{"id":79761,"date":"2024-10-17T18:46:27","date_gmt":"2024-10-17T18:46:27","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=79761"},"modified":"2024-10-17T18:46:29","modified_gmt":"2024-10-17T18:46:29","slug":"equador-noboa-apaga-a-luz-para-privatiza-la","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/10\/17\/equador-noboa-apaga-a-luz-para-privatiza-la\/","title":{"rendered":"Equador | Noboa apaga a luz para privatiz\u00e1-la"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Publicamos este artigo da Revista Crisis de 13 de setembro \u00faltimo. Crisis \u00e9 uma revista digital que nasceu com o objetivo de apresentar uma nova refer\u00eancia de esquerda no Equador. Com esta publica\u00e7\u00e3o concretizamos uma colabora\u00e7\u00e3o entre os dois meios de comunica\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do interc\u00e2mbio de artigos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O Equador est\u00e1 atravessando &nbsp;uma crise energ\u00e9tica autoinduzida sem precedentes. Um ano de Rep\u00fablica Bananeira demonstrou o aprofundamento violento nas m\u00e3os do cl\u00e3 Noboa da l\u00f3gica de explora\u00e7\u00e3o, espolia\u00e7\u00e3o e desvio de fundos p\u00fablicos. O presidente pretende gerir o pa\u00eds como uma \u00fanica fazenda privada de sua propriedade exclusiva, tal como o Congo, outrora sob o jugo brutal do rei belga Leopoldo II. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que o Equador, em termos hist\u00f3ricos, se encontra num momento de absoluta inflex\u00e3o, al\u00e9m de que as consequ\u00eancias em termos sociais, pol\u00edticos e econ\u00f3micos s\u00e3o imprevis\u00edveis. Parece que antes de terminar o seu pusil\u00e2nime mandato, o oligarca bananeiro pretende entregar o setor energ\u00e9tico numa bandeja de prata para a privatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenta-se ocultar a inten\u00e7\u00e3o expl\u00edcita da classe empresarial equatoriana de gerar uma crise t\u00e3o brutal num setor estrat\u00e9gico t\u00e3o b\u00e1sico como o energ\u00e9tico, para criar as condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias \u00e0 sua privatiza\u00e7\u00e3o. Esta a\u00e7\u00e3o corresponde a um manual cl\u00e1ssico de medidas neoliberais, em que se gera primeiro uma crise &#8211; normalmente em rela\u00e7\u00e3o a um direito ou servi\u00e7o b\u00e1sico, bem como a inten\u00e7\u00f5es b\u00e9licas &#8211; para controlar e direcionar a opini\u00e3o p\u00fablica para a aceita\u00e7\u00e3o da medida proposta pelo poder. Desta forma, estabelece-se a doutrina do choque, prevista tanto para cen\u00e1rios como a aprova\u00e7\u00e3o p\u00fablica da entrada em guerra de um pa\u00eds que em outras condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o teria concordado com ela &#8211; geralmente os Estados Unidos &#8211; ou a privatiza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, da eletricidade , gerenciamento de lixo, etc. A lista pode ser estendida ao infinito.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, \u00e9 fundamental lembrar o eterno sonho da burguesia no Equador e no mundo: privatizar e faturar direitos, que s\u00e3o deformados pela privatiza\u00e7\u00e3o, tornando-se privil\u00e9gios. Na d\u00e9cada de 90, o governo de Sixto Dur\u00e1n Ball\u00e9n estabeleceu condi\u00e7\u00f5es semelhantes \u2013 a hora Sixto \u2013 para tentar impor a privatiza\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Em termos ideol\u00f3gicos, \u00e9 ineg\u00e1vel estabelecer paralelos com a famosa afirma\u00e7\u00e3o: \u201cos ricos mijam na gente e a m\u00eddia diz que chove\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No meio do caos autoinduzido, a baixeza jornal\u00edstica t\u00e3o caracter\u00edstica dos meios de comunica\u00e7\u00e3o corporativos empreende uma campanha para \u201cado\u00e7ar\u201d a privatiza\u00e7\u00e3o aos olhos da opini\u00e3o p\u00fablica. Assim, h\u00e1 poucas semanas ressoou um comunicado da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio de Quito, no qual o Governo Nacional era instado a \u201cpermitir\u201d a iniciativa privada no setor energ\u00e9tico, j\u00e1 que o Estado \u00e9 \u201cineficiente e incompetente\u201d para resolver a crise. Adicionalmente, a CCQ anunciou a suposta dificuldade de sustentar o emprego em condi\u00e7\u00f5es de crise energ\u00e9tica, tentando obter duplo benef\u00edcio do argumento em quest\u00e3o. Este relato reflete perfeitamente a implementa\u00e7\u00e3o da doutrina do choque. Desfinanciamento, seguido de falta de manuten\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de uma campanha sangrenta de difama\u00e7\u00e3o e descr\u00e9dito, fal\u00eancia e obsolesc\u00eancia do servi\u00e7o p\u00fablico, culminando na proposta de uma \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d, com a qual j\u00e1 se contava desde o in\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, as corpora\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o se esfor\u00e7am para retratar como exemplos o panorama do Peru e da Col\u00f4mbia, quando em ambos os pa\u00edses a eletricidade \u00e9 privada, como quase todos os servi\u00e7os que inicialmente eram p\u00fablicos. A n\u00edvel regional, o Equador e o Paraguai t\u00eam os pre\u00e7os de eletricidade mais baixos de toda a Am\u00e9rica Latina, com uma m\u00e9dia de 48 USD por megawatt-hora em 2020, quando a m\u00e9dia continental era de 151,64 USD\/Mwh. Em compara\u00e7\u00e3o, o custo de um megawatt-hora na Col\u00f4mbia em 2020 foi de US$ 150. Al\u00e9m de n\u00e3o fornecer manuten\u00e7\u00e3o, a Rep\u00fablica Bananeira chegou ao ponto de desfinanciar a empresa p\u00fablica que administra o fornecimento de energia &#8211; CELEC &#8211; retirando um total de US$ 400 milh\u00f5es de suas contas \u2013 em 2023, o valor total sacado pelo Estado foi de 57,5 \u200b\u200bmilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise energ\u00e9tica, agravada por uma seca massiva que atinge a bacia amaz\u00f4nica em geral &#8211; sem precedentes, como todo fen\u00f4meno intensificado pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas induzidas pelo capitalismo -, corresponde ao momento hist\u00f3rico de aprofundamento das contradi\u00e7\u00f5es entre capital, ser humano e natureza. Daniel Noboa assinou pelo menos 5 concess\u00f5es mineiras desde o in\u00edcio do seu desastroso mandato: Cascabel -Solgold-, El Guayabo -Torata Mining e Bactech-, La Plata -Atico Mining-, C\u00f3ndor -Luminex-Adventus- e Cangrejos -Lumina Gold- . Dos projetos extrativos em opera\u00e7\u00e3o, apenas uma mina a c\u00e9u aberto como a Mirador consome diariamente \u00e1gua equivalente ao consumo de um milh\u00e3o e oitocentas mil pessoas ou cerca de 10% da popula\u00e7\u00e3o total do Equador. Mas \u00e9 precisamente este problema que o centro do poder pol\u00edtico evita mencionar, ignorando tamb\u00e9m o fato de Daniel Noboa, pessoalmente, tem interesses e participa\u00e7\u00f5es em pelo menos dois projetos mineiros concessionados em 2024. A classe empresarial vence elei\u00e7\u00f5es para nutrir os seus neg\u00f3cios do Estado, usando-o como base econ\u00f4mica e financeira para enriquecer. Marx e Engels j\u00e1 diziam que o Estado nada mais \u00e9 do que a junta de assuntos internos da burguesia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, a inefici\u00eancia autoprogramada do governo bananeiro, ao colocar tecnocratas empresariais que trabalharam apenas um dia na vida, chegou \u00e0 brilhante \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d paliativa de contratar uma barca\u00e7a para a gera\u00e7\u00e3o de eletricidade a partir da queima massiva de combust\u00edvel. Esta barca\u00e7a que nem sequer p\u00f4de ser estabilizada no rio Guayas &#8211; j\u00e1 que nunca foi realizado um estudo pr\u00e9vio de viabilidade &#8211; ancorou junto \u00e0s f\u00e1bricas de, surpreendentemente, Daniel Noboa y C\u00eda., causando potenciais preju\u00edzos ao Estado no valor de 114 milh\u00f5es de d\u00f3lares de aluguel anual da barca\u00e7a, contratado antes dos apag\u00f5es. Em termos francos, o Grupo Nobis estaria se apropriando descaradamente de recursos p\u00fablicos. Entretanto, e face ao fiasco da barca\u00e7a \u201cEmre Bey\u201d, o Governo Nacional pretende contratar duas barca\u00e7as adicionais, o que representar\u00e1 contratos suculentos para alguma empresa de fachada an\u00f4nima propriedade da oligarquia equatoriana. Uma das condi\u00e7\u00f5es centrais do contrato imposto pela empresa Karpowership foi a inclus\u00e3o de uma cl\u00e1usula de arbitragem internacional, atrav\u00e9s da qual esta empresa poderia processar o Estado equatoriano, bem como o retorno do Equador \u00e0 arbitragem internacional em 2021, a cr\u00e9dito do banqueiro do feriado e ent\u00e3o presidente, Guillermo Lasso.<\/p>\n\n\n\n<p>Por esta raz\u00e3o \u2013 e por muitas mais \u2013 a burguesia no sistema capitalista representa nada mais e nada menos do que a classe parasit\u00e1ria. O que \u00e9 a burguesia? Uma classe que n\u00e3o trabalha para viver, mas que acumula fortuna atrav\u00e9s da explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, atrav\u00e9s do roubo, da fraude, da usura e da apropria\u00e7\u00e3o de recursos p\u00fablicos, como a energia. Em termos gerais, a privatiza\u00e7\u00e3o de um sector, servi\u00e7o ou empresa p\u00fablica representa um ato de redistribui\u00e7\u00e3o \u201cde baixo para cima\u201d, uma vez que ocorre uma apropria\u00e7\u00e3o de fundos, recursos e at\u00e9 de uma vasta rede de infraestruturas p\u00fablicas em m\u00e3os privadas. Entretanto, o governo anuncia o aumento dos cortes de energia em todo o pa\u00eds at\u00e9 12 horas para esta terceira semana de outubro, declarando que os apag\u00f5es continuar\u00e3o durante meses, pelo menos at\u00e9 ao in\u00edcio de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal \u00e9 o atrevimento e a degenera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e moral da Rep\u00fablica Bananeira, que enquanto o povo n\u00e3o tinha eletricidade, o presidente homenageou publicamente seu pai \u00c1lvaro Noboa, no dia 9 de outubro em Guayaquil, premiando-o como \u201cfilantropo\u201d com a Ordem da Grande Cruz.<\/p>\n\n\n\n<p>A classe empresarial, juntamente com a sua m\u00e1quina medi\u00e1tica, pretende criar a tempestade perfeita para a privatiza\u00e7\u00e3o da energia no Equador. Resumindo, Daniel Noboa apaga a luz para enriquecer sua classe. A privatiza\u00e7\u00e3o da energia ser\u00e1 um fato. \u00c9 urgente a organiza\u00e7\u00e3o popular, em cada bairro, em cada centro de estudo e trabalho, em cada espa\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicamos este artigo da Revista Crisis de 13 de setembro \u00faltimo. Crisis \u00e9 uma revista digital que nasceu com o objetivo de apresentar uma nova refer\u00eancia de esquerda no Equador. Com esta publica\u00e7\u00e3o concretizamos uma colabora\u00e7\u00e3o entre os dois meios de comunica\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do interc\u00e2mbio de artigos. 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