{"id":80178,"date":"2024-12-16T14:26:49","date_gmt":"2024-12-16T14:26:49","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=80178"},"modified":"2024-12-17T11:08:17","modified_gmt":"2024-12-17T11:08:17","slug":"a-crise-energetica-agrava-a-situacao-que-o-povo-equatoriano-esta-vivendo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/12\/16\/a-crise-energetica-agrava-a-situacao-que-o-povo-equatoriano-esta-vivendo\/","title":{"rendered":"A crise energ\u00e9tica agrava a situa\u00e7\u00e3o que o povo equatoriano est\u00e1 vivendo"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Miguel Merino |<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A crise \u00e9 profunda e sist\u00eamica.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o no Equador est\u00e1 piorando a cada dia no contexto da crise global do capitalismo. \u00c9 uma crise m\u00faltipla e sist\u00eamica. \u00c9 socioecon\u00f4mico porque o pa\u00eds n\u00e3o est\u00e1 crescendo, ou seu crescimento mal chega a cerca de um por cento do PIB, situa\u00e7\u00e3o semelhante ao est\u00e1gio da pandemia de COVID. Como resultado, os problemas estruturais de desemprego, pobreza e falta de acesso a servi\u00e7os b\u00e1sicos, como \u00e1gua, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, pioram.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de uma <strong>crise pol\u00edtica<\/strong>, j\u00e1 que o governo de Daniel Noboa foi eleito para durar apenas dezoito meses, devido \u00e0 ren\u00fancia antecipada do governo do banqueiro Lasso. Ele optou pelo mecanismo da morte cruzada, o que tamb\u00e9m significou a destitui\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o da Assembleia Nacional. Noboa, membro de um dos maiores grupos empresariais do pa\u00eds, continuou as pol\u00edticas neoliberais de Moreno e Lasso, submetendo-se incondicionalmente aos des\u00edgnios do FMI e do governo dos EUA e favorecendo os interesses dos grandes grupos empresariais do pa\u00eds e de empresas estrangeiras, como as mineradoras. Muitas de suas a\u00e7\u00f5es se devem ao seu desejo de ser reeleito para a presid\u00eancia no pr\u00f3ximo mandato por meio de uma campanha publicit\u00e1ria forte e enganosa.<\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>crise de inseguran\u00e7a <\/strong>e a escalada da viol\u00eancia em todos os n\u00edveis tornaram-se a principal preocupa\u00e7\u00e3o dos equatorianos nos \u00faltimos anos. O Equador, segundo v\u00e1rias fontes internacionais, \u00e9 um dos pa\u00edses mais violentos e perigosos da Am\u00e9rica Latina, n\u00e3o s\u00f3 pelas altas taxas de homic\u00eddios que atingiram seu pico mais alto em 2023 (47 por cem mil habitantes), mas tamb\u00e9m pelo aumento de sequestros, extors\u00f5es e presen\u00e7a de tr\u00e1fico de drogas e gangues do crime organizado nacionais e estrangeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo de Noboa capitaneou o problema da inseguran\u00e7a, para o qual decretou oito estados de emerg\u00eancia e declarou conflito militar interno ou guerra interna, o que se refletiu em shows com objetivos de aparecer na m\u00eddia onde centenas de soldados tomaram as ruas das regi\u00f5es e cidades mais conflituosas por alguns dias, mas sem conquistas significativas para pacificar o pa\u00eds. Tamb\u00e9m foram assinados acordos de coopera\u00e7\u00e3o com o Comando Sul dos EUA, onde est\u00e1 latente a possibilidade de chegada de tropas norte-americanas ao pa\u00eds, com cl\u00e1usulas humilhantes e prejudiciais \u00e0 soberania do pa\u00eds. Agora Noboa prop\u00f5e realizar uma reforma constitucional que teria que ser submetida \u00e0 consulta popular, para a reinstala\u00e7\u00e3o de bases militares estrangeiras, como a base norte-americana de Manta que deixou o pa\u00eds durante o governo de Correa.<\/p>\n\n\n\n<p>Noboa e sua equipe militarizaram o pa\u00eds porque acreditam que a solu\u00e7\u00e3o para a inseguran\u00e7a est\u00e1 na pris\u00e3o, nas armas e na repress\u00e3o, ignorando as necessidades urgentes do povo, como o acesso ao emprego e a satisfa\u00e7\u00e3o de suas necessidades b\u00e1sicas. Esta suposta luta contra a criminalidade foi o pretexto para aumentar o IVA- Imposto sobre Valor Agregado- de 12 para 15% e depois o pre\u00e7o dos combust\u00edveis. No entanto, os resultados n\u00e3o apareceram em lugar nenhum, pois embora os n\u00fameros oficiais falem de uma diminui\u00e7\u00e3o na taxa de mortes violentas no \u00faltimo ano (17%), outros crimes como extors\u00e3o quase dobraram (de 8.900 em 2023 subiram para 15.800 at\u00e9 agora este ano). Al\u00e9m disso, nas opera\u00e7\u00f5es militares, v\u00e1rios abusos foram denunciados devido \u00e0 pris\u00e3o de v\u00e1rias pessoas inocentes em bairros pobres, falsos positivos e at\u00e9 casos de execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o podemos deixar de mencionar a <strong>crise \u00e9tica, moral e cultural, <\/strong>que \u00e9 em grande parte resultado da crise estrutural, que se expressa na <strong>corrup\u00e7\u00e3o em todos os n\u00edveis <\/strong>e na perda de valores, refletida em fen\u00f4menos como a viol\u00eancia dom\u00e9stica, o aumento do consumo de drogas e entorpecentes, os feminic\u00eddios e os crimes sexuais de s\u00e3o v\u00edtimas, especialmente as mulheres, crian\u00e7as e os setores mais fr\u00e1geis e exclu\u00eddos da sociedade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o se enraizou n\u00e3o apenas em institui\u00e7\u00f5es estatais como o judici\u00e1rio, mas tamb\u00e9m nas chamadas for\u00e7as da ordem, como a pol\u00edcia e as For\u00e7as Armadas, e tamb\u00e9m nos setores empresariais mais poderosos, como o setor financeiro, que permite a lavagem de dinheiro il\u00edcito (especialistas calcularam que a lavagem por meio do tr\u00e1fico de drogas e crimes relacionados \u00e9 de 4 bilh\u00f5es de d\u00f3lares)&nbsp; ou exportadores de banana ligados ao narcotr\u00e1fico, ou meios de comunica\u00e7\u00e3o que lidam com informa\u00e7\u00f5es de acordo com a conveni\u00eancia das elites. A presen\u00e7a do narcotr\u00e1fico e da lavagem de dinheiro sujo penetrou t\u00e3o fortemente na sociedade equatoriana em todos os n\u00edveis que v\u00e1rios analistas se referem ao pa\u00eds como um narcoestado, embora tamb\u00e9m se deva falar de narcoeconomia e narcoempresariado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A crise energ\u00e9tica, uma trag\u00e9dia social que atinge os mais pobres<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 grave situa\u00e7\u00e3o descrita, somou-se a crise energ\u00e9tica, ou seja, cortes cont\u00ednuos e prolongados de energia que alteraram o dia a dia dos equatorianos. Al\u00e9m das perdas econ\u00f4micas milion\u00e1rias, calculadas pela C\u00e2mara de Com\u00e9rcio em aproximadamente 12 milh\u00f5es por dia (8 bilh\u00f5es em mais de dois meses de apag\u00f5es consecutivos), h\u00e1 o aumento da inseguran\u00e7a, a suspens\u00e3o das atividades educacionais em diversos estabelecimentos, a interrup\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os b\u00e1sicos como \u00e1gua pot\u00e1vel, a impossibilidade de atendimento em diversas entidades e servi\u00e7os p\u00fablicos,&nbsp; a deteriora\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental dos cidad\u00e3os, entre outras consequ\u00eancias. Os mais afetados s\u00e3o as pequenas empresas e empreendimentos que n\u00e3o t\u00eam recursos para adquirir geradores el\u00e9tricos caros.<\/p>\n\n\n\n<p>O d\u00e9ficit de eletricidade para atender \u00e0 crescente demanda n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno novo no Equador, mas no per\u00edodo atual atingiu limites intoler\u00e1veis. \u00c9 ineg\u00e1vel que este fen\u00f4meno seja explicado pela seca prolongada que o pa\u00eds atravessa desde setembro deste ano, no contexto das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas globais, mas os t\u00e9cnicos vinham alertando para a necessidade de prever o que poderia acontecer h\u00e1 mais de um ano.&nbsp; Apag\u00f5es j\u00e1 ocorriam no governo anterior.&nbsp; Noboa, no debate eleitoral anterior \u00e0s elei\u00e7\u00f5es, ofereceu-se para resolver o problema em nove meses, mas longe de enfrent\u00e1-lo, dedicou-se a pagar a d\u00edvida externa, fortalecer a Reserva Monet\u00e1ria Internacional e enfraquecer o setor p\u00fablico para induzir a privatiza\u00e7\u00e3o de empresas estrat\u00e9gicas do setor p\u00fablico, como as empresas de energia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais al\u00e9m da estiagem, as causas desta crise s\u00e3o que os governos anteriores de Moreno e Lasso n\u00e3o executaram as diretrizes t\u00e9cnicas do Plano Diretor de Eletrifica\u00e7\u00e3o que propunha a constru\u00e7\u00e3o de novas usinas hidr\u00e1ulicas e t\u00e9rmicas, e at\u00e9 mesmo a implementa\u00e7\u00e3o de outras formas de energia como solar, e\u00f3lica, geot\u00e9rmica, porque \u00e9 sabido que em \u00e9pocas de estiagem as primeiros t\u00eam menos capacidade de fornecer energia.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, o Equador depende principalmente da energia hidrel\u00e9trica (cerca de 60%), gra\u00e7as \u00e0s megausinas que foram constru\u00eddas desde os anos 70 e 90 (complexo de Paute) com a cria\u00e7\u00e3o do INECEL (Instituto Equatoriano de Eletrifica\u00e7\u00e3o). Durante o governo de Rafael Correa, foram colocadas em opera\u00e7\u00e3o 14 novas usinas hidrel\u00e9tricas, a mais importante delas \u00e9 a Coca Codo Sinclair, que permitiu ao pa\u00eds dobrar a gera\u00e7\u00e3o com fontes renov\u00e1veis de energia, ser excedente de energia e afastar o espectro de apag\u00f5es por treze anos (Primicias, 20-11-24). No entanto, nos \u00faltimos sete anos, a quest\u00e3o das usinas t\u00e9rmicas que precisavam ser mantidas adequadamente para operar em caso de d\u00e9ficit, causado pela falta de chuvas, foi negligenciada.<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica de Noboa tem sido totalmente err\u00e1tica em termos de energia, j\u00e1 que quatro ministros se revezaram na pasta correspondente, a maioria deles sem conhecimento ou experi\u00eancia no cargo. No caso da ex-ministra Andrea Arrobo, especialista em Ci\u00eancia Pol\u00edtica, ela foi acusada de sabotagem e demitida pelo pr\u00f3prio presidente Noboa e atualmente enfrenta um julgamento pol\u00edtico na Assembleia Nacional por n\u00e3o cumprimento de fun\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, as declara\u00e7\u00f5es do governo foram totalmente enganosas e contradit\u00f3rias. V\u00e1rias vezes disse que iria reduzir o tempo ou acabar com os apag\u00f5es, mas n\u00e3o cumpriu suas promessas. Meses atr\u00e1s, foi contratada uma barca\u00e7a turca, de forma pouco transparente, que atualmente opera no Golfo de Guayaquil e custa ao pa\u00eds 120 milh\u00f5es de d\u00f3lares, mas fornece menos de 100 megawatts, valor que n\u00e3o cobre nem minimamente o d\u00e9ficit energ\u00e9tico estimado entre 1.500 e 1.800 megawatts. No momento, espera-se a chegada de novos geradores t\u00e9rmicos e a \u00fanica fonte adicional, al\u00e9m das j\u00e1 existentes, \u00e9 a compra de energia da Col\u00f4mbia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Baixo n\u00edvel de rea\u00e7\u00e3o do campo popular<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora v\u00e1rias vozes se levantaram contra os abusos e pol\u00edticas antipopulares do governo Noboa, especialmente os protestos contra a minera\u00e7\u00e3o e a extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo nas \u00e1reas rurais, tamb\u00e9m contra as demiss\u00f5es e pela sa\u00fade e a defesa do IESS- Instituto Equatoriano de Seguran\u00e7a Social &#8211; nas cidades. As mobiliza\u00e7\u00f5es, ocupa\u00e7\u00f5es e resist\u00eancias de v\u00e1rios grupos de mulheres por seus direitos, contra o machismo e o patriarcado, merecem men\u00e7\u00e3o especial. No entanto, essas lutas foram dispersas, n\u00e3o tiveram um direcionamento pol\u00edtico e n\u00e3o houve as mobiliza\u00e7\u00f5es massivas e grandes levantes que eram esperados com base em situa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas ocorridas em per\u00edodos anteriores, como outubro de 2019 e junho de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>As explica\u00e7\u00f5es para esse fen\u00f4meno s\u00e3o v\u00e1rias e complexas. Existem causas objetivas e subjetivas. Entre as primeiras est\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia e o aumento da criminalidade que levou \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o e legitima\u00e7\u00e3o da solu\u00e7\u00e3o militarista repressiva que os governos anteriores usaram e que o atual deu continuidade e aprofundou. O <strong>medo<\/strong> induzido pelos governos e ampliado pela grande m\u00eddia \u00e9 uma arma eficaz para paralisar o protesto social.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro fator que n\u00e3o foi devidamente analisado \u00e9 a crise econ\u00f4mica, que fez com que os trabalhadores tentassem manter ou buscar fontes de emprego, mesmo que em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, a fim de ter alguma renda que lhes permitisse trazer p\u00e3o para suas fam\u00edlias. Em outras palavras, as necessidades de sobreviv\u00eancia tornaram-se priorit\u00e1rias, em detrimento de atividades como organiza\u00e7\u00e3o social e forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as causas subjetivas da desmobiliza\u00e7\u00e3o podemos citar o enfraquecimento e a fragmenta\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es sociais como a FUT (Frente \u00danica dos Trabalhadores) e a CONAIE (Confedera\u00e7\u00e3o de Nacionalidades Ind\u00edgenas do Equador), a organiza\u00e7\u00e3o mais representativa do movimento ind\u00edgena, que historicamente t\u00eam sido a vanguarda e os protagonistas fundamentais da luta popular. Desde o per\u00edodo de Correa e depois com os \u00faltimos governos neoliberais, essas organiza\u00e7\u00f5es foram divididas e cooptadas, assim como outras como as entidades de estudantes e educadores. Tamb\u00e9m deve ser reconhecido que muitas dessas organiza\u00e7\u00f5es ca\u00edram em pr\u00e1ticas de controle burocr\u00e1tico e n\u00e3o deram lugar a processos democr\u00e1ticos internos para a renova\u00e7\u00e3o de seus l\u00edderes.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante das mudan\u00e7as e reajustes do sistema capitalista mundial, onde as diversas atividades econ\u00f4micas e avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos (a quarta revolu\u00e7\u00e3o industrial) sofreram grandes mudan\u00e7as na forma de produzir, nos servi\u00e7os e no uso de m\u00e3o de obra mais qualificada, o sindicalismo e a esquerda tradicional n\u00e3o tiveram uma resposta de acordo com os novos tempos. Diante da corrup\u00e7\u00e3o e do oportunismo que prevalece na maioria dos partidos pol\u00edticos, n\u00e3o s\u00f3 de direita, mas tamb\u00e9m de esquerda ou dos chamados populistas, muitos cidad\u00e3os optaram por repudiar ou se distanciar da atividade pol\u00edtica e esse fen\u00f4meno resultou na despolitiza\u00e7\u00e3o social, especialmente entre os jovens.<\/p>\n\n\n\n<p>As mudan\u00e7as estenderam-se n\u00e3o s\u00f3 aos dom\u00ednios econ\u00f4mico e estrutural, mas tamb\u00e9m \u00e0s superestruturas ideol\u00f3gicas e culturais, aos dom\u00ednios da educa\u00e7\u00e3o, da informa\u00e7\u00e3o e do entretenimento, da arte, da moda e das formas de comportamento. Novos movimentos sociais como feministas, ecologistas, movimentos \u00e9tnicos ganharam for\u00e7a, agu\u00e7ando contradi\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas. A sociedade de hoje \u00e9 muito m\u00f3vel e fluida (sociedade l\u00edquida como \u00e9 chamada por alguns soci\u00f3logos).<\/p>\n\n\n\n<p>O mercado capitalista aproveita esses novos fen\u00f4menos para gerar mais consumismo, mais individualismo, mais ego\u00edsmo e indiferen\u00e7a a problemas t\u00e3o graves como guerras, genoc\u00eddios como o da Palestina por parte de Israel, migra\u00e7\u00f5es em massa, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, desigualdade social e a crescente lacuna entre a burguesia cada vez mais rica e o ex\u00e9rcito de trabalhadores empobrecidos exclu\u00eddos da abund\u00e2ncia do mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>A realidade est\u00e1 sempre mudando e as mudan\u00e7as s\u00e3o provocadas por contradi\u00e7\u00f5es e interesses de classe opostos. Em todo o mundo e tamb\u00e9m na sociedade equatoriana, v\u00e3o se forjando o descontentamento, a inconformidade, a indigna\u00e7\u00e3o, que poderiam levar a protestos e explos\u00f5es sociais. Nas semanas anteriores j\u00e1 houve algumas mobiliza\u00e7\u00f5es de jovens e trabalhadores, como a de 15 de novembro nas principais cidades do pa\u00eds, que foram brutalmente reprimidas pelas for\u00e7as policiais e militares.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A situa\u00e7\u00e3o eleitoral<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o que \u00e9 dominante na situa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 a luta eleitoral. As fortes contradi\u00e7\u00f5es que surgiram no n\u00edvel pol\u00edtico dentro da burguesia no marco da profunda crise sist\u00eamica que afeta o Equador ser\u00e3o dirimidas na arena eleitoral. Em 9 de fevereiro de 2025, ser\u00e3o realizadas elei\u00e7\u00f5es para definir os poderes executivo e legislativo. Embora haja 16 candidatos \u00e0 presid\u00eancia e uma grande dispers\u00e3o de partidos e movimentos pol\u00edticos legalmente registrados, h\u00e1 novamente uma polariza\u00e7\u00e3o entre a direita neoliberal tradicional liderada pelo presidente-candidato Noboa e Luisa Gonz\u00e1lez, candidata da Revolu\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3 (Correismo).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito dif\u00edcil fortalecer uma terceira op\u00e7\u00e3o como a de Leonidas Iza, candidato do movimento ind\u00edgena, apresentado pelo movimento Pachakutik e que constitui a \u00fanica candidatura que n\u00e3o responde aos interesses da classe dominante. O movimento ind\u00edgena e outros grupos de esquerda tamb\u00e9m priorizaram a campanha eleitoral em detrimento da mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora faltem apenas dois meses para a realiza\u00e7\u00e3o do processo eleitoral, o panorama social est\u00e1 cheio de d\u00favidas e incertezas. Lembremos que nas elei\u00e7\u00f5es anteriores houve o assassinato do candidato Fernando Villavicencio, fato que afetou substancialmente os resultados eleitorais permitindo a ascens\u00e3o do jovem e desconhecido Daniel Noboa. \u00c9 por isso que em um pa\u00eds como o Equador nada est\u00e1 dito, tudo pode acontecer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Miguel Merino | A crise \u00e9 profunda e sist\u00eamica. 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