{"id":79524,"date":"2024-09-11T13:53:45","date_gmt":"2024-09-11T13:53:45","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=79524"},"modified":"2024-09-11T13:53:47","modified_gmt":"2024-09-11T13:53:47","slug":"por-que-o-brasil-esta-queimando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/09\/11\/por-que-o-brasil-esta-queimando\/","title":{"rendered":"Por que o Brasil est\u00e1 queimando?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>O Brasil est\u00e1 ardendo em chamas. Queimadas se espalharam por quase todo o territ\u00f3rio nacional, sobretudo na regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia. Geralmente, a temporada de inc\u00eandios na regi\u00e3o ocorre entre junho e outubro, mas fazendeiros, garimpeiros e grileiros derrubam a floresta e se preparam para queim\u00e1-la durante todo o ano.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Jeferson Choma<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Amaz\u00f4nia registrou 65.667 focos de fogo entre janeiro e 1\u00ba setembro. O n\u00famero representa um aumento de 104% quando comparado com o mesmo per\u00edodo do ano passado, quando 32.145 focos foram contados pelo Instituto. Ali\u00e1s, mais de 38 focos de inc\u00eandio foram registrados apenas em agosto, segundo o Inpe.<\/p>\n\n\n\n<p>As queimadas na Amaz\u00f4nia ocorreram em regi\u00f5es de fronteiras agr\u00edcolas, como, por exemplo, nas margens das rodovias, como a BR-230 (a Transamaz\u00f4nica), particularmente no munic\u00edpio de Apu\u00ed (AM) e na BR-163, entre Itaituba (PA) e Novo Progresso (PA).<\/p>\n\n\n\n<p>Colunas de fuma\u00e7a saindo da Amaz\u00f4nia viajaram milhares de quil\u00f4metros em dire\u00e7\u00e3o ao Centro-Sul do Brasil. Elas foram levadas pelos mesmos ventos que formam os chamados \u201crios voadores\u201d. Mas, ao inv\u00e9s de umidade, eles arrastavam a fuligem produzida pelo avan\u00e7o da fronteira agropecu\u00e1ria. Particularmente nos \u00faltimos dias, os rios de fuma\u00e7a chegaram a cobrir cidades como Porto Alegre (RS), S\u00e3o Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Bras\u00edlia (DF) e Belo Horizonte (MG).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Chamas no Pantanal e no Cerrado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Este ano, o Pantanal e o Cerrado tamb\u00e9m registraram recordes de queimadas. Desde o ano passado, o Cerrado j\u00e1 vinha registrando altas taxas de desmatamento; mas, desde o come\u00e7o do ano, j\u00e1 foram contabilizados 40.496 focos no total. Um aumento de 70%, quando comparado com o mesmo per\u00edodo de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>O relevo plano do Cerrado favorece a agricultura mecanizada. Por isso, mais da metade do bioma j\u00e1 foi destru\u00eddo para dar lugar \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de soja, milho, algod\u00e3o ou ao plantio de eucaliptos.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o Pantanal sofre as consequ\u00eancias do arrendamento das terras para pecuaristas ampliarem a cria\u00e7\u00e3o de gado. Quem arrenda a terra busca tirar o maior proveito poss\u00edvel, para obter maior taxa de lucros, mesmo que isso signifique a explora\u00e7\u00e3o sem limites dos recursos naturais, substituindo a vegeta\u00e7\u00e3o por lavoura ou pastagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais de 95% das terras do bioma s\u00e3o privadas e apenas 4,4% do Pantanal encontra-se protegido por terras p\u00fablicas. Al\u00e9m disso, o Pantanal tamb\u00e9m sofre com a expans\u00e3o territorial dos grandes cultivos de soja no seu entorno.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um cen\u00e1rio apocal\u00edptico em S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"567\" height=\"319\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Incendios-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-79526\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Incendios-2.jpg 567w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Incendios-2-300x169.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Incendios-2-150x84.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima semana de agosto, o interior de S\u00e3o Paulo foi envolvido em grandes inc\u00eandios, que amea\u00e7aram cidades, condom\u00ednios, estradas e propriedades rurais. Um cen\u00e1rio apocal\u00edptico de fuma\u00e7a e fogo que carrega ind\u00edcios de uma a\u00e7\u00e3o coordenada, bem ao estilo do \u201cdia do fogo\u201d, quando, em 10 e 11 de agosto de 2020, fazendeiros e grileiros tocaram fogo na Amaz\u00f4nia, inflamados pelos discursos de Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<p>Imagens mostram que as queimadas j\u00e1 come\u00e7aram em grandes propor\u00e7\u00f5es territoriais; foram iniciadas praticamente ao mesmo tempo, em grande quantidade; e sa\u00edram totalmente do controle. Esse padr\u00e3o de queimada \u00e9 muito comum na queima da palha da cana-de a\u00e7\u00facar, uma pr\u00e1tica arcaica e parcialmente proibida no estado, mas que \u00e9 insistentemente usada por usineiros.<\/p>\n\n\n\n<p>As imagens de sat\u00e9lite tamb\u00e9m mostram que os grandes inc\u00eandios tiveram como origem \u00e1reas onde o monocultivo da cana-de-a\u00e7\u00facar predomina na ocupa\u00e7\u00e3o do solo. A legisla\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo sobre a queima da cana \u00e9 totalmente frouxa. E isso tem um objetivo: permitir que os grandes usineiros continuem a colocar fogo nos canaviais. A queima reduz o custo da produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 mais lucrativa para os usineiros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Aquecimento global<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O \u2018novo normal\u2019 das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"567\" height=\"383\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Incendios-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-79527\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Incendios-3.jpg 567w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Incendios-3-300x203.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Incendios-3-150x101.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Do Norte ao Sul, o Brasil j\u00e1 vive sob os efeitos dos fen\u00f4menos clim\u00e1ticos extremos (como chuvas torrenciais, secas e ondas de calor mais intensas) que s\u00e3o resultados do aquecimento global. Os efeitos s\u00e3o t\u00e3o not\u00e1veis que 91% da popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 percebeu as mudan\u00e7as, segundo uma pesquisa da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI).<\/p>\n\n\n\n<p>Em maio, a cat\u00e1strofe das enchentes atingiu o Rio Grande do Sul, causando o maior desastre clim\u00e1tico do estado. Essa foi uma trag\u00e9dia mais do que anunciada. Meteorologistas e ambientalistas alertaram sobre os riscos de chuvas extremas no estado, mas foram ignorados, enquanto os governos municipais e estadual desmontaram leis de prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente, para favorecer o agroneg\u00f3cio, as grandes capitalistas e a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Governos de todas as esferas s\u00e3o agentes ou c\u00famplices da cat\u00e1strofe<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o foi extremamente agravada pelas pol\u00edticas privatistas e de austeridade fiscal aplicadas pelos governos de todas as esferas. Todo o sistema de preven\u00e7\u00e3o de enchentes da capital Porto Alegre estava sucateado. Diques se romperam e as bombas d\u2019\u00e1gua n\u00e3o funcionaram.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo Lula tamb\u00e9m tem sua responsabilidade. Al\u00e9m de investir uma mixaria em preven\u00e7\u00e3o a desastres naturais, tamb\u00e9m aplica medidas em favor do grande agroneg\u00f3cio, como veremos a seguir.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, segundo o Centro Nacional de Monitoramento de Desastres Naturais (Cemaden), o pa\u00eds \u00e9 castigado pelo que pode ser a maior seca da hist\u00f3ria recente (veja gr\u00e1fico ao lado). A seca \u00e9 ainda pior na regi\u00e3o Norte. No Amazonas, mais de 300 mil pessoas sofrem com a estiagem. Os rios secaram, impossibilitando a navega\u00e7\u00e3o e isolando cidades inteiras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Aquecimento \u00e9 provocado pelo capitalismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o mostra que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas vieram pra ficar. O ano passado foi o mais quente j\u00e1 registrado em 125 mil anos. A temperatura dos oceanos tamb\u00e9m n\u00e3o para de subir e j\u00e1 ultrapassa todos os registros anteriores. Al\u00e9m disso, os n\u00edveis de di\u00f3xido de carbono (CO2) na atmosfera, o principal g\u00e1s do efeito estufa (GEE), s\u00e3o os maiores j\u00e1 registrados em 800 mil anos.<\/p>\n\n\n\n<p>O aquecimento global \u00e9 causado pela queima dos combust\u00edveis f\u00f3sseis (petr\u00f3leo, g\u00e1s e carv\u00e3o), que lan\u00e7am toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera. Tudo isso \u00e9 provocado pela ind\u00fastria capitalista e seu voraz consumo de petr\u00f3leo. Mais de 75% das emiss\u00f5es globais dos GEEs v\u00eam da ind\u00fastria, do transporte e das edifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vai piorar ainda mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O aquecimento da Terra intensifica os fen\u00f4menos clim\u00e1ticos extremos, tal como o El Ni\u00f1o de 2023-2024, o mais intenso desde 1940. Isso disparou uma s\u00e9rie de outros fen\u00f4menos extremos, como as chuvas do Rio Grande do Sul, em maio, e a seca atual. E o pior \u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o tende a piorar. O futuro ser\u00e1 marcado por novas cat\u00e1strofes produzidas por fen\u00f4menos extremos, cada vez mais intensos e cada vez mais frequentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A popula\u00e7\u00e3o mais pobre \u00e9 a maior v\u00edtima dos eventos clim\u00e1ticos extremos. Com um detalhe: essas popula\u00e7\u00f5es s\u00e3o as que menos causaram esse problema.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O agro \u00e9 fogo, morte e destrui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"567\" height=\"359\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Incendios-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-79528\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Incendios-3.png 567w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Incendios-3-300x190.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Incendios-3-150x95.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Imagem mostra que focos das queimadas na Amaz\u00f4nia tinham como origem propriedades rurais que ficam nas margens das estradas como a Transamaz\u00f4nica e a BR 319<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, o maior respons\u00e1vel pelas emiss\u00f5es dos GEEs s\u00e3o a agricultura e a pecu\u00e1ria capitalistas e o desmatamento que, juntos, s\u00e3o respons\u00e1veis por 75% das emiss\u00f5es do pa\u00eds. O Par\u00e1 e o Mato Grosso s\u00e3o os estados que lideram o ranking das emiss\u00f5es. S\u00e3o aqueles que justamente registram maior desmatamento e aumento da pecu\u00e1ria e da planta\u00e7\u00e3o de monocultivos, como a soja.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas imagens de sat\u00e9lites, \u00e9 f\u00e1cil identificar as \u00e1reas que ardem em chamas com a expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola do agroneg\u00f3cio. Nessas regi\u00f5es predominam as terras devolutas; ou seja, terras p\u00fablicas sem destina\u00e7\u00e3o pelo Poder P\u00fablico e que s\u00e3o alvo da apropria\u00e7\u00e3o privada ilegal, por parte de fazendeiros e especuladores de terras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O fogo como arma, a \u201clei\u201d e os governos como escudos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O fogo \u00e9 um instrumento para o roubo dessas terras. Primeiro vem o desmatamento e a extra\u00e7\u00e3o de madeira, seguidos pelos inc\u00eandios. Depois, v\u00eam o capim, o boi ou algum monocultivo, como a soja. Na sequ\u00eancia, vem o perd\u00e3o aos fazendeiros, concedido pelos governos de plant\u00e3o, por meio da regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria da \u00e1rea roubada.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso foi realizado pelos governos FHC, Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro. E s\u00f3 fez aumentar o apetite dos ladr\u00f5es de terras, sempre premiados por seus crimes. Al\u00e9m disso, propositalmente, os governos de plant\u00e3o mant\u00eam uma regula\u00e7\u00e3o frouxa do mercado de terras, deixando de fora do controle p\u00fablico as \u201cterras devolutas\u201d, mas tamb\u00e9m se recusando a fiscalizar se as propriedades rurais possuem ou n\u00e3o a \u201cfun\u00e7\u00e3o social\u201d, tal como prev\u00ea a Constitui\u00e7\u00e3o. Assim, as terras roubadas acabam sendo autodeclaradas como produtivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Parques Nacionais, Reservas Ecol\u00f3gicas ou Extrativistas, assim como Terras Ind\u00edgenas (todas terras p\u00fablicas) tamb\u00e9m s\u00e3o invadidas pelo avan\u00e7o da fronteira do agroneg\u00f3cio, dos madeireiros e dos garimpeiros. O trabalho foi facilitado pela falta de agentes de fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental e sucateamento de \u00f3rg\u00e3os como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama), o Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) e a Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas (Funai).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"567\" height=\"378\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Incendios-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-79529\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Incendios-4.jpg 567w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Incendios-4-300x200.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Incendios-4-150x100.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Inpe\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Pol\u00edtica econ\u00f4mica da ru\u00edna<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Destrui\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 provocado pela agricultura capitalista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o ambiental no Brasil e as emiss\u00f5es de GEE t\u00eam rela\u00e7\u00e3o direta com o atual modelo econ\u00f4mico, baseado na exporta\u00e7\u00e3o de produtos prim\u00e1rios, agr\u00edcolas ou minerais.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem banca o agroneg\u00f3cio s\u00e3o os governos, atrav\u00e9s dos cofres p\u00fablicos. Ano passado, o governo Lula destinou R$ 360 bilh\u00f5es ao agro, por meio do Plano Safra. Este ano, anunciou mais R$ 400 bilh\u00f5es ao setor, quebrando todos os recordes. Esse financiamento garante a expans\u00e3o do agro sobre as cinzas da Amaz\u00f4nia, do Cerrado e outros biomas.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo financia a expans\u00e3o desse modelo de agricultura para que o setor produza superavit na balan\u00e7a comercial; ou seja, os d\u00f3lares que entram no pa\u00eds atrav\u00e9s das exporta\u00e7\u00f5es, para que, assim, possa remunerar o sistema financeiro com o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica. Essa hist\u00f3ria come\u00e7ou com o governo de FHC que passou a despejar dinheiro p\u00fablico no agro depois da crise cambial de 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, a expans\u00e3o do setor e a destrui\u00e7\u00e3o dos nossos biomas est\u00e3o totalmente conectadas com o capital financeiro. Quem ganha s\u00e3o os especuladores, os grandes bancos e alguns representantes do agro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na agricultura capitalista, o lucro brota e floresce da destrui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a expans\u00e3o territorial desse modelo de agricultura n\u00e3o pode parar. Isso porque a redu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os de produ\u00e7\u00e3o do setor depende da abertura permanente de novas terras, mesmo as menos f\u00e9rteis, para, assim, obterem uma taxa cada vez maior da renda fundi\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, na agricultura brasileira a tend\u00eancia dos grandes propriet\u00e1rios \u00e9 controlar, cada vez mais, as melhores terras e adquirir maiores quantidades de rendas. Mas, por outro lado, tamb\u00e9m buscar, por meio de press\u00f5es sobre o Estado, a incorpora\u00e7\u00e3o de novas \u00e1reas na produ\u00e7\u00e3o, a garantia do rebaixamento do pre\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o geral, que se converte em aumento da renda dos detentores dos melhores solos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por tudo isso, esse modelo de agricultura capitalista acelerou, em uma escala in\u00e9dita, a destrui\u00e7\u00e3o ambiental no pa\u00eds. Em um curt\u00edssimo per\u00edodo, de 1985 at\u00e9 2023, o Brasil perdeu mais de 110 milh\u00f5es de hectares em \u00e1reas naturais, segundo dados do MapBiomas. Isso \u00e9 quase a metade do que o pa\u00eds perdeu entre 1.500 at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Programa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Medidas para enfrentar a emerg\u00eancia clim\u00e1tica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Agro \u00e9 fogo!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os capitalistas do agroneg\u00f3cio destroem o meio ambiente no pa\u00eds, promovem as queimadas e s\u00e3o os maiores emissores dos Gases de Efeito Estufa. Basta de permissividade como agroneg\u00f3cio. Expropria\u00e7\u00e3o, sem indeniza\u00e7\u00e3o, do agroneg\u00f3cio. O confisco das terras do setor deve servir para a recomposi\u00e7\u00e3o dos sistemas ecol\u00f3gicos e os biomas degradados. \u00c9 preciso introduzir um novo modelo de agricultura, ecologicamente equilibrada (agroecologia ou agricultura sintr\u00f3pica; ou seja, que considere a integra\u00e7\u00e3o com a natureza e sua preserva\u00e7\u00e3o) que, de fato, produza alimentos para a popula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o monocultivos para exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica controlada pelos trabalhadores!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pela redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases com efeito de estufa e pelo fim dos combust\u00edveis f\u00f3sseis!<\/p>\n\n\n\n<p>O clima da Terra est\u00e1 chegando perigosamente ao ponto de n\u00e3o retorno. A \u00fanica sa\u00edda \u00e9 a transi\u00e7\u00e3o para fontes de energia limpa. Por um plano de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica emergencial, elaborado e controlado pelos trabalhadores e trabalhadoras, para desenvolver as energias renov\u00e1veis. Um plano que parta da nacionaliza\u00e7\u00e3o dos recursos energ\u00e9ticos e das empresas de energia, como a Petrobras e a Eletrobr\u00e1s, sob controle dos trabalhadores, e que receba investimentos p\u00fablicos em tecnologias e processos que viabilizem uma transi\u00e7\u00e3o para fontes de energia limpa. Contra a abertura de novas fronteiras petrol\u00edferas e de novas termoel\u00e9tricas, que s\u00f3 agravar\u00e3o o aquecimento global, comprometendo a Terra e a humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fortalecimento da defesa Civil e dos Sistemas de Preven\u00e7\u00e3o a Desastres!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para enfrentar novas cat\u00e1strofes, \u00e9 precioso criar uma empresa p\u00fablica, sob controle dos trabalhadores, para a constru\u00e7\u00e3o de infraestrutura de preven\u00e7\u00e3o a desastres. Precisamos de um plano para enfrentar os eventos clim\u00e1ticos extremos que seja elaborado e implementado pela popula\u00e7\u00e3o, organizada em Conselhos Populares, em locais de trabalho e moradia, e que tenha o necess\u00e1rio apoio de t\u00e9cnicos e cientistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Revoga\u00e7\u00e3o de todos os pontos de flexibiliza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o ambiental!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 preciso fortalecer os \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental do pa\u00eds, realizar novos concursos e intensificar as a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o a novos inc\u00eandios, com brigadistas, em conjunto com as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, quilombolas e camponeses tradicionais, que, por s\u00e9culos, t\u00eam utilizado seus saberes ancestrais para impedir o alastramento dos inc\u00eandios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil est\u00e1 ardendo em chamas. 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