{"id":79293,"date":"2024-07-27T15:11:09","date_gmt":"2024-07-27T15:11:09","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=79293"},"modified":"2024-07-27T18:22:56","modified_gmt":"2024-07-27T18:22:56","slug":"o-movimento-israelense-contra-a-guerra-cresce-apesar-de-sua-falta-de-visao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/07\/27\/o-movimento-israelense-contra-a-guerra-cresce-apesar-de-sua-falta-de-visao\/","title":{"rendered":"O movimento israelense contra a guerra cresce apesar de sua falta de vis\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><em>No final de junho, grandes protestos contra a guerra ocorreram em todo Israel, pedindo o fim dos ataques em Gaza e se opondo aos esfor\u00e7os militares. Embora as consignas geralmente focassem nos interesses dos pr\u00f3prios israelenses e expressassem principalmente o descontentamento com os m\u00e9todos do governo, a condu\u00e7\u00e3o e os crescentes custos da guerra, em vez de solidariedade com a resist\u00eancia palestina, esses protestos ainda representam um obst\u00e1culo crescente para a capacidade do Estado de apartheid de implementar seu genoc\u00eddio em Gaza ou ampliar suas opera\u00e7\u00f5es na Cisjord\u00e2nia e no L\u00edbano.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Carlos Sapir<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Dezenas de milhares de pessoas se manifestam a favor dos ref\u00e9ns, enquanto milhares participam de uma confer\u00eancia de paz &#8220;deturpada&#8221;.<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Uma peculiaridade do apoio israelense \u00e0 invas\u00e3o de Gaza tem sido a presen\u00e7a de um movimento aberto em torno das fam\u00edlias dos israelenses capturados durante a <a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/11\/02\/declaracao-sobre-a-guerra-de-gaza-2023\/\">opera\u00e7\u00e3o \u201cInunda\u00e7\u00e3o de Al Aqsa\u201d em 7 de outubro<\/a>, que se manteve independente do governo, apesar de \u00e0s vezes se alinhar com seus objetivos. Mesmo antes do in\u00edcio da invas\u00e3o israelense, pequenas, mas constantes concentra\u00e7\u00f5es foram organizadas no centro das cidades para exigir a devolu\u00e7\u00e3o dos ref\u00e9ns por todos os meios. No in\u00edcio, essas manifesta\u00e7\u00f5es eram amplamente pr\u00f3-guerra, mostrando o mesmo entusiasmo pelo resgate militar dos ref\u00e9ns ou pela sua liberta\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de negocia\u00e7\u00f5es. Os ref\u00e9ns ocuparam um lugar de destaque na propaganda pr\u00f3-guerra divulgada em Israel, Estados Unidos e outros pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, \u00e0 medida que a guerra avan\u00e7ava e se tornava cada vez mais evidente, mesmo para o p\u00fablico israelense, que o ex\u00e9rcito seguia uma estrat\u00e9gia de viol\u00eancia implac\u00e1vel em Gaza, custando a vida dos ref\u00e9ns (incluindo a recente confirma\u00e7\u00e3o pelo Haaretz da suspeita de longa data de que soldados israelenses receberam ordens de matar civis israelenses em 7 de outubro para evitar sua captura), o movimento dos ref\u00e9ns deixou de apoiar a continua\u00e7\u00e3o da guerra. Eles passaram a desautorizar o objetivo declarado de guerra do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu de destruir completamente o Hamas e pediram a aceita\u00e7\u00e3o de uma proposta de cessar-fogo que garantisse a liberta\u00e7\u00e3o dos ref\u00e9ns restantes. A pol\u00edcia respondeu aos protestos com viol\u00eancia, agredindo e detendo at\u00e9 pol\u00edticos eleitos que participavam delas.<\/p>\n\n\n\n<p>Evidentemente, h\u00e1 uma sobreposi\u00e7\u00e3o significativa entre o movimento dos ref\u00e9ns e os protestos contra Netanyahu que se op\u00f5em \u00e0 sua reforma judicial de 2023. Organiza\u00e7\u00f5es liberais sionistas da sociedade civil, como a Kaplan Force, desempenharam um papel destacado nas recentes mobiliza\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m de exigir negocia\u00e7\u00f5es sobre os ref\u00e9ns, as consignas dos protestos focaram em acusar Netanyahu e seu gabinete de extrema-direita como sendo o \u00fanico problema, pedindo elei\u00e7\u00f5es imediatas. As manifesta\u00e7\u00f5es mantiveram uma ret\u00f3rica patri\u00f3tica, pr\u00f3-sionista e pr\u00f3-militar: n\u00e3o se op\u00f5em \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua da Palestina, apenas \u00e0 atual campanha militar conduzida por um pol\u00edtico em quem n\u00e3o confiam.<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dado que as bandeiras israelenses e os elogios ao ex\u00e9rcito sempre foram vis\u00edveis nos protestos em Israel, n\u00e3o \u00e9 surpreendente que os palestinos que vivem nas fronteiras de 1948 em grande parte n\u00e3o tenham participado deles. Eles tamb\u00e9m t\u00eam sido alvo de uma feroz repress\u00e3o e silenciamento por parte do Estado israelense, enfrentando proibi\u00e7\u00f5es de marchar e deten\u00e7\u00f5es preventivas de professores, l\u00edderes da sociedade civil e ativistas. Apesar dessa press\u00e3o, essas comunidades palestinas conseguiram organizar suas pr\u00f3prias mobiliza\u00e7\u00f5es, especialmente para comemorar o Dia da Terra em abril e o Dia da Nakba em maio. No entanto, mesmo nessas ocasi\u00f5es, as autoridades israelenses proibiram os palestinos de se manifestar nas principais cidades e limitaram seus protestos ao interior das comunidades \u00e1rabes.<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a semana de protestos no final de junho, ativistas israelenses organizaram uma &#8220;Confer\u00eancia de Paz Israel-Palestina&#8221; em Tel Aviv. Apesar de enfrentar um bloqueio midi\u00e1tico hostil, 6.000 pessoas compareceram \u00e0 confer\u00eancia, embora seu conte\u00fado pol\u00edtico tenha sido, na melhor das hip\u00f3teses, fraco. Mais uma vez, o evento focou principalmente nas dificuldades dos ref\u00e9ns israelenses, ignorando em grande parte as v\u00edtimas palestinas da guerra. A revista +972 Mag destacou a particular &#8220;disson\u00e2ncia&#8221; de apresentar dan\u00e7as na confer\u00eancia enquanto a popula\u00e7\u00e3o de Khan Younis estava sendo for\u00e7ada a abandonar suas casas para dar lugar aos colonos israelenses. Os palestrantes falaram amplamente sobre paz, mas falharam em articular o que essa paz significaria politicamente.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a confer\u00eancia representou um avan\u00e7o para o movimento contra a guerra nos territ\u00f3rios de 1948 de duas maneiras. Primeiro, embora em menor n\u00famero, os palestinos tiveram a oportunidade de falar sobre a opress\u00e3o que eles e suas fam\u00edlias enfrentam e chamar a aten\u00e7\u00e3o para as atrocidades que o ex\u00e9rcito israelense est\u00e1 cometendo, apesar de um clima social e midi\u00e1tico que silencia impetuosamente as informa\u00e7\u00f5es sobre o genoc\u00eddio. Segundo, embora os palestrantes tenham sido vagos em suas propostas de paz para o futuro e alguns tenham feito alus\u00f5es a uma solu\u00e7\u00e3o de dois Estados, a confer\u00eancia estabeleceu uma esperan\u00e7a geral de coexist\u00eancia com os palestinos, reconhecendo o direito dos palestinos de existir. Isso ainda est\u00e1 longe de uma defesa principista da liberta\u00e7\u00e3o palestina contra um projeto de coloniza\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o \u00e9 ideologicamente incompat\u00edvel com o sionismo liberal, mas ainda assim representa um avan\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 perspectiva dominante dos manifestantes israelenses nas ruas, que at\u00e9 ent\u00e3o viam os erros do Estado israelense apenas na medida em que colocavam em risco os pr\u00f3prios israelenses.<\/p>\n\n\n\n<p>O cont\u00ednuo apoio da classe trabalhadora israelense ao regime sionista n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de fervor ideol\u00f3gico: tem uma base material no roubo ativo de terras pelo Estado israelense e no n\u00edvel de vida inflado em rela\u00e7\u00e3o aos trabalhadores israelenses, diretamente apoiado pelo imperialismo ocidental. Al\u00e9m do roubo de terras, investimentos estrangeiros militares e infraestrutura estatal, o ex\u00e9rcito israelense e sua persegui\u00e7\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o da Palestina desempenham um papel enorme na sua economia, tanto em termos das ind\u00fastrias de armamentos que utilizam diretamente seu armamento para defender o apartheid, quanto atrav\u00e9s do papel central que as conex\u00f5es militares e o treinamento desempenham no mercado de trabalho israelense.<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de sua predisposi\u00e7\u00e3o material para apoiar o Estado, os movimentos de massa israelenses ainda servem para conter, em certa medida, os des\u00edgnios violentos do governo de extrema-direita e limitar o grau em que ele pode desencadear uma guerra total. Embora isso infelizmente n\u00e3o tenha sido suficiente para deter as t\u00e1ticas genocidas em Gaza, prejudica gravemente as amea\u00e7as de que Israel possa expandir a guerra ao L\u00edbano sem enfrentar graves repercuss\u00f5es, inclusive antes de se deparar com o arsenal real do Hezbollah.<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Os haredim organizam protestos massivos contra o servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio.<\/strong><strong><\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Pode-se dizer que a ret\u00f3rica antibelicista mais militante e as condenas mais ferozes ao sionismo em Israel n\u00e3o vieram do movimento anti-Netanyahu de esquerda liberal, mas sim das comunidades haredim ultrarreligiosas, cujos supostos representantes pol\u00edticos &#8211; Shas e Juda\u00edsmo Unido da Tor\u00e1 (UTJ) &#8211; atualmente fazem parte do gabinete de guerra de Netanyahu.<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o da comunidade haredi na Palestina com o Estado sionista \u00e9 distinta da rela\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o judaica &#8220;laica&#8221;. As origens dessa comunidade s\u00e3o diferentes das do aparato de colonos sionistas que acabaria formando o Estado israelense: uma pequena comunidade de judeus haredim asquenazes da Europa Oriental emigrou para a Palestina d\u00e9cadas antes do surgimento do movimento sionista. Embora sua imigra\u00e7\u00e3o fosse motivada por raz\u00f5es religiosas e focada em viver perto dos lugares sagrados de Jerusal\u00e9m, eles n\u00e3o compartilhavam os objetivos coloniais do movimento sionista posterior, que inclu\u00edam a cria\u00e7\u00e3o de um Estado sect\u00e1rio judaico e o deslocamento da popula\u00e7\u00e3o nativa. O desafio do sionismo se manifestou como uma hostilidade aberta ao movimento sionista, que amea\u00e7ava destruir seu modo de vida, tanto na Europa quanto na Palestina. A hostilidade dessa comunidade ao colonialismo sionista foi moderada ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel por meio de um pacto entre os l\u00edderes sionistas e os haredim: os haredim seriam isentos do servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio que o Estado imp\u00f5e aos judeus, e os homens haredim receberiam um estip\u00eandio do Estado para dedicar seu tempo exclusivamente ao estudo religioso em vez de ao trabalho.<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A combina\u00e7\u00e3o dos estip\u00eandios e da isen\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio, juntamente com suas pr\u00e1ticas religiosas e sociais sect\u00e1rias, patriarcais e isolacionistas, conferiu \u00e0 comunidade haredi um car\u00e1ter de classe e uma composi\u00e7\u00e3o social peculiares. Quase metade dos haredim vive na pobreza, e uma propor\u00e7\u00e3o significativa dos homens \u00e9 composta por lumpemprolet\u00e1rios que estudam nas yeshivas (escolas religiosas) e vivem do estip\u00eandio governamental. Em contraste, as mulheres s\u00e3o as principais trabalhadoras na sociedade haredi (embora sua taxa de participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho ainda seja inferior \u00e0 das outras mulheres judias de Israel).<\/p>\n\n\n\n<p>A comunidade era min\u00fascula, com menos de mil pessoas, na \u00e9poca do pacto de 1953 que concedia privil\u00e9gios especiais aos estudantes das yeshivas, enquanto hoje a popula\u00e7\u00e3o haredi representa quase um quinto da popula\u00e7\u00e3o judaica da Palestina, devido tanto \u00e0s altas taxas de natalidade interna quanto \u00e0 sua fus\u00e3o parcial com comunidades judaicas ultrarreligiosas provenientes do mundo \u00e1rabe. D\u00e9cadas de privil\u00e9gios suavizaram a oposi\u00e7\u00e3o haredi ao sionismo (e tamb\u00e9m geraram ressentimento entre os judeus n\u00e3o haredi), e os representantes pol\u00edticos da comunidade no governo t\u00eam utilizado o Estado sionista para promover a imposi\u00e7\u00e3o de leis religiosas como parte de coaliz\u00f5es de direita. No entanto, sua n\u00e3o presen\u00e7a no ex\u00e9rcito, pilar central da socializa\u00e7\u00e3o e da cultura israelenses (e requisito para muitas formas de emprego), manteve a comunidade separada do restante da sociedade israelense.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante das press\u00f5es da guerra em Gaza, o governo israelense decidiu retirar a isen\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio para os haredim, com a aprova\u00e7\u00e3o t\u00e1cita dos l\u00edderes dos partidos haredim, que s\u00e3o parte fundamental do atual gabinete. Em resposta a essa trai\u00e7\u00e3o, milhares de haredim sa\u00edram \u00e0s ruas com consignas como \u201cNunca lutaremos pelo ex\u00e9rcito inimigo\u201d, \u201cPreferimos viver como judeus do que morrer como sionistas\u201d, \u201c\u00c0 pris\u00e3o e n\u00e3o ao ex\u00e9rcito\u201d e \u201cO sionismo usa os judeus como escudos humanos\u201d. Enquanto as faixas que os manifestantes carregavam estavam principalmente em ingl\u00eas e hebraico para enviar uma mensagem mais ampla a Israel e ao mundo, os discursos foram proferidos predominantemente em i\u00eddiche, a l\u00edngua tradicional da popula\u00e7\u00e3o judaica asquenaze, preservada hoje quase exclusivamente pelas comunidades haredim.<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora os partidos haredim tenham participado historicamente da administra\u00e7\u00e3o do Estado sionista e apoiado seu tratamento genocida dos palestinos, essas manifesta\u00e7\u00f5es indicam que camadas significativas de haredim se consideram uma popula\u00e7\u00e3o nativa da Palestina oprimida pela coloniza\u00e7\u00e3o sionista e pela interrup\u00e7\u00e3o de seu modo de vida tradicional. Uma parte significativa da sociedade haredi organizada politicamente boicota conscientemente as elei\u00e7\u00f5es e rejeita a pol\u00edtica parlamentar israelense. O servi\u00e7o militar \u00e9 denunciado como uma forma de seculariza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada e uma amea\u00e7a \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de suas comunidades. Embora n\u00e3o pare\u00e7a haver uma consci\u00eancia majorit\u00e1ria de solidariedade com os palestinos dentro da comunidade haredi, o apoio expl\u00edcito dos haredim \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o palestina \u00e9 mais vis\u00edvel do que o apoio a essa causa dentro da esquerda secular israelense.<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pode ser que os haredim n\u00e3o sejam capazes de desempenhar um papel significativo na paralisa\u00e7\u00e3o da economia de Israel, mas a posi\u00e7\u00e3o do UTJ e do Shas como membros-chave do governo de coaliz\u00e3o de Netanyahu significa que atualmente eles t\u00eam a capacidade de desestabilizar a coaliz\u00e3o que conduz o genoc\u00eddio contra os palestinos. A maquinaria militar israelense enfrenta uma aguda contradi\u00e7\u00e3o em sua pol\u00edtica de recrutamento: se prosseguir com a medida de recrutar os haredim, arrisca uma fissura na coaliz\u00e3o. E, o que seria ainda mais catastr\u00f3fico para seu projeto sionista, um movimento haredi contra o recrutamento com o n\u00edvel de milit\u00e2ncia amea\u00e7ado atualmente em suas consignas poderia enfraquecer e desmoralizar gravemente o aparato militar, j\u00e1 limitado, criando uma situa\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 que os Estados Unidos enfrentaram quando foram obrigados a se retirar do Vietn\u00e3. Por outro lado, se a coaliz\u00e3o ceder \u00e0 press\u00e3o haredi e retirar a medida, enfrentar\u00e1 um descontentamento ainda maior entre os n\u00e3o haredim em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra e ao governo, que j\u00e1 s\u00e3o impopulares.<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Os palestinos s\u00e3o os l\u00edderes da luta pela liberta\u00e7\u00e3o da Palestina.<\/strong><strong><\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Seria insultante e politicamente retr\u00f3grado argumentar que a liberta\u00e7\u00e3o palestina depende de os israelenses liderarem a luta. Nenhum movimento de liberta\u00e7\u00e3o nacional conseguiu sua independ\u00eancia principalmente por meio de uma mudan\u00e7a de opini\u00e3o ou um movimento anticolonial bem-sucedido dentro do Estado colonial. Desde a Arg\u00e9lia at\u00e9 a \u00c1frica do Sul, o fator que levou \u00e0 vit\u00f3ria contra as for\u00e7as coloniais foi a a\u00e7\u00e3o massiva, persistente e organizada pelos oprimidos, combinando a\u00e7\u00f5es trabalhistas, protestos sociais e luta armada. Atualmente, os palestinos est\u00e3o sendo oprimidos, despossu\u00eddos e assassinados pelo Estado de Israel, e sua luta contra ele n\u00e3o pode ser adiada at\u00e9 um futuro arbitr\u00e1rio em que os israelenses estejam mais dispostos a abandonar o sionismo. No entanto, os movimentos de massa israelenses com consignas parciais podem pressionar a m\u00e1quina de guerra e condicionar at\u00e9 que ponto o Estado israelense pode conduzir campanhas militares, mesmo que n\u00e3o esperemos que esses movimentos rompam com o projeto sionista como um todo.<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o do movimento de protesto israelense com os sindicatos \u00e9 ilustrativa das primeiras etapas de conscientiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em que se encontra. As manifesta\u00e7\u00f5es de junho se concentraram na sede do Histadrut, o sindicato estatal judeu de Israel, pedindo aos seus l\u00edderes que organizassem uma greve geral e adotassem as demandas do movimento. Normalmente, apelar a um sindicato dessa forma seria uma boa t\u00e1tica: apresenta a consigna de m\u00e9todos de trabalho pol\u00edtico de luta de classes (uma greve geral) e for\u00e7a a burocracia sindical a adotar a demanda ou a expor-se como se houvesse abandonado os interesses dos trabalhadores. No entanto, o problema de apelar ao Histadrut \u00e9 que ele n\u00e3o \u00e9 um sindicato comum. Foi um dos agentes-chave da coloniza\u00e7\u00e3o sionista, organizando e implementando planos para importar m\u00e3o de obra judaica e excluir os trabalhadores \u00e1rabes da cria\u00e7\u00e3o do Estado israelense. Est\u00e1 profundamente enraizado no Estado sionista, e sua rela\u00e7\u00e3o com o Estado tamb\u00e9m fez com que funcionasse em grande parte como um sindicato pelego tamb\u00e9m para os trabalhadores judeus, servindo para disciplinar o trabalho judeu a servi\u00e7o do Estado e de sua burguesia (e para criar uma subclasse separada de trabalhadores \u00e1rabes em detrimento de todos os trabalhadores), em vez de organiz\u00e1-los para lutar por sua classe. Embora hoje os cidad\u00e3os palestinos de Israel possam se juntar ao Histadrut, historicamente estiveram subordinados \u00e0 lideran\u00e7a judaica dentro da organiza\u00e7\u00e3o, que frequentemente trabalhou para romper greves lideradas por palestinos, minar a solidariedade trabalhista com a Palestina e foi a \u00fanica federa\u00e7\u00e3o trabalhista importante a n\u00edvel internacional a expressar apoio ao regime de apartheid na \u00c1frica do Sul. Enquanto isso, os trabalhadores palestinos na Cisjord\u00e2nia n\u00e3o t\u00eam permiss\u00e3o para se associar (mas os colonos israelenses que vivem ao lado, sim). Apesar dessa marginaliza\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o, os palestinos devem pagar uma taxa de 1% ao Histadrut como parte de um complicado plano de financiamento para os territ\u00f3rios da Cisjord\u00e2nia, que utiliza seu dinheiro para perpetuar a ocupa\u00e7\u00e3o. O movimento israelense contra a guerra ainda se ilude sobre o papel do Histadrut em facilitar a guerra de Israel contra os palestinos, mesmo ao reconhecer o papel que os sindicatos poderiam desempenhar para desafiar a continuidade da guerra.<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora o movimento de protesto popular se oponha estridentemente ao governo de Netanyahu, ele n\u00e3o desafia o regime colonial de colonos que tem sido a base de seu governo e de todos os governos sionistas anteriores, que \u00e9 o que, em \u00faltima an\u00e1lise, impulsiona sua guerra contra a Palestina. Enquanto isso, os haredim rejeitam abertamente o regime sionista, mas n\u00e3o transformaram essa rejei\u00e7\u00e3o em um apoio massivo \u00e0 causa palestina, em parte devido aos privil\u00e9gios que recebem do pr\u00f3prio regime sionista. Em \u00faltima an\u00e1lise, \u00e9 a luta liderada pelos palestinos que n\u00e3o apenas tra\u00e7a seu pr\u00f3prio caminho para a liberdade, mas tamb\u00e9m questiona outras contradi\u00e7\u00f5es de longa data do Estado sionista, que se tornam ainda mais tensas sob a press\u00e3o de uma guerra brutal.<strong><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No final de junho, grandes protestos contra a guerra ocorreram em todo Israel, pedindo o fim dos ataques em Gaza e se opondo aos esfor\u00e7os militares. Embora as consignas geralmente focassem nos interesses dos pr\u00f3prios israelenses e expressassem principalmente o descontentamento com os m\u00e9todos do governo, a condu\u00e7\u00e3o e os crescentes custos da guerra, em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":79295,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8068,228],"tags":[8491,205,259],"class_list":["post-79293","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especial-palestina","category-palestina","tag-carlos-sapir","tag-palestina-2","tag-sionismo"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Palestina-6.jpg","categories_names":["Especial Palestina","Palestina"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79293","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79293"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79293\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":79300,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79293\/revisions\/79300"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79295"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79293"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79293"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79293"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}