{"id":79966,"date":"2024-11-12T22:07:41","date_gmt":"2024-11-12T22:07:41","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=79966"},"modified":"2024-11-22T19:12:10","modified_gmt":"2024-11-22T19:12:10","slug":"a-palestina-em-nosso-mundo-centrado-em-combustiveis-fosseis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/11\/12\/a-palestina-em-nosso-mundo-centrado-em-combustiveis-fosseis\/","title":{"rendered":"A Palestina em nosso mundo centrado em combust\u00edveis f\u00f3sseis"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Adam Hanieh<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Reproduzimos o artigo abaixo de Adam Hanieh ( publicado em <a href=\"https:\/\/contrabando.xyz\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Contrabando Editorial<\/a>) por sua import\u00e2ncia na compreens\u00e3o sobre a Palestina e a luta heroica de d\u00e9cadas contra o sionismo, e o tema do controle imperialista sobre os combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A guerra genocida de Israel em Gaza gerou uma onda sem precedentes de protestos globais e de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a Palestina. Milh\u00f5es de pessoas foram \u00e0s ruas, acampamentos se espalharam por universidades mundo afora, ativistas corajosos bloquearam portos e f\u00e1bricas de armas, e h\u00e1 um reconhecimento profundo de que uma campanha global de boicote, desinvestimento e san\u00e7\u00f5es contra Israel \u00e9 necess\u00e1ria agora mais do que nunca. A for\u00e7a desses movimentos populares foi agu\u00e7ada pela enorme aten\u00e7\u00e3o trazida pelo caso da \u00c1frica do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justi\u00e7a (CIJ) \u2014 um caso que destacou n\u00e3o apenas a realidade do genoc\u00eddio israelense, mas tamb\u00e9m a intransig\u00eancia dos principais estados ocidentais em permitir as a\u00e7\u00f5es de Israel na Faixa de Gaza e al\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dessa onda global de solidariedade \u00e0 Palestina, o modo como a quest\u00e3o \u00e9 debatida e enquadrada em geral revela diversas concep\u00e7\u00f5es err\u00f4neas. Muitas vezes, a pol\u00edtica da Palestina \u00e9 vista apenas atrav\u00e9s da lente de Israel, da Cisjord\u00e2nia e de Gaza, ignorando as din\u00e2micas regionais mais amplas do Oriente M\u00e9dio e o contexto global em que o colonialismo de povoamento israelense opera. Nesse sentido, a solidariedade com a Palestina em geral \u00e9 reduzida \u00e0 quest\u00e3o das massivas viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e das cont\u00ednuas viola\u00e7\u00f5es do direito internacional por parte de Israel \u2014 os assassinatos, pris\u00f5es e desapropria\u00e7\u00f5es que os palestinos experimentam h\u00e1 quase oito d\u00e9cadas. O problema com essa abordagem focada em direitos humanos \u00e9 que ela despolitiza a luta palestina, deixando de explicar por que os estados ocidentais continuam a apoiar Israel de forma t\u00e3o inequ\u00edvoca. Quando a quest\u00e3o crucial do apoio ocidental \u00e9 levantada, muitos apontam para um \u201clobby pr\u00f3-Israel\u201d operando na Am\u00e9rica do Norte e na Europa Ocidental como respons\u00e1vel \u2014 um ponto de vista falso e cujo desdobramento pol\u00edtico \u00e9 perigoso, errando na compreens\u00e3o dos fundamentos na rela\u00e7\u00e3o entre os estados ocidentais e Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Meu objetivo com este artigo \u00e9 apresentar uma abordagem alternativa para a compreens\u00e3o da Palestina \u2014 uma pautada no papel central desempenhado pelo Oriente M\u00e9dio e regi\u00e3o mais ampla, \u00e0 vista de nosso mundo centrado em combust\u00edveis f\u00f3sseis. Meu principal argumento \u00e9 que o apoio inabal\u00e1vel dos EUA e dos principais estados europeus a Israel n\u00e3o pode ser compreendido fora desse contexto. Como col\u00f4nia de povoamento, Israel tem sido crucial para a manuten\u00e7\u00e3o dos interesses imperiais ocidentais \u2014 em particular dos EUA \u2014 no Oriente M\u00e9dio, desempenhando esse papel ao lado de outro pilar importante do controle dos EUA na regi\u00e3o: as monarquias \u00e1rabes ricas em petr\u00f3leo, a Ar\u00e1bia Saudita em particular. O r\u00e1pido desenvolvimento das rela\u00e7\u00f5es entre o Golfo, Israel e os EUA s\u00e3o essenciais para entender o momento atual, dado o enfraquecimento relativo do poder global norte-americano.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<strong>Transforma\u00e7\u00f5es p\u00f3s-guerra e o Oriente M\u00e9dio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Duas grandes mudan\u00e7as globais definiram as altera\u00e7\u00f5es na ordem mundial nos anos imediatos posteriores \u00e0 II Guerra Mundial. A primeira foi uma revolu\u00e7\u00e3o nas matrizes energ\u00e9ticas do mundo: o surgimento do petr\u00f3leo como principal combust\u00edvel f\u00f3ssil, substituindo o carv\u00e3o e outras fontes de energia nas principais economias industrializadas. Essa transi\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis ocorreu primeiro nos EUA, onde o consumo de petr\u00f3leo superou o carv\u00e3o em 1950, seguido pela Europa Ocidental e Jap\u00e3o na d\u00e9cada de 1960. Nos pa\u00edses ricos representados na Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), o petr\u00f3leo representava menos de 28% do consumo total de combust\u00edveis f\u00f3sseis em 1950; no final da d\u00e9cada de 1960, detinha participa\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria. Com sua maior densidade energ\u00e9tica, flexibilidade qu\u00edmica e transporte f\u00e1cil, o petr\u00f3leo impulsionou o capitalismo p\u00f3s-guerra em expans\u00e3o \u2014 sustentou uma variedade de novas tecnologias, ind\u00fastrias e infraestrutura. Foi o in\u00edcio do que os cientistas denominariam mais tarde a \u201cGrande Acelera\u00e7\u00e3o\u201d \u2014 uma expans\u00e3o massiva e cont\u00ednua do consumo de combust\u00edveis f\u00f3sseis que come\u00e7ou em meados do s\u00e9culo XX e que levou com inevitabilidade \u00e0 emerg\u00eancia clim\u00e1tica de hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa transi\u00e7\u00e3o global para o petr\u00f3leo estava ligada a fundo com uma segunda grande transforma\u00e7\u00e3o do p\u00f3s-guerra: a consolida\u00e7\u00e3o dos EUA como a principal pot\u00eancia econ\u00f4mica e pol\u00edtica. A ascens\u00e3o econ\u00f4mica dos EUA come\u00e7ara nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, mas foi a II Guerra Mundial que marcou a emerg\u00eancia definitiva dos EUA como a for\u00e7a mais din\u00e2mica do capitalismo global, contra quem se chocava apenas a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e seu bloco aliado. O poder americano surgiu com base na destrui\u00e7\u00e3o da Europa Ocidental durante a guerra, ao lado do enfraquecimento do dom\u00ednio colonial europeu sobre grande parte do chamado Terceiro Mundo. \u00c0 medida que a Gr\u00e3-Bretanha e a Fran\u00e7a vacilavam, os EUA assumiram a lideran\u00e7a na constru\u00e7\u00e3o da arquitetura pol\u00edtica e econ\u00f4mica do p\u00f3s-guerra, incluindo um novo sistema financeiro global baseado no d\u00f3lar americano. Em meados da d\u00e9cada de 1950, os EUA detinham uma participa\u00e7\u00e3o de 60% na produ\u00e7\u00e3o industrial mundial e pouco mais de um quarto do PIB global \u2014 al\u00e9m de 42 das 50 maiores corpora\u00e7\u00f5es industriais do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas duas transi\u00e7\u00f5es globais \u2014 a transi\u00e7\u00e3o para o petr\u00f3leo e a ascens\u00e3o do poder americano \u2014 tiveram profundas implica\u00e7\u00f5es para o Oriente M\u00e9dio. Por um lado, o Oriente M\u00e9dio desempenhou um papel decisivo na transi\u00e7\u00e3o global para o petr\u00f3leo. A regi\u00e3o tinha suprimentos abundantes do insumo, representando quase 40% das reservas comprovadas do mundo em meados da d\u00e9cada de 1950. O petr\u00f3leo do Oriente M\u00e9dio tamb\u00e9m estava pr\u00f3ximo de muitos pa\u00edses europeus, e os custos de produ\u00e7\u00e3o eram muito mais baixos que em qualquer outro lugar do mundo. Quantidades aparentemente ilimitadas de petr\u00f3leo de baixo custo do Oriente M\u00e9dio poderiam, portanto, ser fornecidas \u00e0 Europa a pre\u00e7os mais baixos que o carv\u00e3o, ao mesmo tempo em que garantiam que os mercados de petr\u00f3leo dom\u00e9sticos dos EUA permanecessem isolados dos efeitos do aumento da demanda europeia. O deslocamento da matriz de fornecimento de petr\u00f3leo destinado \u00e0 Europa para o Oriente M\u00e9dio foi um processo em alta velocidade: entre 1947 e 1960, a participa\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo da Europa que vinha da regi\u00e3o dobrou, passando de 43% para 85%. Isso n\u00e3o apenas possibilitou o surgimento de novas ind\u00fastrias (como a petroqu\u00edmica), mas tamb\u00e9m novas formas de transporte e de realiza\u00e7\u00e3o da guerra. De fato, sem o Oriente M\u00e9dio, a transi\u00e7\u00e3o para o petr\u00f3leo na Europa Ocidental talvez nunca tivesse acontecido.<\/p>\n\n\n\n<p>A maior parte das reservas de petr\u00f3leo do Oriente M\u00e9dio est\u00e1 concentrada na regi\u00e3o do Golfo, em particular na Ar\u00e1bia Saudita e nos pequenos estados \u00e1rabes da regi\u00e3o, bem como no Ir\u00e3 e no Iraque. Durante a primeira metade do s\u00e9culo XX, esses pa\u00edses foram governados por monarquias autocr\u00e1ticas apoiadas pelos brit\u00e2nicos (com a exce\u00e7\u00e3o da Ar\u00e1bia Saudita, que tinha independ\u00eancia formal do colonialismo brit\u00e2nico). A produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na regi\u00e3o era controlada por um punhado de grandes petrol\u00edferas ocidentais, que pagavam rendas e&nbsp;<em>royalties<\/em>&nbsp;aos governantes desses estados pelo direito de extrair petr\u00f3leo. Essas petrol\u00edferas possu\u00edam integra\u00e7\u00e3o vertical, o que significa que n\u00e3o apenas controlavam a extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo bruto, mas tamb\u00e9m seu refino, transporte e venda pelo mundo. O poder dessas empresas era imenso, com um controle das infraestruturas de circula\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo que lhes permitia excluir qualquer concorrente em potencial. A concentra\u00e7\u00e3o de propriedade na ind\u00fastria petrol\u00edfera superou em muito a observada em qualquer outra ind\u00fastria; de fato, no final da II Guerra Mundial, mais de 80% de todas as reservas de petr\u00f3leo do mundo fora dos EUA e da URSS eram controladas por apenas sete grandes empresas americanas e europeias \u2014 as chamadas \u201cSete Irm\u00e3s\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;Israel e a revolta anticolonial<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de seu enorme poder, \u00e0 medida que o Oriente M\u00e9dio se tornava o centro dos mercados mundiais de petr\u00f3leo nas d\u00e9cadas de 1950 e 1960, essas petrol\u00edferas enfrentaram um grande problema. Como aconteceu em outras partes do mundo, uma s\u00e9rie de movimentos nacionalistas, comunistas e de esquerda desafiaram os governantes apoiados pelo colonialismo brit\u00e2nico e franc\u00eas, amea\u00e7ando desestabilizar a delicada ordem regional. Isso foi sentido ainda mais no Egito, onde o monarca apoiado pelos brit\u00e2nicos, o rei Farouk, foi deposto em 1952 em um golpe militar liderado por um oficial militar popular, Jamal Abdel Nasser. A ascens\u00e3o de Nasser ao poder for\u00e7ou a desmobiliza\u00e7\u00e3o das tropas brit\u00e2nicas lotadas no Egito e levou o Sud\u00e3o a obter a independ\u00eancia em 1956. A soberania rec\u00e9m conquistada do Egito foi coroada com a nacionaliza\u00e7\u00e3o do Canal de Suez controlado pelos brit\u00e2nicos e franceses em 1956 \u2014 uma a\u00e7\u00e3o celebrada por milh\u00f5es de pessoas em todo o Oriente M\u00e9dio e respondida com uma invas\u00e3o fracassada do Egito pela Gr\u00e3-Bretanha, Fran\u00e7a e Israel. Enquanto Nasser tomava essas medidas, lutas anticoloniais cresciam em outras partes da regi\u00e3o, com destaque \u00e0 Arg\u00e9lia, onde uma guerra de guerrilha pela independ\u00eancia foi lan\u00e7ada contra a ocupa\u00e7\u00e3o francesa em 1954.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora isso seja muitas vezes seja negligenciado hoje, essas amea\u00e7as a uma duradoura domina\u00e7\u00e3o colonial tamb\u00e9m foram sentidas nos estados ricos em petr\u00f3leo do Golfo. Na Ar\u00e1bia Saudita e nas menores monarquias do Golfo, o apoio a Nasser era forte, e v\u00e1rios movimentos de esquerda protestaram contra a venalidade, a corrup\u00e7\u00e3o e a posi\u00e7\u00e3o pr\u00f3-Ocidente das monarquias governantes. As poss\u00edveis consequ\u00eancias disso se deram no vizinho Ir\u00e3, onde um l\u00edder nacional popular, Muhammad Mossadegh, chegou ao poder em 1951. Um dos primeiros atos de Mossadegh foi assumir a dire\u00e7\u00e3o da empresa de petr\u00f3leo controlada pelos brit\u00e2nicos, Anglo-Iranian Oil Company (atual BP), na primeira nacionaliza\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no Oriente M\u00e9dio. A nacionaliza\u00e7\u00e3o ressoou com for\u00e7a nos estados \u00e1rabes vizinhos, onde o slogan \u201cPetr\u00f3leo \u00e1rabe para os \u00e1rabes\u201d ganhou popularidade generalizada em meio ao clima anticolonial geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resposta \u00e0 nacionaliza\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo pelo Ir\u00e3, oficiais de intelig\u00eancia dos EUA e da Gr\u00e3-Bretanha orquestraram um golpe contra Mossadegh em 1953, trazendo ao poder um governo pr\u00f3-Ocidente leal ao monarca iraniano, Muhammad Reza Shah Pahlavi. O golpe marcou o in\u00edcio de uma onda contrarrevolucion\u00e1ria dirigida contra movimentos radicais e nacionalistas em toda a regi\u00e3o. A derrubada de Mossadegh tamb\u00e9m revelou uma mudan\u00e7a importante na ordem regional: embora a Gr\u00e3-Bretanha tenha desempenhado um papel importante no golpe, foram os EUA que lideraram o planejamento e a execu\u00e7\u00e3o da opera\u00e7\u00e3o. Foi a primeira vez que o governo dos EUA dep\u00f4s um governante estrangeiro em tempos de paz, e o envolvimento da CIA no golpe foi um importante precursor das interven\u00e7\u00f5es americanas posteriores, como o golpe de 1954 na Guatemala e a derrubada de Salvador Allende no Chile em 1973.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi nesse contexto que Israel emergiu como um grande basti\u00e3o dos interesses americanos na regi\u00e3o. Nos primeiros anos do s\u00e9culo XX, a Gr\u00e3-Bretanha foi a principal apoiadora da coloniza\u00e7\u00e3o sionista da Palestina, e ap\u00f3s o estabelecimento de Israel em 1948, continuou a apoiar o projeto de constru\u00e7\u00e3o do Estado sionista. Mas \u00e0 medida que os EUA substitu\u00edram a domina\u00e7\u00e3o colonial brit\u00e2nica e francesa no Oriente M\u00e9dio durante o per\u00edodo p\u00f3s-guerra, o apoio americano a Israel emergiu como a pe\u00e7a central de uma nova ordem de seguran\u00e7a regional. O ponto de inflex\u00e3o foi a guerra de 1967 entre Israel e os principais estados \u00e1rabes, que viu o ex\u00e9rcito israelense destruir as for\u00e7as a\u00e9reas do Egito e da S\u00edria e ocupar a Cisjord\u00e2nia e a Faixa de Gaza, a Pen\u00ednsula do Sinai (eg\u00edpcia) e as Colinas de Gol\u00e3 (s\u00edrias). A vit\u00f3ria de Israel destruiu os movimentos de unidade \u00e1rabe, de independ\u00eancia nacional e de resist\u00eancia anticolonial que se cristalizaram com destaque no Egito de Nasser. Tamb\u00e9m encorajou os EUA a se tornarem o principal patrono de Tel Aviv, substituindo a Gr\u00e3-Bretanha. A partir desse momento, os EUA come\u00e7aram a fornecer a Israel, todo ano, bilh\u00f5es de d\u00f3lares em equipamentos militares e apoio financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<strong>A import\u00e2ncia do colonialismo de povoamento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A guerra de 1967 mostrou que Israel era uma for\u00e7a poderosa que poderia ser usada contra quaisquer amea\u00e7as aos interesses americanos na regi\u00e3o. Mas h\u00e1 uma dimens\u00e3o crucial nisso que muitas vezes passa despercebida: o papel excepcional de apoio ao poder americano desempenhado por Israel possui rela\u00e7\u00e3o direta ao seu car\u00e1ter interno enquanto col\u00f4nia de povoamento, fundada na cont\u00ednua desapropria\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o palestina. Col\u00f4nias de povoamento precisam trabalhar refor\u00e7ando de forma cont\u00ednua as estruturas de opress\u00e3o racial, explora\u00e7\u00e3o de classes e expropria\u00e7\u00e3o e expolia\u00e7\u00e3o. Logo, s\u00e3o em particular sociedades altamente militarizadas e violentas, tendendo \u00e0 depend\u00eancia no apoio externo, garantindo seus privil\u00e9gios materiais em um ambiente regional hostil.<\/p>\n\n\n\n<p>Em tais sociedades, uma por\u00e7\u00e3o chave da popula\u00e7\u00e3o se beneficia da opress\u00e3o dos povos aut\u00f3ctones e entende seus privil\u00e9gios em termos racializados e militaristas. Por essa raz\u00e3o, as col\u00f4nias de povoamento s\u00e3o parceiros muito mais confi\u00e1veis dos interesses imperiais ocidentais do que Estados fantoches \u201cnormais\u201d.<a><\/a><a href=\"applewebdata:\/\/58A8DB42-AE8F-4901-9BBF-05F353B7BD0A#_ftn1\">[1]<\/a>&nbsp;\u00c9 por isso que o colonialismo brit\u00e2nico apoiou o sionismo como um movimento pol\u00edtico no in\u00edcio do s\u00e9culo XX \u2014 e porque os EUA abra\u00e7aram Israel ap\u00f3s 1967.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro, isso n\u00e3o significa que os EUA \u201ccontrolam\u201d Israel, ou que nunca h\u00e1 diferen\u00e7as de opini\u00e3o entre os governos dos EUA e de Israel sobre como essa rela\u00e7\u00e3o deve ser sustentada. Mas a capacidade de Israel de manter um estado permanente de guerra, ocupa\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o seria amea\u00e7ada de forma grave sem o apoio cont\u00ednuo dos EUA (material e pol\u00edtico). Israel, em troca, serve como um parceiro leal e um basti\u00e3o contra amea\u00e7as aos interesses regionais norte-americanos.<a><\/a><a href=\"applewebdata:\/\/58A8DB42-AE8F-4901-9BBF-05F353B7BD0A#_ftn2\">[2]<\/a>&nbsp;Israel tamb\u00e9m atuou em escala global no apoio a regimes repressivos sustentados pelos EUA \u2014 desde o&nbsp;<em>apartheid<\/em>&nbsp;na \u00c1frica do Sul at\u00e9 as ditaduras militares na Am\u00e9rica Latina. Alexander Haig, secret\u00e1rio de Estado dos EUA sob Richard Nixon, uma vez colocou isso de forma direta: \u201cIsrael \u00e9 o maior porta-avi\u00f5es americano no mundo que n\u00e3o pode ser afundado, n\u00e3o carrega um \u00fanico soldado americano e est\u00e1 localizado em uma regi\u00e3o cr\u00edtica para nossa seguran\u00e7a nacional.\u201d<a><\/a><a href=\"applewebdata:\/\/58A8DB42-AE8F-4901-9BBF-05F353B7BD0A#_ftn3\">[3]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A conex\u00e3o entre o car\u00e1ter interno do Estado israelense e o papel excepcional que desempenha para o poderio americano \u00e9 semelhante ao papel que o&nbsp;<em>apartheid<\/em>&nbsp;sul-africano desempenhou para os interesses ocidentais em todo o continente africano. Existem diferen\u00e7as importantes entre o&nbsp;<em>apartheid<\/em>&nbsp;sul-africano e o&nbsp;<em>apartheid<\/em>&nbsp;israelense \u2014 incluindo a participa\u00e7\u00e3o predominante das popula\u00e7\u00f5es negras da \u00c1frica do Sul na classe trabalhadora do pa\u00eds (ao contr\u00e1rio dos palestinos em Israel) \u2014 mas, como col\u00f4nias de povoamento, ambos os pa\u00edses passaram a atuar como polos organizadores centrais do poder ocidental em suas respectivas regi\u00f5es. Se examinarmos a hist\u00f3ria do apoio ocidental ao&nbsp;<em>apartheid<\/em>&nbsp;sul-africano, veremos os mesmos tipos de justificativas que vemos hoje no caso de Israel (e os mesmos tipos de tentativas de bloquear san\u00e7\u00f5es internacionais e criminalizar movimentos de protesto). Esses paralelos se estendem ao papel de indiv\u00edduos espec\u00edficos. Um exemplo pouco conhecido disso \u00e9 uma viagem feita por um jovem membro do Partido Conservador da Gr\u00e3-Bretanha \u00e0 \u00c1frica do Sul em 1989, durante a qual ele argumentou contra san\u00e7\u00f5es internacionais \u00e0 \u00c1frica do Sul e defendeu porque a Gr\u00e3-Bretanha deveria continuar a apoiar o regime do Apartheid. D\u00e9cadas depois, esse jovem conservador, David Cameron, ao ocupar o cargo de Ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Reino Unido \u2014 foi um dos principais l\u00edderes mundiais a apoiar o genoc\u00eddio de Israel em Gaza.<\/p>\n\n\n\n<p>A centralidade do Oriente M\u00e9dio para a economia global do petr\u00f3leo d\u00e1 a Israel um lugar mais pronunciado no poder imperial do que o&nbsp;<em>apartheid<\/em>&nbsp;sul-africano. Mas ambos os casos demonstram porque \u00e9 t\u00e3o importante pensar sobre como os fatores regionais e globais se cruzam com as din\u00e2micas internas de classe e ra\u00e7a das col\u00f4nias de povoamento.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<strong>A integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de Israel no Oriente M\u00e9dio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Oriente M\u00e9dio tornou-se ainda mais relevante para o poder americano ap\u00f3s a nacionaliza\u00e7\u00e3o das reservas de petr\u00f3leo cru em grande parte da regi\u00e3o (e em outros lugares) durante as d\u00e9cadas de 1970 e 1980. A nacionaliza\u00e7\u00e3o trouxe a um fim o longo controle direto do Ocidente sobre as reservas de petr\u00f3leo no Oriente M\u00e9dio (embora empresas americanas e europeias continuassem a controlar a maior parte do refino, transporte e venda global desse petr\u00f3leo). Os interesses dos EUA na regi\u00e3o, nesso contexto, giravam em torno de garantir o fornecimento est\u00e1vel de petr\u00f3leo ao mercado mundial \u2014 denominado em d\u00f3lares americanos \u2014 e garantir que o petr\u00f3leo n\u00e3o fosse usado como uma \u201carma\u201d para desestabilizar um sistema global organizado em torno dos EUA. Al\u00e9m disso, com os produtores de petr\u00f3leo do Golfo agora ganhando trilh\u00f5es atrav\u00e9s da exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo cru, os EUA tamb\u00e9m estavam preocupados em particular com a forma de circula\u00e7\u00e3o desses chamados petrod\u00f3lares pelo sistema financeiro global \u2014 uma quest\u00e3o central para a domin\u00e2ncia do d\u00f3lar americano.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao buscar esses interesses, a estrat\u00e9gia dos EUA se concentrou na sobreviv\u00eancia das monarquias do Golfo, lideradas pela Ar\u00e1bia Saudita, como principais aliados regionais. Isso ganhou ainda mais import\u00e2ncia ap\u00f3s a derrubada, em 1979, da monarquia Pahlavi do Ir\u00e3, que havia sido outro pilar dos interesses americanos no Golfo desde o golpe de 1953. O apoio dos EUA \u00e0s monarquias do Golfo manifestou-se de v\u00e1rias maneiras \u2014 incluindo a venda de enormes quantidades de equipamento militar que transformaram o Golfo no maior mercado de armas do mundo, iniciativas econ\u00f4micas que canalizaram a riqueza do petrod\u00f3lar do Golfo na dire\u00e7\u00e3o dos mercados financeiros norte-americanos, e uma presen\u00e7a militar permanente dos EUA que continua a ser a \u00faltima garantia do dom\u00ednio mon\u00e1rquico.<\/p>\n\n\n\n<p>Um momento crucial na rela\u00e7\u00e3o EUA-Golfo ocorreu com a Guerra Ir\u00e3-Iraque, que durou entre 1980 e 1988 e \u00e9 classificada como um dos conflitos mais destrutivos do s\u00e9culo XX (at\u00e9 meio milh\u00e3o de pessoas morreram). Durante essa guerra, os EUA forneceram armas, financiamento e intelig\u00eancia para ambos os lados, vendo isso como uma forma de minar o poder desses dois grandes pa\u00edses vizinhos consolidando ainda mais a seguran\u00e7a dos monarcas do Golfo.<\/p>\n\n\n\n<p>A estrat\u00e9gia dos EUA no Oriente M\u00e9dio, ent\u00e3o, passou a se basear em dois pilares principais: Israel, de um lado, e as monarquias do Golfo, do outro. Esses dois pilares permanecem o n\u00facleo do poder americano na regi\u00e3o hoje; houve, no entanto, uma mudan\u00e7a cr\u00edtica na rela\u00e7\u00e3o entre eles. A partir da d\u00e9cada de 1990 at\u00e9 hoje, o governo dos EUA buscou unir esses dois polos estrat\u00e9gicos \u2014 junto com outros estados \u00e1rabes importantes, como Jord\u00e2nia e Egito \u2014 dentro de uma \u00fanica zona que est\u00e1 ligada ao poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico dos EUA. Para que isso acontecesse com sucesso, Israel precisava ser integrado de forma mais ampla ao Oriente M\u00e9dio \u2014 atrav\u00e9s da normaliza\u00e7\u00e3o de suas rela\u00e7\u00f5es (econ\u00f4micas, pol\u00edticas, diplom\u00e1ticas) com os Estados \u00e1rabes. Mais importante ainda, isso significava eliminar os boicotes \u00e1rabes formais a Israel que existiam h\u00e1 muitas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Da perspectiva de Israel, a normaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o era apenas permitir o com\u00e9rcio e os investimentos israelenses nos Estados \u00e1rabes. Ap\u00f3s uma grande recess\u00e3o em meados da d\u00e9cada de 1980, a economia de Israel mudou de setores como constru\u00e7\u00e3o e agricultura, para uma \u00eanfase muito maior em alta tecnologia, finan\u00e7as e exporta\u00e7\u00f5es militares. Muitas das principais empresas internacionais, no entanto, relutavam fazer neg\u00f3cios com empresas israelenses (ou dentro de Israel) devido aos boicotes secund\u00e1rios impostos pelos governos \u00e1rabes.<a><\/a><a href=\"applewebdata:\/\/58A8DB42-AE8F-4901-9BBF-05F353B7BD0A#_ftn4\">[4]<\/a>&nbsp;Abolir esses boicotes era essencial para atrair grandes empresas ocidentais para Israel, permitindo que as empresas israelenses acessassem mercados externos, nos EUA e em outros lugares. A normaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, em outras palavras, era tanto sobre garantir o lugar do capitalismo israelense na economia global quanto sobre o acesso de Israel aos mercados do Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Para esse fim, os EUA (e seus aliados europeus) empregaram uma variedade de mecanismos a partir da d\u00e9cada de 1990, visando impulsionar a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de Israel ao Oriente M\u00e9dio mais geral. Um deles foi aprofundar reformas econ\u00f4micas \u2014abertura aos investimentos estrangeiros e aos fluxos comerciais que se espalharam com rapidez pela regi\u00e3o. Neste ensejo, os EUA propuseram uma s\u00e9rie de iniciativas econ\u00f4micas que buscavam ligar os mercados israelenses e \u00e1rabes entre si e, em seguida, \u00e0 economia dos EUA. Um esquema-chave envolvia as chamadas Zonas Industriais Qualificadas (ZIQs) \u2014 zonas de manufatura de baixo custo estabelecidas na Jord\u00e2nia e no Egito no final da d\u00e9cada de 1990. Os produtos fabricados nas ZIQs (t\u00eaxteis e vestu\u00e1rio em particular) tinham acesso livre de impostos aos EUA, desde que uma certa por\u00e7\u00e3o dos insumos envolvidos em sua fabrica\u00e7\u00e3o viesse de Israel. As ZIQs desempenharam um papel inicial e decisivo na unifica\u00e7\u00e3o do capital israelense, jordaniano e eg\u00edpcio em estruturas de propriedade conjunta \u2014 normalizando as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas entre dois dos estados \u00e1rabes que fazem fronteira com Israel. Em 2007, o governo dos EUA relatava que mais de 70% das exporta\u00e7\u00f5es da Jord\u00e2nia para os EUA vinham de ZIQs; para o Egito, 30% das exporta\u00e7\u00f5es para os EUA foram produzidas em ZIQs em 2008.<a><\/a><a href=\"applewebdata:\/\/58A8DB42-AE8F-4901-9BBF-05F353B7BD0A#_ftn5\">[5]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do programa ZIQ, os EUA tamb\u00e9m propuseram a iniciativa da \u00c1rea de Livre Com\u00e9rcio do Oriente M\u00e9dio, no ingl\u00eas, Middle East Free Trade Area (MEFTA), em 2003. A MEFTA visava estabelecer uma zona de livre com\u00e9rcio abrangendo toda a regi\u00e3o at\u00e9 2013. A estrat\u00e9gia dos EUA era negociar com pa\u00edses individuais \u201camigos\u201d usando um processo gradual de seis etapas que deveriam levar a um Acordo de Livre Com\u00e9rcio (ALC) pleno entre os EUA e o pa\u00eds em quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses ALCs foram projetados para que os pa\u00edses pudessem conectar seus pr\u00f3prios ALCs bilaterais com os EUA com os ALCs bilaterais de outros pa\u00edses, estabelecendo assim acordos em n\u00edvel sub-regional em todo o Oriente M\u00e9dio. Esses acordos sub-regionais poderiam ser ligados ao longo do tempo at\u00e9 que cobrissem toda a regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Importante destacar que esses ALCs tamb\u00e9m seriam usados para encorajar a integra\u00e7\u00e3o de Israel nos mercados \u00e1rabes, com cada acordo contendo uma cl\u00e1usula que comprometia o signat\u00e1rio \u00e0 normaliza\u00e7\u00e3o com Israel, proibindo qualquer boicote \u00e0s rela\u00e7\u00f5es comerciais. Embora os EUA n\u00e3o tenham conseguido atingir sua meta de 2013 de estabelecer a MEFTA, a pol\u00edtica impulsionou com sucesso uma expans\u00e3o da influ\u00eancia econ\u00f4mica dos EUA na regi\u00e3o, sustentada pela normaliza\u00e7\u00e3o entre Israel e os principais estados \u00e1rabes. Nota-se que hoje os EUA t\u00eam 14 ALCs com pa\u00edses de todo o mundo, cinco dos quais s\u00e3o com estados do Oriente M\u00e9dio (Israel, Bahrein, Marrocos, Jord\u00e2nia e Om\u00e3).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os Acordos de Oslo&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o sucesso da normaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dependia, em \u00faltima an\u00e1lise, de uma mudan\u00e7a na situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que desse um \u201csinal verde\u201d palestino \u00e0 integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de Israel ao Oriente M\u00e9dio mais amplo. Aqui, o ponto de inflex\u00e3o foram os Acordos de Oslo, firmado entre Israel e a Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (OLP) sob os ausp\u00edcios do governo dos EUA no gramado da Casa Branca em 1993. Oslo baseou-se com for\u00e7a em pr\u00e1ticas coloniais estabelecidas nas d\u00e9cadas anteriores. Desde a d\u00e9cada de 1970, Israel tentava encontrar uma for\u00e7a palestina que administrasse a Cisjord\u00e2nia e a Faixa de Gaza em seu nome \u2014 um procurador palestino para a ocupa\u00e7\u00e3o israelense que pudesse minimizar o contato di\u00e1rio entre palestinos e o ex\u00e9rcito israelense. Essas tentativas iniciais colapsaram durante a Primeira Intifada, uma grande revolta popular que come\u00e7ou (na Faixa de Gaza) em 1987. Os Acordos de Oslo puseram fim \u00e0 Primeira Intifada.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob Oslo, a OLP concordou em constituir uma nova entidade pol\u00edtica, denominada Autoridade Palestina (AP), que receberia poderes limitados sobre \u00e1reas fragmentadas da Cisjord\u00e2nia e da Faixa de Gaza. A AP tem depend\u00eancia total em financiamento externo para sua sobreviv\u00eancia \u2014 em particular empr\u00e9stimos, pacotes de ajuda e impostos de importa\u00e7\u00e3o cobrados por Israel, a serem repassados depois \u00e0 AP. Como a maioria dessas fontes de financiamento derivava, em \u00faltima an\u00e1lise, de Estados ocidentais e de Israel, foi r\u00e1pida a subordina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da AP. Al\u00e9m disso, Israel reteve controle total sobre a economia e os recursos palestinos, assim como o movimento de pessoas e mercadorias. Ap\u00f3s a divis\u00e3o territorial de Gaza e da Cisjord\u00e2nia em 2007, a AP estabeleceu sua sede em Ramallah, na Cisjord\u00e2nia. Hoje, a AP \u00e9 dirigida por Mahmoud Abbas.<a><\/a><a href=\"applewebdata:\/\/58A8DB42-AE8F-4901-9BBF-05F353B7BD0A#_ftn6\">[6]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da forma como os Acordos de Oslo e negocia\u00e7\u00f5es subsequentes s\u00e3o em geral apresentados, eles nunca foram sobre a paz e um caminho para a liberdade palestina. Durante Oslo a expans\u00e3o dos assentamentos israelenses explodiu na Cisjord\u00e2nia, o Muro do Apartheid foi constru\u00eddo e as intricadas restri\u00e7\u00f5es de movimento que hoje governam a vida palestina foram desenvolvidas. Oslo serviu para expulsar segmentos estrat\u00e9gicos da popula\u00e7\u00e3o palestina \u2014 os refugiados e os cidad\u00e3os palestinos de Israel \u2014 da arena pol\u00edtica, reduzindo a quest\u00e3o da Palestina a negocia\u00e7\u00f5es em torno de pequenos peda\u00e7os de territ\u00f3rio na Cisjord\u00e2nia e na Faixa de Gaza. Mais importante, Oslo forneceu uma b\u00ean\u00e7\u00e3o palestina \u00e0 integra\u00e7\u00e3o de Israel ao Oriente M\u00e9dio em geral, abrindo caminho para que os governos \u00e1rabes \u2014 encabe\u00e7ados pela Jord\u00e2nia e Egito \u2014 abra\u00e7assem a normaliza\u00e7\u00e3o com Israel sob o guarda-chuva dos EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi ap\u00f3s Oslo que as restri\u00e7\u00f5es de movimento, barreiras, postos de controle e zonas fechadas militares que agora cercam Gaza surgiram. Nesse sentido, a pris\u00e3o a c\u00e9u aberto que \u00e9 Gaza hoje \u00e9 um produto do processo de Oslo: um fio direto conecta as negocia\u00e7\u00f5es de Oslo ao genoc\u00eddio que estamos testemunhando. \u00c9 crucial lembrar disso \u00e0 luz das discuss\u00f5es em andamento sobre poss\u00edveis cen\u00e1rios p\u00f3s-guerra. A estrat\u00e9gia israelense sempre envolveu o uso peri\u00f3dico de viol\u00eancia extrema, combinado a promessas falsas de negocia\u00e7\u00f5es, com apoio internacional. Essas duas ferramentas fazem parte do mesmo processo, refor\u00e7ando a cont\u00ednua fragmenta\u00e7\u00e3o e desapropria\u00e7\u00e3o do povo palestino. Qualquer negocia\u00e7\u00e3o p\u00f3s-guerra liderada pelos EUA com certeza ver\u00e1 tentativas semelhantes de garantir a continua\u00e7\u00e3o da domina\u00e7\u00e3o israelense sobre as vidas e terras palestinas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pensando no futuro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A centralidade estrat\u00e9gica do Oriente M\u00e9dio, rico em petr\u00f3leo, no poder global americano explica porque Israel \u00e9 agora o maior destinat\u00e1rio cumulativo de ajuda externa dos EUA no mundo, embora seja classificado como a 13\u00aa economia mais rica do mundo em PIB&nbsp;<em>per capita<\/em>&nbsp;(mais alto que o Reino Unido, Alemanha ou Jap\u00e3o). Tamb\u00e9m explica o apoio bipartid\u00e1rio a Israel entre as elites pol\u00edticas dos EUA (e do Reino Unido). De fato, em 2021 \u2014 sob a presid\u00eancia de Trump e antes da guerra atual \u2014 Israel recebeu mais financiamento militar externo dos EUA do que todos os outros pa\u00edses do mundo combinados. E, crucialmente, como mostra o \u00faltimo ano, o apoio americano vai muito al\u00e9m do apoio financeiro e material, com os EUA atuando como o \u00faltimo respaldo na defesa pol\u00edtica de Israel na arena global.<a><\/a><a href=\"applewebdata:\/\/58A8DB42-AE8F-4901-9BBF-05F353B7BD0A#_ftn7\">[7]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Essa alian\u00e7a americana com Israel, como vimos, n\u00e3o \u00e9 incidental \u00e0 espolia\u00e7\u00e3o do povo palestino, mas na verdade se fundamenta nela. \u00c9 seu car\u00e1ter de col\u00f4nia de povoamento que deu a Israel um papel t\u00e3o desproporcional no fortalecimento do poder dos EUA em toda a regi\u00e3o. \u00c9 por isso que a luta palestina \u00e9 um elemento t\u00e3o importante para impulsionar mudan\u00e7as pol\u00edticas em todo o Oriente M\u00e9dio \u2014 uma regi\u00e3o que agora \u00e9 a \u00e1rea de maior polariza\u00e7\u00e3o social, desigualdade econ\u00f4mica e conflitos b\u00e9licos no mundo. Tamb\u00e9m \u00e9 por isso que a luta pela Palestina est\u00e1 ligada de forma intima aos sucessos (e fracassos) de outras lutas sociais progressistas na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O eixo central dessas din\u00e2micas inter-regionais continua a ser a conex\u00e3o entre Israel e os estados do Golfo. Nas duas d\u00e9cadas que se seguiram aos Acordos de Oslo, a estrat\u00e9gia dos EUA no Oriente M\u00e9dio continuou a enfatizar a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica de Israel com os estados do Golfo. Um grande passo \u00e0 frente nesse processo ocorreu com os Acordos de Abra\u00e3o de 2020, que viram os Emirados \u00c1rabes Unidos e o Bahrein concordarem em normalizar as rela\u00e7\u00f5es com Israel. Os Acordos de Abra\u00e3o abriram caminho para uma ALC entre os Emirados e Israel, assinada em 2022, a primeiro ALC de Israel com um Estado \u00e1rabe. O com\u00e9rcio entre Israel e os EAU superou US$ 2,5 bilh\u00f5es em 2022, ante apenas US$ 150 milh\u00f5es em 2020. Sud\u00e3o e Marrocos tamb\u00e9m desenvolveram acordos semelhantes com Israel, impulsionados por relevantes incentivos americanos.<a><\/a><a href=\"applewebdata:\/\/58A8DB42-AE8F-4901-9BBF-05F353B7BD0A#_ftn8\">[8]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Com os Acordos de Abra\u00e3o, cinco pa\u00edses \u00e1rabes agora t\u00eam rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas formais com Israel. Esses pa\u00edses abrangem cerca de 40% da popula\u00e7\u00e3o de todo o mundo \u00e1rabe e incluem algumas das principais pot\u00eancias pol\u00edticas e econ\u00f4micas da regi\u00e3o. Mas uma quest\u00e3o crucial ainda permanece: quando a Ar\u00e1bia Saudita se juntar\u00e1 a esse clube? Embora seja imposs\u00edvel que os Emirados e o Bahrein pudessem ter concordado com os Acordos de Abra\u00e3o sem o consentimento da Ar\u00e1bia Saudita, o Reino Saudita at\u00e9 agora n\u00e3o normalizou formalmente os la\u00e7os com Israel \u2014 apesar de uma infinidade de reuni\u00f5es e conex\u00f5es informais entre os dois estados nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio ao genoc\u00eddio atual, um acordo de normaliza\u00e7\u00e3o entre a Ar\u00e1bia Saudita e Israel \u00e9 sem d\u00favida o principal objetivo do planejamento dos EUA para o momento p\u00f3s-guerra. \u00c9 muito prov\u00e1vel que o governo saudita concorde com tal resultado \u2014 e at\u00e9 j\u00e1 tenha indicado isso ao governo Biden \u2014 desde que receba algum tipo de sinal verde da AP em Ramallah (talvez relacionado ao reconhecimento internacional de um pseudoestado palestino em partes da Cisjord\u00e2nia). Existem, \u00e9 claro, obst\u00e1culos significativos para esse cen\u00e1rio, incluindo a recusa cont\u00ednua dos palestinos em Gaza em se renderem e a quest\u00e3o de como Gaza ser\u00e1 administrada ap\u00f3s o fim da guerra. Mas o plano atual dos EUA de uma for\u00e7a multinacional \u00e1rabe assumindo o controle da Faixa, liderada por alguns dos principais estados normalizadores \u2014 Emirados, Egito e Marrocos \u2014 conectado, ao que tudo indica, \u00e0 normaliza\u00e7\u00e3o entre Ar\u00e1bia Saudita e Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Unir os estados do Golfo e Israel \u00e9 cada vez mais relevante para os interesses dos EUA na regi\u00e3o, dadas as rivalidades acentuadas e tens\u00f5es geopol\u00edticas emergentes em n\u00edvel global, em particular com a China. Embora n\u00e3o exista outra \u201cgrande pot\u00eancia\u201d que esteja prestes a substituir a domin\u00e2ncia americana no Oriente M\u00e9dio, houve um decl\u00ednio relativo na influ\u00eancia pol\u00edtica, econ\u00f4mica e militar dos EUA na regi\u00e3o nos \u00faltimos anos. Uma indica\u00e7\u00e3o disso s\u00e3o as crescentes interdepend\u00eancias entre os estados do Golfo e a China\/\u00c1sia Oriental, que agora v\u00e3o muito al\u00e9m da exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo bruto do Oriente M\u00e9dio. Nesse contexto \u2014 e dado o papel duradouro desempenhado por Israel para o poder americano \u2014 qualquer processo de normaliza\u00e7\u00e3o conduzido pelos EUA ajudaria a reafirmar a primazia americana na regi\u00e3o, servindo em potencial como uma alavanca relevante contra a influ\u00eancia chinesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das discuss\u00f5es em andamento sobre cen\u00e1rios p\u00f3s-guerra, os \u00faltimos 76 anos demonstraram repetidas vezes que as tentativas de apagar de forma permanente a resist\u00eancia e a perseveran\u00e7a palestina falhar\u00e3o. A Palestina agora se encontra na vanguarda de um despertar pol\u00edtico global que supera qualquer coisa vista desde a d\u00e9cada de 1960.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante dessa maior conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a condi\u00e7\u00e3o palestina, nossa an\u00e1lise deve ir al\u00e9m da oposi\u00e7\u00e3o imediata \u00e0 brutalidade de Israel na Faixa de Gaza. A luta pela liberta\u00e7\u00e3o palestina est\u00e1 no centro de qualquer desafio eficaz aos interesses imperiais no Oriente M\u00e9dio, e nossos movimentos precisam de uma melhor compreens\u00e3o dessas din\u00e2micas regionais mais amplas \u2014 em particular o papel crucial das monarquias do Golfo. Tamb\u00e9m precisamos de uma compreens\u00e3o mais profunda de como o Oriente M\u00e9dio se encaixa na hist\u00f3ria do capitalismo f\u00f3ssil e nas lutas contempor\u00e2neas por justi\u00e7a clim\u00e1tica. A quest\u00e3o da Palestina n\u00e3o pode ser separada dessas realidades. Nesse sentido, a extraordin\u00e1ria batalha pela sobreviv\u00eancia travada pelos palestinos hoje na Faixa de Gaza representa a linha de frente da luta pelo futuro do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>* Traduzido do ingl\u00eas do site&nbsp;<a href=\"https:\/\/mondoweiss.net\/2024\/06\/why-the-fight-for-palestine-is-the-fight-against-u-s-imperialism-in-the-region\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mondoweiss<\/a>&nbsp;por Mateus Forli<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Adam Hanieh<\/strong>&nbsp;\u00e9 Professor de Economia Pol\u00edtica e Desenvolvimento Global no Instituto de Estudos \u00c1rabes e Isl\u00e2micos, da Universidade de Exeter. Seu livro mais recente,&nbsp;<em>Crude Capitalism: Oil, Corporate Power, and the Making of the World Market<\/em>, ser\u00e1 lan\u00e7ado pela Verso Books em setembro de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a href=\"applewebdata:\/\/58A8DB42-AE8F-4901-9BBF-05F353B7BD0A#_ftnref1\">[1]<\/a>&nbsp;Para uma elabora\u00e7\u00e3o e documenta\u00e7\u00e3o mais aprofundadas dos pontos abordados nesta se\u00e7\u00e3o, consulte meu pr\u00f3ximo livro,&nbsp;<em>Crude Capitalism: Oil, Corporate Power, and the Making of the World Market<\/em>&nbsp;(Verso Books, 2024).<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a href=\"applewebdata:\/\/58A8DB42-AE8F-4901-9BBF-05F353B7BD0A#_ftnref2\">[2]<\/a>&nbsp;Os regimes fantoches \u00e1rabes \u2014 como os atuais Egito, Jord\u00e2nia e Marrocos \u2014 enfrentam repetidas amea\u00e7as de movimentos pol\u00edticos dentro de suas pr\u00f3prias fronteiras e s\u00e3o sempre for\u00e7ados a acomodar-se e responder a press\u00f5es vindas de baixo.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a href=\"applewebdata:\/\/58A8DB42-AE8F-4901-9BBF-05F353B7BD0A#_ftnref3\">[3]<\/a>&nbsp;A curiosa fonte para essa cita\u00e7\u00e3o aparece em um artigo escrito pelo ex-embaixador israelense nos EUA, Michael Oren, intitulado \u201cThe Ultimate Ally\u201d (O Aliado Supremo).<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a href=\"applewebdata:\/\/58A8DB42-AE8F-4901-9BBF-05F353B7BD0A#_ftnref4\">[4]<\/a>&nbsp;Boicotes secund\u00e1rios significavam que uma empresa com investimentos em Israel, como a Microsoft, enfrenta exclus\u00e3o dos mercados \u00e1rabes.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a href=\"applewebdata:\/\/58A8DB42-AE8F-4901-9BBF-05F353B7BD0A#_ftnref5\">[5]<\/a>&nbsp;Discuss\u00f5es adicionais sobre as Zonas Industriais Qualificadas (ZIQs), a \u00c1rea de Livre Com\u00e9rcio do Oriente M\u00e9dio (MEFTA) e a economia pol\u00edtica da normaliza\u00e7\u00e3o de Israel podem ser encontradas em&nbsp;<em>Adam Hanieh, Lineages of Revolt: Issues of Contemporary Capitalism in the Middle East<\/em>&nbsp;(Haymarket Books, 2013), especialmente nas p\u00e1ginas 36\u201338.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a href=\"applewebdata:\/\/58A8DB42-AE8F-4901-9BBF-05F353B7BD0A#_ftnref6\">[6]<\/a>&nbsp;Em 2006, as elei\u00e7\u00f5es para o Conselho Legislativo Palestino foram vencidas de forma convincente pelo Hamas, que conquistou 74 das 132 cadeiras em disputa. Um governo de unidade nacional foi formado primeiro entre Hamas e Fatah, o partido palestino governante que controla a Autoridade Palestina (AP). No entanto, esse governo foi dissolvido pelo Fatah ap\u00f3s o Hamas tomar o controle da Faixa de Gaza em 2007. Desde ent\u00e3o, autoridades separadas existem em Gaza e na Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a href=\"applewebdata:\/\/58A8DB42-AE8F-4901-9BBF-05F353B7BD0A#_ftnref7\">[7]<\/a>&nbsp;Existem tamb\u00e9m muitos outros tipos de apoio al\u00e9m da ajuda militar e financeira direta \u2014 por exemplo, os EUA fornecem bilh\u00f5es de d\u00f3lares em garantias de empr\u00e9stimos a Israel, o que permite a Israel tomar empr\u00e9stimos a custos mais baixos no mercado mundial. Israel \u00e9 um dos seis pa\u00edses no mundo a receber essas garantias na \u00faltima d\u00e9cada (Ucr\u00e2nia, Iraque, Jord\u00e2nia, Tun\u00edsia e Egito s\u00e3o os outros).<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a href=\"applewebdata:\/\/58A8DB42-AE8F-4901-9BBF-05F353B7BD0A#_ftnref8\">[8]<\/a>&nbsp;No caso do Sud\u00e3o, os EUA concordaram em fornecer um empr\u00e9stimo de US$ 1,2 bilh\u00e3o e remover o pa\u00eds de sua lista de patrocinadores estatais do terrorismo (embora o acordo de normaliza\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o tenha sido ratificado). No caso do Marrocos, os EUA reconheceram a soberania marroquina sobre o Saara Ocidental em troca da normaliza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds com Israel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Adam Hanieh Reproduzimos o artigo abaixo de Adam Hanieh ( publicado em Contrabando Editorial) por sua import\u00e2ncia na compreens\u00e3o sobre a Palestina e a luta heroica de d\u00e9cadas contra o sionismo, e o tema do controle imperialista sobre os combust\u00edveis f\u00f3sseis. &nbsp;A guerra genocida de Israel em Gaza gerou uma onda sem precedentes de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":79967,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8068,228],"tags":[9001,205,668],"class_list":["post-79966","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especial-palestina","category-palestina","tag-adam-hanieh","tag-palestina-2","tag-petroleo"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/160524_Gaza_OSH_0075-1536x998-1.jpg","categories_names":["Especial Palestina","Palestina"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79966","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79966"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79966\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":79968,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79966\/revisions\/79968"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79967"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79966"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79966"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79966"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}