{"id":80222,"date":"2024-12-24T13:44:16","date_gmt":"2024-12-24T13:44:16","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=80222"},"modified":"2025-01-13T15:08:27","modified_gmt":"2025-01-13T15:08:27","slug":"para-onde-vai-o-mercosul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/12\/24\/para-onde-vai-o-mercosul\/","title":{"rendered":"Para onde vai o Mercosul?"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Alejandro Iturbe |<\/p>\n\n\n\n<p><em>Na primeira semana de dezembro, uma nova C\u00fapula do Mercosul foi realizada em Montevid\u00e9u. O principal ponto discutido foi a assinatura de um acordo de livre com\u00e9rcio com a Uni\u00e3o Europeia (UE). Esta quest\u00e3o ainda precisa ser aprovada nos \u00f3rg\u00e3os da UE, onde h\u00e1 uma divis\u00e3o entre os pa\u00edses membros que a bloqueia h\u00e1 muitos anos. Outra quest\u00e3o que esteve presente foi a proposta do presidente argentino Javier Milei: o acordo de base do Mercosul deve ser modificado e permitir que os pa\u00edses membros assinem acordos bilaterais de livre com\u00e9rcio com pa\u00edses de fora do bloco. O que \u00e9 o Mercosul e qual o impacto desta c\u00fapula em sua din\u00e2mica?<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O Mercosul foi criado em 1991 e tornou-se plenamente operacional em 1994. Atualmente, \u00e9 composto por Argentina, Bol\u00edvia (ingressou em 2024), Brasil, Paraguai e Uruguai como membros plenos. A Venezuela havia aderido em 2012, mas sua participa\u00e7\u00e3o foi &#8220;suspensa&#8221; em 2017<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul t\u00eam a categoria de &#8220;associados&#8221; (Chile, Col\u00f4mbia, Equador e Peru): podem participar das reuni\u00f5es sem votar ou obriga\u00e7\u00e3o de cumprir suas resolu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O Mercosul \u00e9 basicamente um <strong>acordo regional de livre com\u00e9rcio<\/strong> que permite <em>&#8220;a livre circula\u00e7\u00e3o de bens, servi\u00e7os e fatores produtivos entre pa\u00edses, por meio da elimina\u00e7\u00e3o de tarifas alfandeg\u00e1rias e restri\u00e7\u00f5es n\u00e3o tarif\u00e1rias \u00e0 circula\u00e7\u00e3o de mercadorias&#8230;&#8221;.<\/em><a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>Tamb\u00e9m facilitava os investimentos de empresas de um pa\u00eds membro em outro pa\u00eds do bloco.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, o Mercosul deveria estabelecer <em>&#8220;uma tarifa externa comum e a ado\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica comercial comum em rela\u00e7\u00e3o a terceiros Estados ou grupos de Estados&#8230;&#8221; <\/em>(como agora est\u00e3o tentando fazer com a UE).Esta \u00e9 a cl\u00e1usula constitutiva que Milei quer eliminar ou modificar.<\/p>\n\n\n\n<p>Posteriormente, o bloco incorporou acordos que permitem a livre circula\u00e7\u00e3o de pessoas em seu territ\u00f3rio com a apresenta\u00e7\u00e3o exclusiva do documento nacional e, al\u00e9m disso, a radica\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria e permanente em outro pa\u00eds (e o direito ao trabalho), com tr\u00e2mites simples para obt\u00ea-la. Os acordos iniciais e posteriores do Mercosul s\u00e3o obrigat\u00f3rios para os pa\u00edses membros (que devem conceder-lhes a hierarquia da legisla\u00e7\u00e3o nacional).<\/p>\n\n\n\n<p>O Mercosul havia estabelecido objetivos mais ambiciosos: <em>&#8220;A coordena\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas macroecon\u00f4micas e setoriais entre os pa\u00edses membros: com\u00e9rcio exterior, agr\u00edcola, industrial, fiscal, monet\u00e1ria, cambial e de capitais&#8230;&#8221;. <\/em>Depois, falou-se tamb\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es supranacionais como as da UE, com a cria\u00e7\u00e3o de uma moeda comum e de um banco central (ao estilo da zona do euro). Nenhum progresso foi feito neste caminho, ent\u00e3o ele foi &#8220;congelado&#8221; no n\u00edvel que analisamos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alguns fatos<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados do Banco Mundial, os cinco pa\u00edses do Mercosul tinham um PIB nominal total de 2,916 trilh\u00f5es de d\u00f3lares (o Brasil contribui com 73% desse valor; Argentina, 21,3%; Uruguai, 2,6%; Bol\u00edvia, 1,6% e Paraguai, 1,5%). O PIB total do Mercosul ocuparia o oitavo lugar na lista do Banco Mundial, muito pr\u00f3ximo ao da Fran\u00e7a e bastante superior ao de pa\u00edses importantes como It\u00e1lia e Canad\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, o Mercosul \u00e9 o maior produtor de alimentos do mundo; possui grandes reservas de combust\u00edveis (petr\u00f3leo e g\u00e1s) e \u00e9 um importante produtor de energia el\u00e9trica; possui abundantes reservas minerais (por exemplo, l\u00edtio) e enormes recursos h\u00eddricos de \u00e1gua doce (al\u00e9m dos muitos rios que o atravessam, o gigantesco Aqu\u00edfero Guarani est\u00e1 em seu territ\u00f3rio). Devemos acrescentar que existe ali a maior superf\u00edcie de selva amaz\u00f4nica, a maior floresta tropical do mundo. Por causa de seu tamanho como &#8220;mercado&#8221; e por causa dessas imensas riquezas naturais, o Mercosul \u00e9 um &#8220;peda\u00e7o muito apetitoso&#8221; para as grandes pot\u00eancias econ\u00f4micas do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do com\u00e9rcio entre os pr\u00f3prios pa\u00edses membros, o Mercosul teve, em 2021, um interc\u00e2mbio comercial (soma de exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es) com o &#8220;resto do mundo&#8221; de quase 600 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, segundo seu site oficial<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. As exporta\u00e7\u00f5es representaram 57% desse valor e as importa\u00e7\u00f5es 43%: uma balan\u00e7a comercial com saldo favor\u00e1vel (cerca de 84 bilh\u00f5es de d\u00f3lares).<\/p>\n\n\n\n<p>As maiores exporta\u00e7\u00f5es foram minerais met\u00e1licos, sementes e frutas oleaginosas, combust\u00edveis e \u00f3leos vegetais e minerais.&nbsp;As maiores importa\u00e7\u00f5es foram reatores, caldeiras, m\u00e1quinas, aparelhos e artefatos mec\u00e2nicos e m\u00e1quinas, aparelhos e materiais el\u00e9tricos. Em outras palavras, exporta alimentos, combust\u00edveis e mat\u00e9rias-primas e importa produtos industriais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma integra\u00e7\u00e3o semicolonial<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A cria\u00e7\u00e3o do Mercosul foi parte de uma pol\u00edtica do capitalismo imperialista na d\u00e9cada de 1990 que foi chamada de &#8220;globaliza\u00e7\u00e3o&#8221;. Por meio de acordos de livre com\u00e9rcio, os custos alfandeg\u00e1rios foram reduzidos ou eliminados e a circula\u00e7\u00e3o e o estabelecimento de capital foram liberados.<\/p>\n\n\n\n<p>Os governos signat\u00e1rios apresentaram o Mercosul como uma integra\u00e7\u00e3o que fortaleceria a autonomia de seus pa\u00edses e do bloco como um todo diante do imperialismo, no caminho de sua &#8220;liberta\u00e7\u00e3o nacional&#8221;. Era uma grande mentira: essa integra\u00e7\u00e3o estava a servi\u00e7o dos interesses de grandes empresas internacionais e nacionais (incluindo propriet\u00e1rios de terras) que, dessa forma, baixavam custos e podiam planejar seus investimentos em uma escala de mercado maior. Ou seja, foi uma integra\u00e7\u00e3o funcional \u00e0 subordina\u00e7\u00e3o \u00e0s pot\u00eancias imperialistas (especialmente os Estados Unidos).<\/p>\n\n\n\n<p>Na divis\u00e3o mundial do trabalho estabelecida na d\u00e9cada de 1990, o papel do Mercosul \u00e9, como vimos, o de fornecedor e exportador de alimentos, combust\u00edveis e mat\u00e9rias-primas (especialmente minerais). Ao mesmo tempo, balan\u00e7as comerciais favor\u00e1veis foram usadas para pagar juros sobre a d\u00edvida externa contra\u00edda por esses pa\u00edses nas d\u00e9cadas anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desigualdades internas<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil foi o pa\u00eds que mais se beneficiou da exist\u00eancia do Mercosul. Por um lado, \u00e9 um grande exportador de alimentos e minerais para fora do bloco. Por outro lado, seu maior desenvolvimento industrial permitiu que se tornasse o &#8220;chefe regional&#8221; das grandes empresas industriais e sua &#8220;plataforma de exporta\u00e7\u00e3o&#8221; para o bloco e para a Am\u00e9rica do Sul (especialmente no setor automobil\u00edstico). Nesse marco, sem deixar de se subordinar ao imperialismo, estabeleceu rela\u00e7\u00f5es de submiss\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o para com os pa\u00edses mais fracos. No Paraguai, apropria-se da energia produzida por Itaipu<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a> e promove uma &#8220;invas\u00e3o&#8221; de colonos brasileiros que compram cada vez mais terras e se instalam na regi\u00e3o produtora de soja (os chamados &#8220;brasiguaios&#8221;).<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a> Na Bol\u00edvia, a Petrobras adquiriu grande peso na explora\u00e7\u00e3o e processamento de petr\u00f3leo e g\u00e1s bolivianos, que depois importava para o Brasil a um &#8220;pre\u00e7o de presente&#8221;.<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>As rela\u00e7\u00f5es com a Argentina (segunda maior economia do Mercosul) s\u00e3o muito mais contradit\u00f3rias. As grandes empresas industriais, especialmente as metal\u00fargicas, consideravam a Argentina como uma &#8220;regional&#8221; integrada ao mercado brasileiro. Muitas empresas desse setor estabeleceram no Brasil sua sede central na regi\u00e3o. A Argentina manteve uma parte da ind\u00fastria automobil\u00edstica (cada vez mais especializada em caminhonetes). Mas, nesse ramo, a balan\u00e7a de com\u00e9rcio exterior entre os dois pa\u00edses sempre foi favor\u00e1vel ao Brasil. Ao mesmo tempo, empresas brasileiras come\u00e7aram a comprar empresas argentinas: foi o caso da Petrobras, do grupo construtor Camargo Correa<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a> e do grupo de frigor\u00edficos JBS.<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a> Ao mesmo tempo, a Argentina tem uma produtividade maior do que o Brasil nos setores de cereais, derivados e outros alimentos. Com essas exporta\u00e7\u00f5es, conseguia um maior equil\u00edbrio da balan\u00e7a comercial entre os dois pa\u00edses, que era muito deficiente no setor industrial.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil \u00e9 o principal parceiro comercial da Argentina. A integra\u00e7\u00e3o e o fluxo comercial v\u00e3o aumentar. A Petrobr\u00e1s assinou um acordo com a YPF para investir no megacampo petrol\u00edfero de Vaca Muerta, na Patag\u00f4nia<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. Ao mesmo tempo, na recente c\u00fapula do G-20, Luis Caputo, ministro da Economia da Argentina, assinou um acordo com Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia do Brasil, para exportar g\u00e1s desse campo para o Brasil<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\">[10]<\/a>. Por enquanto, as exporta\u00e7\u00f5es ser\u00e3o feitas atrav\u00e9s do gasoduto que atravessa a Bol\u00edvia. Mas h\u00e1 um projeto para construir um gasoduto que conecte diretamente os dois pa\u00edses<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[11]<\/a>. Um novo fator que tenderia a equilibrar ainda mais a balan\u00e7a comercial entre os dois pa\u00edses.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Paraguai e Uruguai buscam seu &#8220;lugar sob o sol&#8221;<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No Mercosul, os dois pa\u00edses menores ficaram, por assim dizer, no meio do Brasil e da Argentina e de suas economias mais desenvolvidas. Nesse contexto, sua burguesia deveriam buscar algum espa\u00e7o para seus neg\u00f3cios.<\/p>\n\n\n\n<p>O Paraguai partiu de uma economia de base agr\u00e1ria, com muito pouco desenvolvimento industrial que, tradicionalmente, orbitava em torno da Argentina, pa\u00eds no qual uma grande emigra\u00e7\u00e3o de paraguaios havia se estabelecido. No setor agr\u00e1rio, com grande peso do pequeno campesinato, iniciou-se um processo de concentra\u00e7\u00e3o de grandes latifundi\u00e1rios, tanto para a produ\u00e7\u00e3o de soja quanto para a explora\u00e7\u00e3o de plantas tropicais (como o palmito). Em ambos os casos, a presen\u00e7a de propriet\u00e1rios estrangeiros aumentou.<\/p>\n\n\n\n<p>A constru\u00e7\u00e3o da barragem de Itaipu lhe permitiu desenvolver alguns neg\u00f3cios, mas, ap\u00f3s sua entrada em opera\u00e7\u00e3o, sua alta produ\u00e7\u00e3o de energia ficou submetida ao Brasil. Por outro lado, uma vez estabelecido o Mercosul e a livre circula\u00e7\u00e3o transfronteiri\u00e7a, algumas ind\u00fastrias (cigarros, vestu\u00e1rio e montagem de produtos eletr\u00f4nicos) aumentaram muito sua produ\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que passou a ser contrabandeada para pa\u00edses vizinhos, especialmente ao Brasil, que tenta combat\u00ea-la, at\u00e9 agora sem sucesso. A economia de Ciudad del Este (a segunda maior do pa\u00eds) e sua regi\u00e3o dependem desse circuito<a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\">[12]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, in\u00fameras empresas brasileiras come\u00e7aram a se instalar no Paraguai (especialmente em Ciudad del Este) <em>&#8220;devido aos impostos mais baixos que pagam e \u00e0 m\u00e3o de obra e energia mais baratas&#8221;.<a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\"><strong>[13]<\/strong><\/a><\/em> Atualmente, em um sistema de montadoras, cuja produ\u00e7\u00e3o \u00e9 &#8220;exportada&#8221; para o Brasil, esse setor emprega 12.000 trabalhadores paraguaios (um n\u00famero muito alto para este pa\u00eds). Fato que aprofunda a depend\u00eancia do Paraguai em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil, \u00e0 qual j\u00e1 nos referimos. Como um dado final, digamos que o governo paraguaio prop\u00f4s \u00e0 YPF e \u00e0 Tecpetrol que o gasoduto que levaria g\u00e1s de Vaca Muerta para o Brasil passasse pelo Paraguai<a href=\"#_ftn14\" id=\"_ftnref14\">[14]<\/a>. Nesse contexto, os governos paraguaios defendem a fundo a exist\u00eancia do Mercosul em suas bases atuais.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso uruguaio \u00e9 diferente. Durante a primeira metade do s\u00e9culo XX, este pa\u00eds alcan\u00e7ou um desenvolvimento econ\u00f4mico est\u00e1vel (com uma certa ind\u00fastria em escala), em torno da exporta\u00e7\u00e3o de l\u00e3, na qual se especializou. Essa prosperidade terminou na d\u00e9cada de 1950, quando as fibras sint\u00e9ticas substitu\u00edram a l\u00e3 e o pa\u00eds entrou em uma longa crise econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica. Nesse contexto, a burguesia uruguaia buscou uma alternativa no turismo das classes m\u00e9dias e de setores burgueses argentinos, e na promo\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio e da constru\u00e7\u00e3o que isso gerou em v\u00e1rias cidades do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Posteriormente, outro fator foi adicionado: diante da crise e fal\u00eancia do sistema banc\u00e1rio argentino e sua instabilidade financeira cr\u00f4nica, um setor argentino tomou os bancos uruguaios como um &#8220;ref\u00fagio financeiro seguro&#8221;.<a href=\"#_ftn15\" id=\"_ftnref15\">[15]<\/a> Inclusive alguns se estabeleceram l\u00e1 permanente e\/ou definitivamente para evitar o pagamento de impostos na Argentina.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise iniciada na d\u00e9cada de 1950 reduziu a ind\u00fastria uruguaia \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos, bebidas e tabaco (e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o ligada ao turismo e ao com\u00e9rcio). Nesse contexto, um setor da burguesia uruguaia buscou o estabelecimento de novas ind\u00fastrias no pa\u00eds. Conseguiu isso por meio de um acordo com a empresa finlandesa Botnia e outras da Europa, e a instala\u00e7\u00e3o de uma f\u00e1brica de processamento de pasta de celulose para papel, na cidade de Fray Bentos, no rio Uruguai que a separa de Gualeguaych\u00fa (Argentina), em 2007. Ligado a isso, promoveu um plano de florestamento na regi\u00e3o pr\u00f3xima. Isso gerou um grande conflito pol\u00edtico-diplom\u00e1tico com a Argentina devido \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o do rio que essas usinas gerariam e ao n\u00e3o cumprimento de acordos anteriores sobre o uso do rio entre os dois pa\u00edses. A express\u00e3o mais forte desse conflito ocorreu com a popula\u00e7\u00e3o de Gualeguaych\u00fa, que chegou a cortar a ponte internacional que une as duas margens. Tamb\u00e9m houve conflitos internos no Uruguai, tanto com os setores burgueses que viviam do turismo argentino quanto com a central sindical.<\/p>\n\n\n\n<p>A constru\u00e7\u00e3o da segunda &#8220;f\u00e1brica de papel e celulose&#8221; sobre o rio Uruguai foi suspensa e foi constru\u00edda em Montes de Plata (departamento de Col\u00f4nia) com capital sueco-finland\u00eas e chileno.&nbsp; Finalmente, acaba de ser inaugurada a terceira e maior &#8220;f\u00e1brica de papel e celulose&#8221; do pa\u00eds em Pueblo Centenario &#8211; Paso de los Toros (Durazno) com capital finland\u00eas. Foi o maior investimento da hist\u00f3ria do pa\u00eds (3,470 milh\u00f5es de d\u00f3lares) e ter\u00e1 sua pr\u00f3pria linha ferrovi\u00e1ria para levar sua produ\u00e7\u00e3o ao porto de Montevid\u00e9u. Quando a planta entrar em plena produ\u00e7\u00e3o e se juntar \u00e0s duas anteriores, as exporta\u00e7\u00f5es de celulose representar\u00e3o o principal ramo de vendas externas do pa\u00eds, superando as tradicionais exporta\u00e7\u00f5es de carne e soja<a href=\"#_ftn16\" id=\"_ftnref16\">[16]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Como ironia, as diferen\u00e7as cambiais (e o menor pre\u00e7o de alimentos, combust\u00edveis e hot\u00e9is na Argentina) inverteram o fluxo tur\u00edstico: para os uruguaios era muito barato ir \u00e0 Argentina comer e passar alguns dias, em quantidades muito altas em 2023 (uma m\u00e9dia de 60.000 pessoas por semana). O encarecimento dos pre\u00e7os argentinos em d\u00f3lares reduziu muito esse fluxo em 2024, j\u00e1 que muitos uruguaios agora optam por ir para o Brasil<a href=\"#_ftn17\" id=\"_ftnref17\">[17]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que um setor da burguesia uruguaia sempre critica os obst\u00e1culos impostos pelas cl\u00e1usulas constitutivas do Mercosul para os acordos bilaterais de livre com\u00e9rcio de seus membros com outros pa\u00edses. Na c\u00fapula realizada em Assun\u00e7\u00e3o, em junho passado, Lacalle Pou disse: <em>&#8220;Precisamos avan\u00e7ar<\/em> [nesses acordos]. <em>Se n\u00e3o h\u00e1 vontade por parte dos s\u00f3cios de avan\u00e7ar por enquanto, deixem-nos avan\u00e7ar em velocidades diferentes.&#8221;<a href=\"#_ftn18\" id=\"_ftnref18\"><strong>[18]<\/strong><\/a><\/em> Ao mesmo tempo, criticou o presidente argentino Javier Milei (que tem uma posi\u00e7\u00e3o semelhante sobre esse ponto) por n\u00e3o comparecer \u00e0 c\u00fapula de Assun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O fracasso da ALCA e a assinatura dos TLCs<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Antes do Mercosul, outros pa\u00edses sul-americanos haviam assinado acordos semelhantes, como o <strong>Pacto Andino,<\/strong> entre Bol\u00edvia, Chile, Col\u00f4mbia, Equador e Peru, em 1969. Em seguida, transformado na <strong>Alian\u00e7a do Pac\u00edfico<\/strong> em 2011\/2012 (a Bol\u00edvia havia sa\u00eddo e o M\u00e9xico havia aderido). Tamb\u00e9m houve acordos comerciais entre os pa\u00edses da Am\u00e9rica Central e do Caribe. Ou acordos mais gerais, como a ALALC (Acordo Latino-Americano de Livre Com\u00e9rcio), iniciada nos anos 70 e 80.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos nos referir, em particular, ao Tratado do Livre Com\u00e9rcio da Am\u00e9rica do Norte (<strong>TLCAN<\/strong> ou<strong> <\/strong><strong>NAFTA<\/strong> pela sua sigla em ingl\u00eas), assinado entre o Canad\u00e1, os Estados Unidos e o M\u00e9xico em 1992. Aqui, o imperialismo norte-americano j\u00e1 participava diretamente. O grande prejudicado desse acordo foi o M\u00e9xico, cuja ind\u00fastria nacional foi drasticamente reduzida e transformada em montadoras para empresas norte-americanas (especialmente no norte do pa\u00eds). A agricultura tradicional baseada no milho, bombardeada pela produ\u00e7\u00e3o subsidiada nos EUA, tamb\u00e9m foi reduzida.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, o imperialismo norte-americano lan\u00e7ou na C\u00fapula das Am\u00e9ricas de 1994 a proposta de criar a ALCA (Acordo de Livre Com\u00e9rcio das Am\u00e9ricas) <em>&#8220;do Alasca \u00e0 Terra do Fogo&#8221;.<\/em> Este Acordo nunca p\u00f4de ser concretizado. Hugo Ch\u00e1vez, ent\u00e3o presidente venezuelano, foi nitidamente contra e foi apoiado pelo argentino N\u00e9stor Kirchner. Na C\u00fapula das Am\u00e9ricas de 2005, realizada em Mar del Plata (Argentina), ambos convocaram uma mobiliza\u00e7\u00e3o e um ato com a consigna <strong>N\u00e3o \u00e0 ALCA<\/strong>. Os presidentes do Brasil e do Uruguai, embora n\u00e3o tenham convocado a mobiliza\u00e7\u00e3o, questionaram o acordo naquela C\u00fapula. Ao mesmo tempo, nos EUA, os produtores agr\u00edcolas tamb\u00e9m se opuseram porque tal acordo poderia significar o fim dos grandes subs\u00eddios que recebem dos governos dos EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante das dificuldades para concretizar a ALCA, o imperialismo norte-americano deu uma guinada: concluir acordos regionais ou bilaterais, com sua participa\u00e7\u00e3o direta. O mais importante foi o DR-CAFTA (sigla em ingl\u00eas do Tratado de Livre Com\u00e9rcio entre os Estados Unidos, os pa\u00edses da Am\u00e9rica Central e a Rep\u00fablica Dominicana) assinado em 2003\/2004, que devia ser ratificado pelos parlamentos nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Costa Rica, desenvolveu-se um processo de mobiliza\u00e7\u00e3o muito forte contra o TLC<a href=\"#_ftn19\" id=\"_ftnref19\">[19]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso for\u00e7ou o governo de \u00d3scar Arias a adiar sua ratifica\u00e7\u00e3o. Nesta situa\u00e7\u00e3o, convocou um referendo em 7 de outubro de 2007, no qual obteve uma ligeira vantagem (51,62% a favor e 48,38% contra). Finalmente, em 2009, a Costa Rica ratificou sua participa\u00e7\u00e3o no DR-CAFTA.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mercosul, os BRICS e a Rota da Seda<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A partir da restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo e os gigantescos investimentos imperialistas que flu\u00edram (especialmente depois de 1990), a China teve um desenvolvimento industrial espetacular. Tornou-se a &#8220;f\u00e1brica do mundo&#8221; e a segunda pot\u00eancia econ\u00f4mica capitalista em termos de volume de seu PIB que a LIT-QI caracteriza como imperialista. Tornou-se um &#8220;jogador-chave&#8221; no com\u00e9rcio mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Algo que se refletiu muito fortemente na Am\u00e9rica Latina e no Mercosul. Em 2021, a China havia se tornado o segundo maior parceiro comercial da Am\u00e9rica Latina e estava a caminho de se tornar o primeiro<a href=\"#_ftn20\" id=\"_ftnref20\">[20]<\/a>. Naquele ano, as importa\u00e7\u00f5es e exporta\u00e7\u00f5es estavam equilibradas. Os economistas burgueses chamam isso de &#8220;economias complementares&#8221;: a Am\u00e9rica Latina exporta alimentos e mat\u00e9rias-primas (principalmente minerais) e a China exporta produtos industriais acabados, ou partes deles.<\/p>\n\n\n\n<p>A China come\u00e7ou a tentar ter maior autonomia em seu com\u00e9rcio internacional, j\u00e1 que o com\u00e9rcio mundial continua operando em torno de um sistema banc\u00e1rio com predomin\u00e2ncia do polo d\u00f3lar-euro. Com esse objetivo, a China promoveu a forma\u00e7\u00e3o do grupo BRICS (sigla para Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul) entre 2006 e 2009. Em 2024, foi ampliado para Ir\u00e3, Egito, Eti\u00f3pia e Emirados \u00c1rabes Unidos. Outros pa\u00edses, como Mal\u00e1sia, Tail\u00e2ndia e Turquia, entre outros, est\u00e3o &#8220;associados&#8221; e interessados em se tornarem membros plenos no futuro. Nesse sentido, o grupo \u00e9 formado por pa\u00edses com tr\u00eas dos dez maiores PIBs do mundo (em 2022, os membros do grupo representavam 25,7% do total mundial).<a href=\"#_ftn21\" id=\"_ftnref21\">[21]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O grupo criou suas pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es financeiras, como o Novo Banco de Desenvolvimento, o Acordo Contingente de Reservas e o Sistema de <em>Pagamento do BRICS<\/em>. No entanto, nunca foi capaz de avan\u00e7ar para uma integra\u00e7\u00e3o muito mais profunda (no estilo da Uni\u00e3o Europeia) nem criar uma moeda comum como o euro. Existem muitas raz\u00f5es e contradi\u00e7\u00f5es que impedem esse progresso para &#8220;desdolarizar&#8221; o com\u00e9rcio mundial<a href=\"#_ftn22\" id=\"_ftnref22\">[22]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste ponto, \u00e9 necess\u00e1rio referir-se \u00e0 moderna Rota da Seda: um acordo comercial internacional que facilita o transporte de produtos de e para a China. Em 2020, na Am\u00e9rica Latina, Argentina, Bol\u00edvia, Chile, Col\u00f4mbia, Equador, M\u00e9xico, Panam\u00e1, Peru, Uruguai e Venezuela integravam este acordo. Ou seja, v\u00e1rios pa\u00edses do Mercosul<a href=\"#_ftn23\" id=\"_ftnref23\">[23]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base neste acordo, a China vem construindo um &#8220;colar f\u00edsico&#8221; de portos e infraestrutura que seu governo financia, e que s\u00e3o ent\u00e3o administrados por empresas chinesas, com privil\u00e9gios especiais. Na Am\u00e9rica Latina, por v\u00e1rios anos, o projeto chin\u00eas era ter v\u00e1rios portos desse tipo. Mas, at\u00e9 agora, s\u00f3 conseguiu faz\u00ea-lo em Chancay, Peru (a 70 km de Lima), que se tornou o porto mais importante do Pac\u00edfico sul-americano. \u00c9 operado pela Cosco Shipping Port, a principal empresa de navega\u00e7\u00e3o da China. O projeto de construir um megaporto semelhante na Terra do Fogo (Argentina) foi, por enquanto, descartado, devido \u00e0s fortes press\u00f5es do imperialismo ianque e do FMI sobre os governos argentinos<a href=\"#_ftn24\" id=\"_ftnref24\">[24]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Investimentos chineses no Mercosul<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do grande peso no com\u00e9rcio exterior fora do bloco de pa\u00edses do Mercosul, a China tamb\u00e9m come\u00e7ou a fazer investimentos crescentes em alguns deles.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da Argentina, em primeiro lugar, aqueles destinados a garantir o abastecimento de produtos agr\u00edcolas e pecu\u00e1rios e seus derivados. Em segundo lugar, come\u00e7ou a fazer investimentos minorit\u00e1rios na \u00e1rea do petr\u00f3leo e minera\u00e7\u00e3o (especialmente l\u00edtio). Tamb\u00e9m come\u00e7ou a operar no processamento posterior de l\u00edtio, para uso na fabrica\u00e7\u00e3o de baterias para carros el\u00e9tricos. Fez parceria com uma nova filial da YPF (a grande empresa estatal de petr\u00f3leo), chamada YPF Litio SA ou Y-TEC (que j\u00e1 intervinha em um dos projetos de extra\u00e7\u00e3o de l\u00edtio).<a href=\"#_ftn25\" id=\"_ftnref25\">[25]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Para que a Y-TEC pudesse intervir em toda a cadeia de valor do l\u00edtio (extra\u00e7\u00e3o, enriquecimento e fabrica\u00e7\u00e3o de baterias), foi feito um acordo pelo qual instrutores chineses capacitaram engenheiros e trabalhadores para a constru\u00e7\u00e3o e in\u00edcio destas f\u00e1bricas<a href=\"#_ftn26\" id=\"_ftnref26\">[26]<\/a>, algumas das quais come\u00e7aram a operar e j\u00e1 entregavam baterias para utiliza\u00e7\u00e3o em ve\u00edculos<a href=\"#_ftn27\" id=\"_ftnref27\">[27]<\/a>. Este fato foi completado com o projeto de uma empresa chinesa (Gotion High Tech) para construir terminais na Argentina para a fabrica\u00e7\u00e3o de \u00f4nibus el\u00e9tricos e baterias de l\u00edtio, associada \u00e0 Y-TEC e uma empresa privada nacional argentina para exportar para o Mercosul e Am\u00e9rica Latina<a href=\"#_ftn28\" id=\"_ftnref28\">[28]<\/a>. Mais tarde veremos o que aconteceu com este projeto sob o governo de Javier Milei.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a empresa chinesa BYD comprou a grande f\u00e1brica em Cama\u00e7ari-Bahia (fechada pela Ford no in\u00edcio de 2021) para produzir carros el\u00e9tricos<a href=\"#_ftn29\" id=\"_ftnref29\">[29]<\/a>. Tamb\u00e9m inaugurou a primeira f\u00e1brica brasileira de baterias para esses carros<a href=\"#_ftn30\" id=\"_ftnref30\">[30]<\/a>. Ao mesmo tempo, no Brasil, as empresas chinesas v\u00eam realizando investimentos no setor de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de energia, aproveitando o processo de desmonte e privatiza\u00e7\u00e3o da estatal Eletrobras<a href=\"#_ftn31\" id=\"_ftnref31\">[31]<\/a>. Recentemente, a estatal chinesa Nonferrous Trade Co. Ltd adquiriu a mina de Pitinga, na Amaz\u00f4nia, por US$ 340 milh\u00f5es, tornando-se propriet\u00e1ria das maiores reservas de estanho do Brasil<a href=\"#_ftn32\" id=\"_ftnref32\">[32]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso explica por que, uma vez terminada a C\u00fapula do G20 (realizada no Rio de Janeiro), Lula e Xi Jinping realizaram uma reuni\u00e3o oficial em Bras\u00edlia para &#8220;<em>promover as estrat\u00e9gias de desenvolvimento dos dois pa\u00edses, bem como quest\u00f5es regionais e internacionais de interesse comum&#8221; e assinar <\/em>v\u00e1rios acordos comerciais entre os dois pa\u00edses. Xi Jinping mais uma vez prop\u00f4s a Lula que o Brasil aderisse ao acordo comercial da Rota da Seda, algo que o Brasil ainda n\u00e3o fez<a href=\"#_ftn33\" id=\"_ftnref33\">[33]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O acordo com a UE e as suas contradi\u00e7\u00f5es<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como dissemos, o principal ponto discutido na C\u00fapula foi a assinatura das bases de um acordo de livre com\u00e9rcio entre o Mercosul e a Uni\u00e3o Europeia (UE), que ainda precisa ser aprovado pelos \u00f3rg\u00e3os da UE para entrar em vigor. Este acordo vem sendo discutido h\u00e1 mais de 20 anos. Inclusive entre 2016 e 2019 parecia que ia se concretizar, mas foi bloqueado pela divis\u00e3o entre os pa\u00edses membros da UE em dois blocos: um liderado pela Alemanha (a favor) e outro pela Fran\u00e7a (contra).<a href=\"#_ftn34\" id=\"_ftnref34\">[34]<\/a> <em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Neste acordo, os pa\u00edses mais desenvolvidos da UE obt\u00eam grandes vantagens para vender os seus produtos industriais no Mercosul e para investir em subsidi\u00e1rias nesses pa\u00edses. Por isso a Alemanha lidera o bloco pela sua aprova\u00e7\u00e3o. Na Fran\u00e7a, a grande oposi\u00e7\u00e3o a esse acordo vem dos produtores agropecu\u00e1rios, especialmente aqueles dedicados \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de bovinos e aves.<\/p>\n\n\n\n<p>Este setor \u00e9 composto principalmente por numerosos pequenos propriet\u00e1rios agr\u00edcolas que recebem subs\u00eddios estatais h\u00e1 muitos anos. Sempre tiveram um importante peso social e pol\u00edtico na vida francesa. A sua situa\u00e7\u00e3o vem declinando, uma vez que foram afetados pela concorr\u00eancia de produtores com custos mais baixos de outros pa\u00edses europeus da UE ou fora dela. Na medida em que os subs\u00eddios estatais n\u00e3o s\u00e3o mais suficientes, os setores mais empobrecidos sa\u00edram para protestar contra os governos, como foi o caso dos coletes amarelos.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora se op\u00f5em firmemente ao acordo UE-Mercosul por medo de que ele gere uma &#8220;invas\u00e3o&#8221; de carne bovina e de frango a pre\u00e7os muito mais baixos e isso lhes signifique o &#8220;golpe de miseric\u00f3rdia&#8221;.<a href=\"#_ftn35\" id=\"_ftnref35\">[35]<\/a> Eles receberam a solidariedade da grande rede de supermercados Carrefour, que anunciou que deixaria de comprar carne de pa\u00edses do Mercosul para abastecer seus supermercados na Fran\u00e7a. No Brasil, isso gerou um conflito com os grandes produtores de carne do pa\u00eds (JBS e Marfrig), que suspenderam a venda de carne e seus derivados para toda a extensa rede de lojas dessa empresa no pa\u00eds<a href=\"#_ftn36\" id=\"_ftnref36\">[36]<\/a>. Os produtores de carne argentinos amea\u00e7aram tomar uma medida semelhante em seu pa\u00eds. Por fim, o Carrefour recuou e enviou uma carta ao governo brasileiro, na qual pedia &#8220;desculpas&#8221; pela &#8220;confus\u00e3o gerada&#8221;.<a href=\"#_ftn37\" id=\"_ftnref37\">[37]<\/a> Neste contexto, resta saber como ser\u00e1 resolvida a crise entre os dois principais pa\u00edses da UE, na vota\u00e7\u00e3o para ratificar o acordo nos seus \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>No Mercosul, os principais benefici\u00e1rios do acordo seriam, em primeiro lugar, os produtores e exportadores de carne bovina. Atualmente, a &#8220;nata&#8221; das exporta\u00e7\u00f5es de carne dos pa\u00edses do bloco para a UE \u00e9 a chamada &#8220;cota Hilton&#8221;, um total de 100.000 toneladas de importa\u00e7\u00f5es de carne de alta qualidade e alto pre\u00e7o, autorizadas pela UE para diferentes pa\u00edses, com tarifas de 20%. No Mercosul: a Argentina tem 30.000 toneladas dessa cota; Brasil, 10.000; Uruguai, 6.300 e Paraguai, 1.000. O novo acordo eliminaria tarifas, aumentaria a cota e incorporaria a importa\u00e7\u00e3o por parte da UE de uma cota semelhante de &#8220;carne com osso&#8221;. Ao mesmo tempo, como j\u00e1 vimos, permitiria uma grande renda da venda de carne de aves (algo que beneficiaria especialmente o Brasil).<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, exportadores de carne bovina argentinos e uruguaios dizem que o acordo tem <em>&#8221; gosto de pouco&#8221;.<\/em> Embora possa representar um aumento de renda de 600 milh\u00f5es de d\u00f3lares para os pa\u00edses do Mercosul, o grande benefici\u00e1rio acabaria sendo o Brasil (devido \u00e0 inclus\u00e3o de cortes de menor qualidade e da carne de aves). Ao mesmo tempo, o acordo sobre a importa\u00e7\u00e3o de carne s\u00f3 entrar\u00e1 plenamente em vigor dentro de cinco anos<a href=\"#_ftn38\" id=\"_ftnref38\">[38]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A oscila\u00e7\u00e3o dos governos argentinos<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na c\u00fapula de Montevid\u00e9u, o presidente argentino, Javier Milei, disse que era necess\u00e1rio mudar o acordo b\u00e1sico do Mercosul para permitir que os pa\u00edses membros assinem acordos bilaterais de livre com\u00e9rcio com outros pa\u00edses fora do bloco sem ter que aplicar a <em>&#8220;tarifa externa comum&#8221;.<\/em> Afirmou que, nas condi\u00e7\u00f5es atuais, o Mercosul \u00e9 <em>&#8220;uma pris\u00e3o&#8221;<\/em> para seus membros. Acrescentou que, devido a esse obst\u00e1culo, nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, com exce\u00e7\u00e3o do Brasil, seus membros foram prejudicados e regrediram em suas economias, ao contr\u00e1rio do Chile e do Peru, que cresceram muito<a href=\"#_ftn39\" id=\"_ftnref39\">[39]<\/a>.&nbsp; Poucos dias depois, anunciou que seu governo vai promover a assinatura de um TLC entre a Argentina e os Estados Unidos.<a href=\"#_ftn40\" id=\"_ftnref40\">[40]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 interessante ver as oscila\u00e7\u00f5es dos governos argentinos diante do Mercosul ao longo dos \u00faltimos anos. Sergio Massa, a principal figura do governo peronista anterior, vinha promovendo uma maior integra\u00e7\u00e3o da Argentina ao Mercosul e especialmente com o Brasil. Em janeiro de 2023, diante do grande enfraquecimento da moeda argentina (o peso), ele anunciou um projeto para criar uma moeda comum entre os dois pa\u00edses<a href=\"#_ftn41\" id=\"_ftnref41\">[41]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de derrotar Massa nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2023 e assumir a presid\u00eancia em dezembro daquele ano, Milei iniciou uma pol\u00edtica oposta e enfraqueceu ao extremo as rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas com o Brasil: depois que o partido de Lula apoiou Sergio Massa nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es argentinas. Milei disse que Lula era <em>&#8220;um comunista corrupto&#8221;.<a href=\"#_ftn42\" id=\"_ftnref42\"><strong>[42]<\/strong><\/a><\/em> Lembremos que Milei n\u00e3o participou da c\u00fapula anterior do Mercosul, realizada em Assun\u00e7\u00e3o, em junho passado (ele enviou seu ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foi a\u00ed que a realidade entrou em jogo: o Brasil \u00e9 o principal parceiro comercial da Argentina. Al\u00e9m da tradicional exporta\u00e7\u00e3o de produtos agr\u00edcolas argentinos, agora haver\u00e1 a exporta\u00e7\u00e3o de g\u00e1s do megacampo de Vaca Muerta, no qual a Petrobras planeja investir pesadamente<a href=\"#_ftn43\" id=\"_ftnref43\">[43]<\/a>. Outras empresas brasileiras tamb\u00e9m est\u00e3o investindo na Argentina: em uma prov\u00edncia do norte, a constru\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica Formosa Biosider\u00fargica para produzir o chamado &#8220;ferro-gusa verde&#8221; est\u00e1 em fase de conclus\u00e3o<a href=\"#_ftn44\" id=\"_ftnref44\">[44]<\/a>. A f\u00e1brica foi constru\u00edda e \u00e9 de propriedade da Modulax Siderurgia, grupo industrial rec\u00e9m-criado, com sede em Minas Gerais<a href=\"#_ftn45\" id=\"_ftnref45\">[45]<\/a>. \u00c9 por isso que, por decis\u00e3o dos grandes grupos econ\u00f4micos que apoiam seu governo, Milei foi \u00e0 recente c\u00fapula do G20, realizada no Rio de Janeiro, para reconstruir rela\u00e7\u00f5es com Lula e assinar acordos comerciais com seu governo (o que a m\u00eddia argentina chamou de &#8220;virada pragm\u00e1tica&#8221;).<a href=\"#_ftn46\" id=\"_ftnref46\">[46]<\/a> E agora ele participou da c\u00fapula do Mercosul.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, embora <em>&#8220;<\/em><em>tenha esclarecido que n\u00e3o \u00e9 vontade da Argentina sair ou dissolver o Mercosul&#8221;, <\/em>quer <em>&#8220;permiss\u00e3o para sair da pris\u00e3o&#8221;<\/em> e poder assinar um TLC bilateral com os Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As raz\u00f5es de Milei<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O imperialismo norte-americano tem sido hegem\u00f4nico na subordina\u00e7\u00e3o semicolonial da Argentina desde o final dos anos 1950. Atualmente, sua principal ferramenta nesse sentido \u00e9 o pagamento da d\u00edvida externa e os planos econ\u00f4micos impostos e supervisionados pelo FMI. Com rela\u00e7\u00e3o aos investimentos diretos, desde ent\u00e3o tem investido fortemente em setores-chave da economia argentina, como automotivos (Ford), petr\u00f3leo (Exxon) e outros (frigor\u00edficos e laborat\u00f3rios).&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No momento, n\u00e3o h\u00e1 uma &#8220;onda&#8221; de investimentos dos EUA na Argentina. Os que est\u00e3o chegando est\u00e3o concentrados em Vaca Muerta (diretamente atrav\u00e9s da Chevron ou associada ao grupo Techint-Rocca que controla a YPF, e \u00e0 Pan American Energy do grupo Bridas-Bulgheroni). Tamb\u00e9m em outros projetos relacionados (como a usina de G\u00e1s Natural Liquefeito a ser constru\u00edda em Punta Colorada-R\u00edo Negro, camuflada dentro do Grupo Petronas da Mal\u00e1sia).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No parlamento argentino, o governo de Milei j\u00e1 conseguiu aprovar o RIGI (Regime de Incentivos a Grandes Investimentos), que concede grandes benef\u00edcios fiscais e alfandeg\u00e1rios a todos os investimentos imperialistas<a href=\"#_ftn47\" id=\"_ftnref47\">[47]<\/a>. Ent\u00e3o, por que ele est\u00e1 promovendo um TLC espec\u00edfico com os EUA? Pensamos que, em primeiro lugar, isto tem a ver com um aspecto jur\u00eddico: o RIGI \u00e9 apenas uma lei e poderia, portanto, ser revogado por outra lei, enquanto um TLC, uma vez ratificado, adquire estatuto constitucional e, por isso, \u00e9 muito mais dif\u00edcil de reverter.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, um TLC entre a Argentina e os EUA parece estar destinado num futuro imediato a favorecer Elon Musk, que estabeleceu uma forte rela\u00e7\u00e3o pessoal com Milei.&nbsp; Ap\u00f3s seu confronto com o governo e a justi\u00e7a brasileira<a href=\"#_ftn48\" id=\"_ftnref48\">[48]<\/a>, Musk parece ter escolhido a Argentina como plataforma para expandir seus neg\u00f3cios na Am\u00e9rica do Sul. Primeiro, no campo da telem\u00e1tica: Milei quer vender a empresa estatal ARSAT (sat\u00e9lites e comunica\u00e7\u00f5es) para ele<a href=\"#_ftn49\" id=\"_ftnref49\">[49]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, Musk anunciou que instalar\u00e1 a primeira f\u00e1brica da Tesla (ve\u00edculos el\u00e9tricos) na Am\u00e9rica do Sul na cidade de Z\u00e1rate<a href=\"#_ftn50\" id=\"_ftnref50\">[50]<\/a>. A partir dali competiria com a empresa chinesa BYD (com sede no Brasil). Nesse contexto, pode se apropriar da Y-TEC e de seus projetos de produ\u00e7\u00e3o de baterias el\u00e9tricas: Horacio Mar\u00edn (homem do grupo Techint-Rocca e atual presidente da YPF) j\u00e1 anunciou que pensa em vend\u00ea-la<a href=\"#_ftn51\" id=\"_ftnref51\">[51]<\/a>. Ou seja, com esse TLC, haveria um <em>bingo<\/em> para os neg\u00f3cios de Elon Musk: imensos benef\u00edcios na Argentina e, ao mesmo tempo, livre acesso de seus produtos aos pa\u00edses do Mercosul (entre eles, o Brasil). \u00c9 poss\u00edvel que a expectativa de Milei seja que, depois de Musk, cheguem v\u00e1rios outros investimentos do imperialismo ianque.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O uruguaio Lacalle Pou tamb\u00e9m expressou sua disposi\u00e7\u00e3o de fazer acordos fora do Mercosul. No entanto, ao contr\u00e1rio de Milei, seu objetivo n\u00e3o era um TLC com os EUA, mas com a China. Nossa hip\u00f3tese \u00e9 que esta proposta de Lacalle Pou (fracassado o projeto de Tierra del Fuego) visava a constru\u00e7\u00e3o de um megaporto em Montevid\u00e9u pela China como parte do &#8220;colarinho f\u00edsico&#8221; da Rota da Seda, e que essa fosse a porta de entrada e sa\u00edda do com\u00e9rcio com o Mercosul.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>De que integra\u00e7\u00e3o nossos pa\u00edses precisam?<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Vimos que o Mercosul representou uma integra\u00e7\u00e3o que, longe de fortalecer a autonomia e a independ\u00eancia de seus membros, esteve a servi\u00e7o dos interesses de grandes empresas internacionais e nacionais (incluindo latifundi\u00e1rios). Os grandes benefici\u00e1rios foram o imperialismo norte-americano e as pot\u00eancias europeias associadas, Canad\u00e1, Jap\u00e3o e Austr\u00e1lia. Mais recentemente, a China, como uma forte pot\u00eancia capitalista emergente, foi incorporada como outro\u201d jogador externo de peso&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O car\u00e1ter do acordo com a UE confirma esse conte\u00fado do Mercosul. Sua crise atual com a Argentina \u00e9 porque o governo de Milei quer que essa subordina\u00e7\u00e3o e rendi\u00e7\u00e3o seja feita diretamente com o imperialismo ianque, sem intermedia\u00e7\u00e3o ou supervis\u00e3o de outros pa\u00edses (Brasil).<\/p>\n\n\n\n<p>Os pa\u00edses que fazem parte do Mercosul alcan\u00e7aram sua independ\u00eancia da Espanha ou de Portugal (Brasil) nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX. Posteriormente, no s\u00e9culo XXI, se tornaram semicol\u00f4nias do imperialismo: mant\u00eam sua independ\u00eancia formal, mas em conte\u00fado est\u00e3o subordinados \u00e0s pot\u00eancias imperialistas (especialmente os Estados Unidos). Uma subordina\u00e7\u00e3o que aumenta cada vez mais por v\u00e1rios caminhos pol\u00edticos, econ\u00f4micos e financeiros (d\u00edvida externa e supervis\u00e3o do FMI), e tamb\u00e9m militares (bases dos EUA nos pa\u00edses e exerc\u00edcios militares conjuntos liderados pela Quarta Frota dos EUA).<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso dissemos que, para esses pa\u00edses, como para toda a Am\u00e9rica Latina, a tarefa de alcan\u00e7ar uma Segunda Independ\u00eancia do imperialismo est\u00e1 colocada. Uma tarefa que implica um conjunto de medidas que avancem em romper a subordina\u00e7\u00e3o em cada um dos campos em que ela se expressa: pol\u00edtico, econ\u00f4mico-financeiro e militar<a href=\"#_ftn52\" id=\"_ftnref52\">[52]<\/a>. Uma grande luta que, por raz\u00f5es profundas, deve ser travada de forma unificada a n\u00edvel de todo o continente.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, ao contr\u00e1rio da primeira independ\u00eancia latino-americana, n\u00e3o ser\u00e3o as burguesias nacionais (que se tornaram agentes da subordina\u00e7\u00e3o ao imperialismo) que a liderar\u00e3o. A Segunda Independ\u00eancia s\u00f3 pode ser liderada pela classe oper\u00e1ria, como &#8220;l\u00edder&#8221; de todas as massas populares e oprimidas. A luta pela Segunda Independ\u00eancia tornou-se parte de um processo maior que as engloba: a revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e socialista em escala continental e suas pr\u00f3prias tarefas. Longe de significar um avan\u00e7o nesse caminho, apesar de sua ret\u00f3rica, o Mercosul nos leva na dire\u00e7\u00e3o oposta.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> https:\/\/www.mercosur.int\/suspension-de-venezuela-en-el-mercosur\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> https:\/\/www.mercocsur.int\/quienes-somos\/objetivos-del-mercosur\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> https:\/\/www.mercosur.int\/durante-2021-aumento-el-intercambio-comercial-del-mercosur-con-el-mundo-y-con-los-paises-del-bloque-entre-si\/#:~:text=El%20intercambio%20comercial%20del%20MERCOSUR%20con%20el%20mundo%5B1%5D%20en,el%2043%25%20del%20intercambio%20comercial.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> https:\/\/litci.org\/es\/paraguay-lula-y-bolsonaro-una-misma-politica-para-itaipu\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a>https:\/\/www.bbc.com\/mundo\/economia\/2010\/09\/100917_brasil_elecciones_paraguay_agricultores_soja_jrg&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> https:\/\/www.lanacion.com.ar\/el-mundo\/bolivia-el-gobierno-no-logra-aun-un-acuerdo-con-petrobras-nid853519\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> Em 2005, este grupo adquiriu a Loma Negra (a mais importante produtora de cimento argentina) e o ramal ferrovi\u00e1rio que esta empresa possu\u00eda. Agora, para resolver sua crise financeira, vai vend\u00ea-lo para outro grupo brasileiro. Ver https:\/\/www.ambito.com\/negocios\/loma-negra-esta-venta-y-la-comprara-otro-grupo-brasileno-n5991999<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> Devido ao esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o conhecido como Lava Jato, a JBS teve que vender suas f\u00e1bricas na Argentina, Paraguai e Uruguai para o grupo brasileiro Minerva. https:\/\/www.lavoz.com.ar\/negocios\/el-frigorifico-brasileno-jbs-vendio-sus-operaciones-en-argentina\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> https:\/\/www.iprofesional.com\/economia\/414326-ypf-petrobras-preparan-mega-inversion-vaca-muerta<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> https:\/\/www.infobae.com\/movant\/2024\/11\/20\/argentina-firmo-un-acuerdo-con-brasil-para-exportar-gas-de-vaca-muerta\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a> https:\/\/www.infobae.com\/economia\/2020\/01\/22\/proponen-construir-un-gasoducto-para-que-la-produccion-de-gas-de-vaca-muerta-pueda-llegar-a-brasil\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[12]<\/a> <a href=\"https:\/\/insightcrime.org\/es\/noticias\/paraguay-depende-contrabando-brasil-combate\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/insightcrime.org\/es\/noticias\/paraguay-depende-contrabando-brasil-combate\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\">[13]<\/a> https:\/\/www.cronista.com\/financial-times\/Empresas-brasilenas-se-mudan-a-Paraguay-por-sus-bajos-costos-20170411-0026.html<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\" id=\"_ftn14\">[14]<\/a> https:\/\/vacamuertanews.com\/actualidad\/paraguay-quiere-construir-un-gasoducto-que-lleve-el-gas-de-vaca-muerta-a-brasil.htm<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref15\" id=\"_ftn15\">[15]<\/a> https:\/\/www.clarin.com\/economia\/economia\/argentinos-depositados-uruguay-cerca-3-000-millones-dolares_0_ez0YUnxG.html?srsltid=AfmBOopc0Awp7gQyhSSBmTAySpDRcBtBqjOFMAJXRGaSK7CT2EPKBKpy<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref16\" id=\"_ftn16\">[16]<\/a> https:\/\/eleconomista.com.ar\/internacional\/empieza-producir-tercera-mayor-planta-celulosa-uruguay-relegara-carne-soja-n61490<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref17\" id=\"_ftn17\">[17]<\/a> https:\/\/america-retail.com\/paises\/uruguay\/la-caida-del-turismo-hacia-argentina-impulsa-otros-destinos-para-uruguayos\/#:~:text=Los%20datos%20recientes%20revelan%20que,fue%20de%202.931.676%20viajeros.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref18\" id=\"_ftn18\">[18]<\/a> https:\/\/www.infobae.com\/america\/america-latina\/2024\/07\/08\/luis-lacalle-pou-hablo-en-la-cumbre-del-mercosur-si-es-tan-importante-deberiamos-estar-aca-todos-los-presidentes\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref19\" id=\"_ftn19\">[19]<\/a>https:\/\/litci.org\/es\/artigo426\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref20\" id=\"_ftn20\">[20]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.baenegocios.com\/mundo\/comercio-entre-china-y-america-latina-fue-record-en-2021-20220125-0036.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Com\u00e9rcio China-Am\u00e9rica Latina foi recorde em 2021 | BAE Neg\u00f3cios<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref21\" id=\"_ftn21\">[21]<\/a> https:\/\/chequeado.com\/el-explicador\/que-son-los-brics-el-bloque-de-paises-a-los-que-ingresara-la-argentina-en-2024\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref22\" id=\"_ftn22\">[22]<\/a> https:\/\/www.dw.com\/es\/cu%C3%A1n-viable-es-que-los-brics-tengan-su-propia-moneda-com%C3%BAn\/a-70950743&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref23\" id=\"_ftn23\">[23]<\/a> https:\/\/egade.tec.mx\/es\/egade-ideas\/investigacion\/se-unira-america-latina-la-nueva-ruta-de-la-seda#:~:text=Grupo%20de%20pa%C3%ADses%20miembros%3A%20Emiratos,%2C%20Panam%C3%A1%2C%20Per%C3%BA%2C%20Venezuela.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref24\" id=\"_ftn24\">[24]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.lalicuadoratdf.com.ar\/2023\/06\/puerto-chino-en-tierra-del-fuego-negocios-bajo-la-presion-de-la-casa-blanca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Porto chin\u00eas na Terra do Fogo: neg\u00f3cios sob press\u00e3o da Casa Branca &#8211; La Licuadora (lalicuadoratdf.com.ar)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref25\" id=\"_ftn25\">[25]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.ambito.com\/energia\/ypf\/incursiona-el-negocio-del-litio-una-nueva-empresa-n5268831\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">YPF se aventura no neg\u00f3cio de l\u00edtio com uma nova empresa (ambito.com)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref26\" id=\"_ftn26\">[26]<\/a> <a href=\"https:\/\/huellaminera.com\/2022\/05\/la-unlp-capacita-al-personal-y-se-prepara-para-poner-en-marcha-la-planta-de-baterias-de-litio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A UNLP treina pessoal e se prepara para iniciar a F\u00e1brica de Baterias de L\u00edtio &#8211; Huella Minera<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref27\" id=\"_ftn27\">[27]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.datadiario.com\/politica\/este-lunes-debuta-en-la-plata-el-primer-micro-con-baterias-de-litio-2023659350\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nesta segunda-feira, o primeiro micro com baterias de l\u00edtio (datadiario.com) estreia em La Plata<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref28\" id=\"_ftn28\">[28]<\/a> <a href=\"https:\/\/tn.com.ar\/autos\/novedades\/2022\/06\/27\/empresa-china-fabricara-buses-electricos-y-baterias-de-litio-en-la-argentina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Empresa chinesa fabricar\u00e1 \u00f4nibus el\u00e9tricos e baterias na Argentina | TN<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref29\" id=\"_ftn29\">[29]<\/a> <a href=\"https:\/\/jornaldocarro.estadao.com.br\/carros\/byd-vai-produzir-carros-eletricos-na-bahia-na-fabrica-fechada-pela-ford\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">BYD vai produzir carros el\u00e9tricos na Bahia em f\u00e1brica datada pela Ford (estadao.com.br)<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref30\" id=\"_ftn30\">[30]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.canalenergia.com.br\/noticias\/53145130\/byd-inaugura-primeira-fabrica-de-baterias-de-litio-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">BYD inaugura primeira f\u00e1brica de baterias de l\u00edtio no Brasil \u2013 CanalEnergia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref31\" id=\"_ftn31\">[31]<\/a> <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2022\/06\/14\/privatizacao-da-eletrobras-veja-perguntas-e-respostas.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Privatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras: veja perguntas e respostas | Economia | G1 (globo.com)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref32\" id=\"_ftn32\">[32]<\/a> https:\/\/www.swissinfo.ch\/spa\/una-estatal-china-compra-una-minera-brasile%C3%B1a-con-un-gigantesco-yacimiento-de-uranio\/88373056<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref33\" id=\"_ftn33\">[33]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.fmprc.gov.cn\/esp\/zxxx\/202411\/t20241120_11529720.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.fmprc.gov.cn\/esp\/zxxx\/202411\/t20241120_11529720.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref34\" id=\"_ftn34\">[34]<\/a> https:\/\/www.dw.com\/es\/mercosur-y-la-ue-recorrido-y-alcance-de-un-acuerdo-hist%C3%B3rico\/a-70985228<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref35\" id=\"_ftn35\">[35]<\/a> <a href=\"https:\/\/bichosdecampo.com\/argentina-preocupa-por-su-carne-de-vaca-pero-el-verdadero-cuco-es-brasil-explica-benoit-devault-periodista-de-la-france-agricole-sobre-los-temores-galos-frente-al-acuerdo-con-el-mercosur\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/bichosdecampo.com\/argentina-preocupa-por-su-carne-de-vaca-pero-el-verdadero-cuco-es-brasil-explica-benoit-devault-periodista-de-la-france-agricole-sobre-los-temores-galos-frente-al-acuerdo-con-el-mercosur\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref36\" id=\"_ftn36\">[36]<\/a> https:\/\/www.lavoz.com.ar\/noticias\/agencias\/carrefour-rechaza-carne-sudamericana-y-enfrenta-represalias-de-brasil\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref37\" id=\"_ftn37\">[37]<\/a> https:\/\/www.swissinfo.ch\/spa\/el-ceo-de-carrefour-pide-disculpas-a-brasil-por-la-%22confusi%C3%B3n%22-tras-el-boicot-a-la-carne\/88337035<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref38\" id=\"_ftn38\">[38]<\/a> https:\/\/bichosdecampo.com\/mientras-los-ganaderos-franceses-lucen-aterrados-por-una-invasion-sudamericana-aqui-los-exportadores-de-carne-se-quedaron-con-gusto-a-poco\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref39\" id=\"_ftn39\">[39]<\/a> https:\/\/www.lapoliticaonline.com\/politica\/milei-dijo-que-el-mercosur-es-una-prision-y-defendio-un-acuerdo-con-estados-unidos\/&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref40\" id=\"_ftn40\">[40]<\/a> https:\/\/www.iprofesional.com\/politica\/418793-javier-milei-anuncio-que-impulsara-un-tratado-de-libre-comercio-con-estados-unidos-en-2025<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref41\" id=\"_ftn41\">[41]<\/a> https:\/\/www.argentina.gob.ar\/noticias\/massa-confirmo-que-argentina-y-brasil-trabajan-en-un-proyecto-para-crear-una-moneda-comun<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref42\" id=\"_ftn42\">[42]<\/a> https:\/\/elpais.com\/argentina\/2024-06-28\/milei-redobla-sus-ataques-contra-lula.html<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref43\" id=\"_ftn43\">[43]<\/a> https:\/\/www.infobae.com\/movant\/2024\/11\/20\/argentina-firmo-un-acuerdo-con-brasil-para-exportar-gas-de-vaca-muerta\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref44\" id=\"_ftn44\">[44]<\/a> https:\/\/www.eldestapeweb.com\/informacion-general\/desarrollo-sustentable\/formosa-dio-un-importante-avance-en-el-proyecto-que-revolucionara-la-industria-2024121415012<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref45\" id=\"_ftn45\">[45]<\/a> http:\/\/modulax.com.br\/es\/unidades-de-negocio\/siderurgia\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref46\" id=\"_ftn46\">[46]<\/a> https:\/\/litci.org\/es\/g20-muchos-problemas-pocas-soluciones\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref47\" id=\"_ftn47\">[47]<\/a> https:\/\/litci.org\/es\/argentina-el-regimen-de-incentivo-a-las-grandes-inversiones-rigi-es-una-mesa-servida-para-el-imperialismo\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref48\" id=\"_ftn48\">[48]<\/a> https:\/\/accion.coop\/las-ultimas\/suspenden-a-la-red-x-en-brasil\/?utm_source=google&amp;utm_medium=cpc&amp;utm_campaign=Trafico&amp;utm_term=Texto&amp;utm_content=NonBrand&amp;keyword=&amp;gad_source=5&amp;gclid=EAIaIQobChMI9K_hmYy0igMVB0VIAB3r5QB8EAAYAiAAEgId0_D_BwE<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref49\" id=\"_ftn49\">[49]<\/a> https:\/\/www.pagina12.com.ar\/777794-el-gobierno-le-pone-a-arsat-el-cartel-de-remate<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref50\" id=\"_ftn50\">[50]<\/a> https:\/\/ar.motor1.com\/news\/716583\/zarate-fabrica-tesla-argentina\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref51\" id=\"_ftn51\">[51]<\/a> https:\/\/periferia.com.ar\/politica-cientifica\/el-nuevo-presidente-de-ypf-planea-desprenderse-de-y-tec\/#:~:text=Horacio%20Mar%C3%ADn%20no%20quiere%20a,YPF%20Luz%20e%20YPF%20Agro.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref52\" id=\"_ftn52\">[52]<\/a> https:\/\/litci.org\/es\/debate-lograr-la-segunda-independencia-latinoamericana\/?utm_source=copylink&amp;utm_medium=browser<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Alejandro Iturbe | Na primeira semana de dezembro, uma nova C\u00fapula do Mercosul foi realizada em Montevid\u00e9u. O principal ponto discutido foi a assinatura de um acordo de livre com\u00e9rcio com a Uni\u00e3o Europeia (UE). 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