{"id":79647,"date":"2024-09-30T13:45:03","date_gmt":"2024-09-30T13:45:03","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=79647"},"modified":"2024-09-30T13:45:09","modified_gmt":"2024-09-30T13:45:09","slug":"indigenas-criticam-governo-e-cobram-demarcacao-dos-seus-territorios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/09\/30\/indigenas-criticam-governo-e-cobram-demarcacao-dos-seus-territorios\/","title":{"rendered":"Ind\u00edgenas criticam governo e cobram demarca\u00e7\u00e3o dos seus territ\u00f3rios"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Ap\u00f3s 335 anos, o Manto Tupinamb\u00e1, uma rel\u00edquia da cultura ind\u00edgena brasileira, levada daqui por colonizadores franceses e h\u00e1 s\u00e9culos mantida na Europa, foi oficialmente devolvido ao Brasil.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: PSTU Brasil<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, na cerim\u00f4nia de celebra\u00e7\u00e3o, que contou com a presen\u00e7a da Ministra dos Povos Ind\u00edgenas, Sonia Guajajara, e com o presidente Lula, a anci\u00e3 e lideran\u00e7a ind\u00edgena de Oliven\u00e7a, na Bahia, Yakuy Tupinamb\u00e1, fez um duro discurso, criticando a atua\u00e7\u00e3o do Congresso, do poder judici\u00e1rio e do pr\u00f3prio governo federal em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pauta ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cN\u00f3s somos violados h\u00e1 muito tempo, mas, ultimamente, o Estado e institui\u00e7\u00f5es patrimonialistas desencadearam uma retirada de direitos, com atentados contra a dignidade e a manuten\u00e7\u00e3o da vida. Temos, hoje, o pior Congresso da hist\u00f3ria, um Judici\u00e1rio egoc\u00eantrico e parcial, e um governo enfraquecido, acorrentado \u00e0s alian\u00e7as e conchavos para se manter no poder. N\u00e3o respeitam as leis nem os tratados e conven\u00e7\u00f5es internacionais. Vivemos uma democracia distorcida\u201d<\/em>, acrescentou Yakuy no discurso.<\/p>\n\n\n\n<p>Lula respondeu ao discurso, negando que h\u00e1 subservi\u00eancia para ficar no poder, afirmando que o PT n\u00e3o tem a maioria do Congresso e justificando que, \u201cpara aprovar as coisas, sou obrigado a conversar com quem n\u00e3o gosta de mim\u201d. Ser\u00e1 que isso inclui os mais de R$ 400 bilh\u00f5es concedidos ao agroneg\u00f3cio e que financiam a expans\u00e3o do setor, inclusive sobre os territ\u00f3rios ind\u00edgenas?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2018Lula continua negligenciando os povos ind\u00edgenas\u2019<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O fato \u00e9 que essa n\u00e3o foi a primeira manifesta\u00e7\u00e3o de insatisfa\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as ind\u00edgenas contra o governo Lula. No ano passado, o Cacique Raoni criticou o veto parcial do presidente ao projeto do Marco Temporal, aprovado pelos ruralistas do Congresso Nacional, e a falta de atendimento \u00e0 sa\u00fade dos povos ind\u00edgenas, afirmando que que a retirada dos invasores estava aqu\u00e9m do esperado.&nbsp;<em>\u201cEle est\u00e1 devagar. N\u00e3o cumpriu o que me prometeu no dia da posse e por isso vou a Bras\u00edlia bater na porta dele\u201d<\/em>, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Raoni tentou falar com Lula por duas vezes, mas n\u00e3o foi recebido. Na posse presidencial, o cacique subiu a rampa com Lula, que prometeu a ele cumprir a pauta de reivindica\u00e7\u00f5es dos movimentos ind\u00edgenas. Mas, de l\u00e1 pra c\u00e1, pouca coisa mudou.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cYakuy representou muito bem os povos ind\u00edgenas do Brasil em seu discurso, pois teve a oportunidade de direcionar diretamente as cr\u00edticas de insatisfa\u00e7\u00e3o contra o governo. \u00c9 absurdo como Lula continua negligenciando os povos ind\u00edgenas, apesar do discurso mentiroso de posse. As paralisa\u00e7\u00f5es das demarca\u00e7\u00f5es das TIs [Terras Ind\u00edgenas] s\u00e3o uma delas. O governo mascara o problema com in\u00fameras promessas para garantir o lucro dos opressores que est\u00e3o no poder\u201d,<\/em>&nbsp;explica Raquel K\u00fcn\u00e3 Ypor\u00e3 Trememb\u00e9, que luta pela demarca\u00e7\u00e3o das terras do seu povo, no Maranh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Queimadas e invas\u00f5es de Terras Ind\u00edgenas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"649\" height=\"647\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Indigenas-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-79648\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Indigenas-1.jpg 649w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Indigenas-1-300x299.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Indigenas-1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 649px) 100vw, 649px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fogo na Terra Ind\u00edgena do Xingu<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A onda de queimadas que devasta o Brasil \u00e9 o an\u00fancio da expans\u00e3o de novas fronteiras agr\u00edcolas da agricultura capitalista, o chamado agroneg\u00f3cio, e castigam sobretudo a Amaz\u00f4nia e o Cerrado.<\/p>\n\n\n\n<p>As Terras Ind\u00edgenas (Tis) tamb\u00e9m s\u00e3o alvos do fogo provocado por grileiros e fazendeiros. Em agosto, tr\u00eas das TIs mais invadidas por garimpeiros na Amaz\u00f4nia tiveram uma explos\u00e3o de queimadas.<\/p>\n\n\n\n<p>A Terra Ind\u00edgena Kayap\u00f3, no Sul do Par\u00e1, onde vivem 4,5 mil kayap\u00f3s mebeng\u00f4kres, foi a que registrou maior n\u00famero de queimadas. Nas imagens de sat\u00e9lites, \u00e9 poss\u00edvel ver a TI completamente tomada por fogo e fuma\u00e7a. Em segundo lugar vem a TI Munduruku, no Sudoeste do Par\u00e1. Em 28 dias, foram registrados 217 focos de calor no territ\u00f3rio, onde vivem 9.257 mundurukus e apiak\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>A terceira \u00e9 a terra Sarar\u00e9, no Sudoeste de Mato Grosso, onde vivem os nambikwaras, um povo com uma hist\u00f3ria extraordin\u00e1ria e que enfrenta a invas\u00e3o de garimpeiros desde o governo Bolsonaro. Em todos esses territ\u00f3rios ainda h\u00e1 forte presen\u00e7a de garimpeiros e existem apenas a\u00e7\u00f5es espor\u00e1dicas de fiscaliza\u00e7\u00e3o e combate \u00e0 estrutura do garimpo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Viol\u00eancia e assassinatos continuam<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o dia 5 de setembro, o governo e o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a s\u00f3 assinaram a Portaria Declarat\u00f3ria (documento final que autoriza sua demarca\u00e7\u00e3o) de tr\u00eas Terras Ind\u00edgenas. Nenhuma delas est\u00e1 envolvida na discuss\u00e3o sobre o Marco Temporal, uma medida absurda, inconstitucional, aprovada pelo Congresso, que s\u00f3 reconhece terras ind\u00edgenas ocupadas antes da promulga\u00e7\u00e3o da Constituinte de 1988.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, impera o fogo dos fazendeiros, o desmatamento e a invas\u00e3o da garimpagem. Mas tamb\u00e9m explode a viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2023, foram registrados 411 casos de viol\u00eancia contra ind\u00edgenas, incluindo 208 assassinatos, o que representa um aumento de 15,5% em rela\u00e7\u00e3o a 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>Os casos mais recentes foram contra dois Guarani-Kaiow\u00e1, no Mato Grosso do Sul. O kaiow\u00e1 Neri Ramos da Silva foi assassinado no \u00faltimo dia 18, com um tiro, durante opera\u00e7\u00e3o ilegal da Pol\u00edcia Militar (PM) em conjunto com as mil\u00edcias dos fazendeiros. Tudo leva crer que Neri foi alvejado por um atirador de elite da pol\u00edcia. No dia 23, Fred Souza Garcete, Guarani Kaiow\u00e1 de 15 anos, da Terra Ind\u00edgena Nhanderu Marangatu, foi encontrado morto na Rodovia MS-384, no munic\u00edpio de Ant\u00f4nio Jo\u00e3o (MS).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luta<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Derrotar o agroneg\u00f3cio, antes que transforme tudo em sangue e cinzas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A demora na demarca\u00e7\u00e3o das terras e a impunidade alimentam a viol\u00eancia. Isso ocorre tamb\u00e9m com os Tupinamb\u00e1, do Sul da Bahia, que, h\u00e1 15 anos, aguardam, ansiosamente, a assinatura da Portaria Declarat\u00f3ria que demarca o seu territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas de suas lideran\u00e7as j\u00e1 foram assassinadas e este povo \u00e9 constantemente amea\u00e7ado pelas investidas do agroneg\u00f3cio da regi\u00e3o. \u00c9 para l\u00e1 que vai o Manto Tupinamb\u00e1, que estava na Dinamarca desde 1689. A extraordin\u00e1ria pe\u00e7a, que mede 1,80 m de altura e \u00e9 composta por milhares de penas de guar\u00e1s, al\u00e9m de ser uma conex\u00e3o entre os ind\u00edgenas e seus ancestrais, \u00e9 a maior prova da necessidade de devolver esses territ\u00f3rios aos seus verdadeiros guardi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso demarcar imediatamente todas as terras ind\u00edgenas, antes que o agroneg\u00f3cio transforme em cinzas todas as florestas, destrua os povos origin\u00e1rios e n\u00e3o nos reste sequer o manto sagrado dos Tupinamb\u00e1s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s 335 anos, o Manto Tupinamb\u00e1, uma rel\u00edquia da cultura ind\u00edgena brasileira, levada daqui por colonizadores franceses e h\u00e1 s\u00e9culos mantida na Europa, foi oficialmente devolvido ao Brasil. 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