{"id":79614,"date":"2024-09-26T00:42:45","date_gmt":"2024-09-26T00:42:45","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=79614"},"modified":"2024-09-26T00:42:49","modified_gmt":"2024-09-26T00:42:49","slug":"quem-teme-uma-palestina-livre-do-rio-ao-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/09\/26\/quem-teme-uma-palestina-livre-do-rio-ao-mar\/","title":{"rendered":"Quem teme uma Palestina \u201clivre do rio ao mar\u201d?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Aparentemente, toda a esquerda apoia a causa palestina. Contudo, quando tentamos definir o que significa apoiar a causa palestina, descobrimos que na maioria dos casos \u00e9 o apoio que, paradoxalmente, acaba por adoptar as mesmas falsas \u201csolu\u00e7\u00f5es\u201d propostas pelos amigos imperialistas de Israel.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Francesco Ricci<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como \u00e9 justo organizar manifesta\u00e7\u00f5es e iniciativas de solidariedade com a resist\u00eancia de forma unit\u00e1ria, \u00e9 igualmente necess\u00e1ria clareza de posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Tomemos como exemplo um das consignas mais gritados nas ruas de todo o mundo nos \u00faltimos meses, a come\u00e7ar pelos jovens de origem \u00e1rabe, uma consigna que preocupa as classes dominantes (que em alguns pa\u00edses a consideram &#8220;ilegal&#8221;): Palestina &#8220;livre do rio ao mar.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, entre o rio (Jord\u00e2nia) e o mar (Mediterr\u00e2neo) n\u00e3o h\u00e1 apenas o que s\u00e3o considerados &#8220;territ\u00f3rios ocupados&#8221;, isto \u00e9, Gaza e a Cisjord\u00e2nia, mas tamb\u00e9m a maior parte do territ\u00f3rio roubado aos palestinos que os sionistas &#8211; mas tamb\u00e9m uma grande parte da esquerda \u2013 reconhece-o como o \u201cEstado de Israel\u201d, dotado de uma suposta legitimidade para existir e \u201cdefender-se\u201d (da popula\u00e7\u00e3o que efetivamente oprime).<\/p>\n\n\n\n<p>Procuremos ent\u00e3o ver quais s\u00e3o as posi\u00e7\u00f5es predominantes na esquerda e porque s\u00e3o incompat\u00edveis com a justa exig\u00eancia de uma Palestina &#8220;livre do rio ao mar&#8221;, porque contradizem as aspira\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas dos palestinos e das massas que se manifestam pela Palestina gritando este slogan.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A infame proposta dos \u201cdois estados\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se existe uma proposta que une a grande maioria das dire\u00e7\u00f5es dos partidos de esquerda, \u00e9 a da \u201csolu\u00e7\u00e3o de dois Estados\u201d, ou seja, a ideia de fazer coexistir, por assim dizer, Israel, na terra dos palestinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 aparentemente uma proposta racional. Alguns perguntam, em alguns casos ingenuamente e noutros com total m\u00e1-f\u00e9: porque n\u00e3o conseguir a coexist\u00eancia pac\u00edfica entre judeus e \u00e1rabes depois de tantos anos de guerra? \u00c9 a ideia propagada em muitos filmes e romances rom\u00e2nticos pacifistas.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema \u00e9 que esta suposta solu\u00e7\u00e3o \u00e9 fuma\u00e7a e espelhos. E precisamente neste sentido \u00e9 utilizado pela maioria das pot\u00eancias imperialistas. Esta \u00e9 uma hip\u00f3tese ao mesmo tempo injusta, impratic\u00e1vel e fantasiosa.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Injusta<\/em> porque pressup\u00f5e a aceita\u00e7\u00e3o do \u201croubo original\u201d de terras com o qual o imperialismo (atrav\u00e9s do seu instrumento, a ONU) entregou uma parte majorit\u00e1ria da Palestina aos sionistas em 1947 (que depois a expandiram gradualmente). Aqueles que apoiam os &#8220;dois estados&#8221; n\u00e3o consideram realmente &#8220;territ\u00f3rio ocupado&#8221; aquele em que &#8220;Israel&#8221; emergiu ou as extens\u00f5es subsequentes que adquiriu atrav\u00e9s da limpeza \u00e9tnica nos anos seguintes, mas apenas os territ\u00f3rios ocupados com a guerra de 1967 e particularmente Gaza e a Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, o hipot\u00e9tico Estado palestino deveria abranger menos de um quinto da Palestina original, sem continuidade territorial (na verdade, Israel est\u00e1 no meio).<\/p>\n\n\n\n<p><em>Impratic\u00e1vel<\/em> porque exclui implicitamente o direito de regresso \u00e0s suas terras para seis milh\u00f5es de refugiados palestinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, \u00e9 uma hip\u00f3tese <em>fantasiosa<\/em> porque elimina um fato: o projeto sionista \u00e9 o do colonialismo de assentamento, que visa a expuls\u00e3o (ou aniquila\u00e7\u00e3o) dos habitantes. Israel (como anunciaram os seus fundadores \u201cde esquerda\u201d trabalhistas h\u00e1 oitenta anos (1) nasceu com a inten\u00e7\u00e3o de alargar as suas pr\u00f3prias fronteiras por toda a Palestina hist\u00f3rica (se n\u00e3o al\u00e9m). Para confirmar isto, bastaria ver que os sionistas n\u00e3o est\u00e3o apenas tentando expulsar dois milh\u00f5es de palestinos de Gaza, mas que na Cisjord\u00e2nia, que deveria ser a parte principal de um hipot\u00e9tico mini Estado palestino, foram constru\u00eddos assentamentos coloniais multiplicando-se por anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que a solu\u00e7\u00e3o de \u201cdois Estados\u201d n\u00e3o existe na realidade, \u00e9 apenas um instrumento do imperialismo, uma falsa promessa de um futuro imposs\u00edvel em troca da qual os palestinos deveriam abandonar a luta no presente.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante anos foi apresentado como um avan\u00e7o, por menor que fosse. Mas 30 anos depois dos acordos de Oslo, que deveriam ser a antec\u00e2mara desta \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d, \u00e9 verdadeiramente imposs\u00edvel acreditar honestamente nela e, de fato, a maioria dos palestinos n\u00e3o acredita nela.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, as principais velhas dire\u00e7\u00f5es, que durante d\u00e9cadas recusaram, com raz\u00e3o, reconhecer o Estado colonial e exigiam uma reaquisi\u00e7\u00e3o completa da Palestina, aceitaram esta capitula\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caso da lideran\u00e7a de Abu Mazen, do Al Fatah (2), que na Cisjord\u00e2nia, como Autoridade Nacional Palestina, desempenha o papel de pol\u00edcia colaboracionista e est\u00e1, portanto, completamente desacreditada entre os palestinos, que nos \u00faltimos anos t\u00eam dado vida a novas organiza\u00e7\u00f5es combatentes.<\/p>\n\n\n\n<p>E a pr\u00f3pria dire\u00e7\u00e3o do Hamas, que nasceu (durante a Primeira Intifada de 1987) e alcan\u00e7ou consenso precisamente porque aparecia como uma dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o disposta a comprometer-se, abriu-se progressivamente a esta falsa solu\u00e7\u00e3o, desde 2005, ao ponto de aceit\u00e1-la formalmente na sua Declara\u00e7\u00e3o de Princ\u00edpios de 2017. Ap\u00f3s 7 de outubro, o Hamas recuperou prest\u00edgio porque \u00e9 uma parte importante da resist\u00eancia, mas o projeto subjacente da sua lideran\u00e7a (especialmente daqueles que vivem no estrangeiro) \u00e9 uma vers\u00e3o dos \u201cdois estados\u201d, embora com um pacote mais radical.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que as dire\u00e7\u00f5es reformistas apoiam os \u201cdois estados\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do que foi explicado, esta \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m de qualquer distin\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m defendida por muitos na It\u00e1lia: pela lideran\u00e7a da Rifondazione Comunista, pela lista de Santoro, por Potere al Popolo (Pap), pelos diferentes PCs da It\u00e1lia e tamb\u00e9m por todas as organiza\u00e7\u00f5es de origem estalinista (em coer\u00eancia, por assim dizer, com o estalinismo que desde a sua funda\u00e7\u00e3o reconheceu Israel e at\u00e9 o armou).<\/p>\n\n\n\n<p>A Rifondazione, al\u00e9m de &#8220;condenar todos os ataques contra civis, seja por parte do Hamas ou de Israel&#8221; (e, portanto, juntar-se ao coro contra o 7 de Outubro), reconhece um suposto direito de Israel \u00e0 exist\u00eancia, desde que esteja dentro das fronteiras antes da Guerra dos Seis Dias (1967). Neste sentido, Paolo Ferrero (um dos \u201cchefes\u201d da Rifondazione) invoca \u00abo respeito pelas resolu\u00e7\u00f5es da ONU, o que constitui um ato devido ao Estado de Israel, que j\u00e1 existe, mas foi reconhecido pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas num territ\u00f3rio definido &#8221; e sustenta que &#8220;qualquer forma desej\u00e1vel de maior divis\u00e3o estatal mais avan\u00e7ada entre Israel e a Palestina s\u00f3 pode ser definida de forma consensual e pac\u00edfica&#8221; (3).<\/p>\n\n\n\n<p>Michele Santoro, que com a ajuda indispens\u00e1vel da Rifondazione apresentou \u201cPaz, terra, dignidade\u201d \u00e0s elei\u00e7\u00f5es europeias, expressa a mesma posi\u00e7\u00e3o no programa da lista, onde se pode ler uma peti\u00e7\u00e3o para que \u201ca Europa confirme a condena\u00e7\u00e3o do massacre de 7 de Outubro e o direito dos israelitas de viver em paz e seguran\u00e7a&#8221;, certamente no contexto de uma condena\u00e7\u00e3o dos &#8220;excessos&#8221; de Israel, que tamb\u00e9m reconhece o &#8220;direito de viver em paz&#8221; (leia-se: nas terras de onde os palestinos s\u00e3o expulso). A \u201cnovidade\u201d aqui reside na admiss\u00e3o de que a hip\u00f3tese dos \u201cdois estados\u201d, tal como apresentada at\u00e9 agora, parece \u201cdificilmente pratic\u00e1vel\u201d, raz\u00e3o pela qual \u00e9 mencionada uma variante dela na forma de um \u201cestado \u00fanico\u201d (binacional). ) com igualdade de direitos. Mas voltaremos em breve a esta nova atra\u00e7\u00e3o (4).<\/p>\n\n\n\n<p>As posi\u00e7\u00f5es da lideran\u00e7a Potere al Popolo (Pap), que geralmente tende a apresentar-se como mais radical do que a Rifondazione, baseiam-se tamb\u00e9m no \u201creconhecimento de Israel\u201d e na aceita\u00e7\u00e3o das fronteiras anteriores a 1967.<\/p>\n\n\n\n<p>A Rete dei Comunisti [Rede Comunista] (que Pap anima, dirige o sindicato Usb e diversas estruturas estudantis), que, ao contr\u00e1rio de outras, recusa justamente \u201ccondenar\u201d o 7 de Outubro, tamb\u00e9m apela ao respeito das resolu\u00e7\u00f5es da ONU: que significa reconhecer, mesmo sem explicit\u00e1-lo, o suposto \u201cdireito \u00e0 exist\u00eancia\u201d do posto avan\u00e7ado colonial.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas porque \u00e9 que toda a esquerda reformista italiana e internacional (Syriza, Die Linke, etc.) defende, de alguma forma, a exist\u00eancia de Israel, rejeitando implicitamente o significado da consigna (que talvez cantem quando est\u00e3o nas ruas) de uma Palestina \u201clivre do rio ao mar\u201d?<\/p>\n\n\n\n<p>Por algum suposto realismo? Como vimos, n\u00e3o h\u00e1 realismo nisso. Ent\u00e3o? A resposta \u00e9 simples: porque questionar a exist\u00eancia dessa grande base militar do imperialismo que \u00e9 Israel significa questionar o capitalismo. E o horizonte dos reformistas n\u00e3o contempla revolu\u00e7\u00f5es. Por esta raz\u00e3o, n\u00e3o contempla a destrui\u00e7\u00e3o do Estado colonial e, portanto, n\u00e3o pode apoiar verdadeiramente uma Palestina \u201clivre do rio ao mar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma variante enganosa: o Estado binacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Diante da perda de toda credibilidade da consigna dos \u201cdois Estados\u201d, ganha terreno uma proposta aparentemente diferente: a do Estado binacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 aquela \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d nascida h\u00e1 anos nos Estados Unidos e batizada como \u201cSolu\u00e7\u00e3o Um Estado\u201d: \u200b\u200bn\u00e3o \u201cdois Estados\u201d, mas um \u00fanico, binacional (articulado de v\u00e1rias maneiras, como uma federa\u00e7\u00e3o de duas entidades aut\u00f4nomas, como um Estado \u00fanico com dois parlamentos e distribui\u00e7\u00e3o de algumas fun\u00e7\u00f5es governamentais, etc.).<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os defensores genu\u00ednos desta ideia est\u00e1 o historiador Ilan Papp\u00e9, autor de livros fundamentais sobre a Palestina. Ou o historiador italiano Enzo Traverso. Um dos primeiros a apoi\u00e1-la, anos atr\u00e1s, foi o intelectual palestino Edward Said (5). Hoje, outros a retomam, muitas vezes de m\u00e1-f\u00e9, para mascarar a sua posi\u00e7\u00e3o real (o reconhecimento de Israel), que \u00e9 impopular nas ruas entre aqueles que apoiam a Palestina.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas qual \u00e9 o problema do Estado binacional?<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, considera o roubo de terras sancionado pela ONU em1947. Em segundo lugar, ignora as raz\u00f5es subjacentes \u00e0 exist\u00eancia do Estado colonial, a sua natureza expansionista, os interesses do imperialismo e outras ninharias&#8230; como a divis\u00e3o de classes em todo o mundo, imagina que tudo se resolver\u00e1 com um \u201cpacto democr\u00e1tico\u201d, uma constituinte que coloque oprimidos e opressores no mesmo n\u00edvel. Em suma, \u00e9 uma hip\u00f3tese fantasiosa que lembra o \u201cEstado popular livre\u201d, de que Marx j\u00e1 zombava h\u00e1 150 anos, baseada em fantasias an\u00e1logas sobre uma imposs\u00edvel \u201cigualdade entre classes\u201d (em vez da sua aboli\u00e7\u00e3o) (6 ).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A imposs\u00edvel \u201calian\u00e7a dos dois prolet\u00e1rios\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com base na falta de compreens\u00e3o da conex\u00e3o em um programa de transi\u00e7\u00e3o entre objetivos democr\u00e1ticos (incluindo a quest\u00e3o nacional) e objetivos socialistas, algumas organiza\u00e7\u00f5es que se afirmam trotskistas (suspeitamos que por engano) e a maioria daquelas de origem mais ou menos bordigista sustentam que o caminho seria o de uma \u201calian\u00e7a\u201d entre o proletariado palestiniano e israelita.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um ponto que precisaria de mais espa\u00e7o e voltaremos a ele. Limitemo-nos aqui a ver porque \u00e9 que esta abordagem aparentemente \u201cclassista\u201d e radical \u00e9 errada em termos marxistas, bem como impratic\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Obviamente, tamb\u00e9m existem prolet\u00e1rios na entidade sionista, mas de um tipo particular, como particular \u00e9 o Estado de Israel, que \u00e9 um enclave, um Estado artificial. Estes prolet\u00e1rios sui generis partilham, pelo menos em parte, um privil\u00e9gio com a sua pr\u00f3pria burguesia. Tudo em que se baseiam as suas vidas (casas, campos, escolas, etc.) foi tirado aos palestinos. Por esta raz\u00e3o, consideram a sua pr\u00f3pria burguesia como uma aliada na defesa comum de um interesse comum, ou seja, a terra roubada aos palestinos e na (e da) qual vivem e que n\u00e3o t\u00eam inten\u00e7\u00e3o de devolver.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto explica porque, se existem numerosos judeus e associa\u00e7\u00f5es judaicas no mundo que lutam contra o sionismo, n\u00e3o s\u00e3o encontradas (com raras excep\u00e7\u00f5es) entre os israelitas.<\/p>\n\n\n\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es dos \u00faltimos anos em Israel ou as greves das \u00faltimas semanas n\u00e3o s\u00e3o contra a ocupa\u00e7\u00e3o sionista da Palestina ou contra o massacre em Gaza. S\u00e3o contra certas pol\u00edticas governamentais e, agora, contra uma linha considerada ineficaz para libertar os ref\u00e9ns israelitas.<\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00f3pria diferen\u00e7a entre \u201cdireita\u201d e \u201cesquerda\u201d no alinhamento pol\u00edtico israelita n\u00e3o se refere de forma alguma \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o colonial. Alguns sectores acreditam que a guerra permanente n\u00e3o ajuda o crescimento econ\u00f4mico do Estado (colonial) de Israel, raz\u00e3o pela qual est\u00e3o abertos \u00e0 pol\u00edtica de &#8220;dois estados&#8221;, isto \u00e9, conceder aos palestinos um Estado substituto, uma reserva, contanto que eles desistam da maior parte de suas terras.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste sentido, s\u00e3o irrealistas e err\u00f4neas as posi\u00e7\u00f5es de organiza\u00e7\u00f5es como a Sinistra Classe Rivoluzione (sec\u00e7\u00e3o da TMI), que sustenta que &#8220;(&#8230;) s\u00f3 a cria\u00e7\u00e3o de uma frente \u00fanica entre o povo palestino e a classe oper\u00e1ria e os setores progressistas (sic) da sociedade israelense criar\u00e3o a possibilidade de dividir o Estado israelense em linhas de classe, abrindo caminho para uma solu\u00e7\u00e3o duradoura e democr\u00e1tica para a quest\u00e3o palestina&#8221; (7).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A perspectiva dos revolucion\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A posi\u00e7\u00e3o historicamente sustentada pela Quarta Internacional (sozinha contra todas as outras correntes do movimento oper\u00e1rio que capitulam de v\u00e1rias maneiras a Israel) sempre foi diferente e \u00e9 aquela que o PdAC e a Lit-Quarta Internacional reivindicam at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o diametralmente oposta \u00e0 expressa por Alan Woods (l\u00edder do reagrupamento a que pertence a citada Scr). De acordo com Woods, \u201cO Estado de Israel existe e o rel\u00f3gio n\u00e3o pode voltar atr\u00e1s. Israel \u00e9 uma na\u00e7\u00e3o e n\u00e3o podemos apelar \u00e0 sua aboli\u00e7\u00e3o\u201d (8).<\/p>\n\n\n\n<p>A Quarta Internacional, pelo contr\u00e1rio, sempre lutou precisamente pela \u201caboli\u00e7\u00e3o\u201d deste Estado artificial, o que significa a expuls\u00e3o dos colonos e a reaquisi\u00e7\u00e3o pelos palestinos de toda a Palestina hist\u00f3rica. Esta \u00e9 a pr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o para que uma minoria judaica n\u00e3o-sionista viva na Palestina, da mesma forma que uma minoria judaica vivia pacificamente com os \u00e1rabes antes da constru\u00e7\u00e3o do Estado colonial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que lutamos por uma Palestina \u00fanica, sem qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9tnica ou religiosa. Este \u00e9 o verdadeiro significado da consigna \u201cdo rio ao mar\u201d hoje assumido pelos novos combatentes palestinos e gritada nas ruas de todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para que este objetivo n\u00e3o permane\u00e7a uma simples consigna, \u00e9 necess\u00e1ria, pensamos, uma uni\u00e3o do proletariado palestino com o proletariado \u00e1rabe do Oriente M\u00e9dio, de uma nova \u201cPrimavera \u00c1rabe\u201d que consiga derrubar os Estados reacion\u00e1rios c\u00famplices do sionismo e subordinados ao imperialismo, na perspectiva da constru\u00e7\u00e3o dos Estados Socialistas Federados do Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de entrela\u00e7ar a reivindica\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica nacional com a perspectiva socialista, na qual, n\u00f3s, marxistas chamamos de revolu\u00e7\u00e3o permanente. Um objetivo que requer o apoio \u00e0 causa palestina do proletariado dos pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Requer, acima de tudo, uma lideran\u00e7a internacional que unifique os processos de luta travados nas diferentes frentes nacionais e, portanto, a constru\u00e7\u00e3o em cada pa\u00eds de um partido revolucion\u00e1rio que atue como parte desta Internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Notas<\/p>\n\n\n\n<p>(1) Foi o Partido Trabalhista Ben Gurion quem organizou a primeira limpeza \u00e9tnica e foi o Partido Trabalhista Rabin quem ordenou durante a Primeira Intifada (1987) que se quebrassem as m\u00e3os dos adolescentes palestinos para que parassem de atirar pedras com as fundas que usavam. usado para enfrentar (falta de melhores armas) ve\u00edculos blindados.<\/p>\n\n\n\n<p>(2) A \u201cproposta\u201d de \u201cdois estados\u201d j\u00e1 foi adoptada em meados da d\u00e9cada de 1980 pela componente maiorit\u00e1ria da OLP, a Fatah (na altura liderada por Arafat). A Primeira Intifada (1987) tamb\u00e9m surgiu em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 tend\u00eancia moderada da lideran\u00e7a da OLP. Contudo, a lideran\u00e7a da Al Fatah continuou no caminho da capitula\u00e7\u00e3o, formalizando o reconhecimento de Israel com os acordos de Oslo 1 e Oslo 2 (1993 e 1995). Foi a ren\u00fancia ao programa original da OLP, um programa n\u00e3o socialista que, no entanto, previa a liberta\u00e7\u00e3o de toda a Palestina hist\u00f3rica, &#8220;do rio ao mar&#8221;, que deixou espa\u00e7o ao Hamas.<\/p>\n\n\n\n<p>(3) In: Levante a cabe\u00e7a. Argumentos para a refunda\u00e7\u00e3o comunista, junho de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>(4) Ver programa eleitoral da lista Santoro-Rifondazione, em:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/michelesantoro.it\/2024\/03\/per-un-programma-elettorale-di-pace-terra-dignita\/\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>(5) Edward Said (1935-2003) foi um importante intelectual palestino que se mudou para os Estados Unidos na d\u00e9cada de 1950. Membro do Conselho Nacional da OLP, pr\u00f3ximo de Arafat e Al Fatah, pelo menos at\u00e9 aos acordos de Oslo, que definiu como uma trai\u00e7\u00e3o. Depois de ter alimentado algumas ilus\u00f5es sobre os \u201cdois estados\u201d, baseado nas suas concep\u00e7\u00f5es reformistas passou a apoiar a \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d do estado binacional.<\/p>\n\n\n\n<p>(6) MARX, K. Cr\u00edticas ao programa de Gotha (1875).<\/p>\n\n\n\n<p>(7) Ver \u00abChega de hipocrisia! Defenda Gaza!\u201d Declara\u00e7\u00e3o TMI (11\/10\/23), em:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"IOsc1yBIhO\"><a href=\"https:\/\/rivoluzione.red\/basta-ipocrisia-difendere-gaza-la-dichiarazione-della-tmi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Basta ipocrisia! Difendere Gaza! La dichiarazione della TMI<\/a><\/blockquote><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"&#8220;Basta ipocrisia! Difendere Gaza! La dichiarazione della TMI&#8221; &#8212; Partito Comunista Rivoluzionario\" src=\"https:\/\/rivoluzione.red\/basta-ipocrisia-difendere-gaza-la-dichiarazione-della-tmi\/embed\/#?secret=FEPggCwi06#?secret=IOsc1yBIhO\" data-secret=\"IOsc1yBIhO\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>(8) Ver Alan Woods e Ted Grant, Marxism and the National Question, aqui na tradu\u00e7\u00e3o italiana.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"p5GrEBF485\"><a href=\"https:\/\/rivoluzione.red\/il-marxismo-e-la-questione-nazionale\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Il marxismo e la questione nazionale<\/a><\/blockquote><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"&#8220;Il marxismo e la questione nazionale&#8221; &#8212; Partito Comunista Rivoluzionario\" src=\"https:\/\/rivoluzione.red\/il-marxismo-e-la-questione-nazionale\/embed\/#?secret=HAQ3CIAUwk#?secret=p5GrEBF485\" data-secret=\"p5GrEBF485\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;Artigo publicado em www.partitodialternativacomunista.org, 18\/09\/2024.-<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o italiano\/espanhol: Nat\u00e1lia Estrada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aparentemente, toda a esquerda apoia a causa palestina. Contudo, quando tentamos definir o que significa apoiar a causa palestina, descobrimos que na maioria dos casos \u00e9 o apoio que, paradoxalmente, acaba por adoptar as mesmas falsas \u201csolu\u00e7\u00f5es\u201d propostas pelos amigos imperialistas de Israel. Por: Francesco Ricci Assim como \u00e9 justo organizar manifesta\u00e7\u00f5es e iniciativas de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":79619,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8068,228],"tags":[46,8951],"class_list":["post-79614","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especial-palestina","category-palestina","tag-francesco-ricci","tag-palestina-livre-o-rio-ao-mar"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Palestina-1.png","categories_names":["Especial Palestina","Palestina"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79614","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79614"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79614\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":79620,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79614\/revisions\/79620"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79619"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79614"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79614"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79614"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}