{"id":80052,"date":"2024-11-26T13:03:16","date_gmt":"2024-11-26T13:03:16","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=80052"},"modified":"2024-11-26T23:59:27","modified_gmt":"2024-11-26T23:59:27","slug":"lutar-pelos-servicos-publicos-e-contra-a-precariedade-para-acabar-com-a-violencia-machista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/11\/26\/lutar-pelos-servicos-publicos-e-contra-a-precariedade-para-acabar-com-a-violencia-machista\/","title":{"rendered":"Lutar pelos servi\u00e7os p\u00fablicos e contra a precariedade para acabar com a viol\u00eancia machista"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Corriente Roja |<\/p>\n\n\n\n<p>Longe de ver como superamos a viol\u00eancia machista, todos os dias 25 de Novembro enfrentamos balan\u00e7os assustadores de n\u00fameros anuais de feminic\u00eddios, abusos e viol\u00eancia sexual. Al\u00e9m disso, este 25N foi atravessado por uma avalanche de den\u00fancias an\u00f4nimas nas redes sociais de mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual, f\u00edsica e psicol\u00f3gica, que decidiram quebrar o sil\u00eancio desta forma, depois de o caso Errej\u00f3n tamb\u00e9m ter sido descoberto atrav\u00e9s de den\u00fancias an\u00f4nimas. Essas mulheres acessam o Instagram da jornalista Cristina Fallar\u00e1s para que ela publique suas hist\u00f3rias, dado o desamparo que o encobrimento social dos agressores gera nas mulheres, desde o ambiente familiar at\u00e9 delegacias e tribunais que revitimizam as mulheres ao sair libertando empres\u00e1rios ped\u00f3filos como aconteceu recentemente em M\u00farcia.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito aos feminic\u00eddios, todos os anos assistimos \u00e0 continua\u00e7\u00e3o do terrorismo machista: em 2024, foram assassinadas 82 mulheres e meninas, 43 delas pelos seus parceiros ou ex-parceiros, o \u00faltimo ainda no dia 8 deste m\u00eas, Estela , 36 anos, cujo assassino tinha uma ordem de restri\u00e7\u00e3o e estava registrada no programa VioG\u00e9n de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas de viol\u00eancia de g\u00eanero, gerido pelo Minist\u00e9rio do Interior. Estes casos demonstram que \u00e9 o apoio psicossocial da v\u00edtima, e n\u00e3o um registro policial, que pode realizar a identifica\u00e7\u00e3o di\u00e1ria dos riscos e a disponibiliza\u00e7\u00e3o dos recursos necess\u00e1rios para prevenir novos agress\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio da opini\u00e3o da Ministra da Igualdade, Ana Redondo, que atribui a culpa deste problema social \u00e0s pr\u00f3prias v\u00edtimas que, segundo ela, n\u00e3o denunciariam suficientemente, as trabalhadores da Rede Contra a Viol\u00eancia de G\u00eanero de Madrid, com a sua luta para mais investimento em recursos e, em \u00faltima an\u00e1lise, a remunicipaliza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o (raz\u00e3o pela qual neste 25N est\u00e3o em greve) est\u00e3o destacando a medida mais urgente que os governos devem tomar se quiserem parar o cont\u00ednuo derramamento de sangue.<\/p>\n\n\n\n<p>Como nos contavam neste 8M em entrevista que fizemos, por Corriente Roja, com as trabalhadores da Rede: \u201cO impacto da precariedade na Rede de Viol\u00eancia de G\u00eanero impacta [as v\u00edtimas] diretamente. (\u2026) As mulheres que contactam pela primeira vez a Rede de Viol\u00eancia de G\u00eanero, solicitando ajuda para sair da situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia, se n\u00e3o estiverem em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, t\u00eam que esperar dois meses para serem atendidas pela primeira vez por um profissional .<\/p>\n\n\n\n<p>Durante esses dois meses, continuam a ser expostos \u00e0 viol\u00eancia por parte dos seus parceiros ou ex-parceiros, com os danos psicossociais e o risco para a integridade f\u00edsica que isso acarreta, tanto para elas como para os seus filhos e filhas. Com estes prazos, \u00e9 imposs\u00edvel abordar estes casos a partir da preven\u00e7\u00e3o e trabalhar numa solu\u00e7\u00e3o segura para estas mulheres. Muitas dessas mulheres acabam sendo atendidas na emerg\u00eancia, porque nesses dois meses acabam sofrendo agress\u00f5es ou situa\u00e7\u00f5es de risco, que provavelmente poderiam ter sido evitadas se tivessem sido atendidas no momento em que pediram ajuda.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A precariedade assola este tipo de servi\u00e7os em todo o Estado, pois mesmo quando as administra\u00e7\u00f5es criam novos recursos os concebem como privatizados, como os centros de atendimento 24 horas localizados em cinco hospitais p\u00fablicos da Galiza. Como denunciam os trabalhadoras da Rede de Madrid, n\u00e3o se trata apenas de que nos recursos subcontratados o que sempre prevalece \u00e9 o benef\u00edcio empresarial sobre o pr\u00f3prio servi\u00e7o oferecido, mas de que as pr\u00f3prias administra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas publicam especifica\u00e7\u00f5es com or\u00e7amentos t\u00e3o baixos que nem sequer as empresas os consideram lucrativos. Foi o caso do caderno de encargos publicado recentemente pela Comunidade e pela C\u00e2mara Municipal de Madrid, para o qual nenhuma empresa apresentou proposta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cercar a greve das trabalhadores de Madrid com solidariedade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A luta da Rede de Mulheres Trabalhadoras contra a Viol\u00eancia de G\u00eanero da Comunidade e da C\u00e2mara Municipal de Madrid \u00e9 um exemplo de que a luta contra a viol\u00eancia machista est\u00e1 ligada ao interesse geral da classe trabalhadora. O Pacto de Estado contra a viol\u00eancia machista n\u00e3o pode estar sujeito ao interesse econ\u00f4mico das empresas ou \u00e0 falta de investimento p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Cercar as trabalhadores em greve de solidariedade tamb\u00e9m significa lutar contra o trabalho a tempo parcial e os sal\u00e1rios de pobreza que n\u00e3o s\u00f3 lhes foram impostos, mas a todo o mercado de trabalho, especialmente nos sectores feminizados. Os sal\u00e1rios prec\u00e1rios s\u00e3o, por sua vez, um fator que muitas vezes liga as v\u00edtimas de viol\u00eancia de g\u00eanero aos seus agressores.<\/p>\n\n\n\n<p>Vemos como esta greve encarna duas lutas que dizem respeito a toda a classe trabalhadora: contra a privatiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos e a flexibiliza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho. Acabar com a viol\u00eancia machista \u00e9 uma tarefa da classe trabalhadora contra os governos patronais, que tamb\u00e9m limitam o acesso \u00e0 habita\u00e7\u00e3o em favor da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. As trabalhadores da Rede tamb\u00e9m t\u00eam algo a dizer sobre esta quest\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando as mulheres acedem a um Centro de Emerg\u00eancia da Rede de Alojamentos de Prote\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara Municipal de Madrid, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o melhora, pois, dados os curtos per\u00edodos de perman\u00eancia (m\u00e1ximo dois meses), n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel realizar uma sa\u00edda aut\u00f4noma com estas mulheres, o que as deixa em uma situa\u00e7\u00e3o de precariedade e vulnerabilidade social que n\u00e3o lhes permite recuperar e reconstruir suas vidas ap\u00f3s a viol\u00eancia sofrida. H\u00e1 casos em que, ap\u00f3s terminar a perman\u00eancia nos Centros de Urg\u00eancia, as mulheres voltam com seu agressor, n\u00e3o por depend\u00eancia emocional, mas porque n\u00e3o t\u00eam outras alternativas socioecon\u00f4micas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos tamb\u00e9m levar as reivindica\u00e7\u00f5es desta greve ao movimento habitacional, que ressurgiu fortemente nos \u00faltimos meses. \u00c9 urgente que as administra\u00e7\u00f5es ofere\u00e7am renda social \u00e0s v\u00edtimas da viol\u00eancia machista para que possam ser cuidadas atrav\u00e9s da autonomia habitacional. Devemos exigir habita\u00e7\u00e3o p\u00fablica, digna e universal aos governos que hoje legislam para a patronal do setor imobili\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Como vemos atrav\u00e9s da cat\u00e1strofe da DANA em Val\u00eancia, as empresas e os governos ao seu servi\u00e7o n\u00e3o se preocupam com a vida da classe trabalhadora, muito menos com a das mulheres da nossa classe, j\u00e1 que o machismo \u00e9 tamb\u00e9m um fator de divis\u00e3o entre trabalhadoras e trabalhadores e a classe dominante est\u00e1 interessada em perpetu\u00e1-lo. A luta contra a viol\u00eancia machista, para ser eficaz e ir at\u00e9 ao fim, \u00e9 insepar\u00e1vel da luta contra este sistema capitalista em crise, que deve ser derrubado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ante seus benef\u00edcios, os nossos direitos:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Todo o apoio \u00e0s trabalhadores da Rede contra a Viol\u00eancia de G\u00e9nero de Madrid!<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Por mais recursos p\u00fablicos contra a viol\u00eancia machista! Remunicipaliza\u00e7\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Contra o trabalho a tempo parcial e os sal\u00e1rios miser\u00e1veis. Revoga\u00e7\u00e3o das reformas laborais!<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Educa\u00e7\u00e3o sexual em valores de igualdade! Basta de financiar a educa\u00e7\u00e3o concertada, uma parte da qual ainda est\u00e1 nas m\u00e3os da Igreja!<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Por uma habita\u00e7\u00e3o p\u00fablica, digna e universal! Contra os maus tratos no nosso pr\u00f3prio telhado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Corriente Roja | Longe de ver como superamos a viol\u00eancia machista, todos os dias 25 de Novembro enfrentamos balan\u00e7os assustadores de n\u00fameros anuais de feminic\u00eddios, abusos e viol\u00eancia sexual. 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