{"id":79121,"date":"2024-06-26T15:49:55","date_gmt":"2024-06-26T15:49:55","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=79121"},"modified":"2024-06-26T15:49:58","modified_gmt":"2024-06-26T15:49:58","slug":"angola-o-imperialismo-e-seus-cumplices-atacam-os-trabalhadores-se-defendem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/06\/26\/angola-o-imperialismo-e-seus-cumplices-atacam-os-trabalhadores-se-defendem\/","title":{"rendered":"Angola: O imperialismo e seus cumplices atacam. Os trabalhadores se defendem"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A profunda crise do sistema capitalista, agravada pela paralisa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o durante a epidemia da Covid-19, est\u00e1 produzindo a quebra de bancos e empresas. Os grandes capitalistas, para se defender, se utilizam de seus governos para impor nos pa\u00edses semicoloniais um aprofundamento dos la\u00e7os de depend\u00eancia econ\u00f4mica, pol\u00edtica e militar.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Cesar Neto<\/p>\n\n\n\n<p>Pa\u00edses semicoloniais como Angola, entre outros, vivem um violento processo de decad\u00eancia econ\u00f4mica e social. A press\u00e3o da d\u00edvida externa, a queda dos pre\u00e7os das mat\u00e9rias primas e a enorme dist\u00e2ncia tecnol\u00f3gica, destr\u00f3i os pa\u00edses e come\u00e7amos a ver, no caso espec\u00edfico de Angola, a insatisfa\u00e7\u00e3o, a ira e as mobiliza\u00e7\u00f5es das massas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um processo rico, que atualiza o programa de luta pela soberania nacional, pela defesa da vida das popula\u00e7\u00f5es trabalhadoras (com ou sem emprego) e da juventude. E mais, coloca a imperiosa necessidade de lutar pela independ\u00eancia sindical e pol\u00edtica dos trabalhadores e da juventude.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A crise econ\u00f4mica mundial do capitalismo e seus impactos em Angola<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em \u00e9poca de profunda crise econ\u00f4mica, os imperialistas de diferentes matizes buscam recuperar suas taxas de lucros atrav\u00e9s da uma gigantesca transfer\u00eancia de capitais para as metr\u00f3poles.<\/p>\n\n\n\n<p>A intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores industriais, comerciais e servi\u00e7os adquire contornos impens\u00e1veis h\u00e1 uma d\u00e9cada atr\u00e1s. \u00c9 constante a den\u00fancia de viol\u00eancia f\u00edsica praticada contra trabalhadoras e trabalhadores por parte dos patr\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A desvaloriza\u00e7\u00e3o das mat\u00e9rias primas exportadas \u00e9 outro fator para a transfer\u00eancia de capitais. Combinado a isso h\u00e1 as privatiza\u00e7\u00f5es, a desnacionaliza\u00e7\u00e3o e a falta de controle dos volumes exportados permitindo uma enorme rede de contrabandistas a servi\u00e7o do grande capital.<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00edvida externa, inicialmente herdada dos tempos da domina\u00e7\u00e3o portuguesa, vem crescendo assustadoramente atrav\u00e9s fundamentalmente do endividamento com a China e Uni\u00e3o Europeia. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Petr\u00f3leo e diamante: colonialismo, guerra e submiss\u00e3o ap\u00f3s independ\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Angola possui uma quantidade consider\u00e1vel de recursos naturais, em especial petr\u00f3leo e diamante. Esses recursos j\u00e1 eram explorados nos tempos da domina\u00e7\u00e3o portuguesa. Ap\u00f3s a independ\u00eancia, o petr\u00f3leo e o diamante, \u201cfinanciou a guerra de Angola, mas tamb\u00e9m moldou intimamente os contornos do conflito. O acesso do MPLA a receitas do petr\u00f3leo e da UNITA aos diamantes podem ajudar a explicar a dura\u00e7\u00e3o e natureza do conflito\u201d[1]<\/p>\n\n\n\n<p>As concess\u00f5es feitas as empresas transnacionais por parte do MPLA e da UNITA podem ser exemplificadas com o caso do petr\u00f3leo. \u201ca intensa competi\u00e7\u00e3o pelas concess\u00f5es petrol\u00edferas levou a que uma s\u00e9rie de diferentes empresas procurassem obter favores junto a elite estatal do governo angolano atrav\u00e9s de doa\u00e7\u00f5es de caridade duvidosas, neg\u00f3cios de armas e outras formas de assist\u00eancia\u201d[2].<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1977, Angola produzia 170 mil barris di\u00e1rios de petr\u00f3leo. Em 2000, produzia 735 mil barris di\u00e1rios e em 2023, mesmo com a queda de 3,6% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, a produ\u00e7\u00e3o foi de 1,09 milh\u00f5es de barris di\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa grande evolu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o petroleira ap\u00f3s a independ\u00eancia em 1975, n\u00e3o serviu para construir um novo pa\u00eds, pois em 1999 quem de fato controlava a produ\u00e7\u00e3o era:&nbsp; Chevron (62%); Elf (22,9%); Texaco (11,1%); Total Fina (2,1%); Ranger (1,2%); Sonangol (0,6%) e Agip (0,1%). Ou seja, ap\u00f3s a independ\u00eancia de Portugal, a produ\u00e7\u00e3o cresceu, mas as empresas transnacionais seguiram controlado e usufruindo da renda petroleira.<\/p>\n\n\n\n<p>O diamante segue a mesma l\u00f3gica do petr\u00f3leo. As grandes empresas como a De Beers (85% do capital pertence a Anglo American e 15% da Republica de Botswana), Catoca (41% do capital pertence a estatal Endiama, 41% a transnacional russa Alrosa e 18% a outros acionistas minorit\u00e1rios) e Sociedade Mineira de Luele, o principal acionista \u00e9 a Catoca que \u00e9 parte angolana e parte russa. Trocando em mi\u00fados os lucros da extra\u00e7\u00e3o de diamante em escala industrial \u00e9 sugado pelas transnacionais americanas, inglesas e russas.<\/p>\n\n\n\n<p>A outra forma de explora\u00e7\u00e3o diamant\u00edfera passa pela produ\u00e7\u00e3o semi artesanal, com alto \u00edndice de viol\u00eancia contra as popula\u00e7\u00f5es onde supostamente existe diamante, pela produ\u00e7\u00e3o em regime de semi escravid\u00e3o e o transporte e coloca\u00e7\u00e3o no mercado atrav\u00e9s de m\u00e1fias e suas milicias.<\/p>\n\n\n\n<p>Diamantes de Sangue \u00e9 o t\u00edtulo de um importante estudo do jornalista angolano Rafael Marques que descreve esse processo. &nbsp;Para esse autor ap\u00f3s a independ\u00eancia o povo angolano vem sendo iludido primeiro com a promessa de um pa\u00eds mais justo e igualit\u00e1rio entre 1975 a 1991 per\u00edodo em que se afirmava que estavam construindo o Estado socialista; e posteriormente, de 1991 aos dias atuais a promessa da constru\u00e7\u00e3o do desenvolvimento nacional. \u201cA hist\u00f3ria da explora\u00e7\u00e3o de diamantes em Angola, desde 1912 at\u00e9 ao presente, tem sido marcada por atos de cont\u00ednua viol\u00eancia variando apenas as motiva\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas que os justificam\u201d[3]<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A d\u00edvida externa escancara a rela\u00e7\u00e3o de subordina\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses imperialistas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de diamantes no pa\u00eds vai de vento em popa. Angola j\u00e1 est\u00e1 no seleto grupo dos tr\u00eas maiores produtores mundiais de diamante. Foram produzidos pela ENDIAMA cerca de 9,8 milh\u00f5es de quilates de diamantes em 2023 e arrecadado 1,5 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares. A esses n\u00fameros temos que acrescentar a produ\u00e7\u00e3o da De Beers (Anglo American) e a produ\u00e7\u00e3o semi artesanal.<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o petroleira em 2023 coloca o pa\u00eds como o segundo maior produtor de petr\u00f3leo da \u00c1frica subsaariana. Um crescimento importante na medida que de 1978 a 2023 a produ\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de barris de petr\u00f3leo saltou de 160.000 para 1.122.524 barris, ou seja, sete vezes maior.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar desse enorme volume de petr\u00f3leo e diamantes a d\u00edvida p\u00fablica do pa\u00eds vem subindo assustadoramente. Em 2022 a rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida\/pib era de 69%, um absurdo. Em 2023 essa mesma rela\u00e7\u00e3o saltou para 87%, ou seja, um pa\u00eds ingovern\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Para controlar essa assustadora d\u00edvida, por ordem do FMI, o governo reduziu os gastos de bens e servi\u00e7os, isto \u00e9, reduziu gastos com educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, entre outros; implantou a primeira fase da reforma dos subs\u00eddios aos combust\u00edveis em junho de 2023 e desvalorizou o Kwanza em 20%.<\/p>\n\n\n\n<p>O Or\u00e7amento Geral do Estado para 2024 determinou redu\u00e7\u00e3o em todos os rubros dos gastos, a educa\u00e7\u00e3o, ensino superior, sa\u00fade, e a habita\u00e7\u00e3o e servi\u00e7os comunit\u00e1rios receber\u00e3o, em m\u00e9dia, 1,24% a menos de investimentos do que em 2023. Enquanto isso a d\u00edvida p\u00fablica que 2023 consumia 45%, em 2024 passar\u00e1 59% ou seja, um aumento de 14%.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cortes no Or\u00e7amento Geral do Estado, provocou que a qualidade da sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o foram parar nos n\u00edveis mais baixos, a desvaloriza\u00e7\u00e3o do Kwanza significou uma infla\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o dos alimentos na ordem de 40% e a primeira fase da retirada dos subs\u00eddios praticamente dobrou o pre\u00e7o dos transportes.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o Banco Mundial: \u201cA infla\u00e7\u00e3o dos g\u00eaneros aliment\u00edcios, combinada com o enfraquecimento do mercado de trabalho e a diminui\u00e7\u00e3o do crescimento per capita, sugere que a pobreza poder\u00e1 aumentar para 36,1% em 2024, o que corresponde a quase 13,5 milh\u00f5es de angolanos que vivem com menos de 2,15 d\u00f3lares por dia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas medidas que provocaram o aumento da fome, da pobreza, da piora dos servi\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, n\u00e3o resolveu o problema da d\u00edvida, pois segundo o FMI, \u201cEstas medidas de pol\u00edtica resultaram num saldo or\u00e7amental prim\u00e1rio global de -0,1% do PIB\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Como o impacto dos cortes no PIB foi muito pequeno e como j\u00e1 n\u00e3o tem onde cortar come\u00e7am a falar na privatiza\u00e7\u00e3o da TAAG.[4] A Empresa P\u00fablica de \u00c1guas de Luanda (EPAL), a empresa de telefonia Movicel est\u00e1 tamb\u00e9m na mira dos privatizadores. As terras de Cabinda est\u00e3o sendo entregues aos Emirados \u00c1rabes Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O atraso tecnol\u00f3gico e cientifico aumenta depend\u00eancia econ\u00f4mica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acima tratamos de explicar os mecanismos da sangria do petr\u00f3leo e diamantes, que ali\u00e1s pode ser acrescido de outros minerais como o ouro e de recursos naturais como as madeiras nativas. Al\u00e9m disso, do pouco que entra nos cofres p\u00fablicos, acabam sendo gastos para pagamento dos juros e da d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<p>Angola destina apenas 1,23% do seu Or\u00e7amento Geral para o ensino superior. Sem dinheiro, as universidades se transformam em meros reprodutores de ci\u00eancia e tecnologia dos pa\u00edses imperialistas. O pa\u00eds n\u00e3o investe na pesquisa cientifica e os m\u00e9dicos se v\u00eam obrigados a receitar rem\u00e9dios produzidos pelas transnacionais, os engenheiros \u2013 lamentavelmente \u2013 se transformam em instaladores ou reparadores de equipamentos e instrumentos produzidos pelas transnacionais. A pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o de alimentos seria intensiva caso houvesse pesquisa do tipo de semente que mais se adapta as condi\u00e7\u00f5es angolanas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda sem romper com imperialismo e o capitalismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O problema da explora\u00e7\u00e3o mineral, da d\u00edvida externa e do atraso cientifico e tecnol\u00f3gico apontam que precisamos recuperar nossa soberania sobre os minerais e suspender o pagamento da d\u00edvida externa. &nbsp;Precisamos dizer com todas as letras: os minerais s\u00e3o nossos. E colocar para fora as transnacionais, o FMI, Banco Mundial e os governantes c\u00famplices. Essa \u00e9 uma imensa luta e que pouco a pouco vai ficando clara e mostrando sua necessidade. A burguesia, rapidamente, tenta desviar essa luta que se aproxima. Ent\u00e3o, cuidado com as armadilhas que se mostram.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira armadilha: A culpa \u00e9 nossa. Somos corruptos! O problema da corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 realmente grave, mas muito mais grave \u00e9 saber que, em 1999, por exemplo, que as transnacionais imperialistas ficavam com mais de 99% da explora\u00e7\u00e3o petroleira e a Sonangol com apenas 0,6% conforme descrevamos acima. A mesma coisa se d\u00e1 na explora\u00e7\u00e3o dos diamantes. E como se n\u00e3o bastasse os bancos estrangeiros levam o muito pouco que entra no Tesouro Nacional<\/p>\n\n\n\n<p><br>A segunda armadilha: a sa\u00edda eleitoral: Temos visto como v\u00e1rios ditadores ca\u00edram nos \u00faltimos dois ou tr\u00eas anos na \u00c1frica.&nbsp; Por\u00e9m, a substitui\u00e7\u00e3o desses governantes n\u00e3o tem servido para recuperar a soberania sobre os recursos nacionais e a suspens\u00e3o do pagamento da d\u00edvida. A sa\u00edda eleitoral cria a ilus\u00e3o que com um novo governo tudo vai mudar. Na verdade, serve para anestesiar as lutas por mais alguns anos. N\u00e3o \u00e9 gratuito que o imperialismo americano esteja t\u00e3o preocupado com as elei\u00e7\u00f5es no pa\u00eds. A declara\u00e7\u00e3o do Departamento de Estado Norte Americano mostra a import\u00e2ncia que eles d\u00e3o ao tentar desviar as lutas para o campo eleitoral como se l\u00ea a seguir: \u201cOs Estados Unidos continuam a apoiar o compromisso de Angola com as reformas democr\u00e1ticas, incluindo a amplia\u00e7\u00e3o do papel da sociedade civil e das organiza\u00e7\u00f5es religiosas em elei\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas livres e justas e na tomada de decis\u00f5es locais. O Departamento de Estado forneceu US$ 7,8 milh\u00f5es desde 2021 para apoiar essas metas\u201d[5].<\/p>\n\n\n\n<p>A terceira armadilha: os grupos pol\u00edticos reformistas &#8211; O capitalismo em seu atual est\u00e1gio superior, isto \u00e9, imperialista n\u00e3o deixa espa\u00e7o para reformar o sistema capitalista. Mas, alguns reformistas at\u00e9 chegam a acusar o imperialismo, outros falam do passado colonial e ainda outros, um pouco mais avan\u00e7adinhos, falam de um imperialismo contempor\u00e2neo. E at\u00e9 a\u00ed chegam. No entanto, n\u00e3o dizem quem s\u00e3o os imperialistas, quem s\u00e3o os seus agentes no interior do pa\u00eds e, mais, n\u00e3o mostram como lutar pela soberania dos recursos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os impactos da crise econ\u00f4mica mundial alteram o humor das massas e geral a greve geral e outras lutas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um processo de repudio a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica do pa\u00eds. V\u00e1rias lutas v\u00eam acontecendo no pa\u00eds como as mobiliza\u00e7\u00f5es em junho de 2023 contra o corte dos subs\u00eddios e o respectivo aumento aos combust\u00edveis, as mobiliza\u00e7\u00f5es dos demitidos da Sonangol, etc. Foram mobiliza\u00e7\u00f5es muito fortes e inclusive com v\u00e1rios presos, pessoas feridas e mortos.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 outras mobiliza\u00e7\u00f5es, entre as quais dos trabalhadores do Minist\u00e9rio das Pescas e do Mar, dos trabalhadores da prestadora de servi\u00e7os petroleiros Prezioso Angola, dos trabalhadores do Porto de Lobito, dos trabalhadores da Refinaria de Luanda, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Houve greves atomizadas por setor, mas o grande salto foi a Greve Geral Unificada dos empregados p\u00fablicos. Por diversas raz\u00f5es \u00e9 muito dif\u00edcil a constru\u00e7\u00e3o de greves gerais. Ent\u00e3o, precisamos saudar e incentivar esse momento de luta da classe trabalhadora angolana e saber que uma eventual terceira fase sofrer\u00e1 todo tipo de press\u00e3o na medida em que o Governo, subserviente as imposi\u00e7\u00f5es do FMI, Banco Mundial e bancos privados, reduz o Or\u00e7amento Geral do Estado e imp\u00f5e ainda mais sacrif\u00edcios aos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>A Greve Geral Unificada n\u00e3o \u00e9 uma greve corriqueira. \u00c9 uma greve geral que ao lutar contra os sal\u00e1rios que j\u00e1 eram baixos agora est\u00e3o lutando contra os sal\u00e1rios defasados por conta da infla\u00e7\u00e3o de alimentos. Portanto, essa greve \u00e9 contra a pol\u00edtica econ\u00f4mica do governo e interessa a todos os trabalhadores (empregados ou n\u00e3o), dos jovens e do povo pobre. \u00c9 uma greve contra o Governo, contra o FMI e Banco Mundial e as transnacionais que roubam as mat\u00e9rias primas do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O papel da juventude nesse per\u00edodo de luta dos trabalhadores<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Essa nova situa\u00e7\u00e3o de revolta dos trabalhadores, precisa receber o mais amplo apoio da juventude e suas organiza\u00e7\u00f5es. Depois de quase cinco d\u00e9cadas de governo autorit\u00e1rio e repressivo, \u00e9 natural que os grevistas cometam erros por inexperi\u00eancia ou por que ainda h\u00e1 dirigentes do movimento ligados ao governo. Cabe aos jovens, participar e apoiar todas as lutas que surjam.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso que todas as organiza\u00e7\u00f5es juvenis levem suas ideias, suas bandeiras e seu apoio aos grevistas. S\u00f3 aqui construindo uma alian\u00e7a entre os trabalhadores e os estudantes ser\u00e1 poss\u00edvel suspender o pagamento da d\u00edvida externa, nacionalizar a explora\u00e7\u00e3o petroleira e mineira e acima de tudo dizer: basta de MPLA, por um governo dos trabalhadores, dos jovens e o povo pobre.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo apoio as greves. Viva a luta daqueles que ousam de fato enfrentar-se com o governo<br>Pela alian\u00e7a dos trabalhadores, estudantes e povo pobre.<br>Abaixo a ditadura. Por um governo dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>[1] Oil &amp; War in Angola &#8211; Review of African Political Economy, Vol. 28, No. 90, (Dec., 2001), pp. 587-606 &#8211; www.jstor.org\/stable\/4006839<\/p>\n\n\n\n<p>[2] idem<\/p>\n\n\n\n<p>[3] MARQUES, Rafael. Diamantes de sangue: corrup\u00e7\u00e3o e tortura em Angola. Lisboa: Tinta-da-China, 2011, 230p<\/p>\n\n\n\n<p>[4] Em Angola, TAAG passa por remodela\u00e7\u00e3o enquanto aguarda privatiza\u00e7\u00e3o &#8211; https:\/\/www.jeuneafrique.com\/1512094\/economie-entreprises\/en-angola-la-taag-fait-peau-neuve-en-attendant-la-privatisation\/<\/p>\n\n\n\n<p>[5] Os Estados Unidos e Angola: Parceria para a Prosperidade &#8211; https:\/\/www.state.gov\/the-united-states-and-angola-partnering-for-prosperity\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A profunda crise do sistema capitalista, agravada pela paralisa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o durante a epidemia da Covid-19, est\u00e1 produzindo a quebra de bancos e empresas. Os grandes capitalistas, para se defender, se utilizam de seus governos para impor nos pa\u00edses semicoloniais um aprofundamento dos la\u00e7os de depend\u00eancia econ\u00f4mica, pol\u00edtica e militar. Por: Cesar Neto Pa\u00edses semicoloniais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":79122,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[1415],"tags":[1416,213],"class_list":["post-79121","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-angola","tag-angola-2","tag-cesar-neto"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Angola-1-1.jpg","categories_names":["Angola"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79121","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79121"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79121\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":79123,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79121\/revisions\/79123"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79122"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79121"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79121"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79121"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}