{"id":80201,"date":"2024-12-20T15:44:35","date_gmt":"2024-12-20T15:44:35","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=80201"},"modified":"2024-12-20T15:49:37","modified_gmt":"2024-12-20T15:49:37","slug":"franca-barnier-se-foi-e-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/12\/20\/franca-barnier-se-foi-e-agora\/","title":{"rendered":"Fran\u00e7a | Barnier se foi! E agora?"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Micha\u00ebl Lenoir, grupo simpatizante da LIT-QI na Fran\u00e7a |<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00c0 frente de um governo que durou 89 dias, Barnier foi o primeiro-ministro que menos durou da Quinta Rep\u00fablica. Dada a enorme instabilidade pol\u00edtica na Fran\u00e7a, ligada a uma profunda crise econ\u00f4mica e social, que j\u00e1 sublinhamos extensivamente, a queda de Barnier n\u00e3o \u00e9 surpresa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Foto: Michel Barnier na Assembleia Nacional em Paris em 4 de dezembro de 2024. afp.com\/Alain JOCARD<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma queda previs\u00edvel, mas talvez mais r\u00e1pida do que o esperado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O que surpreendeu alguns foi que a faca da censura ca\u00edsse t\u00e3o rapidamente. Foi o RN \u2013 Reagrupamento Nacional- que tinha a chave e optou \u2013 mais rapidamente do que muitos imaginavam \u2013 por vetar o or\u00e7amento da Previd\u00eancia Social (PLFSS). Sem d\u00favida, o mesmo poderia ter acontecido com o outro grande texto em debate no Parlamento, o Or\u00e7amento Geral do Estado para 2025. Na segunda-feira, 2 de dezembro, perante a Assembleia Nacional, Michel Barnier, incapaz de apresentar um PLFSS aceit\u00e1vel para a maioria dos deputados, optou por recorrer ao artigo 49.3 da Constitui\u00e7\u00e3o. Este procedimento antidemocr\u00e1tico j\u00e1 foi utilizado no ano passado para impor a odiada reforma da previd\u00eancia sem vota\u00e7\u00e3o. Desta vez, o artigo 49.3 tinha permitido que o PLFSS fosse aprovado sem vota\u00e7\u00e3o&#8230; se o voto de censura n\u00e3o tivesse ocorrido. Mas desde julho, o Parlamento est\u00e1 ainda mais fragmentado do que no ano passado, e o RN optou por censurar Barnier por este texto. O partido de extrema-direita apresentou sua pr\u00f3pria mo\u00e7\u00e3o de censura, mas tamb\u00e9m anunciou que votaria a favor da mo\u00e7\u00e3o de censura do NFP- Nova Frente Popular-, o que fez na quarta-feira, 4 de dezembro. Portanto, houve 331 votos de censura, mais do que suficientes &#8211; 288 teriam sido suficientes &#8211; para derrubar o governo.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o mais importante aqui \u00e9 o que levou o RN a decidir votar a favor da censura. No \u00faltimo minuto, Barnier cedeu a muitas das demandas do RN, em particular com uma redu\u00e7\u00e3o significativa na cesta de cuidados coberta pelo regime de assist\u00eancia m\u00e9dica estatal (SMA), que permite que imigrantes indocumentados tenham acesso a cuidados de sa\u00fade; abandonando a ideia de aumentar a tributa\u00e7\u00e3o da eletricidade; e revertendo a remo\u00e7\u00e3o de medicamentos do cronograma de 2025. Apesar de tudo, Marine Le Pen, que continuou exigindo mais de Barnier, considerou que o governo havia &#8220;encerrado a discuss\u00e3o&#8221;, embora Matignon continuasse dizendo que estava &#8220;aberto ao di\u00e1logo&#8221;. Na realidade, o que parece ter predominado \u00e9 a press\u00e3o da base do RN para que o partido censurasse Barnier (61% dos eleitores do RN queriam isso no final de novembro<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>). Esta base, em sua maioria popular, odeia o &#8220;establishment&#8221;, a Macr\u00f4nia e todos aqueles que o servem; mas tamb\u00e9m \u00e9 atacado em seus interesses materiais por pol\u00edticas neoliberais como a de Barnier. Para n\u00e3o parecer muito complacente com o chefe de um governo que ataca duramente as classes populares, o RN teve que reafirmar sua defesa dos interesses dos &#8220;franceses&#8221;, tamb\u00e9m em termos deaposentadorias\/ pens\u00f5es e poder aquisitivo, e por isso se sentiu obrigado a votar a favor da censura, sem a qual a lideran\u00e7a deste partido poderia ter decepcionado sua base social popular. Tamb\u00e9m pode ser que a desventura do RN com o julgamento a seus assistentes parlamentares europeus e a senten\u00e7a de inelegibilidade de Marine Le Pen tenham levado o partido de extrema-direita a se distanciar um pouco da estrat\u00e9gia de &#8220;desdemoniza\u00e7\u00e3o&#8221; e normaliza\u00e7\u00e3o parlamentar que funcionou t\u00e3o bem para ele.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Boas not\u00edcias para os trabalhadores<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A queda deste governo \u00e9 em si uma boa not\u00edcia, j\u00e1 que era um inimigo ferrenho da nossa classe: um governo nitidamente de direita, que uniu em torno de uma &#8220;base comum&#8221; a Macronia e o partido de direita LR- Os Republicanos-, uma equipe violentamente neoliberal e autorit\u00e1ria, onde a tecnocracia e a incompet\u00eancia coexistiam, com um primeiro-ministro oficialmente escolhido por Macron porque gozava, a priori, de um RN mais favor\u00e1vel do que outros candidatos, mas que, por isso, tamb\u00e9m era ref\u00e9m da extrema direita.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Seus projetos de or\u00e7amento, para finan\u00e7as p\u00fablicas e sistema de seguridade social, foram desastres antissociais. Eles foram descartados, embora outro governo possa assumir pelo menos parte deles no futuro. Mas, por enquanto, e ao contr\u00e1rio do que Barnier havia inventado para n\u00f3s, em 1\u00ba de janeiro as aposentadorias\/pens\u00f5es continuar\u00e3o indexadas \u00e0 infla\u00e7\u00e3o e n\u00e3o haver\u00e1 mais cortes na sa\u00fade. E, por enquanto, como o or\u00e7amento do Estado para 2025 n\u00e3o pode ser votado at\u00e9 o final de 2024, ser\u00e1 o or\u00e7amento de 2024 &#8211; j\u00e1 detest\u00e1vel, mas sem a destrui\u00e7\u00e3o massiva de empregos e servi\u00e7os p\u00fablicos adicionais do projeto Barnier &#8211; que continuar\u00e1 a ser aplicado no pr\u00f3ximo ano. O medo de uma paralisa\u00e7\u00e3o ao estilo dos EUA, na qual os funcion\u00e1rios federais n\u00e3o s\u00e3o pagos porque n\u00e3o h\u00e1 acordo parlamentar sobre o or\u00e7amento, n\u00e3o \u00e9 um problema na Fran\u00e7a, apesar da intimida\u00e7\u00e3o e dos temores levantados por pol\u00edticos de &#8220;base comum&#8221; e seus vigilantes midi\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma instabilidade que preocupa o capital estrangeiro, numa UE em crise<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Deve-se notar tamb\u00e9m que esse aumento da instabilidade pol\u00edtica e suas consequ\u00eancias econ\u00f4micas imediatas (aus\u00eancia de or\u00e7amento, aumento do d\u00e9ficit p\u00fablico) aparecem para a UE e ao mundo em um momento em que o decl\u00ednio do capitalismo europeu, e do capitalismo franc\u00eas em particular, est\u00e1 se tornando um objeto de preocupa\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o entre os pensadores da classe dominante. O imperialismo franc\u00eas sofre reveses recorrentes, particularmente na \u00c1frica, especialmente contra seus concorrentes chineses e russos. Mas tamb\u00e9m \u00e9 todo o projeto da UE que est\u00e1 em ru\u00ednas, uma uni\u00e3o estreita entre seus concorrentes americanos e chineses, impactada pelas pol\u00edticas belicistas de Putin, e com o capitalismo alem\u00e3o em apuros, com demiss\u00f5es em massa e lutas sociais recuperando terreno, enquanto novas elei\u00e7\u00f5es (antecipadas) est\u00e3o prestes a ser realizadas com a (ultradireitista) AfD \u2013 Alternativa para a Alemanha- parecendo cada vez mais amea\u00e7adora.<\/p>\n\n\n\n<p>A queda da fr\u00e1gil casa Barnier \u00e9, portanto, em si gratificante, do nosso ponto de vista, mas no final tudo depender\u00e1 do que for implementado, particularmente em nosso campo social. E esta nova crise pol\u00edtica preocupa os campe\u00f5es da ordem capitalista, em particular da ordem financeira, na UE e em outros lugares. A ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o Moody&#8217;s considera que a queda de Barnier &#8220;<em>reduz a probabilidade de saneamento das finan\u00e7as p\u00fablicas<\/em>&#8220;.<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a> A Fitch alerta no mesmo sentido. A imprensa burguesa europeia tamb\u00e9m expressa sua preocupa\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o financeira e a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica desconhecida que est\u00e1 se instalando na Fran\u00e7a. Na Alemanha, os comentaristas burgueses est\u00e3o profundamente preocupados, n\u00e3o apenas com o fato de o pa\u00eds estar em um mau caminho, mas tamb\u00e9m com o fato da Fran\u00e7a (seu maior parceiro comercial) n\u00e3o ser capaz de restaurar a estabilidade no curto prazo<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Quanto ao <em>Wall Street Journal<\/em>, se pregunta inclusive se o pa\u00eds est\u00e1 se tornando uma &#8220;<em>Gr\u00e9cia \u00e0s margens do Sena<\/em>&#8220;.<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais s\u00e3o as perspectivas pol\u00edticas na Fran\u00e7a?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A curt\u00edssimo prazo, n\u00e3o h\u00e1 chance de que novas elei\u00e7\u00f5es sejam organizadas. De acordo com a Constitui\u00e7\u00e3o, o presidente n\u00e3o pode dissolver a Assembleia at\u00e9 um ano ap\u00f3s o segundo turno, em 7 de julho. Na melhor das hip\u00f3teses, n\u00e3o podem ser realizadas novas elei\u00e7\u00f5es legislativas antes do ver\u00e3o de 2025, especificamente em 13 de julho.<\/p>\n\n\n\n<p>No pequeno mundo da pol\u00edtica partid\u00e1ria, e mesmo dentro da Macr\u00f4nia,&nbsp; levantam-se vozes expressando cansa\u00e7o com a instabilidade e contemplando a possibilidade de Macron renunciar antes de 2027<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, ou mesmo concorrer como candidato nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es presidenciais, como o ex-primeiro-ministro de Macron j\u00e1 fez, Edouard Philippe, pouco antes de Barnier ser nomeado para Matignon. A LFI -A Fran\u00e7a Insubmissa &#8211; prop\u00f5e a ren\u00fancia de Macron e elei\u00e7\u00f5es presidenciais antecipadas, mas permanece isolada nessa abordagem. Al\u00e9m disso, como o processo de impeachment de Macron iniciado pelo Insoumis (Insubmissos) se esgotou em outubro e n\u00e3o foi examinado pelo parlamento, a \u00fanica op\u00e7\u00e3o que resta \u00e9 a ren\u00fancia de Macron. Ele pode renunciar a partir do Eliseu, mas n\u00e3o h\u00e1 obriga\u00e7\u00e3o constitucional de faz\u00ea-lo. Al\u00e9m disso, o atual presidente mostrou sua determina\u00e7\u00e3o em continuar, em termos gerais, a pol\u00edtica brutalmente neoliberal aplicada desde seu primeiro mandato. Essa continua\u00e7\u00e3o era a miss\u00e3o de Barnier, supostamente mais sustent\u00e1vel do que outras solu\u00e7\u00f5es, no contexto pol\u00edtico mais complicado que prevaleceu desde julho. Na verdade, o monarca presidencial mostra poucos sinais de renuncia. Al\u00e9m disso, se o fizesse, seu sucessor seria for\u00e7ado a coabitar com a dividida assembleia nacional eleita em 30 de junho e 7 de julho.<\/p>\n\n\n\n<p>Macron est\u00e1, portanto, procurando um novo primeiro-ministro que, se poss\u00edvel, dure pelo menos at\u00e9 o ver\u00e3o de 2025. \u00c9 altamente improv\u00e1vel que ele aposte em um governo do NFP liderado por Lucie Castets, e com base nessa coaliz\u00e3o, pela preocupa\u00e7\u00e3o de continuar a servir os ultrarricos e as grandes empresas da melhor maneira poss\u00edvel, e tamb\u00e9m porque ele j\u00e1 havia recusado neste ver\u00e3o. Sua principal estrat\u00e9gia hoje \u00e9 tentar expandir o &#8220;bloco central&#8221; do parlamento, reunindo o LR e os elementos mais afins a Macron do NFP. Portanto, pretende mais uma vez romper o NFP, isolando a LFI e garantindo o apoio dos elementos mais direitistas desta frente, come\u00e7ando pelo PS \u2013 Partido Socialista. A este respeito, no momento de escrever essas linhas, n\u00e3o h\u00e1 nada certo, mas Macron j\u00e1 marcou pontos, ao contr\u00e1rio de suas tentativas de arrebat\u00e1-los durante o ver\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As negocia\u00e7\u00f5es come\u00e7aram e a NFP est\u00e1 desmoronando.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, em 30 de novembro, o jornal <em>Lib\u00e9ration<\/em> tinha como manchete: &#8220;<em>Elei\u00e7\u00e3o presidencial: Marine Tondelier e Lucie Castets defendem por sua vez uma \u2018candidatura comum\u2019 da esquerda<\/em>&#8220;, insistindo implicitamente na perspectiva de que o NFP continue at\u00e9 a elei\u00e7\u00e3o presidencial. Tanto a candidata do PS por Matignon no ver\u00e3o passado quanto a l\u00edder ecologista seguiram essa linha, enquanto tentavam combater a candidatura anunciada por M\u00e9lenchon para uma elei\u00e7\u00e3o presidencial antecipada.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dias e uma mo\u00e7\u00e3o de censura majorit\u00e1ria depois, ouve-se um som completamente diferente, mais dissonante. \u00c9 verdade que as diferen\u00e7as entre a LFI e o Partido Socialista ou os ecologistas v\u00eam sendo expressas publicamente h\u00e1 algum tempo. Mas a ren\u00fancia de Barnier, ap\u00f3s um voto de desconfian\u00e7a de todos od deputados, exceto uma parlamentar socialista do NFP, aprofundou as desaven\u00e7as, a ponto da pr\u00f3pria exist\u00eancia do NFP estar em jogo.<\/p>\n\n\n\n<p>Poucas horas antes da censura, Yannick Jadot, senador ecologista por Paris e ex-candidato presidencial, declarou: &#8220;<em>Devemos abrir a possibilidade de um pacto republicano de transi\u00e7\u00e3o entre o NFP e o bloco central<\/em>&#8220;.<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a> No entanto, o programa do NFP n\u00e3o inclu\u00eda essa &#8220;frente republicana&#8221;, nem mesmo uma frente transit\u00f3ria, e se Macron havia escolhido Barnier, foi porque ele n\u00e3o foi capaz de dinamitar os alicerces do NFP com essa perspectiva no ver\u00e3o passado. Quanto a Marine Tondelier, em 6 de dezembro lamentou n\u00e3o ter sido convidada por Macron, ao contr\u00e1rio do PS, lamentando tamb\u00e9m que o presidente n\u00e3o quisesse falar sobre &#8220;<em>justi\u00e7a social e <\/em>ecologia&#8221;.<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a> Que descoberta! E tamb\u00e9m se mostra partid\u00e1ria de uma &#8220;frente republicana&#8221; (ou seja, um acordo com Macron e LR), enquanto afirma ser fiel \u00e0s &#8220;promessas&#8221; do NFP&#8230; Como podemos acreditar em tal absurdo?<\/p>\n\n\n\n<p>O PS tamb\u00e9m est\u00e1 mais do que disposto a andar de m\u00e3os dadas com Macron. De fato, \u00e9 desse partido que a Macr\u00f4nia pretendia arrebatar o NFP. Olivier Faure, seu primeiro secret\u00e1rio, foi convidado por Macron e prop\u00f4s um &#8220;acordo de n\u00e3o censura&#8221; e um &#8220;pacto de n\u00e3o agress\u00e3o&#8221;, dizendo que estava disposto a negociar todas as quest\u00f5es, incluindo a reforma da previd\u00eancia! Dito de forma n\u00edtida, o PS defende a ideia de que Macron nomeie um primeiro-ministro &#8220;de esquerda&#8221; para um governo de mandato determinado, mas que governe com o &#8220;bloco central&#8221; (Macronie e LR), ou seja, um governo que aplique pol\u00edticas de direita.<\/p>\n\n\n\n<p>A mudan\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 percept\u00edvel no PCF- Partido Comunista Franc\u00eas. O presidente de seu grupo na Assembleia, Andr\u00e9 Chassaigne, declarou: <em>&#8220;Precisamos de um governo de esquerda. Um primeiro-ministro de esquerda que se apoie nas bases da Nova Frente Popular e que seja capaz de reunir maiorias na C\u00e2mara. Creio que \u00e9 poss\u00edvel elaborar um novo or\u00e7amento e aprovar projetos de lei<\/em>.&#8221;<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a> Um or\u00e7amento conjunto com Macron e a direita? Mas com que base? A menos que continuemos a ter a ilus\u00e3o de que os macronistas e a direita est\u00e3o dispostos a votar a favor de um or\u00e7amento de estilo keynesiano em linha com o programa do NFP, isso s\u00f3 pode levar a uma capitula\u00e7\u00e3o \u00e0s demandas do capital franc\u00eas e internacional. Isso significa nitidamente abandonar o programa j\u00e1 muito moderado do NFP para salvar Macron e restaurar a estabilidade da Quinta Rep\u00fablica. \u00c9 isso que o PS, os ecologistas e o PCF est\u00e3o dispostos a fazer agora.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nada de bom pode sair das negocia\u00e7\u00f5es em curso<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De uma forma ou de outra, se essa abordagem for adiante, isso s\u00f3 pode significar a morte do NFP. A LFI gostaria de manter essa coaliz\u00e3o rejeitando essa capitula\u00e7\u00e3o. Mas a LFI continua se limitando essencialmente a declara\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es institucionais, sem apostar na poderosa mobiliza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e de massas que \u00e9 necess\u00e1ria. Pois n\u00e3o \u00e9 com propostas puramente eleitorais e institucionais (como elei\u00e7\u00f5es presidenciais antecipadas) que nossa classe poder\u00e1 escapar tanto da trai\u00e7\u00e3o aberta e r\u00e1pida de uma parte da esquerda quanto da tirania cada vez mais brutal do capital e do grande empresariado. Em qualquer caso, se o NFP explodir, Macron ter\u00e1 conseguido seu golpe pol\u00edtico, isolando a LFI de seus parceiros do NFP, que ter\u00e3o sido assim engolidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se isso se confirmar, podemos deduzir que uma das novidades do NFP em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s Frentes Populares anteriores \u00e9 que a frente constru\u00edda em junho passado finalmente se autoesvaziou antes mesmo de entrar no governo!<\/p>\n\n\n\n<p>Isso ainda n\u00e3o aconteceu, apesar de todas as reviravoltas, at\u00e9 porque uma parte da direita est\u00e1 relutante em cooperar com os partidos de esquerda. Bruno Retailleau, o ministro do Interior que agora renunciou, est\u00e1 \u00e0 frente dos LRs mais hostis e se op\u00f5e abertamente a uma alian\u00e7a com a esquerda, mesmo sem a LFI.<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m podemos imaginar que, em tal &#8220;solu\u00e7\u00e3o&#8221; pol\u00edtica na c\u00fapula, Bernard Cazeneuve, um &#8220;socialista&#8221; ao estilo Hollande-Valls que Macron se aproximou neste ver\u00e3o para Matignon, poderia atuar como um elo de liga\u00e7\u00e3o entre Macron e a &#8220;esquerda&#8221; em debandada. Seu nome, entre outros, come\u00e7ou a circular novamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas negocia\u00e7\u00f5es obscuras continuar\u00e3o por pelo menos mais alguns dias, mas o que \u00e9 certo \u00e9 que o sucessor de Barnier, seja qual for seu r\u00f3tulo pol\u00edtico, ter\u00e1 a miss\u00e3o de continuar os ataques \u00e0 nossa classe, porque \u00e9 precisamente isso que a classe nociva no poder, da qual Macron \u00e9 o servo mais zeloso, exige, e que est\u00e1 determinada a nos fazer pagar pela crise de seu sistema.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o confiar nas institui\u00e7\u00f5es burguesas, mas em nossas lutas e em nossa organiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A crise pol\u00edtica em que nos encontramos conseguir\u00e1 abrir os olhos do maior n\u00famero poss\u00edvel de pessoas sobre o car\u00e1ter enganoso das solu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas institucionais? \u00c9 verdade que o PS, os Verdes e o PCF podem sair um pouco mais desacreditados de sua covardia ap\u00f3s sua atual lealdade a Macron. Mas, aos olhos de muitos, a LFI parece continuar a encarnar uma pol\u00edtica de esquerda que \u00e9 ao mesmo tempo &#8220;radical&#8221; e institucional. Do nosso ponto de vista, enquanto continuar nas m\u00e3os das for\u00e7as pol\u00edticas no poder, a fortiori sob a lideran\u00e7a do atual anfitri\u00e3o do Eliseu, o futuro n\u00e3o parece bom para nossa classe. Certamente, a queda de Macron poderia ser um desenvolvimento ainda mais agrad\u00e1vel e prospectivo do que a de Barnier. Mas, ao contr\u00e1rio dos v\u00e1rios reformistas, e em particular da LFI, acreditamos que a \u00fanica maneira de conseguir isso \u00e9 a nossa classe tomar seu destino em suas pr\u00f3prias m\u00e3os, alcan\u00e7ar um n\u00edvel maior de organiza\u00e7\u00e3o e, por meio de uma poderosa mobiliza\u00e7\u00e3o que bloqueie o pa\u00eds, consiga derrubar Macron do poder. Levando em conta o que as experi\u00eancias das lutas sociais recentes mostraram, desde os Coletes Amarelos at\u00e9 a reforma da previd\u00eancia, parece-nos que uma pe\u00e7a-chave nesse caminho \u00e9 a greve geral. Mas essa perspectiva continua encontrando s\u00e9rios obst\u00e1culos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Exaspera\u00e7\u00e3o social e ressurgimento de lutas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora o movimento social tenha sido bastante apagado, pelo menos desde o final da primavera, durante o ver\u00e3o e em setembro, parece ter se recuperado a partir de novembro. A raiva leg\u00edtima das classes populares \u00e9 mais uma vez expressa com mais for\u00e7a. O n\u00famero de greves est\u00e1 aumentando, e as raz\u00f5es s\u00e3o mais numerosas: al\u00e9m da quest\u00e3o salarial, elas tamb\u00e9m incluem a luta contra as in\u00fameras demiss\u00f5es e planos de regula\u00e7\u00e3o de emprego, e a defesa dos servi\u00e7os p\u00fablicos demolidos pela austeridade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 5 de dezembro, um dia ap\u00f3s a mo\u00e7\u00e3o de censura, houve greves e manifesta\u00e7\u00f5es em massa em todo o pa\u00eds nos tr\u00eas servi\u00e7os p\u00fablicos \u2013 estatal, municipal e hospitalar \u2013 bem como no setor de energia (eletricidade e g\u00e1s). Os professores foram especialmente numerosos nas greves e manifesta\u00e7\u00f5es. Recentemente, houve um ressurgimento de lutas no servi\u00e7o p\u00fablico local, com munic\u00edpios e departamentos devastados pela austeridade. Nos \u00faltimos meses, as greves tamb\u00e9m ressurgiram no setor hospitalar e de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas os trabalhadores do setor privado tamb\u00e9m est\u00e3o lutando, muitas vezes espremidos contra a parede, diante de centenas de planos de demiss\u00e3o, como na Michelin e na Auchan. A CGT -Confedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho -planeja uma greve nacional de um dia neste setor em 12 de dezembro. Mas a partir do dia 11, \u00e9 sobretudo a SNCF que se declara em greve por tempo indeterminado contra a privatiza\u00e7\u00e3o do transporte de mercadorias, t\u00e3o socialmente injusta quanto destrutiva para o meio ambiente. Infelizmente, dois dos quatro sindicatos da SNCF (UNSA e CFDT), inicialmente a favor da greve, retiraram-se da convoca\u00e7\u00e3o, e apenas a CGT Cheminots e a Sud Rail (Solidaires) mant\u00eam sua convoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a domina\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica das centrais sindicais continua a causar estragos. Em particular, vimos em novembro \u2013 e este continua sendo o padr\u00e3o predominante em dezembro \u2013 uma multiplica\u00e7\u00e3o de convoca\u00e7\u00f5es para dias de greve setor por setor.<\/p>\n\n\n\n<p>Como podemos ver, as dire\u00e7\u00f5es sindicais n\u00e3o mudam de estrat\u00e9gia, mesmo que seja perdedora: o di\u00e1logo social com o governo e os patr\u00f5es, por um lado, e a fragmenta\u00e7\u00e3o das lutas e dias de a\u00e7\u00e3o isoladas e sem perspectivas, por outro, continuam dominando- como a greve de 1\u00ba de outubro, relativamente com pouca participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ouvem-se vozes pedindo uma verdadeira greve por tempo indeterminado, na qual todos atuem juntos. \u00c9 a \u00fanica maneira de fazer Macron e a burguesia cederem. Essas vozes devem ser retransmitidas e amplificadas, e mais e mais sindicatos, organiza\u00e7\u00f5es locais, etc. devem se posicionar contra a estrat\u00e9gia sistematicamente perdedora das dire\u00e7\u00f5es sindicais.<\/p>\n\n\n\n<p>De nossa parte, acreditamos que a \u00fanica maneira de destituir Macron, ao mesmo tempo em que acabamos com as institui\u00e7\u00f5es antidemocr\u00e1ticas da Quinta Rep\u00fablica e impor as medidas de emerg\u00eancia de que nossa classe precisa, \u00e9 lutar por uma combina\u00e7\u00e3o de mobiliza\u00e7\u00e3o direta de massas, auto-organiza\u00e7\u00e3o e luta pela independ\u00eancia de classe. A chave para a atual crise pol\u00edtica est\u00e1 no avan\u00e7o dos trabalhadores e da juventude na constru\u00e7\u00e3o de uma nova dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria que enfrente os ataques e pol\u00edticas reacion\u00e1rias, de onde vierem. Isso exige, antes de tudo, uma ruptura com os partidos burgueses do NFP, agora dispostos a colaborar com Macron e a direita.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.lesechos.fr\/politique-societe\/politique\/pourquoi-marine-le-pen-fait-le-choix-de-la-censure-2135325\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.lesechos.fr\/politique-societe\/politique\/pourquoi-marine-le-pen-fait-le-choix-de-la-censure-2135325<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.lefigaro.fr\/conjoncture\/la-chute-du-gouvernement-barnier-reduit-la-probabilite-d-une-consolidation-des-finances-publiques-juge-moody-s-20241205\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.lefigaro.fr\/conjoncture\/la-chute-du-gouvernement-barnier-reduit-la-probabilite-d-une-consolidation-des-finances-publiques-juge-moody-s-20241205<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.lesechos.fr\/politique-societe\/gouvernement\/censure-un-dangereux-saut-dans-le-vide-qui-inquiete-la-presse-europeenne-2135926\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.lesechos.fr\/politique-societe\/gouvernement\/censure-un-dangereux-saut-dans-le-vide-qui-inquiete-la-presse-europeenne-2135926<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.lesechos.fr\/monde\/europe\/pourquoi-lallemagne-sinquiete-de-la-chute-du-gouvernement-barnier-2135905\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.lesechos.fr\/monde\/europe\/pourquoi-lallemagne-sinquiete-de-la-chute-du-gouvernement-barnier-2135905<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> Jean-Fran\u00e7ois Cop\u00e9, prefeito (LR) de Meaux (Seine-et-Marne): &#8220;<em>Sua ren\u00fancia \u00e9 a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para o problema que ele mesmo criou<\/em>&#8220;.<em> https:\/\/www.mediapart.fr\/journal\/politique\/021224\/ca-ne-peut-pas-durer-jusqu-en-2027-la-demission-de-macron-gagne-les-esprits<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.lefigaro.fr\/politique\/yannick-jadot-nous-devons-ouvrir-la-possibilite-d-un-pacte-republicain-transitoire-entre-le-nfp-et-le-bloc-central-20241204\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.lefigaro.fr\/politique\/yannick-jadot-nous-devons-ouvrir-la-possibilite-d-un-pacte-republicain-transitoire-entre-le-nfp-et-le-bloc-central-20241204<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> <a href=\"https:\/\/information.tv5monde.com\/international\/tondelier-regrette-que-la-macronie-ne-veuille-pas-parler-ecologie-et-justice-sociale\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/information.tv5monde.com\/international\/tondelier-regrette-que-la-macronie-ne-veuille-pas-parler-ecologie-et-justice-sociale<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.francetvinfo.fr\/politique\/parlement-francais\/assemblee-nationale\/motions-de-censure-il-faut-un-premier-ministre-de-gauche-declare-le-communiste-andre-chassaigne_6936020.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.francetvinfo.fr\/politique\/parlement-francais\/assemblee-nationale\/motions-de-censure-il-faut-un-premier-ministre-de-gauche-declare-le-communiste-andre-chassaigne_6936020.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.lefigaro.fr\/flash-actu\/retailleau-oppose-au-compromis-avec-la-gauche-les-rebelles-syriens-se-rapprochent-de-damas-fermeture-de-marineland-les-3-infos-a-retenir-a-la-mi-journee-20241206#nouveau-gouvernement-la-droite-ne-pourra-faire-aucun-compromis-avec-la-gauche-affirme-bruno-retailleau\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.lefigaro.fr\/flash-actu\/retailleau-oppose-au-compromis-avec-la-gauche-les-rebelles-syriens-se-rapprochent-de-damas-fermeture-de-marineland-les-3-infos-a-retenir-a-la-mi-journee-20241206#nouveau-gouvernement-la-droite-ne-pourra-faire-aucun-compromis-avec-la-gauche-affirme-bruno-retailleau<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Micha\u00ebl Lenoir, grupo simpatizante da LIT-QI na Fran\u00e7a | \u00c0 frente de um governo que durou 89 dias, Barnier foi o primeiro-ministro que menos durou da Quinta Rep\u00fablica. Dada a enorme instabilidade pol\u00edtica na Fran\u00e7a, ligada a uma profunda crise econ\u00f4mica e social, que j\u00e1 sublinhamos extensivamente, a queda de Barnier n\u00e3o \u00e9 surpresa. 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