{"id":79630,"date":"2024-09-27T00:11:32","date_gmt":"2024-09-27T00:11:32","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=79630"},"modified":"2024-09-27T00:31:37","modified_gmt":"2024-09-27T00:31:37","slug":"a-crise-ambiental-nao-e-conto-emergencia-nacional-ja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/09\/27\/a-crise-ambiental-nao-e-conto-emergencia-nacional-ja\/","title":{"rendered":"Col\u00f4mbia | A crise ambiental n\u00e3o \u00e9 conto. Emerg\u00eancia nacional j\u00e1!"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Ao encerrar este artigo, a Unidade Nacional de Gest\u00e3o de Riscos e Desastres (UNGRD) do Estado colombiano relatou 31 inc\u00eandios florestais ativos em diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds, afetando principalmente departamentos como Tolima, Cauca, Nari\u00f1o, Cundinamarca, Huila, Valle del Cauca e Amazonas, com um total de 10.945 hectares impactados.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Rosa C. (PST \u2013 Col\u00f4mbia)<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 ao momento apenas cinco dos inc\u00eandios foram apagados, o que mostra a dimens\u00e3o do problema nesta \u00e9poca de seca em que, com o aumento da temperatura global registrada como a mais elevado em 2023, alguns estudos cient\u00edficos previam que 2024 poderia ultrapassar isto. Infelizmente, tudo parece indicar que n\u00e3o se enganaram, e as temperaturas registadas no Caribe colombiano, em outras \u00e1reas do pa\u00eds e no mundo, confirmam-no. Cidades como Barranquilla e Santa Marta atingiram at\u00e9 51 graus Celsius; Cartagena tamb\u00e9m registrou temperaturas de 33 graus Celsius e uma sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica de 43 graus; Riohacha j\u00e1 teve temperaturas de at\u00e9 38 graus Celsius, com sensa\u00e7\u00f5es t\u00e9rmicas que ultrapassam os 45 graus. Mesmo as popula\u00e7\u00f5es de clima temperado foram afetadas pela onda de calor, podemos at\u00e9 afirmar que as suas temperaturas m\u00e9dias aumentaram para 33 graus Celsius ou mais, temperaturas que n\u00e3o s\u00e3o comuns nestes climas, e mesmo em Bogot\u00e1 (\u201ca geladeira\u201d ) houve temperaturas recordes de 25 graus.<\/p>\n\n\n\n<p>A onda de calor tamb\u00e9m afeta diversas regi\u00f5es do nosso vizinho Equador, onde as chamas consumiram 23.452 hectares at\u00e9 agora em setembro. Tamb\u00e9m no Peru, a ponto de o governo declarar estado de emerg\u00eancia em tr\u00eas departamentos. O Paraguai e o norte da Argentina sofreram, em menor grau, inc\u00eandios florestais. No Brasil vivemos atualmente uma verdadeira cat\u00e1strofe ambiental, os inc\u00eandios florestais est\u00e3o consumindo a Amaz\u00f4nia brasileira e sete milh\u00f5es de hectares j\u00e1 est\u00e3o afetados pelo fogo. Um artigo publicado no Opini\u00e3o Socialista, jornal do nosso partido irm\u00e3o no Brasil (o PSTU), analisa o seguinte. \u201cDe 1\u00ba de janeiro a 11 de setembro, o Brasil registrou 172.815 focos de inc\u00eandio, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Destes, 86.195 est\u00e3o localizados na Amaz\u00f4nia e 56.363 no Cerrado. \u201cO pa\u00eds vive a sua pior seca desde 1950, como consequ\u00eancia de fen\u00f4menos clim\u00e1ticos extremos causados \u200b\u200bpelo aquecimento global.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A Bol\u00edvia est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia nacional, enquanto a fuma\u00e7a negra envolve cidades inteiras. L\u00e1, as pessoas sa\u00edram \u00e0s ruas para protestar contra as leis que protegem os grandes pecuaristas, principalmente aquela que permite a queima controlada de florestas para convert\u00ea-las em pastagens para a pecu\u00e1ria intensiva, pois segundo den\u00fancias de diversas comunidades, essas queimadas foram a fa\u00edsca que produziu v\u00e1rios dos atuais inc\u00eandios florestais; Essa pr\u00e1tica \u00e9 conhecida para ampliar a fronteira agr\u00edcola e as \u00e1reas protegidas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>M\u00e3os criminosas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio do que a ci\u00eancia aponta sobre as causas profundas desta trag\u00e9dia ambiental, a explica\u00e7\u00e3o mais f\u00e1cil a que as autoridades geralmente recorrem \u00e9 que foram \u201cm\u00e3os criminosas\u201d que causaram os inc\u00eandios florestais. Obviamente, uma fogueira que n\u00e3o se apaga a tempo, um vidro ao sol que produz uma fa\u00edsca, ou uma bituca de cigarro acesa, a queima descuidada de lixo org\u00e2nico pode provocar um inc\u00eandio. Mas esta explica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 suficiente quando vemos que os inc\u00eandios florestais ocorrem simultaneamente em muitos lugares, n\u00e3o apenas num pa\u00eds, mas em todo o mundo. Seria for\u00e7ado pensar que existe algum tipo de junta que se prop\u00f4s, como parte de uma conspira\u00e7\u00e3o, a incendiar o continente ou o planeta ou que tem tal poder que conseguiu fazer com que as temperaturas subissem aos n\u00edveis que citamos no nosso pa\u00eds e nos pa\u00edses do sul da Europa ou dos Estados Unidos durante o ver\u00e3o. Existem tamb\u00e9m focos importantes de inc\u00eandios florestais em Portugal e Espanha, embora em menor n\u00famero e intensidade do que h\u00e1 alguns anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 o capitalismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o, trata-se aqui simplesmente das consequ\u00eancias do aquecimento global produzido pelo aumento constante e descontrolado dos gases de efeito de estufa que t\u00eam provocado o aumento da temperatura do planeta e o derretimento do gelo nos polos, elevando os n\u00edveis das \u00e1guas dos oceanos e causando um aumento na intensidade de tempestades e ventos. O que antes conhec\u00edamos como fen\u00f4menos naturais normais est\u00e1 agora sobrecarregado e os seus efeitos est\u00e3o ficando fora de controle, afetando gravemente a vida dos seres humanos, das esp\u00e9cies animais e das plantas; O equil\u00edbrio foi rompido, o metabolismo da natureza foi rompido pela a\u00e7\u00e3o de um dos seus componentes, uma minoria de seres humanos que se beneficiam do atual sistema de produ\u00e7\u00e3o capitalista. Esses, sim, s\u00e3o interesses criminosos que, em favor dos seus lucros, atacam o planeta independentemente do custo. N\u00e3o \u00e9 a esp\u00e9cie humana a respons\u00e1vel. \u00c9 a classe capitalista da nossa esp\u00e9cie que coloca os seus interesses econ\u00f4micos acima da vida no planeta e explora a grande maioria da humanidade em seu pr\u00f3prio benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, como na Bol\u00edvia e em quase todos os pa\u00edses latino-americanos, \u00e9 o agroneg\u00f3cio e a explora\u00e7\u00e3o madeireira da floresta amaz\u00f4nica que em conjunto produzem gases de efeito estufa que alimentam o aquecimento global, uma vez que esses fen\u00f4menos ambientais, assim como os ventos n\u00e3o t\u00eam fronteiras e se somam aos elevados n\u00edveis de CO2 produzidos pelos combust\u00edveis f\u00f3sseis nas cidades.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As consequ\u00eancias sociais imediatas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel esconder que a tend\u00eancia inflacion\u00e1ria tem esta crise ambiental como um dos seus componentes, as taxas dos servi\u00e7os p\u00fablicos aumentaram de forma alarmante, especialmente a energia na costa caribenha, da mesma forma que a \u00e1gua. H\u00e1 racionamento n\u00e3o s\u00f3 em Bogot\u00e1, mas em muitas cidades como, por exemplo, em La Mesa (munic\u00edpio de Cundinamarca) onde apenas 12 horas a cada 15 dias a \u00e1gua chega \u00e0s casas, enquanto as construtoras n\u00e3o param suas obras que consomem grandes quantidades do l\u00edquido, assim como acontece em Bogot\u00e1 com a transnacional Coca-Cola que tira 280 mil litros de \u00e1gua da nascente Calera por dia, para engarraf\u00e1-la e vend\u00ea-la a pre\u00e7os especulativos, o mesmo acontece com todas as empresas que consomem enormes quantidades de \u00e1gua para produzir seus refrigerantes e embalar suas garrafas de \u00e1gua. Quanto mais calor, mais l\u00edquido \u00e9 necess\u00e1rio consumir, por isso essas empresas vendem mais e mais enchem os bolsos. O capitalismo aplica o racionamento de servi\u00e7os b\u00e1sicos com crit\u00e9rio de classe.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o Estado vende recursos naturais aos empres\u00e1rios a pre\u00e7os rid\u00edculos, para os trabalhadores as suas taxas aumentam e os servi\u00e7os s\u00e3o cortados se n\u00e3o pagarem ou s\u00e3o prestados, mas de m\u00e1 qualidade. Os capitalistas que provocaram, com a sua depreda\u00e7\u00e3o do planeta, a crise ambiental que amea\u00e7a com a destrui\u00e7\u00e3o da vida, n\u00e3o hesitam em lucrar com as necessidades que esta mesma crise provoca, pois a gerem com a lei da oferta e a demanda. \u00c9 por isso que as taxas de servi\u00e7o sobem, os pre\u00e7os dos alimentos, os pre\u00e7os dos combust\u00edveis e transportes sobem, mas os sal\u00e1rios n\u00e3o sobem. Esta \u00e9 uma tend\u00eancia inexor\u00e1vel, que os trabalhadores de todo o mundo t\u00eam de parar agora e a tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPara parar a crise clim\u00e1tica, \u00e9 necess\u00e1ria uma revolu\u00e7\u00e3o mundial\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Esta foi a frase-chave do discurso do presidente Petro na confer\u00eancia internacional Save the Planet, realizada em Chicago no s\u00e1bado, 21 de setembro de 2024, em sua viagem aos Estados Unidos, a prop\u00f3sito da Assembleia Geral da ONU, da qual participa.<\/p>\n\n\n\n<p>Os socialistas sempre defenderam que, para salvar o planeta e a humanidade da barb\u00e1rie para a qual o capitalismo nos leva inexoravelmente, precisamos de uma revolu\u00e7\u00e3o mundial. Nisto concordamos com Petro, mas acreditamos que como presidente e no meio desta crise clim\u00e1tica ele teria que come\u00e7ar por tomar uma s\u00e9rie de medidas imediatas e urgentes que nos conduzissem nesse caminho. Para come\u00e7ar, os presidentes dos pa\u00edses amaz\u00f4nicos devem ser convocados para articular um plano conjunto que permita deter os inc\u00eandios, decretar uma emerg\u00eancia ambiental em n\u00edvel nacional para poder utilizar os recursos e tomar medidas como a redu\u00e7\u00e3o das tarifas do servi\u00e7o p\u00fablico para a classe trabalhadora; cobrindo apenas os custos de produ\u00e7\u00e3o, como a revers\u00e3o da privatiza\u00e7\u00e3o de empresas de servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Estado e os trabalhadores devem assumir o controle destes recursos e coloc\u00e1-los ao servi\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o dos interesses capitalistas, tomando medidas como:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Suspender o fornecimento de \u00e1gua a empresas engarrafadoras como Coca Cola e Postob\u00f3n, e concess\u00f5es a empresas mineiras.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Desapropria\u00e7\u00e3o por via administrativa e de interesse geral de nascentes e mananciais de propriedade privada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Controle dos pre\u00e7os dos alimentos para que os empres\u00e1rios n\u00e3o especulem<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Controle estatal de florestas e selvas, nem mais uma \u00e1rvore deve ser derrubada<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Redu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis aos pre\u00e7os de custo nacionais, nem um peso a mais para favorecer os grandes produtores de hidrocarbonetos.<\/p>\n\n\n\n<p>E se pode ir al\u00e9m, desapropriando todas as terras que foram desmatadas e utilizadas para pecu\u00e1ria intensiva e agroneg\u00f3cio; dedicar os juros e pagamentos da d\u00edvida externa como recursos para um fundo de emerg\u00eancia contra o aquecimento global e tomar medidas para det\u00ea-lo e, se poss\u00edvel, revert\u00ea-lo; Petro deve assumir a lideran\u00e7a e liderar esse processo na regi\u00e3o, conforme seus discursos.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 que esta revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel, como disse Petro no seu discurso em Chicago, juntamente com os Estados Unidos e os governos dos pa\u00edses imperialistas, mas contra para eles e em unidade com a classe trabalhadora de todo o mundo contra o capitalismo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao encerrar este artigo, a Unidade Nacional de Gest\u00e3o de Riscos e Desastres (UNGRD) do Estado colombiano relatou 31 inc\u00eandios florestais ativos em diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds, afetando principalmente departamentos como Tolima, Cauca, Nari\u00f1o, Cundinamarca, Huila, Valle del Cauca e Amazonas, com um total de 10.945 hectares impactados. 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