{"id":80269,"date":"2025-01-15T18:22:55","date_gmt":"2025-01-15T18:22:55","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=80269"},"modified":"2025-01-15T18:27:57","modified_gmt":"2025-01-15T18:27:57","slug":"as-principais-lutas-do-movimento-operario-no-chile-em-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2025\/01\/15\/as-principais-lutas-do-movimento-operario-no-chile-em-2024\/","title":{"rendered":"As principais lutas do movimento oper\u00e1rio no Chile em 2024"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: MIT &#8211; Chile | <\/p>\n\n\n\n<p>Em 2024, no Chile e no mundo ocorreram importantes lutas da classe trabalhadora e do povo. Queremos rever as principais lutas do movimento oper\u00e1rio no Chile em 2024, o que possa dar continuidade em 2025, sob as promessas n\u00e3o cumpridas do governo Boric. Neste artigo destacaremos as principais lutas do movimento oper\u00e1rio em 2024 que, por sua localiza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica nos portos, minera\u00e7\u00e3o, servi\u00e7os, s\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o da economia do pa\u00eds. Mas para os revolucion\u00e1rios \u00e9 tamb\u00e9m a origem de uma nova sociedade. Sua evolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica depende disso. Vamos nos referir \u00e0 greve da mina Escondida, os 56 dias de mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores portu\u00e1rios no Porto de Coronel, a luta permanente dos professores, com epicentro no caso da professora Katherine Yoma em Antofagasta e finalmente \u00e0 greve nacional da CUT em 11 de abril e ao fechamento da ind\u00fastria sider\u00fargica de Huachipato. Tamb\u00e9m poder\u00edamos mencionar a luta dos estudantes secundaristas contra a criminaliza\u00e7\u00e3o em suas escolas, a luta dos povo pobre pelo direito \u00e0 moradia, dos trabalhadores da sa\u00fade ou as manipuladoras de alimentos, Junji ou o povo da na\u00e7\u00e3o Mapuche por seu direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o. Mas neste artigo queremos destacar as li\u00e7\u00f5es de alguns dos principais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Chile no mundo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, as \u00e1guas em que os governos capitalistas navegam n\u00e3o s\u00e3o calmas. No plano internacional, novos processos revolucion\u00e1rios est\u00e3o surgindo, como Bangladesh, ou a derrubada da ditadura de Bashar Al-Assad na S\u00edria e na \u00c1frica, o levante em Mo\u00e7ambique, apenas para citar alguns mais relevantes entre os de maior intensidade, no presente. No entanto, o centro da situa\u00e7\u00e3o mundial s\u00e3o a resist\u00eancia palestina e ucraniana. A a\u00e7\u00e3o militar de 7 de outubro de 2023 voltou a colocar no centro, a resist\u00eancia ao genoc\u00eddio perpetrado pelo Estado sionista de Israel h\u00e1 mais de 70 anos em colabora\u00e7\u00e3o com as grandes pot\u00eancias capitalistas, especialmente os Estados Unidos e a Inglaterra. E a resist\u00eancia ucraniana \u00e0 invas\u00e3o da pot\u00eancia militar russa de Putin e os planos para repartir da Ucr\u00e2nia. Em conjunto, o capitalismo contempor\u00e2neo e as pot\u00eancias imperialistas que o lideram s\u00e3o apresentados como um sistema de guerras, crises e revolu\u00e7\u00f5es. Como a situa\u00e7\u00e3o mundial poderia afetar as lutas dos trabalhadores no mundo no Chile?<\/p>\n\n\n\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, ap\u00f3s a onda de mobiliza\u00e7\u00f5es em 2019 no Chile, Equador, Col\u00f4mbia e Peru, entraram governos de colabora\u00e7\u00e3o de classes como o de Boric em nosso pa\u00eds ou o de Petro na Col\u00f4mbia, que com novas faces e promessas a favor do povo, mant\u00eam a continuidade dos regimes pol\u00edticos a servi\u00e7o das transnacionais e das fam\u00edlias mais ricas dos pa\u00edses latino-americanos. O Chile faz parte desse sistema global integrado como um pa\u00eds dependente da exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas. Caracterizamos que ap\u00f3s o enorme processo revolucion\u00e1rio aberto em 18 de outubro de 2019, pandemia e dois processos constituintes fracassados, se transitou para uma situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o revolucion\u00e1ria com importantes contradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o resolvidas. Os fatos da situa\u00e7\u00e3o mundial t\u00eam integra\u00e7\u00e3o direta na pequena economia chilena baseada na exporta\u00e7\u00e3o de commodities, acordos comerciais com 63 economias que representam 85% do PIB mundial, ou seja, uma alta depend\u00eancia das exporta\u00e7\u00f5es de cobre. O governo de Boric, como os governos anteriores da <em>Concertaci\u00f3n<\/em>, com seus principais acordos com a direita, aprofunda esse caminho de saque, explora\u00e7\u00e3o, depend\u00eancia e danos ambientais, por meio da aprova\u00e7\u00e3o do acordo de livre com\u00e9rcio TPP11, do acordo de explora\u00e7\u00e3o de l\u00edtio em m\u00e3os privadas no contrato SQM-Codelco e da liberaliza\u00e7\u00e3o de novos projetos de explora\u00e7\u00e3o de minera\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os de transnacionais como os projetos Los Bronces 2 e Anglo-American. A partir dessa caracteriza\u00e7\u00e3o do que \u00e9 o capitalismo e como ele se apresenta no Chile, emerge a centralidade das lutas do movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Outra vez greve na maior mina de cobre do mundo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os trabalhadores do sindicato majorit\u00e1rio da Minera\u00e7\u00e3o Escondida entraram em greve em 13 de agosto de 2024 como parte de sua negocia\u00e7\u00e3o de acordo coletivo (Sindicato n\u00ba 1). Desta vez a mobiliza\u00e7\u00e3o durou 3 dias, conquistando importantes reivindica\u00e7\u00f5es da lista. Cabe destacar que a Minera\u00e7\u00e3o Escondida \u00e9 o maior dep\u00f3sito de cobre do mundo explorado pela multinacional australiana BHP Billiton. \u00c9 de longe a maior mina de cobre do mundo, controlando 5,4% da oferta global do metal vermelho e representa 21% da produ\u00e7\u00e3o de cobre no pa\u00eds. Por sua vez, o sindicato n\u00ba 1 re\u00fane mais de 2.400 trabalhadores da mina, uma alta concentra\u00e7\u00e3o de trabalhadores em um panorama sindical chileno com baixa filia\u00e7\u00e3o. Em 2017, a greve durou mais de 44 dias, tornando-se a greve mais extensa na mineradora privada do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da luta das e dos trabalhadores da Minera\u00e7\u00e3o Escondida, n\u00f3s trabalhadores podemos tirar li\u00e7\u00f5es importantes. Em primeiro lugar, n\u00e3o importa qu\u00e3o grande seja a associa\u00e7\u00e3o de empregadores, a for\u00e7a dos trabalhadores organizados em um \u00fanico sindicato faz qualquer ataque retroceder.<br>Em segundo lugar, o poder de um potente fundo de greve. O sindicato \u00fanico, organizado democraticamente por assembleias soberanas, \u00e9 uma necessidade para que em cada local de trabalho ou setor, a voz dos oper\u00e1rios possa ser ouvida. O fundo de greve ou fundo de resist\u00eancia \u00e9 essencial para a prepara\u00e7\u00e3o da negocia\u00e7\u00e3o com recursos b\u00e1sicos para resistir e n\u00e3o cair nas press\u00f5es dos patr\u00f5es. No entanto, essas conquistas n\u00e3o s\u00e3o definitivas e est\u00e3o permanentemente amea\u00e7adas. A transnacional australiana BHP Biliton, impulsiona um novo sindicato (N\u00b03), aliado dos patr\u00f5es, assessorado pelo ex-secret\u00e1rio de trabalho do governo Pi\u00f1era, Alvaro Le Blanc. Para promover a desfilia\u00e7\u00e3o, em dezembro rapidamente chegou a um acordo com o novo sindicato, sem greve, igual ou maior do que o obtido pela greve do sindicato n\u00ba 1 em agosto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coronel: 56 dias de luta no porto de Von Appen e Angelini<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No final de mar\u00e7o e durante o m\u00eas de abril de 2024, o Porto de Coronel ficou paralisado por mais de 56 dias. Foi uma das lutas oper\u00e1rias mais importantes dos \u00faltimos tempos. A oitava regi\u00e3o gera cerca de 6,3% do PIB do Chile. Um dos aspectos centrais para a luta dos trabalhadores \u00e9 a recupera\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo de piquete oper\u00e1rio para sustentar uma paralisa\u00e7\u00e3o. A mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores portu\u00e1rios nasceu como uma medida defensiva contra a inten\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o de limitar o controle sindical sobre os &#8220;nomeada&#8221; \u2013 um sistema de distribui\u00e7\u00e3o de turnos de trabalhadores\/as tempor\u00e1rios. O porto de Coronel pertence a um dos grupos econ\u00f4micos das 10 fam\u00edlias mais ricas que saqueiam o pa\u00eds. O grupo Arauco, controlado pela fam\u00edlia Angelini (no setor florestal e mar\u00edtimo), compartilha a propriedade deste porto com a Neltume Ports, pertencente ao grupo Von Appen, atrav\u00e9s da Ultramar e da construtora Belfi, de propriedade da fam\u00edlia Elgueta. O porto de Coronel tem a maior movimenta\u00e7\u00e3o regional de exporta\u00e7\u00f5es \u2013 em 2023 ultrapassou US$ 3 bilh\u00f5es \u2013 que foram embarcadas com destino aos mais diversos pa\u00edses do mundo, enquanto, no mesmo per\u00edodo, o Porto de San Vicente e Lirqu\u00e9n beiram US$ 1,8 e US$ 1,4 bilh\u00e3o respectivamente. Esta greve foi um ataque a partir do cora\u00e7\u00e3o da fortaleza sindical e ocorre no \u00e2mbito de outras lutas portu\u00e1rias. Poucos dias antes tinham se mobilizado os trabalhadores de Puerto Barquito de Cha\u00f1aral, o sindicato ITI Port em Iquique e a greve do Sindicato Medlog no Porto de San Antonio. O setor portu\u00e1rio foi fundamental no processo de luta pela greve geral de 15 de novembro de 2019. Ao mesmo tempo, manteve suas bandeiras de luta em plena pandemia com paralisa\u00e7\u00f5es promovidas pelo Sindicato dos Portos, a favor das retiradas da AFP que beneficiavam a situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica que viviam os trabalhadores devido \u00e0 pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu peso estrat\u00e9gico se d\u00e1 porque as ind\u00fastrias florestal, pesqueira e frut\u00edcola, entre outras, s\u00e3o um dos pilares do capitalismo chileno (junto com a minera\u00e7\u00e3o). Para esse modelo de saque do pa\u00eds pelo imperialismo e 10 fam\u00edlias ricas, a infraestrutura portu\u00e1ria, que inclui sete portos comerciais, \u00e9 estrat\u00e9gica. Quatro deles \u2013 Coronel, Lirqu\u00e9n, San Vicente e Talcahuano \u2013 s\u00e3o de carga geral e tr\u00eas s\u00e3o especializados. Al\u00e9m disso, h\u00e1 quatro portos industriais privados, Terminal Mar\u00edtimo ENAP, Cais CAP, Terminal Oxiquim e Terminal Abastible. A luta, ap\u00f3s 56 dias de piquete, foi encerrada com um acordo pouco conhecido. A verdade \u00e9 que os patr\u00f5es n\u00e3o ficaram satisfeitos e insistiram na criminaliza\u00e7\u00e3o da mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores portu\u00e1rios com a\u00e7\u00f5es judiciais. Acusavam de um &#8220;bloqueio ilegal&#8221; do porto. Essa discuss\u00e3o \u00e9 central para os\/as trabalhadores\/as, pois s\u00e3o os pr\u00f3prios trabalhadores que decidem seus m\u00e9todos de luta e n\u00e3o nos subordinamos exclusivamente ao que as leis dizem que podemos ou n\u00e3o fazer. A lei trabalhista chilena, chamada de &#8220;C\u00f3digo do Trabalho&#8221;, nascida na ditadura e depois maquiada pelos governos da democracia pactuada, \u00e9 uma consequ\u00eancia do que conv\u00e9m aos grandes empregadores chilenos que fa\u00e7amos. O c\u00f3digo do trabalho n\u00e3o contempla nem promove a assembleia de base, os porta-vozes revog\u00e1veis, a greve solid\u00e1ria, o fundo de resist\u00eancia e o piquete. Assim \u00e9 a luta dos trabalhadores portu\u00e1rios de Coronel. O piquete \u00e9 um m\u00e9todo hist\u00f3rico do movimento oper\u00e1rio, que em determinadas circunst\u00e2ncias \u00e9 usado para complementar ou garantir a paralisa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mobiliza\u00e7\u00e3o massiva de professores por Katherine Yoma<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 24 de mar\u00e7o de 2024, mais de 10 mil pessoas marcharam em Antofagasta, em resposta ao caso da professora Katherine Yoma Valdivia, que se suicidou em 7 de mar\u00e7o ap\u00f3s denunciar uma s\u00e9rie de ass\u00e9dios, amea\u00e7as e ataques que recebeu de uma aluna e seus parentes na escola D-68 Jos\u00e9 Papic. Diante desses fatos, a professora apresentou queixas \u00e0 Corpora\u00e7\u00e3o Municipal de Desenvolvimento Social de Antofagasta e \u00e0 dire\u00e7\u00e3o da Escola D-68, que n\u00e3o lhe deram apoio. Essa situa\u00e7\u00e3o se repetiu, a sa\u00fade mental de Katherine piorou e dramaticamente em 7 de mar\u00e7o ela acabou com sua vida. A greve e a mobiliza\u00e7\u00e3o foram a resposta \u00e0 apatia das autoridades educacionais. Milhares de professores, trabalhadores da educa\u00e7\u00e3o e estudantes nas ruas convocaram uma greve regional em Antofagasta que mais tarde se tornou uma greve nacional do Sindicato de professores. No entanto, a situa\u00e7\u00e3o de m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de trabalho, opress\u00e3o e viol\u00eancia no local de trabalho est\u00e3o profundamente ligadas \u00e0s pol\u00edticas de cortes or\u00e7ament\u00e1rios na educa\u00e7\u00e3o ou nos locais de trabalho. Para aumentar os lucros em empresas ou escolas, mais trabalho \u00e9 aplicado com menos ferramentas ou equipamentos. Esta situa\u00e7\u00e3o estrutural n\u00e3o \u00e9 resolvida pela resposta do parlamento na aprova\u00e7\u00e3o da lei Karin do governo e da direita, uma vez que apenas facilita os mecanismos de denuncia individual, mas sob as mesmas institui\u00e7\u00f5es de sempre nos regulamentos de empresas ou col\u00e9gios e companhias de seguros. Portanto, novos casos e explos\u00e3o em professores n\u00e3o podem ser descartados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A greve nacional da CUT em 11 de abril<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A CUT, como resultado de seu 13\u00ba congresso em janeiro de 2024, resolveu convocar uma greve nacional para 11 de abril com cr\u00edticas ao curso da pol\u00edtica econ\u00f4mica do governo dos mesmos partidos PS-PC aos quais pertencem os dirigentes da central. Apesar da pouca ou nenhuma prepara\u00e7\u00e3o para a greve, o 11 de abril em Santiago e cidades das regi\u00f5es, expressou-se em uma grande marcha, muito maior do que havia sido preparada, e com fortes cr\u00edticas ao governo de Boric. As bases mostraram que est\u00e3o dispostas a responder ao chamado \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o e que acham que seu problema n\u00e3o \u00e9 apenas a &#8220;direita&#8221;. No entanto, para a dire\u00e7\u00e3o do PS-PC o problema \u00e9 que o governo n\u00e3o avan\u00e7a nas reformas porque seria v\u00edtima da oposi\u00e7\u00e3o de direita no parlamento. &#8220;Esta manifesta\u00e7\u00e3o social abre caminho para um novo cen\u00e1rio pol\u00edtico, a partir do qual o movimento social irrompe, para combater o obstrucionismo da direita empresarial e fazer com que o governo entenda que deve cumprir seu programa&#8221;, disse David Acu\u00f1a, presidente da CUT. A verdade \u00e9 que isso \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0 realidade: com 210 projetos, os dois primeiros anos presidenciais do governo de Boric s\u00e3o os que mais aprovaram leis durante seus primeiros anos desde o retorno \u00e0 democracia. Os acordos com a direita incluem: agenda de seguran\u00e7a, leis trabalhistas, agenda pr\u00f3-crescimento, fim das licen\u00e7as, etc. Ou seja, Boric governa chegando a grandes acordos com a direita e o que os trabalhadores devem combater \u00e9 um regime a favor das 10 grandes fam\u00edlias, que inclui o pr\u00f3prio governo e a direita. Por isso, para a dire\u00e7\u00e3o sindical do PS-PC, as greves nacionais n\u00e3o t\u00eam continuidade e plano de luta a partir das bases, mas s\u00e3o meras demonstra\u00e7\u00f5es de for\u00e7a para se deslocar rapidamente para os corredores de colabora\u00e7\u00e3o com o governo, dando apoio \u00e0 pol\u00edtica de acordos no Parlamento, como o sal\u00e1rio m\u00ednimo, ou \u00e0s leis trabalhistas como a Lei Karim. \u00c9 necess\u00e1ria uma alternativa pol\u00edtico-sindical. Embora o peso da filia\u00e7\u00e3o da CUT atualmente esteja no chamado &#8220;setor p\u00fablico&#8221; e servi\u00e7os, n\u00e3o surgiu no pa\u00eds nenhuma outra alternativa de refer\u00eancia sindical de peso para o movimento oper\u00e1rio. Portanto, \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o dos revolucion\u00e1rios enfrentar a pol\u00edtica dos partidos reformistas, participando dos principais sindicatos onde a classe trabalhadora est\u00e1 concentrada. No Chile, as correntes da tradi\u00e7\u00e3o vermelha e negra, da tradi\u00e7\u00e3o do MIR, que promovem pequenos sindicatos ou centrais &#8220;alternativas&#8221;, se abst\u00eam das a\u00e7\u00f5es da CUT, mesmo quando convocam uma greve, porque s\u00e3o lideradas por partidos reformistas, \u00e9 um obst\u00e1culo para organizar as bases no surgimento de correntes de oposi\u00e7\u00e3o, e desta forma, trazendo os setores cr\u00edticos para pequenos sindicatos paralelos, facilitam a dire\u00e7\u00e3o do PS-PC na central.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O fechamento da Huachipato Steel Company<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, nesta revis\u00e3o, queremos mencionar a luta contra o fechamento da Usina Sider\u00fargica Huachipato. Na quarta-feira, 20 de mar\u00e7o, o grupo CAP anunciou o fechamento por tempo indeterminado da Usina Sider\u00fargica Huachipato, em Talcahuano, da qual \u00e9 controlador. O fechamento por tempo indeterminado \u00e9 mais um passo no sentido do fechamento total e definitivo da empresa, anunciado por um per\u00edodo n\u00e3o superior a 3 meses. A resposta foram mobiliza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores de Huachipato junto com outros setores da regi\u00e3o. Falou-se de uma greve regional por meio da &#8220;Mesa de Defesa do Emprego e da Ind\u00fastria de B\u00edo-Bio&#8221;, que re\u00fane os sindicatos da ind\u00fastria da regi\u00e3o, como portu\u00e1rios, sindicatos do com\u00e9rcio e do setor p\u00fablico. No entanto, esse caminho n\u00e3o foi aprofundado. Foram escolhidas as mesas de di\u00e1logo e as promessas do governo. Por sua vez, o ministro da Economia do governo de Boric, Nicol\u00e1s Grau, viajou para a \u00e1rea afirmando que &#8220;a nacionaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel e que \u00e9 uma decis\u00e3o de uma empresa privada&#8221;. Deve-se levar em conta que foi o mesmo governo que fechou a fundi\u00e7\u00e3o Ventanas da Codelco. O resultado desse caminho de confian\u00e7a nas mesas de di\u00e1logo com o regime? O fechamento definitivo da sider\u00fargica e o desemprego para a regi\u00e3o. A princ\u00edpio, medidas paliativas moment\u00e2neas foram obtidas, como as de 20 de abril, a comiss\u00e3o antidistor\u00e7\u00e3o, inst\u00e2ncia tecnocr\u00e1tica de regula\u00e7\u00e3o do &#8220;mercado&#8221;, concordou temporariamente em aumentar uma sobretaxa de 24,9% sobre barras de a\u00e7o para barras de a\u00e7o chinesas e 33,5% para as bolas convencionais. No entanto, a patronal tinha uma decis\u00e3o tomada, o fechamento. Os sindicatos n\u00e3o voltaram a chamar medidas de luta e um plano de indeniza\u00e7\u00f5es de aposentadoria foi acordado. A greve regional n\u00e3o se concretizou quando o fechamento afetou toda a regi\u00e3o. Em 7 de agosto, o conselho de administra\u00e7\u00e3o da CAP anunciou que as sobretaxas n\u00e3o eram suficientes para a &#8220;viabilidade financeira&#8221;, que nada mais \u00e9 do que manter altas taxas de lucro para o grupo CAP. O fechamento definitivo ocorre em setembro, com milhares de trabalhadores e fam\u00edlias sem estabilidade. Na regi\u00e3o de B\u00edo-B\u00edo, mais de 22.000 trabalhadores dependem direta e indiretamente da empresa. Por outro lado, recentemente, em dezembro, o Grupo CAP anunciou a aquisi\u00e7\u00e3o de 10,2% da Aclara Resources, uma empresa de minera\u00e7\u00e3o para projetos de extra\u00e7\u00e3o e processamento de terras raras nas colinas de Penco. Os capitalistas colocam seus interesses particulares de lucro acima da popula\u00e7\u00e3o como um todo. A pol\u00edtica sindical de confian\u00e7a nas mesas de di\u00e1logo implicou uma derrota significativa para os\/as trabalhadores\/as da ind\u00fastria, em um pa\u00eds que desde a \u00e9poca da ditadura vive um processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o. O chamado &#8220;Plano de Promo\u00e7\u00e3o da Ind\u00fastria Regional&#8221; apresentado pelo ministro Grau e pelos grandes empregadores industriais da regi\u00e3o prev\u00ea novos resultados como o de Huachipato: manter os lucros para os capitalistas e a pobreza para os trabalhadores. As organiza\u00e7\u00f5es da &#8220;mesa de defesa do emprego&#8221; devem romper a colabora\u00e7\u00e3o com o governo e os empregadores e retomar uma lista de reivindica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Perspectivas para 2025<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como alertamos em artigo fazendo um balan\u00e7o da revolu\u00e7\u00e3o desviada 5 anos ap\u00f3s 18 de outubro de 2019, no Chile <em>&#8220;(&#8230;) A greve geral de 12 de novembro de 2019 n\u00e3o foi um produto artificial, mas um ac\u00famulo de experi\u00eancias e uma express\u00e3o de uma necessidade hist\u00f3rica de fazer sentir o peso do proletariado como um todo<sup>&#8220;1<\/sup> <\/em>E que no cerne para a presente situa\u00e7\u00e3o dos\/as trabalhadores\/as<em>:<\/em> &#8220;(&#8230;)<em> Identificamos que a burguesia imp\u00f5e seus objetivos de desviar o processo revolucion\u00e1rio, preservando o velho regime de transi\u00e7\u00e3o pactuada, seus partidos e sua pol\u00edtica central de consenso, mas n\u00e3o infligindo uma derrota f\u00edsica ao movimento oper\u00e1rio e aos chamados movimentos sociais. Portanto, sustentamos que a revolu\u00e7\u00e3o foi desviada. E neste quadro, da combina\u00e7\u00e3o de elementos objetivos de crise, em magnitudes variadas, novas lutas de massas e crises revolucion\u00e1rias surgir\u00e3o no pa\u00eds no pr\u00f3ximo per\u00edodo.<sup>2<\/sup>&#8221; <\/em>Neste quadro pol\u00edtico p\u00f3s-18 de outubro, no terceiro ano do governo de Gabriel Boric e do PC, em 2024 encontramos novas mobiliza\u00e7\u00f5es importantes em setores estrat\u00e9gicos e de servi\u00e7os. Seu car\u00e1ter, mesmo como lutas setoriais e parciais, n\u00e3o nos impede de identificar sua relev\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>O exposto acima \u00e9 fundamental, em considera\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica central no presente de grande parte da esquerda no Chile, em torno do Partido Comunista no governo (ou fora do governo), que sustenta que; ap\u00f3s a derrota do plebiscito da nova constitui\u00e7\u00e3o do primeiro processo constituinte, abriu-se supostamente uma situa\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter &#8220;reacion\u00e1rio&#8221;, portanto, a pol\u00edtica do governo e do PC, seria a de se adaptar a esse novo cen\u00e1rio, em que a gradualidade das reformas e dos pactos com a direita, s\u00e3o a \u00fanica pol\u00edtica realista. Ou seja, as massas seriam respons\u00e1veis por seus pr\u00f3prios ataques e n\u00e3o os capitalistas e seus governos, que dirigem o pa\u00eds. A falta de divulga\u00e7\u00e3o pela grande m\u00eddia tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 acidental. H\u00e1 uma seletividade pol\u00edtica da ordem do dia e das quest\u00f5es relevantes em debate. A &#8220;seguran\u00e7a&#8221;, o &#8220;crescimento&#8221; e a pol\u00edtica de acordos s\u00e3o priorizados como resposta burguesa \u00e0 crise revolucion\u00e1ria vivida no pa\u00eds em 2019. Essas lutas aparecem pouco ou nada na m\u00eddia, mas tamb\u00e9m na esquerda. No entanto, apesar de toda essa campanha, as pens\u00f5es\/aposentadorias, sal\u00e1rios, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade continuam sendo quest\u00f5es que surgem repetidamente no debate nacional. Isso se deve fundamentalmente \u00e0s lutas das organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>A este respeito, longe desta vis\u00e3o derrotista do movimento de massas, queremos enfatizar que no Chile em 2024 as lutas foram desenvolvidas em setores estrat\u00e9gicos da economia, naturalmente s\u00e3o processos parciais e que ainda n\u00e3o abriram uma situa\u00e7\u00e3o de luta aberta. Mas \u00e9 dever dos revolucion\u00e1rios acompanhar cada luta e cada li\u00e7\u00e3o da mobiliza\u00e7\u00e3o dos\/as trabalhadores\/as, apresentando um programa de a\u00e7\u00e3o que permita a unidade dos setores mais avan\u00e7ados da classe trabalhadora com a milit\u00e2ncia revolucion\u00e1ria. As lutas parciais s\u00e3o preparat\u00f3rias para os novos grandes confrontos de classe. Mas n\u00e3o podemos dirigir esses futuros confrontos com dire\u00e7\u00f5es pol\u00edticas a servi\u00e7o de pactuar com as 10 grandes fam\u00edlias e as transnacionais. \u00c9 necess\u00e1ria a constru\u00e7\u00e3o de um novo partido revolucion\u00e1rio da classe trabalhadora. A FA, o PS e o PC mostram que n\u00e3o representam os interesses dos\/as trabalhadores\/as. Ao mesmo tempo, os projetos da esquerda &#8220;alternativa&#8221;, &#8220;ecol\u00f3gica&#8221; fora do governo, que falam contra o capitalismo, n\u00e3o se baseiam nos setores estrat\u00e9gicos da economia, os trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Do Movimento Internacional dos Trabalhadores, se\u00e7\u00e3o chilena da LIT-QI, atrav\u00e9s de nossas for\u00e7as, intervimos em cada um dos processos de lutas em 2024, apresentando um programa que parte das necessidades imediatas da luta, como o cumprimento das demandas sindicais, para ir al\u00e9m dos marcos setoriais dessas lutas e conquistar uma \u00fanica lista de reivindica\u00e7\u00f5es, democraticamente discutido nas bases das principais organiza\u00e7\u00f5es sindicais do pa\u00eds. Uma lista \u00fanica de demandas que comece com acabar com o custo de vida e o ataque aos sal\u00e1rios, lutando pelo aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo para 700.000 pesos com reajuste autom\u00e1tico de acordo com a infla\u00e7\u00e3o para todos os trabalhadores do pa\u00eds. Por sua vez, pelo congelamento dos pre\u00e7os que afetam a classe trabalhadora, imediatamente sobre os bens e servi\u00e7os mais b\u00e1sicos, como alimentos, alugu\u00e9is, UF, transporte e contas de eletricidade, g\u00e1s e \u00e1gua. Aprova\u00e7\u00e3o da 7\u00aa retirada da emerg\u00eancia popular e fim imediato das AFPs, com direito a 100% de retirada. N\u00e3o \u00e0 reforma da previd\u00eancia acordada pelo governo e pela direita. Por um plano de emerg\u00eancia para a constru\u00e7\u00e3o de moradias de qualidade para acabar com o d\u00e9ficit habitacional agora. O Estado deve criar uma empresa p\u00fablica de constru\u00e7\u00e3o, sob controle dos trabalhadores, para gerar milhares de empregos e acabar com o d\u00e9ficit habitacional. Para financiar todas essas medidas, nacionalizar qualquer empresa que feche, nacionalizar o cobre e o l\u00edtio, com controle dos trabalhadores e suas comunidades, entre outras medidas fundamentais.<\/p>\n\n\n\n<p>Comit\u00ea Executivo do MIT<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/www.vozdelostrabajadores.cl\/las-principales-luchas-en-chile-del-movimiento-obrero-en-el-2024\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00a0https:\/\/www.vozdelostrabajadores.cl\/chile-a-5-anos-del-18-de-octubre-la-revolucion-desviada<\/a>.<\/li>\n\n\n\n<li>Idem.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: MIT &#8211; Chile | Em 2024, no Chile e no mundo ocorreram importantes lutas da classe trabalhadora e do povo. Queremos rever as principais lutas do movimento oper\u00e1rio no Chile em 2024, o que possa dar continuidade em 2025, sob as promessas n\u00e3o cumpridas do governo Boric. Neste artigo destacaremos as principais lutas do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":80270,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[145,5620],"tags":[3180,2400],"class_list":["post-80269","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chile","category-america-latina","tag-gabriel-boric","tag-mit-chile"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Chile.jpg","categories_names":["Am\u00e9rica Latina","Chile"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80269","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80269"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80269\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":80271,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80269\/revisions\/80271"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/80270"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80269"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=80269"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=80269"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}