adicionado pelas empresas \u00e9 por meio da evolu\u00e7\u00e3o do total de trabalhadores por elas empregados. Ainda que os trabalhadores agreguem valor ao produto de forma desigual em fun\u00e7\u00e3o da qualifica\u00e7\u00e3o, o total de trabalhadores postos em movimento expressa o valor total produzido de forma muito mais precisa do que qualquer unidade monet\u00e1ria, pois o valor \u00e9 em fun\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho despendido, o verdadeiro conte\u00fado refletido indiretamente no dinheiro<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esse crit\u00e9rio, apresentamos a evolu\u00e7\u00e3o do total de trabalhadores empregados em todas empresas consideradas. Mas n\u00e3o somente. Dividimos esses trabalhadores em dois grandes setores: capital produtivo e improdutivo. O setor do capital produtivo abarca todas empresas produtoras de mercadorias e, assim, produtoras de riqueza e valor. O capital improdutivo engloba todas demais atividades que se apropriam do valor produzido, mas n\u00e3o o produz, tais como as empresas integrantes do capital banc\u00e1rio, comercial, financeiro e servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> \u00c9 sempre importante lembrar que as oscila\u00e7\u00f5es e evolu\u00e7\u00e3o na produtividade do trabalho n\u00e3o muda o montante de valor que cada trabalhador agrega ao produto. A produtividade eleva a quantidade de valores de uso que o trabalhador produz por unidade de tempo, mas n\u00e3o a quantidade de valor. 8 horas de trabalho socialmente m\u00e9dio, valem sempre 8 horas de trabalho socialmente m\u00e9dio. O impacto da evolu\u00e7\u00e3o na produtividade do trabalho, portanto, manifesta-se na redu\u00e7\u00e3o do total de trabalhadores empregados. O que pode distorcer esse dado, portanto, \u00e9 apenas as oscila\u00e7\u00f5es na qualifica\u00e7\u00e3o do trabalho, pois trabalhos de maior qualifica\u00e7\u00e3o agregam mais valor.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"473\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem3-1024x473.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80297\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem3-1024x473.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem3-300x139.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem3-768x355.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem3-1536x710.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem3-2048x947.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Com esses crit\u00e9rios, confirma-se o quadro de estagna\u00e7\u00e3o desde os primeiros anos ap\u00f3s a crise de 2008. No curto per\u00edodo entre 2004 e 2008 houve um crescimento do total de trabalhadores empregados por esse grupo selecionado de empresas de 26,04%. Essa varia\u00e7\u00e3o est\u00e1 no mesmo patamar da varia\u00e7\u00e3o de 32,8% verificada nos 15 anos seguintes: entre 2008 e 2023. Quando consideramos apenas as empresas integrantes do capital produtivo, notamos que, entre<\/p>\n\n\n\n<p>2004 e 2013, o total de trabalhadores empregados no setor produtivo saltou de 23,3 milh\u00f5es para 33,08 milh\u00f5es: um crescimento de 41,7%,. J\u00e1 entre 2014 e 2023 esse montante passou de 34,5 milh\u00f5es para 37,56 milh\u00f5es de trabalhadores empregados no setor. Um crescimento de apenas 8,8% em mais de 10 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esse crit\u00e9rio, a estagna\u00e7\u00e3o prolongada do capitalismo mundial se desloca para, aproximadamente, 2014. Uma estagna\u00e7\u00e3o que j\u00e1 dura 10 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Um adiantamento, contudo, deve ser feito aqui. Quando examinamos mais de perto a composi\u00e7\u00e3o desses trabalhadores que integram o capital produtivo, vemos que a quase totalidade do t\u00edmido crescimento verificado no per\u00edodo mais recente do total de trabalhadores empregados e, assim, tamb\u00e9m da massa de valor produzido, deve-se exclusivamente as empresas chinesas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o que indicamos a seguir, quando indicamos o total de trabalhadores empregados nas empresas que comp\u00f5em o capital produtivo, divididos em empresas chinesas e as do resto do mundo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"377\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem4-1024x377.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80298\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem4-1024x377.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem4-300x110.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem4-768x282.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem4-1536x565.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem4-2048x753.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Destacamos que n\u00e3o estamos a falar do capital empregado na China, mas das empresas chinesas, cada vez mais presentes em todo o mundo. Desde 2012, o total de trabalhadores empregados no setor do capital produtivo mundial, excetuando a China, avan\u00e7ou em apenas 1,5 milh\u00f5es de postos de trabalho, o que corresponde a apenas 5,82%. Entre 2018 e 2023 h\u00e1 uma estagna\u00e7\u00e3o quase absoluta, com um crescimento de apenas 0,37%. J\u00e1 nas empresas chinesas avan\u00e7aram cerca de 3 milh\u00f5es de postos de trabalho desde 2012: um crescimento de 48,09%.<\/p>\n\n\n\n<p>Conclus\u00e3o: pela an\u00e1lise precedente, conclu\u00edmos que, nestes \u00faltimos 10 anos ou mais, o grande capital apenas se expandiu ou conseguiu se reproduzir em escala ampliada nas empresas chinesas, estando estagnado a n\u00edvel mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>2. Concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o do capital<\/p>\n\n\n\n<p>Se n\u00e3o h\u00e1 um processo significativo de concentra\u00e7\u00e3o de capital fora da China nos \u00faltimo 10 anos, isto \u00e9, de reprodu\u00e7\u00e3o em escala ampliada, cabe analisar se h\u00e1 centraliza\u00e7\u00e3o de capital. A concentra\u00e7\u00e3o de capital ocorre quando as empresas crescem elevando a sua escala de produ\u00e7\u00e3o. J\u00e1 na centraliza\u00e7\u00e3o, o que temos \u00e9 o crescimento das maiores empresas por meio da incorpora\u00e7\u00e3o de outras empresas menores ou em crise. Se a concentra\u00e7\u00e3o resulta de uma eleva\u00e7\u00e3o da escala de produ\u00e7\u00e3o, na centraliza\u00e7\u00e3o o que temos \u00e9 o uso do capital excedente, sobretudo por parte das maiores empresas, para a compra de empresas menores, muitas vezes assoladas por crises e na imin\u00eancia da fal\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Comecemos comprando a receita l\u00edquida de todas empresas listadas com o PIB mundial entre 2004 e 2023.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"946\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem5-1024x946.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80299\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem5-1024x946.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem5-300x277.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem5-768x709.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem5-1536x1418.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem5.png 1984w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fonte: Dados macroecon\u00f4micos globais fora extra\u00eddos de: https:\/\/databank.worldbank.org\/source\/worlddevelopment-indicators<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Por esses dados, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel notar um padr\u00e3o claro nem sequer de concentra\u00e7\u00e3o do capital. Como a receita l\u00edquida das empresas inclui os custos de produ\u00e7\u00e3o \u2013 valores, portanto, produzidos por outras empresas, incluindo aquelas que n\u00e3o se encontram na base de dados \u2013 o percentual real do valor criado pelas 500 maiores empresas do mundo \u00e9 bem menor que o indicado acima, sugerindo que o capital n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o concentrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso ocorre porque o PIB \u00e9 permeado por dupla contabilidade, como indicamos em um artigo metodol\u00f3gico do ILAESE ainda por ser publicado. Empresas produtoras de valor e capital s\u00e3o somadas, ou agregadas, conjuntamente com outras que apenas se apropriam de uma fra\u00e7\u00e3o do valor produzido. Para uma medida mais precisa, devemos comparar o PIB industrial mundial com a soma das receitas l\u00edquidas das empresas que integral o capital produtivo. Feito isso, o resultado \u00e9 o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"373\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem6-1024x373.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80300\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem6-1024x373.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem6-300x109.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem6-768x280.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem6-1536x560.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem6.png 1991w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023<\/p>\n\n\n\n<p>Agora sim, \u00e9 poss\u00edvel notar a enorme concentra\u00e7\u00e3o do capital existente. Por mais que existam trocas entre as cerca de 500 empresas que comp\u00f5em a base de dados do ILAESE, toda suas respectivas receitas s\u00e3o por elas direta ou indiretamente controladas. A soma da receita l\u00edquida dessas 500 empresas do capital produtivo representam cerca de 80% do PIB industrial mundial. Mas ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel notar um padr\u00e3o claro de centraliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O motivo \u00e9 o seguinte. Se atentarmos bem a esses dados, suas oscila\u00e7\u00f5es seguem de perto a alavancagem dos pre\u00e7os das commodities, sobretudo o petr\u00f3leo e os diversos tipos de min\u00e9rios. A mera soma de suas receitas reflete as oscila\u00e7\u00f5es dos pre\u00e7os dos produtos sujeitos \u00e0 renda diferencial. Nesse caso, como em todos os outros no modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, o dinheiro \u00e9 a \u00fanica forma de medir o valor correspondente a riqueza produzida. No entanto, na medida em que a forma e a subst\u00e2ncia do valor se separam, o dinheiro sempre ser\u00e1 uma m\u00e9trica imprecisa e em constante descompasso com seu pr\u00f3prio conte\u00fado.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o objetivo de minorarmos esses descompassos, retiramos todas as empresas que integram o setor extrativo dessa contabilidade2.&nbsp; Os resultados obtidos s\u00e3o os seguintes:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"396\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem7-1024x396.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80301\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem7-1024x396.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem7-300x116.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem7-768x297.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem7-1536x594.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem7.png 1995w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>2 Sobre esse crit\u00e9rio, tamb\u00e9m trataremos no artigo metodol\u00f3gico do ILAESE ainda por ser publicado. Cabe aqui comentar que, certamente, as empresas do setor extrativo agregam valor, mas n\u00e3o na propor\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o de suas respectivas mercadorias. O que torna poss\u00edvel a renda diferencial \u00e9 a transfer\u00eancia de valor entre os diversos ramos de produ\u00e7\u00e3o, possibilitando \u00e0quele ramo que extrai renda diferencial se apropriar de uma fra\u00e7\u00e3o do valor excedente dos demais ramos. Isso se d\u00e1 por meio da eleva\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o de suas respectivas mercadorias em rela\u00e7\u00e3o as demais. Essa altera\u00e7\u00e3o na forma de valor ou no pre\u00e7o das mercadorias submetidas a renda diferencial, portanto, n\u00e3o expressam a eleva\u00e7\u00e3o do montante total de valor produzido pela sociedade, mas apenas a transfer\u00eancia de riqueza dos demais ramos para esse setor. Como o que objetivamos encontrar, aqui, n\u00e3o \u00e9 tanto o valor absoluto correspondente ao capital produzido por essas empresas, mas o seu movimento em rela\u00e7\u00e3o as demais empresas de menor porte de modo a se verificar ou n\u00e3o a exist\u00eancia de um processo de centraliza\u00e7\u00e3o do capital, a retirada do setor extrativo dessa contabilidade \u00e9 n\u00e3o apenas adequada, como necess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora sim, \u00e9 poss\u00edvel notar n\u00e3o apenas o enorme patamar de concentra\u00e7\u00e3o do capital em todo o mundo, mas tamb\u00e9m sua centraliza\u00e7\u00e3o crescente.<\/p>\n\n\n\n<p>As empresas que integram o capital produtivo na lista das cerca de 500 maiores do mundo por n\u00f3s mapeadas, retirando o setor extrativo, oscilaram de um patamar de receita l\u00edquida que passou de 58% para o patamar de 64-5% do PIB industrial mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos prosseguir em nossa an\u00e1lise, analisando a composi\u00e7\u00e3o interna desse capital concentrado e cada vez mais centralizado a escala mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>3. A composi\u00e7\u00e3o interna do capital em n\u00edvel mundial<\/p>\n\n\n\n<p>Apresentamos, a seguir, a composi\u00e7\u00e3o interna do capital expresso nas cerca de 500 empresas analisadas. Nessa divis\u00e3o, infelizmente, n\u00e3o dispomos da massa salarial dos trabalhadores de todas as empresas, motivo pelo qual fomos obrigados a deix\u00e1-los na categoria abstrata de custos de produ\u00e7\u00e3o. Esses custos foram divididos em custos de produ\u00e7\u00e3o e custos improdutivos de produ\u00e7\u00e3o. Os custos de produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o aqueles custos em atividades diretamente ligadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o ou a opera\u00e7\u00e3o correspondente a atividade fim das respectivas empresas. Os custos improdutivos de produ\u00e7\u00e3o ou custos de circula\u00e7\u00e3o s\u00e3o aqueles destinados \u00e0s atividades necess\u00e1rias, mas n\u00e3o relacionadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, como custos com administra\u00e7\u00e3o, vendas, pesquisa e desenvolvimento etc. A seguir, indicamos a mais-valia global e sua divis\u00e3o em impostos diretos, juros pagos ou recebidos, al\u00e9m do lucro retido pelas respectivas empresas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"896\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-8-896x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80302\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-8-896x1024.png 896w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-8-263x300.png 263w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-8-768x878.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-8-1344x1536.png 1344w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-8.png 1400w\" sizes=\"auto, (max-width: 896px) 100vw, 896px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Desses dados, temos algumas conclus\u00f5es relevantes:<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o houve uma redu\u00e7\u00e3o percentual da mais-valia global extra\u00edda das empresas, mas um crescimento, ainda que t\u00edmido. A mais-valia oscilou entre 9,5% e 13% da receita l\u00edquida das empresas, sendo que o maior percentual verificado foi em 2006: 13,5%, pr\u00f3ximo dos 12,14% verificados em 2023. Era de se esperar um avan\u00e7o do capital constante, no entanto, isso n\u00e3o ocorreu. Os motivos ser\u00e3o examinados no terceiro cap\u00edtulo deste estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel notar uma tend\u00eancia clara na correla\u00e7\u00e3o entre custos de produ\u00e7\u00e3o e custos de circula\u00e7\u00e3o. Ambos parecem oscilar em torno do mesmo patamar, o que pode significa uma evolu\u00e7\u00e3o da produtividade do trabalho similar em ambos os casos.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma not\u00f3ria tend\u00eancia de queda dos impostos diretos: a divis\u00e3o do lucro dos capitalistas com o Estado. Como no per\u00edodo em quest\u00e3o, n\u00e3o houve redu\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria mundial, mas seu crescimento, esses dados parecem apontar para um crescimento mundial dos impostos indiretos, que recaem sobre a classe trabalhadora e s\u00e3o computados nos relat\u00f3rios das empresas antes do c\u00e1lculo da receita l\u00edquida.<\/p>\n\n\n\n<p>O percentual relativos aos juros, nessa an\u00e1lise, referem-se tanto aos juros pagos, como aos juros recebidos pelas empresas em transa\u00e7\u00f5es financeiras com seu excedente dos anos anteriores. Esse juros recebido \u00e9 um claro fator que aponta para a financeiriza\u00e7\u00e3o dessas empresas, as quais obt\u00eam divisas oriundas de aplica\u00e7\u00f5es em outros neg\u00f3cios, tais como a\u00e7\u00f5es, t\u00edtulos de d\u00edvida etc. Como podemos notar, o percentual dos juros pagos na mais-valia global \u00e9 baix\u00edssima, quase sempre inferior a 0.5% da receita l\u00edquida. Esse fato atesta o car\u00e1ter financeiro do grande capital, aqui representado pelas 500 maiores empresas. Cada vez mais, esses capitais exercem o papel de credores no sistema financeiro global. Recebem n\u00e3o apenas com a produ\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que realizam, mas outras rendas oriundas do sistema inteiro. Migra para os grandes capitais parte do excedente de outros capitais menores, incluindo a renda da classe trabalhadora inteira por meio do sistema da d\u00edvida p\u00fablica. Esses grandes capitais, todos ou quase todos tamb\u00e9m financeiros, exercem o papel de um im\u00e3 para onde reflui, de forma parasit\u00e1ria, parte do excedente de outros capitais e da renda dos demais agentes da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo, analisamos a evolu\u00e7\u00e3o da taxa global de mais-valia. Como anunciamos anteriormente, possu\u00edmos os n\u00fameros divulgados da massa salarial apenas para 22,18 milh\u00f5es dos cerca de 57,64 milh\u00f5es de trabalhadores representados na base de dados. O c\u00e1lculo, portanto, refere-se apenas a 38,5% dos trabalhadores expressos na base. Ainda assim, \u00e9 poss\u00edvel notar a eleva\u00e7\u00e3o do grau m\u00e9dio de explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores a n\u00edvel mundial e situar a taxa global de mais-valia no patamar de 210-220%.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"486\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem8-1024x486.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80303\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem8-1024x486.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem8-300x142.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem8-768x364.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem8-1536x728.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem8-2048x971.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Passamos, agora, ao exame da divis\u00e3o internacional do trabalho no interior da qual se reprodu\u00e7\u00e3o esse capital concentrado e centralizado.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>A DIVIS\u00c3O INTERNACIONAL DO TRABALHO<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Neste cap\u00edtulo, analisamos a divis\u00e3o internacional do trabalho por meio da distribui\u00e7\u00e3o do capital entre os diversos pa\u00edses presente em nossa base de dados. Nessa abordagem, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o tratar centralmente da grande novidade destas \u00faltimas duas d\u00e9cadas: a ascens\u00e3o da China.<\/p>\n\n\n\n<p>Comecemos pela distribui\u00e7\u00e3o do capital entre os distintos pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><strong>Um fato inquestion\u00e1vel: a ascens\u00e3o da China<\/strong><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>De in\u00edcio, apresentamos a divis\u00e3o internacional do trabalho considerando toda a base de dados e o percentual ocupado pela receita l\u00edquida correspondente \u00e0s empresas sediadas nos respectivos pa\u00edses. No gr\u00e1fico que se segue, indicamos o percentual ocupado pela receita l\u00edquida das empresas sediadas nas 6 principais pot\u00eancias capitalistas: Estados Unidos, China, Jap\u00e3o, Alemanha, Fran\u00e7a e Gr\u00e3 Bretanha. Na tabela, indicamos esse percentual para os 18 primeiros pa\u00edses, bem como o porcentual de pa\u00edses restantes considerado em seu conjunto.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"538\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem9-1024x538.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80304\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem9-1024x538.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem9-300x158.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem9-768x403.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem9-1536x807.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem9.png 2001w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"451\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-10-1024x451.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-80305\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-10-1024x451.jpg 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-10-300x132.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-10-768x338.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-10-1536x677.jpg 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-10.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Nesses dados, os seguintes aspectos podem ser notados: A expans\u00e3o colossal da China entre 2004 e 2021, quando as empresas do pa\u00eds passaram de 3,9% para 21,1% do total da receita apropriada entre as 500 maiores empresas do globo consideradas, mantendo-se est\u00e1vel, com leve queda, desde ent\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma evolu\u00e7\u00e3o qualquer. O espa\u00e7o ocupado pela China era tr\u00eas vezes menor do que Inglaterra e Alemanha em 2004, passando a ser quatro vezes maior que o da Alemanha e 5 vezes maior que o da Inglaterra ao fim de 2023. Era mais de quatro vezes inferior ao do Jap\u00e3o em 2004 e quase tr\u00eas vezes superior a este ao fim de 2023.Apesar de ter perdido espa\u00e7o entre 2006 e 2014, o Estados Unidos sempre foi a pot\u00eancia imperialista amplamente hegem\u00f4nica. De 2014 em diante, justamente quando do in\u00edcio da guerra comercial contra a China, teve grande recupera\u00e7\u00e3o, atingindo um espa\u00e7o da divis\u00e3o internacional do trabalho no mesmo patamar do verificado no in\u00edcio dos anos 2000. Com base na receita l\u00edquida de suas respectivas empresas, temos a queda cont\u00ednua e expressiva de todos os pa\u00edses europeus mais significativos na hierarquia imperialista: Alemanha, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha, bem como Su\u00ed\u00e7a, Espanha, Su\u00e9cia, Pa\u00edses Baixos e It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p>Houve crescimento da Coreia do Sul, Taiwan, R\u00fassia e \u00cdndia, no entanto, esses pa\u00edses ainda ocupam uma posi\u00e7\u00e3o subalterna e percentualmente pequena.<\/p>\n\n\n\n<p>Para termos uma correta dimens\u00e3o do que significou o avan\u00e7o chin\u00eas, apresentamos abaixo a evolu\u00e7\u00e3o percentual do espa\u00e7o ocupado por cada um dos pa\u00edses na receita l\u00edquida total das maiores empresas capitalistas de capital aberto entre 2004 e 2023.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"483\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem10-1024x483.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80306\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem10-1024x483.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem10-300x142.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem10-768x362.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem10-1536x725.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem10.png 1999w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O crescimento da China foi impressionante, alcan\u00e7ando 415,9%. Esse avan\u00e7o ocorreu predominantemente \u00e0s custas das pot\u00eancias europeias e do Jap\u00e3o, mais do que dos Estados Unidos. As maiores quedas foram registradas pelos Pa\u00edses Baixos (-61%), Reino Unido (-56,7%) e Jap\u00e3o (-41%). Alemanha (-33,5%) e Fran\u00e7a (-34,4%) \u2013 pa\u00edses de grande peso na Uni\u00e3o Europeia \u2013 tamb\u00e9m tiveram retrocessos expressivos, superiores a 30%.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 verdade que os n\u00fameros apresentados acima, por se basearem na Receita L\u00edquida das respectivas empresas, apresentam as seguintes distor\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>toda a receita das respectivas empresas s\u00e3o contabilizadas como pertencentes a umdado pa\u00eds, quando os insumos, m\u00e1quinas e equipamentos utilizados podem ter se originar de outro lugar.\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>al\u00e9m disso, a Receita \u00e9 impactada pela infla\u00e7\u00e3o, que se manifesta de forma desigualentre os diversos pa\u00edses do globo.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Uma forma de minorar esses limites, \u00e9 considerarmos o papel desempenhado pelos respectivos pa\u00edses do ponto de vista da massa de trabalhadores empregados. A massa de trabalhadores empregados traduz, precisamente, o valor agregado em cada empresa e setor, j\u00e1 que o valor \u00e9 em fun\u00e7\u00e3o da quantidade de trabalho posta em movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos, ent\u00e3o, a conforma\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o internacional do trabalho entre as 500 maiores empresas do mundo considerando o total de trabalhadores empregados pelas empresas dos respectivos pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"465\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-11-1024x465.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80307\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-11-1024x465.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-11-300x136.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-11-768x349.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-11-1536x698.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-11.png 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Nessa perspectiva, o avan\u00e7o da China na divis\u00e3o internacional do trabalho n\u00e3o apenas se mant\u00e9m, mas cresce proporcionalmente. Observa-se que a recupera\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos nos \u00faltimos anos foi impulsionada em grande parte pela infla\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Considerando o total de trabalhadores empregados pelas respectivas empresas, o capital chin\u00eas representa dois ter\u00e7os do capital estadunidense, em vez de apenas metade, como era indicado com base na receita l\u00edquida. Vale notar que o n\u00famero de trabalhadores empregados tamb\u00e9m \u00e9 influenciado pela produtividade do trabalho, um tema que abordaremos no terceiro cap\u00edtulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes, cabe examinarmos mais de perto esse colossal desenvolvimento do capital de origem chinesa. Esse \u00e9, sem d\u00favida, o fato mais relevante do ponto de vista das disputas interimperialistas nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas pela fra\u00e7\u00e3o da mais-valia global produzida pela classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">2. An\u00e1lise setorial do capital chin\u00eas: presen\u00e7a em todos os setores<\/h5>\n\n\n\n<p>Neste ponto, \u00e9 necess\u00e1rio superar a abordagem meramente quantitativa da an\u00e1lise feita no item anterior. A massa de capital sob controle das empresas de um pa\u00eds \u00e9 certamente um fator relevante, mas ainda insuficiente para captar toda a din\u00e2mica. Por exemplo, embora os dados anteriores indiquem certo crescimento do capital russo, esse avan\u00e7o se concentra quase exclusivamente nas ind\u00fastrias de petr\u00f3leo e g\u00e1s, com pouca presen\u00e7a em setores de alta tecnologia e bens de consumo final sofisticados. O mesmo ocorre com a \u00cdndia, cujo capital, apesar de alguma presen\u00e7a no setor automotivo e na ind\u00fastria digital, ainda est\u00e1 majoritariamente ancorado em setores extrativos.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 distinta no caso de Taiwan e da Coreia do Sul. Esses pa\u00edses, embora tenham uma participa\u00e7\u00e3o relativamente pequena na divis\u00e3o internacional do trabalho quando comparados \u00e0s grandes pot\u00eancias, avan\u00e7aram principalmente em setores que exigem o dom\u00ednio de tecnologias de ponta, como semicondutores e eletr\u00f4nicos. O avan\u00e7o chin\u00eas, por seu turno, se faz presente, ainda que em patamares diversos, em absolutamente todos os setores. Ainda com base na receita l\u00edquida de suas empresas dentre todas as 500 empresas mundiais consideradas, vejamos sua distribui\u00e7\u00e3o por setor.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"149\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-12-1024x149.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80308\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-12-1024x149.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-12-300x44.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-12-768x112.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-12-1536x224.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-12.png 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A maior presen\u00e7a chinesa est\u00e1 no setor de bens intermedi\u00e1rios ou na produ\u00e7\u00e3o de meios de produ\u00e7\u00e3o, com 30,83%. Em 2004, a China j\u00e1 possu\u00eda um peso relevante nesse setor, com 8,34%, mas o salto ao longo do per\u00edodo foi expressivo. Embora sua participa\u00e7\u00e3o no setor de bens de consumo final seja menor, o crescimento foi ainda mais not\u00e1vel, passando de 0,88% em 2004 para significativos 12,24% ao fim de 2023. Com essa marca, a China ocupa a segunda posi\u00e7\u00e3o mundial, ainda que pr\u00f3xima do Jap\u00e3o, com 11,72%, e da Alemanha, com 10,07%. Considerando apenas as empresas desse setor, a China superou a Alemanha em 2020 e o Jap\u00e3o em 2022. Os Estados Unidos, no entanto, permanecem em primeiro lugar com certa folga, alcan\u00e7ando 39,59% ao fim de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos a evolu\u00e7\u00e3o percentual dos principais pa\u00edses nesse setor chave de bens de consumo final, com exclus\u00e3o dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"541\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem11-1024x541.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80309\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem11-1024x541.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem11-300x158.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem11-768x406.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem11-1536x811.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem11.png 2016w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o mencionamos o setor de bens de consumo final por acaso. Esse departamento est\u00e1 no topo da cadeia produtiva e, geralmente, concentra os setores de tecnologia mais avan\u00e7ada, centralizando toda a chamada cadeia de suprimentos e de bens intermedi\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob essa \u00f3tica, torna-se evidente que a hegemonia dos Estados Unidos no sistema capitalista atual \u00e9 bem maior do que se pode notar \u00e0 primeira vista, quando se considera apenas o PIB ou o peso das respectivas empresas sem diferenci\u00e1-las qualitativamente. Ao mesmo tempo, tamb\u00e9m se v\u00ea que o avan\u00e7o chin\u00eas nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas foi colossal. Entre todos os setores analisados, o de Bens de Consumo Final foi o que mais cresceu na China entre 2004 e 2023, conforme mostramos a seguir.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"324\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem12-1024x324.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80310\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem12-1024x324.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem12-300x95.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem12-768x243.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem12-1536x486.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem12-2048x648.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto deve ser destacado. A enorme diversidade do capital chin\u00eas, o qual abarca a quase totalidade dos setores. \u00c9 claro que seu desenvolvimento \u00e9 desigual em cada um deles, mas em todos possuem uma din\u00e2mica de crescimento e expans\u00e3o em larga escala. De todos os subsetores que comp\u00f5em os grandes departamento de meios de produ\u00e7\u00e3o e bens de consumo final, apenas n\u00e3o existem empresas chinesas entre as 500 que catalogamos nos setores t\u00eaxtil, consumos gerais (basicamente tabaco, limpeza e produtos de uso residencial) e artigos de luxo. Indicamos, a seguir, a participa\u00e7\u00e3o das empresas chinesas em cada um dos subsetores presentes em nossa base, seguida da evolu\u00e7\u00e3o percentual do capital chin\u00eas em cada um deles.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"402\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-13-1024x402.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-80311\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-13-1024x402.jpg 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-13-300x118.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-13-768x301.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-13-1536x603.jpg 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-13.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"525\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem13-1024x525.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80312\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem13-1024x525.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem13-300x154.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem13-768x393.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem13-1536x787.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem13.png 2005w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">3. A exporta\u00e7\u00e3o de capital chin\u00eas para o mundo<\/h5>\n\n\n\n<p>Conforme L\u00eanin definiu com precis\u00e3o, o que caracteriza um pa\u00eds imperialista \u00e9 o peso cada vez maior da exporta\u00e7\u00e3o de capital e n\u00e3o da exporta\u00e7\u00e3o de mercadorias puro e simples. Ele escreve que \u201co antigo capitalismo, com o pleno dom\u00ednio da livre concorr\u00eancia, era t\u00edpica a exporta\u00e7\u00e3o de <em>mercadorias<\/em>. Para o capitalismo mais recente, com o dom\u00ednio do monop\u00f3lio, tornou-se t\u00edpica a exporta\u00e7\u00e3o de <em>capital<\/em>\u201d. E agrega que enquanto \u201co capitalismo permanecer capitalismo, o excedente de capital dirige-se n\u00e3o \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de vida das massas de um dado pa\u00eds, pois isso significaria a diminui\u00e7\u00e3o dos lucros dos capitalistas, mas ao aumento desses lucros por meio da exporta\u00e7\u00e3o de capital para o estrangeiro, para os pa\u00edses atrasados\u201d. Por isso, \u201cnecessidade da exporta\u00e7\u00e3o de capital obedece ao fato de que, em alguns pa\u00edses, o capitalismo \u2018amadureceu demais\u2019, e o capital (nas condi\u00e7\u00f5es do insuficiente desenvolvimento da agricultura e da mis\u00e9ria das massas) carece de campo para a sua coloca\u00e7\u00e3o \u2018lucrativa\u2019\u201d<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Poder-se-ia argumentar que as empresas chinesas est\u00e3o limitadas ao mercado interno ou, quando muito, \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de mercadorias, sem realizar uma exporta\u00e7\u00e3o substancial de capital, o que as deixaria fora da disputa imperialista. No entanto, quem compreende profundamente o argumento de L\u00eanin v\u00ea que essa possibilidade \u00e9 invi\u00e1vel. O desenvolvimento do capitalismo \u2014 seu \u2018amadurecimento\u2019, por assim dizer \u2014 exige que as empresas exportem capital de modo a encontrar um \u201ccampo para sua aplica\u00e7\u00e3o lucrativa\u201d. N\u00e3o h\u00e1 outra sa\u00edda, j\u00e1 que o excedente n\u00e3o pode ser direcionado continuamente \u00e0 \u201celeva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de vida das massas de um dado pa\u00eds\u201d. A exporta\u00e7\u00e3o de capital decorre diretamente da necessidade de que a mais-valia acumulada seja investida na amplia\u00e7\u00e3o da escala de produ\u00e7\u00e3o em algum setor. Esse processo entra em contradi\u00e7\u00e3o com a limita\u00e7\u00e3o da capacidade de consumo das massas, que o pr\u00f3prio capital imp\u00f5e para maximizar a mais-valia, exigindo que capitais massivos instalados em um dado pa\u00eds busque continuamente novos mercados com \u00fanica sa\u00edda para sua aplica\u00e7\u00e3o lucrativa. Dessa forma, surge uma disputa mundial entre os pa\u00edses por territ\u00f3rios onde a mais-valia global possa ser aplicada lucrativamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa tend\u00eancia, inerente ao movimento do capital, se confirma quando mapeamos as empresas chinesas produtoras de bens de consumo final, com elevada intensidade tecnol\u00f3gica. Elas n\u00e3o apenas abarcam o mercado mundial do ponto de vista da venda de seus produtos, como suas unidades produtivas j\u00e1 se encontram instaladas em pa\u00edses de todos os continentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Abaixo indicamos o campo de atua\u00e7\u00e3o de 35 empresas chinesas significativas, com base nas informa\u00e7\u00f5es divulgadas em seus pr\u00f3prios sites. Na segunda coluna, indicamos o total de pa\u00edses em que seus produtos s\u00e3o comercializados, o que aponta, via de regra, para exist\u00eancia de ao menos unidades comerciais em cada um deles. Na segunda coluna, indicamos os pa\u00edses que possuem unidades produtivas de cada uma dessas empresas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"834\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-14-1024x834.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-80313\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-14-1024x834.jpg 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-14-300x244.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-14-768x625.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-14-1536x1251.jpg 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-14.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Agregamos, ainda, dados divulgados pelo relat\u00f3rio Top 50 BrandZTM Chinese Global Brand Builders 2021 lan\u00e7ado pelo Google e pela Kantar. Algumas das maiores empresas chinesas, segundo esse relat\u00f3rio, apresentam os seguintes percentuais de presen\u00e7a internacional de seus neg\u00f3cios:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"655\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem14-1024x655.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80314\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem14-1024x655.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem14-300x192.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem14-768x491.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem14-1536x982.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem14.png 1891w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, catalogamos, alguns casos ilustrativos de exporta\u00e7\u00e3o de capital da China para o Brasil por meio da aquisi\u00e7\u00e3o de empresas brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"353\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-15-1024x353.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-80315\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-15-1024x353.jpg 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-15-300x103.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-15-768x264.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-15-1536x529.jpg 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-15.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Destacamos que a presen\u00e7a do capital chin\u00eas no mundo \u00e9, certamente, proporcionalmente menor que a dimens\u00e3o absoluta de suas empresas. Isso, por\u00e9m, n\u00e3o surpreende. O desenvolvimento mais expressivo do capital de propriedade chinesa \u00e9 um fen\u00f4meno das \u00faltimas duas d\u00e9cadas, com sua expans\u00e3o global mais significativa ocorrendo nos \u00faltimos 10 a 15 anos. Por outro lado, as pot\u00eancias europeias, os Estados Unidos e o Jap\u00e3o exportam seus capitais h\u00e1 mais de um s\u00e9culo. O que nos interessa ressaltar aqui \u00e9 que, seja qual for o peso absoluto do capital chin\u00eas no mercado global para al\u00e9m de suas fronteiras, o movimento nessa dire\u00e7\u00e3o \u00e9 inquestion\u00e1vel e significativo. Uma guerra comercial j\u00e1 est\u00e1 em curso entre os Estados Unidos e a China, e os pr\u00f3ximos epis\u00f3dios desse processo devem intensificar as polariza\u00e7\u00f5es, os conflitos e as guerras em torno dessa nova configura\u00e7\u00e3o da concorr\u00eancia imperialista pela mais-valia global.<\/p>\n\n\n\n<p>Para uma an\u00e1lise ainda mais detalhada a respeito do papel desempenhado pela China e sua rela\u00e7\u00e3o com os demais pa\u00edses, fazemos, a seguir, uma an\u00e1lise detalhada do setor automobil\u00edstico, cujas empresas representadas na base de dados do ILAESE abarcam mais de 95% do setor.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">4. O caso do setor automobil\u00edstico<\/h5>\n\n\n\n<p>O setor automobil\u00edstico esteve na dianteira da assim chamada Ind\u00fastria 4.0. O Sistema Hyundai de Produ\u00e7\u00e3o inaugurou uma nova etapa do desenvolvimento t\u00e9cnico na ind\u00fastria, fundindo em um \u00fanico espa\u00e7o f\u00edsico as montadoras com os fornecedores por meio da automa\u00e7\u00e3o, simplificando o trabalho. Com esse processo, o setor automobil\u00edstico conseguiu elevar a produtividade do trabalho e reduzir, nas novas unidades, drasticamente o patamar de remunera\u00e7\u00e3o de seus respectivos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse processo, no entanto, ficou no passado. Nos \u00faltimos 10 anos, na autoind\u00fastria, temos uma segunda transforma\u00e7\u00e3o: n\u00e3o apenas no processo t\u00e9cnico de produ\u00e7\u00e3o, mas no produto com a substitui\u00e7\u00e3o paulatina dos carros movidos a combust\u00e3o por carros h\u00edbridos e el\u00e9tricos. A automa\u00e7\u00e3o, agora, galga um novo n\u00edvel: trata-se n\u00e3o apenas de uma produ\u00e7\u00e3o automatizada, mas de ve\u00edculos que operam de forma cada vez mais autom\u00e1tica, controladas por um servidor sob controle da montadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Utilizaremos a base mundial do ILAESE no setor a qual re\u00fane 31 empresas sediadas em 9 pa\u00edses.&nbsp; As empresas analisadas s\u00e3o as seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alemanha: <\/strong>VOLKSWAGEN, MERCEDES-BENZ, BMW<\/p>\n\n\n\n<p><strong>China: <\/strong>SAIC MOTOR, GEELY, GREAT WALL, DONGFENG, GUANGZHOU, BAIC, BYD, FAW, CHANGAN, LI AUTO<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cor\u00e9ia do Sul<\/strong>: HYUNDAI<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estados Unidos: <\/strong>FORD, GENERAL MOTORS, PACCAR, TESLA,<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><strong>Fran\u00e7a<\/strong><\/td><td>:<\/td><td>RENAULT, PEUGEOT (at\u00e9 2019, depois Stellantis),<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>\u00cdndia: <\/strong>TATA MOTORS,<\/p>\n\n\n\n<p><strong>It\u00e1lia: <\/strong>FIAT (at\u00e9 2007, depos Stellantis), FERRARI,<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Jap\u00e3o: <\/strong>NISSAN, HONDA, TOYOTA, MAZDA, SUZUKI, SUBARU, YAMAHA MOTORS<\/p>\n\n\n\n<p><strong>It\u00e1lia-Fran\u00e7a-EUA<\/strong> : STELLANTIS (FCA),<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Su\u00e9cia: <\/strong>VOLVO.<\/p>\n\n\n\n<p>Destacamos que tais empresas representam, tanto em produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica quando em receita, bem mais de 95% do mercado do setor, qualquer que seja o ano considerado. Indicamos a seguir a receita l\u00edquida somada das 31 ind\u00fastrias do setor, em uma s\u00e9rie hist\u00f3rica de 20 anos entre 2004 e 2023.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"443\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem15-1024x443.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80316\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem15-1024x443.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem15-300x130.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem15-768x332.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem15-1536x664.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem15-2048x886.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Nota-se que o setor automobil\u00edstico n\u00e3o deixou de se expandir em todo o per\u00edodo considerado, com exce\u00e7\u00e3o do ano de 2009, \u00e1pice da \u00faltima grande crise econ\u00f4mica, quando as receitas do setor ca\u00edram mais de 15% passando de 1,399 trilh\u00f5es de d\u00f3lares para 1,273 trilh\u00f5es. Houve uma queda, ainda, em 2015 de 4,3% e em 2019: 2%, seguida por outra queda de 14% em 2020, \u00e1pice da pandemia de COVID-19. Apesar dessas oscila\u00e7\u00f5es, t\u00edpicas da economia capitalista, a tend\u00eancia geral foi de crescimento. As receitas do setor sa\u00edram de 1,233 trilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2004 para 2,415 trilh\u00f5es em 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o nos enganemos. O mercado automobil\u00edstico, em verdade, encontra-se estagnado h\u00e1 mais de 20 anos. Todo esse crescimento se deveu a um \u00fanico fator: <strong>a China<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"451\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem16-1024x451.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80317\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem16-1024x451.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem16-300x132.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem16-768x338.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem16-1536x676.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem16-2048x902.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Os mercados da Europa e dos Estados Unidos est\u00e3o estagnados h\u00e1 duas d\u00e9cadas. O crescimento nas vendas de autom\u00f3veis ocorreu apenas dentro da China. Atualmente, o total de autom\u00f3veis vendidos nos Estados Unidos e na Europa permanece no mesmo n\u00edvel do final dos anos 1990. Em contraste, a China experimentou uma expans\u00e3o expressiva e cont\u00ednua. \u00c9 verdade que, como veremos mais adiante, muitas das grandes empresas do setor garantem sua presen\u00e7a no mercado chin\u00eas por meio de <em>joint ventures<\/em>. Mas, por ora, consideremos a distribui\u00e7\u00e3o da receita do setor com base no pa\u00eds de origem das respectivas empresas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"636\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem17-1024x636.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80318\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem17-1024x636.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem17-300x186.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem17-768x477.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem17-1536x954.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem17.png 2004w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Desses dados, \u00e9 poss\u00edvel concluir o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Houve uma perda significativa de espa\u00e7o no mercado automobil\u00edstico por parte dos Estados Unidos (sobretudo entre 2004 e 2020), do Jap\u00e3o (sobretudo nos \u00faltimos 4 anos), da Fran\u00e7a e It\u00e1lia.<\/li>\n\n\n\n<li>As empresas alem\u00e3s, mas sobretudo a Volks, lideram o setor, ocupando mais de um quarto do mercado. O peso da Alemanha se manteve relativamente est\u00e1vel em todo per\u00edodo considerado. A Coreia do Sul tamb\u00e9m se mant\u00e9m est\u00e1vel com a Hyundai, no entanto, representa apenas 5% do setor.<\/li>\n\n\n\n<li>O que cresceu continuamente foram as empresas chinesas, ainda que em um ritmo menos acelerado nos \u00faltimos anos, passando de m\u00edseros 1% do mercado automobil\u00edstico em 2004 para 13,4% ao fim de 2023.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Acontece que, longe de se tratar de carros obsoletos que atendem o seu extenso mercado interno, nesse setor, o crescimento da China est\u00e1 estreitamente ligado aos carros el\u00e9tricos e a transi\u00e7\u00e3o que atualmente ocorre no setor em todo o mundo. A China est\u00e1 na dianteira no setor de ve\u00edculos el\u00e9tricos e hibr\u00eddos com tecnologia de ponta. Suas empresas, ap\u00f3s ter dominado seu mercado interno, come\u00e7am, agora, uma not\u00f3ria expans\u00e3o mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa transforma\u00e7\u00e3o tem um efeito econ\u00f4mico de largo alcance no setor automobil\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque o carro el\u00e9trico \u00e9 pe\u00e7a chave na transi\u00e7\u00e3o para carros aut\u00f4nomos, transformando a rela\u00e7\u00e3o tradicional entre fabricantes e consumidores. Em vez de apenas vender um produto, as empresas de autom\u00f3veis t\u00eam a oportunidade de oferecer servi\u00e7os cont\u00ednuos ap\u00f3s a venda. Isso inclui atualiza\u00e7\u00f5es de software, manuten\u00e7\u00e3o preventiva baseada em dados e assist\u00eancia remota. A capacidade de monitorar e gerenciar ve\u00edculos de forma remota permite que as empresas ofere\u00e7am servi\u00e7os de valor agregado com gera\u00e7\u00e3o recorrente de receita. Em outras palavras, as empresas lucram com a venda do produto e tamb\u00e9m lucram com a sua opera\u00e7\u00e3o, por todo o seu tempo de vida.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"939\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem18-1024x939.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80319\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem18-1024x939.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem18-300x275.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem18-768x704.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem18.png 1293w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O sucesso e o alcance dessa transi\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o est\u00e1 determinado, no entanto, a substitui\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos a combust\u00e3o tradicionais por ve\u00edculos el\u00e9tricos ou h\u00edbridos \u00e9 uma realidade, ainda que evolua de forma absolutamente desigual. Como indicado no gr\u00e1fico ao lado.<\/p>\n\n\n\n<p>Some-se a isso que a dissemina\u00e7\u00e3o dos carros aut\u00f4nomos tem o potencial de revolucionar o setor de transporte compartilhado, incluindo servi\u00e7os como o oferecido pelo Uber e similares. Carros aut\u00f4nomos eliminam a necessidade de motoristas, reduzindo significativamente os custos operacionais desses servi\u00e7os. Ainda que um carro aut\u00f4nomo e el\u00e9trico provavelmente n\u00e3o alcance o pre\u00e7o dos<\/p>\n\n\n\n<p>ve\u00edculos populares atuais, a tend\u00eancia \u00e9 que o uso de ve\u00edculos para deslocamentos se generalize por meio de servi\u00e7os prestados por empresas que cobram pelo uso do ve\u00edculo, sem os custos com condutores. Dessa forma, o transporte compartilhado tende a se tornar mais acess\u00edvel e econ\u00f4mico para os usu\u00e1rios finais, generalizando seu uso, enquanto as fabricantes de autom\u00f3veis atuariam como intermedi\u00e1rias para grandes empresas de transporte.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"568\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem19-1024x568.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80320\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem19-1024x568.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem19-300x166.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem19-768x426.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem19.png 1149w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A China encontra-se na dianteira desse processo. Hoje, cerca de 40% das vendas de autom\u00f3veis na China s\u00e3o na modalidade el\u00e9tricos ou h\u00edbridos. Esse percentual \u00e9 o dobro da Europa e quatro vezes superior ao dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados mencionados anteriormente s\u00e3o relativos a ve\u00edculos el\u00e9tricos e h\u00edbridos. A venda de carros carros 100% el\u00e9tricos em 2023 corresponderam a aproximadamente 9 milh\u00f5es, quando a participa\u00e7\u00e3o das empresas sediadas na China salta de 40% para 57% das vendas globais.<\/p>\n\n\n\n<p>Globalmente, dez empresas dominam o<\/p>\n\n\n\n<p>mercado de carros el\u00e9tricos, sendo respons\u00e1veis por mais de 80% das vendas. Os principais destaques s\u00e3o a Tesla, BYD e o Grupo Volkswagen (VW) representando juntas quase metade (46%) de todos os novos emplacamentos de ve\u00edculos el\u00e9tricos. Os 10 maiores produtores de ve\u00edculos el\u00e9tricos, 5 s\u00e3o empresas chinesas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"482\" height=\"240\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem20.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-80321\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem20.jpg 482w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem20-300x149.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 482px) 100vw, 482px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Se considerarmos os \u00faltimos 5 anos, \u00e9 not\u00f3rio o papel de o papel de vanguarda da China nesse processo. As empresas que mais cresceram s\u00e3o justamente aquelas em que predominam a produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos el\u00e9tricos, em grande maioria chinesas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1016\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-19-1024x1016.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-80322\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-19-1024x1016.jpg 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-19-300x298.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-19-150x150.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-19-768x762.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-19-1536x1524.jpg 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-19.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos 5 anos, BYD \u00e9 a empresa que mais cresceu no setor: 383%, seguida da estadunidense Tesla de Elon Musk: 293,7%. Na sequ\u00eancia temos mais 4 empresas chinesas.<\/p>\n\n\n\n<p>A BYD e a TESLA, especializadas em carros el\u00e9tricos e h\u00edbridos, est\u00e3o a ponto de superar os 100 bilh\u00f5es de d\u00f3lares de receita anual, adentrando no seleto grupo das gigantes do setor. Como indicado a seguir:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"604\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-21-1024x604.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-80323\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-21-1024x604.jpg 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-21-300x177.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-21-768x453.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-21-1536x906.jpg 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-21.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse quadro, cabe perguntar como a China conseguiu ascender em um mercado globalmente t\u00e3o competitivo e estabelecido a mais de um s\u00e9culo. Dois aspetos devem ser destacados.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, a legisla\u00e7\u00e3o chinesa, por d\u00e9cadas, impunha restri\u00e7\u00f5es significativas para empresas estrangeiras no setor automobil\u00edstico, limitando a propriedade estrangeira e exigindo a forma\u00e7\u00e3o de <em>joint ventures<\/em> com empresas locais. Esses limites inclu\u00edam um m\u00e1ximo de<strong> 50% de participa\u00e7\u00e3o <\/strong>e garantiam o acesso das empresas chinesas \u00e0s tecnologias estrangeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Segue uma lista das principais&nbsp; <em>joint ventures<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SAIC Motor<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"595\" height=\"49\" src=\"\">SAIC-GM: Uma das mais antigas joint ventures, entre a SAIC e a General Motors (GM), que produz e vende ve\u00edculos sob as marcas Buick, Chevrolet e Cadillac na China.<\/li>\n\n\n\n<li>SAIC-VW: Parceria com a Volkswagen, focada na produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos da VW e Audi para o mercado chin\u00eas.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Geely<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td colspan=\"3\">Geely-Volvo: A Geely comprou a Volvo, mas tamb\u00e9m mant\u00e9m uma <em>joint venture<\/em> para desenvolver tecnologias<\/td><\/tr><tr><td>e modelos. Juntas, criaram a marca de luxo Lynk &amp; Co.<\/td><td colspan=\"2\">&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td colspan=\"2\">Geely-Daimler: Joint venture com a Daimler para desenvolver ve\u00edculos el\u00e9tricos da marca Smart.<\/td><td>&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td><\/td><td><\/td><td><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>\u2714<\/p>\n\n\n\n<p>\u2714<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Great Wall Motor<\/strong>s:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td colspan=\"2\">Great Wall-BMW: A Great Wall tem uma joint venture com a BMW chamada Spotlight Automotive, focada no<\/td><\/tr><tr><td>desenvolvimento de ve\u00edculos el\u00e9tricos, como os modelos Mini.<\/td><td>&nbsp;<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>\u2714<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dongfeng Motor Corporation<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td colspan=\"3\">Dongfeng-Nissan: Parceria de longa data com a Nissan para a produ\u00e7\u00e3o de carros sob as marcas Nissan e<\/td><\/tr><tr><td>Infiniti.<\/td><td colspan=\"2\">&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td colspan=\"3\">Dongfeng-Honda: Joint venture com a Honda, que foca na produ\u00e7\u00e3o de modelos da marca Honda no mercado<\/td><\/tr><tr><td>chin\u00eas.<\/td><td colspan=\"2\">&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td colspan=\"3\">Dongfeng-Peugeot Citro\u00ebn: Parceria com o Groupe PSA (Peugeot Citro\u00ebn) para fabrica\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos das<\/td><\/tr><tr><td colspan=\"2\">marcas francesas.<\/td><td>&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td><\/td><td><\/td><td><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>\u2714<\/p>\n\n\n\n<p>\u2714<\/p>\n\n\n\n<p>\u2714<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guangzhou Automobile Group (GAC)<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td colspan=\"2\">GAC-Toyota: Joint venture com a Toyota para produzir e vender ve\u00edculos da Toyota na China.<\/td><td rowspan=\"2\">&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>GAC-Honda: Parceria com a Honda, focada no mercado chin\u00eas para modelos da marca.<\/td><td>&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td colspan=\"3\">GAC-FCA: Anteriormente com a Fiat Chrysler (agora Stellantis), produzindo ve\u00edculos da Jeep e outras marcas.<\/td><\/tr><tr><td><\/td><td><\/td><td><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>\u2714<\/p>\n\n\n\n<p>\u2714<\/p>\n\n\n\n<p>\u2714<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BAIC Group (Beijing Automotive Industry Holding)<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>BAIC-Mercedes-Benz: Joint venture com a Daimler AG para produzir ve\u00edculos Mercedes-Benz.<\/td><\/tr><tr><td>BAIC-Hyundai: Parceria com a Hyundai, que fabrica modelos Hyundai para o mercado chin\u00eas.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>\u2714<\/p>\n\n\n\n<p>\u2714<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BYD<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td colspan=\"2\">BYD-Daimler: Joint venture chamada DENZA, focada na produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos el\u00e9tricos premium para o<\/td><\/tr><tr><td>mercado chin\u00eas.<\/td><td>&nbsp;<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>\u2714<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FAW Group<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>FAW-VW: Parceria com a Volkswagen para produzir ve\u00edculos VW e Audi.<\/td><td>&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td colspan=\"2\">FAW-Toyota: Joint venture com a Toyota para produzir modelos da Toyota no mercado chin\u00eas.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>\u2714<\/p>\n\n\n\n<p>\u2714<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Changan Automobile<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td colspan=\"2\">Changan-Ford: Parceria com a Ford, que produz ve\u00edculos da marca americana para o mercado chin\u00eas.<\/td><\/tr><tr><td>Changan-Mazda: Joint venture com a Mazda para produzir e vender modelos Mazda na China.<\/td><td>&nbsp;<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>\u2714<\/p>\n\n\n\n<p>\u2714<\/p>\n\n\n\n<p>Com a intensifica\u00e7\u00e3o da guerra comercial, especialmente durante a administra\u00e7\u00e3o Trump em 2018, o governo chin\u00eas iniciou uma flexibiliza\u00e7\u00e3o nas restri\u00e7\u00f5es para investimentos estrangeiros no setor automotivo. Em 2020, as limita\u00e7\u00f5es para a participa\u00e7\u00e3o estrangeira em ve\u00edculos comerciais foram eliminadas, e, a partir de 2022, o limite de 50% foi removido para todos os tipos de ve\u00edculos, permitindo que montadoras estrangeiras possuam at\u00e9 100% de suas opera\u00e7\u00f5es na China. No entanto, essa abertura aconteceu em um momento em que o mercado consumidor chin\u00eas j\u00e1 estava amplamente dominado por empresas nacionais, al\u00e9m de coincidir com o interesse das empresas chinesas do setor em expandir suas opera\u00e7\u00f5es para outros mercados globais, como vem ocorrendo.<\/p>\n\n\n\n<p>O aspecto mais relevante, contudo, \u00e9 o seguinte: as joint ventures anteriormente estabelecidas raramente abrangiam carros 100% el\u00e9tricos ou mesmo h\u00edbridos. Esse modelo permitiu que as empresas chinesas adquirissem tecnologia de ponta em troca de uma divis\u00e3o de lucros com grandes corpora\u00e7\u00f5es globais, mas aplicava-se apenas a determinados modelos e n\u00e3o \u00e0s marcas chinesas. No setor de ve\u00edculos el\u00e9tricos, por exemplo, a China n\u00e3o apenas acompanhou, mas ultrapassou os concorrentes globais, concentrando-se em tecnologias emergentes onde poderia tomar a dianteira desde o in\u00edcio. Esse \u00e9 o caso dos ve\u00edculos el\u00e9tricos, al\u00e9m de setores como telecomunica\u00e7\u00f5es e internet 5G.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse processo ilustra como a China, mesmo ap\u00f3s sua transi\u00e7\u00e3o para o capitalismo, manteve um grau significativo de independ\u00eancia estrat\u00e9gica, utilizando sua m\u00e3o de obra abundante e barata, bem como seu mercado consumidor potencialmente o maior do mundo, como poder de barganha.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>5. Uma s\u00edntese da divis\u00e3o internacional do trabalho: a hierarquia capitalista de domina\u00e7\u00e3o<\/strong> Apresentamos, a seguir, uma s\u00edntese dos principais setores que constam na base de dados com a indica\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas pa\u00edses que dominam cada um deles, em termos percentuais e nominais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"854\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-22-854x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-80324\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-22-854x1024.jpg 854w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-22-250x300.jpg 250w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-22-768x920.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-22-1282x1536.jpg 1282w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-22.jpg 1335w\" sizes=\"auto, (max-width: 854px) 100vw, 854px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Desses dados, seguem-se as seguintes conclus\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>H\u00e1 um not\u00f3rio dom\u00ednio dos Estados Unidos nos setores de bens de consumo final. Via de regra, esse \u00e9 o setor com tecnologias mais intensas e que agregam proporcionalmente mais valor. \u00c9 poss\u00edvel ver o que foi o principal trunfo dos Estados Unidos na \u00faltima d\u00e9cada: a ind\u00fastria digital, um novo setor que se tornou dominante e \u00e9 abarcado por empresas monopolistas colossais dos Estados Unidos como a Alphabet (Google), Microsoft. As empresas dos Estados Unidos representam 80% da ind\u00fastria digital, entre as maiores empresas que constam em nossa base de dados, com um montante faturado de 843 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.\u00a0 Veremos no pr\u00f3ximo cap\u00edtulo que, n\u00e3o fosse o bastante, esse setor tem as mais elevadas taxas de rentabilidade e uma composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica de capital baixa, empregando, na m\u00e9dia, trabalhadores de elevada qualifica\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o Estados Unidos tamb\u00e9m est\u00e1 na dianteira no setor de eletr\u00f4nicos de ponta, que engloba telefonia m\u00f3vel etc., ainda que conjuntamente com a Coreia do Sul e a China.<\/li>\n\n\n\n<li>A China domina o setor de meios de produ\u00e7\u00e3o, levemente a frente dos Estados Unidos e avan\u00e7a no setor de bens de consumo final, ocupando o segundo lugar. No entanto, a diferen\u00e7a entre China e Estados Unidos nesse departamento ainda \u00e9 significativa: 39,59% para os Estados Unidos e 12,24% para a China.<\/li>\n\n\n\n<li>Alguns setores, como o de artigos de luxo, expressam dom\u00ednios seculares. A Fran\u00e7a domina esse setor desde o s\u00e9culo XVIII. O Jap\u00e3o, apesar de uma grande queda, continua a dominar o setor de eletr\u00f4nicos tradicionais. O problema \u00e9 que esses setores perdem espa\u00e7o para os novos ramos de produ\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">6. Algumas hip\u00f3teses sobre a ascens\u00e3o imperialista da China<\/h5>\n\n\n\n<p>Como \u00faltimo t\u00f3pico, arriscamos algumas hip\u00f3teses sobre o desenvolvimento do capitalismo na China e sua ascens\u00e3o inquestion\u00e1vel dentro do sistema imperialista mundial. Os pontos indicados ainda s\u00e3o provis\u00f3rios, pois necessitam de investiga\u00e7\u00f5es adicionais n\u00e3o apenas para sua confirma\u00e7\u00e3o, mas para capturar o real impacto de cada elemento indicado no processo e sua conex\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de prosseguir, \u00e9 necess\u00e1rio um adendo de grande relev\u00e2ncia. A ascens\u00e3o chinesa n\u00e3o representa, de modo algum, um processo de liberta\u00e7\u00e3o, mesmo que parcial, de sua classe trabalhadora. Trata-se de uma disputa interburguesa, uma competi\u00e7\u00e3o intercapitalista no interior do sistema imperialista mundial. Mais do que isso, consideramos que, devido a v\u00e1rias particularidades em seu desenvolvimento, a China representa, hoje, a forma mais pura de capitalismo j\u00e1 vista. Esse processo possui analogias com o que, no s\u00e9culo XIX, foi a ascens\u00e3o dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Estados Unidos, ao serem formados por migrantes europeus \u2013 muitas vezes fugindo da repress\u00e3o religiosa e legal na Europa \u2013 e ao lado do exterm\u00ednio da popula\u00e7\u00e3o nativa, desenvolveram-se sem herdar as estruturas aristocr\u00e1ticas de uma Europa feudal. No entanto, isso ocorreu em um per\u00edodo em que o capitalismo ainda n\u00e3o havia atingido sua fase imperialista, e os grandes monop\u00f3lios predominavam apenas em setores restritos. A China, por outro lado, emerge na disputa capitalista global em uma \u00e9poca em que os grandes monop\u00f3lios dominam todos os ramos de produ\u00e7\u00e3o. Sua centraliza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, herdada de um estado oper\u00e1rio burocr\u00e1tico, serviu de base para o desenvolvimento de um capitalismo &#8216;puro sangue&#8217;, sustentado por uma interven\u00e7\u00e3o estatal centralizada e profundamente enraizada em todos os n\u00edveis da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, os trabalhadores s\u00e3o diretamente controlados por uma estrutura que integra o Partido Comunista Chin\u00eas, os sindicatos e os propriet\u00e1rios das empresas. Na China, a maioria dos sindicatos \u00e9 controlada pela All-China Federation of Trade Unions (ACFTU), a \u00fanica federa\u00e7\u00e3o sindical legalmente permitida no pa\u00eds. A filia\u00e7\u00e3o \u00e9 compuls\u00f3ria, e o sindicato funciona como um instrumento de controle dos trabalhadores, alinhando-se muito mais aos interesses empresariais e governamentais do que aos dos pr\u00f3prios trabalhadores. Em muitos casos, o dono da empresa ocupa cargos de lideran\u00e7a ou influ\u00eancia no sindicato, incluindo at\u00e9 mesmo a presid\u00eancia, tornando o sindicato, na pr\u00e1tica, um \u00f3rg\u00e3o estatal de controle sobre os trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 mesmo a mobilidade dos trabalhadores \u00e9 rigorosamente controlada pelo sistema Hukou, uma esp\u00e9cie de visto interno que regula a locomo\u00e7\u00e3o do campo para a cidade e entre diferentes cidades e regi\u00f5es. Com esses mecanismos, o governo consegue, at\u00e9 certo ponto, controlar o ex\u00e9rcito industrial de reserva, liberando for\u00e7a de trabalho rural para a cidade conforme necess\u00e1rio e na medida em que for necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, houve uma eleva\u00e7\u00e3o salarial geral no pa\u00eds nos \u00faltimos 15 anos. Contudo, isso \u00e9 um subproduto natural do desenvolvimento capitalista em seus est\u00e1gios iniciais. Um processo que se deu, com v\u00e1rias especificidades, em praticamente todos pa\u00edses do mundo. Os sal\u00e1rios ou a renda dos trabalhadores n\u00e3o simplesmente cresceram, mas se adequaram a uma nova situa\u00e7\u00e3o social que exige custos de sobreviv\u00eancia mais elevados e integralmente monetarizados.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao migrarem do campo para as cidades e para a ind\u00fastria, os trabalhadores enfrentam novas necessidades de sobreviv\u00eancia, antes inexistentes. A especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria encarece as moradias, os mercados locais desaparecem, e todos os bens de consumo passam a ser adquiridos por meio do mercado capitalista. Novas necessidades, como transporte, planos de sa\u00fade, internet e telefonia m\u00f3vel, tornam-se essenciais. O que ocorre \u00e9 uma mudan\u00e7a estrutural em um pa\u00edschave, com uma popula\u00e7\u00e3o de mais de um bilh\u00e3o de habitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Dito isso, passemos para nossas hip\u00f3teses a respeito do que possibilitou o desenvolvimento chin\u00eas a ponto de o pa\u00eds estar, hoje, visando o Estados Unidos, o pa\u00eds que est\u00e1 no topo da hierarquia capitalista mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Julgamos que os principais elementos que devem ser, primeiro, estudados analiticamente, isto \u00e9,&nbsp; abstrata e separadamente e, ao mesmo tempo, articulados uns com os outros hist\u00f3rica e concretamente, s\u00e3o, os seguintes:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Na China, houve uma restaura\u00e7\u00e3o capitalista sem a queda do regime pol\u00edtico centralizador de vi\u00e9s stalinista. Em analogia com a ex-URSS, foi como uma Perestroika sem a queda do Muro de Berlim. Diferentemente da ex-URSS, que se fragmentou abruptamente ap\u00f3s a derrocada do stalinismo, gerando uma apropria\u00e7\u00e3o em larga escala da riqueza existente por agentes privados da burocracia, na China, o processo de desenvolvimento capitalista foi fomentado e, at\u00e9 certo ponto, organizado pelo Estado. Com base em acordos e coaliz\u00f5es, a aus\u00eancia de um colapso econ\u00f4mico e pol\u00edtico permitiu que a China mantivesse um certo n\u00edvel de independ\u00eancia no sistema internacional de Estados, ou seja, na ordem social imperialista, podendo negociar cada concess\u00e3o realizada dentro de um plano nacional de desenvolvimento.<\/li>\n\n\n\n<li>O processo de restaura\u00e7\u00e3o capitalista produziu, quase da noite para o dia, uma enorme massa de riqueza que se converteu em capital. Essa riqueza j\u00e1 possu\u00eda uma forma que, em outros lugares, o capital levou d\u00e9cadas para desenvolver: uma forma ultracentralizada e concentrada, organizada como empresas &#8216;p\u00fablicas&#8217;. Esse aspecto n\u00e3o pode ser menosprezado, inclusive em outras facetas. Por exemplo, a carga tribut\u00e1ria chinesa sobre o lucro e o produto \u00e9 relativamente baixa. Isso foi vi\u00e1vel porque o pa\u00eds passou a sobretaxar a propriedade territorial e residencial, aproveitando-se de uma massa de im\u00f3veis que se converteram, rapidamente, em propriedade privada.<\/li>\n\n\n\n<li>A China j\u00e1 possu\u00eda, no momento da restaura\u00e7\u00e3o, uma ind\u00fastria instalada em quase todos os setores. Embora essa ind\u00fastria fosse, na \u00e9poca, obsoleta e pouco produtiva, serviu, em associa\u00e7\u00e3o com o capital internacional, como ponto de partida.<\/li>\n\n\n\n<li>Contribuiu o fato da China possuir, potencialmente, o maior mercado consumidor do mundo. N\u00e3o de fato e efetivamente, mas potencialmente pela sua enorme popula\u00e7\u00e3o que, por condi\u00e7\u00f5es naturais e sociais espec\u00edficas, t\u00eam h\u00e1 mais de 3 mil\u00eanios a mais densa concentra\u00e7\u00e3o populacional do mundo.<\/li>\n\n\n\n<li>Contribuiu, tamb\u00e9m, a hist\u00f3ria milenar chinesa. Sem passar, nem sequer transitoriamente, pelo sistema ainda dominado pela pequena propriedade; a massa dos produtores chinesas estavam h\u00e1 mil\u00eanios imersos em um sistema pol\u00edtica e economicamente centralizado e hier\u00e1rquico. E nunca houve, ali, tradi\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, nem mesmo entre os agentes economicamente dominantes. Essa caracter\u00edstica se conjugou com o capitalismo em sua \u00e9poca imperialista e monopolista.<\/li>\n\n\n\n<li>\u00c9 verdade que, hoje, com a crescente urbaniza\u00e7\u00e3o, a China passou a importar umaquantidade relevante de produtos aliment\u00edcios, especialmente gr\u00e3os e carne. No entanto, historicamente, e ainda hoje, o pa\u00eds se destaca como uma pot\u00eancia agr\u00edcola. Em um ambiente natural privilegiado, a China desenvolveu, desde a antiguidade, sistemas agr\u00edcolas avan\u00e7ados, especialmente no cultivo de arroz, trigo e outros gr\u00e3os essenciais. A introdu\u00e7\u00e3o precoce de inova\u00e7\u00f5es, como sistemas de irriga\u00e7\u00e3o, rota\u00e7\u00e3o de culturas e o uso de fertilizantes naturais, contribuiu para esse avan\u00e7o. O pa\u00eds possui vastas terras ar\u00e1veis, especialmente nas regi\u00f5es do Yangtz\u00e9 e do Rio Amarelo. Mesmo com crises alimentares, como as geradas pelo chamado Grande Salto para Frente de Mao Zedong, o pa\u00eds conseguiu direcionar o excedente agr\u00edcola para o processo de industrializa\u00e7\u00e3o, com menores preocupa\u00e7\u00f5es quanto ao abastecimento interno, ao menos nos est\u00e1gios iniciais do processo.<\/li>\n\n\n\n<li>A transfer\u00eancia em massa de empresas para a China, em busca de m\u00e3o de obra barata, n\u00e3o gerou, diretamente, capital para as empresas chinesas, mas indiretamente sim, pois injetou capital externo que alimentou o pa\u00eds com novas fontes de renda apropriadas pelos trabalhadores e pelo Estado, por meio de taxa\u00e7\u00f5es. Essa renda apropriada pelos trabalhadores alimentou em parte o capital chin\u00eas, via consumo e novos impostos. Assim, uma enorme massa de valor migrou do mundo para a China e foi convertida em capital predominantemente pela a\u00e7\u00e3o do Estado.<\/li>\n\n\n\n<li>Acreditamos, tamb\u00e9m, que a China foi subestimada pelas grandes pot\u00eancias ocidentais. Diversos fatores podem ter contribu\u00eddo para isso. \u00c9 poss\u00edvel que o papel discreto da China durante a Guerra Fria, os grandes esfor\u00e7os militares dos Estados Unidos ap\u00f3s o 11 de setembro, e a disputa global pelo petr\u00f3leo tenham desviado o foco da principal transforma\u00e7\u00e3o que estava em curso. Preconceitos em rela\u00e7\u00e3o ao mundo oriental, especialmente \u00e0 China, tamb\u00e9m podem ter influenciado. Al\u00e9m disso, a aus\u00eancia da China, por um longo per\u00edodo, de disputas geopol\u00edticas globais de grande destaque, enquanto se centrava inicialmente no desenvolvimento interno, pode ter contribu\u00eddo.<\/li>\n\n\n\n<li>Por fim, temos o plano bem sucedido, do ponto de vista inter-capitalista, do projeto de desenvolvimento capitalista chin\u00eas levado a cabo pela burocracia estatal. Esse projeto partiu de uma enorme centraliza\u00e7\u00e3o j\u00e1 existente, sobretudo nos setores banc\u00e1rios, da ind\u00fastria de base e de infraestrutura. Esse projeto precisa ser estudado mais a fundo, mas com certeza inclui os seguintes componentes:<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>\u2794 A centraliza\u00e7\u00e3o estatal das empresas de base: energia, sider\u00fargica, miner\u00e1rias, petr\u00f3leo, infraestrutura, petroqu\u00edmica de modo a oferecer insumos baratos para os setores manufaturados, comumente dominados pelo setor privado. \u2794 Aquisi\u00e7\u00e3o de tecnologia estrangeira por meio joint-ventures (parcerias p\u00fablico-privadas) com empresas ocidentais, atra\u00eddas pelo enorme mercado consumidor chin\u00eas atrelado a uma legisla\u00e7\u00e3o que, nos setores estrat\u00e9gicos, impede a entrada direta de empresas estrangeiras. Tamb\u00e9m por meio de engenharia reversa, espionagem etc\u2026, o que \u00e9 favorecido pela presenta massiva de empresas estrangeiras de tecnologia no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>A estrat\u00e9gia impulsionada pelo governo chin\u00eas, pode ser notada pela composi\u00e7\u00e3o de suas respectivas empresas presentes na base de dados aqui em an\u00e1lise. A participa\u00e7\u00e3o do Estado nessas empresas, parcial ou integral, expressa com nitidez essa estrat\u00e9gia de desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1) Empresas 100% estatais (29 empresas):<\/strong> SGCC (State Grid Corporation of China), Sinopec (China Petroleum &amp; Chemical Corporation), CSCEC (China State Construction Engineering Corporation),<\/p>\n\n\n\n<p>CREC (China Railway Engineering Corporation), CRCC (China Railway Construction Corporation), CCCC (China Communications Construction Company), BAIC (Beijing Automotive Industry Corporation), PetroChina (controlada pela CNPC \u2013 China National Petroleum Corporation), China Shenhua Energy (parte do grupo Shenhua), COSCO Shipping, Huaneng Power International, Huadian Power International, Energy China (China Energy Engineering Corporation), China Telecom, China Mobile, China Unicom, CNOOC (China National Offshore Oil Corporation), PowerChina (Power Construction Corporation of China), Aluminum Corporation of China<\/p>\n\n\n\n<p>(Chinalco), China Southern Airlines, Air China, China Eastern Airlines, CRRC (China Railway Rolling Stock Corporation), CNBM (China National Building Material Group), China Resources Land, Poly Real Estate, SinoTrans, SAC (Shanghai Aircraft Manufacturing Company), Xian Aircraft Industrial Corporation.<\/p>\n\n\n\n<p>O perfil dominante das empresas 100% estatais abrange setores como energia, telecomunica\u00e7\u00f5es, transporte e constru\u00e7\u00e3o pesada. Cabe perguntar: por que o governo chin\u00eas prioriza esses setores como 100% estatais? No caso da constru\u00e7\u00e3o pesada e dos transportes, n\u00e3o h\u00e1 grandes novidades. S\u00e3o \u00e1reas que exigem somas massivas de capital, sem possibilidade de retorno no curto prazo. No mundo inteiro, \u00e9 o Estado que geralmente assume tais investimentos, ainda que em alguns casos delegue sua administra\u00e7\u00e3o ao setor privado e terceirize os processos. No entanto, a China optou por manter empresas estatais expressivas para lidar com esses empreendimentos, especialmente no setor de infraestrutura.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos setores de energia e telecomunica\u00e7\u00f5es, o controle 100% estatal \u00e9 fundamental. Acreditamos que esse controle esteja relacionado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de insumos em larga escala, com alta produtividade e lucratividade relativamente baixa, o que permite pre\u00e7os reduzidos em \u00e1reas que s\u00e3o a base de toda a cadeia produtiva. Ao reduzir os lucros nesses setores, o governo chin\u00eas, na pr\u00e1tica, transfere valor para todas as demais empresas da cadeia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estatais com Capital Aberto (31 empresas)<\/strong>: ICBC (Industrial and Commercial Bank of China) , Ping An Insurance , CCB (China Construction Bank), ABCHINA (Agricultural Bank of China), BOC (Bank of China), BOCOM (Bank of Communications), Shanghai Pharmaceuticals, CR Pharmaceutical (China Resources Pharmaceutical), Xiamen C&amp;D, Xiamen ITG, Metallurgical Corporation of China, Jiangxi<\/p>\n\n\n\n<p>Copper, Zijin Mining, Shaanxi Coal and Chemical Industry, HBIS\/HEBEI Iron and Steel Group, Angang Steel, Beijing Shougang, Shanghai Electric, Zoomlion Heavy Industry, Avic China (Aviation Industry Corporation of China), China Hongqiao Group, S.F. Holding., Guangzhou Automobile Group, Hisense Home Appliances, XMXYG (Xiamen Xiangyu Group Corporation), Sinochem International, Zoomlion Heavy Industry, TBEA (Xinjiang TBEA Group), SMIC (Semiconductor Manufacturing International Corporation), Baoshan Iron &amp; Steel.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui predomina o setor sider\u00fargico, bancos e seguros, minera\u00e7\u00e3o e metais, sa\u00fade e farmac\u00eautica. S\u00e3o setores que o Estado quer manter um grau de influ\u00eancia dentro da estrutura produtiva geral do pa\u00eds, com papel central no financiamento via bancos. No entanto, aqui, uma fra\u00e7\u00e3o da mais-valia j\u00e1 pode ser destinada ao capital privado, pois n\u00e3o h\u00e1 a necessidade, nem seria desej\u00e1vel, lucros abaixo do lucro m\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>100% Privadas (29 empresas)<\/strong>: Xiaomi, BYD, Great Wall Motors, Geely, Li Auto, Midea, TCL Technology, Gree Electric, Haier, Kweichow Moutai, NetEase, Hikvision (apesar de possuir la\u00e7os com o governo, \u00e9 privada), Kuaishou, Hisense Home Appliances, Wuxi Apptec, Luxshare Precision, Lenovo, Meituan, Didi, Tencent, SANY Group, China Evergrande Group, Suning.com., Kuaishou, Li<\/p>\n\n\n\n<p>Auto, Wuxi AppTec, Hengli Group, CATL (Contemporary Amperex Technology Co. Limited), Meituan<\/p>\n\n\n\n<p>As empresas 100% privadas est\u00e3o concentradas em setores de alta tecnologia, consumo e manufatura. S\u00e3o empresas que devem expandir o seu capital e adentrar em novos mercados no exterior. Ainda que todo o capital, pela sua pr\u00f3pria natureza, tenha a necessidade de se expandir para sobreviver, s\u00e3o os setores de bens de consumo final \u00e0queles que mais demandam unidades instaladas por todo o mundo. A ind\u00fastria de base, como o a\u00e7o, pode conquistar mercados estrangeiros apenas por meio da venda de seus produtos. Aqui o capital \u00e9 predominante privado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Privadas com Participa\u00e7\u00e3o Estatal (11 empresas)<\/strong>: Xian Aircraft (parte do grupo AVIC), FAW Group (First Automotive Works), Changan Automobile, Dongfeng Motor, Guangzhou Automobile Group (GAC Group), Inner Mongolia Yili Industrial Group, Hunan Valin Steel, CATL (Contemporary Amperex Technology), Weichai Power, SinoChem International, WanHua Chemical.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse caso, temos empresas de alta tecnologia, tamb\u00e9m voltadas a abarcarem n\u00e3o apenas o mercado interno, mas externo. No entanto, essas empresas est\u00e3o em setores que exigem grandes investimentos iniciais, necessitando de aportes do Estado centralizado para obterem os investimentos necess\u00e1rios. Temos setores como avia\u00e7\u00e3o, automotivos e tecnologia de baterias.<\/p>\n\n\n\n<p>A divis\u00e3o das empresas em estatais, estatais com capital aberto, privadas com participa\u00e7\u00e3o estatal e 100% privadas indica claramente uma estrat\u00e9gia capitalista de desenvolvimento, at\u00e9 certo ponto bem-sucedida. Enfatizamos esse &#8216;at\u00e9 certo ponto&#8217;. Todas essas empresas, incluindo as 100% estatais, operam dentro da l\u00f3gica capitalista de produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de riqueza, e, portanto, n\u00e3o est\u00e3o imunes \u00e0s contradi\u00e7\u00f5es que essa l\u00f3gica acarreta. O Estado pode definir prioridades e direcionar grandes somas de capital para setores estrat\u00e9gicos, mas n\u00e3o consegue eliminar as crises inerentes a essas rela\u00e7\u00f5es. J\u00e1 houve uma queda significativa no crescimento da economia chinesa, e in\u00fameros problemas sociais t\u00edpicos de uma economia capitalista desenvolvida come\u00e7am a surgir. O setor de constru\u00e7\u00e3o pesada e infraestrutura parece n\u00e3o conseguir mais manter o dinamismo de outros tempos, o que levanta a possibilidade de uma crise de grande escala, dado o porte dessas empresas. Nos pr\u00f3ximos anos, acompanharemos os desdobramentos desse processo.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><strong>AN\u00c1LISE SETORIAL: PRODUTIVIDADE, RENTABILIDADE E A TAXA M\u00c9DIA DE LUCRO<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Neste cap\u00edtulo, o centro \u00e9 a an\u00e1lise mundial do capitalismo com \u00eanfase nas diferen\u00e7as entre os m\u00faltiplos setores no que diz respeito a rentabilidade, produtividade e lucratividade.<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro cap\u00edtulo, em um n\u00edvel mais elevado de abstra\u00e7\u00e3o, tratamos do desenvolvimento global do grande capital nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, apontando para uma estagna\u00e7\u00e3o de sua reprodu\u00e7\u00e3o pelo menos nos \u00faltimos 10 anos, bem como pela maior centraliza\u00e7\u00e3o do capital existente. No segundo cap\u00edtulo, tratamos da disputa imperialista entre os pa\u00edses dominantes no interior dessas grandes empresas que conformam o grande capital. A an\u00e1lise indicou a manuten\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos como pot\u00eancia imperialista dominante, no entanto, com um enorme enfraquecimento de seus aliados (Europa e Jap\u00e3o) e ascens\u00e3o da China como nova pot\u00eancia imperialista. Agora, sem deixar de considerar esses dois momentos anteriormente examinados, consideramos a distribui\u00e7\u00e3o do capital entre os diversos setores que o comp\u00f5em com \u00eanfase nas suas respectivas lucratividades e produtividades.<\/p>\n\n\n\n<p>Comecemos pelo elemento mais importante, a taxa m\u00e9dia de lucro.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">1. A evolu\u00e7\u00e3o mundial da taxa m\u00e9dia de lucro<\/h5>\n\n\n\n<p>N\u00e3o temos ainda uma metodologia acabada para determinar a taxa m\u00e9dia de lucro global, especialmente por um fator decisivo, frequentemente negligenciado, que faz variar drasticamente as taxas de lucro entre os diversos setores: a rota\u00e7\u00e3o do capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Esquematicamente, setores com uma maior quantidade de rota\u00e7\u00f5es anuais podem ter taxas de lucro anuais relativamente menores do que outros que possuem um tempo maior de rota\u00e7\u00e3o, pois demandam proporcionalmente menos capital a cada rota\u00e7\u00e3o. Por exemplo, um capital de 200 milh\u00f5es de d\u00f3lares pode rodar 10 vezes ao ano, gerando uma receita superior a 2 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, enquanto um capital de mesma magnitude, que roda apenas uma vez ao ano, ter\u00e1 uma receita anual de 200 milh\u00f5es. Em ambos os casos, o capital efetivamente investido \u00e9 o mesmo, mas a receita anual do primeiro \u00e9 10 vezes maior devido \u00e0 quantidade de rota\u00e7\u00f5es. Esse quadro faz com que o lucro m\u00e9dio do primeiro, expresso em seus relat\u00f3rios anuais, seja bem menor que o do segundo, sem que isso signifique, necessariamente, que as taxas efetivas de lucro em rela\u00e7\u00e3o ao capital adiantado sejam diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema \u00e9 que a rota\u00e7\u00e3o do capital \u00e9 um dado sigiloso para todas as empresas, pois revela aspectos de sua t\u00e9cnica de produ\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o protegidos por segredos t\u00e9cnicos e comerciais. Existe a possibilidade de estimar o tempo de rota\u00e7\u00e3o por meio do n\u00edvel dos estoques e outros dados do balan\u00e7o patrimonial, mas ainda n\u00e3o atingimos resultados consistentes o suficiente para aplicar esse crit\u00e9rio de maneira confi\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, neste cap\u00edtulo, utilizamos a m\u00e9dia do lucro operacional das empresas. Esse percentual pode n\u00e3o indicar o valor exato da taxa de lucro em um dado momento, mas tende a refletir corretamente sua evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, especialmente porque mudan\u00e7as na rota\u00e7\u00e3o do capital ocorrem apenas ap\u00f3s revolu\u00e7\u00f5es nos procedimentos t\u00e9cnicos, o que n\u00e3o tende a acontecer em per\u00edodos inferiores a uma ou mais d\u00e9cadas. A abstra\u00e7\u00e3o da rota\u00e7\u00e3o do capital nos impede de fazer uma compara\u00e7\u00e3o precisa entre os diversos setores quanto \u00e0 taxa m\u00e9dia de lucro, mas n\u00e3o nos impede de avaliar a evolu\u00e7\u00e3o da taxa m\u00e9dia geral de lucro de todos os setores e a varia\u00e7\u00e3o dela em cada um.<\/p>\n\n\n\n<p>Para elucidar os limites e as possibilidades da metodologia aqui empregada, apresentamos um exemplo final. A constata\u00e7\u00e3o de que um setor como o com\u00e9rcio, particularmente o atacado, tem uma taxa de lucro operacional de 2% enquanto no setor sider\u00fargico essa taxa \u00e9 de 15%, n\u00e3o indica absolutamente nada. Afinal, essa diferen\u00e7a pode ser exclusivamente em fun\u00e7\u00e3o da rota\u00e7\u00e3o do capital, pois o setor do atacado, que nada precisa produzir e vende em massa, tende a realizar centenas de rota\u00e7\u00f5es em um ano. Pode realizar receitas anuais gigantescas com um capital relativamente pequeno. No entanto, \u00e9 significativo se observarmos que o lucro operacional do atacado caiu de 4% para 2%, ou que o do sider\u00fargico subiu de 10% para 15%. Da mesma forma, podemos trabalhar com a m\u00e9dia do lucro operacional desses dois setores quando o que est\u00e1 em quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a diferen\u00e7a entre eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de avan\u00e7armos, cabe outra pondera\u00e7\u00e3o. Nossa an\u00e1lise reflete a taxa de lucro m\u00e9dia das maiores empresas capitalistas do mundo, com exce\u00e7\u00e3o dos setores banc\u00e1rio e extrativo. Esse crit\u00e9rio pode n\u00e3o traduzir a evolu\u00e7\u00e3o global da taxa m\u00e9dia de lucro em todas as demais empresas. Isso se deve ao fato de esse recorte focar justamente as empresas monopolistas, capazes de extrair, no contexto da concorr\u00eancia, um lucro extra das demais empresas por meio de vantagens competitivas advindas do monop\u00f3lio e da financeiriza\u00e7\u00e3o. Sendo assim, \u00e9 poss\u00edvel que a taxa geral de lucro esteja caindo, como indicam estudos de Anwar Shaikh e Roberts, por exemplo. Contudo, temos d\u00favidas a esse respeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, os estudos de&nbsp; Shaikh e Roberts baseiam-se em um recorte que julgamos ainda mais problem\u00e1tico: mostram a evolu\u00e7\u00e3o da taxa de lucro a partir do Sistema das Contas Nacionais dos Estados Unidos. O fato de ser o principal pa\u00eds capitalista do mundo, apenas acentua a possibilidade de erros nessa abordagem, j\u00e1 que grande parte das unidades produtivas das empresas estadunidenses encontra-se em outros lugares do globo. A migra\u00e7\u00e3o em massa dessas empresas para outros pa\u00edses tende a concentrar nos Estados Unidos apenas os setores diretamente ligados \u00e0 administra\u00e7\u00e3o, pesquisa, desenvolvimento etc\u2026 Dessa forma, os custos mais altos ocorrem nos Estados Unidos, mas o lucro \u00e9 produzido e realizado, em grande parte, no exterior. Isso cria o vi\u00e9s de uma taxa de lucro decrescente dentro dos Estados Unidos, que n\u00e3o necessariamente corresponde \u00e0 taxa de lucro mundialmente realizada por suas empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>Some-se a isso que os Estados Unidos passaram por um forte processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, com a migra\u00e7\u00e3o de muitas de suas unidades produtivas para outros pa\u00edses. O d\u00e9ficit na balan\u00e7a comercial foi compensado pela transfer\u00eancia de rendimentos de suas empresas no exterior. Isso significa que os setores dominantes nos Estados Unidos est\u00e3o mais ligados \u00e0 circula\u00e7\u00e3o do capital do que \u00e0 sua produ\u00e7\u00e3o: setores como o com\u00e9rcio, caracterizados por altas taxas anuais de rota\u00e7\u00e3o e, por isso, uma lucratividade s\u00f3 aparentemente decrescente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, opinamos que o recorte do Sistema das Contas Nacionais dos Estados Unidos \u00e9 absolutamente inadequado para medir a evolu\u00e7\u00e3o global da taxa m\u00e9dia de lucro, at\u00e9 mesmo aquela verificada nas pr\u00f3prias empresas dos Estados Unidos cuja atua\u00e7\u00e3o global supera amplamente suas atividades dom\u00e9sticas.<\/p>\n\n\n\n<p>O vi\u00e9s indicado neste trabalho, embora ainda incompleto, consideramos mais adequado, pois avalia as empresas capitalistas de uma perspectiva global.<\/p>\n\n\n\n<p>Feitas essas considera\u00e7\u00f5es, apresentamos, no gr\u00e1fico a seguir, a taxa m\u00e9dia de lucro de todas as empresas que comp\u00f5em a base de dados do ILAESE. Para que essa taxa seja atingida sem influ\u00eancias perturbadoras, exclu\u00edmos dessa totaliza\u00e7\u00e3o o setor de capital portador de juros, cuja origem do rendimento \u00e9 majoritariamente o juro e n\u00e3o o lucro. Exclu\u00edmos tamb\u00e9m a ind\u00fastria extrativa, pois nesse setor o lucro se mistura \u00e0 renda diferencial, distorcendo sua real magnitude. Grande parte do montante que aparece como lucro em uma empresa da ind\u00fastria de petr\u00f3leo ou minera\u00e7\u00e3o, por exemplo, na verdade corresponde a renda diferencial. Grande parte do montante que aparece, por exemplo, como lucro em uma empresa da ind\u00fastria do petr\u00f3leo ou da minera\u00e7\u00e3o, em verdade \u00e9 renda diferencial.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"621\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem21-1024x621.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80325\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem21-1024x621.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem21-300x182.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem21-768x466.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem21-1536x931.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem21.png 2016w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Observa-se uma tend\u00eancia de queda na lucratividade bruta das empresas, que variou entre<\/p>\n\n\n\n<p>41% e 45% no per\u00edodo de 2004 a 2010, e desde ent\u00e3o tem se mantido no patamar de 39% a 42,5%. No entanto, a lucratividade bruta leva em conta apenas os custos de produ\u00e7\u00e3o. O crit\u00e9rio mais adequado para analisarmos a evolu\u00e7\u00e3o da taxa geral de lucro \u00e9 o lucro operacional, que reflete precisamente o excedente gerado pelas empresas ap\u00f3s a dedu\u00e7\u00e3o dos custos de circula\u00e7\u00e3o (principalmente, administra\u00e7\u00e3o e vendas). Sob essa \u00f3tica, nota-se uma certa estabilidade: durante o per\u00edodo considerado, o lucro operacional oscilou entre 9% e 11%, situando-se predominantemente na casa dos 10%. Portanto, entre as 500 maiores empresas do mundo analisadas, n\u00e3o se observa uma queda na taxa geral de lucro no per\u00edodo em quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Este cap\u00edtulo, portanto, deve dar indica\u00e7\u00f5es dos motivos de n\u00e3o ter se verificado uma queda na taxa geral de lucro, uma vez que essa \u00e9 uma tend\u00eancia necess\u00e1ria do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista.&nbsp; Acreditamos que v\u00e1rios fatores contribu\u00edram para essa estabilidade, e discutiremos cada um deles individualmente nos itens seguintes deste cap\u00edtulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes disso, apresentamos a taxa de lucro em cada um dos subsetores em que classificamos as empresas, incluindo aqueles que n\u00e3o foram considerados na totaliza\u00e7\u00e3o acima mencionada.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"856\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-23-856x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-80326\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-23-856x1024.jpg 856w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-23-251x300.jpg 251w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-23-768x918.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-23-1284x1536.jpg 1284w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-23.jpg 1338w\" sizes=\"auto, (max-width: 856px) 100vw, 856px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Nesses dados encontramos v\u00e1rios aspectos que ser\u00e3o detalhados e analisados na sequ\u00eancia, os principais que identificamos s\u00e3o os seguintes:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Existe um enorme crescimento da taxa de lucro no setor de bens de consumo final que passou de 10,16% em 2004 para 17,31% ao fim de 2023. No setor de meios de produ\u00e7\u00e3o se deu o contr\u00e1rio, uma queda de 12,79% para 9,06% em 2023.<\/li>\n\n\n\n<li>Como era de se esperar, o setor que obt\u00eam sua fra\u00e7\u00e3o da mais-valia por meio de juros (bancos e servi\u00e7os financeiros) e aqueles em que uma renda diferencial se agrega ao lucro (Petrol\u00edfero e extrativo minera) possuem grandes oscila\u00e7\u00f5es em seu lucro m\u00e9dio. A rentabilidade desses setores, como j\u00e1 dissemos, n\u00e3o se regula pelo lucro m\u00e9dio, mas pelo juro e pelo lucro m\u00e9dio agregado da renda diferencial.<\/li>\n\n\n\n<li>Como era de se esperar, setores do com\u00e9rcio (E-commerce, varejo e atacado) que tendem a possuir um maior n\u00famero de rota\u00e7\u00f5es anuais em rela\u00e7\u00e3o a outros setores possuem taxas de lucro aparentemente mais baixas. Esse lucro menor \u00e9 apenas aparente, posto que a rota\u00e7\u00e3o acelerada do capital camufla sua real magnitude nas receitas anuais. \u2714 Os novos ramos de produ\u00e7\u00e3o (ind\u00fastria digital) ou ramos que passaram por revolu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas criando novos produtos (eletr\u00f4nicos de ponta em bens de consumo final) s\u00e3o os que possuem o maior crescimento em suas respectivas taxas de lucro. A ind\u00fastria digital passou de 22,34% para incr\u00edveis 42,42%. Os eletr\u00f4nicos de ponta passaram de 9,74% para 18,76%. O fato de ser um novo ramo de produ\u00e7\u00e3o, por si s\u00f3, n\u00e3o justifica uma taxa de lucro mais elevada que os demais, pois todos os ramos de produ\u00e7\u00e3o se regulam pelo lucro m\u00e9dio. Acreditamos que esse fato deve-se ao enorme grau de monop\u00f3lio verificado nesse setor, num patamar muito superior aos setores oriundos de revolu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas anteriores. Basta ver a fatia de mercado abarcada por empresas como Samsumg, Apple, Alphabet (google), Meta e Microsoft.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Por mais que a concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o do capital possa explicar uma taxa geral de lucro provavelmente maior nas grandes empresas do que nas pequenas e m\u00e9dias, abrindo a possibilidade de que uma queda na taxa m\u00e9dia de lucro de toda sociedade tenha de fato ocorrido; fato \u00e9 que os elementos que explicam a manuten\u00e7\u00e3o dessa taxa m\u00e9dia de lucro entre as 500 maiores empresas do mundo nos \u00faltimos 20 anos est\u00e3o colocados nesses mesmos dados.<\/p>\n\n\n\n<p>Trataremos deles individualmente, um a um.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">2. O avan\u00e7o do capital constante e dos custos de produ\u00e7\u00e3o<\/h5>\n\n\n\n<p>O avan\u00e7o da produtividade do trabalho e, consequentemente, do capital constante sobre o total do valor adicionado pela atividade dos trabalhadores \u00e9 uma tend\u00eancia necess\u00e1ria no capitalismo, embora v\u00e1rios fatores possam contrariar o seu desenvolvimento. Neste item, abordaremos especificamente o crescimento do capital constante, deixando as tend\u00eancias que atuam em sentido contr\u00e1rio para os itens seguintes. Adiantamos, com base nos dados dispon\u00edveis, que tal tend\u00eancia se verificou.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro ind\u00edcio \u00e9 a composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital: a rela\u00e7\u00e3o entre o capital constante \u2014 investido na aquisi\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas, equipamentos e insumos, ou seja, em custos produtivos \u2014 e o capital vari\u00e1vel, destinado ao pagamento dos trabalhadores. Nessa an\u00e1lise, dois limites s\u00e3o impostos pelo formato atual dos relat\u00f3rios microecon\u00f4micos: (1) o capital vari\u00e1vel de que dispomos refere-se ao total de trabalhadores empregados, incluindo aqueles n\u00e3o diretamente envolvidos no processo de produ\u00e7\u00e3o; e (2) como a maioria das empresas n\u00e3o fornece dados sobre a massa salarial, a an\u00e1lise fica restrita a aproximadamente 40% das empresas consideradas que disponibilizam essa informa\u00e7\u00e3o. Com esses limites, a composi\u00e7\u00e3o encontrada \u00e9 a seguinte:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"496\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem22-1024x496.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80327\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem22-1024x496.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem22-300x145.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem22-768x372.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem22-1536x744.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem22.png 1998w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Como se observa, apesar de uma inflex\u00e3o negativa entre 2014 e 2020, a tend\u00eancia geral \u00e9 de eleva\u00e7\u00e3o na composi\u00e7\u00e3o do capital. \u00c9 evidente que essas oscila\u00e7\u00f5es refletem tamb\u00e9m a varia\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os. Ainda assim, a exclus\u00e3o do setor extrativo do c\u00e1lculo minimiza essa influ\u00eancia perturbadora. Al\u00e9m disso, o aumento de 289,6% em 2001 para 406% em 2023 dificilmente pode ser explicado apenas pela varia\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os, j\u00e1 que estes afetam tanto os componentes do capital constante quanto os bens de consumo final, adquiridos em grande parte pelos trabalhadores com a renda proveniente do capital vari\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o somente, os custos de produ\u00e7\u00e3o (sem exclus\u00e3o dos sal\u00e1rios) tamb\u00e9m cresceram quando consideramos o total da receita realizada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"500\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem23-1024x500.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80328\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem23-1024x500.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem23-300x147.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem23-768x375.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem23-1536x750.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem23.png 1998w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, nesse per\u00edodo, houve revolu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que impactaram diretamente a produtividade em setores j\u00e1 consolidados, como o automobil\u00edstico, impulsionado pela coreana Hyundai, o que abriu caminho para a chamada Ind\u00fastria 4.0.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, como sabemos, o aumento da produtividade do trabalho, ao expandir o capital constante, tende a reduzir a taxa m\u00e9dia de lucro. Pelo menos entre esse grupo dominante de empresas, isso n\u00e3o ocorreu. Assim, nos pr\u00f3ximos itens, devemos responder \u00e0 quest\u00e3o: quais fatores impediram a queda da taxa de lucro nos \u00faltimos 20 anos?<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">3. A redu\u00e7\u00e3o dos custos de circula\u00e7\u00e3o<\/h5>\n\n\n\n<p>Um dos fatores que contribuiu para o aumento da mais-valia total e da sua parcela correspondente ao lucro foi a redu\u00e7\u00e3o dos custos de circula\u00e7\u00e3o. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, grande parte das inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, especialmente na ind\u00fastria digital, focaram-se na automa\u00e7\u00e3o de sistemas de vendas e administra\u00e7\u00e3o, o que reduziu drasticamente os custos associados a essas atividades. Al\u00e9m disso, surgiram mercadorias exclusivamente digitais, como softwares, sistemas informatizados e arquivos de texto, \u00e1udio e v\u00eddeo, que podem ser distribu\u00eddos globalmente com um simples clique.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a eleva\u00e7\u00e3o da produtividade no trabalho de produ\u00e7\u00e3o aumenta o peso do capital constante e tende a reduzir a taxa de lucro, a redu\u00e7\u00e3o dos custos de circula\u00e7\u00e3o age de forma diferente, pois esses custos impactam negativamente a valoriza\u00e7\u00e3o do capital. As atividades de circula\u00e7\u00e3o, por n\u00e3o agregarem valor, representam custos improdutivos; assim, a sua redu\u00e7\u00e3o eleva a taxa de valoriza\u00e7\u00e3o do capital e, consequentemente, a taxa de lucro. Infelizmente, esse tema \u00e9 pouco explorado entre os marxistas, que frequentemente se concentram apenas no <em>Livro I<\/em> de <em>O Capital<\/em> e desconsideram o <em>Livro II<\/em>, onde os custos de circula\u00e7\u00e3o s\u00e3o analisados em profundidade. Pois bem, a redu\u00e7\u00e3o dos custos de circula\u00e7\u00e3o \u00e9 observ\u00e1vel tanto no conjunto das empresas da base, excluindo as do setor extrativo e as portadoras de juros, quanto nas empresas especificamente do capital produtivo ou industrial, excetuando-se tamb\u00e9m o setor extrativo<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. Esse panorama \u00e9 detalhado a seguir.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Exclu\u00edmos, tamb\u00e9m aqui, esses setores da totaliza\u00e7\u00e3o dos dados, pois, nesses casos, o rendimento produzido n\u00e3o resulta apenas do trabalho realizado neles, mas tamb\u00e9m da transfer\u00eancia de valores entre setores por meio de juros e da renda diferencial. Embora os custos de circula\u00e7\u00e3o se reduzam em todos os setores quando h\u00e1 uma revolu\u00e7\u00e3o na t\u00e9cnica associada, uma altera\u00e7\u00e3o na taxa geral de juros, por exemplo, tende a aumentar ou diminuir a arrecada\u00e7\u00e3o de um banco sem qualquer rela\u00e7\u00e3o direta com a produtividade do trabalho de circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"542\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem24-1024x542.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80329\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem24-1024x542.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem24-300x159.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem24-768x407.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem24-1536x813.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem24.png 2011w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"545\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem25-1024x545.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80330\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem25-1024x545.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem25-300x160.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem25-768x409.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem25-1536x818.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem25.png 2000w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Como se v\u00ea, em ambos os casos, os custos de circula\u00e7\u00e3o ca\u00edram em torno de 5% sobre os custos de produ\u00e7\u00e3o. O crescimento do capital constante associado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o fora, em partes, contrabalanceado pela queda no capital constante associado \u00e0 circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">4. Os novos ramos de produ\u00e7\u00e3o<\/h5>\n\n\n\n<p>Por fim, consideramos o fator mais importante: o surgimento de novos ramos de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por que a emerg\u00eancia de novos ramos de produ\u00e7\u00e3o contribui para a eleva\u00e7\u00e3o da taxa de lucro? Para esclarecer esse ponto, recapitulamos o mecanismo interno da taxa geral de lucro.<\/p>\n\n\n\n<p>A taxa m\u00e9dia de lucro se estabelece pela partilha da mais-valia global na propor\u00e7\u00e3o do capital total investido, independentemente da composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica de cada ramo de produ\u00e7\u00e3o espec\u00edfico. Assim, se a taxa m\u00e9dia de lucro \u00e9 de 10%, o lucro da maioria das empresas capitalistas tende a girar em torno dessa taxa. Se o capital investido \u00e9 de 100 milh\u00f5es de d\u00f3lares, o lucro auferido tende a ser de 10 milh\u00f5es. O problema \u00e9 que essa taxa de lucro se aplica a capitais com composi\u00e7\u00f5es de valor muito distintas. Por exemplo, considere um <em>capital 1<\/em> que antecipa 10 milh\u00f5es de d\u00f3lares em capital constante e 90 milh\u00f5es em capital vari\u00e1vel, em compara\u00e7\u00e3o com um <em>capital 2<\/em> que aplica 90 milh\u00f5es de d\u00f3lares em capital constante e 10 milh\u00f5es de d\u00f3lares em capital vari\u00e1vel. Como apenas o trabalho abstrato dos trabalhadores produz valor e o valor dos elementos que comp\u00f5em o capital constante \u00e9 apenas transferido ao produto final pelo seu trabalho concreto, abstraindo de diferen\u00e7as na qualifica\u00e7\u00e3o do trabalho e de poss\u00edveis inefici\u00eancias produtivas, segue-se que, no exemplo anterior, o <em>capital 1<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>produziu 9 vezes mais valor que o <em>capital 2<\/em>, apesar disso, ambos se apropriaram da mesma taxa de lucro. Como isso \u00e9 poss\u00edvel?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel porque, por meio da concorr\u00eancia e de oscila\u00e7\u00f5es nos pre\u00e7os, valor fora transferido de todos os capitais com composi\u00e7\u00e3o inferior a m\u00e9dia para capitais com composi\u00e7\u00e3o de valor superior a m\u00e9dia. \u00c9 o que Marx denomina de <em>comunismo capitalista<\/em>. Esse mecanismo \u00e9 necess\u00e1rio e vital para o capitalismo, pois, n\u00e3o fosse assim, capitalista algum adiantaria seu capital em setores com composi\u00e7\u00e3o muito elevada. Optaria sempre por setores que agregam mais valor e, assim, produziriam maior lucro.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois bem, quando um novo ramo de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 criado, com uma t\u00e9cnica rec\u00e9mdesenvolvida, a tend\u00eancia \u00e9 que a maior parte do capital adiantado seja ocupada pelo capital vari\u00e1vel. Ou seja, esses novos ramos de produ\u00e7\u00e3o, ao serem estabelecidos, tendem a ter uma composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica relativamente baixa, agregando proporcionalmente mais valor que ramos mais antigos, que j\u00e1 passaram por um longo processo hist\u00f3rico de desenvolvimento. \u00c0 medida que esses novos ramos de produ\u00e7\u00e3o criam proporcionalmente mais valor, esse valor \u00e9 distribu\u00eddo entre os demais ramos por meio da equaliza\u00e7\u00e3o, aumentando a taxa geral de lucro. O cerne da quest\u00e3o \u00e9 que, se a t\u00e9cnica se desenvolve a partir do n\u00edvel em que se encontrava anteriormente, o est\u00e1gio menos desenvolvido de uma t\u00e9cnica ocorre em seu surgimento. Materialmente, isso significa que esses novos ramos de produ\u00e7\u00e3o tendem a possuir, no in\u00edcio, uma propor\u00e7\u00e3o significativamente maior de trabalhadores em rela\u00e7\u00e3o aos meios de produ\u00e7\u00e3o mobilizados. \u00c9 evidente que esse novo ramos de produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tende a elevar sua produtividade, tamb\u00e9m tende a investir cada vez mais em tecnologia, elevando sua composi\u00e7\u00e3o. No entanto, o faz a partir de um patamar muito baixo que apenas paulatinamente vai se elevando.<\/p>\n\n\n\n<p>Resta precisar o que \u00e9 um novo ramo de produ\u00e7\u00e3o.&nbsp; N\u00e3o estamos falando da introdu\u00e7\u00e3o de novos produtos para o consumo, mas da cria\u00e7\u00e3o de um novo ramo de produ\u00e7\u00e3o, cuja t\u00e9cnica \u00e9 completamente nova, em vez de um aprimoramento das t\u00e9cnicas j\u00e1 existentes. Tomemos como exemplo a ind\u00fastria digital ou de softwares, desenvolvida principalmente a partir da d\u00e9cada de 1970 e que, nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, se expandiu enormemente. A tend\u00eancia desse setor, em seus prim\u00f3rdios, foi alocar a maior parte do capital adiantado no capital vari\u00e1vel; e, mesmo hoje, o ele ainda ocupa uma fra\u00e7\u00e3o desse capital significativamente superior \u00e0 m\u00e9dia dos demais setores.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse fator \u00e9, sem d\u00favida, o mais importante pelo fato de que um novo ramo de produ\u00e7\u00e3o tende a interferir na taxa m\u00e9dia de lucro por toda uma \u00e9poca hist\u00f3rica. N\u00e3o se trata de uma contratend\u00eancia conjuntural e tempor\u00e1ria. Al\u00e9m disso, novos ramos de produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m possibilitam a expans\u00e3o do capital em ramos anteriormente inexistentes, al\u00e9m de incorporarem novas novas necessidades no consumo e sobreviv\u00eancia, elevando o valor da for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois bem, na base de dados, apenas um subsetor pode ser considerado de fato um novo ramo de produ\u00e7\u00e3o, ainda que, a ele, se agregue um segundo:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Ind\u00fastria digital<\/strong>: O novo setor por excel\u00eancia das \u00faltimas duas d\u00e9cadas: inclui a produ\u00e7\u00e3o de softwares de todos os tipos: Google, Microsoft, Alphabet etc\u2026<\/li>\n\n\n\n<li><strong>E-Commerce<\/strong>: Esse setor, em partes, apenas concorre e substitui o com\u00e9rcio tradicional, mas inclui novas modalidades de com\u00e9rcio anteriormente inexistentes, al\u00e9m de se mesclarem ao setor da ind\u00fastria digital. Esse \u00e9 o caso, por exemplo, da Amazon, que oferece uma ampla gama de servi\u00e7os de armazenamento digital e que abarca a maior parte do capital a\u00ed investido.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Temos ainda dois outros setores que n\u00e3o s\u00e3o novos ramos de produ\u00e7\u00e3o propriamente ditos, pois decorrem do setor eletroeletr\u00f4nico emergente na passagem do s\u00e9culo XIX para o s\u00e9culo XX. Surgem, portanto, com uma t\u00e9cnica j\u00e1 razoavelmente desenvolvida e com elevada composi\u00e7\u00e3o de capital. No entanto, trata-se de produtos inteiramente novos e anteriormente inexistentes. Capazes, portanto, de criar campos in\u00e9ditos para o investimento do capital excedente al\u00e9m de incorporarem novas necessidades de consumo ao conjunto dos trabalhadores. S\u00e3o eles:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Eletr\u00f4nicos de ponta bens de consumo final<\/strong>: Inclui empresas que produzem smartphones, computadores e afins.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Eletr\u00f4nicos de ponta meios de produ\u00e7\u00e3o<\/strong>: inclui semicondutores, processadores, baterias e equipamentos de telecomunica\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Apresentamos abaixo o percentual ocupado por cada um dos subsetores em termos da receita l\u00edquida das respectivas empresas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"950\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-24-950x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-80331\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-24-950x1024.jpg 950w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-24-278x300.jpg 278w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-24-768x827.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-24-1426x1536.jpg 1426w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-24.jpg 1485w\" sizes=\"auto, (max-width: 950px) 100vw, 950px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel ver como os 4 ramos de produ\u00e7\u00e3o indicados saltaram em sua participa\u00e7\u00e3o no conjunto do mercado mundial. Tornaram-se setores dominantes. A evolu\u00e7\u00e3o percentual de todos eles somados, \u00e9 a que se segue:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"380\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem26-1024x380.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80332\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem26-1024x380.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem26-300x111.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem26-768x285.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem26-1536x569.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem26.png 2010w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>De 5% em 2001, esses setores passaram a representar 12,5% do mercado mundial em 2023, com base nas grandes empresas a\u00ed consideradas. Na verdade, essa participa\u00e7\u00e3o de 12,5% \u00e9 uma estimativa subvalorizada, uma vez que todos esses setores apresentam, em m\u00e9dia, um trabalho de qualifica\u00e7\u00e3o mais elevada, o que agrega mais valor por trabalhador.<\/p>\n\n\n\n<p>A complexidade m\u00e9dia do trabalho pode ser avaliada considerando a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de todos os setores, j\u00e1 que ela reflete o n\u00edvel de qualifica\u00e7\u00e3o e a complexidade do trabalho, os quais est\u00e3o diretamente relacionados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de valor. Apresentamos a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia anual por trabalhador, considerando as empresas de cada setor cuja massa salarial foi divulgada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"852\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem27-1024x852.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80333\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem27-1024x852.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem27-300x250.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem27-768x639.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem27-1536x1278.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem27.png 1890w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Como se v\u00ea, com base na m\u00e9dia salarial, o setor da ind\u00fastria digital \u00e9 de longe o que apresenta maior complexidade de trabalho, com uma remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia anual de 170,9 mil d\u00f3lares por trabalhador. Esse setor n\u00e3o apenas emprega proporcionalmente mais trabalhadores em rela\u00e7\u00e3o ao capital mobilizado, como os trabalhadores empregados agregam, na m\u00e9dia, mais valor que os demais setores. O setor dos eletr\u00f4nicos de ponta meios de produ\u00e7\u00e3o apresenta a terceira maior m\u00e9dia salarial. E o E-Commerce uma m\u00e9dia 4 vezes superior ao setor comercial tradicional.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nisso, consideramos a participa\u00e7\u00e3o desses novos ramos de produ\u00e7\u00e3o com base no total de trabalhadores empregados, ponderados pela m\u00e9dia da remunera\u00e7\u00e3o. Com esse crit\u00e9rio, o peso dos novos ramos de produ\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos tradicionais \u00e9 o que se segue:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"321\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem28-1024x321.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80334\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem28-1024x321.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem28-300x94.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem28-768x241.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem28-1536x481.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem28-2048x642.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Como se v\u00ea, cerca de um quarto do valor agregado em todas as empresas consideradas devem-se aos novos ramos de produ\u00e7\u00e3o. Em 2023 esse percentual foi de 24,53%. Mas esse percentual est\u00e1 estagnado desde 2020. Se \u00e9 verdade que esses novos setores chegaram em um teto para sua expans\u00e3o, crescendo agora organicamente na propor\u00e7\u00e3o de todos os demais Todos esses quatro ramos de produ\u00e7\u00e3o considerados representaram novo capital criado nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, possibilitando que, por distintas media\u00e7\u00f5es, para l\u00e1 migrem os capitais excedentes da sociedade. Mas apenas a ind\u00fastria digital, por ser um novo ramo de produ\u00e7\u00e3o propriamente dito, contribui no sentido da eleva\u00e7\u00e3o da taxa m\u00e9dia de lucro. E, de fato, essa hip\u00f3tese se confirma. Apresentamos a composi\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de capital dos diversos setores:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1011\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-25-1011x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-80335\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-25-1011x1024.jpg 1011w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-25-296x300.jpg 296w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-25-768x778.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-25-1517x1536.jpg 1517w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-25.jpg 1580w\" sizes=\"auto, (max-width: 1011px) 100vw, 1011px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A composi\u00e7\u00e3o de valor no setor da ind\u00fastria digital \u00e9 t\u00e3o baixa que chega a ser negativa. O motivo \u00e9 o seguinte: a massa salarial divulgada nos relat\u00f3rios das empresas refere-se ao total de trabalhadores empregados, n\u00e3o apenas aos que atuam na produ\u00e7\u00e3o. Na ind\u00fastria digital (assim como na farmac\u00eautica), o custo com o total de trabalhadores empregados supera os custos espec\u00edficos de produ\u00e7\u00e3o, os quais incluem apenas os trabalhadores diretamente envolvidos na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer forma, observa-se que a ind\u00fastria digital possui a composi\u00e7\u00e3o de valor mais baixa de todas, enquanto o setor de eletr\u00f4nicos de ponta voltado para meios de produ\u00e7\u00e3o (como semicondutores e baterias) apresenta uma das composi\u00e7\u00f5es mais baixas (114%). A composi\u00e7\u00e3o de valor das empresas de E-Commerce \u00e9 de 257%, enquanto no com\u00e9rcio tradicional chega a 671%. A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o \u00e9 o setor de eletr\u00f4nicos de ponta voltado para bens de consumo final, que, apesar de ser um novo ramo de produ\u00e7\u00e3o em termos do produto, como dissemos, \u00e9 tecnicamente uma evolu\u00e7\u00e3o do setor eletroeletr\u00f4nico, apresentando, assim, uma composi\u00e7\u00e3o elevada.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, os novos ramos de produ\u00e7\u00e3o, sobretudo a ind\u00fastria digital, ao se tornar um ramo dominante, tem certamente um grande papel na manuten\u00e7\u00e3o da taxa m\u00e9dia de lucro nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas. Todos os 4 ramos considerados, que s\u00e3o novos ramos do ponto de vista do produto, representaram nas \u00faltimas d\u00e9cadas novos campos de investimento para o capital excedente da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma evid\u00eancia mais nesse sentido pode ser obtida pela distribui\u00e7\u00e3o dos dividendos sobre o lucro l\u00edquido total das empresas. \u00c9 o que apresentamos a seguir:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"759\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem29-1024x759.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80336\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem29-1024x759.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem29-300x222.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem29-768x569.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem29-1536x1138.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem29.png 1987w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio do que versa o senso comum econ\u00f4mico, os dividendos n\u00e3o expressam, via de regra, a renda dos capitalistas. Muito pouco dos dividendos \u00e9 utilizado pelo capitalista em seu consumo, sobretudo no caso das grandes empresas capitalistas cujos lucros anuais est\u00e3o quase sempre na casa dos bilh\u00f5es de d\u00f3lares. O capitalista j\u00e1 \u00e9 o propriet\u00e1rio de todo o capital de onde adv\u00e9m seu dividendo. O papel dos dividendos \u00e9 transferir capital de um ramo a outro, permitindo que o capital excedente encontre locais de investimento em setores com algum grau de expans\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dados anteriores, vemos como esses novos ramos de produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o os que distribuem, proporcionalmente, menos dividendos. N\u00e3o faz sentido distribuir dividendos em uma empresa em expans\u00e3o, pois essa mesma empresa, ao se expandir, se apresenta como o melhor lugar para reinvestir o capital excedente que ela pr\u00f3pria gera. Basta reinvestir todo o lucro l\u00edquido na pr\u00f3pria empresa, sem distribuir nenhum dividendo. Devemos aprofundar esse tema, pois ele \u00e9 decisivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Empresas do setor de ind\u00fastria digital, como GOOGLE (Alphabet), META, ADOBE, SALESFORCE e BAIDU, e do E-commerce, como AMAZON, MERCADOLIVRE e PINDUODUO, praticamente nunca distribu\u00edram dividendos, apesar de seus lucros bilion\u00e1rios. Outras empresas do setor de eletr\u00f4nicos de ponta e E-commerce, como ALIBABA, JD.COM, EBAY, APPLE e DELL, apenas come\u00e7aram a distribuir dividendos recentemente e, ainda assim, um percentual relativamente pequeno do lucro l\u00edquido: bem abaixo de 20%. Isso ocorre porque, nas grandes empresas, o dividendo \u00e9 apenas uma forma de alocar capital em outros ramos, uma busca de autovaloriza\u00e7\u00e3o do capital migrando de setores que j\u00e1 n\u00e3o conseguem mais se expandir.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sem raz\u00e3o, o economista indo-americano Aswath Damodaran, considerado uma autoridade em valuation de empresas, define os dividendos como a devolu\u00e7\u00e3o do capital aos capitalistas em empresas no seu est\u00e1gio final de exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ilustrar, apresentamos mais um exemplo: a maior empresa financeira do mundo, BERKSHIRE, com um faturamento de 364 bilh\u00f5es de d\u00f3lares ao fim de 2023, jamais distribuiu um centavo em dividendos. Na verdade, seu estatuto nem permite tal distribui\u00e7\u00e3o. O motivo \u00e9 que, nesse caso, trata-se de uma empresa cuja principal atividade \u00e9 comprar e recomprar a\u00e7\u00f5es de outras empresas. Simplesmente n\u00e3o faz sentido distribuir dividendos, pois realocar capital de um ramo a outro, de uma empresa a outra, por meio da compra e venda de a\u00e7\u00f5es, \u00e9 a atividade essencial da BERKSHIRE.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, na conclus\u00e3o deste item, arriscamos alguns progn\u00f3sticos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel ver como as empresas que comp\u00f5em esses novos ramos de produ\u00e7\u00e3o obtiveram um grande salto em 2020, ano da pandemia. No gr\u00e1fico da p\u00e1gina 44, observamos que elas saltaram do patamar de 10-20% para 24% do total de valor criado entre as cerca de 500 empresas consideradas neste estudo. Desde ent\u00e3o, mantiveram esse mesmo patamar de 24%. Se estiver correto que esses novos ramos ocuparam um espa\u00e7o na economia capitalista que j\u00e1 n\u00e3o permite que cres\u00e7am em um ritmo pr\u00f3ximo ao da d\u00e9cada anterior, a reprodu\u00e7\u00e3o do capital no pr\u00f3ximo per\u00edodo poder\u00e1 atingir um patamar cr\u00edtico: a inexist\u00eancia de novos ramos de produ\u00e7\u00e3o que possibilitem escoar o valor excedente dos demais. Se for esse o caso, um cen\u00e1rio de crises em um patamar jamais visto nas \u00faltimas d\u00e9cadas se avizinha.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><strong>Barateamento do capital constante: China, salvando o capitalismo mundial<\/strong><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>5.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Via de regra, o barateamento dos elementos que comp\u00f5em o capital constante n\u00e3o pode ser uma tend\u00eancia de longo prazo que impe\u00e7a a queda na taxa de lucro. Isso ocorre porque, mesmo que os elementos que comp\u00f5em o capital constante barateiem em 50% com a eleva\u00e7\u00e3o da produtividade do trabalho, caso os bens de consumo final tamb\u00e9m se tornem mais baratos na mesma propor\u00e7\u00e3o, a taxa de lucro n\u00e3o \u00e9 alterada. No entanto, na situa\u00e7\u00e3o mundial atual, temos um fator peculiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Como vimos, a China \u00e9 o grande produtor mundial de meios de produ\u00e7\u00e3o, ou seja, da chamada cadeia de suprimentos. Grande parte dessa produ\u00e7\u00e3o, conforme discutido no cap\u00edtulo anterior, \u00e9 realizada por empresas estatais. Essas empresas, via de regra, obt\u00eam lucros baixos com o objetivo de reduzir o custo de toda a cadeia de suprimentos e, assim, abastecer o setor de bens de consumo final (geralmente privado) com meios de produ\u00e7\u00e3o baratos. Esse fen\u00f4meno pode ser observado ao analisarmos os lucros m\u00e9dios decrescentes de quase todos os setores de meios de produ\u00e7\u00e3o, dominados pela China.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses dados j\u00e1 foram apresentados na p\u00e1gina 37, onde \u00e9 poss\u00edvel observar o lucro decrescente e, por vezes, at\u00e9 negativo do setor de energia, dominado por empresas estatais chinesas. O mesmo ocorre no setor sider\u00fargico, exceto nos \u00faltimos tr\u00eas anos, quando o pre\u00e7o do a\u00e7o foi impulsionado pela pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, ao centralizar a produ\u00e7\u00e3o de insumos em empresas estatais, a China concentra fortemente o capital em unidades produtivas gigantescas, com elevad\u00edssima produtividade do trabalho. A produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7o na China chega a um ponto em que, mesmo com altos custos de transporte, ele poderia ser revendido a pre\u00e7os muito mais baixos do que os a\u00e7os dom\u00e9sticos do Brasil e dos Estados Unidos, impondo elevadas tarifas alfandeg\u00e1rias. Com essa din\u00e2mica, o lucro m\u00e9dio do setor produtor de meios de produ\u00e7\u00e3o tem ca\u00eddo de forma sistem\u00e1tica, enquanto cresce o lucro do setor produtor de bens de consumo final, como indicamos a seguir:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"534\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem30-1024x534.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80337\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem30-1024x534.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem30-300x156.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem30-768x400.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem30-1536x801.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem30.png 2043w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Opinamos que esse \u00e9 o principal fator que tem evitado a queda da taxa de lucro neste s\u00e9culo: o barateamento dos elementos que comp\u00f5em o capital constante em uma propor\u00e7\u00e3o muito superior \u00e0 dos bens de consumo final. Esse fen\u00f4meno tem sido sustentado pela China, especialmente por meio de suas empresas estatais, que deliberadamente praticam lucros baixos, eliminando concorrentes e tornando a produ\u00e7\u00e3o no setor de bens de consumo final dentro da China (seja com empresas chinesas ou estrangeiras) uma das mais rent\u00e1veis do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>O setor de meios de produ\u00e7\u00e3o, apoiado pelo Estado, est\u00e1 na base do sucesso da industrializa\u00e7\u00e3o chinesa, favorecendo a migra\u00e7\u00e3o para o pa\u00eds de unidades produtivas de diversas empresas globais, bem como das empresas chinesas, ao fornecer insumos baratos para toda a cadeia de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">6. Taxa de lucro e produtividade nos principais pa\u00edses<\/h5>\n\n\n\n<p>Encerramos com algumas considera\u00e7\u00f5es adicionais sobre a evolu\u00e7\u00e3o da taxa m\u00e9dia de lucro das empresas nos respectivos pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>O que indicamos no item anterior nos permite entender por que a taxa m\u00e9dia de lucro das empresas chinesas \u00e9 relativamente baixa. As empresas estatais chinesas nos setores de infraestrutura, energia e meios de produ\u00e7\u00e3o realizam, de forma consciente, lucros baixos \u2014 suficientes apenas para a renova\u00e7\u00e3o da escala de produ\u00e7\u00e3o. O Estado consegue sustentar essa pr\u00e1tica ao mediar a amplia\u00e7\u00e3o da escala de produ\u00e7\u00e3o por meio dos seus quatro grandes bancos ultracentralizados. Desse modo, as taxas m\u00e9dias de lucro (operacional) nos principais pa\u00edses, com exclus\u00e3o dos setores portadores de juros e extrativo pelos motivos j\u00e1 citados, s\u00e3o as seguintes:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"417\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-26-1024x417.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-80338\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-26-1024x417.jpg 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-26-300x122.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-26-768x312.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-26-1536x625.jpg 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-26.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia chinesa no setor de meios de produ\u00e7\u00e3o ou bens intermedi\u00e1rios, a taxa m\u00e9dia de lucro realizada nas empresas chinesas \u00e9, em m\u00e9dia, relativamente baixa.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse fato, no entanto, nada tem a ver com a produtividade do trabalho na China, pois essa produtividade \u00e9 mais elevada justamente no setor de meios de produ\u00e7\u00e3o, que realiza os lucros mais baixos. \u00c9 o que veremos.<\/p>\n\n\n\n<p>Estimar a produtividade do trabalho \u00e9 uma das tarefas mais complexas, j\u00e1 que a produtividade do trabalho \u00e9 um atributo do trabalho concreto, n\u00e3o do trabalho abstrato. Ela est\u00e1 relacionada ao conjunto de mercadorias produzidas em uma determinada unidade de tempo e n\u00e3o ao tempo de trabalho diretamente. O problema \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel comparar a produtividade em setores cujos produtos s\u00e3o completamente diferentes entre si. A qualidade do produto \u00e9 outro fator relevante; n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel comparar a produtividade em termos de toneladas de a\u00e7o produzidas com a quantidade de carros produzidos, ou mesmo entre a quantidade de carros populares e de Ferraris produzidos por um determinado grupo de trabalhadores. Para uma aproxima\u00e7\u00e3o, devemos buscar algum crit\u00e9rio monet\u00e1rio, baseado na qualidade comum do dinheiro, que possibilite essa compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A melhor maneira que encontramos para mensurar a produtividade \u00e9 por meio dos custos de produ\u00e7\u00e3o por trabalhador. Essa m\u00e9trica indica precisamente a quantidade de valor que cada trabalhador transfere ao produto final por meio de seu trabalho concreto. Esse crit\u00e9rio \u00e9, sem d\u00favida, melhor do que o lucro ou o valor adicionado por trabalhador, pois esses indicadores incluem uma equaliza\u00e7\u00e3o da taxa de lucro que distorce completamente a correla\u00e7\u00e3o entre o valor produzido e sua express\u00e3o monet\u00e1ria nos relat\u00f3rios econ\u00f4micos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse crit\u00e9rio proposto apresenta alguns limites e \u00e9 pass\u00edvel de ser aprimorado. O principal deles \u00e9 que pa\u00edses cujas empresas apresentam uma composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica de capital mais elevada tendem a ter sua produtividade do trabalho superestimada, j\u00e1 que o maior custo de produ\u00e7\u00e3o por trabalhador pode ser em fun\u00e7\u00e3o na natureza t\u00e9cnica das atividades dominantes naquele pa\u00eds e n\u00e3o tanto em fun\u00e7\u00e3o de sua produtividade. De qualquer modo, julgamos que ele \u00e9 melhor do que outros crit\u00e9rios existentes, possibilitando, no m\u00ednimo, a avalia\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o da produtividade no curso do tempo. Com esse crit\u00e9rio, a produtividade do trabalho chin\u00eas \u00e9 a mais elevada entre os principais pa\u00edses da disputa imperialista: Estados Unidos, Alemanha, Jap\u00e3o, Reino Unido e Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"551\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem31-1024x551.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80339\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem31-1024x551.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem31-300x161.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem31-768x413.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem31-1536x826.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem31.png 1980w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"310\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-27-1024x310.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-80340\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-27-1024x310.jpg 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-27-300x91.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-27-768x232.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-27-1536x465.jpg 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-27.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Na China, os custos de produ\u00e7\u00e3o por trabalhador eram os mais baixos entre os pa\u00edses considerados entre 2001 e 2009. No entanto, cresceram continuamente at\u00e9 atingir o topo da produtividade em 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>O que existe na China, em verdade, \u00e9 um descompasso entre a produtividade dos setores produtores de meios de produ\u00e7\u00e3o e de bens de consumo final. Ela se destaca no primeiro, mas ainda est\u00e1 bem atr\u00e1s na produtividade do segundo, como indicamos a seguir:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"379\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem35-1024x379.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80341\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem35-1024x379.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem35-300x111.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem35-768x284.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem35-1536x569.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem35-2048x758.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"425\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem33-1024x425.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-80342\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem33-1024x425.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem33-300x125.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem33-768x319.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem33-1536x638.png 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem33-2048x851.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Como se v\u00ea, a produtividade do trabalho chinesa \u00e9 a mais elevada no setor de meios de produ\u00e7\u00e3o, mas ainda est\u00e1 bem aqu\u00e9m dos Estados Unidos, Jap\u00e3o e Alemanha no setor que produz bens de consumo final. O avan\u00e7o nesse \u00faltimo setor, por meio, por exemplo, de carros el\u00e9tricos, eletrodom\u00e9sticos, smartphones, avi\u00f5es, etc., est\u00e1 no centro da estrat\u00e9gia chinesa para o pr\u00f3ximo per\u00edodo e da disputa comercial em curso na divis\u00e3o imperialista do capitalismo mundial.<br><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">ANEXOS<\/h5>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">1. Lista das empresas utilizadas por setor<\/h5>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">MEIOS DE PRODU\u00c7\u00c3O&nbsp;<\/h5>\n\n\n\n<p><strong>TRANSPORTE<\/strong>: DSV, FEDEX, UPS, EXPEDITORS, DHL, K\u00dcHNE and NAGEL, SINOTRANS, NIPPON EXPRESS, BOLLORE, C.H. ROBINSON, MOELLER-MAERSK, HAPAG-LLOYD, S. F. HOLDING, XMXYG, MITSUI O.S.K., COSCO SHIPPING, JAPAN POST, UNION PACIFIC CORPORATION, EAST JAPAN RAILWAY.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TELECOMUNICA\u00c7\u00d5ES:<\/strong> CHINA MOBILE, VERIZON, COMCAST, NTT, DTE, TELEF\u00d3NICA, VODAFONE, ORANGE, AT&amp;T, KDDI, CHINA TELECOM, CHINA UNICOM.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SIDERURGIA: <\/strong>ARCELORMITTAL, THYSSENKRUPP, NIPPON STEEL, POSCO, NUCOR, GERDAU, BAOSHAN, HBIS\/HEBEI, TATA STEEL, ANGANG STEEL, BEIJING SHOUGANG, HUNAN VALIN, US STEEL, CSN, JFE, JSW STEEL, ALUMINUM CORPORATION OF CHINA, CHINA HONGQIAO.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>QU\u00cdMICA E PETROQU\u00cdMICA<\/strong>: BASF, BAYER, AIR LIQUIDE, LYONDELL BASELL, EVONIK, COVESTRO, SHERWIN-WILLIAMS, SOLVAY, ARKEMA, LANXESS, AKZO, CLARIANT, GIVAUDAN, PPG, DOW, DUPONT, MITSUBISHI CHEMICAL, VALERO, SINOPEC, MARATHON PETROLEUM, NESTE, FORMOSA, LG CHEM, LINDE, HENGLI, SUMITOMO, TORAY, YARA, BRASKEM, SINOCHEM INTERNATIONAL, SK, INDIAN OIL, WANHUA CHEMICAL, EASTMAN CHEMICAL.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>INSUMOS DIVERSOS<\/strong>: INTERNACIONAL PAPER, AMGEN, CONTINENTAL, MCKESSON, CNBM, HANWHA, BRIDGESTONE, GOODYEAR, INNOLUX, LUXSHARE, PEGATRON, FLEX.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ENERGIA<\/strong>: ENEL, IBERDROLA, NACIONAL GRID, DUKE ENERGY, DOMINION ENERGY, E.ON, SOUTHERN COMPANY, SEMPRA ENERGY, ENGIE, CENTRICA, SGCC, UNIPER, EDF France, RWE, TEPCO, ENBW, EXELON, NEXTERA, HUANENG POWER, ENERGY CHINA, HUADIAN POWER.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SEMICONDUTORES, BATERIAS E EQUIPAMENTOS DE TELECOMUNICA\u00c7\u00d5ES<\/strong>: APPLIED MATERIALS, TAIWAN SEMICONDUCTOR, MICRON TECHNOLOGY, INTEL, HUAWEI, ANALOG DEVICES, TOKYO<\/p>\n\n\n\n<p>ELECTRON, CISCO SYSTEMS, LAM RESEARCH, NXP, NVIDIA, AMD, STMicroelectronics, BROADCOM, TEXAS INSTRUMENTS, QUALCOMM, FOXCONN, INFINEON, ERICSSON, CATL, ASML , ADVANCED MICRO DEVICES, SMIC.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>IND\u00daSTRIA DE CONSTRU\u00c7\u00c3O:<\/strong> VINCI, DR. HORTON, CREC, CHINA EVERGRANDE, CSCEC, ACS, HOCHTIEF, CCCC, BOUYGUES, POWERCHINA, CRCC, FLUOR CORPORATION, SAMSUNG C&amp;T, L&amp;T, STRABAG, CNCEC.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>M\u00c1QUINAS E EQUIPAMENTOS<\/strong>: CATERPILLAR, DEERE, CNH, ABB, FERGUSON, THERMO FISHER, DANAHER, MEDTRONIC, CARDINAL HEALTH, HONEYWELL, BAKER HUGHES, ATLAS COPCO, SCHLUMBERGER, SANY, XCMG, KOMATSU, CRRC, WEICHAI POWER, HD HYUNDAI, HYUNDAI MOBIS, ZOOMLION HEAVY INDUSTRY, TBEA, SHANGHAI ELECTRIC, EATON, SCHNEIDER , LEGRAND, EMERSON, L3HARRIS, HITACHI, MITSUBISHI ELECTRIC, PHILIPS, SIEMENS.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AEROESPACIAL<\/strong>: GENERAL ELECTRIC, RTX, BAE SYSTEMS, SAFRAN, ROLLS ROYCE, THALES, AVICHINA.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">IND\u00daSTRIA EXTRATIVA<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>PETROL\u00cdFERA<\/strong>: EXXON MOBIL, SHELL, EQUINOR, PETROBRAS, BP, TOTAL, CHEVRON, PETROCHINA, RELIANCE INDUSTRIES, CNOOC, CONOCO PHILLIPS, ENI, SUNCOR ENERGY, OCCIDENTAL PETROLEUM, ENEOS HOLDINGS, REPSOL, ROSNEFT, GAZPROM, LUKOIL, NOVATEK, SURGUTNEFTEGAS, EOG RESOURCES, ENBRIDGE, CANADIAN NATURAL RESOURCES, PEMEX, WOODSIDE PETROLEUM, DEVON ENERGY, PTT.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXTRATIVA MINERAL<\/strong>: ANGLO AMERICAN, BHP, RIO TINTO, VALE, CHINA SHENHUA, NEWMONT, CONOCOPHILLIPS, GLENCORE PLC, METALLURGICAL CHINA, SHAANXI COAL, FREEPORT-MCMORAN, JIANGXI COPPER, ZIJIN MINING, VEDANTA.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AGROPECU\u00c1RIA<\/strong>: ADM, WILMAR, OLAM.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">BENS DE CONSUMO FINAL<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>T\u00caXTIL<\/strong>: TJX COMPANIES, ADIDAS, NIKE, PUMA, V.F. Corporation, ZALANDO, PVH, FAST RETAILING, GRASIM.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>IND\u00daSTRIA DIGITAL<\/strong>: GOOGLE (Alphabet), META, IBM, MICROSOFT, TENCENT, SAP, INFOSYS, ORACLE, ADOBE, SALESFORCE, BLACKBERRY, BAIDU, WMWARE, WORKDAY, KUAISHOU, NETEASE, TCS.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ELETROELETR\u00d4NICOS DE PONTA<\/strong>: APPLE, SAMSUNG, HP, HPE, XIAOMI, LENOVO, ZTE, DELL, HIKVISION, TCL TECHNOLOGY.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ELETROELETR\u00d4NICOS TRADICIONAIS: <\/strong>LG, SONY, PANASONIC, CANON, ELECTROLUX, SHARP, NINTENDO, TOSHIBA, NOKIA, MIDEA, WHIRLPOOL, SEB, FUJITSU, HAIER, KODAK, XEROX, NEC, GREE ELECTRIC, HISENSE HOME.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ALIMENTOS<\/strong>: NESTL\u00c9, PEPSI CO, ANHEUSER-BUSCH INBEV, COCA-COLA, MCDONALD, MONDELEZ, DANONE, SYSCO, TYSON FOODS, JBS, KWEICHOW MOUTAI, INNER MONGOLIA YILI, HEINEKEN, FMX, GENERAL MILLS, CHINA MENGNIU.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FARMAC\u00caUTICA<\/strong>: JOHNSON &amp; JOHNSON, ROCHE, ASTRA ZENECA, NOVARTIS, SANOFI, MERCK&amp;CO, PFIZER, ABBOTT, BRISTOL-MYERS, GLAXOSMITHKLINE, TEVA, GILEAD SCIENCES, ELI LILLY, MERCK, TAKEDA, LONZA, THERMO FISHER SCIENTIFIC, ABBVIE, BIOGEN, BAXTER INTERNATIONAL, SHANGHAI PHARMACEUTICALS, NOVO NORDISK, CR PHARMACEUTICAL, SINOPHARM, WUXI APPTEC.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CONSUMO GERAIS<\/strong>: PROCTER &amp; GAMBLE, UNILEVER, L&#8217;OREAL, COLGATE-PALMOLIVE, KIMBERLYCLARK, HENKEL, KAO, BEIERSDORF, KIRIN, BRITISH TOBACCO, ALTRIA, IMPERIAL BRANDS, PHILIP MORRIS, JAPAN TOBACCO.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AUTOIND\u00daSTRIA<\/strong>: STELLANTIS (FCA), VOLKSWAGEN, NISSAN, FORD, GENERAL MOTORS, MERCEDES-<\/p>\n\n\n\n<p>BENZ, HONDA, RENAULT, HYUNDAI, TOYOTA, PEUGEOT, BMW, VOLVO, PACCAR, SAIC MOTOR, GEELY, GREAT WALL, DONGFENG, GUANGZHOU, BAIC, MAZDA, TATA MOTORS, TESLA, BYD, FAW, CHANGAN, FERRARI, SUZUKI, SUBARU, LI AUTO, YAMAHA MOTOR.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ARTIGOS DE LUXO<\/strong>: LOUIS VUITTON, CHRISTIAN DIOR, KERING, HERMES, RICHEMONT, PRADA.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AEROESPACIAL<\/strong>: BOEING, AIRBUS, LOCKHEED MARTIN, EMBRAER, NORTHROP, BOMBARDIER, SAC, XIAN AIRCRAFT.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">CAPITAL COMERCIAL<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>VAREJO E ATACADO<\/strong>: CENCORA, ITOCHU, XIAMEN ITG, XIAMEN C&amp;D, MARUBENI, METRO AG,<\/p>\n\n\n\n<p>WALMART, HOME DEPOT, CVS HEALTH, COSTCO, TARGET, WALGREENS, AHOLD DELHAIZE, LOWE&#8217;S, KROGER, TESCO, CARREFOUR, SEVEN, J SAINSBURY, WESFAMERS, BEST BUY, WOOLWORTHS, SUNING.COM, X5 RETAIL.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E-COMMERCE<\/strong>: ALIBABA, AMAZON, JD.COM, EBAY, MERCADOLIVRE, RAKUTEN, PINDUODUO.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">CAPITA DE \u201cSERVI\u00c7OS\u201d<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>TRANSPORTE<\/strong>: DELTA AIR LINES, AMERICAN AIRLINES, LUFTHANSA, UBER, CHINA SOUTHERN, UNITED AIRLINES, AIR FRANCE-KLM, SOUTHWEST AIRLINES, CHINA EASTERN, DIDI, MEITUAN, AIR CHINA.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SERVI\u00c7OS GERAIS<\/strong>: ACCENTURE, PEARSON, MITSUI, CHINA RESOURCES LAND, CBRE, COMPASS GROUP, SODEXO, POLY REAL STATE, VEOLIA.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SA\u00daDE<\/strong>: UNITEDHEALTH , FRESENIUS, HCA, ELEVANCE, DAVITA, HUMANA, CIGNA, CENTENE.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>COMUNICA\u00c7\u00c3O<\/strong>: WALT DISNEY, NETFLIX, SPOTIFY, WARNER, WARNER MUSIC, VIVENDI.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">CAPITA PORTADOR DE JUROS<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>BANCOS<\/strong>: JP MORGAN, SANTANDER, ICBC, BANK OF AMERICA, CCB, ABCHINA, BOC, BOCOM,<\/p>\n\n\n\n<p>CITIGROUP, HSBC, BNP PARIBAS, MITSUBISHI FINANCIAL, WELLS FARGO, ROYAL BANK, CREDIT SUISSE, DEUTSCHE BANK, BARCLAYS, CR\u00c9DIT AGRICOLE, COMMONWEALTH, GOLDMAN SACHS, MORGAN STANLEY, UBS, RBS, UniCredit, ING BANK, MIZUHO, SOCI\u00c9T\u00c9 G\u00c9N\u00c9RALE, LLOYDS BANK, NORDEA.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>INSTITUI\u00c7\u00d5ES FINANCEIRAS<\/strong>: BERKSHIRE, VISA, MASTERCARD, PING AN INSURANCE, CHINA LIFE, AXA, ALLIANZ, ING, AIG, DAI-ICHI LIFE.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">2. Lista de empresas utilizadas por pa\u00eds sede<\/h5>\n\n\n\n<p><strong>ESTADOS UNIDOS<\/strong><strong>: 155 EMPRESAS. <\/strong>FEDEX, UPS, EXPEDITORS, C.H. ROBINSON, UNION PACIFIC CORPORATION, VERIZON, COMCAST, AT&amp;T, NUCOR, US STEEL, LYONDELL BASELL, SHERWIN-WILLIAMS, PPG, DOW, DUPONT, VALERO, MARATHON PETROLEUM, EASTMAN CHEMICAL, INTERNACIONAL PAPER, AMGEN, MCKESSON, GOODYEAR, DUKE ENERGY, DOMINION ENERGY, SOUTHERN COMPANY, SEMPRA ENERGY, EXELON, NEXTERA, APPLIED MATERIALS, MICRON TECHNOLOGY, INTEL, ANALOG DEVICES, CISCO SYSTEMS, LAM RESEARCH, NVIDIA, AMD, BROADCOM, TEXAS INSTRUMENTS, QUALCOMM, ADVANCED MICRO DEVICES, DR. HORTON, FLUOR CORPORATION, CATERPILLAR, DEERE, FERGUSON, THERMO FISHER, DANAHER, MEDTRONIC, CARDINAL HEALTH, HONEYWELL, BAKER HUGHES, SCHLUMBERGER, EATON, EMERSON, L3HARRIS, GENERAL ELECTRIC, RTX, EXXON MOBIL, CHEVRON, CONOCO PHILLIPS, OCCIDENTAL PETROLEUM, EOG RESOURCES, DEVON<\/p>\n\n\n\n<p>ENERGY, NEWMONT, CONOCOPHILLIPS, FREEPORT-MCMORAN, ADM, TJX COMPANIES, NIKE, V.F. Corporation, PVH, GOOGLE (Alphabet), META, IBM, MICROSOFT, ORACLE, ADOBE, SALESFORCE, WMWARE, WORKDAY, APPLE, HP, HPE, DELL, PEPSI CO, COCA-COLA, MCDONALD, MONDELEZ, SYSCO, TYSON FOODS, GENERAL MILLS, JOHNSON &amp; JOHNSON, MERCK&amp;CO, PFIZER, ABBOTT, BRISTOL-MYERS, GILEAD SCIENCES, ELI LILLY, THERMO FISHER SCIENTIFIC, ABBVIE, BIOGEN, BAXTER INTERNATIONAL, WHIRLPOOL, KODAK, XEROX, PROCTER &amp; GAMBLE, COLGATE-PALMOLIVE, KIMBERLY-CLARK, ALTRIA, PHILIP MORRIS, FORD, GENERAL MOTORS, PACCAR, TESLA, BOEING, LOCKHEED MARTIN, NORTHROP, CENCORA, WALMART, HOME DEPOT, CVS HEALTH, COSTCO, TARGET, WALGREENS, LOWE&#8217;S, KROGER, BEST BUY, AMAZON, EBAY, DELTA AIR LINES, AMERICAN AIRLINES, UBER, UNITED AIRLINES, SOUTHWEST AIRLINES, CBRE, UNITEDHEALTH , HCA, ELEVANCE, DAVITA, HUMANA, CIGNA, CENTENE, WALT DISNEY, NETFLIX, WARNER, WARNER MUSIC, JP MORGAN, BANK OF AMERICA, CITIGROUP, WELLS FARGO, GOLDMAN SACHS, MORGAN STANLEY, BERKSHIRE, VISA, MASTERCARD, AIG.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CHINA<\/strong><strong>: 100 EMPRESAS<\/strong>.&nbsp;&nbsp; SAIC MOTOR, SINOPHARM, MIDEA, XIAOMI, CR PHARMACEUTICAL, HAIER, BYD,<\/p>\n\n\n\n<p>SHANGHAI PHARMACEUTICALS, GREE ELECTRIC, BAIC, TCL TECHNOLOGY, GREAT WALL, BAIDU, ZTE,<\/p>\n\n\n\n<p>DONGFENG, INNER MONGOLIA YILI, KWEICHOW MOUTAI, CHANGAN, GEELY, FAW, CHINA MENGNIU, NETEASE, HIKVISION, KUAISHOU, GUANGZHOU, HISENSE HOME, SAC, XIAN AIRCRAFT, LI AUTO, WUXI APPTEC, PING AN<\/p>\n\n\n\n<p>INSURANCE, ICBC, CHINA LIFE, CCB, ABCHINA, BOC, BOCOM, JD.COM, ALIBABA, XIAMEN C&amp;D, XIAMEN ITG,<\/p>\n\n\n\n<p>SUNING.COM, PINDUODUO, PETROCHINA, METALLURGICAL CHINA, JIANGXI COPPER, CHINA SHENHUA, ZIJIN MINING, SHAANXI COAL, SGCC, SINOPEC, CSCEC, CREC, CRCC, CCCC, HUAWEI, POWERCHINA, XMXYG, CHINA TELECOM, BAOSHAN, COSCO SHIPPING, ENERGY CHINA, CNBM, ALUMINUM CORPORATION OF CHINA, CHINA EVERGRANDE, CRRC, S. F. HOLDING, HUANENG POWER, WEICHAI POWER, HENGLI, HUNAN VALIN, LUXSHARE, HBIS\/HEBEI, WANHUA CHEMICAL, CNCEC, ANGANG STEEL, BEIJING SHOUGANG, SHANGHAI ELECTRIC, CATL, SINOTRANS, CHINA HONGQIAO, SANY, HUADIAN POWER, XCMG, SINOCHEM INTERNATIONAL, ZOOMLION HEAVY INDUSTRY, TBEA, AVICHINA, SMIC, POLY REAL STATE, MEITUAN, DIDI, CHINA RESOURCES LAND, CHINA SOUTHERN, AIR CHINA, CHINA EASTERN, CHINA MOBILE, TENCENT, LENOVO, CHINA UNICOM, CNOOC.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>JAP\u00c3O<\/strong><strong>: 45 EMPRESAS<\/strong>. TOYOTA, HONDA, ITOCHU, NTT, MITSUI, JAPAN POST, HITACHI, SONY, SEVEN, MARUBENI, NISSAN, DAI-ICHI LIFE, ENEOS HOLDINGS, PANASONIC, NIPPON STEEL, KDDI, TEPCO, MITSUBISHI ELECTRIC, JFE, MITSUBISHI CHEMICAL, MIZUHO, FUJITSU, TAKEDA, SUZUKI, CANON, TOSHIBA, MITSUBISHI FINANCIAL, BRIDGESTONE, MAZDA, NEC, KOMATSU, SUMITOMO, SUBARU, SHARP, JAPAN TOBACCO, TORAY, FAST RETAILING, TOKYO ELECTRON, EAST JAPAN RAILWAY, KIRIN, YAMAHA MOTOR, NIPPON EXPRESS, NINTENDO, RAKUTEN, KAO, MITSUI O.S.K.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ALEMANHA<\/strong><strong>: 31 EMPRESAS<\/strong>. VOLKSWAGEN, UNIPER, MERCEDES-BENZ, ALLIANZ, BMW, DTE, DHL, E.ON, BASF, SIEMENS, BAYER, FRESENIUS, THYSSENKRUPP, CONTINENTAL, ENBW, SAP, DEUTSCHE BANK, METRO AG, RWE, HAPAG-LLOYD, HOCHTIEF, ADIDAS, HENKEL, MERCK, LUFTHANSA, COVESTRO, EVONIK, INFINEON, ZALANDO, BEIERSDORF, LANXESS, PUMA.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FRAN\u00c7A<\/strong><strong>: 31 EMPRESAS<\/strong>. TOTAL, AXA, EDF France, CARREFOUR, LOUIS VUITTON, CHRISTIAN DIOR, ENGIE, VINCI,<\/p>\n\n\n\n<p>BNP PARIBAS, ORANGE, RENAULT, BOUYGUES, SANOFI, L&#8217;OREAL, SCHNEIDER , VEOLIA, SOCI\u00c9T\u00c9 G\u00c9N\u00c9RALE, DANONE, AIR LIQUIDE, CR\u00c9DIT AGRICOLE, KERING, SODEXO, BOLLORE, THALES, SAFRAN, AIR FRANCE-KLM, VIVENDI, ARKEMA, HERMES, SEB, LEGRAND, PEUGEOT.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>GR\u00c3 BRETANHA<\/strong><strong>: 21 EMPRESAS<\/strong>. SHELL, BP, TESCO, RIO TINTO, UNILEVER, HSBC, GLAXOSMITHKLINE, IMPERIAL BRANDS, VODAFONE, ANGLO AMERICAN, J SAINSBURY, ASTRA ZENECA, BRITISH TOBACCO, BAE SYSTEMS, BARCLAYS, NACIONAL GRID, COMPASS GROUP, LLOYDS BANK, CENTRICA, ROLLS ROYCE, RBS, PEARSON.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SU\u00cd\u00c7A<\/strong><strong>: 13 EMPRESAS<\/strong>. GLENCORE PLC, NESTL\u00c9, ROCHE, NOVARTIS, K\u00dcHNE and NAGEL, UBS, ABB, CREDIT SUISSE, RICHEMONT, STMicroelectronics, GIVAUDAN, LONZA, CLARIANT<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00cdNDIA<\/strong><strong>: 11 EMPRESAS<\/strong>. RELIANCE INDUSTRIES, INDIAN OIL, TATA MOTORS, TATA STEEL, TCS, L&amp;T, JSW STEEL, VEDANTA, INFOSYS, GRASIM.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>COREIA DO SUL<\/strong><strong>: 10 EMPRESAS<\/strong>. SK, SAMSUNG, HYUNDAI, LG, POSCO, HANWHA, LG CHEM, HYUNDAI MOBIS, SAMSUNG C&amp;T, HD HYUNDAI.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PA\u00cdSES BAIXOS<\/strong><strong>: 8 EMPRESAS<\/strong>. AHOLD DELHAIZE, HEINEKEN, ASML , ING BANK, ING, PHILIPS, AKZO, NXP.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BRASIL<\/strong><strong>: 7 EMPRESAS<\/strong>. PETROBRAS, JBS, VALE, BRASKEM, GERDAU, CSN, EMBRAER.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TAIWAN<\/strong><strong>: 6 EMPRESAS<\/strong>. FOXCONN, TAIWAN SEMICONDUCTOR, PEGATRON, INNOLUX, FORMOSA <strong>SU\u00c9CIA: 6 EMPRESAS<\/strong>. ELECTROLUX, VOLVO, ERICSSON, ATLAS COPCO, NORDEA, SPOTIFY.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>R\u00daSSIA<\/strong><strong>: 6 EMPRESAS<\/strong>. GAZPROM, LUKOIL, ROSNEFT, X5 RETAIL, SURGUTNEFTEGAS, NOVATEK.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>IT\u00c1LIA<\/strong><strong>: 6 EMPRESAS<\/strong>. ENEL, ENI, UniCredit, CNH, FERRARI, PRADA.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CANAD\u00c1<\/strong><strong>: 6 EMPRESAS<\/strong>. ROYAL BANK, ENBRIDGE, SUNCOR ENERGY, CANADIAN NATURAL RESOURCES, BOMBARDIER, BLACKBERRY.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AUSTR\u00c1LIA<\/strong><strong>: 5 EMPRESAS<\/strong>. BHP, WOOLWORTHS, WESFAMERS, COMMONWEALTH, WOODSIDE PETROLEUM.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ESPANHA<\/strong><strong>: 5 EMPRESAS<\/strong>. SANTANDER, REPSOL, TELEF\u00d3NICA, IBERDROLA, ACS.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FINL\u00c2NDIA<\/strong><strong>: 2 EMPRESAS<\/strong>. NOKIA, NESTE<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CINGAPURA<\/strong><strong>: 3 EMPRESAS<\/strong>. WILMAR, OLAM, FLEX.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>DINAMARCA<\/strong><strong>: 3 EMPRESAS<\/strong>. MOELLER-MAERSK, DSV, NOVO NORDISK.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>B\u00c9LGICA<\/strong><strong>: 2 EMPRESAS<\/strong>. ANHEUSER-BUSCH INBEV, SOLVAY.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>IRLANDA<\/strong><strong>: 2 EMPRESAS<\/strong>. ACCENTURE, LINDE<\/p>\n\n\n\n<p><strong>M\u00c9XICO<\/strong><strong>: 2 EMPRESAS<\/strong>. PEMEX, FMX<\/p>\n\n\n\n<p><strong>NORUEGA<\/strong><strong>: 2 EMPRESAS<\/strong>. EQUINOR, YARA<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c1USTRIA<\/strong><strong>: 1 EMPRESA<\/strong>. STRABAG<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FRAN\u00c7A-ALEMANHA (IT\u00c1LIA-ESPANHA)<\/strong><strong>: 1 EMPRESA<\/strong>. AIRBUS<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TAIL\u00c2NDIA<\/strong><strong>: 1 EMPRESA<\/strong>. PTT<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ISRAEL<\/strong><strong>: 1 EMPRESA<\/strong>. TEVA<\/p>\n\n\n\n<p><strong>IT\u00c1LIA-ESTADOS UNIDOS-FRAN\u00c7A<\/strong><strong>: 1 EMPRESA<\/strong>. STELLANTIS (FCA)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>LUXEMBURGO<\/strong><strong>: 1 EMPRESA<\/strong>. ARCELORMITTAL<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TAIL\u00c2NDIA<\/strong><strong>: 1 EMPRESA<\/strong>. PTT<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ARGENTINA<\/strong><strong>: 1 EMPRESA<\/strong>. MERCADOLIVRE<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>80 maiores empresas do mundo em termos de receita l\u00edquida<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Receita Corrente L\u00edquida<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"837\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-33-1024x837.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-80343\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-33-1024x837.jpg 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-33-300x245.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-33-768x628.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-33-1536x1256.jpg 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-33.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"970\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-34-1024x970.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-80344\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-34-1024x970.jpg 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-34-300x284.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-34-768x727.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-34-1536x1454.jpg 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Imagem-34.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>80 maiores empresas do mundo em termos do total de ativos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"921\" 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(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>[1] \u00c9 sempre importante lembrar que as oscila\u00e7\u00f5es e evolu\u00e7\u00e3o na produtividade do trabalho n\u00e3o muda o montante de valor que cada trabalhador agrega ao produto. A produtividade eleva a quantidade de valores de uso que o trabalhador produz por unidade de tempo, mas n\u00e3o a quantidade de valor. 8 horas de trabalho socialmente m\u00e9dio, valem sempre 8 horas de trabalho socialmente m\u00e9dio. O impacto da evolu\u00e7\u00e3o na produtividade do trabalho, portanto, manifesta-se na redu\u00e7\u00e3o do total de trabalhadores empregados. O que pode distorcer esse dado, portanto, \u00e9 apenas as oscila\u00e7\u00f5es na qualifica\u00e7\u00e3o do trabalho, pois trabalhos de maior qualifica\u00e7\u00e3o agregam mais valor.<\/p>\n\n\n\n<p>[2] LENIN, Wladimir Ilitch. <em>Imperialismo: est\u00e1gio superior do capitalismo<\/em>. Boitempo: S\u00e3o Paulo, 2021. p. 86.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: ILAESE Apresenta\u00e7\u00e3o Estudo realizado pelo ILAESE (Instituto Latino Americano de Estudos Socioecon\u00f4micos) em parceria com o Partido Socialista dos Trabalhadores. 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