{"id":79929,"date":"2024-11-08T02:33:19","date_gmt":"2024-11-08T02:33:19","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=79929"},"modified":"2024-11-08T02:33:38","modified_gmt":"2024-11-08T02:33:38","slug":"para-onde-vai-a-revolucao-em-bangladesh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/11\/08\/para-onde-vai-a-revolucao-em-bangladesh\/","title":{"rendered":"Para onde vai a revolu\u00e7\u00e3o Em Bangladesh?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Logo ap\u00f3s a queda do regime de Sheikh Hasina, o ex\u00e9rcito come\u00e7ou a libertar prisioneiros das pris\u00f5es de Bangladesh. Muitos dos libertados eram reacion\u00e1rios de direita. Em poucos dias, a proibi\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica reacion\u00e1ria Jamaat I Islami foi suspensa e muitos l\u00edderes burgueses de direita do BNP- Partido Nacionalista de Bangladesh, anteriormente criminosos, foram libertados e reabilitados. Foi um esfor\u00e7o deliberado do ex\u00e9rcito.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por:  Adhiraj \u2013 New Wave<\/p>\n\n\n\n<p>Com o desaparecimento da Liga Awami, a burguesia de Bangladesh se apressou em restaurar a ordem e criar uma nova ordem que possa servir melhor aos seus interesses materiais. O movimento revolucion\u00e1rio que derrubou o regime de Sheikh Hasina pode se tornar outra coisa que pode levar \u00e0 sua pr\u00f3pria expropria\u00e7\u00e3o. Parar isso \u00e9 o principal objetivo de todos os atores envolvidos agora, o ex\u00e9rcito, o Jamaat, a oposi\u00e7\u00e3o burguesa BNP e at\u00e9 mesmo as pot\u00eancias estrangeiras da \u00cdndia, China e EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>Restaurar as for\u00e7as da rea\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica \u00e9 a melhor maneira de pacificar e interromper as conquistas revolucion\u00e1rias em Bangladesh, pois ataca a unidade da juventude e da classe trabalhadora e apresenta uma alternativa burguesa com a qual a classe capitalista opressora de Bangladesh e o imperialismo mundial podem trabalhar. A lideran\u00e7a do governo interino de Mohammed Yunus est\u00e1 totalmente de acordo com essa conspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora as condi\u00e7\u00f5es est\u00e3o reunidas para a pr\u00f3xima fase da luta revolucion\u00e1ria em Bangladesh.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de Bangladesh:<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Bangladesh, como a maioria das economias semicoloniais, est\u00e1 preso em um clima econ\u00f4mico adverso. Na maioria dos casos, as economias semicoloniais operam em torno de certos setores que t\u00eam uma influ\u00eancia desmesurada na economia, sejam eles ind\u00fastrias extrativas, ind\u00fastrias agr\u00edcolas ou manufatura intensiva em m\u00e3o-de-obra, como t\u00eaxteis.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso de Bangladesh, n\u00e3o seria exagero dizer que funciona gra\u00e7as \u00e0 sua ind\u00fastria t\u00eaxtil. A ind\u00fastria t\u00eaxtil \u00e9 respons\u00e1vel pela maior parte das receitas de exporta\u00e7\u00e3o de Bangladesh, bem como por uma parcela significativa do emprego direto e indireto. Al\u00e9m dos t\u00eaxteis, a economia de Bangladesh depende das exporta\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas, especialmente arroz e pescado, e da exporta\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra imigrante. As remessas de m\u00e3o de obra s\u00e3o outra importante fonte de renda para a economia empobrecida.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o reinado de quinze anos de Sheikh Hasina, Bangladesh se tornou a oficina t\u00eaxtil do mundo. Foi administrado como uma ditadura sob a m\u00e1scara de uma democracia parlamentar. O governo f\u00e9rreo de Sheikha Hasina foi feito sob medida para servir aos interesses dos chefes das f\u00e1bricas de roupas e para as grandes marcas internacionais de fast fashion manterem seus lucros. A pol\u00edcia e os paramilitares estavam l\u00e1 para garantir o dom\u00ednio da Liga Awami e manter os trabalhadores em estado de terror.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a maior parte dos quinze anos, a economia de Bangladesh cresceu rapidamente, a maioria dos pensadores capitalistas elogiou o crescimento econ\u00f4mico de Bangladesh. No entanto, o car\u00e1ter da economia n\u00e3o mudou, permaneceu presa na economia da m\u00e3o de obra barata, seja fornecendo m\u00e3o de obra barata para f\u00e1bricas t\u00eaxteis ou fornecendo m\u00e3o de obra migrante para os Estados do Golfo, \u00cdndia e Sudeste Asi\u00e1tico. Enquanto isso, as elites organizadas na Liga Awami continuaram a enriquecer \u00e0s custas das massas.<\/p>\n\n\n\n<p>Este sistema continuava sendo rent\u00e1vel, mas vulner\u00e1vel. Uma vez que a pandemia da COVID atingiu a economia global como um turbilh\u00e3o, causou estragos em economias perif\u00e9ricas como Bangladesh e Sri Lanka. A burguesia de Bangladesh perdeu o acesso aos seus mercados \u00e0 medida que as remessas dos pa\u00edses do Golfo come\u00e7aram a secar, os pedidos de fast fashion de marcas ocidentais come\u00e7aram a ser cancelados e a infla\u00e7\u00e3o disparou. A economia de Bangladesh j\u00e1 estava ruim, mas piorou quando a guerra russo-ucraniana come\u00e7ou. De repente, o trigo ficou mais caro, assim como o petr\u00f3leo. Ambos os fatores aumentaram a press\u00e3o inflacion\u00e1ria e prejudicaram ainda mais a economia de Bangladesh.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise econ\u00f4mica em Bangladesh atingiu os jovens de forma particularmente dura, pois suas perspectivas estavam esgotadas. A situa\u00e7\u00e3o era duplamente dif\u00edcil para os jovens instru\u00eddos encontrarem trabalho bem remunerado, pois as melhores perspectivas estavam fora do pa\u00eds e n\u00e3o em Bangladesh e sua economia de oficinas clandestinas.&nbsp; Embora ainda n\u00e3o tivesse atingido o ponto de ruptura como o Sri Lanka, estava indo nessa dire\u00e7\u00e3o. O crescente descontentamento da juventude e da classe trabalhadora foi canalizado para o levante estudantil que acabou derrubando o governo da Liga Awami e for\u00e7ou Sheikh Hasina a fugir do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo governo que foi instalado desde ent\u00e3o nada mais \u00e9 do que um governo interino, n\u00e3o um governo eleito. Seu mandato emana inteiramente da legitimidade que lhe foi concedida pelos protestos que derrubaram Sheikh Hasina. O economista ganhador do Pr\u00eamio Nobel Mohammed Yunus foi o candidato escolhido por estudantes e jovens, pois n\u00e3o estava ligado ao regime anterior e era pelo menos visto como alheio \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica burguesa dominante. Mohammed Yunus tamb\u00e9m n\u00e3o tem a mancha associada ao ex\u00e9rcito que governou Bangladesh por um longo per\u00edodo de 1976 a 1991.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dois meses em que est\u00e1 no poder, h\u00e1 poucos ind\u00edcios de que Yunus corresponder\u00e1 \u00e0s altas expectativas que foram depositadas nele. As perspectivas econ\u00f4micas de Bangladesh s\u00f3 pioraram, o desemprego juvenil continua alto e aumentando, os trabalhadores do setor de confec\u00e7\u00e3o continuam n\u00e3o remunerados e explorados como antes da derrubada do regime de Hasina e a situa\u00e7\u00e3o da d\u00edvida de Bangladesh n\u00e3o apenas n\u00e3o melhorou, mas parece estar piorando ativamente.<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00edvida externa de Bangladesh est\u00e1 crescendo: at\u00e9 agora, este ano, o pa\u00eds pagou US$ 3,3 bilh\u00f5es em servi\u00e7o da d\u00edvida externa. Os problemas de reembolso est\u00e3o aumentando, especialmente diante do colapso das exporta\u00e7\u00f5es. A recente decis\u00e3o do novo governo de proibir as exporta\u00e7\u00f5es de hilsa(pescado) para conter a infla\u00e7\u00e3o saiu pela culatra. Diante de crescentes problemas de servi\u00e7o da d\u00edvida, eles foram for\u00e7ados a reabrir as exporta\u00e7\u00f5es, para grande desgosto dos ultranacionalistas de Bangladesh que comemoraram a proibi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Somente \u00e0s empresas indianas de gera\u00e7\u00e3o de energia devem cerca de US $ 1 bilh\u00e3o, e bilh\u00f5es a mais para institui\u00e7\u00f5es financeiras como o Banco Asi\u00e1tico de Desenvolvimento e o FMI. A China \u00e9 o terceiro credor individual, seguida de perto pela \u00cdndia. Com as exporta\u00e7\u00f5es e remessas ainda vacilantes, o pagamento da d\u00edvida est\u00e1 se tornando cada vez mais insustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores do setor de confec\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o melhorou. Pouco depois da deposi\u00e7\u00e3o de Sheikh Hasina, houve dois grandes protestos que sacudiram o pa\u00eds. O primeiro foi a greve dos Ansars, volunt\u00e1rios c\u00edvicos que trabalham no setor rural. O segundo foi o dos trabalhadores do setor de confec\u00e7\u00e3o no centro industrial de Ashulia.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes dos estudantes come\u00e7arem sua luta, foram os trabalhadores da confec\u00e7\u00e3o que haviam se declarado em greve contra o regime. Foram eles os primeiros a se mobilizar ap\u00f3s o colapso do Rana Plaza em 2011. Os trabalhadores do setor de confec\u00e7\u00e3o apoiaram entusiasticamente o levante da juventude. No entanto, hoje eles continuam no limbo. As f\u00e1bricas est\u00e3o fechadas, as taxas continuam n\u00e3o pagas e os trabalhadores passam fome. A dupla press\u00e3o do desemprego e do aumento da infla\u00e7\u00e3o corroem as economias de milh\u00f5es de pessoas que dependem dessa ind\u00fastria, a mais importante de Bangladesh.<\/p>\n\n\n\n<p>Desnecess\u00e1rio dizer que Yunus e o governo interino s\u00e3o t\u00e3o incapazes de resolver o problema dos trabalhadores da confec\u00e7\u00e3o quanto do desemprego.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Crise pol\u00edtica:<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A autocracia da Liga Awami reestruturou o Estado de Bangladesh para que a burguesia se tornasse dependente deles. Em ess\u00eancia, a estrutura pol\u00edtica da Liga Awami tornou-se uma parte insepar\u00e1vel do estado capitalista de Bangladesh, garantindo a maioria das institui\u00e7\u00f5es sob seu controle e agrupando em si mesma uma grande parte da classe capitalista de Bangladesh. Sua queda n\u00e3o se deveu \u00e0 luta com outros elementos da burguesia, mas \u00e0 interven\u00e7\u00e3o das massas na pol\u00edtica. A Liga Awami nunca pode ser eliminada atrav\u00e9s do funcionamento normal da democracia burguesa, porque se asseguraram de que n\u00e3o pudesse haver nenhuma democracia que funcionasse normalmente em Bangladesh.<\/p>\n\n\n\n<p>Como tal, a queda do regime da Liga Awami criou um v\u00e1cuo pol\u00edtico inesperado, que mergulhou a burguesia em um estado de confus\u00e3o. O ex\u00e9rcito era a \u00fanica institui\u00e7\u00e3o sobre a qual a Liga Awami nunca pode exercer controle total e podia agir de forma independente, na aus\u00eancia da Liga Awami no poder.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dias dos protestos que precederam a longa marcha de Daca, o poder em Bangladesh estava nas ruas, nas m\u00e3os das massas de jovens, estudantes e trabalhadores. A burguesia teve que manobrar para que n\u00e3o acontecesse uma revolu\u00e7\u00e3o. A \u00fanica op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ent\u00e3o dispon\u00edvel seria ressuscitar o BNP e os partidos isl\u00e2micos reacion\u00e1rios. Em um dos primeiros atos ap\u00f3s derrubar Sheikh Hasina, os militares instalaram um governo provis\u00f3rio e procederam \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o dos isl\u00e2micos que haviam sido presos pelo regime da Liga Awami. Os partidos pol\u00edticos isl\u00e2micos como o Jamaat i Islami viram sua proibi\u00e7\u00e3o suspensa e o BNP, cujos l\u00edderes haviam sido presos, voltou \u00e0 vida pol\u00edtica ativa. Ambos os partidos eram tristemente c\u00e9lebres por sua corrup\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia de gangues, e estavam desacreditados. Para a Liga Awami n\u00e3o foi muito dif\u00edcil perseguir ambos, j\u00e1 que nenhum deles tinha muita credibilidade aos olhos do povo.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, com a expuls\u00e3o da Liga Awami, n\u00e3o restava outra alternativa burguesa. A c\u00fapula do ex\u00e9rcito vem de uma nova gera\u00e7\u00e3o de oficiais que subiram na hierarquia ap\u00f3s o motim dos Rifles de Bangladesh, que destruiu o corpo de oficiais do antigo ex\u00e9rcito de Bangladesh. A nova c\u00fapula tinha pouco relacionamento com a velha gera\u00e7\u00e3o e pouca compreens\u00e3o pol\u00edtica desta. A nova lideran\u00e7a n\u00e3o tinha nem a ambi\u00e7\u00e3o nem a capacidade de ser a organiza\u00e7\u00e3o representativa da burguesia de Bangladesh. No entanto, ressuscitar os partidos burgueses desacreditados parecia quase imposs\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>A solu\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de um governo provis\u00f3rio que crie as condi\u00e7\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es. A lideran\u00e7a deste novo governo interino caiu nas m\u00e3os de Mohammed Yunus, uma figura em quem a burguesia de Bangladesh pode confiar e um correligion\u00e1rio. Yunus tinha seu pr\u00f3prio projeto pol\u00edtico que falhou completamente. O famoso banco grameen, que \u00e9 o preferido da imprensa burguesa, apenas aumentou o fardo da d\u00edvida das massas de pobres de Bangladesh, enquanto mal melhorava suas vidas. No entanto, a mitifica\u00e7\u00e3o do impacto do banco Grameen n\u00e3o cessou, nem mesmo quando vieram \u00e0 tona casos de coer\u00e7\u00e3o para for\u00e7ar o pagamento de d\u00edvidas e suic\u00eddios de devedores.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, Mohammed Yunus era algu\u00e9m que tinha a aura de um ganhador do Nobel e estava desconectado dos partidos corruptos de Bangladesh. Era algu\u00e9m que poderia se projetar como um \u00e1rbitro neutro, para representar o governo provis\u00f3rio. Yunus n\u00e3o \u00e9 conhecido por sua perspic\u00e1cia pol\u00edtica nem tem muita experi\u00eancia. \u00c9 natural que tenha se concentrado na influ\u00eancia e no conselho das alternativas burguesas existentes para estabilizar o dom\u00ednio de classe da burguesia. At\u00e9 agora, um pilar chave de influ\u00eancia tem sido o Jamaat i Islami, que busca recuperar sua posi\u00e7\u00e3o como &#8220;fazedor de reis&#8221; da pol\u00edtica de Bangladesh, em alian\u00e7a com o BNP.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dois meses transcorridos desde a derrubada do regime de Sheikh Hasina, houve uma onda de ataques contra os hindus. Embora nem todos os ataques tenham sido motivados pela comunidade, muitos deles foram. Foi a sequela imediata da restaura\u00e7\u00e3o dos reacion\u00e1rios isl\u00e2micos. Os ataques serviram a dois prop\u00f3sitos, criaram as condi\u00e7\u00f5es para semear divis\u00f5es comunais na sociedade de Bangladesh e forneceram uma distra\u00e7\u00e3o para as massas afastarem sua raiva da burguesia e mantiveram a minoria hindu em estado de terror. Ambos serviram para atacar a solidariedade do povo, que foi fundamental para organizar as mobiliza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias contra Sheikh Hasina.<\/p>\n\n\n\n<p>Os ataques aos hindus inadvertidamente ajudaram a m\u00eddia indiana a legitimar Sheik Hasina e a Liga Awami aos olhos dos indianos, contribuindo assim para isolar o movimento revolucion\u00e1rio de Bangladesh da \u00cdndia. Isso teve o efeito adicional de ajudar as for\u00e7as Hindutva a atacar os mu\u00e7ulmanos sob o pretexto de vingan\u00e7a pelos ataques aos hindus. Os reacion\u00e1rios de ambos os lados se fortaleceram como resultado disso, e garantiram os interesses da burguesia.<\/p>\n\n\n\n<p>A longo prazo, tanto a burguesia indiana quanto a de Bangladesh querem a retomada do status quo. Isso vai contra a vontade das massas de Bangladesh, que se op\u00f5em a quaisquer concess\u00f5es ao capital indiano \u00e0 custa do interesse nacional. A tentativa de Bangladesh de usar as exporta\u00e7\u00f5es de hilsa para tentar igualar suas rela\u00e7\u00f5es com a \u00cdndia, e seu fracasso final, \u00e9 apenas um pequeno exemplo da incapacidade da burguesia de Bangladesh de fornecer qualquer soberania econ\u00f4mica, mesmo sob a lideran\u00e7a do ganhador do Pr\u00eamio Nobel Mohd. Yunus.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, \u00e9 bastante improv\u00e1vel que Bangladesh possa realmente sair do sistema que os Awami criaram durante os \u00faltimos 15 anos de seu governo. O poder econ\u00f4mico e a influ\u00eancia da \u00cdndia s\u00f3 cresceram, assim como a penetra\u00e7\u00e3o do capital imperialista em Bangladesh. O melhor que a burguesia de Bangladesh pode oferecer \u00e9 a escolha entre um senhor imperial ou outro, e com Bangladesh praticamente cercado por tr\u00eas lados pela \u00cdndia, sua m\u00e3o \u00e9 mais forte entre todas as pot\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>O ex\u00e9rcito e o governo interino est\u00e3o conscientemente restaurando o status quo que existia antes de 2006, quando um governo liderado pelo BNP governava Bangladesh. O dom\u00ednio da burguesia continuar\u00e1, mas de uma forma ligeiramente alterada, a classe oper\u00e1ria de Bangladesh continuar\u00e1 a ser cruelmente explorada, Bangladesh continuar\u00e1 sob o dom\u00ednio do capital imperialista e, nos neg\u00f3cios, as minorias n\u00e3o mu\u00e7ulmanas que t\u00eam sido objeto de discrimina\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica continuar\u00e3o a ser marginalizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os vencedores de tal status quo seriam a \u00cdndia e o capital imperialista, que se beneficia de manter Bangladesh como uma oficina de explora\u00e7\u00e3o do mundo. Para garanti-lo, est\u00e3o prontos a sacrificar o povo de Bangladesh, especialmente as minorias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Crise econ\u00f4mica:<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Diz-se que a revolu\u00e7\u00e3o e suas consequ\u00eancias causaram perdas de US $ 400 milh\u00f5es ao setor de confec\u00e7\u00e3o de Bangladesh. Algumas empresas foram para a \u00cdndia, que registrou um aumento de dois d\u00edgitos nas exporta\u00e7\u00f5es desse setor. A grande m\u00eddia, e especialmente a m\u00eddia indiana, pintou a revolu\u00e7\u00e3o como uma profunda conspira\u00e7\u00e3o contra os interesses indianos, sem levar em conta o que o povo de Bangladesh realmente pensava da Liga Awami e de Sheikh Hasina, a quem a \u00cdndia apoiou at\u00e9 o \u00e2mago.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato \u00e9 que os problemas econ\u00f4micos que a burguesia est\u00e1 testemunhando hoje, n\u00e3o come\u00e7aram com a mobiliza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, mas anos antes com a pandemia da COVID. A pandemia prejudicou muito a ind\u00fastria de confec\u00e7\u00e3o de Bangladesh, com pedidos cancelados pelos principais importadores da Europa e dos EUA. A recess\u00e3o econ\u00f4mica nesses pa\u00edses prejudicou ainda mais as exporta\u00e7\u00f5es de Bangladesh. Isso teve um efeito domin\u00f3 em todos os outros setores da economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o fechamento das ind\u00fastrias, os meios de subsist\u00eancia foram perdidos e os chefes das f\u00e1bricas t\u00eaxteis transferiram o \u00f4nus das perdas para os ombros dos trabalhadores. Foram demitidos, seus sal\u00e1rios retidos, fam\u00edlias inteiras foram empurradas para a pobreza e que ficaram sem renda. \u00c0 medida que os investimentos secavam e o governo ficava sem liquidez, come\u00e7ou a surgir uma crise de desemprego.<\/p>\n\n\n\n<p>Soma-se \u00e0s press\u00f5es sobre a economia o choque causado pela guerra russo-ucraniana, que resultou em uma situa\u00e7\u00e3o inflacion\u00e1ria global, devido ao aumento dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis e gr\u00e3os. O impacto que isso teve sobre a maioria dos pobres do mundo n\u00e3o pode ser subestimado. Os jovens de Bangladesh se viram em uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, desempregados e enfrentando o aumento dos pre\u00e7os dos produtos b\u00e1sicos, dependentes de setores que ainda sofrem com o impacto da COVID. Embora a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de Bangladesh n\u00e3o fosse t\u00e3o ruim quanto a do Sri Lanka, era ruim o suficiente para dar origem ao descontentamento em massa que vimos nas ruas em agosto.<\/p>\n\n\n\n<p>A propaganda da Liga Awami, que apresentava Bangladesh como um &#8220;tigre em ascens\u00e3o&#8221; das economias asi\u00e1ticas, foi destru\u00edda pela realidade. No entanto, essa realidade ainda n\u00e3o mudou. O novo governo n\u00e3o apresenta solu\u00e7\u00f5es para as fraquezas fundamentais da economia de Bangladesh, em grande parte devido ao legado da parti\u00e7\u00e3o que tra\u00e7ou as fronteiras do Paquist\u00e3o Oriental. Bangladesh continua preso em rela\u00e7\u00f5es comerciais desiguais com a \u00cdndia, o que apenas agrava suas dificuldades. Al\u00e9m disso, a Liga Awami tornou-a dependente do fornecimento de energia de empresas hidrel\u00e9tricas e t\u00e9rmicas indianas, muitas delas ligadas ao infame grupo Adani, que mant\u00e9m la\u00e7os estreitos com o BJP- Partido Jatiiya de Bangladesh. O governo est\u00e1 agora em d\u00edvida de centenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares, grande parte com empresas de energia el\u00e9trica indianas. Uma d\u00edvida que o governo n\u00e3o consegue pagar.<\/p>\n\n\n\n<p>A isto se acresce a situa\u00e7\u00e3o inflacionista, que continua a ser adversa. A agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o ajudou a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, nem o governo de Mohd. Yunus pode resolv\u00ea-lo. Outro empr\u00e9stimo ou resgate do FMI pode trazer al\u00edvio a curto prazo, mas a longo prazo s\u00f3 ajudar\u00e1 Bangladesh a afundar ainda mais na depend\u00eancia e criar as condi\u00e7\u00f5es para que a pr\u00f3xima crise seja pior do que a atual. Tanto Sri Lanka quanto Bangladesh demonstram que a burguesia n\u00e3o tem uma solu\u00e7\u00e3o real para as necessidades das massas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o faz muito tempo desde a queda do regime de Hasina, e o novo governo est\u00e1 lutando em todas as frentes. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 especialmente sombria no setor t\u00eaxtil, que n\u00e3o se recuperou totalmente do impacto da pandemia de COVID e j\u00e1 est\u00e1 lidando com o impacto da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica vol\u00e1til do pa\u00eds. O setor que impulsionou a economia de Bangladesh por quase duas d\u00e9cadas e gerou empregos diretos e indiretos para um d\u00e9cimo da popula\u00e7\u00e3o continua a lidar com fechamentos patronais e fal\u00eancias. Os trabalhadores foram os primeiros a desafiar o regime da Liga Awami e est\u00e3o mais uma vez em p\u00e9 de guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Na greve que come\u00e7ou em setembro, os oper\u00e1rios exigiam sal\u00e1rios mais altos e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho. At\u00e9 o final de setembro, 60 f\u00e1bricas de confec\u00e7\u00e3o fecharam por causa da greve. Os protestos atingiram o auge quando os trabalhadores bloquearam uma rodovia em protesto contra a morte a tiros de um de seus companheiros pela pol\u00edcia. Como resultado da greve, as empresas de confec\u00e7\u00e3o concordaram com todas as reivindica\u00e7\u00f5es apresentadas pelos sindicatos, ap\u00f3s o que os cintur\u00f5es industriais de Ashulia, Savar e Gazipur voltaram a ter uma apar\u00eancia de normalidade. A maioria das f\u00e1bricas voltou a funcionar, mas os problemas estruturais persistiram e persistem.<\/p>\n\n\n\n<p>As condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas continuam vol\u00e1teis, assim como a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Nessas condi\u00e7\u00f5es, \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de tempo at\u00e9 que os trabalhadores do setor t\u00eaxtil entrem em luta novamente. No momento em que este artigo foi escrito, os trabalhadores da confec\u00e7\u00e3o estavam bloqueando a rodovia Aricha-Dhaka exigindo aumentos salariais e protestando contra cortes salariais arbitr\u00e1rios pela administra\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica.<\/p>\n\n\n\n<p>Rumo \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o socialista para a verdadeira liberta\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>A luta de classes em Bangladesh \u00e9 caracterizada por tr\u00eas contradi\u00e7\u00f5es fundamentais, que surgem das condi\u00e7\u00f5es adversas de seu nascimento. A primeira \u00e9 a contradi\u00e7\u00e3o entre a burguesia, que se sente obrigada a impor a ditadura para garantir seu dom\u00ednio e promover seus interesses materiais, e as massas, que exigem democracia. A segunda \u00e9 o desejo da burguesia de impor um estado isl\u00e2mico, enquanto as massas querem uma sociedade secular na qual todos os bengaleses possam viver em paz e seguran\u00e7a, independentemente de sua religi\u00e3o. A terceira contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 entre uma burguesia que \u00e9 constantemente for\u00e7ada a se alinhar com o capital estrangeiro para garantir sua domina\u00e7\u00e3o, enquanto o povo exige um Estado soberano e independente.<\/p>\n\n\n\n<p>No centro dessas contradi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas est\u00e1 a luta entre a burguesia e a classe trabalhadora, a juventude e o campesinato. Bangladesh foi criado pela luta revolucion\u00e1ria entre os oper\u00e1rios, camponeses e jovens bengaleses do Paquist\u00e3o e a burguesia paquistanesa. O que viria a ser a burguesia de Bangladesh desempenhou um papel oportunista e adquiriu a dire\u00e7\u00e3o dos oper\u00e1rios e camponeses, com a ajuda da \u00cdndia. A nova burguesia provou ser t\u00e3o corrupta, ditatorial e exploradora quanto seus antecessores.<\/p>\n\n\n\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de uma constitui\u00e7\u00e3o laica foi uma das principais conquistas da guerra de liberta\u00e7\u00e3o de Bangladesh, mas logo foi suprimida quando a amea\u00e7a de uma revolu\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria se tornou mais evidente ap\u00f3s a independ\u00eancia. A declara\u00e7\u00e3o do Isl\u00e3 como religi\u00e3o do Estado foi o primeiro passo para institucionalizar a discrimina\u00e7\u00e3o contra s\u00faditos n\u00e3o mu\u00e7ulmanos e reabilitar membros da classe dominante da era paquistanesa. A Constitui\u00e7\u00e3o continua sendo praticamente a mesma desde sua modifica\u00e7\u00e3o sob o general Zia ur Rahman.<\/p>\n\n\n\n<p>A virada para o islamismo distanciou Bangladesh da \u00cdndia, mas n\u00e3o alcan\u00e7ou a independ\u00eancia do imperialismo em geral. Com o tempo, \u00e0 medida que a economia indiana se desenvolveu, foi capaz de reafirmar sua influ\u00eancia sobre Bangladesh por meio do com\u00e9rcio e do investimento. A era da ditadura militar terminou em 1991 com a queda do regime de Ershad, mas o que se seguiu foi um per\u00edodo ca\u00f3tico em que as herdeiras do xeque Mujibar Rahman e do general Zia disputaram o poder. Seu estilo muito corrupto e bonapartista de fazer pol\u00edtica causou enormes dificuldades ao povo e apenas perpetuou a explora\u00e7\u00e3o de Bangladesh em benef\u00edcio do capital imperialista. A \u00cdndia tamb\u00e9m se beneficiou da abertura da economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Este per\u00edodo de democracia ca\u00f3tica foi marcado por lutas campais entre coaliz\u00f5es lideradas pelos dois principais partidos burgueses de Bangladesh, a Liga Awami e o Partido Nacionalista de Bangladesh. O primeiro trouxe partidos stalinistas para sua alian\u00e7a, enquanto o segundo mobilizou for\u00e7as isl\u00e2micas reacion\u00e1rias para refor\u00e7\u00e1-lo. Ambos partidos foram respons\u00e1veis pela marginaliza\u00e7\u00e3o das minorias hindus e por infligir enorme sofrimento aos povos ind\u00edgenas de Chittagong Hill Tracts. No entanto, apenas a Liga Awami se proclamou defensora das minorias hindus, ganhando o favor da \u00cdndia e o voto dos hindus.<\/p>\n\n\n\n<p>O per\u00edodo de democracia burguesa ca\u00f3tica foi marcado pelos pogroms contra os hindus em 2001 e 1991, que custaram a vida de centenas de pessoas e dividiram o pa\u00eds por motivos religiosos. Quando o segundo mandato do BNP terminou, as massas se cansaram da pol\u00edtica de direita e apoiaram a Liga Awami para um segundo mandato. Assim come\u00e7ou a segunda era da ditadura, desta vez sob a lideran\u00e7a da Liga Awami. A burguesia de Bangladesh e a \u00cdndia trabalharam para devolver o pa\u00eds ao estado de coisas que existia em 1972, quando o xeque Mujibar Rahman come\u00e7ou a estabelecer seu governo de partido \u00fanico no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>A experi\u00eancia dos \u00faltimos 53 anos de independ\u00eancia mostrou nitidamente uma coisa: que a burguesia s\u00f3 pode perpetuar a escravid\u00e3o do povo de Bangladesh ao imperialismo. Perpetuar\u00e3o sua explora\u00e7\u00e3o e tormento enquanto enriquecem.&nbsp; Recorrer\u00e3o \u00e0 ditadura aberta ou encoberta, ou sofrer\u00e3o o ciclo de caos violento que caracterizou o per\u00edodo da democracia burguesa &#8220;livre&#8221;. As minorias em Bangladesh levam a pior parte, pois n\u00e3o apenas sofrem com a transforma\u00e7\u00e3o de Bangladesh em uma gigantesca f\u00e1brica de roupas para empresas de confec\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m s\u00e3o submetidas \u00e0 viol\u00eancia comunal com o objetivo de consolidar o poder de um dos dois partidos burgueses. A apropria\u00e7\u00e3o de terras de propriedade hindu em grande parte organizada pela Liga Awami e a apropria\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas por colonos nas colinas de Chittagong s\u00e3o usadas para enriquecer a burguesia \u00e0s custas das minorias, adicionando outra camada \u00e0 supress\u00e3o de ambas as comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Nunca poder\u00e1 se conseguir um Bangladesh verdadeiramente livre com essas pessoas no comando. Transformaram o pa\u00eds em uma pris\u00e3o lament\u00e1vel, um s\u00edmbolo da pobreza. A luta revolucion\u00e1ria travada pelo povo de Bangladesh em 1971 foi levada \u00e0 margem pela Liga Awami e pelo Partido Nacionalista de Bangladesh, e sucessivas ditaduras destru\u00edram grande parte das conquistas da guerra de liberta\u00e7\u00e3o. O fracasso da burguesia em atender \u00e0s aspira\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas do povo \u00e9 evidente nas revoltas revolucion\u00e1rias peri\u00f3dicas em Bangladesh e no desejo de acabar com o status quo t\u00f3xico. Por fim, apenas uma revolu\u00e7\u00e3o socialista pode resolver as contradi\u00e7\u00f5es centrais de Bangladesh.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Logo ap\u00f3s a queda do regime de Sheikh Hasina, o ex\u00e9rcito come\u00e7ou a libertar prisioneiros das pris\u00f5es de Bangladesh. Muitos dos libertados eram reacion\u00e1rios de direita. 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