{"id":80076,"date":"2024-11-29T15:26:12","date_gmt":"2024-11-29T15:26:12","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=80076"},"modified":"2024-12-04T01:47:36","modified_gmt":"2024-12-04T01:47:36","slug":"na-colombia-sobram-motivos-para-sair-as-ruas-contra-a-violencia-machista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/11\/29\/na-colombia-sobram-motivos-para-sair-as-ruas-contra-a-violencia-machista\/","title":{"rendered":"Na Col\u00f4mbia sobram motivos para sair \u00e0s ruas contra a viol\u00eancia machista"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: PST &#8211; Col\u00f4mbia |<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, socialistas, temos afirmado que este sistema capitalista est\u00e1 cada vez mais em crise. A exacerba\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia por diferentes raz\u00f5es \u00e9 uma express\u00e3o eloquente disso. Hoje assistimos a duas guerras com milhares de mortes cujos agressores n\u00e3o respeitam o g\u00eanero nem a idade. A raz\u00e3o, a subjuga\u00e7\u00e3o do seu povo e, no caso da Palestina, o seu exterm\u00ednio para satisfazer os interesses de um punhado de exploradores que h\u00e1 76 anos querem apoderar-se das suas terras. No continente africano, uma s\u00e9rie de conflitos armados provocam silenciosamente deslocamentos e mortes porque os meios de comunica\u00e7\u00e3o das grandes pot\u00eancias que depredaram e saquearam o continente consideram-nos agora pouco mais que descart\u00e1veis. L\u00e1, milhares de mulheres com seus filhos e fam\u00edlias sofrem a viol\u00eancia capitalista em grau extremo.<\/p>\n\n\n\n<p>A barb\u00e1rie capitalista tem muitas faces, incluindo a mis\u00e9ria, o colapso ambiental, as guerras, as invas\u00f5es, a explora\u00e7\u00e3o ilimitada com as suas consequ\u00eancias, o desemprego e a crise social, todas elas dificuldades que a classe trabalhadora enfrenta todos os dias; e dentro dela os seus sectores mais oprimidos e explorados. Apesar das grandes lutas da \u00faltima d\u00e9cada, metade da humanidade continua vivendo num lugar de subordina\u00e7\u00e3o, as mulheres continuam a ser cidad\u00e3s de segunda classe apesar de muitos esfor\u00e7os e de algumas conquistas parciais aqui e ali, apesar de que aparente e formalmente j\u00e1 somos iguais. A crueldade \u00e9 mais profunda para as meninas, para as pessoas racializadas, para as pessoas LGBTI, para os migrantes e para os mais pobres. A opress\u00e3o machista mant\u00e9m a classe trabalhadora dividida e serve, tal como o racismo, a xenofobia e todas as opress\u00f5es, para criar setores que recebem menos e s\u00e3o mais explorados.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste 25N somos obrigadas a apresentar novamente os n\u00fameros do horror, n\u00fameros que mais do que n\u00fameros frios s\u00e3o a den\u00fancia de centenas e milhares de vidas cegadas, dilaceradas, destru\u00eddas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a revista Volc\u00e1nicas, at\u00e9 22 de outubro de 2024 foram registrados 671 feminic\u00eddios, &nbsp;o maior n\u00famero dos \u00faltimos 6 anos, na Col\u00f4mbia. Tamb\u00e9m foram registrados 19 transfeminic\u00eddios. Segundo o Instituto Nacional de Sa\u00fade, at\u00e9 agosto foram notificados 66 mil casos de viol\u00eancia de g\u00eanero. Uma em cada tr\u00eas mulheres sofre ou sofreu algum tipo de viol\u00eancia sexual. E tamb\u00e9m uma em cada tr\u00eas sofreu algum tipo de discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00e9nero no trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Col\u00f4mbia vive uma onda de viol\u00eancia machista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 algumas semanas ficamos indignadas com o feminic\u00eddio infantil de Sof\u00eda, ap\u00f3s o qual v\u00e1rias mulheres foram assassinadas \u00e0s m\u00e3os dos seus parceiros, algumas outras meninas e mulheres desapareceram, e se isso n\u00e3o bastasse, houve um caso aberrante de viol\u00eancia vic\u00e1ria: Revoltado com a companheira que considerava sua propriedade, um rapaz destro\u00e7a seus dois filhos pequenos, de 4 e 7 anos, com chutes e facadas, isso para destruir a vida de SUA esposa, para impedi-la de ser feliz, para causar culpa pelo resto da sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p>A gest\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social e a inefic\u00e1cia da justi\u00e7a burguesa s\u00f3 pioram as coisas. Esses casos s\u00e3o apresentados como problemas isolados de sujeitos psic\u00f3ticos que merecem morrer e n\u00e3o como manifesta\u00e7\u00e3o de um problema social. A abordagem punitiva de pedir mais pris\u00f5es ou penas de pris\u00e3o perp\u00e9tua \u00e9 ao mesmo tempo in\u00fatil e contraproducente para acabar com a viol\u00eancia inerente ao sistema, especialmente quando a impunidade ultrapassa os 80% de acordo com as estimativas mais otimistas (apenas 49,3% das den\u00fancias conduzem a deten\u00e7\u00f5es e 18,2% em condena\u00e7\u00f5es).<\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade as mulheres que denunciam viol\u00eancia dom\u00e9stica ou viol\u00eancia sexual, enfrentam um sistema que n\u00e3o acredita nelas ou naturaliza os fatos, que as revitimiza e as devolve a casa aos seus agressores.<\/p>\n\n\n\n<p>O feminic\u00eddio consumado baseia-se na ideologia sexista de inferioridade das mulheres, socializadas como objetos sexuais e propriedade, que s\u00f3 merecem respeito no seu papel de m\u00e3es, reprodutoras e m\u00e1rtires. Os homens s\u00e3o socializados como \u201cmachos\u201d destinados a ca\u00e7ar, dominar e possuir mulheres, e isto faz parte do sistema de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o que nos desumaniza como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Somos todas palestinas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os horrores que o povo palestino est\u00e1 vivendo s\u00e3o indescrit\u00edveis. Este genoc\u00eddio procura deliberadamente eliminar as crian\u00e7as palestinas, eliminar potenciais vidas palestinas nos ventres das pr\u00f3prias mulheres. Oficialmente foram assassinadas mais de 17 mil crian\u00e7as e mais de 10 mil mulheres, embora este n\u00famero deva ser multiplicado por 4, segundo a revista m\u00e9dica Lancet. Embora em todas as guerras haja horrores, e em todas elas morram pessoas inocentes, nunca na hist\u00f3ria uma a\u00e7\u00e3o de guerra teve como alvo crian\u00e7as e mulheres, segundo a OXFAM, nunca em nenhum conflito na hist\u00f3ria recente morreram tantos menores e mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;No entanto, Israel tem a coragem de se apresentar como uma democracia e como defensora das mulheres, supostamente oprimidas pelo Hamas e pelo Isl\u00e3o. Hip\u00f3critas! Na Palestina, a lei isl\u00e2mica nunca existiu ou o fundamentalismo governou. Pelo contr\u00e1rio, Israel \u00e9 um estado confessional n\u00e3o s\u00f3 com leis racistas contra os \u00e1rabes, mas com v\u00e1rias leis machistas, como a lei que exige que o div\u00f3rcio seja levado a tribunais religiosos, ou at\u00e9 mesmo a proibi\u00e7\u00e3o de mulheres orarem em voz alta no muro das lamenta\u00e7\u00f5es. Por si s\u00f3, todas as religi\u00f5es apoiam e refor\u00e7am o papel das mulheres como subordinadas. \u00c9 por isso que lutamos por uma Palestina Laica, Democr\u00e1tica e n\u00e3o racista, do rio ao mar.<\/p>\n\n\n\n<p>As palestinas hoje precisam ser salvas das bombas sionistas. Para enfrentar o machismo na sua pr\u00f3pria sociedade \u2013 que existe como em todo o mundo \u2013 elas precisam estar vivos, e para parar de assassinar os seus filhos, elas precisam das suas casas e das suas terras.<\/p>\n\n\n\n<p>A mulher palestina n\u00e3o \u00e9 uma espectadora submissa, m\u00e1rtir ou v\u00edtima indefesa: ela \u00e9 e tem sido historicamente um exemplo de resist\u00eancia, seja alistada em brigadas combatentes, seja em hospitais de campanha ou em refeit\u00f3rios comunit\u00e1rios, seja atrav\u00e9s da poesia e da m\u00fasica, existem e resistem, sendo exemplo de luta para o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Enfrentar o problema como classe trabalhadora, estes 25N encher as ruas da Col\u00f4mbia e do mundo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 urgente que a classe trabalhadora tome e se mobilize em conjunto para exigir medidas. Este n\u00e3o \u00e9 um problema \u201cpara as mulheres\u201d, nem para as fam\u00edlias das v\u00edtimas, mas para a sociedade como um todo, e especialmente para a classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio deste governo temos insistido na necessidade de declarar o estado de emerg\u00eancia nacional contra a viol\u00eancia machista, com recursos verdadeiramente suficientes, funcion\u00e1rios remunerados e sensibilizados a todos os n\u00edveis, casas abrigo, renda b\u00e1sico para as v\u00edtimas que perdem o emprego, estabilidade no emprego e medidas educacionais em todos os n\u00edveis para combater o machismo na sociedade, e n\u00e3o apenas a sua manifesta\u00e7\u00e3o mais atroz. A CUT e demais Centrais deveriam estar na vanguarda dessas demandas.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m temos pedido ao Presidente Petro que acabe de romper completamente com Israel, deixando nulos os atuais TLC`s, suspendendo a compra de tecnologia militar, e liderando uma verdadeira campanha internacional para travar o genoc\u00eddio, provocando pelo menos uma onda de rupturas diplom\u00e1ticas no continente e o envio de armas e suprimentos para a resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas estas medidas s\u00e3o parciais e incompletas, mas n\u00e3o menos necess\u00e1rias. Para pressionar, voltamos \u00e0s ruas neste 25N, as trabalhadoras, as jovens e as idosas, as ind\u00edgenas, as donas de casa, as migrantes, as crentes e as ateias. A nossa voz deve ressoar em todo o mundo, contra todas as formas de viol\u00eancia machista, incluindo o genoc\u00eddio na Palestina. Os homens que s\u00e3o contra a viol\u00eancia sexista e capitalista tamb\u00e9m devem unir-se. A nossa aspira\u00e7\u00e3o como classe trabalhadora \u00e9 construir uma sociedade na qual n\u00e3o tenhamos que nos manifestar em um dia da n\u00e3o-viol\u00eancia, queremos uma vida plena livre de toda viol\u00eancia de classe, ra\u00e7a, g\u00eanero, uma sociedade verdadeiramente socialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Leia nossa proposta completa contra a viol\u00eancia sexista https:\/\/www.magazine.pstcolombia.org\/2019\/01\/programa-de-la-clase-trabajadora-contra-la-violencia-machista\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: PST &#8211; Col\u00f4mbia | N\u00f3s, socialistas, temos afirmado que este sistema capitalista est\u00e1 cada vez mais em crise. A exacerba\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia por diferentes raz\u00f5es \u00e9 uma express\u00e3o eloquente disso. Hoje assistimos a duas guerras com milhares de mortes cujos agressores n\u00e3o respeitam o g\u00eanero nem a idade. 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