{"id":79077,"date":"2024-06-18T16:12:22","date_gmt":"2024-06-18T16:12:22","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=79077"},"modified":"2024-06-18T16:14:06","modified_gmt":"2024-06-18T16:14:06","slug":"stalinismo-em-angola-o-massacre-do-27-de-maio-de-1977-parte-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/06\/18\/stalinismo-em-angola-o-massacre-do-27-de-maio-de-1977-parte-ii\/","title":{"rendered":"Stalinismo em Angola: O massacre do 27 de maio de 1977 \u2013 Parte II"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Repress\u00e3o, Tortura e Assassinatos<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Na manh\u00e3 de 27 de Maio (sexta-feira), ouvem-se tiroteios e rebentamentos de obuses, h\u00e1 quem diga que as escaramu\u00e7as come\u00e7am na tarde do dia 26 com a deten\u00e7\u00e3o de Nito Alves e Jos\u00e9 Van Dunem levados na cadeia de S\u00e3o Paulo, mas o que chama aten\u00e7\u00e3o na manh\u00e3 do dia 27 de Maio, para al\u00e9m dos disparos, s\u00e3o os dizeres que o locutor da R\u00e1dio Nacional de Angola profere: Kudibanguela! Weia! (Vamos fazer) Eram dizeres de um programa h\u00e1 algum tempo extinto por pertencer a ala de Nito Alves e organiza\u00e7\u00f5es do Poder Popular, que entre palavras e m\u00fasicas cantadas em Kimbundu vai pedindo que a popula\u00e7\u00e3o se dirija at\u00e9 a frente da radio, exige ainda a soltura dos presos pol\u00edticos e o fim da repress\u00e3o da DISA. A R\u00e1dio Nacional estava sob controlo de militares da 9\u00aa Brigada, f\u00e9is \u00e0 Nito, que na altura passavam fome nos quarteis e sem fardamentos adequados, e populares que eram incessantemente humilhados com as longas filas nas famosas Lojas do Povo, para adquirir um quilo de arroz ou uma barra de sab\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: <strong>J. G. Hata<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o da Radio vai durar apenas 2 horas, entre \u00e0s 6h at\u00e9 \u00e0s 8h, altura que \u00e9 cercada por tropas cubanas comandadas por Rafael Morac\u00e9n<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a> e Henriques Santos \u201cOnambw\u00e9\u201d vice diretor da DISA. S\u00e3o rendidos os ocupantes, incluindo o locutor, que \u00e9 espancado ao mesmo tempo que o programa encontra-se no ar, Rafael Morac\u00e9n toma conta dos microfones e lan\u00e7a palavras de apelo \u00e0 tranquilidade da popula\u00e7\u00e3o e a Neto. Fora da r\u00e1dio as rajadas n\u00e3o param e matam popula\u00e7\u00e3o civil que participa dos protestos.<\/p>\n\n\n\n<p>As 14 horas Onambw\u00e9 e os cubanos dirigem-se \u00e0 9\u00aa Brigada, ondem militares da ala de Nito Alves haviam detido comandantes e membros do Governo que no dia seguinte aparecem mortos queimados, na zona da Boa Vista, em Luanda. A morte destes comandantes vai desencadear a maior c\u00f3lera por parte de Neto e avan\u00e7a com a senten\u00e7a extra judicial para tudo que se viria seguir com a palavra de ordem<em>: n\u00e3o haver\u00e1 contempla\u00e7\u00f5es, n\u00e3o vamos perder tempo com julgamentos. Seremos os mais breves poss\u00edveis<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Estava tra\u00e7ado o destino da maior juventude revolucion\u00e1ria que Angola tivera, e as razoes para ser detido poderiam ser das mais objetivas poss\u00edveis ou das mais abjetas, como o fato de ser um estudante ou ser uma mulher bonita cobi\u00e7ada pelos comandantes da situa\u00e7\u00e3o. Os dias posteriores s\u00e3o de aut\u00eanticos massacres, s\u00e3o visadas as organiza\u00e7\u00f5es de massa, entre estas as mulheres, os sindicatos e a juventude, as For\u00e7as Armadas (9\u00aaBrigada), a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica e os minist\u00e9rios, os \u00d3rg\u00e3os do Poder Popular, e claro, para quem prende jovens por terem a 4\u00aa Classe os livros n\u00e3o poderiam ficar de fora, foram queimados obras de <em>Marx, Engls e L\u00e9nin<\/em><a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. O fim que se d\u00e1 aos l\u00edderes da suposta intentona, seus familiares, pessoas pr\u00f3ximas, ou simples simpatizantes, executado friamente pela Comiss\u00e3o das L\u00e1grimas \u00e9 deveras arrepiante:<\/p>\n\n\n\n<p>Nito Alves: Foi capturado junto da localidade do Piri, sua regi\u00e3o de origem, onde se refugiara nos primeiros dias depois do 27 de Maio de 1977. Para pressionarem a se render tiveram que prender toda sua aldeia natal, submetendo a popula\u00e7\u00e3o a maus-tratos e trabalhos for\u00e7ados nas primeiras horas do dia. Seu corpo foi cravado de balas e o corpo atirado ao Mar com um peso. N\u00e3o aceitou que lhe tapassem os olhos, pois queria ver os seus assassinos<\/p>\n\n\n\n<p>Monstro Imortal: O lend\u00e1rio Comandante e afiliado de casamento de Agostinho Neto, foi atado os p\u00e9s e as m\u00e3os \u00e0s costas, ligados aos test\u00edculos, e pressionado por um garrote, os algozes deixavam um gravador na sala enquanto fora iam apertando o garrote. Diz-se que o cegaram e atiraram o corpo de um avi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sita Valles: Regressa em Angola em Junho de 1975, depois de estar a estudar em Portugal desde 1971. Ingressa no MPLA e tem a miss\u00e3o de reorganizar o setor intelectual, levanta suspeitas por parte de L\u00facio Lara de quem a acusa de ser enviada pelo Partido Comunista Portugu\u00eas-PCP a fim de controlar o MPLA,e \u00e9 afastada do MPLA. Em 1976 casa com Jos\u00e9 Van Dunem. Na ressaca do 27 de Maio \u00e9 presa junto com seu marido.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de ser morta ter\u00e1 sido violada por elementos da DISA, alguns relatos afirmam que eram tantos os elementos que disputavam quem seria o primeiro a viol\u00e1-la, e que para tal tiveram que fazer fila. Tamb\u00e9m foi assassinado o seu irm\u00e3o, Ademar Valles, pelo simples fato de ser seu irm\u00e3o. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A CIVICOP e o 27 de Maio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em Abril de 2019, por iniciativa presidencial, criou-se a Comiss\u00e3o de Reconcilia\u00e7\u00e3o em Memoria das Vitimas dos Conflitos Pol\u00edticos-CIVICOP, ocorridos entre 11 de Novembro de 1975 a 4 de Abril de 2002, a proclama\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia e o fim da guerra civil. Portanto n\u00e3o sendo uma comiss\u00e3o criada exclusivamente para tratar do massacre do 27 de Maio. No entanto elencava entre os seus planos a procura e identifica\u00e7\u00e3o dos restos mortais das v\u00edtimas e a emiss\u00e3o de certid\u00f5es de \u00f3bitos. Numa iniciativa h\u00e1 muito solicitada por familiares e a sociedade angolana, no dia 26 de Maio de 2021 o Presidente angolano, Jo\u00e3o Manuel Gon\u00e7alves Louren\u00e7o pediu desculpas as fam\u00edlias em nome do Estado angolano.<\/p>\n\n\n\n<p>Em junho de 2022, em plena pr\u00e9-campanha eleitoral para as Elei\u00e7\u00f5es Gerais, a CIVICOP apresentou os restos mortais daquilo que se presumiam serem os corpos de Nito Alves, Monstro Imortal, Ars\u00e9nio Jos\u00e9 Louren\u00e7o Sihanuk e Il\u00eddio Ramalhete<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo o que viria a acontecer depois no \u00e2mbito da CIVICOP acabou por expor os seus reais objetivos que passam por minimizar os crimes do 27 de Maio, com a reparti\u00e7\u00e3o das culpas entre os assassinos e as suas v\u00edtimas, redefini\u00e7\u00e3o da agenda sobre o 27 de Maio, ser um instrumento poderoso de propaganda eleitoral das elei\u00e7\u00f5es gerais, diaboliza\u00e7\u00e3o da UNITA e exclus\u00e3o da sociedade civil desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 o plano de execu\u00e7\u00e3o da mesma.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o antrop\u00f3logo Ruy Llera Blanes<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a>, a CIVICOP tem sido marcada por um obscurantismo \u00e0 partida, em rela\u00e7\u00e3o ao seu rigor<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a> e intencionalidade ao ponto de p\u00f4r em causa o pr\u00f3prio objetivo da reconcilia\u00e7\u00e3o efetiva. Para o antrop\u00f3logo, n\u00e3o foi seguido um processo de constru\u00e7\u00e3o de transpar\u00eancia no que diz respeito a cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o independente, incluindo atores nacionais e internacionais, e familiares. Blanes fala igualmente da aus\u00eancia de um protocolo em mat\u00e9ria de investiga\u00e7\u00f5es de execu\u00e7\u00f5es extralegais, arbitrarias e sumarias a exemplo dos Protocolos de Minnesota, de 1991 e o Protocolo de Istambul adotado pelo Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ra\u00e7a, Classe<\/strong> e o <strong>27 de Maio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Era um sentimento generalizado que com a independ\u00eancia alcan\u00e7ada em 1975 nada tinha mudado, este sentimento era alimentado em fun\u00e7\u00e3o das elites que controlavam o pa\u00eds, quase sempre os brancos ou mesti\u00e7os ocupavam os melhores cargos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a pesquisadora Inglesa Lara Pawson, classe e ra\u00e7a s\u00e3o dois processos indissoci\u00e1veis. Angola tinha uma experiencia de colonialismo durante s\u00e9culos e viveu 50 anos fascismo, o que contribuiu para que o sistema portugu\u00eas se estruturasse com base em ideias de hierarquia racial. Negar o papel da ra\u00e7a \u00e9 negar a realidade. Acrescenta que o elemento racial transcende a quest\u00e3o dos tra\u00e7os fen\u00f3tipos, como a cor da pele, e envolve aspetos culturais do negro.<\/p>\n\n\n\n<p>No per\u00edodo colonial, entre 1926 a 1961 Portugal instituiu a Lei do Indigenato. Aqui o significado de ind\u00edgena n\u00e3o pode ser confundido ao que por exemplo \u00e9 dado no continente americano, a de popula\u00e7\u00e3o nativa antes da chegada do invasor europeu. O invasor portugu\u00eas em Africa colocou como crit\u00e9rio classificador de ind\u00edgena o processo assimilador, refletido na supremacia racial branca. <em>Eram ind\u00edgenas os indiv\u00edduos de ra\u00e7a negra ou dela descendente que, pela sua ilustra\u00e7\u00e3o ou costumes, se n\u00e3o distingam do comum daquela ra\u00e7a, n\u00e3o faziam parte da na\u00e7\u00e3o portuguesa, e a sua integra\u00e7\u00e3o dependeria da transforma\u00e7\u00e3o gradual dos seus h\u00e1bitos e costumes (Artigo 1\u00ba). <\/em>J\u00e1 o negro assimilado adquiria os valores eurocentristas e poderia obter alguns privil\u00e9gios, como a possibilidade de ascender na administra\u00e7\u00e3o colonial. Este sistema de estratifica\u00e7\u00e3o racial teve profundas consequ\u00eancias a n\u00edvel econ\u00f3mico e politico no novo Estado angolano.<\/p>\n\n\n\n<p>Socorremo-nos novamente em Pawson quando apresenta o depoimento da antiga Vice Ministra da Sa\u00fade, Teresa Cohen uma pessoa de cor preta que afirmara categoricamente ser europeia como a escritora Pawson (branca), neste encontro a senhora ministra faz uma clara distin\u00e7\u00e3o entre ela e outros angolanos, ou seja os outros (pretos africanos), e ela (preta assimilada), e que por isso considera-se branca. O que evidencia a mentalidade das elites pol\u00edticas angolanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhando para o discurso de Nito Alves onde afirmara que apenas haver\u00e1 justi\u00e7a quando brancos e mesticos varrerem as ruas, opin\u00e3o muito aproveitada pelos seus detratores e que \u00e9 usado sutilmente para lhe colocarem em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Neto, Pawson faz a seguinte reflex\u00e3o: onde existem apenas os negros a limparem as ruas \u00e9 um evidente sinal de racismo, pelo que a afirma\u00e7\u00e3o de Nito Alves vem expressar ambi\u00e7\u00e3o para a igualdade no tratamento, e como tal trazer o ideial de justi\u00e7a, e que as deturpa\u00e7\u00f5es feitas revelam que h\u00e1 certa resist\u00eancia entre portugu\u00eas e angolanos em aceitar esta exist\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cAl pueblo de Angola y a su m\u00e1ximo lider, presidente Neto, que nos encontramos ahora en la emisora del radio, combatiendo aqui, manteniendo esa posicion. Que la emisorav\u00e1 a ser puesta en manos de los revolucion\u00e1rios, con Agostinho Neto. Que se encuentra combatiendo [&#8230;] que se encuentra aqui confundido [&#8230;]\u201d &#8211; <\/em>Rafael Morac\u00e9n \u2013 militar cubano<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cN\u00e3o haver\u00e1 contempla\u00e7\u00f5es [&#8230;]Certamente n\u00e3o vamos perder tempo com julgamentos. Seremos o mais breve poss\u00edvel\u201d<\/em> \u2013 Agostinho Neto<\/p>\n\n\n\n<p>O massacre iniciado em 27 de Maio de 1977 apenas teve o seu fim em 1979 com a dissolu\u00e7\u00e3o da DISA. Os n\u00fameros de v\u00edtimas mortais variam dos 30.000 aos 80.000, provavelmente nunca obteremos os n\u00fameros reais, nem \u00e9 isso que est\u00e1 em causa, mas sim sabermos as raz\u00f5es profundas por detr\u00e1s do 27 de Maio, como e porque aconteceu tal drama, ao ponto de em menos de um ano e meio ap\u00f3s a independ\u00eancia se dar essa mudan\u00e7a brusca nas rela\u00e7\u00f5es entre membros de um mesmo partido? Como \u00e9 que de forma repentina her\u00f3is passam h\u00e1 vil\u00f5es?<\/p>\n\n\n\n<p>Como podemos constatar durante exposi\u00e7\u00e3o do tema, o 27 de Maio \u00e9 o corol\u00e1rio de percurso pol\u00edtico que o MPLA fez ao longo da sua funda\u00e7\u00e3o, \u00e9 o rebentar da aus\u00eancia de uma cultura de di\u00e1logo. A natureza ideol\u00f3gica dos v\u00e1rios grupos que deram origem a este movimento desde sempre trouxera v\u00e1rias clivagens, como a da Revolta do Leste e a Revolta Activa, infelizmente mal compreendidos e como tal pouco estudados no interior do partido mas que apenas retardava a discuss\u00e3o dos v\u00e1rios problemas que afetavam o partido e a sua dire\u00e7\u00e3o. Nota que Nito Alves numa das suas cr\u00edticas ao partido apontava o facto de durante os seus 20 anos de exist\u00eancia nunca ter realizado um \u00fanico congresso.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o que ficar\u00e1 por responder \u00e9 a via pela qual a ala de Nito Alves pretendia fazer ouvir as suas reivindica\u00e7\u00f5es. Manifesta\u00e7\u00e3o popular para chamar aten\u00e7\u00e3o de Neto ou golpe de estado? Aqui as vozes divergem no interior do MPLA. Alguns defendem a tese de golpe de estado pelo facto de haver envolvimento militar e os que afirmam tratar de manifesta\u00e7\u00e3o popular dizem que os militares foram chamados apenas para dar prote\u00e7\u00e3o ao vasto p\u00fablico que iria se manifestar.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vari\u00e1vel que deve ser estudada para perceber os Estados africanos p\u00f3s colonial \u00e9 sobre o papel da ra\u00e7a. O racismo e a cultura de classe herdada da coloniza\u00e7\u00e3o ter\u00e3o agudizado ainda mais as j\u00e1 deterioradas diverg\u00eancias ideol\u00f3gicas. A divis\u00e3o da sociedade colonial entre ind\u00edgenas e assimilados criou os pilares da Angola p\u00f3s colonial, havendo a sensa\u00e7\u00e3o de que nada havia mudado pois a elite pol\u00edtica maioritariamente assimilada continuou a usufruir dos privil\u00e9gios deste estatus, diferentemente da maioria que tivera um papel de facto na luta anticolonial.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim a CIVICOP enquanto comiss\u00e3o para a mem\u00f3ria das v\u00edtimas de conflitos pol\u00edticos deveria ser um instrumento de reconcilia\u00e7\u00e3o entre as pessoas e a hist\u00f3ria, n\u00e3o se pode falar de mem\u00f3ria sem verdade. E para esse fim os crit\u00e9rios como imparcialidade, transpar\u00eancia e inclus\u00e3o dariam mais credibilidade nesta comiss\u00e3o, que tem agido ao ritmo e interesses do regime pol\u00edtico para o seu auto perd\u00e3o e propaganda pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>BLANES, Ruy Llera. <em>Reconcilia\u00e7\u00e3o sem Justi\u00e7a:<\/em> A CIVICOP e o 27 de Maio em Angola, Jornal Expresso, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>CHIWALE, Samuel. <em>Cruzei-me com a Hist\u00f3ria.<\/em> Sextante Editora, Lisboa, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>FRAGOSO, Jos\u00e9, PEDRO, Lucas, <em>Nito Alves:<\/em> A \u00daltima V\u00edtima do MPLA no S\u00e9culo XX. Funda\u00e7\u00e3o 27 de Maio, Luanda, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>MATEUS, Dalila Cabrita, MATEUS, \u00c1lvaro, <em>Purga em Angola:<\/em> O 27 de Maio de 1977. Texto Editores, Lisboa, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>MARQUES, Alexandre, <em>Segredos da Descoloniza\u00e7\u00e3o de Angola.<\/em> Publica\u00e7\u00f5es Dom Quixote, Lisboa, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>MICHEL, Miguel Francisco, <em>Nuvem Negra: <\/em>O Drama do 27 de Maio de 1977.Classica Editora, Lisboa, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p>NUMA, Ab\u00edlio Jos\u00e9 Augusto Kamalata, <em>Angola Pr\u00f3logo ao Projecto do Mwangay:<\/em> Democracia e Construtivismo. Luanda, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>PACHECO, Carlos. <em>Agostinho Neto o Perfil de Um Ditador:<\/em> A Hist\u00f3ria do MPLA em Carne Viva. Nova Veja, Lisboa, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>PAWSON, Lara. <em>Entrevista Concedida a Mwangole TV<\/em>. 2014.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Rafael Morac\u00e9n, elevado a condi\u00e7\u00e3o general de brigada do Exercito cubano, relata com detalhes sua participa\u00e7\u00e3o em Angola na entrevista: Secretos de Generales, publicado no jornal Gramna, por ocasi\u00e3o do 50\u2070 Anivers\u00e1rio das For\u00e7as Armadas de Cuba<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> MATEUS e MATEUS, 2007, Pag. 118.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Irm\u00e3o g\u00e9meo de J\u00falio Ramalhete, tamb\u00e9m v\u00edtima no 27 de Maio<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> BLANES, Reconcilia\u00e7\u00e3o sem Justi\u00e7a: a CIVICOP e o 27 de Maio em Angola, Jornal Expresso, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> Idem, Quem identificou os locais de escava\u00e7\u00e3o\u00ad? Com que conhecimento e metodologia? A 16 de novembro a TPA emitiu um Especial Informa\u00e7\u00e3o onde apresentavam os passos tomados nos trabalhos de identifica\u00e7\u00e3o. Nele, referia-se o recurso a testemunhos orais e principalmente a interven\u00e7\u00e3o de um pesquisador brasileiro, o geografo Ary Resende Filho, professor da Universidade Federal do Mato Grosso, na identifica\u00e7\u00e3o de campas e valas comuns atrav\u00e9s de um aparelho de medi\u00e7\u00e3o de solos. No entanto, esta metodologia n\u00e3o \u00e9 reconhecida nas pr\u00e1ticas forenses internacionais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Repress\u00e3o, Tortura e Assassinatos Na manh\u00e3 de 27 de Maio (sexta-feira), ouvem-se tiroteios e rebentamentos de obuses, h\u00e1 quem diga que as escaramu\u00e7as come\u00e7am na tarde do dia 26 com a deten\u00e7\u00e3o de Nito Alves e Jos\u00e9 Van Dunem levados na cadeia de S\u00e3o Paulo, mas o que chama aten\u00e7\u00e3o na manh\u00e3 do dia 27 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":79078,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[1415],"tags":[],"class_list":["post-79077","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-angola"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Angola-2.jpg","categories_names":["Angola"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79077","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79077"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79077\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":79079,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79077\/revisions\/79079"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79078"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79077"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79077"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79077"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}