{"id":80073,"date":"2024-11-29T15:26:37","date_gmt":"2024-11-29T15:26:37","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=80073"},"modified":"2024-12-04T15:24:53","modified_gmt":"2024-12-04T15:24:53","slug":"nossas-vidas-importam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/11\/29\/nossas-vidas-importam\/","title":{"rendered":"Nossas vidas importam!"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Laura Requena e Erika Andreassy |<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2023, cerca de 51.100 mulheres e meninas em todo o mundo morreram pelas m\u00e3os dos seus parceiros ou de outros membros de sua fam\u00edlia. Ou seja, uma mulher foi assassinada a cada 10 minutos. Mais de metade de todos os homic\u00eddios de mulheres foram cometidos por parceiros \u00edntimos ou familiares, embora as mulheres tamb\u00e9m n\u00e3o se sintam seguras fora de casa. Segundo a ONU, em 2023 houve um aumento da viol\u00eancia machista de 50%, em compara\u00e7\u00e3o com 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o feminic\u00eddios que causam horror e medo, em que a \u00fanica resposta \u00e9 a apatia e a ina\u00e7\u00e3o por parte do sistema judicial e pol\u00edtico, seja porque os governos continuam a n\u00e3o fornecer os recursos necess\u00e1rios a quem sofre esta viol\u00eancia ou porque a puni\u00e7\u00e3o dos agressores \u00e9 muitas vezes burlado por aqueles que podem pagar para sair da pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Como no Estado espanhol, onde o jogador de futebol Daniel Alves pagou um milh\u00e3o de euros para ser libertado em liberdade condicional e foi reduzida sua pena de pris\u00e3o por violar uma jovem ap\u00f3s aplica\u00e7\u00e3o de uma circunst\u00e2ncia atenuante por repara\u00e7\u00e3o financeira dos danos. Um pa\u00eds imperialista com um governo supostamente feminista, onde os trabalhadores da rede de viol\u00eancia de g\u00eanero, que atendem as v\u00edtimas, sofrem elas pr\u00f3prias com a inseguran\u00e7a laboral e a privatiza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o que os impede de cuidar corretamente das mulheres. Muitas delas, empregadas na C\u00e2mara Municipal e na Comunidade de Madrid, entraram em greve neste 25N para denunciar que a rede est\u00e1 em colapso e exigir medidas urgentes para acabar com este cont\u00ednuo derramamento de sangue.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Este 25N foi um dia de luta contra as diversas formas de viol\u00eancia impostas pelo machismo, no sistema capitalista.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A impunidade social que continua existindo face \u00e0 viol\u00eancia sexual ficou demonstrada com o caso P\u00e9licot, na Fran\u00e7a, onde uma mulher foi v\u00edtima de estupros coletivos, durante 10 anos, organizados pelo seu pr\u00f3prio marido. O risco \u00e9 ainda maior entre as mulheres jovens: 1 em cada 4 adolescentes sofreu abusos por parte do parceiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Viol\u00eancia sexual que cresce e se diversifica com o uso de tecnologias, incluindo a intelig\u00eancia artificial. (Entre 16% e 58% das mulheres em todo o mundo sofrem viol\u00eancia de g\u00eanero facilitada pela tecnologia) e que \u00e9 promovida por um sistema capitalista que objetifica e mercantiliza os nossos corpos. Este flagelo mina a vida das mulheres em todo o mundo com a cumplicidade do conjunto judicial, institucional e pol\u00edtico que protege os agressores e revitimiza a quem ousam denunciar.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m das palavras hip\u00f3critas e das belas promessas, nenhum governo burgu\u00eas est\u00e1 disposto a ir at\u00e9 ao fim para acabar com as redes de tr\u00e1fico e a escravid\u00e3o sexual sofridas por milh\u00f5es de mulheres porque s\u00e3o um neg\u00f3cio \u00e0 margem do capitalismo que d\u00e1 lucros imensos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m necess\u00e1rio salientar que 70% das mulheres em conflitos, guerras e crises humanit\u00e1rias sofrem viol\u00eancia de g\u00eanero. A preval\u00eancia de todos os tipos de viol\u00eancia contra as mulheres em conflitos armados \u00e9 particularmente dram\u00e1tica em continentes inteiros como a \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<p>Como explicamos num v\u00eddeo da LIT nesta data que chamamos a ver e divulgar, as mulheres s\u00e3o as mais afetadas n\u00e3o s\u00f3 pelas guerras, mas tamb\u00e9m pela crise econ\u00f4mica ou pela cat\u00e1strofe ambiental em curso, que s\u00e3o todas express\u00f5es do esgotamento deste sistema capitalista que nos leva \u00e0 barb\u00e1rie.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=sWtKsolVxWU\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">25N| Contra la violencia machista y la barbarie capitalista<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Neste dia 25, a luta das mulheres da resist\u00eancia na Ucr\u00e2nia e das mulheres palestinas que sofrem a viol\u00eancia do genoc\u00eddio, da limpeza \u00e9tnica, da coloniza\u00e7\u00e3o e do apartheid, tamb\u00e9m esteve muito presente. S\u00e3o o melhor s\u00edmbolo da luta de todos os povos oprimidos pela sua liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A falta de direitos tamb\u00e9m \u00e9 viol\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Al\u00e9m de denunciar a viol\u00eancia machista e a cumplicidade dos governos burgueses, este 25N foi um dia para lembrar que o aborto livre, p\u00fablico, gratuito e universal ainda n\u00e3o est\u00e1 garantido em nenhum lugar do mundo e milh\u00f5es de mulheres, em sua maioria pobres, ind\u00edgenas, negras, migrantes e as mais jovens sofrem com leis restritivas que as criminalizam, levando-as a morrer ou a serem mutiladas por abortos inseguros.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, com o agravamento da crise econ\u00f4mica mundial, mais de metade da popula\u00e7\u00e3o feminina ficou desempregada. Al\u00e9m disso, as mulheres migrantes s\u00e3o frequentemente exclu\u00eddas do sistema de sa\u00fade. \u00c0 viol\u00eancia machista somam-se a desigualdade no emprego e no acesso aos servi\u00e7os p\u00fablicos, as taxas mais elevadas de pobreza, precariedade e sobreexplora\u00e7\u00e3o que sofrem as mulheres, que tamb\u00e9m suportam o fardo do trabalho dom\u00e9stico e de cuidados, bem como a falta de acesso a m\u00e9todos seguros que permitam controle sobre nossa capacidade reprodutiva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Diante da extrema direita, nem um passo atr\u00e1s!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O 25N foi um momento importante para confrontar os governos de extrema-direita cuja ascens\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tempor\u00e1ria, e sim responde a uma necessidade hist\u00f3rica do capitalismo atual de lan\u00e7ar as consequ\u00eancias da crise e da decad\u00eancia deste sistema nas costas da nossa classe. E para que a resist\u00eancia a isto n\u00e3o possa ser organizada, nada melhor do que manter as e os trabalhadores divididos. N\u00e3o por acaso, exibem discursos de \u00f3dio que incitam viol\u00eancias pontuais e atacam com ajustes as conquistas que as mulheres e os setores oprimidos da sociedade conseguiram arduamente alcan\u00e7ar nas ruas nestes anos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Tal como o governo de extrema-direita de Milei, na Argentina, que aplica pol\u00edticas implac\u00e1veis \u200b\u200bcontra as mulheres, a diversidade, os imigrantes e todo o povo trabalhador, juntamente com uma repress\u00e3o brutal dos protestos sociais. Uma extrema direita que agora com Trump na presid\u00eancia do principal pa\u00eds imperialista, tender\u00e1 a fortalecer-se ainda mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta luta contra a extrema direita, precisamos de organizar a nossa autodefesa com independ\u00eancia de classe. Mulheres como Kamala Harris, dos EUA, Cristina Kirchner, na Argentina ou Dilma Rousseff no Brasil, n\u00e3o t\u00eam nada a oferecer \u00e0s trabalhadoras, mas sim novas decep\u00e7\u00f5es e enganos. N\u00e3o \u00e9 de estranhar que muitas mulheres trabalhadoras n\u00e3o tenham votado em Kamala, depois de, durante a sua campanha eleitoral, ela ter prometido continuar, no essencial, com as mesmas pol\u00edticas capitalistas e imperialistas de Biden. N\u00e3o importa quantas mulheres existam nos governos e nas institui\u00e7\u00f5es dos governos capitalistas, a pol\u00edtica burguesa n\u00e3o oferece solu\u00e7\u00f5es reais, mas faz parte do mesmo problema.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Organizar para enfrentar a retirada de direitos e a crescente viol\u00eancia sexista!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Onde quer que exista a LIT, fizemos parte das mobiliza\u00e7\u00f5es neste 25N para denunciar mais uma vez o genoc\u00eddio cometido por Israel em Gaza e os massacres de mulheres e crian\u00e7as nos seus ataques ao L\u00edbano, bem como para exigir armas para a resist\u00eancia oper\u00e1ria ucraniana.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos manifestamos para arrancar mais recursos dos governos contra todas as formas de viol\u00eancia machista com um eixo comum: denunciar o papel da viol\u00eancia contra as mulheres e todas as opress\u00f5es para dividir e enfraquecer a nossa classe.<\/p>\n\n\n\n<p>Ressaltamos que a luta contra a viol\u00eancia machista n\u00e3o pode ser deixada apenas nas m\u00e3os do feminismo combativo, mas deve ser assumida por toda a classe oper\u00e1ria, com independ\u00eancia de classe.<\/p>\n\n\n\n<p>E explicamos que a \u00fanica forma de acabar definitivamente com o machismo e a viol\u00eancia \u00e9 derrubar este sistema mundial. O capitalismo, com o seu desejo de perpetuar a explora\u00e7\u00e3o, reproduz formas de barb\u00e1rie que tamb\u00e9m se manifestam como viol\u00eancia contra as mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta tarefa, torna-se cada vez mais urgente construir um partido mundial. Um partido que luta pela liberta\u00e7\u00e3o das mulheres, numa perspectiva classista, socialista e revolucion\u00e1ria, com a convic\u00e7\u00e3o de que a luta das mulheres n\u00e3o \u00e9 algo diferente, mas sim parte da luta de classes que deve continuar, at\u00e9 acabar com o atual sistema mundial, cada vez mais predat\u00f3rio da natureza, que gera, sustenta e reproduz todas as opress\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Laura Requena e Erika Andreassy | Em 2023, cerca de 51.100 mulheres e meninas em todo o mundo morreram pelas m\u00e3os dos seus parceiros ou de outros membros de sua fam\u00edlia. Ou seja, uma mulher foi assassinada a cada 10 minutos. 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