{"id":79814,"date":"2024-10-25T14:54:47","date_gmt":"2024-10-25T14:54:47","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=79814"},"modified":"2024-10-25T15:06:02","modified_gmt":"2024-10-25T15:06:02","slug":"chile-5-anos-apos-18-de-outubro-a-revolucao-desviada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/10\/25\/chile-5-anos-apos-18-de-outubro-a-revolucao-desviada\/","title":{"rendered":"Chile | 5 anos ap\u00f3s 18 de outubro: A revolu\u00e7\u00e3o desviada"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Passados 5 anos desde o processo revolucion\u00e1rio iniciado em 18 de outubro no Chile, tamb\u00e9m conhecido popularmente como \u201cexplos\u00e3o social\u201d, s\u00e3o m\u00faltiplos os artigos em jornais e revistas apresentando diferentes interpreta\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Roberto Monares<\/p>\n\n\n\n<p>Nestas p\u00e1ginas queremos reafirmar o car\u00e1ter revolucion\u00e1rio do processo iniciado em 18 de outubro de 2019. Por\u00e9m, do nosso ponto de vista, trata-se de uma revolu\u00e7\u00e3o desviada. Sobre isso h\u00e1 literatura sobre a din\u00e2mica no interior do regime, da burguesia e do reformismo. Podemos citar a vis\u00e3o liberal-burguesa: <em>\u201cPensar no mal-estar. A crise de Outubro e a quest\u00e3o constitucional\u201d<\/em> de Carlos Pe\u00f1a, com base na \u201cteoria do mal-estar\u201d que gera o pr\u00f3prio \u00eaxito da moderniza\u00e7\u00e3o da obra da Concerta\u00e7\u00e3o. <em>\u201cOutubro Chileno: o surgimento de uma nova cidade\u201d<\/em> de Carlos Ruiz, acad\u00eamico fundador da Frente Ampla, que mant\u00e9m a necessidade de regulamenta\u00e7\u00e3o do desenfreado capitalismo \u201cneoliberal\u201d chileno p\u00f3s-ditadura. Gabriel Salazar, em <em>\u201cLa porfia constituyente\u201d, <\/em>com uma concep\u00e7\u00e3o liberal-popular da Assembleia Constituinte e dos Conselhos. A verdade \u00e9 que em todas estas obras est\u00e1 ausente o ponto de vista dos interesses hist\u00f3ricos da classe trabalhadora na luta pelo socialismo, a exist\u00eancia de revolu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>As revolu\u00e7\u00f5es, juntamente com as crises econ\u00f4micas e as guerras, s\u00e3o o tra\u00e7o caracter\u00edstico da era do capitalismo em decl\u00ednio, a sua fase imperialista. O car\u00e1ter turbulento e a resist\u00eancia das massas \u00e9 a caracter\u00edstica do mundo atual. O Chile n\u00e3o est\u00e1 isento disso e foi parte fundamental da onda revolucion\u00e1ria de 2019 que atravessou o planeta, em diversas magnitudes, em Hong Kong, no L\u00edbano, em Bahrein, na Col\u00f4mbia, no Haiti e no Equador. Localizar o dia 18 de Outubro chileno numa perspectiva do tempo de \u201ccrises, guerras e revolu\u00e7\u00f5es\u201d e especificamente na onda revolucion\u00e1ria do ano de 2019, refuta as explica\u00e7\u00f5es conspirat\u00f3rias reacion\u00e1rias que atribuem os movimentos das massas a planos pr\u00e9-concebidos ou \u00e0 vis\u00e3o que limita todo um fen\u00f4meno ao programa de sua dire\u00e7\u00e3o circunstancial.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, os partidos do regime lan\u00e7am uma campanha permanente contra o dia \u201c18 de Outubro\u201d, a defesa dos \u201cCarabineiros\u201d, a inexist\u00eancia de presos pol\u00edticos, porque s\u00e3o todos \u201cdelinquentes\u201d, com resultados na consci\u00eancia das e dos trabalhadores. A direita nos Republicanos, Chile Vamos, Democratas, falam sobre a \u201cexplos\u00e3o delinquencial\u201d. O Governo da Frente Ampla e o Partido Comunista selam a unidade do regime ao \u201ctentar apagar\u201d o dia \u201c18 de Outubro\u201d, abra\u00e7ando Pi\u00f1era como um \u201cdemocrata\u201d, rejeitando a \u201cviol\u00eancia\u201d, com o matiz da necessidade de realizar algumas reformas. Contudo, todas estas campanhas dos partidos do regime n\u00e3o conseguem esconder os fatos persistentes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A viol\u00eancia revolucion\u00e1ria das massa.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No pr\u00f3logo \u201cA Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa\u201d, de Le\u00f3n Trotsky (1932) encontramos diversas considera\u00e7\u00f5es sobre a din\u00e2mica de uma revolu\u00e7\u00e3o: <em>\u201cO tra\u00e7o caracter\u00edstico mais indiscut\u00edvel das revolu\u00e7\u00f5es \u00e9 a interven\u00e7\u00e3o direta das massas nos acontecimentos hist\u00f3ricos (&#8230;)<\/em>. A hist\u00f3ria das revolu\u00e7\u00f5es \u00e9 para n\u00f3s, acima de tudo, a hist\u00f3ria da irrup\u00e7\u00e3o violenta das massas no governo dos seus pr\u00f3prios destinos (1). A seguir, por\u00e9m, ele especifica: <em>\u201cAs massas n\u00e3o v\u00e3o para a revolu\u00e7\u00e3o com um plano pr\u00e9-concebido para a nova sociedade, mas com um sentimento vivo da impossibilidade de continuar suportando a velha sociedade\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>No Chile, a irrup\u00e7\u00e3o violenta das massas na sua a\u00e7\u00e3o independente, com o seu car\u00e1ter espont\u00e2neo, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s lideran\u00e7as dos partidos e lideran\u00e7as do regime, foi apresentada como um elemento caracter\u00edstico do processo. O gradualismo de reformas progressistas do regime pol\u00edtico que emana da transi\u00e7\u00e3o pactuada da ditadura de Pinochet foi a pol\u00edtica central da Concerta\u00e7\u00e3o (a come\u00e7ar pelo primeiro Governo Bachelet com o Partido Comunista), com reformas constitucionais e legislativas emanando dos acordos no Parlamento. Em primeiro lugar, contra esta reforma gradual e aprofundamento do capitalismo semicolonial chileno, objetivamente, foi confrontado em 18 de Outubro, constituindo um ponto de ruptura. A paci\u00eancia se esgotou, tratava-se de mudar tudo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A jornada de 18 de outubro de 2019 abre uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria de car\u00e1ter espont\u00e2neo, distante do plano pr\u00e9-concebido de qualquer organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou sindical.<\/strong> Os grandes capitalistas e os partidos do regime ficaram aterrorizados. Um bom exemplo foram as palavras da esposa de Pi\u00f1era, Cecilia Morel, que definiu a situa\u00e7\u00e3o de Outubro como uma \u201cinvas\u00e3o alien\u00edgena\u201d e, por sua vez, avan\u00e7ou um programa: \u201cdevemos partilhar privil\u00e9gios\u201d. O que foi espec\u00edfico no in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o foi a simpatia e justifica\u00e7\u00e3o das amplas massas da classe trabalhadora e da pequena burguesia (panela\u00e7os nos bairros de classe m\u00e9dia) \u00e0 viol\u00eancia revolucion\u00e1ria de massas, expressa inicialmente nas barricadas e a\u00e7\u00f5es de destrui\u00e7\u00e3o de locais simb\u00f3licos do poder burgu\u00eas chileno, geralmente desenvolvidos em torno da pra\u00e7a principal da capital ou da cidade. A viol\u00eancia revolucion\u00e1ria das massas aparece como um mecanismo leg\u00edtimo de atividade pol\u00edtica em defesa dos interesses dos explorados e das camadas populares. A \u201cPrimeira Linha\u201d como express\u00e3o da viol\u00eancia revolucion\u00e1ria de massas foi apresentada como um m\u00e9todo de luta muito presente na tradi\u00e7\u00e3o chilena: as barricadas. Uma antessala recente foi a sua utiliza\u00e7\u00e3o pelo movimento estudantil, que resistiu aos planos de privatiza\u00e7\u00e3o ao longo dos anos 90 e 2000. A Primeira Linha significou um salto, com uma composi\u00e7\u00e3o popular-oper\u00e1ria marcante, com a\u00e7\u00f5es contundentes que colocaram os Carabineiros em crise. Mas o fundamental foi uma rela\u00e7\u00e3o de apoio e participa\u00e7\u00e3o de massa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"393\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Primeira-Linha.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-79815\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Primeira-Linha.jpg 640w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Primeira-Linha-300x184.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Primeira-Linha-150x92.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Primeira linha<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em janeiro de 2020, uma pesquisa da Universidade Diego Portales -Feedback- relatou: cerca de um ter\u00e7o dos jovens entre 18 e 29 anos ap\u00f3ia as barricadas (37%) e confrontos com Carabineiros (35%). A rejei\u00e7\u00e3o destas express\u00f5es tamb\u00e9m ronda os 30% (33% e 31% respectivamente), enquanto o outro ter\u00e7o n\u00e3o toma partido (2).<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, um regime pol\u00edtico, por mais desgastado que seja, n\u00e3o cai sozinho. \u00c9 necess\u00e1rio derrub\u00e1-lo. Os \u201c<em>violentistas<\/em>\u201d, como os definiu Andr\u00e9s Chadwick, ex-ministro do Interior de Pi\u00f1era, n\u00e3o eram uma minoria social e o movimento de massas escolheu o m\u00e9todo para demonstr\u00e1-lo de forma contundente.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo se combina e passa por diversas formas de luta, nas ruas e com a greve geral. No que diz respeito \u00e0s barricadas e \u00e0 transi\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos de luta nas revolu\u00e7\u00f5es, em particular, F. Engels no pref\u00e1cio \u00e0 edi\u00e7\u00e3o alem\u00e3 de <em>A Luta de Classes na Fran\u00e7a<\/em>, de Marx, analisando as revolu\u00e7\u00f5es de Paris de 1830 e de Fevereiro de 1848 na Espanha, identifica: <em>\u201cEm Paris, em Julho de 1830 e Fevereiro de 1848, como na maioria das lutas de rua na Espanha, uma guarda civil colocou-se entre os insurretos e as tropas, que ou se colocavam diretamente ao lado da insurrei\u00e7\u00e3o ou, com a sua atitude morna e indecisa, tamb\u00e9m fazia as tropas hesitaram e, al\u00e9m disso, forneceu armas \u00e0 insurrei\u00e7\u00e3o. (\u2026) em todos os casos a vit\u00f3ria foi alcan\u00e7ada porque as tropas n\u00e3o responderam, porque faltou decis\u00e3o ao comando ou porque ficaram de m\u00e3os atadas. Portanto, mesmo na era cl\u00e1ssica das lutas de rua, a barricada tinha mais efic\u00e1cia moral do que material (3)<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>No Chile, a din\u00e2mica do confronto entre as classes identifica que a barricada com saque\/destrui\u00e7\u00e3o de lugares simb\u00f3licos do poder burgu\u00eas, teve como objetivo desmoralizar as tropas do aparato repressivo, infligindo derrotas que poder\u00edamos chamar meramente de \u201ct\u00e1ticas\u201d, defendendo manifesta\u00e7\u00f5es, mas que marcou um limite quando se tratava de partir para a ofensiva para minar um regime (\u201cmais efic\u00e1cia moral do que material\u201d, nas palavras de Engels). As barricadas e a Primeira Linha marcaram um embri\u00e3o espont\u00e2neo de organiza\u00e7\u00f5es de autodefesa que poderiam ter levado a luta de classes a n\u00edveis mais elevados com a exist\u00eancia de um partido revolucion\u00e1rio (4). No entanto, como necessidade de aprofundar o confronto do movimento de massas com o regime pol\u00edtico, as barricadas combinam-se aos trancos e barrancos com os m\u00e9todos de luta dos oper\u00e1rios na democracia burguesa chilena: a greve geral de 12 de Novembro de 2019.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O \u201cPlano Trabalhista\u201d e a greve geral de 12 de novembro de 2019.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na noite da greve geral de 12 de novembro de 2019, a dire\u00e7\u00e3o que a convocou perdeu seu controle. O grupo \u201cUnidade Social\u201d que imperava na dire\u00e7\u00e3o do proletariado, que inclu\u00eda a CUT, Coordena\u00e7\u00e3o 8M, \u201cNO+AFP\u201d, estudantes secundaristas, sindicatos, etc., depois daquela noite, n\u00e3o convocou uma nova greve geral (apenas uma paralisa\u00e7\u00e3o de 11 minutos).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A greve geral de 12 de novembro de 2019 n\u00e3o foi um produto artificial nem caiu do c\u00e9u.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora seja decisivo que a recomposi\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio chileno ap\u00f3s o golpe de Estado tenha um car\u00e1ter reformista liderado pela Democracia Crist\u00e3 e pelo eixo PS-PC, num sindicalismo de colabora\u00e7\u00e3o de classes por &#8220;mais democracia e Di\u00e1logo social&#8221;, iniciado na d\u00e9cada de 2000, a superestrutura sindical come\u00e7a a perceber o que estava acontecendo na base e a classe trabalhadora chilena come\u00e7a a ensaiar respostas \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o ou divis\u00e3o. Como exemplo das lutas pelos \u201cAcordos Marco\u201d, baseado na for\u00e7a objetiva do proletariado em posi\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas, como o subcontrato de minera\u00e7\u00e3o (2007) e as greves portu\u00e1rias nacionais (2013). Outro exemplo de luta unificada do proletariado foi a Coordena\u00e7\u00e3o No+AFP, que em 2016 apelou \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es de massas, sem estar aberta ainda uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Emerge a greve n\u00e3o regulamentada ou chamada pela burguesia de \u201cGreve Ilegal\u201d (O Observat\u00f3rio de Greves Trabalhistas da Universidade Alberto Hurtado afirma esta tend\u00eancia de crescimento da greve \u201cilegal\u201d no Chile\u201d) (5), o que n\u00e3o excluiu a exist\u00eancia de greves dentro da legalidade do Plano\/C\u00f3digo do Trabalho, como a hist\u00f3rica greve de 37 dias na mineradora La Escondida (2017), a maior mina privada do mundo; greves coordenadas no setor fabril da Codelco (2018) ou os duros combates no setor portu\u00e1rio (Mejillones 2013, Valpara\u00edso 2019). Assim, a greve geral de 12 de Novembro de 2019 n\u00e3o foi um produto artificial, mas uma acumula\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias e express\u00e3o de uma necessidade hist\u00f3rica de fazer sentir o peso do proletariado como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Rosa Luxemburgo em 1906, num balan\u00e7o da Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1905, sobre a necessidade hist\u00f3rica dos m\u00e9todos, disse: <em>\u201cSe a Revolu\u00e7\u00e3o Russa nos ensina alguma coisa, \u00e9 acima de tudo isto: que a greve geral n\u00e3o \u00e9 uma greve artificial, programada. e decretado, mas um fen\u00f4meno hist\u00f3rico que ocorre necessariamente em um determinado momento sobre a base nas rela\u00e7\u00f5es sociais existentes\u201d <\/em>(6)<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, est\u00e1 estabelecida a necessidade de uma nova legisla\u00e7\u00e3o trabalhista no Chile. O direito \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o coletiva e o direito \u00e0 greve s\u00e3o extremamente limitados. A contrarrevolu\u00e7\u00e3o do golpe de Estado de 11 de setembro de 1973, primeiro assassinando a vanguarda oper\u00e1ria, avan\u00e7ou nos anos seguintes para uma nova etapa que chamou de \u201cPlano Trabalhista\u201d, impondo um novo sistema de explora\u00e7\u00e3o do trabalho e saque dos recursos naturais. O chamado \u201cmodelo\u201d se manteve e aprofundou-se, fundamentalmente nas reformas trabalhistas da Concerta\u00e7\u00e3o com o apoio dos dirigentes do sindicalismo DC-PS-PC (Acordos CUT-CPC). Nestes termos, o dia 12 de novembro de 2019 marca um giro e um salto na resposta oper\u00e1ria, expressando que a classe trabalhadora disp\u00f5e de ferramentas de combate atuais para impor o seu peso social como classe, superando as fragmenta\u00e7\u00f5es, atacando de forma unificada.<\/p>\n\n\n\n<p>O grupo de observadores CIPSTRA- Centro de Investiga\u00e7\u00e3o Pol\u00edtico Social do Trabalho, num estudo sobre a greve geral de 12 de Novembro de 2019, compara \u201cPelo menos desde o fim da Ditadura, os apelos a uma \u201cgreve nacional\u201d n\u00e3o alcan\u00e7aram muita efic\u00e1cia por v\u00e1rias raz\u00f5es. Em primeiro lugar, porque a taxa de sindicaliza\u00e7\u00e3o no Chile \u00e9 muito baixa &#8211; menos de 20% dos assalariados -, limitando antecipadamente a percentagem de trabalhadores que poderiam organizar uma greve nos seus locais de trabalho. Em segundo lugar, porque o sistema de rela\u00e7\u00f5es trabalhistas no Chile gera muitas restri\u00e7\u00f5es e limites ao exerc\u00edcio da greve, sendo a sua realiza\u00e7\u00e3o proibida por raz\u00f5es pol\u00edticas ou de solidariedade fora da empresa e fora da negocia\u00e7\u00e3o coletiva regulamentada. Finalmente, porque mesmo nos locais onde existem sindicatos, o tamanho reduzido e o pouco poder que a maioria deles tem dificultam a sua participa\u00e7\u00e3o numa greve geral sem que os patr\u00f5es respondam com retalia\u00e7\u00f5es, incluindo a demiss\u00e3o, situa\u00e7\u00e3o que se agrava nos casos onde n\u00e3o existem organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores. (\u2026) \u201cMas essa realidade foi aproveitada pela classe trabalhadora para responder a novas ferramentas de combate: a greve geral ampliada. No mesmo relat\u00f3rio do grupo CIPSTRA, a unidade de a\u00e7\u00e3o no local de trabalho \u00e9 apoiada pela mobiliza\u00e7\u00e3o fora do local de trabalho. \u201c(\u2026) o conceito de greve geral deve ser tomado num sentido ampliado, para abranger n\u00e3o s\u00f3 as suas express\u00f5es tradicionais, mas tamb\u00e9m aquelas que, fora dos espa\u00e7os f\u00edsicos do mundo do trabalho, procuram contribuir para a vit\u00f3ria deste protesto (\u2026). Precisamente, a tese central que ser\u00e1 defendida \u00e9 que a especificidade desta greve foi ter superado uma dificuldade hist\u00f3rica do sindicalismo na p\u00f3s-ditadura: conseguir mobilizar os trabalhadores n\u00e3o sindicalizados, que s\u00e3o a maioria (&#8230;). Portanto, pode-se dizer que a greve n\u00e3o foi apenas sindical, mas que incluiu um importante e majorit\u00e1rio \u201csetor da classe trabalhadora\u201d. (7)<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo sentido de uma greve geral que combina a luta no local de trabalho e a luta de massas, Rosa Luxemburgo, em <em>\u201cGreve de Massas, Partidos e Sindicatos\u201d <\/em>(1906), valorizava a greve geral como uma express\u00e3o da supera\u00e7\u00e3o de todos os obst\u00e1culos burgueses aos trancos e barrancos, afirmando: \u00abA concep\u00e7\u00e3o pedante, que afirma que as grandes mobiliza\u00e7\u00f5es populares se desenvolvem de acordo com planos e receitas, considera que \u00e9 essencial, antes de \u201cousar pensar\u201d numa greve de massas na Alemanha, que os oper\u00e1rios ferrovi\u00e1rios conquistem o direito \u00e0 sindicaliza\u00e7\u00e3o. Mas o verdadeiro curso natural dos acontecimentos \u00e9 exatamente o oposto desta concep\u00e7\u00e3o: o direito \u00e0 sindicaliza\u00e7\u00e3o, tanto para os trabalhadores dos correios como dos ferrovi\u00e1rios, s\u00f3 pode ser concedido atrav\u00e9s de uma poderosa mobiliza\u00e7\u00e3o de greve de massas (\u2026) \u201d (8)<\/p>\n\n\n\n<p>E sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a luta sindical quotidiana e os sectores do proletariado fora dessa legalidade, R. Luxemburgo, especifica, valorizando o salto do proletariado russo em 1905 (que tinha menos direitos legais que o proletariado alem\u00e3o): <em>\u201cDa mesma forma, o panorama da suposta superioridade econ\u00f4mica do proletariado alem\u00e3o sobre o russo altera-se consideravelmente quando nos afastamos das estat\u00edsticas das ind\u00fastrias e setores sindicalizados e olhamos para os grandes setores do proletariado que est\u00e3o fora da luta sindical ou cuja situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica especial n\u00e3o lhes permite aderir \u00e0 guerra de guerrilha quotidiana dos sindicatos. Vemos, um ap\u00f3s o outro, setores importantes em que a exacerba\u00e7\u00e3o dos antagonismos atingiu o cl\u00edmax, em que h\u00e1 abund\u00e2ncia de material explosivo acumulado, que sofrem muito com o \u201cabsolutismo russo\u201d na sua forma mais crua, que t\u00eam que fazer os primeiros acertos de contas &nbsp;econ\u00f4micas com capita\u201dl.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Assim, longe de uma nost\u00e1lgica vis\u00e3o esquem\u00e1tica do capitalismo de \u201cbem-estar\u201d do s\u00e9culo XX, a configura\u00e7\u00e3o do regime chileno p\u00f3s-ditadura recriou a \u201cabund\u00e2ncia de material explosivo acumulado\u201d em sua \u201cforma mais crua\u201d para que a classe oper\u00e1ria pudesse impor o seu peso, n\u00famero e poder social atrav\u00e9s da formula\u00e7\u00e3o de greve geral combinada de paralisia dos sectores produtivos com luta de massas nas ruas. A partir desse momento, a classe trabalhadora, em unidade com as camadas populares, demonstrou potencial para minar totalmente as bases do regime pol\u00edtico, com elementos semi-insurrecionais espont\u00e2neos, como a irrup\u00e7\u00e3o de massas em alguns regimentos urbanos. Contudo, embora a greve geral levante o problema do poder entre as classes, n\u00e3o o resolve por si s\u00f3. Foi o que aconteceu em 12 de novembro de 2019. No Chile, a natureza pol\u00edtica da a\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, contra o regime, foi cuidadosamente considerada. Significou o momento de m\u00e1xima fraqueza do regime burgu\u00eas no Chile em mais de 40 anos. Contudo, n\u00e3o existia nenhum partido revolucion\u00e1rio com um programa e a\u00e7\u00e3o para derrotar o regime burgu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em contrapartida, a atividade dos partidos reformistas desenvolveu-se para resgatar o regime. A burguesia e o seu regime iniciam ent\u00e3o um caminho para reverter o seu isolamento e sua m\u00e1xima debilidade. E ai nasce o acordo de 15 de Novembro, o <em>\u201cAcordo para a Paz Social e a Nova Constitui\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O desvio do \u201cAcordo para a Paz\u201d e a situa\u00e7\u00e3o atual do governo de Gabriel Boric como continuidade neo-concertacionista.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os partidos e lideran\u00e7as do regime de transi\u00e7\u00e3o pactuada da ditadura de Pinochet atualizaram as suas pol\u00edticas para canalizar o processo para uma nova transi\u00e7\u00e3o pactuada atrav\u00e9s do <em>\u201cAcordo para a paz social e uma nova Constitui\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Os \u201cgrandes acordos\u201d foram o que caracterizou a pol\u00edtica burguesa no Chile p\u00f3s-ditadura, baseada no sistema eleitoral binomial. Na medida em que o regime chileno abria fissuras, ensaiaram-se respostas de \u201cunidade dos de cima\u201d, expressas desde os primeiros acordos Lagos-Longueira face aos casos de corrup\u00e7\u00e3o MOP-GATE em 2003. Ap\u00f3s as primeiras grandes mobiliza\u00e7\u00f5es secundaristas de 2006, a resposta burguesa foi a LGE \u2013 Lei geral da Educa\u00e7\u00e3o, com a foto hist\u00f3rica de todos os pol\u00edticos do regime parlamentar de m\u00e3os levantadas. Este foi outro exemplo desses acordos. A partir da erup\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria de 2019, a mesma pol\u00edtica foi mantida, com o Acordo para a Paz e o acordo para o Segundo Processo Constituinte, que inclu\u00eda o PC.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u201cAcordo de Paz\u201d, na noite de 15 de novembro de 2019, foi uma pol\u00edtica defensiva do regime para, depois de minar as bases da mobiliza\u00e7\u00e3o, partir para a ofensiva e desviar a revolu\u00e7\u00e3o at\u00e9 os dias de hoje, com o governo de Gabriel B\u00f3ric. O \u201cAcordo para a Paz\u201d n\u00e3o poderia ter sido consolidado sem a sua assinatura. Se o objetivo era o desvio da revolu\u00e7\u00e3o para as institui\u00e7\u00f5es do antigo regime da democracia burguesa acordada p\u00f3s-ditadura, no meio da situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria aberta, eram necess\u00e1rios pelo menos atos complementares. Na noite de 15 de Novembro de 2019, o regime pol\u00edtico n\u00e3o tinha a certeza se as suas a\u00e7\u00f5es iriam \u201cpacificar\u201d o pa\u00eds. Boric assina como deputado sozinho, contra a decis\u00e3o de seu partido Converg\u00eancia Social. O Partido Comunista, em janeiro de 2020, adere ao \u201cAcordo para a Paz\u201d, com a inclus\u00e3o da paridade e das listas independentes. Unidade Social, CUT de Barbara Figueroa, ANEF, diante do dia da Conta P\u00fablica do criminoso Pi\u00f1era em 11 de mar\u00e7o de 2020, para descomprimir e iniciar o movimento de esvaziamento das ruas apelou a uma greve de \u201c11 minutos\u201d. Ou seja, a pol\u00edtica emergencial da greve geral de 12 de novembro foi muito al\u00e9m das dire\u00e7\u00f5es e iniciou uma mudan\u00e7a em dire\u00e7\u00e3o ao processo Constituinte. Por sua vez, grupos pol\u00edticos e coletivos de tradi\u00e7\u00e3o vermelho-preto que rejeitam o \u201cAcordo pela Paz\u201d, clamam por uma \u201cMarcha da revolu\u00e7\u00e3o\u201d, sem grande repercuss\u00e3o dentro das organiza\u00e7\u00f5es de massas e sem um programa alternativo de enfrentamento ao regime pol\u00edtico e capitalismo neoliberal chileno.<\/p>\n\n\n\n<p>Se entendermos o dia \u201c18 de Outubro\u201d como um salto num per\u00edodo prolongado de acumula\u00e7\u00e3o de centenas de milhares de mobiliza\u00e7\u00f5es anteriores, isoladas, frustradas, em greves pequenas, frustradas, humilha\u00e7\u00f5es, etc., entenderemos que o que estava no centro era o ordem dos \u201canos 90\u201d e tudo o mais nas margens. A esquerda reformista em todas as suas variantes (FA-PC-independentes), com o resultado eleitoral do plebiscito inicial refor\u00e7ou a sua ilus\u00e3o de que estavam garantidas mudan\u00e7as graduais e pac\u00edficas no processo chileno. <em>\u201cO Chile ser\u00e1 o t\u00famulo do neoliberalismo.\u201d<\/em> Os \u201cIndependentes\u201d (Lista Popular, Movimento Social, N\u00e3o Neutros) foram a principal for\u00e7a na Assembleia Constituinte, abrindo uma nova crise de incerteza para a grande burguesia. Chamamos de \u201cIndependentes\u201d o fen\u00f4meno eleitoral que tinha um amplo arco heterog\u00eaneo (desde assembleias territoriais que indicavam candidatos at\u00e9 burgueses sem base social com aspira\u00e7\u00f5es eleitorais) com o conte\u00fado geral de transformar eleitoralmente as antigas institui\u00e7\u00f5es do regime.<\/p>\n\n\n\n<p>Nestes termos, o momento de abertura da primeira Conven\u00e7\u00e3o Constitucional expressava, no terreno das elei\u00e7\u00f5es, que a rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as de Outubro n\u00e3o estava derrotada. O ponto de virada da situa\u00e7\u00e3o foi transferido para a superestrutura. A tarefa naquele momento era que o movimento voltasse a expressar nas ruas a for\u00e7a de Outubro. O \u201cPorta-Voz dos Povos\u201d e o \u201cManifesto dos 34 constituintes\u201d, que questionavam os regulamentos da Assembleia Constituinte, marcaram um caminho de ruptura com o Acordo de Paz. A resposta de mais de 600 organiza\u00e7\u00f5es, que apoiaram o Manifesto e a decis\u00e3o pol\u00edtica de retomar as reivindica\u00e7\u00f5es de 18 de Outubro contra o Acordo de Paz marcou o caminho para a retomada da greve geral como mecanismo de demonstra\u00e7\u00e3o da for\u00e7a das classes populares.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, apenas o Movimento Internacional dos Trabalhadores, atrav\u00e9s da nossa \u00fanica deputada constituinte Mar\u00eda Rivera, promoveu a\u00e7\u00f5es que visavam \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o com base nos pontos do Manifesto, com o objetivo de manter as a\u00e7\u00f5es extraparlamentares como eixo do processo revolucion\u00e1rio aberto. Nesse sentido, realizamos um \u201cEncontro pela Soberania da Conven\u00e7\u00e3o Constitucional\u201d, no qual participaram diversas organiza\u00e7\u00f5es que pretendiam retomar esse caminho, afirmando concretamente que a Assembleia Constituinte deveria ser soberana, ignorando qualquer subordina\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es do regime de 30 anos e aos seus regulamentos, tomando medidas de emerg\u00eancia a favor das camadas populares.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, os chamados \u201cIndependentes\u201d refor\u00e7aram a ilus\u00e3o de que n\u00e3o era necess\u00e1rio promover a luta de classes extraparlamentar, uma vez que estava garantida a condu\u00e7\u00e3o da Constituinte, aceitando os regulamentos e fazendo acordos com a Frente Ampla, o PC e o Partido Socialista da governabilidade da Constituinte. Os interesses da grande burguesia estavam representados no <em>Bacheletismo<\/em>, como express\u00e3o burguesa imperialista progressista no Chile, ligada \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas e ao Partido Democr\u00e1tico Norte-Americano. Este grande acordo dos \u201cIndependentes\u201d materializou-se na presid\u00eancia de mesa de Elisa Lonconprimero e Maria Elisa Quinteros, ambas dos \u201cMovimentos Sociais\u201d e pendeu definitivamente a situa\u00e7\u00e3o a favor das necessidades de certeza dos neg\u00f3cios da burguesia. \u00c9 a vit\u00f3ria definitiva do \u201cAcordo para a Paz\u201d e lan\u00e7ou as bases preliminares para o pr\u00f3ximo governo de Gabriel Boric e \u201cApruebo Dignidad\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 verdade, como afirmam os setores reformistas e o governo, que no cen\u00e1rio de ter conquistado a Aprova\u00e7\u00e3o da Nova Constitui\u00e7\u00e3o emanada da Conven\u00e7\u00e3o Constituinte, o pa\u00eds mudaria. O projeto da Nova Constitui\u00e7\u00e3o, fruto do pacto dos \u201cIndependentes\u201d, do Partido Socialista e da \u201cApruebo Dignidad\u201d, para al\u00e9m das liberdades formais, manteve a ess\u00eancia do capitalismo neoliberal chileno, com o controle dos grandes grupos econ\u00f4micos sobre toda a economia do pa\u00eds. Os grandes monop\u00f3lios da minera\u00e7\u00e3o, da pesca, do l\u00edtio e a concentra\u00e7\u00e3o de terras nas m\u00e3os de empresas florestais n\u00e3o foram afetados. A campanha de \u201cRejei\u00e7\u00e3o\u201d &nbsp;desde o come\u00e7o foi uma iniciativa dos setores burgueses que tinham sido exclu\u00eddos da grande negocia\u00e7\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o Constitucional para for\u00e7ar uma nova negocia\u00e7\u00e3o sob novas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A elei\u00e7\u00e3o do governo de Gabriel Boric, derrotando no segundo turno o ultradireitista Jos\u00e9 Antonio Kast, expressou rapidamente a continuidade da pol\u00edtica de grandes acordos no Parlamento e na manuten\u00e7\u00e3o do capitalismo neoliberal chileno. Estes \u201cgrandes acordos\u201d do regime, atualmente, visam adotar todas as medidas jur\u00eddicas e pol\u00edticas para enterrar qualquer possibilidade de repeti\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio aberto em 18 de Outubro, com a greve geral de 12 de Novembro de 2019, e aprofundar o modelo de pilhagem dos recursos naturais (Leis repressivas como Anti Tomas, Nain-Retamal, aprova\u00e7\u00e3o do TPP11, acordo SQM-Codelco para a explora\u00e7\u00e3o de l\u00edtio, etc.).<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo processo constitucional, com a \u201cComiss\u00e3o de peritos\u201d negociada no parlamento e a subsequente maioria do Partido Republicano no Conselho Constitucional, expressou cabalmente que os processos constituintes perderam rapidamente o apoio popular, num contexto de agravamento da crise social e da desigualdade no pa\u00eds. Chegamos assim \u00e0 desmoraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de amplas camadas da vanguarda que tinham expectativas nos processos constituintes ou no seu fracasso em conseguir reformas progressistas no governo de Gabriel Boric. A revolu\u00e7\u00e3o chilena est\u00e1 fundamentalmente desviada para o beco sem sa\u00edda dos processos constituintes e das expectativas no governo de Gabriel Boric e do PC.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>5 anos depois de \u201c18 de outubro\u201d. Novas explos\u00f5es? Como mudar o Chile?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Depois de 5 anos do \u201c18 de Outubro\u201d, setores de vanguarda come\u00e7am a superar esta desmoraliza\u00e7\u00e3o e a retomar a luta em diversas facetas sindicais, setoriais, etc. O governo de Boric mostrou minuciosamente o seu conte\u00fado burgu\u00eas, adotando muitos elementos do programa de direita e aumentando o saque do pa\u00eds (\u201c40 horas\u201d com flexibiliza\u00e7\u00e3o do trabalho, aprofundamento do saque ou com o Acordo SQM-Codelco e medidas criminalizadoras a favor da repress\u00e3o policial, da pris\u00e3o pol\u00edtica dos lutadores Mapuche e do movimento secundarista). No entanto, as enormes contradi\u00e7\u00f5es sociais e crises pol\u00edticas geradas em 18 de Outubro ainda est\u00e3o vigentes e algumas se aprofundaram nos \u00faltimos anos sob o governo Boric-PC (crise de habita\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, seguran\u00e7a, emprego, etc.). Identificamos que a burguesia imp\u00f5e os seus objetivos de desviar o processo revolucion\u00e1rio, preservando o antigo regime de transi\u00e7\u00e3o pactuada, os seus partidos e a sua pol\u00edtica central de consensos, mas n\u00e3o infligindo uma derrota f\u00edsica ao movimento oper\u00e1rio e aos chamados movimentos sociais. Portanto, sustentamos que a revolu\u00e7\u00e3o foi desviada. E nesse contexto, a partir da combina\u00e7\u00e3o de elementos objetivos de crise, em diversas magnitudes, emergir\u00e3o novas lutas de massas e crises revolucion\u00e1rias no pa\u00eds no pr\u00f3ximo per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta nova etapa abre uma discuss\u00e3o pol\u00edtica nas organiza\u00e7\u00f5es de vanguarda e revolucion\u00e1rias do pa\u00eds. Qual a estrat\u00e9gia e o caminho para mudar o Chile e o mundo?<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do MIT, mantemos a necessidade de defender um programa socialista e fundar um partido revolucion\u00e1rio da classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, n\u00e3o se pode mudar o Chile sem tocar na ess\u00eancia do capitalismo chileno. Os problemas sociais que geraram a revolu\u00e7\u00e3o de 2019 aprofundaram-se. Na revista especial que publicamos sobre os <em>\u201c50 anos do Golpe\u201d<\/em>, assinalamos: \u201c(\u2026) o capitalismo neoliberal chileno gera in\u00fameras contradi\u00e7\u00f5es sociais e ambientais. (\u2026) Em primeiro lugar, a economia prim\u00e1ria de exporta\u00e7\u00e3o resulta num mercado de trabalho prec\u00e1rio. Um pa\u00eds que produz cobre em sua forma mais b\u00e1sica, celulose, salm\u00e3o e frutas semi-industrializadas n\u00e3o pode esperar ter grande desenvolvimento tecnol\u00f3gico e cient\u00edfico nem gerar m\u00e3o de obra qualificada. Os setores de servi\u00e7os tampouco s\u00e3o de alto desenvolvimento tecnol\u00f3gico. Assim a qualidade do emprego \u00e9 necessariamente baixa. Para complementar, a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista impulsionada pela ditadura e mantida por governos \u201cdemocr\u00e1ticos\u201d dificulta e criminaliza a organiza\u00e7\u00e3o do proletariado para lutar por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, a economia \u201cextrativista\u201d \u00e9 necessariamente intensiva. Para que o Chile possa importar os milhares de produtos que a sociedade necessita, tem que exportar milh\u00f5es de toneladas de cobre, celulose, etc. Isto gera profundos danos ambientais (uso intensivo de \u00e1gua, rejeitos de minera\u00e7\u00e3o que se perpetuam sem controle, polui\u00e7\u00e3o do ar, dos rios, dos len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos subterr\u00e2neos, do mar, destrui\u00e7\u00e3o de ecossistemas, e um grande etc.). Estes problemas \u201cambientais\u201d s\u00e3o tamb\u00e9m sociais, na medida em que quem mais sofre as suas consequ\u00eancias, al\u00e9m da natureza, s\u00e3o as popula\u00e7\u00f5es que vivem nessas \u201czonas de sacrif\u00edcio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro problema \u00e9 que a maioria das grandes empresas est\u00e1 nas m\u00e3os de alguns grupos econ\u00f4micos, muitos deles transnacionais. Isto significa que os recursos criados por toda a classe trabalhadora s\u00e3o monopolizados por estas fam\u00edlias, gerando uma brutal desigualdade social e a pilhagem da riqueza nacional pelos pa\u00edses imperialistas. (9)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Assim, o car\u00e1ter objetivo da revolu\u00e7\u00e3o chilena tem um sentido de revolu\u00e7\u00e3o anticapitalista, uma vez que o conjunto das reivindica\u00e7\u00f5es mais elementares do movimento de massas se choca contra o regime e a propriedade concentrada das 10 fam\u00edlias e seus partidos, que governam o pa\u00eds desde a transi\u00e7\u00e3o pactuada, e quando chegar a hora, adotar\u00e1 um sentido \u201ccl\u00e1ssico\u201d em sua orienta\u00e7\u00e3o que \u00e9 dirigida pela classe oper\u00e1ria e setores populares. <\/strong>No entanto, estes problemas se agravaram pela aus\u00eancia de um partido revolucion\u00e1rio que tenha um programa revolucion\u00e1rio e milite com esta concep\u00e7\u00e3o de revolu\u00e7\u00e3o, em oposi\u00e7\u00e3o e confronto profundo ao programa de reformas graduais e no contexto do capitalismo promovido pelo PC e pelo Partido Comunista e a esquerda reformista.<\/p>\n\n\n\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o chilena desviada expressa a validade do programa de transi\u00e7\u00e3o de articula\u00e7\u00e3o das reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas mais elementares do movimento de massas com a expropria\u00e7\u00e3o e nacionaliza\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s dos m\u00e9todos da viol\u00eancia revolucion\u00e1ria de massas. Trotsky prop\u00f4s, em Para onde vai a Fran\u00e7a? (1936): <em>\u201cOs capitalistas n\u00e3o podem ceder nada aos oper\u00e1rios, exceto quando est\u00e3o amea\u00e7ados pelo perigo de perder tudo. Mas mesmo as maiores \u201cconcess\u00f5es\u201d de que o capitalismo contempor\u00e2neo \u00e9 capaz (ele pr\u00f3prio encurralado num beco sem sa\u00edda) permanecer\u00e3o absolutamente insignificantes em compara\u00e7\u00e3o com a mis\u00e9ria das massas e a profundidade da crise social. \u00c9 por isso que a mais imediata de todas as reivindica\u00e7\u00f5es deve ser a expropria\u00e7\u00e3o dos capitalistas e a nacionaliza\u00e7\u00e3o (socializa\u00e7\u00e3o) dos meios de produ\u00e7\u00e3o. Que esta exig\u00eancia \u00e9 irrealiz\u00e1vel sob o dom\u00ednio da burguesia? Obviamente. \u00c9 por isso que \u00e9 necess\u00e1rio conquistar o poder.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>As li\u00e7\u00f5es de 18 de Outubro aprofundam o potencial da viol\u00eancia revolucion\u00e1ria de massas nos seus v\u00e1rios m\u00e9todos de romper o consenso e colocar a burguesia em extrema debilidade. Contudo, ao mesmo tempo, expressa os limites da espontaneidade na hora de impor um programa socialista que destruiria os engodos dos programas de reforma gradual. Construir um partido revolucion\u00e1rio \u00e9 uma tarefa urgente. Um partido que materialize o equil\u00edbrio do 18 de Outubro e que inicie a articula\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria das reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e socialistas para a transi\u00e7\u00e3o ao poder oper\u00e1rio socialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse partido deve ter um programa que coloque no centro, pelo menos:<\/p>\n\n\n\n<p>1) O fim do saque do pa\u00eds com a nacionaliza\u00e7\u00e3o de todas as empresas estrat\u00e9gicas, como as Grandes Mineradoras de Cobre, L\u00edtio, grandes empresas metal\u00fargicas e sider\u00fargicas, estradas, portos, bancos e AFPs. Os bens naturais tamb\u00e9m devem estar sob o controle da classe trabalhadora, como a \u00e1gua e a terra.<\/p>\n\n\n\n<p>2) Planejamento, produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de riqueza. Este planejamento e distribui\u00e7\u00e3o devem ter como objetivo resolver as reivindica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores: acabar com o d\u00e9ficit habitacional; garantir sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o p\u00fablicas gratuitas e de qualidade para todos os habitantes do pa\u00eds; garantir alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e na quantidade necess\u00e1ria para todos; pagar sal\u00e1rios e aposentadorias dignas aos trabalhadores e aposentados; devolver as terras e territ\u00f3rios reivindicados pelo povo Mapuche; criar condi\u00e7\u00f5es materiais e sociais para libertar as mulheres do trabalho dom\u00e9stico; acabar com a opress\u00e3o e a discrimina\u00e7\u00e3o contra diferentes setores sociais, como estrangeiros, LGBTIs, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>3) O controle dos trabalhadores sobre todos os aspectos da produ\u00e7\u00e3o nacional com o objetivo de discutir e decidir democraticamente o que produzir, como produzir e em que quantidade. Junto com isso, tomar medidas imediatas para impedir a destrui\u00e7\u00e3o dos ecossistemas e a polui\u00e7\u00e3o ambiental;<\/p>\n\n\n\n<p>4) A dissolu\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es do Estado burgu\u00eas semicolonial chileno atrav\u00e9s da viol\u00eancia revolucion\u00e1ria em massa, substituindo-o por institui\u00e7\u00f5es de auto-organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, dos povos origin\u00e1rios, da juventude popular e do povo pobre. Os representantes deste Novo Poder devem ser eleitos nas bases, nos locais de trabalho, de estudo, nos bairros e no campo. A experi\u00eancia do potencial dos cord\u00f5es industriais na d\u00e9cada de 70 mostra um poder alternativo. Os setores parasitas da sociedade, como os donos de empresas e bancos, latifundi\u00e1rios, os oficiais das For\u00e7as Armadas e os Carabineiros, a c\u00fapula das Igrejas, etc., n\u00e3o deveriam ter representa\u00e7\u00e3o nesse poder, que dever\u00e1 ser dirigido pelos trabalhadores, quem s\u00e3o os que movem a sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>5) A pol\u00edtica militar do proletariado com autodefesa e armamento geral da classe trabalhadora e do povo. \u00c9 preciso acabar com as atuais For\u00e7as Armadas e policiais, que s\u00f3 servem para defender os setores privilegiados da sociedade. As novas For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias devem ser compostas por trabalhadores organizados, com dirigentes eleitos e com cargos revog\u00e1veis;<\/p>\n\n\n\n<p>6) A revolu\u00e7\u00e3o, ao adotar um car\u00e1ter anticapitalista e socialista, far\u00e1 parte da revolu\u00e7\u00e3o mundial contra o capitalismo e lutar\u00e1 na Am\u00e9rica Latina pela tomada do poder pelos trabalhadores dos pa\u00edses vizinhos e pela cria\u00e7\u00e3o de uma Federa\u00e7\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas as ideias materializam-se na sociedade em institui\u00e7\u00f5es. A greve geral, com todo o seu potencial, deve levantar profundamente a quest\u00e3o do poder na sociedade capitalista e a classe oper\u00e1ria deve fazer sentir com vigor toda a sua for\u00e7a. Contudo, n\u00e3o basta encurralar a burguesia e os seus partidos ao extremo. O que \u00e9 central \u00e9 a centraliza\u00e7\u00e3o de uma dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que possa dirigir esta viol\u00eancia revolucion\u00e1ria na destrui\u00e7\u00e3o da capacidade burguesa de se recompor, impondo novas institui\u00e7\u00f5es de poder pol\u00edtico e militar nascidas dos explorados. Nestes termos, as li\u00e7\u00f5es de 18 de Outubro colocam no centro a tarefa atual da vanguarda oper\u00e1ria, juvenil e mulheres de fundar no Chile um partido revolucion\u00e1rio marxista internacionalista que agrupe os mais avan\u00e7ados da vanguarda oper\u00e1ria, a juventude internacionalista, as mulheres, os habitantes, que lute pela refunda\u00e7\u00e3o da Quarta Internacional, com uma separa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica, program\u00e1tica e organizativa do reformismo do Partido Comunista do Chile, um requisito central para a mudan\u00e7a do Chile.<\/p>\n\n\n\n<p>(1) L. Trotsky, \u201cHistoria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>(2) <a href=\"https:\/\/www.ciperchile.cl\/2020\/01\/28\/se-instala-un-mayor-respaldo-de-los-jovenes-a-la-violencia-en-la-accion-politica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.ciperchile.cl\/2020\/01\/28\/se-instala-un-mayor-respaldo-de-los-jovenes-a-la-violencia-en-la-accion-politica\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>(3) F. Engels, no pref\u00e1cio de \u201cLuta de Classes na Fran\u00e7a de 1848 e 1850\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>(4) A. Gomes, \u201cA estrat\u00e9gia militar do proletariado\u201d, Revista 50 anos do golpe (2023)<\/p>\n\n\n\n<p>(5) \u201cEm termos de participa\u00e7\u00e3o, observa-se um aumento: em m\u00e9dia, em 2021, se mobilizaram 10.037 trabalhadores, 80% deles atrav\u00e9s de greves extralegais. A dura\u00e7\u00e3o dos conflitos continuou a aumentar, atingindo uma cifra recorde desde o retorno \u00e0 democracia (13,8 dias em m\u00e9dia), enquanto os extralegais do setor privado diminu\u00edram (m\u00e9dia de 1,6 dias). Educa\u00e7\u00e3o (53 greves), Transportes (36) e Sa\u00fade (35) s\u00e3o os setores econ\u00f4micos onde se concentrou a atividade grevista; No setor p\u00fablico ocorreram greves, principalmente nas \u00e1reas da Sa\u00fade (14 greves) e da Educa\u00e7\u00e3o (12).\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>(6) R. Luxemburgo, \u201cGreve Geral de Massas, Partido e Sindicatos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>(7) <a href=\"https:\/\/cipstra.cl\/informe-balance-de-la-huelga-general-del-12n\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/cipstra.cl\/informe-balance-de-la-huelga-general-del-12n\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>(8) R. Luxemburgo, idem<\/p>\n\n\n\n<p>(9) O. Calegari, \u201cDa transi\u00e7\u00e3o para a nova revolu\u00e7\u00e3o Chilena\u201d, Revista 50 anos do golpe (2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Rosangela Botelho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passados 5 anos desde o processo revolucion\u00e1rio iniciado em 18 de outubro no Chile, tamb\u00e9m conhecido popularmente como \u201cexplos\u00e3o social\u201d, s\u00e3o m\u00faltiplos os artigos em jornais e revistas apresentando diferentes interpreta\u00e7\u00f5es. Por: Roberto Monares Nestas p\u00e1ginas queremos reafirmar o car\u00e1ter revolucion\u00e1rio do processo iniciado em 18 de outubro de 2019. 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