{"id":79825,"date":"2024-10-29T20:54:16","date_gmt":"2024-10-29T20:54:16","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=79825"},"modified":"2024-11-20T02:56:25","modified_gmt":"2024-11-20T02:56:25","slug":"marxismo-vivo-se-renova-a-teoria-como-instrumento-para-a-luta-revolucionaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/10\/29\/marxismo-vivo-se-renova-a-teoria-como-instrumento-para-a-luta-revolucionaria\/","title":{"rendered":"Marxismo Vivo se renova: A teoria como instrumento para a luta revolucion\u00e1ria"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>A nossos leitores<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Francesco Ricci<\/p>\n\n\n\n<p>Introduzir o socialismo nas lutas e construir o partido oper\u00e1rio de vanguarda capaz de conquistar as massas para o projeto comunista. Esta foi a principal atividade de toda a vida de Karl Marx que, como recordou Engels no seu funeral, foi \u201cantes de mais um revolucion\u00e1rio. Contribuir para o derrocamento da sociedade capitalista e do Estado que ela criou, contribuir para a emancipa\u00e7\u00e3o do proletariado moderno (&#8230;) era esta a sua verdadeira voca\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta insist\u00eancia de Engels sobre o verdadeiro Marx, o militante, o dirigente partid\u00e1rio, em que \u201co cientista n\u00e3o era metade de Marx\u201d1 \u00e9 mais atual do que nunca nos nossos anos, em que muitos, da burguesia ao reformismo, tentaram transformar o \u201cMouro\u201d (como lhe chamavam os amigos) num \u201cfil\u00f3sofo\u201d para tornar in\u00f3cua a teoria que elaborou com Engels e outros militantes de cujos nomes n\u00e3o nos lembramos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma elabora\u00e7\u00e3o que n\u00e3o teve lugar numa \u201ctorre de marfim\u201d, mas participando ativamente nas lutas do proletariado com o objetivo de estabelecer o poder dos trabalhadores (a ditadura do proletariado) como um passo incontorn\u00e1vel para eliminar a explora\u00e7\u00e3o, as guerras, a mis\u00e9ria e a opress\u00e3o numa sociedade dividida em classes.<\/p>\n\n\n\n<p>A teoria marxista, desenvolvida nas d\u00e9cadas seguintes pelo bolchevismo (que fez dela o instrumento da sua pr\u00f3pria vit\u00f3ria em outubro de 1917) e depois pelo trotskismo &#8211; o marxismo da nossa \u00e9poca &#8211; continua a ser a arma mais mort\u00edfera contra um mundo capitalista que avan\u00e7a rapidamente para a barb\u00e1rie. Mas se a revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201co freio de emerg\u00eancia\u201d que \u00e9 preciso puxar para n\u00e3o ir parar no precip\u00edcio, segundo a imagem de Walter Benjamin2, nenhuma revolu\u00e7\u00e3o pode ser verdadeiramente vitoriosa sem a teoria marxista.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa revista, dedicada \u00e0 teoria marxista, difere das outras porque \u00e9 escrita por militantes e n\u00e3o por acad\u00eamicos: e porque \u00e9 dirigida, antes de tudo, a militantes e ativistas, homens e mulheres trabalhadores, jovens comprometidos n\u00e3o apenas com o saber, mas com o saber para fazer, na luta, para tentar construir um mundo melhor do que este.<\/p>\n\n\n\n<p>Leon Trotsky, outro grande militante revolucion\u00e1rio, que tamb\u00e9m dedicou toda a sua vida \u00e0 luta e, portanto, n\u00e3o tinha muito tempo livre, escreveu em sua autobiografia: \u201co desejo de estudar nunca me abandonou\u201d3. Isso se deve ao fato de que, para os revolucion\u00e1rios, o estudo da teoria marxista n\u00e3o \u00e9 um passatempo, mas uma necessidade. Estudar a hist\u00f3ria do movimento dos trabalhadores, marcada por vit\u00f3rias e derrotas (ambas repletas de li\u00e7\u00f5es para os dias de hoje), analisar aspectos te\u00f3ricos aparentemente abstratos, filos\u00f3ficos, significa equipar-se com a lente para analisar a realidade atual e ser capaz de transform\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>Se, com esta revista, conseguirmos fazer com que antigos e novos leitores se apaixonem pela teoria viva (precisamente o \u201cmarxismo vivo\u201d de nossa revista) e que compreendam a utilidade pr\u00e1tica da teoria, teremos alcan\u00e7ado nosso objetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Como qualquer pessoa que esteja lendo estas linhas deve ter notado, a Marxismo Vivo, que existe h\u00e1 d\u00e9cadas, est\u00e1 mudando. Ela n\u00e3o muda de nome, mas muda em v\u00e1rios aspectos. Muda o formato: menos livro e mais revista. Muda a diagrama\u00e7\u00e3o, com o uso de fotografias. Muda (pelo menos em parte) a equipe editorial (agradecimentos calorosos aos nossos companheiros e companheiras que nos precederam nesse trabalho). Acima de tudo, muda, em parte, o perfil da revista.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"724\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/MV2-724x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-79827\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/MV2-724x1024.jpg 724w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/MV2-212x300.jpg 212w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/MV2-768x1086.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/MV2-1086x1536.jpg 1086w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/MV2-150x212.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/MV2-300x424.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/MV2-696x985.jpg 696w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/MV2-1068x1511.jpg 1068w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/MV2.jpg 1131w\" sizes=\"auto, (max-width: 724px) 100vw, 724px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O projeto, ambicioso, \u00e9 ampliar o c\u00edrculo de nossos leitores, indo al\u00e9m dos atuais leitores regulares, al\u00e9m do per\u00edmetro dos militantes e simpatizantes da LIT (para os quais esta revista continuar\u00e1 sendo o \u00f3rg\u00e3o te\u00f3rico). Tentaremos abordar, de forma rigorosa, mas tamb\u00e9m n\u00edtida e acess\u00edvel, temas que sejam \u00fateis n\u00e3o s\u00f3 para a forma\u00e7\u00e3o e o debate dos militantes da LIT, mas que tamb\u00e9m possam ser \u00fateis para outros ativistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta edi\u00e7\u00e3o, que continua com a numera\u00e7\u00e3o antiga, \u00e9 de fato quase uma edi\u00e7\u00e3o zero. A partir da pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o, apresentaremos mais inova\u00e7\u00f5es que estamos avaliando. Entre as inova\u00e7\u00f5es em estudo: se\u00e7\u00f5es fixas, mais resenhas de livros publicados no \u00faltimo per\u00edodo, mas tamb\u00e9m artigos dedicados \u00e0 redescoberta dos \u201ccl\u00e1ssicos\u201d do marxismo, guias bibliogr\u00e1ficos dos temas, gloss\u00e1rios dos conceitos-chave do marxismo, mais espa\u00e7o para debates e pol\u00eamicas te\u00f3ricas com outras correntes&#8230; E muito mais. Tamb\u00e9m com base nas cr\u00edticas e sugest\u00f5es que os leitores desta edi\u00e7\u00e3o queiram nos enviar, escrevendo para nossa equipe editorial em <a href=\"mailto:marxismovivo.2@gmail.com\">marxismovivo.2@gmail.com<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>E agora vamos a uma breve apresenta\u00e7\u00e3o do conte\u00fado desta edi\u00e7\u00e3o. Enquanto aguardamos, como dissemos, a expans\u00e3o das se\u00e7\u00f5es e a introdu\u00e7\u00e3o de outras, esta edi\u00e7\u00e3o \u00e9 composta por quatro se\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira se\u00e7\u00e3o cont\u00e9m artigos sobre quest\u00f5es centrais dos assuntos pol\u00edticos atuais, abordados n\u00e3o de um ponto de vista informativo, mas sim na tentativa de oferecer ferramentas para uma an\u00e1lise aprofundada. Aqui encontramos um extenso dossi\u00ea sobre o tema mais quente da luta de classes global: a Palestina e a luta heroica de d\u00e9cadas contra o sionismo. Florence Oppen (EUA) abre o dossi\u00ea com um resumo das posi\u00e7\u00f5es de nossa Internacional sobre essa quest\u00e3o. Em seguida, h\u00e1 um artigo da ativista palestina Soraya Misleh sobre a hist\u00f3ria do sionismo. Fabio Bosco (militante, assim como Soraya, do PSTU brasileiro, ativo h\u00e1 muitos anos na luta pela Palestina) se aprofunda na hist\u00f3ria e nas posi\u00e7\u00f5es das principais correntes do movimento de resist\u00eancia palestino. Alejandro Iturbe (Argentina) desenvolve uma pol\u00eamica com as principais posi\u00e7\u00f5es expressas pela esquerda sobre o tema. O extenso dossi\u00ea \u00e9 completado com uma cronologia (novamente de Florence Oppen) e um pequeno guia bibliogr\u00e1fico de \u00c1ngel Luis Parras (Espanha). Nessa rica primeira se\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m encontramos um ensaio de Parras sobre outro t\u00f3pico central de reflex\u00e3o para os marxistas: a trama entre crise-guerra-revolu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda se\u00e7\u00e3o cont\u00e9m artigos sobre a hist\u00f3ria do movimento oper\u00e1rio e a teoria marxista. Nesta edi\u00e7\u00e3o, dois ensaios s\u00e3o dedicados ao 100\u00ba anivers\u00e1rio da morte de Lenin: um, do autor destas linhas, \u00e9 dedicado ao tema da consci\u00eancia revolucion\u00e1ria em Lenin; enquanto Gustavo Machado (Brasil) trata da concep\u00e7\u00e3o Leninista do imperialismo. A se\u00e7\u00e3o \u00e9 completada por um ensaio de Fabiana Stefanoni (It\u00e1lia) sobre a concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria, sobre as falsifica\u00e7\u00f5es que foram feitas dela e sobre como essa concep\u00e7\u00e3o \u00e9 vital para entender, entre outras coisas, a quest\u00e3o nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>A terceira se\u00e7\u00e3o da revista, nesta e nas pr\u00f3ximas edi\u00e7\u00f5es, ser\u00e1 dedicada a debates e pol\u00eamicas com outras posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e te\u00f3ricas. Neste caso, trazemos um artigo de Joana Salay (militante do PSTU brasileiro) sobre as teses de Domenico Losurdo, referencial te\u00f3rico de v\u00e1rias correntes neoestalinistas.<\/p>\n\n\n\n<p>A revista termina com resenhas de dois livros publicados recentemente. Flor Neves (Portugal) resenha o livro publicado pela se\u00e7\u00e3o portuguesa da LIT por ocasi\u00e3o do 50\u00ba anivers\u00e1rio da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos; enquanto Javier Fern\u00e1ndez Barrero (Brasil) apresenta o livro rec\u00e9m-publicado de Roberto Herrera, El Hombre del Clima y la Mujer de Lot [O Homem do Tempo e a Mulher de Lot] sobre a esquerda na Costa Rica e na Am\u00e9rica Central.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 nos resta desejar-lhes uma boa leitura e convid\u00e1-los a divulgar esta revista em seu local de trabalho ou estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>1 ENGELS, F. \u201cDiscurso diante do t\u00famulo de Marx\u201d (1883) https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/m-e\/1880s\/83-tumba.htm<\/p>\n\n\n\n<p>2 BENJAMIN, W. Sobre o conceito de hist\u00f3ria (1940).<\/p>\n\n\n\n<p>3 TROTSKY, L. Minha vida (1929).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nossos leitores Por: Francesco Ricci Introduzir o socialismo nas lutas e construir o partido oper\u00e1rio de vanguarda capaz de conquistar as massas para o projeto comunista. Esta foi a principal atividade de toda a vida de Karl Marx que, como recordou Engels no seu funeral, foi \u201cantes de mais um revolucion\u00e1rio. 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