{"id":79667,"date":"2024-10-03T15:19:25","date_gmt":"2024-10-03T15:19:25","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=79667"},"modified":"2024-10-03T15:19:28","modified_gmt":"2024-10-03T15:19:28","slug":"o-que-significam-as-demissoes-em-massa-e-como-devemos-enfrenta-las","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/10\/03\/o-que-significam-as-demissoes-em-massa-e-como-devemos-enfrenta-las\/","title":{"rendered":"O que significam as demiss\u00f5es em massa e como devemos enfrent\u00e1-las?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>As novas demiss\u00f5es coletivas confirmam que as demiss\u00f5es em massa s\u00e3o o problema mais s\u00e9rio que afeta a classe trabalhadora no Peru hoje. Diante deles, os sindicatos s\u00f3 utilizam os procedimentos legais e emitem pronunciamentos est\u00e9reis, no entanto, \u00e9 necess\u00e1rio responder com uma luta unida para deter as demiss\u00f5es e os m\u00faltiplos ataques dos patr\u00f5es que est\u00e3o cortando direitos e diminuindo a organiza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Sim\u00f3n Lazara<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 5 de agosto, a empresa Celima S.A. convocou 216 trabalhadores para reuni\u00f5es em suas diferentes f\u00e1bricas, para inform\u00e1-los que estava iniciando um processo de demiss\u00e3o coletiva contra eles. Os argumentos foram relacionados \u00e0 &#8220;reestrutura\u00e7\u00e3o&#8221; devido \u00e0 concorr\u00eancia. Desde ent\u00e3o, o sindicato iniciou uma longa e dura luta em defesa da estabilidade, um processo que se sabe quando come\u00e7a, mas nunca quando termina.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato n\u00e3o surpreendeu os ativistas mais conscientes do sindicato que meses atr\u00e1s j\u00e1 haviam enfrentado a amea\u00e7a de colocar 40 trabalhadores nessa situa\u00e7\u00e3o na &#8220;F\u00e1brica 2&#8221;, localizada no tradicional bairro oper\u00e1rio de &#8220;San Mart\u00edn de Porres&#8221; (Lima), se n\u00e3o aceitassem os incentivos oferecidos pela empresa para pedir demiss\u00e3o. Antes disso, cerca de 30 trabalhadores haviam sido for\u00e7ados a vender as suas demiss\u00f5es desde o fim da greve de 2022, num contexto de paralisa\u00e7\u00f5es e fechamentos de v\u00e1rias linhas de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o acontece, em graus variados, na maioria das empresas, pequenas e grandes. Aconteceu na T\u00eaxtil Hialpesa, Corporaci\u00f3n Miyasato, Unique S.A., Yobel SCM Logistic S.A., Faber Castell, Ajepr Kola Real, cocinas Record&#8230;; envolvendo centenas de trabalhadores que foram colocados na rua. Agora est\u00e1 acontecendo em Celima e San Lorenzo, s\u00e3o duas grandes empresas do setor cer\u00e2mico, bem localizadas no mercado mostrando que &#8220;ningu\u00e9m est\u00e1 seguro&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Algo pior aconteceu antes: na BSH Electrodom\u00e9sticos, Panasonic e Cogorno, que depois de sucessivas demiss\u00f5es coletivas, fecharam definitivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 um problema muito mais generalizado na classe oper\u00e1ria, onde apenas 3% t\u00eam sindicatos e podem denunciar e enfrentar essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o seguinte agravante: em muitos casos, quando os processos s\u00e3o legalmente &#8220;ganhos&#8221; pelos oper\u00e1rios, apenas uma minoria consegue ser reintegrada porque a maioria n\u00e3o consegue resistir ao longo processo. Ao longo do caminho, as organiza\u00e7\u00f5es sindicais foram e continuam sendo enfraquecidas ou destru\u00eddas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O problema de fundo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Peru experimentou um boom econ\u00f4mico no per\u00edodo 2004-2015, impulsionado por um aumento internacional excepcional nos pre\u00e7os dos minerais. Isso trouxe grandes investimentos, atividade econ\u00f4mica e emprego, embora prec\u00e1rios e com regime de trabalho flexibilizado. A festa acabou em 2015 e, desde ent\u00e3o, o crescimento econ\u00f4mico voltou \u00e0s taxas m\u00ednimas e, no ano passado, entrou em recess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o &#8220;fim da festa&#8221; veio o ajuste patronal para defender seus lucros. Retornou o desemprego cr\u00f4nico, o crescimento da pobreza, o retrocesso na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e nos servi\u00e7os de sa\u00fade; tudo o que vivemos de forma gritante na pandemia, quando o Estado e o capital mostraram que sua prioridade era salvar os lucros antes da vida das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta oper\u00e1ria e popular veio nas elei\u00e7\u00f5es de 2022, quando elegeram Pedro Castillo, o mais radical dos candidatos, que prometeu &#8220;n\u00e3o ter mais pobres em um pa\u00eds rico&#8221;. A oposi\u00e7\u00e3o brutal da burguesia e, finalmente, a imposi\u00e7\u00e3o do atual governo Boluarte \u2013 um arremedo do fujimorismo \u2013 mostrou que, para ela, qualquer recuo no seu modelo de economia liberal \u00e9 intoler\u00e1vel, e mostrou que, em sua defesa, est\u00e1 disposta a matar, como a repress\u00e3o sangrenta que deixou 49 v\u00edtimas executadas nos protestos no sul.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. A burguesia quer outro &#8220;choque&#8221; que aprofunde o modelo neoliberal: que a Petroper\u00fa e a Sedapal sejam leiloadas, que sejam impostos projetos de minera\u00e7\u00e3o sem licen\u00e7a social (Tia Mar\u00eda, Conga), que a Amaz\u00f4nia seja desmatada em benef\u00edcio do agroneg\u00f3cio, que se acabe com os poucos direitos trabalhistas vigentes e que as demiss\u00f5es sejam facilitadas e n\u00e3o sejam custosas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A situa\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a popula\u00e7\u00e3o os setores democr\u00e1ticos enfrentam e resistem a essas pretens\u00f5es, os empres\u00e1rios recorrem \u00e0s medidas permitidas pelas normas vigentes, com a permiss\u00e3o das autoridades, na \u00e2nsia de preservar seus lucros. \u00c9 assim que aplicam demiss\u00f5es coletivas, suspens\u00f5es perfeitas, compra de demiss\u00f5es; e, em geral, congelam sal\u00e1rios e cortam benef\u00edcios, precarizando mais a situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. Em \u00faltima an\u00e1lise, eles fecham f\u00e1bricas e levam &#8220;seu dinheiro&#8221; para outro lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>Os casos de Celima e San Lorenzo n\u00e3o s\u00e3o, portanto, os \u00fanicos nem os \u00faltimos: fazem parte de uma onda patronal que h\u00e1 anos tem como alvo os trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora mesmo, na Qu\u00edmica Suiza, do poderoso Grupo Intercorp, 900 trabalhadores est\u00e3o sendo for\u00e7ados a passar para a modalidade de terceiriza\u00e7\u00e3o. Na H&amp;M, uma multinacional que fabrica e vende roupas de marca, h\u00e1 in\u00fameras demiss\u00f5es arbitr\u00e1rias. Na Telef\u00f3nica, o STTP acorda de sua longa imobilidade para enfrentar uma amea\u00e7a iminente de demiss\u00f5es em massa. A rec\u00e9m-fundada Latina Television Union foi recebida com a demiss\u00e3o de seu conselho de administra\u00e7\u00e3o. Na Ripley&#8217;s, a empresa, nem sequer, se dignou a sentar para negociar a lista de reivindica\u00e7\u00f5es por dois per\u00edodos, enquanto reprime a atividade sindical.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, diante da prolongada languidez da economia, que \u00e9 culpa do modelo que os pr\u00f3prios patr\u00f5es defendem, eles descarregam sobre os trabalhadores os ajustes de que precisam para proteger seus lucros. E n\u00e3o v\u00e3o parar, inclusive buscando novos retrocessos aos direitos trabalhistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A falta de resposta<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os trabalhadores e suas organiza\u00e7\u00f5es lutam como podem. Mas \u00e9 evidente que um pequeno barco n\u00e3o pode surfar uma onda ou uma tempestade, que est\u00e1 desferindo golpes e reveses em suas organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta unit\u00e1ria da classe oper\u00e1ria \u00e9 necess\u00e1ria h\u00e1 muito tempo \u2013 e nunca ser\u00e1 tarde demais \u2013 para derrotar esse ataque e impor solu\u00e7\u00f5es de outro tipo, como a mudan\u00e7a do modelo econ\u00f4mico que preserve os interesses do pa\u00eds e os direitos trabalhistas e sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas isso n\u00e3o acontece porque os chamados a faz\u00ea-lo, os sindicatos (CGTP, FETRIMAP), <strong>n\u00e3o o fazem<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles n\u00e3o o fazem e tratam o problema como conflitos isolados produto de empres\u00e1rios inescrupulosos, e n\u00e3o como um ataque do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista que \u00e9 regulado pelo lucro. Por isso, restringem o problema a um tratamento jur\u00eddico no Minist\u00e9rio do Trabalho ou no Poder Judici\u00e1rio, e n\u00e3o como um problema pol\u00edtico, que questione o modelo e o pr\u00f3prio marco legal que o protege.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As novas demiss\u00f5es coletivas confirmam que as demiss\u00f5es em massa s\u00e3o o problema mais s\u00e9rio que afeta a classe trabalhadora no Peru hoje. 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