{"id":79978,"date":"2024-11-15T00:25:56","date_gmt":"2024-11-15T00:25:56","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=79978"},"modified":"2024-12-06T15:54:54","modified_gmt":"2024-12-06T15:54:54","slug":"noboa-nos-leva-a-deriva-neoliberal-e-o-povo-se-organiza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/11\/15\/noboa-nos-leva-a-deriva-neoliberal-e-o-povo-se-organiza\/","title":{"rendered":"Noboa nos leva \u00e0 deriva neoliberal e o povo se organiza"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Publicamos este artigo da Revista Crisis de 11 de novembro \u00faltimo. Crisis \u00e9 uma revista digital que nasceu com o objetivo de apresentar uma nova refer\u00eancia de esquerda no Equador. Com esta publica\u00e7\u00e3o concretizamos uma colabora\u00e7\u00e3o entre os dois meios de comunica\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do interc\u00e2mbio de artigos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Daniel Noboa, oligarca da banana, empres\u00e1rio gangster e presidente, al\u00e9m de candidato, est\u00e1 no cargo h\u00e1 um ano, no comando de um navio abertamente \u00e0 deriva. <\/strong>Sua gest\u00e3o \u00e9 caracterizada por uma inoper\u00e2ncia pol\u00edtica concisa e consciente, al\u00e9m do aprofundamento da l\u00f3gica empresarial no Estado burgu\u00eas. <strong>Ao mesmo tempo em que se tornou o maior exportador mundial de coca\u00edna, a Rep\u00fablica Bananeira, al\u00e9m de ser o territ\u00f3rio mais violento de todo o continente, \u00e9 o pa\u00eds com o maior n\u00famero de cortes de energia. <\/strong>N\u00e3o se trata dos curingas do discurso de \u00f3dio da classe empresarial e seu t\u00edpico discurso de \u00f3dio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Venezuela ou Cuba, mas do Equador, o primeiro e mais pr\u00f3ximo aliado pol\u00edtico daqueles que consideram todo o continente como seu quintal. <strong>USA te usa.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Enquanto o presidente retorna ao seu complexo caracter\u00edstico,<\/strong> gabando-se em Esmeraldas de que &#8220;temos coragem e temos o vigor de um carpinteiro, batemos pelo menos tr\u00eas paus&#8230;&#8221;<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, <strong>os cortes de energia representam um preju\u00edzo econ\u00f4mico de mais de US$ 100 milh\u00f5es por hora.&nbsp;A gan\u00e2ncia corporativa de privatizar definitivamente o setor de energia, causando seu colapso devido ao desfinanciamento cr\u00f4nico e \u00e0 inoper\u00e2ncia autoinduzida, acabou desencadeando uma crise generalizada de eletricidade<\/strong>. Esses par\u00e2metros amea\u00e7am at\u00e9 mesmo o nefasto projeto de privatiza\u00e7\u00e3o, uma vez que a infraestrutura energ\u00e9tica em seu estado atual e ap\u00f3s anos de abandono, requer um grande e prolongado investimento para sustent\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Algo que o presidente banana deixou evidente \u00e9 que sua falta de crit\u00e9rios atinge propor\u00e7\u00f5es catastr\u00f3ficas para a classe trabalhadora. <\/strong>Na entrevista marcada para 27 de outubro, <strong>Noboa confessou que ignora os\/as t\u00e9cnicos\/as trabalhadores\/as do setor el\u00e9trico<\/strong>. O motivo: &#8220;empatia&#8221;, disse o menino rico que se tornou presidente sem sangue no rosto. A consequ\u00eancia \u00e9 que h\u00e1 uma absoluta falta de coordena\u00e7\u00e3o entre os aparelhos do Estado, que <strong>j\u00e1 n\u00e3o geram apenas at\u00e9 12 horas de cortes de eletricidade por dia, mas tamb\u00e9m uma incerteza absoluta quanto aos tempos de cortes, que inevitavelmente tamb\u00e9m causam uma incerteza dolorosa para o futuro.<\/strong> Em algumas \u00e1reas do pa\u00eds, tamb\u00e9m est\u00e3o sofrendo cortes do servi\u00e7o de \u00e1gua pot\u00e1vel, o que aumenta as dificuldades que as fam\u00edlias do pa\u00eds enfrentam atualmente, mas tamb\u00e9m <strong>afetam a capacidade de produ\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, tornando a vida j\u00e1 empobrecida ainda mais prec\u00e1ria.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Se observarmos o funcionamento da estrutura econ\u00f4mica do pa\u00eds, podemos ver como <strong>a crise energ\u00e9tica impacta especialmente os setores populares.<\/strong> No Equador, as grandes empresas administram 92% do total da economia, <strong>enquanto as m\u00e9dias, pequenas e microempresas administram os 8% restantes.<\/strong> Em contrapartida, no que diz respeito \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de emprego, o Estado \u00e9 respons\u00e1vel por cerca de 7%, as <strong>grandes empresas s\u00e3o respons\u00e1veis por apenas 3%, enquanto as m\u00e9dias, pequenas e microempresas s\u00e3o respons\u00e1veis por 90%<\/strong> do emprego da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa do pa\u00eds. Isso significa duas coisas: <strong>a primeira, que existe uma l\u00f3gica de acumula\u00e7\u00e3o privada que controla o mercado, gerando monop\u00f3lios nas m\u00e3os de poucas grandes empresas; e a segunda \u00e9 que o povo gera suas pr\u00f3prias fontes de trabalho, mas controlam apenas 8% da economia: ou seja, que h\u00e1 altos graus de precariedade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Se na rep\u00fablica bananeira, o direito a servi\u00e7os b\u00e1sicos como eletricidade e \u00e1gua se tornou um privil\u00e9gio de quem pode pag\u00e1-las de forma privada ou subsidiada<\/strong>, como a minera\u00e7\u00e3o at\u00e9 menos de um m\u00eas atr\u00e1s, ent\u00e3o <strong>a produ\u00e7\u00e3o dos pobres, que sustentam a vida dos mais pobres, \u00e9 a mais impactada pelos cortes de energia.<\/strong> Somente grandes empresas como Coca-Cola, Supermaxi ou Pronaca -entre outras- podem se dar ao luxo de instalar geradores el\u00e9tricos industriais para abastecer sua produ\u00e7\u00e3o, sem em absoluto comprometer sua posi\u00e7\u00e3o no mercado. Enquanto isso, <strong>um\/a pequeno\/a produtor\/a \u00e9 significativamente impactado\/a por ter que investir em formas alternativas de fornecimento de eletricidade. <\/strong>Da mesma forma,&nbsp; principalmente os\/as <strong>trabalhadores\/as aut\u00f4nomos\/as prec\u00e1rios perderam completamente a divis\u00e3o mediana entre horas de trabalho<\/strong> e tempo livre, usando as poucas horas de luz para produzir o que \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Sendo essa a realidade econ\u00f4mica do pa\u00eds, Noboa gera subs\u00eddios, benef\u00edcios fiscais, flexibiliza a jornada de trabalho e d\u00e1 prioridade a aqueles que funcionam para acumular mais lucros \u2013 a grande empresa \u2013<strong> e deixa em absoluto abandono a grande massa do povo, que se resgata dia ap\u00f3s dia autoempregando-se<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um exemplo disso \u00e9 a XXIX C\u00fapula Ibero-Americana de Chefes de Estado que acontecer\u00e1 em Cuenca de 13 a 15 de novembro, parece celebrar de forma p\u00e9rfida o anivers\u00e1rio do governo de Noboa e, portanto, da Rep\u00fablica Bananeira.<\/strong> Um f\u00f3rum pol\u00edtico que desde 1991 re\u00fane 22 pa\u00edses, 19 da Am\u00e9rica Latina, al\u00e9m de Espanha, Portugal e Andorra, parece ser um cen\u00e1rio favorito para dar apoio pol\u00edtico a um presidente t\u00e3o atacado e desgastado como Daniel Noboa. <strong>Tanto \u00e9 o caso, que esta semana figuras da estatura de Pedro S\u00e1nchez, Luis Abinader, Javier Milei e, como n\u00e3o poderia faltar jamais, do rei da Espanha<\/strong>, sob o slogan pretensiosamente benevolente de &#8220;inova\u00e7\u00e3o, inclus\u00e3o e sustentabilidade&#8221;, estar\u00e3o em territ\u00f3rio equatoriano.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto parece ter come\u00e7ado o momento hist\u00f3rico em que as l\u00f3gicas da acumula\u00e7\u00e3o capitalista chegam a impactar de forma catastr\u00f3fica o meio ambiente e as sociedades, <strong>um f\u00f3rum pol\u00edtico neoliberal que lembra os tempos coloniais pretende propor a sustentabilidade como o novo mantra do capitalismo dependente<\/strong>. A C\u00fapula Ibero-Americana <strong>coincide com a reabertura do cadastro mineiro, pelo governo Noboa em novembro, <\/strong>permitindo novas concess\u00f5es antes do final do curto mandato presidencial do presidente bananeiro.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por sua vez, e em rejei\u00e7\u00e3o a uma reuni\u00e3o em que apenas os interesses do capital local e transnacional prevalecem, v\u00e1rios movimentos sociais, pol\u00edticos e territoriais, liderados pela Frente Nacional Antiminera\u00e7\u00e3o, se reunir\u00e3o simultaneamente em Cuenca, no \u00e2mbito da Contra-C\u00fapula dos Povos em Resist\u00eancia.<\/strong> A Contra-C\u00fapula prop\u00f5e <strong>um projeto pol\u00edtico baseado no poder popular e contra a l\u00f3gica de exterm\u00ednio imposta pela classe empresarial e pelas corpora\u00e7\u00f5es transnacionais. <\/strong>Embora n\u00e3o haja d\u00favida de que h\u00e1 uma seca grave, \u00e9 igualmente inquestion\u00e1vel que ind\u00fastrias predat\u00f3rias como a minera\u00e7\u00e3o consomem quantidades gigantescas de \u00e1gua e energia \u2013 at\u00e9 recentemente com subs\u00eddios estatais \u2013 como a mina Mirador, que consome o equivalente \u00e0 \u00e1gua para quase 2 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O projeto neoliberal da burguesia implica necessariamente a mais absoluta precariedade da classe trabalhadora do campo e da cidade:<\/strong> casas empobrecidas, futuros incertos, aprofundamento da onda migrat\u00f3ria, depreda\u00e7\u00e3o da natureza, terrorismo de Estado contra povos e nacionalidades, criminaliza\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o e do protesto, e muita, muita ang\u00fastia coletiva. <strong>\u00c9 nesses momentos de raiva e dor reais, que \u00e9 mais necess\u00e1rio construir uma consci\u00eancia de classe que possa dar dire\u00e7\u00e3o a um projeto coletivo de vida e cuidado, para todos\/as.<\/strong> Completamente opostos ao projeto de pobreza, morte e destrui\u00e7\u00e3o das elites. \u00c9 nossa responsabilidade salvar-nos das garras do Capital e organizar-nos pela defesa do nosso futuro.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Participe da Contra-C\u00fapula dos Povos em Resist\u00eancia, de 13 a 15 de novembro em Cuenca. Existimos porque resistimos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn1\" href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> Durante uma interven\u00e7\u00e3o p\u00fablica, Noboa declarou que \u201ctemos muita coragem\u201d, referindo-se \u00e0 sua determina\u00e7\u00e3o, mas utilizando uma linguagem que foi rapidamente interpretada em sentido vulgar. Ele acrescentou: \u201ctemos o vigor de um carpinteiro, acertamos pelo menos tr\u00eas paus\u201d, o que intensificou as rea\u00e7\u00f5es nas redes. Acess\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.extra.ec\/noticia\/buena-vida\/comentario-daniel-noboa-convierte-lavinia-valbonesi-objeto-memes-115101.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Las redes estallan: Noboa y su frase de los &#8216;tres palos&#8217; convierten a Lavinia en meme<\/a> (ndt.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicamos este artigo da Revista Crisis de 11 de novembro \u00faltimo. Crisis \u00e9 uma revista digital que nasceu com o objetivo de apresentar uma nova refer\u00eancia de esquerda no Equador. Com esta publica\u00e7\u00e3o concretizamos uma colabora\u00e7\u00e3o entre os dois meios de comunica\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do interc\u00e2mbio de artigos. Daniel Noboa, oligarca da banana, empres\u00e1rio gangster e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":79979,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3643,5620],"tags":[9002,9003,8830,8795],"class_list":["post-79978","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-equador","category-america-latina","tag-apagoes-equadro","tag-cupula-ibero-americana","tag-noboa","tag-revista-crisis"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/cumbre-empresarial_1-copia.jpg","categories_names":["Am\u00e9rica Latina","Equador"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79978","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79978"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79978\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":79980,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79978\/revisions\/79980"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79979"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79978"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79978"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79978"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}