{"id":79624,"date":"2024-09-26T23:01:47","date_gmt":"2024-09-26T23:01:47","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=79624"},"modified":"2024-12-06T16:15:51","modified_gmt":"2024-12-06T16:15:51","slug":"a-crise-boliviana-continua-a-marcha-de-evo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/09\/26\/a-crise-boliviana-continua-a-marcha-de-evo\/","title":{"rendered":"A crise boliviana continua: a marcha de Evo"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Como temos dito em v\u00e1rios artigos, em meio a uma grande crise econ\u00f4mica (expressa na escassez de combust\u00edveis e de d\u00f3lares) que deixou para tr\u00e1s o chamado &#8220;milagre econ\u00f4mico boliviano&#8221;, a Bol\u00edvia atravessa uma enorme crise pol\u00edtica gerada pelo enfrentamento entre o presidente do pa\u00eds, Luis Arce, e o ex-presidente Evo Morales.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Al\u00edcia Sagra<\/p>\n\n\n\n<p>Como dissemos anteriormente, o atual confronto entre estes ex-companheiros do MAS[1] n\u00e3o se baseia em quest\u00f5es pol\u00edticas nem, muito menos, em preocupa\u00e7\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o de vida dos agricultores e trabalhadores bolivianos. A luta deles tem a ver com a disputa eleitoral, ambos querem ser candidatos presidenciais pelo MAS nas elei\u00e7\u00f5es de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>Este enfrentamento j\u00e1 passou por bloqueios de estradas, manobras com setores das for\u00e7as armadas, acusa\u00e7\u00f5es de autogolpe, reclama\u00e7\u00f5es m\u00fatuas \u00e0 justi\u00e7a e agora se manifesta com a chamada \u201cMarcha para salvar a Bol\u00edvia\u201d promovida e dirigida por Evo Morales.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta marcha entre Caracollo e La Paz (189 km), que segundo a imprensa boliviana foi massiva, durou uma semana. Ela saiu de Caracollo no dia 17 de setembro e chegou na segunda-feira, dia 23, em La Paz, onde foi recebida por uma importante manifesta\u00e7\u00e3o. Nessa manifesta\u00e7\u00e3o Evo fez um discurso no qual se referiu ao governo, dizendo que este se tinha tornado uma ditadura e que as bases tinham que recuperar a democracia, afirmando que lhe dava 24 horas para resolver o problema do combust\u00edvel e da disponibilidade de d\u00f3lares, e que se n\u00e3o o fizesse as mobiliza\u00e7\u00f5es continuariam.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guerra de comunica\u00e7\u00f5es pelas alturas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante os sete dias de marcha houve uma guerra de declara\u00e7\u00f5es cruzadas. Do governo e dos setores arcistas acusaram Evo de \u201cincentivar a guerra civil\u201d, de \u201cpromover um golpe de estado\u201d; enquanto Evo denunciou o governo por criar uma \u201ccerca medi\u00e1tica\u201d para distorcer a natureza de protesto da marcha.<\/p>\n\n\n\n<p>Do lado dos setores Arcistas, incluindo a confedera\u00e7\u00e3o camponesa CSUTCB, foi exigida a pris\u00e3o de Evo Morales por desrespeito \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o e desestabiliza\u00e7\u00e3o do governo, enquanto dos setores Evista foi exigia a ren\u00fancia de Arce e do vice Choquehuanca, para que o presidente do Senado pudesse assumir, o evista Androgino Rodr\u00edguez.<\/p>\n\n\n\n<p>A guerra de den\u00fancias n\u00e3o foi apenas a n\u00edvel nacional. Evo Morales enviou uma carta ao secret\u00e1rio-geral da ONU, Antonio Guterres, solicitando a interven\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o, a fim de evitar que o Governo \u201cdesbaratasse\u201d o seu protesto com \u201cgrupos de choque que s\u00e3o na realidade grupos paramilitares\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, um dia ap\u00f3s a chegada da marcha a La Paz, o Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores denunciou \u00e0 comunidade internacional que a marcha liderada por Morales amea\u00e7ava diretamente a \u201ccontinuidade da ordem democr\u00e1tica\u201d ao dar um ultimato \u00e0 gest\u00e3o de Luis Arce<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Confrontos f\u00edsicos e feridos da base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esses enfrentamentos por cima levaram a confrontos f\u00edsicos por baixo. No domingo, dia 22, seguidores de Luis Arce organizaram uma manifesta\u00e7\u00e3o na cidade de El Alto para pedir \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que impedisse a passagem da marcha. A manifesta\u00e7\u00e3o foi interrompida por apoiadores de Evo Morales, o que gerou um forte confronto com v\u00e1rios feridos. E na segunda-feira ocorreu outro confronto semelhante em La Paz, quando se esperava a chegada da marcha.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia existente levou \u00e0 suspens\u00e3o das aulas na segunda-feira em v\u00e1rias escolas de El Alto e La Paz.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O MAS n\u00e3o \u00e9 o instrumento pol\u00edtico que os trabalhadores precisam<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os dois dirigentes acusam-se mutuamente de corrup\u00e7\u00e3o, ambos se apresentam como defensores da \u201cdemocracia\u201d, contra a \u201cditadura\u201d de Arce ou contra o \u201cgolpe de Evo\u201d. Mas a verdade \u00e9 que a \u00fanica coisa que os move \u00e9 a candidatura presidencial e as negocia\u00e7\u00f5es e regalias que acompanham esse cargo. E para isso recorrem a todos os meios, incluindo o incentivo do enfrentamento entre a base camponesa e a base popular.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que o MAS, que tantas expectativas suscitou entre os camponeses, povos ind\u00edgenas e oper\u00e1rios bolivianos e que, infelizmente, contou com o apoio da maioria da esquerda latino-americana e internacional, nunca deixou de defender o sistema capitalista e, portanto, n\u00e3o foi , nem \u00e9 o instrumento pol\u00edtico de que os trabalhadores da cidade e do campo necessitam. Para acabar com o sofrimento dos oper\u00e1rios, dos camponeses, dos pobres, \u00e9 necess\u00e1rio acabar com o capitalismo. Para atingir este objetivo \u00e9 necess\u00e1rio um instrumento pol\u00edtico diferente, um partido oper\u00e1rio, socialista, revolucion\u00e1rio, internacionalista, que trabalhe por uma revolu\u00e7\u00e3o como a de 1952, mas desta vez d\u00ea poder aos trabalhadores e impulsione a revolu\u00e7\u00e3o latino-americana para derrotar o imperialismo e avan\u00e7ar para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista. Essa \u00e9 a \u00fanica maneira de alcan\u00e7ar verdadeiramente um Estado oper\u00e1rio plurinacional e multi\u00e9tnico, livre de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p>[1] Luis Arce foi ministro da economia de Evo e tornou-se presidente com o apoio de Morales.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como temos dito em v\u00e1rios artigos, em meio a uma grande crise econ\u00f4mica (expressa na escassez de combust\u00edveis e de d\u00f3lares) que deixou para tr\u00e1s o chamado &#8220;milagre econ\u00f4mico boliviano&#8221;, a Bol\u00edvia atravessa uma enorme crise pol\u00edtica gerada pelo enfrentamento entre o presidente do pa\u00eds, Luis Arce, e o ex-presidente Evo Morales. 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