{"id":79393,"date":"2024-08-09T16:07:48","date_gmt":"2024-08-09T16:07:48","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=79393"},"modified":"2024-08-09T16:07:52","modified_gmt":"2024-08-09T16:07:52","slug":"peru-a-luta-contra-os-projetos-de-mineracao-abre-uma-perspectiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/08\/09\/peru-a-luta-contra-os-projetos-de-mineracao-abre-uma-perspectiva\/","title":{"rendered":"Peru: A luta contra os projetos de minera\u00e7\u00e3o abre uma perspectiva"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A retomada dos conflitos contra a minera\u00e7\u00e3o em grande escala, em resposta \u00e0 defini\u00e7\u00e3o do governo de promover a execu\u00e7\u00e3o de projetos amplamente rejeitados pela popula\u00e7\u00e3o, como Conga ou T\u00eda Mar\u00eda, abre a possibilidade de derrotar Boluarte e companhia no campo da a luta de classes e modificar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as em favor da classe oper\u00e1ria e dos pobres.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Victor Montes<\/p>\n\n\n\n<p>Respondendo \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es das grandes empresas mineiras, e procurando o seu apoio, o governo de Dina Boluarte manifestou aos quatro ventos a sua decis\u00e3o de \u201cdesbloquear\u201d a carteira de investimentos mineiros, come\u00e7ando por reativar projetos mineiros amplamente repudiados, como o Projeto Mineiro de ouro \u201cConga\u201d (Regi\u00e3o de Cajamarca) ou o projeto de minera\u00e7\u00e3o de cobre T\u00eda Mar\u00eda (Regi\u00e3o de Arequipa), e com isso aproveitar o contexto de aumento dos pre\u00e7os do cobre.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta voca\u00e7\u00e3o \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o de guerra contra as comunidades que enfrentam a explora\u00e7\u00e3o mineira nas cabeceiras das bacias ou nascentes dos rios e perto de vales de importante produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, como o Vale do Tambo em Arequipa.<\/p>\n\n\n\n<p>Por esta raz\u00e3o, estas mesmas comunidades, organizadas nas suas frentes de defesa1, sa\u00edram para responder sem demora \u00e0s declara\u00e7\u00f5es do governo, anunciando a sua disposi\u00e7\u00e3o imediata \u00e0 luta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cajamarca na frente: Colpayoc n\u00e3o!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cajamarca tem uma longa tradi\u00e7\u00e3o de luta contra os impactos da minera\u00e7\u00e3o. Desde 1992, quando a ditadura Fujimori concedeu a atual mina de ouro Yanacocha (a mais importante do pa\u00eds), as comunidades afetadas pela polui\u00e7\u00e3o das \u00e1guas iniciaram a sua mobiliza\u00e7\u00e3o, tornando-se referentes nesta luta.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 de surpreender, portanto, que seja precisamente o povo de Cajamarca quem imediatamente repudie as declara\u00e7\u00f5es do governo e confronte as empresas mineiras.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 10 de junho, milhares de pessoas da comunidade do distrito de Chetilla (prov\u00edncia de Cajamarca em Cajamarca), moradores de diversos pontos do entorno do projeto de minera\u00e7\u00e3o de ouro Colpayoc, mobilizaram-se para a \u00e1rea onde a mineradora vem realizando atividades de explora\u00e7\u00e3o (Cerro Colpayoc, no povoado de Majadaspampa), tentando queimar o maquin\u00e1rio usado para escavar para determinar a qualidade do mineral na \u00e1rea. Em abril, uma mobiliza\u00e7\u00e3o semelhante j\u00e1 havia enfrentado os respons\u00e1veis \u200b\u200bpelas opera\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>As comunidades do distrito de Chetilla denunciam que o projeto est\u00e1 localizado na cabeceira das bacias dos rios Ronquillo, Chonta e Cushunga. Que por sua vez est\u00e3o relacionados com os rios Mashc\u00f3n e depois com o rio Cajarmarquino. Raz\u00e3o pela qual o projeto contaminar\u00e1 seus principais mananciais, como aconteceu com o Rio Grande, que alimenta a cidade hist\u00f3rica de Cajamarca com \u00e1guas \u00e1cidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os membros da comunidade permanecem em p\u00e9 de luta. Por isso, as frentes de defesa dos distritos de Chetilla, Ronquillo e Cajamarca falaram publicamente em rep\u00fadio ao ministro de Energia e Minas, R\u00f3mulo Mucho, que anunciou sua chegada a Cajamarca para \u201cpromover projetos de minera\u00e7\u00e3o\u201d para o dia 21 de junho passado, e a quem declararam \u201cinimigo do desenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Relembrando a consigna que encabe\u00e7ou a luta do povo cajamarcano contra o projeto de minera\u00e7\u00e3o Conga, durante o governo de Ollanta Humala (\u201cConga n\u00e3o vai!\u201d), os membros da comunidade de Chetillo levantaram em voz alta que Colpayoc n\u00e3o vai!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Vale do Tambo volta \u00e0 luta<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, a popula\u00e7\u00e3o do Vale do Tambo rapidamente realizou uma massiva assembleia com delega\u00e7\u00f5es de agricultores, comerciantes e cidad\u00e3os em geral dos distritos de Cocachacra, Punta de Bomb\u00f3n, Dean Valdivia e Mollendo, na qual decidiram reiniciar a luta e planejaram uma a\u00e7\u00e3o para 19 de julho.<\/p>\n\n\n\n<p>A luta do Vale do Tambo remonta a 2009 e \u00e9 um dos s\u00edmbolos da luta contra a desapropria\u00e7\u00e3o das grandes mineradoras. Com a sua a\u00e7\u00e3o recorrente, a popula\u00e7\u00e3o do Vale do Tambo tem repelido repetidas vezes as tentativas dos sucessivos governos (Alan Garc\u00eda, Ollanta Humala, Pedro Pablo Kuzsynski e Vizcarra) de ceder lugar ao projeto da transnacional Southern Peru Cooper Corporation, que opera no Peru desde o final da d\u00e9cada de 1950.<\/p>\n\n\n\n<p>A possibilidade de reiniciar a a\u00e7\u00e3o popular poderia tornar-se a prova de fogo do governo assassino de Boluarte. Sempre que um governo tentou promover T\u00eda Mar\u00eda, encontrou forte resist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o do Vale do Tambo e teve de recuar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que os\/as trabalhadores\/as devem fazer?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para todos os trabalhadores e trabalhadoras do pa\u00eds, a retomada dos conflitos mineiros e a possibilidade de eles derrotarem a tentativa entreguista do governo Boluarte abre uma enorme possibilidade de mudar a din\u00e2mica da luta de classes, que depois da feroz repress\u00e3o com a que o governo se imp\u00f4s no in\u00edcio de 2023, assassinando selvagemente 49 lutadores, sofreu um claro rev\u00e9s.<\/p>\n\n\n\n<p>Os trabalhadores e trabalhadoras devem, portanto, apoiar esta luta de forma solid\u00e1ria e mobilizar-se ativamente contra a repress\u00e3o que o governo possa desencadear em Cajamarca, Arequipa e onde quer que pretenda impor o saque dos nossos recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, a mobiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ter apenas car\u00e1ter solid\u00e1rio. A luta das comunidades camponesas e ind\u00edgenas contra a explora\u00e7\u00e3o mineira tem um pano de fundo poderoso: a luta contra a domina\u00e7\u00e3o imperialista dos nossos recursos, protegidos pelo modelo econ\u00f3mico neoliberal, e a luta contra a destrui\u00e7\u00e3o dos ecossistemas que permitem a sua subsist\u00eancia. Portanto, para a classe oper\u00e1ria, estas lutas representam o enorme desafio de tomar como suas as bandeiras das popula\u00e7\u00f5es afetadas, dos camponeses e dos povos ind\u00edgenas, e lutar lado a lado. Come\u00e7ando por exigir o respeito irrestrito \u00e0 consulta pr\u00e9via e vinculativa das comunidades que ser\u00e3o afetadas pelas a\u00e7\u00f5es mineiras, petrol\u00edferas e florestais.<\/p>\n\n\n\n<p>Somente a partir desta posi\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que a classe oper\u00e1ria se torne a dire\u00e7\u00e3o de todo o processo para direcion\u00e1-lo para a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o fundamental com a qual possamos garantir as demandas dessas mesmas comunidades: formar um governo de trabalhadores\/as, camponeses, povos ind\u00edgenas e todo o povo pobre.<\/p>\n\n\n\n<p>Como j\u00e1 dissemos, a luta das popula\u00e7\u00f5es contra a minera\u00e7\u00e3o \u00e9 a express\u00e3o da luta do povo contra o saque imperialista que s\u00f3 deixa mis\u00e9ria e destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente, o que impossibilita que as comunidades camponesas e ind\u00edgenas retomem a sua atividade econ\u00f4mica fundamental uma vez uma vez conclu\u00edda a extra\u00e7\u00e3o mineira.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, fundamentalmente, tanto as comunidades que se op\u00f5em ao in\u00edcio de novos projetos mineiros, especialmente aqueles que afetam a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, e os trabalhadores e a popula\u00e7\u00e3o pobre da cidade, enfrentam o mesmo inimigo. Um inimigo que tem como principal agente o governo de Dina Boluarte, disposto a impor com sangue e fogo a continuidade do saque dos nossos recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, a par da paralisa\u00e7\u00e3o dos projetos mineiros em quest\u00e3o, \u00e9 fundamental lutar pela expropria\u00e7\u00e3o sem pagamento das empresas mineiras que j\u00e1 operam, para coloc\u00e1-las sob o controle dos seus trabalhadores\/as, e assim, de m\u00e3os dadas com as comunidades, colocar esses recursos ao seu servi\u00e7o e planejar a mitiga\u00e7\u00e3o do impacto das atividades de minera\u00e7\u00e3o. \u00c9, portanto, essencial que juntamente com as reivindica\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora e a luta contra o avan\u00e7o reacion\u00e1rio das leis que aprova o Congresso, a luta contra o in\u00edcio do projeto T\u00eda Mar\u00eda, a luta contra a explora\u00e7\u00e3o em Colpayoc, contra Michiquillay e o projeto Conga se transforme em uma luta nacional, de todos os trabalhadores\/as do pa\u00eds, pela derrota de Boluarte, do Congresso e contra o imperialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p>1. Organiza\u00e7\u00f5es de frente \u00fanica em que diversas organiza\u00e7\u00f5es populares constroem as suas plataformas de protesto para se mobilizarem de forma unit\u00e1ria. No Peru eles t\u00eam uma hist\u00f3ria de 40 a 50 anos. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A retomada dos conflitos contra a minera\u00e7\u00e3o em grande escala, em resposta \u00e0 defini\u00e7\u00e3o do governo de promover a execu\u00e7\u00e3o de projetos amplamente rejeitados pela popula\u00e7\u00e3o, como Conga ou T\u00eda Mar\u00eda, abre a possibilidade de derrotar Boluarte e companhia no campo da a luta de classes e modificar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as em favor da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":79394,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[300],"tags":[8481,8470,2229],"class_list":["post-79393","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-peru","tag-dina-boluarte","tag-peru","tag-victor-montes"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Peru.png","categories_names":["Peru"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79393","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79393"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79393\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":79395,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79393\/revisions\/79395"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79394"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79393"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79393"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79393"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}