{"id":79341,"date":"2024-07-31T14:02:18","date_gmt":"2024-07-31T14:02:18","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=79341"},"modified":"2024-07-31T14:02:21","modified_gmt":"2024-07-31T14:02:21","slug":"a-crise-politica-na-franca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/07\/31\/a-crise-politica-na-franca\/","title":{"rendered":"A crise pol\u00edtica na Fran\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Os Jogos Ol\u00edmpicos de Paris misturam o espet\u00e1culo dos eventos esportivos transmitidos para todo o mundo com tens\u00f5es pol\u00edticas muito presentes.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Secretariado Internacional da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI)<\/p>\n\n\n\n<p>Os protestos contra a presen\u00e7a de Israel nos jogos e a sabotagem dos trilhos de trem no dia da inaugura\u00e7\u00e3o mostram que a tentativa de esconder a realidade pol\u00edtica e social do pa\u00eds pode n\u00e3o funcionar.<\/p>\n\n\n\n<p>Macron, mais do que ningu\u00e9m, aposta na anestesia coletiva dos espet\u00e1culos ol\u00edmpicos para lhe dar uma folga da crise pol\u00edtica ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es de julho. Para conseguir isso, usa um enorme aparato repressivo. No entanto, o resultado pode n\u00e3o ser o esperado, mas sim uma maior irrita\u00e7\u00e3o e radicaliza\u00e7\u00e3o das bases contra Macron e o seu governo.<\/p>\n\n\n\n<p>O que est\u00e1 acontecendo na Fran\u00e7a? Quais s\u00e3o as perspectivas? O que significa o fortalecimento da extrema direita? Qual ser\u00e1 o papel da Nova Frente Popular? Estas s\u00e3o algumas das perguntas dos ativistas \u00e0s quais tentaremos dar respostas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O decl\u00ednio do capitalismo imperialista franc\u00eas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A primeira coisa que precisamos para compreender a realidade do pa\u00eds \u00e9 levar em considera\u00e7\u00e3o o decl\u00ednio do capitalismo europeu, e do capitalismo franc\u00eas em particular. Desde a recess\u00e3o internacional de 2007-09 tem havido uma curva descendente na economia global, que continua at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>A Europa est\u00e1 sofrendo com este decl\u00ednio, agravado pela guerra na Ucr\u00e2nia. O capitalismo est\u00e1 declinando ainda mais \u00e0 medida que perde terreno na competi\u00e7\u00e3o mundial ante o conflito entre os Estados Unidos e a China. A participa\u00e7\u00e3o da Europa no PIB global caiu de 25% na d\u00e9cada de 1980 para 15% na d\u00e9cada de 2020. Isto tem uma express\u00e3o direta nos dois pa\u00edses centrais da Uni\u00e3o Europeia (UE), Alemanha e Fran\u00e7a. A UE continua desempenhando um papel contrarrevolucion\u00e1rio significativo, como pode ser demonstrado no seu apoio ao genoc\u00eddio israelita e ao seu plano armamentista.<\/p>\n\n\n\n<p>A Fran\u00e7a, que tem uma produ\u00e7\u00e3o industrial significativa nas ind\u00fastrias de autom\u00f3vel e aeroespacial, um importante setor agr\u00edcola e um importante setor de servi\u00e7os na economia imperialista, tem ficado para tr\u00e1s face \u00e0 concorr\u00eancia chinesa e norte-americana. Est\u00e1 sendo expulsa das suas antigas col\u00f4nias africanas. Os seus servi\u00e7os p\u00fablicos sofrem uma grave deteriora\u00e7\u00e3o, a sua economia est\u00e1 estagnada (com um crescimento an\u00eamico de 0,6% na d\u00e9cada de 2020), com elevados n\u00edveis de d\u00edvida (110,6%) e de d\u00e9ficit p\u00fablico (5,5%). E a queda no investimento (-15% desde 2023) aponta para que o decl\u00ednio do pa\u00eds continue a aprofundar-se.<\/p>\n\n\n\n<p>A burguesia francesa est\u00e1 reagindo a este decl\u00ednio com ataques cada vez mais fortes aos trabalhadores, atrav\u00e9s de sucessivos planos neoliberais, como a \u00faltima reforma do sistema de previd\u00eancia imposta por Macron. Desde as mobiliza\u00e7\u00f5es dos Coletes Amarelos (2018-2019), tem sido tamb\u00e9m uma vanguarda europeia na repress\u00e3o da dissid\u00eancia e dos ataques \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A crise da Quinta Rep\u00fablica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O decl\u00ednio do pa\u00eds tem express\u00e3o direta na crise da democracia burguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise capitalista traduz-se num ataque \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida das massas trabalhadoras como um todo. Mas tem um efeito especial nas classes m\u00e9dias e nos setores privilegiados do proletariado. No passado, estes sectores constitu\u00edam a base social est\u00e1vel da democracia burguesa, com expectativas de avan\u00e7o social. Com a decad\u00eancia capitalista, isto entra em crise.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 uma tend\u00eancia global, que tem consequ\u00eancias diferentes de um pa\u00eds para outro. Gera uma tend\u00eancia para a crise das democracias burguesas, a crise dos partidos tradicionais, o fortalecimento das correntes de extrema-direita e uma forte tend\u00eancia para regimes bonapartistas, ou seja, cada vez mais autorit\u00e1rios e com uma crescente concentra\u00e7\u00e3o de poder no topo do Executivo.<\/p>\n\n\n\n<p>A democracia burguesa na Fran\u00e7a assumiu a forma da Quinta Rep\u00fablica, um regime presidencial estabelecido por De Gaulle em 1958, ao contr\u00e1rio da Quarta Rep\u00fablica, que era um regime baseado no parlamento. Na Quinta Rep\u00fablica \u00e9 o Presidente quem nomeia o Primeiro-Ministro e n\u00e3o o Parlamento e \u00e9 tamb\u00e9m ele quem dirige a Defesa e os Neg\u00f3cios Estrangeiros e escolhe os ministros destas pastas.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante d\u00e9cadas, a Quinta Rep\u00fablica alternou governos de direita liberal e de esquerda burguesa (especialmente atrav\u00e9s do PS). Isto incluiu a chamada \u201ccoabita\u00e7\u00e3o\u201d com um presidente \u201cde esquerda\u201d e um primeiro-ministro \u201cde direita\u201d (como Fran\u00e7ois Mitterrand e Chirac, por exemplo), e outras combina\u00e7\u00f5es, sempre aplicando um plano burgu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o de planos neoliberais muito semelhantes pelos chamados governos de \u201cesquerda\u201d e \u201cdireita\u201d levou \u00e0 crise de todos os partidos do regime e da pr\u00f3pria democracia burguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3prio Macron foi escolhido como \u201cnovidade\u201d frente a eros\u00e3o do governo neoliberal do PS de Fran\u00e7ois Hollande e do governo tradicional de direita, tamb\u00e9m neoliberal, de Sarkozy. Uma vez no poder, voltou a aplicar os mesmos planos neoliberais.<\/p>\n\n\n\n<p>Macron foi o grande perdedor das \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, justamente pela rejei\u00e7\u00e3o e \u00f3dio social causados \u200b\u200bpelas consequ\u00eancias da pol\u00edtica que aplicou, cujo s\u00edmbolo maior \u00e9 a reforma previdenci\u00e1ria, embora tenha conseguido reduzir a sua derrota devido ao acordo da \u201cFrente Republicana&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O movimento de massas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender a realidade francesa, n\u00e3o basta olhar para os resultados eleitorais. Como \u00e9 bem sabido, na democracia burguesa, os processos reais da luta de classes aparecem distorcidos nas elei\u00e7\u00f5es. Numa democracia em crise, isto \u00e9 ainda mais verdadeiro e tornam-se mais vol\u00e1teis.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 crucial ver o que est\u00e1 acontecendo na luta de classes. E a Fran\u00e7a, honrando a sua tradi\u00e7\u00e3o, \u00e9 provavelmente o pa\u00eds ocidental onde a mobiliza\u00e7\u00e3o de massas e os conflitos com o poder foram mais longe nos \u00faltimos tempos.<\/p>\n\n\n\n<p>As mobiliza\u00e7\u00f5es dos Coletes Amarelos, que abalaram o pa\u00eds em 2018-19, deixaram n\u00edtido ao mundo a crise do capitalismo franc\u00eas e da Quinta Rep\u00fablica e o enorme potencial da mobiliza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e popular.<\/p>\n\n\n\n<p>As mobiliza\u00e7\u00f5es come\u00e7aram como rea\u00e7\u00e3o ao aumento dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis, utilizando os coletes amarelos como s\u00edmbolo do movimento e aos s\u00e1bados para manifestarem-se massivamente nas ruas. O movimento criou ra\u00edzes, reunindo camadas muito amplas de trabalhadores das prov\u00edncias e muitos setores de pequenos propriet\u00e1rios de terras e camponeses empobrecidos. Atingiu jovens do ensino secund\u00e1rio em bairros urbanos pobres, mas n\u00e3o mobilizou universidades. E n\u00e3o mobilizou o proletariado das grandes cidades, bloqueado pelas lideran\u00e7as das principais centrais sindicais, que confrontaram o movimento, ao que chegaram a criticar da forma mais indigna, como se fosse uma express\u00e3o da extrema direita.<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento dos Coletes Amarelos mobilizou um importante setor do proletariado, entre os trabalhadores mais vulner\u00e1veis \u200b\u200be menos sindicalizados do pa\u00eds. Mas, salvo muito marginalmente, n\u00e3o recebeu o apoio dos grandes aparatos sindicais, que o macularam e bloquearam a solidariedade.<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento foi brutalmente reprimido pelo governo Macron, que tomou medidas diretas e de autodefesa. Apesar da repress\u00e3o brutal, as mobiliza\u00e7\u00f5es cresceram, reunindo centenas de milhares de pessoas e impondo retrocessos parciais ao governo.<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento nasceu e cresceu fora dos aparatos pol\u00edticos e sindicais. Deu passos ampliando seu programa de demandas e sua auto-organiza\u00e7\u00e3o. Sua for\u00e7a foi sua espontaneidade. Mas no final ficou exausto pela repress\u00e3o e pelo cansa\u00e7o, porque n\u00e3o conseguiu superar a crise de dire\u00e7\u00e3o, pois uma dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o se improvisa.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3prio Macron teve que enfrentar a grande mobiliza\u00e7\u00e3o contra a reforma previdenci\u00e1ria em 2023. De 19 de janeiro a 6 de junho, o proletariado franc\u00eas realizou manifesta\u00e7\u00f5es em massa e greves parciais descont\u00ednuas, nas quais participaram milh\u00f5es de pessoas. Teria sido perfeitamente poss\u00edvel derrotar a reforma e derrubar o pr\u00f3prio Macron se as dire\u00e7\u00f5es sindicais tivessem optado pela greve geral at\u00e9 \u00e0 vit\u00f3ria. Por\u00e9m, mais uma vez, as burocracias sindicais &#8211; ao ritmo da CFDT, com o acordo da CGT, recusaram-se a faz\u00ea-lo, com o apoio pol\u00edtico do Fran\u00e7a Insubmissa e o que ainda restava do PS e do PCF, que em nenhum momento questionaram os mecanismos institucionais atrav\u00e9s dos quais Macron poderia impor uma reforma que foi rejeitada por uma grande maioria do povo franc\u00eas. A central Solidaires foi a favor da greve geral, mas nunca se op\u00f4s, na pr\u00e1tica, \u00e0s outras dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>No final, Macron, sabendo que n\u00e3o poderia votar a reforma no Parlamento, utilizou os recursos bonapartistas da Quinta Rep\u00fablica para a impor de qualquer maneira, o que foi ent\u00e3o validado por um Conselho Constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais uma vez o movimento foi derrotado por um misto de exaust\u00e3o e impot\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A extrema direita<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A democracia burguesa, com as suas elei\u00e7\u00f5es, tem uma enorme vantagem para o dom\u00ednio do grande capital: permite \u00e0s massas manterem as suas ilus\u00f5es de mudan\u00e7a, substituindo um governo desgastado por outro, aparentemente &#8220;novo&#8221;, para, em \u00faltima an\u00e1lise, aplicar o mesmo programa neoliberal.<\/p>\n\n\n\n<p>Este mecanismo, embora desgastado, permanece, apesar de todas as crises, v\u00e1lido na Europa, na medida em que n\u00e3o h\u00e1 supera\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e nem a grande burguesia tem atualmente qualquer interesse numa solu\u00e7\u00e3o fascista. Isto pode ser visto no resultado eleitoral na Inglaterra, com a derrota do Partido Conservador (no governo h\u00e1 14 anos) e a vit\u00f3ria do Partido Trabalhista.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o fortalecimento das diferentes for\u00e7as de extrema-direita \u00e9 um novo elemento na realidade europeia. \u00c9 uma express\u00e3o da decad\u00eancia do capitalismo europeu e dos regimes democr\u00e1ticos burgueses em vigor. A extrema direita surge como \u201calgo novo\u201d, capitalizando \u00e0 sua maneira a crise social e o profundo descontentamento popular. A esquerda burguesa, por sua vez, \u00e9 vista como parte dos partidos do regime.<\/p>\n\n\n\n<p>A extrema direita europeia tem origens diferentes. Em v\u00e1rios pa\u00edses, nasceu de movimentos diretamente fascistas que se adaptaram para concorrer \u00e0s elei\u00e7\u00f5es e assim chegar ao governo, como \u00e9 o caso do Rassemblement National (RN) na Fran\u00e7a, do Fratelli d&#8217;Italia de Meloni ou do FP\u00d6 da \u00c1ustria. J\u00e1 lideram o governo na Hungria e na It\u00e1lia, participam no governo dos Pa\u00edses Baixos e de outros pa\u00edses e foram significativamente fortalecidos nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es europeias.<\/p>\n\n\n\n<p>Em geral, n\u00e3o s\u00e3o partidos fascistas, como afirma a esquerda burguesa para justificar a sua pol\u00edtica de uma \u201cfrente ampla contra o fascismo\u201d com setores burgueses. A extrema direita n\u00e3o se apoia, como na d\u00e9cada de 1930, da forma\u00e7\u00e3o de bandos fascistas armados, compostos principalmente por sectores sociais desesperados da pequena burguesia.<\/p>\n\n\n\n<p>A extrema direita europeia n\u00e3o trabalha atualmente com perspectivas insurrecionais, mas com a ideia de contar com os canais parlamentares para, a partir do governo, cercear as liberdades e os direitos democr\u00e1ticos. Em alguns casos, com projetos bonapartistas de mudan\u00e7a de regime, como Orb\u00e1n na Hungria. Noutros casos, com a ascens\u00e3o ao governo, integram-se no regime, como Meloni em It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas incluem grupos minorit\u00e1rios fascistas na sua base. Muitos deles t\u00eam bases importantes em partes do aparelho policial e das for\u00e7as armadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Fran\u00e7a, a vit\u00f3ria do RN de Marine Le Pen nas elei\u00e7\u00f5es europeias (31,3% dos votos) e a derrota de Macron (14,6%) provocaram uma crise pol\u00edtica. Macron manobrou ent\u00e3o dissolvendo o Parlamento e antecipando as elei\u00e7\u00f5es legislativas,<\/p>\n\n\n\n<p>O RN tem origem na Frente Nacional, liderada por Jean-Marie Le Pen, pai de Marine Le Pen. Durante d\u00e9cadas, tentou fazer-nos esquecer o car\u00e1ter fascista da Frente Nacional para assumir uma posi\u00e7\u00e3o compar\u00e1vel \u00e0 democracia burguesa francesa, ao mesmo tempo que fortaleceu o seu programa xen\u00f3fobo, anti-imigra\u00e7\u00e3o e nacionalista. Tem uma base social em setores importantes da pequena e m\u00e9dia burguesia e do proletariado, bem como numa parte importante do aparato policial. O RN tem o voto de quase 60% dos policiais, e muitos s\u00e3o filiados.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a sua vit\u00f3ria nas elei\u00e7\u00f5es europeias o RN lan\u00e7ou-se nas elei\u00e7\u00f5es parlamentares com a ambi\u00e7\u00e3o de conquistar a maioria e aceder ao governo. Isto gerou uma importante rea\u00e7\u00e3o de massas, com um setor de jovens na vanguarda das manifesta\u00e7\u00f5es. Em 15 de Junho, centenas de milhares de pessoas marcharam pela Fran\u00e7a rejeitando a possibilidade de uma vit\u00f3ria da extrema-direita. Este meio de mobiliza\u00e7\u00e3o de massas contra a extrema direita foi muito oportuno e necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, algo muito diferente \u00e9 a \u201campla frente eleitoral contra o fascismo\u201d, uma pol\u00edtica muito comum da esquerda reformista em todo o mundo, que tamb\u00e9m foi utilizada na Fran\u00e7a. Uma alian\u00e7a (&#8220;Frente Republicana&#8221;) foi formada entre Macron e a Nova Frente Popular no segundo turno das elei\u00e7\u00f5es, o que levou \u00e0 retirada das candidaturas do NFP em favor dos candidatos Macron mais bem colocados, quando havia um candidato de extrema direita que poderia vencer.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado eleitoral jogou o RN para o terceiro lugar. A Nova Frente Popular surpreendeu e ficou em primeiro lugar, enquanto a coliga\u00e7\u00e3o de Macron ficou em segundo. Isso abriu a perspectiva de um governo de coliga\u00e7\u00e3o \u201ccontra a extrema direita\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Este resultado expressa um resultado complexo, que poderia ser resumido em tr\u00eas conclus\u00f5es b\u00e1sicas.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira \u00e9 que a democracia burguesa, mesmo em crise, continua funcionando, expressando um bloqueio parlamentar contra a extrema direita, o que na verdade favorece um maior fortalecimento da extrema direita na sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda \u00e9 exatamente uma contradi\u00e7\u00e3o da primeira: a democracia burguesa, ainda que funcione, est\u00e1 em crise.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do enorme descr\u00e9dito nas suas institui\u00e7\u00f5es, tem agora uma divis\u00e3o sem precedentes: o eleitorado est\u00e1 dividido em tr\u00eas blocos, com peso semelhante: a Nova Frente Popular (182 deputados), o Macronismo (168) e a extrema-direita (143).<\/p>\n\n\n\n<p>A terceira conclus\u00e3o \u00e9 que a extrema direita, apesar da derrota, tornou-se muito mais forte e veio para ficar. Na verdade, continua a ser o primeiro partido na Fran\u00e7a e aspirante a vencer nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Nova Frente Popular<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Diante do risco de vit\u00f3ria da extrema direita, formou-se a Nova Frente Popular, que unifica o Fran\u00e7a Insubmissa (liderada por M\u00e9lenchon), o PS, o PC, os ecologistas, bem como setores considerados de extrema esquerda, como o setor hist\u00f3rico do NPA. Essa frente teve um resultado muito bom nas elei\u00e7\u00f5es, tornando-se o partido com mais cadeiras na Assembleia Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem grandes expectativas dos principais sectores de todo o mundo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 NFP. Mas essas expectativas s\u00e3o reais?<\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos a composi\u00e7\u00e3o desta frente.<\/p>\n\n\n\n<p>O PS \u00e9 o partido com mais tradi\u00e7\u00e3o na NFP. Herdeiro da velha socialdemocracia europeia, quando ainda era um partido reformista dos trabalhadores, &#8211; como na primeira Frente Popular da d\u00e9cada de 1930 &#8211; foi um fator fundamental nas derrotas do movimento de massas. Depois da Segunda Guerra Mundial, depois do congresso de Bad Godesberg (1959), da social-democracia alem\u00e3, tal como os outros partidos socialistas europeus, deixou de reivindicar a classe oper\u00e1ria e o socialismo. O antigo programa reformista foi abandonado e substitu\u00eddo, primeiro pela \u201ceconomia social de mercado\u201d e depois pelo social-liberalismo (vers\u00e3o social-democrata do neoliberalismo). O partido mudou seu car\u00e1ter de classe, passando de um partido oper\u00e1rio reformista para ser mais um partido burgu\u00eas, que manteve e mant\u00e9m uma certa base eleitoral oper\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Fran\u00e7a Insubmissa \u00e9 considerada \u201cextrema esquerda\u201d pela m\u00eddia. Mas \u00e9 um partido reformista eleitoral, liderado por Jean-Luc M\u00e9lenchon, que foi senador pelo PS. Lembremos que M\u00e9lenchon rompeu com o PS em 2009 para formar o Parti de Gauche (PG), que logo formou uma alian\u00e7a com o PCF e alguns outros chamados Front de Gauche. Fran\u00e7a Insubmissa foi criada para as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>O programa deste partido est\u00e1 \u00e0 direita do programa de Mitterrand de 1981, sem nacionaliza\u00e7\u00e3o de grandes empresas ou bancos, sem medidas anti-imperialistas ou questionamento das bases capitalistas, tudo no quadro da Uni\u00e3o Europeia. O seu programa socioecon\u00f4mico limita-se \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o do Estado de Bem Estar, propondo anular a reforma da previd\u00eancia e do desemprego de Macron, o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo, o bloqueio dos pre\u00e7os dos bens essenciais, a indexa\u00e7\u00e3o salarial ou a efetiva gratuidade da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Se conseguir chegar ao governo, abandonar\u00e1 boa parte destas reivindica\u00e7\u00f5es, exatamente como o Syriza fez na Gr\u00e9cia.<\/p>\n\n\n\n<p>Este partido n\u00e3o desempenhou nenhum papel independente de primordial import\u00e2ncia nas lutas do movimento de massas, porque deixou a lideran\u00e7a \u00e0s lideran\u00e7as sindicais, contra as quais n\u00e3o quer lutar. Tem essencialmente um papel eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o tem ra\u00edzes nos setores prolet\u00e1rios, apesar de estar agora bem estabelecido nos sub\u00farbios prolet\u00e1rios com uma elevada propor\u00e7\u00e3o de trabalhadores imigrantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, Fran\u00e7a Insubmissa desempenha o papel da ala esquerda da Quinta Rep\u00fablica, embora defenda formalmente uma Sexta Rep\u00fablica no seu programa. Poderia ser um ponto de apoio para algum tipo de colabora\u00e7\u00e3o de classe no pr\u00f3ximo per\u00edodo. N\u00e3o \u00e9 por acaso que M\u00e9lenchon tenha concordado com Macron (a Frente Republicana) para o segundo turno das elei\u00e7\u00f5es legislativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfrentar esta ofensiva do capital e garantir o cumprimento das medidas sociais prometidas \u00e9 imposs\u00edvel sem levantar um movimento revolucion\u00e1rio de massas que permita a expropria\u00e7\u00e3o dos bancos e das grandes corpora\u00e7\u00f5es, coloque os meios de produ\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os da classe trabalhadora e acabe com a domina\u00e7\u00e3o imperialista francesa no exterior. Tudo isto \u00e9 imposs\u00edvel no \u00e2mbito do programa LFI.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m destes partidos, h\u00e1 o Partido Comunista, que teve in\u00fameras trai\u00e7\u00f5es no passado, como a rendi\u00e7\u00e3o do processo revolucion\u00e1rio no p\u00f3s-guerra por ordem de Stalin e a corresponsabilidade &#8211; com o PS &#8211; na derrota da Frente Popular na d\u00e9cada de 1930 e que trouxe o processo revolucion\u00e1rio de 1968 de volta ao quadro institucional. Hoje est\u00e1 reduzido a uma pequena for\u00e7a que abandonou qualquer perspectiva socialista, est\u00e1 \u00e0 direita da LFI.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, existem alguns partidos burgueses menores, como o Ecologista e a Place Publique (de Rapha\u00ebl Glucksmann). Este \u00faltimo foi candidato nas elei\u00e7\u00f5es legislativas de 2007 pela Alternativa Liberal e mais tarde admirador de Nicolas Sarkozy.<\/p>\n\n\n\n<p>Como pode ser visto, a composi\u00e7\u00e3o da Nova Frente Popular n\u00e3o pode justificar qualquer expectativa de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria alternativa para a atual crise pol\u00edtica francesa.<\/p>\n\n\n\n<p>A Nova Frente Popular leva o nome da Frente Popular da d\u00e9cada de 1930, duramente criticada por Le\u00f3n Trotsky, que sustentava a frente \u00fanica de classe e a mobiliza\u00e7\u00e3o de rua como \u00fanica forma para enfrentar a direita. Nessa \u00e9poca, face \u00e0 grave crise do capitalismo franc\u00eas e \u00e0 ascens\u00e3o do fascismo, formou-se um governo de colabora\u00e7\u00e3o de classes PS-Partido Radical, apoiado desde o exterior pelo PCF, que acabou por derrotar o processo revolucion\u00e1rio que tinha come\u00e7ado com uma onda de ocupa\u00e7\u00f5es de f\u00e1bricas em 1936 e facilitando, no final, a chegada do regime de Vichy. Esta Nova Frente Popular \u00e9 ainda mais de direita do que aquela criticada por Trotsky.<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto de muitas d\u00favidas quanto \u00e0s perspectivas na Fran\u00e7a, podemos apostar que a Nova Frente Popular n\u00e3o desempenhar\u00e1 qualquer papel revolucion\u00e1rio ou seriamente reformista no pr\u00f3ximo per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais s\u00e3o as perspectivas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Macron n\u00e3o tem pressa em nomear um primeiro-ministro. Ele est\u00e1 usando as Olimp\u00edadas para ganhar tempo. E j\u00e1 anunciou que \u201cningu\u00e9m ganhou as elei\u00e7\u00f5es\u201d, ignorando a vit\u00f3ria \u2013 embora sem maioria parlamentar \u2013 da Nova Frente Popular.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos protestos de M\u00e9lenchon, Macron aposta na forma\u00e7\u00e3o de um bloco entre os seus deputados e o PS, isolando o Fran\u00e7a Insubmissa e a extrema direita do RN. Isto permitir-lhe-ia continuar a aplicar um programa neoliberal, alheio \u00e0 sua derrota.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais uma vez, se apoia nos limites bonapartistas da Quinta Rep\u00fablica. Como \u00e9 o presidente quem nomeia o primeiro-ministro, ele pode manter o atual, Gabriel Attal, do seu partido. Macron aceitou a sua ren\u00fancia, mas manteve-o at\u00e9 descobrir uma solu\u00e7\u00e3o aceit\u00e1vel para a sua pol\u00edtica, ou at\u00e9 que uma mo\u00e7\u00e3o de censura parlamentar o derrubasse. Mesmo nesse caso, ele teria novamente o direito de nomear o primeiro-ministro.<\/p>\n\n\n\n<p>Macron pode assim for\u00e7ar um acordo parlamentar que beneficie a sua estrat\u00e9gia. Poderia tentar um \u201cgabinete t\u00e9cnico\u201d, de acordo com uma ala do PS ou Place Publique (de Glucksmann), ou outras variantes. Qualquer variante de governo que mantenha este tipo de programa neoliberal s\u00f3 acabar\u00e1 fortalecendo a extrema direita no futuro. Dado que as elei\u00e7\u00f5es presidenciais s\u00f3 ocorrer\u00e3o em 2027, a crise da Quinta Rep\u00fablica provavelmente ter\u00e1 muitos mais epis\u00f3dios.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas como reagir\u00e1 o movimento de massas \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o continuada do repudiado programa de Macron? Se o resultado eleitoral indicou alguma coisa \u00e9 que o governo est\u00e1 muito desgastado. Pode haver novas convuls\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 possibilidade de superar a crise da Quinta Rep\u00fablica e, de fato, nem mesmo de impor um programa de governo atrav\u00e9s de negocia\u00e7\u00f5es no parlamento. As negocia\u00e7\u00f5es para a composi\u00e7\u00e3o do futuro governo servir\u00e3o mesmo para deixar de lado as reivindica\u00e7\u00f5es sociais do programa NFP, como a revoga\u00e7\u00e3o da reforma previdenci\u00e1ria ou o aumento salarial.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos lutar pela combina\u00e7\u00e3o entre a mobiliza\u00e7\u00e3o direta das massas, a sua auto-organiza\u00e7\u00e3o e a luta pela independ\u00eancia de classe.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 fundamental articular a mobiliza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e da juventude em defesa da revoga\u00e7\u00e3o da reforma previdenci\u00e1ria e do aumento salarial como reivindica\u00e7\u00f5es imediatas. Comprometer-se com a organiza\u00e7\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o combativa nos sindicatos e a auto-organiza\u00e7\u00e3o nas bases, trabalhando para superar as dire\u00e7\u00f5es sindicais da CGT e da CFDT, que j\u00e1 mostram a sua submiss\u00e3o aos interesses da burguesia.<\/p>\n\n\n\n<p>A luta pela unidade dos trabalhadores e das trabalhadoras com a juventude e os setores populares contra a burguesia \u00e9 a melhor forma de enfrentar a extrema direita, que procura colocar uma parte dos trabalhadores contra a outra e uni-los com a grande burguesia. N\u00e3o \u00e9 por acaso que, nas grandes lutas do proletariado contra as reformas previdenci\u00e1rias, a extrema direita recuou.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta auto-organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores deve incluir a sua autodefesa contra poss\u00edveis ataques da extrema direita e da selvageria policial.<\/p>\n\n\n\n<p>A chave para a atual crise pol\u00edtica reside no avan\u00e7o dos trabalhadores na constru\u00e7\u00e3o de uma nova dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria para enfrentar as pol\u00edticas reacion\u00e1rias tanto de Macron como de Le Pen. Isto exige romper com esses partidos, mas tamb\u00e9m com os partidos burgueses que comp\u00f5em o NFP, como o PS, o Partido Verde e Place Publique.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto envolve discutir pacientemente com os trabalhadores e os jovens que votaram no NFP, e com os ativistas que confiam na dire\u00e7\u00e3o reformista dos partidos oper\u00e1rios que constituem essa frente, como o Fran\u00e7a Insubmissa. Temos que ser firmes e aprender com a hist\u00f3ria: todas as alternativas de colabora\u00e7\u00e3o de classes prepararam e preparam novas derrotas. Por isso \u00e9 urgente que rompam com os setores do bloco da NFP e juntem-se ativamente aos esfor\u00e7os para construir uma verdadeira alternativa de classe.<\/p>\n\n\n\n<p>O Fran\u00e7a Insubmissa surge como o sector mais combativo da Nova Frente Popular. O seu programa puramente reformista, a sua op\u00e7\u00e3o de n\u00e3o expropriar a burguesia, s\u00f3 pode levar o LFI, como o Syriza na Gr\u00e9cia ou o Podemos em Espanha, a novos becos sem sa\u00edda desastrosos para os trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>A luta pela independ\u00eancia de classe, contra todos os blocos burgueses, envolve educar pacientemente a vanguarda de que a frente popular n\u00e3o \u00e9 o \u201cmal menor\u201d, \u200b\u200bporque na realidade mant\u00e9m a explora\u00e7\u00e3o burguesa e tamb\u00e9m acaba abrindo espa\u00e7o para o \u201cmal maior\u201d. Nesse sentido, a fundamenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para as t\u00e1ticas eleitorais apresentada num texto anterior estava equivocada. Ou o proletariado abre um caminho independente das diferentes op\u00e7\u00f5es burguesas, ou estar\u00e1 preparando uma nova derrota.<\/p>\n\n\n\n<p>Secretariado Internacional<\/p>\n\n\n\n<p>30 de julho de 2024<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os Jogos Ol\u00edmpicos de Paris misturam o espet\u00e1culo dos eventos esportivos transmitidos para todo o mundo com tens\u00f5es pol\u00edticas muito presentes. 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