{"id":79147,"date":"2024-07-01T16:53:09","date_gmt":"2024-07-01T16:53:09","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=79147"},"modified":"2024-07-01T18:10:14","modified_gmt":"2024-07-01T18:10:14","slug":"mobilizacoes-na-georgia-e-guerra-na-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/07\/01\/mobilizacoes-na-georgia-e-guerra-na-ucrania\/","title":{"rendered":"Mobiliza\u00e7\u00f5es na Ge\u00f3rgia e guerra na Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A imprensa mundial tem refletido o prolongado processo de <strong>mobiliza\u00e7\u00f5es em massa na Ge\u00f3rgia<\/strong> \u2013 Sakartvelo<\/em><a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\"><em><strong>[1]<\/strong><\/em><\/a><em> em georgeano \u2013 com seu principal centro na capital, Tbilisi. Para chegar a uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica correta diante desse conflito, propomos abord\u00e1-lo a partir do <strong>processo de luta de classes<\/strong> que este pequeno pa\u00eds do C\u00e1ucaso vem experimentando desde antes e, especialmente, depois da dissolu\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. E faz\u00ea-lo <strong>no contexto da crescente crise da velha ordem mundial,<\/strong> hegemonizada pelos EUA em disputa com as pot\u00eancias imperialistas emergentes, como a China e a R\u00fassia. Porque a polariza\u00e7\u00e3o atual na Ge\u00f3rgia tem <strong>a mesma g\u00eanese da invas\u00e3o, ocupa\u00e7\u00e3o e guerra na Ucr\u00e2nia<\/strong>.\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Pavel Polska<\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o do C\u00e1ucaso e sua cordilheira, que separa geograficamente a Europa da \u00c1sia, tem sido um <strong>centro permanente de convuls\u00f5es sociais e guerras<\/strong> nos \u00faltimos quase 40 anos. Mesmo no \u00e2mbito da URSS, o prolongado conflito de Nagorno-Karabakh entre a Arm\u00eania e o Azerbaij\u00e3o come\u00e7ou em 1988. Ap\u00f3s a dissolu\u00e7\u00e3o da URSS, as <strong>duas guerras<\/strong> pela independ\u00eancia da Chech\u00eania tamb\u00e9m ocorreram dentro da Federa\u00e7\u00e3o Russa. A primeira de 1994 a 96, com o triunfo tempor\u00e1rio da Chech\u00eania e a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica independente da Ichkeria e a segunda, de 1999 a 2009, com a destrui\u00e7\u00e3o da Chech\u00eania e o esmagamento de seu povo pelas tropas de Putin, o que foi chamado de &#8220;opera\u00e7\u00e3o antiterrorista&#8221;. O n\u00famero exato de v\u00edtimas deste conflito ainda \u00e9 desconhecido. Estimativas n\u00e3o oficiais indicam at\u00e9 50.000 mortos ou desaparecidos \u2013 a maioria civis na Chech\u00eania. As baixas russas foram de cerca de 11.000, de acordo com o Comit\u00ea de M\u00e3es de Soldados da R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Independ\u00eancia, Guerra Civil Georgiana e Guerra da Abc\u00e1sia (1992-1993)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como parte da eclos\u00e3o de aspira\u00e7\u00f5es nacionais e mobiliza\u00e7\u00f5es de independ\u00eancia em v\u00e1rias rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas, a <strong>declara\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia da Ge\u00f3rgia foi dada em 9 de abril de 1991<\/strong>, pouco antes da dissolu\u00e7\u00e3o da URSS. Em 26 de maio de 1991, <strong>Zviad Gamsakhurdia, <\/strong>l\u00edder do movimento nacional, foi eleito nas primeiras elei\u00e7\u00f5es pluripartid\u00e1rias dentro da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, como o primeiro presidente da Ge\u00f3rgia independente. No entanto, Gamsakhurdia foi afastado do cargo entre 22 de dezembro de 1991 e 6 de janeiro de 1992, atrav\u00e9s de um <strong>sangrento golpe de Estado,<\/strong> instigado pela Guarda Nacional e uma organiza\u00e7\u00e3o paramilitar, apoiada por unidades militares russas baseadas em Tbilisi. Gamsakhurdia tentou, sem sucesso, exilar-se no Azerbaij\u00e3o. Finalmente, atrav\u00e9s de negocia\u00e7\u00f5es, encontrou asilo na Chech\u00eania, governada pelo general <strong>Zhojar Dudaev<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim come\u00e7ou uma <strong>prolongada guerra civil<\/strong> que durou quase at\u00e9 1995. <strong>Eduard Shevardnadze<\/strong>, o \u00faltimo chanceler da URSS, promotor da Perestroika juntamente com Gorbachev e membro do bureau pol\u00edtico do PCUS, voltou \u00e0 Ge\u00f3rgia em 1992 e <strong>juntou-se aos l\u00edderes do golpe<\/strong> \u2013 Tengiz Kitovani e Dzhaba Ioseliani \u2013 para chefiar um triunvirato chamado &#8220;Conselho de Estado&#8221;. <strong>Gamsakhurdia<\/strong> retornou clandestinamente para intervir na guerra civil. Em 31 de dezembro de 1993, ele foi encontrado morto com um tiro na cabe\u00e7a. At\u00e9 hoje, as vers\u00f5es sobre se ele cometeu suic\u00eddio ou foi assassinado e por quem s\u00e3o contradit\u00f3rias.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"450\" height=\"318\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/1993_Georgia_war1.svg_.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-79148\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/1993_Georgia_war1.svg_.png 450w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/1993_Georgia_war1.svg_-300x212.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/1993_Georgia_war1.svg_-150x106.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Em 1995, Shevardnadze foi oficialmente &#8220;eleito&#8221; presidente, ao mesmo tempo em que a <strong>guerra e a viol\u00eancia inter\u00e9tnica, <\/strong>apoiadas pela R\u00fassia, continuavam na Abc\u00e1sia e na Oss\u00e9tia do Sul. At\u00e9 agora, a Abc\u00e1sia e a Oss\u00e9tia do Sul permanecem de fato independentes da Ge\u00f3rgia e reconhecidas pelo regime russo. Mais de 250.000 georgianos foram etnicamente expurgados da Abc\u00e1sia por separatistas abec\u00e1sios em 1992 e 1993. Mais de 2.000 georgianos tamb\u00e9m foram expulsos de Tskhinvali, na Oss\u00e9tia do Sul. E muitas fam\u00edlias ossetas foram for\u00e7adas a deixar suas casas na regi\u00e3o de Borjomi e foram deslocadas para a R\u00fassia. Estima-se que cerca de 10.000 pessoas morreram, a maioria civis, em opera\u00e7\u00f5es de limpeza \u00e9tnica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A &#8220;Revolu\u00e7\u00e3o das Rosas&#8221; em 2003<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um enorme processo de mobiliza\u00e7\u00e3o de massas derrubou o antigo l\u00edder do PCUS, Shevardnadze, no final de 2003. Como a mudan\u00e7a n\u00e3o foi por meios eleitorais, at\u00e9 hoje v\u00e1rios meios de comunica\u00e7\u00e3o falam em <em>um &#8220;golpe de Estado pac\u00edfico sem derramamento de sangue&#8221;.<\/em> Mas este evento \u00e9 reconhecido mundialmente como a <em>&#8220;Revolu\u00e7\u00e3o das Rosas&#8221;. <\/em>O processo de mobiliza\u00e7\u00f5es foi liderado por <strong>Mikheil Saakashvili <\/strong>e seu partido Movimento Nacional Unido, que depois de obter um doutorado em direito em Kiev em 1992, ingressou como ministro no governo de Shevardnadze.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o poder interino foi assumido por outra l\u00edder do MNU, Nin\u00f3 Burdzhanadze, at\u00e9 a subsequente elei\u00e7\u00e3o de Saakashvili, que tomou posse como presidente em 25 de janeiro de 2004. As promessas pr\u00e9-eleitorais de Saakashvili eram <strong>restaurar a integridade territorial nacional, reverter os efeitos da limpeza \u00e9tnica e o retorno dos refugiados \u00e0s suas casas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o, grandes reformas econ\u00f4micas neoliberais foram implementadas. Durante seu mandato, a coloniza\u00e7\u00e3o pela UE e pelos EUA avan\u00e7ou. E tamb\u00e9m medidas para fortalecer as For\u00e7as Armadas. Os esfor\u00e7os do governo para restaurar a centraliza\u00e7\u00e3o da Ge\u00f3rgia nas regi\u00f5es aut\u00f4nomas levaram a crises maiores. N\u00e3o teve sucesso na separatista Oss\u00e9tia do Sul. No terreno do regime georgiano, com o pretexto <em>de &#8220;alcan\u00e7ar a recupera\u00e7\u00e3o da conc\u00f3rdia e estabilidade necess\u00e1rias <\/em>&#8220;, houve especula\u00e7\u00f5es delirantes, como a do l\u00edder da Igreja Ortodoxa sobre o <strong>restabelecimento da monarquia<\/strong> com o advento de um aristocrata georgiano exilado na Espanha, como um meio <em>&#8220;para as regi\u00f5es secessionistas se sentirem seguras em uma Ge\u00f3rgia diversa, mas forte e unida&#8221;<\/em>. Em fins de 2007, at\u00e9 mesmo essa quimera era amplamente aceita. Mas acabou se diluindo com a morte do &#8220;herdeiro&#8221;, em 2008.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Guerra Russo-Georgiana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 mais correto cham\u00e1-la de <strong>invas\u00e3o da Ge\u00f3rgia pela R\u00fassia<\/strong>. Em 7 de agosto de 2008, come\u00e7ou o conflito armado de curta dura\u00e7\u00e3o entre <strong>a Ge\u00f3rgia, por um lado, e a R\u00fassia, com o apoio das autoproclamadas rep\u00fablicas pr\u00f3-russas da Oss\u00e9tia do Sul e da Abc\u00e1sia, por outro<\/strong>. Os combates come\u00e7aram na Oss\u00e9tia do Sul, com a Batalha de Tskhinvali, e mais tarde se espalharam para outras regi\u00f5es da Ge\u00f3rgia e da costa do Mar Negro.<\/p>\n\n\n\n<p>Os primeiros confrontos ocorreram quando o presidente georgiano Mikheil Saakashvili ordenou que seu ex\u00e9rcito recuperasse o controle do enclave ossetiano, de <em>fato independente <\/em>desde 1992, mas descrito pela Ge\u00f3rgia como rebelde e pertencente <em>de jure<\/em> ao seu territ\u00f3rio. Durante anos, <strong>as &#8220;for\u00e7as de paz&#8221; da R\u00fassia estiveram presentes na rep\u00fablica separatista<\/strong> em virtude dos acordos de paz que encerraram a guerra civil georgiana em 1995. Certamente essas tropas russas pegaram em armas do lado da Oss\u00e9tia logo ap\u00f3s o in\u00edcio dos combates. Imediatamente, <strong>novas divis\u00f5es do ex\u00e9rcito russo cruzaram a fronteira internacional<\/strong>. Do mesmo lado que os russos e os ossetas do Sul para combater os georgianos, participaram for\u00e7as da rep\u00fablica separatista da Abc\u00e1sia, tanto na Oss\u00e9tia do Sul como na pr\u00f3pria Abc\u00e1sia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 12 de agosto de 2008, o governo russo <strong>decretou o fim de suas opera\u00e7\u00f5es militares em territ\u00f3rio georgiano<\/strong>. E posteriormente, a R\u00fassia aceitou o plano de paz proposto pela Uni\u00e3o Europeia, que implicava a <strong>retirada de ambos os lados das posi\u00e7\u00f5es anteriores ao in\u00edcio do conflito<\/strong>. Em 26 de agosto de 2008, em resposta ao reconhecimento da Abc\u00e1sia e da Oss\u00e9tia do Sul pela R\u00fassia, a Ge\u00f3rgia anunciou que havia <strong>rompido rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com a R\u00fassia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Processos an\u00e1logos no espa\u00e7o p\u00f3s-sovi\u00e9tico: Ucr\u00e2nia, Ge\u00f3rgia, Quirguist\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das diferen\u00e7as e diversidade de condi\u00e7\u00f5es nas <strong>15 rep\u00fablicas que compunham a URSS, existem alguns processos an\u00e1logos da luta de classes. E em todos os processos, tanto o imperialismo russo \u2013 e tamb\u00e9m o imperialismo chin\u00eas \u2013 quanto as pot\u00eancias imperialistas ocidentais, aproveitam-se dos conflitos para disputar influ\u00eancia e domina\u00e7\u00e3o por v\u00e1rios m\u00e9todos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos que antecederam e imediatamente se seguiram ao que chamamos de &#8220;processos do Leste&#8221;, onde a restaura\u00e7\u00e3o capitalista e os processos democr\u00e1ticos que abalaram os regimes tiveram uma intera\u00e7\u00e3o rec\u00edproca, a onda de mobiliza\u00e7\u00f5es abrangeu fundamentalmente <strong>R\u00fassia, Ucr\u00e2nia e Belarus<\/strong>. E, por outro lado, no C\u00e1ucaso foi a vez da <strong>Ge\u00f3rgia <\/strong>e na \u00c1sia Central foi a <strong>vez do Quirguist\u00e3o. <\/strong>No resto dos pa\u00edses, <strong>regimes ditatoriais foram mantidos<\/strong>, como Cazaquist\u00e3o, Uzbequist\u00e3o, Tajiquist\u00e3o, Turcomenist\u00e3o, Azerbaij\u00e3o, ou com fortes caracter\u00edsticas bonapartistas, como a Arm\u00eania. Na Mold\u00e1via incidiu e incide at\u00e9 hoje o conflito n\u00e3o resolvido com a regi\u00e3o separatista pr\u00f3-russa de Cisniester. E isso se reflete em uma cr\u00f4nica situa\u00e7\u00e3o pendular entre a R\u00fassia e a UE.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tanto na R\u00fassia como na Belarus<\/strong>, a rea\u00e7\u00e3o se imp\u00f4s de diferentes maneiras, at\u00e9 chegar hoje a constituir <strong>ditaduras contrarrevolucion\u00e1rias<\/strong>. Na R\u00fassia, o bonapartismo de Putin deu um salto ap\u00f3s o massacre do povo checheno e a derrota dos povos do C\u00e1ucaso do Norte dentro da Federa\u00e7\u00e3o Russa. Na Belarus, foi a partir da interven\u00e7\u00e3o do regime de Putin, em 2020, que conseguiram derrotar e desmantelar o processo revolucion\u00e1rio contra o regime de Lukashenko e que a R\u00fassia avan\u00e7ou ao quase transformar o pa\u00eds em sua col\u00f4nia. E no Cazaquist\u00e3o, dois processos insurrecionais com epicentros em regi\u00f5es da classe oper\u00e1ria em 2011 e 2021 foram reprimidos com a interven\u00e7\u00e3o das tropas de choque russas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ucr\u00e2nia e Ge\u00f3rgia: convuls\u00f5es sociais recorrentes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entre condi\u00e7\u00f5es e caracter\u00edsticas muito diferentes, as <strong>maiores analogias dos processos ocorreram na Ucr\u00e2nia e na Ge\u00f3rgia<\/strong>. Na Ucr\u00e2nia houve <strong>tr\u00eas processos<\/strong> de ascenso oper\u00e1rio e popular que foram canalizados e desviados pela &#8220;rea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica&#8221;. A greve geral dos mineiros de 1993, com epicentro no Donbass, que catalisou a ren\u00fancia do presidente Kravchuk e a elei\u00e7\u00e3o de Leonid Kuchma; a <em>&#8220;Revolu\u00e7\u00e3o Laranja&#8221;,<\/em> que consistiu em um processo de mobiliza\u00e7\u00f5es e greves massivas, desencadeadas por fraudes na elei\u00e7\u00e3o presidencial, de novembro de 2004 at\u00e9 as novas elei\u00e7\u00f5es de janeiro de 2005, que levaram Viktor Yushenko \u00e0 presid\u00eancia e ao processo semi-insurrecional em toda a Ucr\u00e2nia, com grande polariza\u00e7\u00e3o social e epicentro no &#8220;Maidan&#8221; de Kiev do final de 2013 a mar\u00e7o de 2014,&nbsp; que culminou com a derrubada de Viiktor Yanukovych. Todo este processo foi descrito por Putin como um &#8220;golpe de Estado&#8221; e tomado como pretexto para anexar a Crimeia numa opera\u00e7\u00e3o de comando das for\u00e7as especiais e o in\u00edcio das atividades separatistas no Donbass, com o desembarque de paramilitares e mercen\u00e1rios russos para autoproclamar as &#8220;rep\u00fablicas populares&#8221; de Donetsk e Lugansk. At\u00e9 chegar \u00e0 invas\u00e3o russa em grande escala em 24 de fevereiro de 2022.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E vemos que o mesmo na Ge\u00f3rgia, se combinaram \u2013 com caracter\u00edsticas pr\u00f3prias do C\u00e1ucaso- at\u00e9 o dia de hoje as mobiliza\u00e7\u00f5es, os desvios reacion\u00e1rios e as invas\u00f5es e guerras por processos separatistas. E n\u00e3o \u00e9 por acaso que um pol\u00edtico burgu\u00eas aventureiro de origem georgiana, como Saakashvili, que durante seu mandato foi acusado de favorecer sua fam\u00edlia nas privatiza\u00e7\u00f5es de propriedades estatais e de exercer o poder em benef\u00edcio pessoal, pediu asilo na Ucr\u00e2nia ante a persegui\u00e7\u00e3o penal em seu pa\u00eds, e at\u00e9 mesmo recebeu <strong>cidadania ucraniana e cargos pol\u00edticos regionais ef\u00eameros, mas importantes<\/strong> , pelo governo do presidente Poroshenko, depois do Maidan.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, <strong>Bidzina Ivanishvili<\/strong>, fundador do partido &#8220;Georgian Dream&#8221; (SG), que se tornou o maior oligarca da Ge\u00f3rgia atualmente, foi acumulando seu capital ligado a empresas na R\u00fassia. Enquanto que a SG crescia, apresentando-se como um partido de &#8220;defesa da soberania&#8221;. No entanto, em janeiro de 2008, em um processo eleitoral marcado por mobiliza\u00e7\u00f5es da oposi\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o brutal contra elas e alega\u00e7\u00f5es de tortura e viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos, <strong>Saakashvili foi reeleito para um segundo mandato. <\/strong>Os anos que se seguiram foram caracterizados por uma maior entrega da economia e &#8220;moderniza\u00e7\u00e3o&#8221; europeia, acompanhada por um maior setor da popula\u00e7\u00e3o vivendo abaixo do n\u00edvel de pobreza e um salto na corrup\u00e7\u00e3o oficial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A press\u00e3o contra Saakashvili se intensificou desde 2009. A oposi\u00e7\u00e3o iniciou manifesta\u00e7\u00f5es em massa contra seu governo. Em maio de 2009, a pol\u00edcia disse que dist\u00farbios em grande escala foram planejados. Inclusive que faziam parte desses planos, um motim fracassado do ex\u00e9rcito e o assassinato de Saakashvili&#8230; A oposi\u00e7\u00e3o denuncia que o suposto &#8220;motim&#8221; foi o fato de as tropas terem recusado uma ordem ilegal de uso da for\u00e7a contra manifestantes da oposi\u00e7\u00e3o. Em 2011 e 2012, protestos contra Saakashvili <strong>se espalharam<\/strong> por toda a Ge\u00f3rgia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<strong>Em 2 de outubro de 2012<\/strong>, Saakashvili sofreu<strong> a derrota do MNU nas elei\u00e7\u00f5es parlamentares nas m\u00e3os <\/strong>do SG de Bidzina Ivanishvili. O novo Parlamento proibiu Saakashvili de tentar um terceiro mandato nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2013. Mais uma vez, sob a press\u00e3o combinada da luta das massas empobrecidas pela explora\u00e7\u00e3o, da pilhagem das riquezas e das disputas inter-imperialistas, houve um resultado distorcido no terreno eleitoral e a <strong>dualidade <\/strong>dos poderes burgueses entre o parlamento e a presid\u00eancia tornou-se mais aguda. Como resultado dessa situa\u00e7\u00e3o<strong>, Saakashvili deixou a presid\u00eancia em novembro de 2013<\/strong> e deixou a Ge\u00f3rgia pouco depois. Em dezembro de 2013, Saakashvili aceitou o cargo de <em>&#8220;professor e estadista s\u00eanior na Tufts University&#8221;, <\/em>nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A express\u00e3o atual do confronto: a &#8220;lei dos agentes estrangeiros&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, Saakashvili est\u00e1 preso desde outubro de 2021. Foi preso imediatamente ao retornar da Ucr\u00e2nia para a Ge\u00f3rgia, ap\u00f3s 8 anos de ex\u00edlio \u2013 e com um pedido de pris\u00e3o e extradi\u00e7\u00e3o sob graves acusa\u00e7\u00f5es de abuso de poder. Voltou \u00e0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es presidenciais, especulando incidir nelas. Nestes \u00faltimos anos, vem denunciando da pris\u00e3o que sua vida est\u00e1 em perigo. E o presidente da Ucr\u00e2nia pediu sua liberta\u00e7\u00e3o <em>&#8220;porque o Kremlin planeja assassin\u00e1-lo&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Como Carlos Sapir descreveu e analisou em sua nota de 21-06 nesta mesma p\u00e1gina, ( <a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/07\/01\/as-reais-ameacas-da-lei-da-georgia-nao-sao-as-denunciadas-pela-ue\/\">https:\/\/litci.org\/es\/las-verdaderas-amenazas-de-la-ley-georgiana-son-distintas-de-las-denuncias-de-la-union-europea\/<\/a> ), essa lei \u00e9 a express\u00e3o atual do confronto prolongado de setores burgueses e blocos imperialistas no quadro convulsionado da luta de classes de um pa\u00eds semicolonial.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, podemos enfatizar que tanto os v\u00e1rios cl\u00e3s olig\u00e1rquicos opostos quanto os blocos imperialistas que disputam a hegemonia na coloniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, concordam tanto em <strong>sufocar as aspira\u00e7\u00f5es de soberania nacional<\/strong> da maioria popular, quanto <strong>em mudar drasticamente a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre a burguesia e as massas<\/strong>, que vem das grandes revoltas e mobiliza\u00e7\u00f5es contra as pen\u00farias e as guerras. A lei dos &#8220;agentes estrangeiros&#8221; tem esse objetivo profundamente reacion\u00e1rio. E as manifesta\u00e7\u00f5es massivas contra ela t\u00eam um car\u00e1ter progressista.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a conjuntura mundial, marcada pela guerra na Ucr\u00e2nia e pelo genoc\u00eddio palestino, <strong>coloca a Ge\u00f3rgia e o C\u00e1ucaso Meridional <\/strong>\u2013 o C\u00e1ucaso do Norte faz parte da Federa\u00e7\u00e3o Russa, que tamb\u00e9m \u00e9 um caldeir\u00e3o de nacionalidades e religi\u00f5es oprimidas, como o Daguest\u00e3o \u2013 como uma rota preciosa para o <strong>tr\u00e2nsito de hidrocarbonetos e o com\u00e9rcio entre a China e a Europa<\/strong>. A Fran\u00e7a e a China s\u00e3o particularmente ativas nesta regi\u00e3o. A economia cresceu no \u00faltimo ano, mas o n\u00edvel de vida e as condi\u00e7\u00f5es das massas e dos servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade pioraram. Centenas de milhares de fam\u00edlias mal sobrevivem, dependendo das remessas de seus parentes emigrados.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De dezembro de 2018 at\u00e9 hoje, a presidente \u00e9 <strong>Salom\u00e9 Zurabishvili<\/strong>. Ela \u00e9 a <strong>primeira mulher <\/strong>a ocupar esse cargo <strong>eleita pelo voto direto<\/strong> \u2013-antes disso, foi Nin\u00f3 Burdzhanadze, nomeada interinamente-. Salom\u00e9 nasceu em Paris, filha de exilados georgianos desde 1921, na \u00e9poca da revolu\u00e7\u00e3o. Toda a sua carreira foi diplom\u00e1tica francesa. Desembarcou na Ge\u00f3rgia em 1986 e em 2003 foi nomeada ministra das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores sob a presid\u00eancia de Saakashvili. Anos depois, rompeu com ele, chamando seu mandato <em>de &#8220;par\u00f3dia da democracia&#8221;.<\/em> A partir disso, fundou o <strong>partido &#8220;Georgian Way&#8221;.<\/strong> \u00c9 interessante notar que Saakashvili foi preso e permanece na pris\u00e3o sob a presid\u00eancia de Salom\u00e9 Zurabishvili.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bidzina Ivanishvili<\/strong> \u00e9 um oligarca georgiano que acumulou seu capital no in\u00edcio dos anos 1990 na R\u00fassia, por meio da holding <em>Metalloinvest<\/em>, que gerencia seus interesses industriais em minera\u00e7\u00e3o e metalurgia, em constru\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e grupos financeiros. Desde 1990, como presidente do Banco de <em>Cr\u00e9dito Russo, <\/em>com matriz em Moscou, e continua como membro do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o. A revista Forbes estima sua fortuna em 6,4 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. De outubro de 2012 a novembro de 2013, foi primeiro-ministro da Ge\u00f3rgia.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, seu principal papel pol\u00edtico foi e \u00e9 controlar <strong>o poder parlamentar da coaliz\u00e3o Georgian Dream, SG, <\/strong>que nomeou o primeiro-ministro <strong>Irakli Garibashvili <\/strong>e foi ministro do Interior no governo de Ivanishvili<strong>. <\/strong>E at\u00e9 influenciar deputados do MNU, partido de Saakashvili. Atualmente, ele lidera o jovem primeiro-ministro interino, <strong>Irakli Kobajidze, <\/strong>ex-deputado do SG, formado pela Universidade de D\u00fcsseldorf e autor de v\u00e1rias obras em alem\u00e3o. Kobajidze respondeu duramente \u00e0s cr\u00edticas do embaixador dos EUA ao acordo da Ge\u00f3rgia com a China para construir o primeiro porto de grande calado em Anaklia, no \u00e2mbito de uma <strong>crescente inter-rela\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica sino-georgiana<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia, mas um sinal da <strong>preocupa\u00e7\u00e3o burguesa com a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as a favor das massas<\/strong>, que Irakli Kobajidze acusou o partido <a>MNU de Saakashvili <\/a>de querer ver no pa\u00eds <strong><em>&#8220;a mesma situa\u00e7\u00e3o que se desenvolveu, infelizmente, na Ucr\u00e2nia&#8221;.<\/em><\/strong> Essa acusa\u00e7\u00e3o do primeiro-ministro \u2013 que mais parece uma amea\u00e7a \u2013 foi porque um dos l\u00edderes do MNU declarou que <em>&#8220;a sociedade georgiana est\u00e1 esperando a apari\u00e7\u00e3o de um Vladimir Zelensky local<\/em>&#8220;. E Kobajidze concluiu: <em>&#8220;Quero assegurar aos representantes do Movimento Nacional que o cen\u00e1rio ucraniano n\u00e3o ocorrer\u00e1 na Ge\u00f3rgia e que a ucraniza\u00e7\u00e3o da Ge\u00f3rgia n\u00e3o ocorrer\u00e1 em nenhuma circunst\u00e2ncia&#8221;. &#8220;Faremos tudo o que pudermos para evit\u00e1-lo.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A que Kobajidze se refere? Que <em>ele &#8220;far\u00e1 todo o poss\u00edvel&#8221;<\/em> para <strong>evitar que as atuais mobiliza\u00e7\u00f5es em massa <\/strong>contra a lei dos agentes estrangeiros se tornem um<strong> &#8220;Maidan de 2014&#8221; na Ge\u00f3rgia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nosso Programa e Pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pelo que foi dito e por muitas outras raz\u00f5es, <strong>o nosso apoio \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es de massas contra esta lei<\/strong> que est\u00e1 em vigor, apesar do veto presidencial, combina-se com a <strong>den\u00fancia mais<\/strong> <strong>categ\u00f3rica<\/strong> de todas as fra\u00e7\u00f5es burguesas e blocos imperialistas e a rejei\u00e7\u00e3o do uso das justas aspira\u00e7\u00f5es dos <strong>direitos democr\u00e1ticos das massas e pela verdadeira soberania e integridade territorial georgiana<\/strong>, para dilacerar o povo em confrontos violentos como os que acontecem h\u00e1 mais de 30 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A unidade e a integridade da Ge\u00f3rgia n\u00e3o podem ser alcan\u00e7adas com a ocupa\u00e7\u00e3o das tropas russas na Abc\u00e1sia e na Oss\u00e9tia, uma situa\u00e7\u00e3o que, de fato, apoia o Sonho Georgiano. Tamb\u00e9m n\u00e3o ser\u00e1 alcan\u00e7ado atrav\u00e9s da imposi\u00e7\u00e3o de limpeza militar ou \u00e9tnica do ex\u00e9rcito de Tbilisi, sob a prote\u00e7\u00e3o da OTAN, como pretendia o MNU. A livre autodetermina\u00e7\u00e3o desses povos, e mesmo seu direito \u00e0 independ\u00eancia, n\u00e3o ser\u00e1 realizada sob o dom\u00ednio de nenhuma pot\u00eancia imperialista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As pol\u00edticas do &#8220;Sonho Georgiano&#8221; ou &#8220;Caminho Georgiano&#8221; ou &#8220;Movimento Nacional&#8221; s\u00e3o as dos verdadeiros &#8220;agentes estrangeiros&#8221; Saakashvili, Zurabishvili, Ivanishvili! Estes oligarcas e representantes, tanto da UE como dos EUA, bem como da R\u00fassia ou da China, continuar\u00e3o apenas a explorar e a oprimir georgianos, abc\u00e1sias, ossetas e adjarianas. E obrigando a emigrar milhares de jovens trabalhadores com aspira\u00e7\u00f5es a uma vida melhor. <strong>O nosso programa centra-se na promo\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia pol\u00edtica dos trabalhadores e explorados, a fim de recuperar a independ\u00eancia da Ge\u00f3rgia proclamada, mas n\u00e3o conquistada em 1991.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> O nome oficial do pa\u00eds \u00e9 <strong>Sakartvelo<\/strong>, conforme especificado na Constitui\u00e7\u00e3o da Ge\u00f3rgia<em>.<\/em> Tem seu pr\u00f3prio alfabeto. &#8220;Ge\u00f3rgia&#8221; tem sido usado no Ocidente desde os tempos medievais.&nbsp;(1170-1240). Esse nome \u00e9 uma refer\u00eancia a S\u00e3o Jorge, devido \u00e0 especial rever\u00eancia dos georgianos por aquele santo. Os reinos georgianos foram dos primeiros a adotar o cristianismo j\u00e1 em 317 d.C.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A imprensa mundial tem refletido o prolongado processo de mobiliza\u00e7\u00f5es em massa na Ge\u00f3rgia \u2013 Sakartvelo[1] em georgeano \u2013 com seu principal centro na capital, Tbilisi. Para chegar a uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica correta diante desse conflito, propomos abord\u00e1-lo a partir do processo de luta de classes que este pequeno pa\u00eds do C\u00e1ucaso vem experimentando desde [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":79149,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8742],"tags":[8888,4554],"class_list":["post-79147","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-georgia","tag-georgia-2","tag-pavel-polska"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/d4862601dc1f1ee3f5c1356f23a25bd6-76816262.jpg","categories_names":["Ge\u00f3rgia"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79147","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79147"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79147\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":79150,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79147\/revisions\/79150"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79149"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79147"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79147"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79147"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}