{"id":79139,"date":"2024-07-01T15:05:45","date_gmt":"2024-07-01T15:05:45","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=79139"},"modified":"2024-07-01T15:05:52","modified_gmt":"2024-07-01T15:05:52","slug":"quenia-william-ruto-reprime-manifestacoes-paga-a-divida-e-envia-tropas-para-o-haiti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/07\/01\/quenia-william-ruto-reprime-manifestacoes-paga-a-divida-e-envia-tropas-para-o-haiti\/","title":{"rendered":"Qu\u00eania: William Ruto reprime manifesta\u00e7\u00f5es, paga a d\u00edvida e envia tropas para o Haiti"},"content":{"rendered":"\n<p><em>O Qu\u00eania esteve com muita visibilidade na imprensa mundial nos \u00faltimos dias. Dois fatos se sobressa\u00edram. Um foi a nova onda de mobiliza\u00e7\u00f5es contra o governo de William Ruto e a outra foi o envio de soldados para reprimir no Haiti. Siga-nos, vamos tentar explicar esse intricado jogo de submiss\u00e3o aos pa\u00edses imperialistas, em especial, na atualidade, aos Estados Unidos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Cesar Neto e J.G. Hata<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qu\u00eania: a heran\u00e7a colonial e o bonapartismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O governo bonapartista de Willian Ruto reconheceu oficialmente a exist\u00eancia de mais de vinte mortos nas duas \u00faltimas semanas de junho. Os v\u00eddeos e fotos que nos chegam induz a pensar em um n\u00famero bem maior. Para explicar toda essa viol\u00eancia podemos tomar v\u00e1rios pontos de partida. Um desses pontos \u00e9 a pr\u00f3pria hist\u00f3ria recente do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Na partilha da \u00c1frica pelo imperialismo europeu, coube a Inglaterra invadir e ocupar, entre outros pa\u00edses, o Qu\u00eania. As terras quenianas eram as ideais para o cultivo do ch\u00e1. Ch\u00e1 que muitos insistem em dizer ch\u00e1 ingl\u00eas, quando na verdade \u00e9 queniano. As terras foram sendo pouco a pouco invadidas e para a popula\u00e7\u00e3o local restou pequenos espa\u00e7os para sobreviver baseado na cultura de subsist\u00eancia. Os povos Kikuyo, Meru e Embu organizaram importantes processos de resist\u00eancia ao invasor. As mais conhecidas foram a Resist\u00eancia Nandi (1895-1905), depois foi a Revolta de Giriama (1913-1914); Revolta das Mulheres de Muranga contra o trabalho for\u00e7ado (1947), Revolta de Kolloa (1950).<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Durante o per\u00edodo do colonialismo ingl\u00eas, os quenianos para andarem dentro de seu pr\u00f3prio pa\u00eds precisavam do Kipande, uma esp\u00e9cie de passaporte concedido pelas autoridades inglesas. Mas essa n\u00e3o era a \u00fanica viol\u00eancia. Os settlers ingleses, ou colonos, recebiam treinamento militar do Ex\u00e9rcito brit\u00e2nico para se defenderem do povo negro. A viol\u00eancia era tanta que Winston Churchill aconselhava que deveriam evitar matar em uma escala t\u00e3o grande. Ou seja, Churchill disse: \u201cmatem, mas n\u00e3o matem tanta gente\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio dos cinquenta se combinaram dois processos. De um lado o povo Kikuyo que come\u00e7ou um longo processo de revolta, combinado o surgimento do movimento militarista Mau Mau. Soldados e oficiais que voltavam da II Guerra Mundial, haviam atuado na Birm\u00e2nia, sob ordens inglesas, conclu\u00edram que a luta pela independ\u00eancia seria armada. Ent\u00e3o se conflu\u00edram dois movimentos. Um de natureza prolet\u00e1rio e popular dos povos Kikuyo e outro militarista.<\/p>\n\n\n\n<p>Para reprimir os kikuyos foi enviada a 7\u00aa Divis\u00e3o Blindada do Ex\u00e9rcito Ingl\u00eas, que no per\u00edodo de 1943 a 1944, foi um dos principais batalh\u00f5es na Segunda Guerra Mundial. Al\u00e9m disso, foram enviadas as tropas inglesas de ocupa\u00e7\u00e3o estacionadas na Uganda, Tanganica, Mauricius e Egito. Eram mais de 25.000 homens que implantaram o terror atrav\u00e9s de campos de concentra\u00e7\u00e3o, tal qual os nazistas na Alemanha. Nesses lugares se estupraram mulheres e crian\u00e7as e homens eram castrados. Al\u00e9m de migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de popula\u00e7\u00f5es inteiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Os anos cinquenta do s\u00e9culo passado foram de viol\u00eancia imperial contra os povos origin\u00e1rios na disputa pela terra. As melhores terras do pa\u00eds foram ocupadas pelos ingleses para produ\u00e7\u00e3o de folhas de ch\u00e1 e grande parte industrializada pela multinacional Unilever.<\/p>\n\n\n\n<p>No come\u00e7o dos anos sessenta a Inglaterra, dada a radicaliza\u00e7\u00e3o e extens\u00e3o do movimento, prop\u00f5e uma sa\u00edda negociada na qual inclu\u00eda a liberta\u00e7\u00e3o de presos pol\u00edticos e entre eles de Jomo Kenyatta.<\/p>\n\n\n\n<p>Kenyatta estudou economia em Moscou por interven\u00e7\u00e3o direta de George Padmore. Quando este \u00faltimo rompeu com a Internacional Comunista, Kenyatta voltou para a Inglaterra e junto com Kwame Nkrumah fundou a Federa\u00e7\u00e3o Pan-Africana.<\/p>\n\n\n\n<p>A trajet\u00f3ria de Jomo Kenyatta, portanto, foi constru\u00edda na milit\u00e2ncia pan-africanista junto com Padmore, Nkrumah, C.L.R. James, Eric Williams, entre outros. Kenyatta foi indicado como primeiro ministro em 01 de junho de 1963 e posteriormente presidente a partir de 12 de dezembro de 1964. Cargo que ficou at\u00e9 sua morte em 22 de agosto de 1978. Em seu governo, os brancos ingleses preservaram seus privil\u00e9gios e as terras roubadas aos colonos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para controlar o movimento que vinha desde 1950, Jomo construiu um regime bonapartista, extremamente autorit\u00e1rio e repressivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a morte de Kenyatta o regime bonapartista seguiu seu curso com o governo de Daniel Arap Moi (1978 a 2002); Mwai Kibaki (2002 \u00e0 2013); Uhuru Kenyatta (2013 \u00e0 2022) e Willian Ruto (desde 2022). Ou seja, de 1963 \u00e0 2022 o pa\u00eds teve apenas quatro presidentes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qu\u00eania: um pa\u00eds semicolonial imerso na crise capitalista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma que a maioria dos pa\u00edses semi coloniais, o Qu\u00eania exporta commodities n\u00e3o processadas e importa produtos industrializados, agravado por tr\u00eas d\u00e9cadas de desindustrializa\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O Qu\u00eania exporta ch\u00e1 (US$ 1,2 bilh\u00e3o), flores (US$ 766 milh\u00f5es), caf\u00e9 (US$ 262 milh\u00f5es), petr\u00f3leo refinado (US$ 247 milh\u00f5es) e min\u00e9rio de tit\u00e2nio (US$ 194 milh\u00f5es). Por outro lado, importam: petr\u00f3leo refinado (US$ 3,53 bilh\u00f5es), \u00f3leo de palma (US$ 1,26 bilh\u00e3o), medicamentos embalados (US$ 554 milh\u00f5es), carros (US$ 549 milh\u00f5es) e ferro laminado a quente (US$ 508 milh\u00f5es). Dessas exporta\u00e7\u00f5es, 30% v\u00e3o para pa\u00edses africanos que tamb\u00e9m est\u00e3o em crise. Quanto \u00e0s importa\u00e7\u00f5es, 70% v\u00eam da China e da \u00cdndia, o que explica parte do endividamento com esses pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o exporta\u00e7\u00e3o x importa\u00e7\u00e3o determina o desequil\u00edbrio comercial sendo que, em 2021, o Qu\u00eania foi a 59\u00aa economia do mundo em termos de PIB, a 109\u00aa em exporta\u00e7\u00f5es totais, a 81\u00aa em importa\u00e7\u00f5es totais, a 142\u00aa economia em termos de PIB per capita. O IDH do pa\u00eds, medido pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), \u00e9 classificado como baixo, ocupando o 152\u00ba\u00b0 lugar entre 191 pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00edvida p\u00fablica sufoca ainda mais o pa\u00eds. Em 2021 a d\u00edvida estava na casa de 71 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Oito anos antes estava em 16 bilh\u00f5es. 30% de sua receita \u00e9 destinada ao pagamento do servi\u00e7o da d\u00edvida, isto \u00e9, somente aos juros. 69,1% do PIB corresponde \u00e0 d\u00edvida. Entre as 50 economias com maior risco de incapacidade de pagar as d\u00edvidas, o Qu\u00eania est\u00e1 em 6\u00ba lugar, segundo a ag\u00eancia de investimento Bloomberg.<\/p>\n\n\n\n<p>A infla\u00e7\u00e3o de alimentos ap\u00f3s o in\u00edcio da ocupa\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia \u00e9 sentida diretamente pelos trabalhadores quenianos. A infla\u00e7\u00e3o em 2023 foi de 10%, por\u00e9m esse percentual n\u00e3o expressa exatamente o aumento dos pre\u00e7os na mesa das fam\u00edlias quenianas. O pre\u00e7o dos alimentos disparou. O a\u00e7\u00facar, por exemplo, aumentou 58% em um ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos problemas estruturais t\u00edpicos de uma economia semicolonial, o pa\u00eds tem que enfrentar sucessivos anos de d\u00e9ficit da balan\u00e7a comercial, recess\u00e3o e aumento das taxas de juros, que fazem crescer em disparada a d\u00edvida externa. N\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda para esse pa\u00eds caso n\u00e3o suspenda o pagamento da d\u00edvida, nacionalize a terra e tenha um forte plano de obras p\u00fablicas para gerar emprego. Nesse caso, nem Wiliam Rutto, atual presidente, nem o candidato derrotado nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, Raila Odinga, est\u00e3o dispostos a encarar o FMI, o Banco Mundial e as transnacionais. Ao contr\u00e1rio, William Ruto e a burguesia queniana optaram por aliar-se ao inimigo para continuar sobrevivendo como veremos mais adiante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>William Ruto: elei\u00e7\u00f5es contestadas, crise econ\u00f4mica e mobiliza\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ruto foi eleito em agosto de 2022. Venceu seu ex companheiro de governo Raila Odinga por uma estreita margem, menos de 1,6% (50,49 x 48,85%). Odinga nunca aceitou o resultado e, portanto, Ruto come\u00e7ou a governar com metade do pa\u00eds contr\u00e1rio a ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Odinga e Ruto foram aliados durante muitos anos, em especial, ap\u00f3s a viol\u00eancia policial contra manifestantes em 2007 que matou mais de mil pessoas. O ent\u00e3o presidente Uhuru Kenyatta e Ruto foram indiciados pelo Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade.&nbsp; Os casos foram arquivados mais tarde, com a ex-procuradora-chefe do TPI, Fatou Bensouda, dizendo que uma campanha implac\u00e1vel de intimida\u00e7\u00e3o de v\u00edtimas e testemunhas tornou um julgamento imposs\u00edvel.<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O governo Ruto tem se enfrentado com grandes manifesta\u00e7\u00f5es. Quando o governo tinha seis meses de iniciado, em 2023, se deram as primeiras grandes manifesta\u00e7\u00f5es no m\u00eas de mar\u00e7o. Em julho foram tr\u00eas dias de manifesta\u00e7\u00f5es e repress\u00f5es violentas. Para essa onda de mobiliza\u00e7\u00f5es, no m\u00eas de julho, o governo Ruto j\u00e1 contou com os acordos militares de contra insurg\u00eancia assinados entre EUA e Israel e a pol\u00edcia e as For\u00e7as Armadas quenianas. O resultado dessa parceria EUA, Israel e aparelho repressivo foi o a morte de pelo menos nove pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Junho de 2024: governo repete os ataques de 2023 e as massas repetem as lutas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em julho de 2023 o governo tentou impor um aumento de 8 para 16% nos impostos para derivados de petr\u00f3leo e elevar em mais 1,5% no imposto \u00e0 renda. As mobiliza\u00e7\u00f5es como dissemos acima foram violentas.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste ano, na terceira semana do m\u00eas de junho come\u00e7ou com nova onda de mobiliza\u00e7\u00f5es que se estendeu at\u00e9 o final da quarta semana. O motivo foi um novo pacote de medidas econ\u00f4micas que elevariam os impostos de diversos produtos de consumo popular, tais como alimentos, combust\u00edveis, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro dia de manifesta\u00e7\u00f5es foram presas 200 pessoas. As manifesta\u00e7\u00f5es obrigaram o Ruto ao seu primeiro recuo, mas mesmo assim, as mobiliza\u00e7\u00f5es seguiram ap\u00f3s a vota\u00e7\u00e3o no Congresso, e a ira aumentou. Parte do pr\u00e9dio do Congresso foi invadido, incendiado e os parlamentares sa\u00edram correndo. Ap\u00f3s esse fato a principal bandeira pol\u00edtica passou a ser: Fora Ruto. Ao final de duas semanas de mobiliza\u00e7\u00f5es 25 pessoas foram vistas mortas nas ruas. Centenas de feridos foram levados para os hospitais, dos quais, muitos com gravidade e possibilidade de aumento do n\u00famero de mortos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Willian Ruto: o novo administrador colonial do imperialismo norte americano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As rela\u00e7\u00f5es externas no campo pol\u00edtico e econ\u00f4mico, nos \u00faltimos anos foram prioritariamente com a China. Frente a instabilidade pol\u00edtica do regime bonapartista de William Ruto, este procurou novos aliados e encontrou nos Estados Unidos o apoio que necessitava.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a aproxima\u00e7\u00e3o do governo queniano ao dos Estados Unidos jogou um papel fundamental a Embaixatriz Meg Whitman, ex-CEO da Hewllet-Packard e do eBay, que no ano passado acompanhou Ruto numa visita ao Vale do Sil\u00edcio que incluiu visitas \u00e0 Google, Apple e Intel. Whitman tornou-se uma forte defensora da cria\u00e7\u00e3o de empresas americanas no Qu\u00e9nia, um centro pr\u00f3spero de startups tecnol\u00f3gicas e de inova\u00e7\u00e3o, por vezes chamado de Savana de Sil\u00edcio da \u00c1frica. A Microsoft e uma empresa de intelig\u00eancia artificial dos Emirados, a G42, informaram que investir\u00e3o US$ 1 bilh\u00e3o em um data center verde no Qu\u00eania, o maior investimento digital j\u00e1 feito no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa movimenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m estendeu ao campo militar. Em fevereiro, o Qu\u00e9nia acolheu o maior exerc\u00edcio militar do Comando dos EUA para \u00c1frica Oriental. \u00c9 um fato relevante na medida que em outros pa\u00edses, os militares dos EUA foram expulsos, como no N\u00edger a favor de grupos mercen\u00e1rios russos.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia antes de come\u00e7arem as manifesta\u00e7\u00f5es de junho de 2024, Joe Biden nomeou formalmente o Qu\u00eania como o grande aliado n\u00e3o pertencente \u00e0 OTAN e Ruto enviou os primeiros 400 militares de um grupo de 1.000 para o Haiti.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O envio de militares ao Haiti<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Todo o hist\u00f3rico acima visa descrever a viol\u00eancia herdada do per\u00edodo colonial e que continuou ap\u00f3s a independ\u00eancia com o regime bonapartista vigente desde ent\u00e3o. Combinado com o bonapartismo h\u00e1 uma crise econ\u00f4mica gigantesca e a proporcional resposta do movimento de massas. A todo esse quadro se soma a crise interna desde as \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es onde o resultado pr\u00f3 Ruto foi questionado no parlamento, no Judici\u00e1rio e principalmente nas ruas. Assim, o envio de tropas para repress\u00e3o no Haiti \u00e9 parte da pol\u00edtica de sustenta\u00e7\u00e3o ao regime bonapartista queniano por parte do imperialismo norte americano.<\/p>\n\n\n\n<p>O Qu\u00eania tem uma longa hist\u00f3ria de participa\u00e7\u00e3o nas mal chamadas for\u00e7as de paz. Atuou no Timor-Leste, B\u00f3snia e Herzegovina, Serra Leoa e Nam\u00edbia. Atualmente participa de interven\u00e7\u00e3o militar na Som\u00e1lia e na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo.<\/p>\n\n\n\n<p>Willian Ruto pressionado pelas manifesta\u00e7\u00f5es de 2023 tomou a iniciativa de propor o envio de tropas para o Haiti, ganhar a simpatia do imperialismo norte-americano e baixar a press\u00e3o interna. &nbsp;O Governo Biden apoiou a decis\u00e3o e pressionou o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU para n\u00e3o s\u00f3 aprovar o envio de tropas quenianas e de outros, como tamb\u00e9m que designasse que o Qu\u00eania assumisse a lideran\u00e7a dessa for\u00e7a multinacional. A resolu\u00e7\u00e3o aprovada em setembro do ano passado \u201cfoi em parte obra dos Estados Unidos, que a redigiram juntamente com o Equador\u201d<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs 1.000 quenianos que dever\u00e3o intervir no Haiti ser\u00e3o selecionados entre for\u00e7as policiais especializadas, como a Unidade de Desdobramento R\u00e1pido (Unit\u00e9 de Deploiement Rapide), a Unidade de Patrulha de Fronteira (Unit\u00e9 de Patrouille Frontali\u00e8re) e a Unidade de Servi\u00e7o Geral (Unit\u00e9 de Service G\u00e9n\u00e9ral), uma ala paramilitar geralmente chamada para reprimir v\u00e1rios conflitos internos\u201d<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Um futuro sombrio se avizinha para as massas haitianas. O jornal The New York Times definiu a pol\u00edcia do Qu\u00eania da seguinte maneira:<em>\u201cFor\u00e7a excessiva. Assassinatos extrajudiciais. Uma longa hist\u00f3ria de brutalidade e impunidade\u201d.<\/em><a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\"><strong>[6]<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das for\u00e7as do Qu\u00eania, \u201cde acordo com o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, for\u00e7as de pa\u00edses como as Bahamas, Bangladesh, Barbados, Benim, Chade e Jamaica juntar-se-\u00e3o aos quenianos, num total de 2.500 agentes policiais que ser\u00e3o destacados em fases, a um custo anual de cerca de 600 milh\u00f5es de d\u00f3lares\u201d.<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o burguesa a William Ruto mostrou toda sua hipocrisia frente ao envio de tropas ao Haiti e ao assassinato de ativistas na \u00faltima onda mobiliza\u00e7\u00f5es. A principal coliga\u00e7\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o, Azimio, liderada pelo veterano Raila Odinga, acusou o governo de <em>\u201cliberar for\u00e7a bruta\u201d<\/em> contra os manifestantes e instou a pol\u00edcia a <em>\u201cparar de atirar em crian\u00e7as inocentes, pac\u00edficas e desarmadas\u201d<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\"><strong>[8]<\/strong><\/a><\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Denunciar mais essa viola\u00e7\u00e3o a soberania do povo haitiano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas aprovou o envio de tropas ao Haiti sem que tenha sido discutido com a popula\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, os organismos do Estado burgu\u00eas n\u00e3o t\u00eam um governo legitimo que possa autorizar. Desde o assassinato do ex presidente Jovenel Moise, o pa\u00eds \u00e9 governado por um fantoche de primeiro Ministro, com os mandatos de parlamentares expirados e um Judici\u00e1rio completamente corrompido.&nbsp; O primeiro-ministro governa por decreto, n\u00e3o h\u00e1 Parlamento, n\u00e3o h\u00e1 governantes eleitos na Rep\u00fablica do Haiti, portanto o envio de tropas \u00e9 um atropelo a soberania do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Denunciar o governo Ruto por matar seu povo e exportar viol\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O governo Ruto \u00e9 respons\u00e1vel por uma pol\u00edcia que usa m\u00e9todos de exterm\u00ednio nas mobiliza\u00e7\u00f5es. No ano passado foram assassinadas nove pessoas nas manifesta\u00e7\u00f5es de julho e neste ano outros 25. Isso sem contar os assassinatos extrajudiciais. O libertador Simon Bolivar, dizia: Maldito \u00e9 o soldado que aponta sua arma contra seu povo. No caso do governo queniano al\u00e9m de matar seu povo, trata de ser subserviente ao imperialismo e intervir em um pa\u00eds que nunca pediram esse tipo de ajuda, muito menos ao Qu\u00eania que nem embaixada tem no pa\u00eds caribenho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Apoiar a luta dos haitianos na di\u00e1spora<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Milhares de haitianos est\u00e3o espalhados pela di\u00e1spora na Am\u00e9rica Latina, em especial Argentina, Brasil e Chile. Al\u00e9m, dos que migraram para os EUA e Europa. Em todos esses pa\u00edses os haitianos sofrem racismo e xenofobia. As organiza\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora e da juventude desses pa\u00edses de acolhimento devem estar na vanguarda do apoio a luta dos haitianos na di\u00e1spora e contra os seus governos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Apoiar e incentivar a constru\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es haitianas independentes na luta contra o imperialismo e seus agentes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso ajudar os haitianos a constru\u00edrem um programa anti-imperialista e anticapitalista. E a partir desse programa construir uma organiza\u00e7\u00e3o com esse perfil, juntando os trabalhadores e estudantes rumo a constru\u00e7\u00e3o de uma organiza\u00e7\u00e3o independente, rumo ao socialismo. Basta de capitalismo. O capitalismo mata. Morte ao capitalismo<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Todo apoio e solidariedade ao povo queniano contra o governo Ruto<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fora Willian Ruto agente do FMI, Banco Mundial e do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Milit\u00e2ncia ativa contra a ocupa\u00e7\u00e3o de Haiti por tropas estrangeiras a servi\u00e7o do imperialismo norte americano<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Por um governo dos trabalhadores haitianos.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Qu\u00eania: Rebeli\u00e3o anticolonial dos Mau Mau, genoc\u00eddio e primeiras repara\u00e7\u00f5es &#8211; https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/02\/20\/quenia-rebeliao-anticolonial-dos-mau-mau-genocidio-e-primeiras-reparacoes\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> QU\u00caNIA: Tr\u00eas semanas de mobiliza\u00e7\u00f5es contra o governo rec\u00e9m-eleito &#8211; https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/08\/03\/quenia-tres-semanas-de-mobilizacoes-contra-o-governo-recem-eleito\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Ruto and Sang case: ICC Trial Chamber V(A) terminates the case without prejudice to re-prosecution in future &#8211; https:\/\/www.icc-cpi.int\/news\/ruto-and-sang-case-icc-trial-chamber-va-terminates-case-without-prejudice-re-prosecution<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> D\u00e9ploiement de policiers k\u00e9nyans en Ha\u00efti : \u00ab une aventure mal pr\u00e9par\u00e9e \u00bb ?&nbsp; <a href=\"https:\/\/www.jeuneafrique.com\/1491787\/politique\/deploiement-de-policiers-kenyans-en-haiti-une-aventure-mal-preparee\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.jeuneafrique.com\/1491787\/politique\/deploiement-de-policiers-kenyans-en-haiti-une-aventure-mal-preparee\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> idem<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a>&nbsp; Kenyan Police, a Force With a Bloody History, Confront Protesters at Home and Gangs in Haiti \u2013 The New York Times, June 25, 2024<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> Haitians react to expected arrival of police force from Kenya &#8211; https:\/\/www.africanews.com\/2024\/06\/25\/haitians-react-to-expected-arrival-of-police-force-from-kenya\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> Kenya: William Ruto retire le projet de budget conteste &#8211; https:\/\/www.jeuneafrique.com\/1581773\/politique\/kenya-william-ruto-retire-le-projet-de-budget-conteste\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Qu\u00eania esteve com muita visibilidade na imprensa mundial nos \u00faltimos dias. 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