{"id":79065,"date":"2024-06-17T22:37:55","date_gmt":"2024-06-17T22:37:55","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=79065"},"modified":"2024-06-17T22:37:59","modified_gmt":"2024-06-17T22:37:59","slug":"europa-fortaleza-o-neoliberalismo-e-a-extrema-direita-quais-conclusoes-retirar-das-eleicoes-europeias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/06\/17\/europa-fortaleza-o-neoliberalismo-e-a-extrema-direita-quais-conclusoes-retirar-das-eleicoes-europeias\/","title":{"rendered":"Europa fortaleza, o neoliberalismo e a extrema-direita. Quais conclus\u00f5es retirar das elei\u00e7\u00f5es europeias?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Muito se tem falado sobre o resultado das elei\u00e7\u00f5es europeias. Que conclus\u00f5es retirar de uma elei\u00e7\u00e3o onde ganha a direita e a extrema-direita cresce em v\u00e1rios pa\u00edses e no pr\u00f3prio parlamento? Vale lembrar que desde as \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, em 2019, muita coisa se passou na Europa: a pandemia, a guerra na Ucr\u00e2nia, a volta da infla\u00e7\u00e3o e o continente pressionado pelo acentuar da crise da ordem mundial. Em meio a disputa interimperialista entre EUA e China, a UE, mantendo a sua ess\u00eancia imperialista, perde protagonismo e desempenha um papel cada vez mais subordinado na economia e na ordem mundial. Estas elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o, inevitavelmente, tamb\u00e9m reflexo destes processos, mas a crise do projeto europeu \u00e9 ainda anterior, podemos dizer que est\u00e1 na sua g\u00eanese.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Joana Salay<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O parlamento europeu e as elei\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Participam das elei\u00e7\u00f5es europeias 27 pa\u00edses que elegem 720 eurodeputados para um mandato de 5 anos. Mas as principais decis\u00f5es europeias n\u00e3o passam pelo parlamento e sim pela Comiss\u00e3o Europeia (CE), atualmente presidida pela alem\u00e3 Ursula von der Leyen, e pelo Banco Central Europeu (BCE), presidido pela francesa Christine Lagarde. A malfadada Troika da crise de 2008, que atuou de maneira autorit\u00e1ria e unilateral sobre os pa\u00edses do sul da Europa para garantir a aplica\u00e7\u00e3o dos planos de austeridade, era composta exatamente pelo BCE, CE e FMI.<\/p>\n\n\n\n<p>As presid\u00eancias dos \u00f3rg\u00e3os s\u00e3o ratificadas pelo parlamento, mas j\u00e1 s\u00e3o previamente negociadas pelos Estados-Membros em decis\u00f5es determinadas pela hegemonia imperialista francesa e alem\u00e3. N\u00e3o \u00e0 toa, a taxa de absten\u00e7\u00e3o nestas elei\u00e7\u00f5es foi de 49%, refletindo a aus\u00eancia de entusiasmo com um processo de muitas cartas marcadas, que deslegitima n\u00e3o apenas as elei\u00e7\u00f5es europeias, mas tamb\u00e9m as nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para al\u00e9m dos valores europeus, a verdadeira ess\u00eancia da UE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Muito se fala dos \u201cvalores europeus\u201d que levaram \u00e0 funda\u00e7\u00e3o da UE: a dignidade humana, a democracia, a liberdade, a igualdade, direitos humanos e o estado de direito. Contudo h\u00e1 um grande fosse entre este discurso e a pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>O Mercado \u00danico Europeu, estabelecido em 1987, promoveu a total liberdade de movimento de capital, seguido da implementa\u00e7\u00e3o da moeda \u00fanica europeia atrav\u00e9s do Tratado de Maastricht em 1991. Junto da liberdade de circula\u00e7\u00e3o de capitais, veio tamb\u00e9m uma investida neoliberal que visava minar as conquistas sociais alcan\u00e7adas desde o p\u00f3s-guerra. Relembremos a famosa luta dos mineiros contra Margaret Thatcher. Mas as medidas neoliberais n\u00e3o vieram apenas pelas m\u00e3os de for\u00e7as pol\u00edticas conservadoras. Na Fran\u00e7a, por exemplo, Fran\u00e7ois Miterrand, do PS,&nbsp; a partir de 1983 protagonizou a chamada \u201cvirada do rigor\u201d, rompendo abertamente com o programa pelo qual foi eleito. Por toda a Europa, os partidos social-democratas passaram a liderar a retirada de direitos e a flexibiliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho, muitas vezes com a cumplicidade dos sindicatos, frequentemente dirigidos por Partidos Comunistas.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise de 2008 significou um salto de qualidade neste processo, com a utiliza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida como camisa de for\u00e7a, levando ao desmonte da economia nacional de diversos pa\u00edses, como Portugal e Gr\u00e9cia. Paralelamente, a destrui\u00e7\u00e3o do estado de bem-estar social, a crescente concentra\u00e7\u00e3o de riquezas e a livre circula\u00e7\u00e3o de capitais, esmagaram um amplo setor das classes m\u00e9dias urbanas e rurais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo em que a UE esmaga a classe trabalhadora europeia, persegue e legitima o racismo e a xenofobia contra os imigrantes. O Novo Pacto Europeu de Imigra\u00e7\u00e3o e Asilo (PEMA) da Uni\u00e3o Europeia, torna mais dif\u00edcil o acesso ao asilo, estabelece rejei\u00e7\u00f5es na fronteira, legalizando e financiando expuls\u00f5es imediatas e amplia o uso da deten\u00e7\u00e3o at\u00e9 a crian\u00e7as. Com o PEMA, pa\u00edses receptores que n\u00e3o desejem dar asilo pagar\u00e3o 20 mil euros por pessoa para encaminh\u00e1-la a outro pa\u00eds da UE, destinando esses fundos para deporta\u00e7\u00f5es e refor\u00e7o das fronteiras. Longe de resolver a crise migrat\u00f3ria europeia, o PEMA acaba por legitimar a repress\u00e3o e a morte dos imigrantes no Mediterr\u00e2neo, que no ano de 2024 j\u00e1 somam mais de 5 mil.<\/p>\n\n\n\n<p>A UE e seus governos nacionais, fortalece e reprime os movimentos sociais e da classe trabalhadora. O exemplo mais recente \u00e9 a repress\u00e3o \u00e0s lutas pr\u00f3 Palestina na Fran\u00e7a e na Alemanha. A UE d\u00e1 apoio e d\u00e1 cobertura para o genoc\u00eddio em Gaza, enquanto reprime os que protestam contra. Por outro lado, continuam com o discurso de apoio \u00e0 Ucr\u00e2nia, mas sem fornecer as armas necess\u00e1rias para que esta derrote a invas\u00e3o russa.<\/p>\n\n\n\n<p>A hipocrisia europeia \u00e9 muito n\u00edtida, a dignidade humana, a liberdade, os direitos humanos, a democracia e o estado de direito, afinal eram s\u00f3 para alguns poucos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Antes da extrema-direita, a virada \u00e0 esquerda no p\u00f3s 2008<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Antes da extrema-direita come\u00e7ar a ganhar peso eleitoral na Europa, houve um importante processo de contesta\u00e7\u00e3o no continente. A classe trabalhadora e a juventude fizeram fortes mobiliza\u00e7\u00f5es contra as medidas de austeridade impostas pela grande burguesia. Ocorreram dezenas de greves gerais, manifesta\u00e7\u00f5es e acampadas, de onde nasceram o 15M e os Indignados.<\/p>\n\n\n\n<p>Este processo significou um giro \u00e0 esquerda no continente, fazendo com que for\u00e7as como Syriza, Podemos e Bloco de Esquerda ganhassem muito peso eleitoral. Por\u00e9m o que fizeram essas dire\u00e7\u00f5es com a esperan\u00e7a que conseguiram canalizar? A linha de \u201clevar a luta ao voto\u201d significou depositar as fichas da mobiliza\u00e7\u00e3o exclusivamente na luta parlamentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Gr\u00e9cia o governo do Syriza foi um grande exemplo de trai\u00e7\u00e3o, rapidamente deixaram de lado o programa com o qual foram eleitos para ceder \u00e0s press\u00f5es da Troika, passando por cima at\u00e9 do resultado do referendo de julho de 2015 que disse n\u00e3o ao termos da Troika. O Podemos no Estado Espanhol e o Bloco de Esquerda em Portugal, optaram por dar apoio parlamentar aos governos do PSOE e PS, lutando por migalhas via parlamento, enquanto a crise social se acentuava. N\u00e3o podemos compreender o peso da extrema-direita hoje sem compreender a desilus\u00e3o que significaram a trai\u00e7\u00e3o destes partidos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A extrema-direita, como reflexo pol\u00edtico da decad\u00eancia capitalista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nestas elei\u00e7\u00f5es europeias, a extrema-direita foi a for\u00e7a pol\u00edtica mais votada na It\u00e1lia, Fran\u00e7a, Hungria, B\u00e9lgica, \u00c1ustria e Pol\u00f3nia, e a segunda for\u00e7a na Alemanha e Holanda. Ainda que tenha crescido menos que o esperado, a extrema-direita alcan\u00e7ou um pouco mais de 20% dos votos totais nas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O exemplo da Fran\u00e7a \u00e9 importante. O imperialismo franc\u00eas vive uma forte crise com os processos nos pa\u00edses do Sahel e os mais recentes protestos na Nova Caled\u00f4nia, que colocam o seu projeto neocolonial em cheque. Neste contexto, o partido de Le Pen, o Reuni\u00e3o Nacional (RN), venceu pela terceira vez consecutiva uma elei\u00e7\u00e3o europeia e se tornou o partido com mais deputados no Parlamento Europeu. O partido de Macron teve menos de 15% dos votos. Este resultado causou um terremoto pol\u00edtico, levando Macron a convocar elei\u00e7\u00f5es legislativas de emerg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o temos d\u00favida de que o crescimento da extrema-direita pode acentuar ainda mais o car\u00e1ter repressivo e reacion\u00e1rio da UE. A pr\u00f3pria Von der Leyen, j\u00e1 fala numa extrema-direita boa, apoiada na Meloni da It\u00e1lia, que pode ser parte da base governativa europeia, legitimando assim as suas propostas xen\u00f3fobas e racistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Perante a crise do projeto europeu, que tem como consequ\u00eancia a deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida de milh\u00f5es de pessoas, combinado com um nacionalismo xen\u00f3fobo crescente e incentivado pelas pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es europeias, n\u00e3o nos surpreende que se fortale\u00e7am for\u00e7as pol\u00edticas como a extrema-direita, financiadas inclusive por setores da grande burguesia. O discurso demag\u00f3gico antissistema, combinado com a crise da dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da classe trabalhadora, acabam por empalmar num setor da nossa classe e numa classe m\u00e9dia descontente e sem alternativa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Retomar a Frente Popular n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na Fran\u00e7a, perante a convocat\u00f3ria de novas elei\u00e7\u00f5es, foi anunciada uma coaliza\u00e7\u00e3o por uma nova \u201cFrente Popular\u201d, composta pelos Verdes, o PCF, a Fran\u00e7a Insubmissa e o PS. Citam como refer\u00eancia a experi\u00eancia da Frente Popular de 1936 com L\u00e9on Blum, com o PS e o PCF. V\u00e1rios partidos da esquerda europeia comemoraram logo a \u201cuni\u00e3o\u201d, referindo-se aos importantes avan\u00e7os sociais conquistados durante o governo de Blum. O que fingem esquecer \u00e9 que a Fran\u00e7a vivia neste per\u00edodo um forte processo revolucion\u00e1rio e a Frente Popular acabou por servir de conten\u00e7\u00e3o para este&nbsp; processo. A desmoraliza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora levou a queda do governo em 1938 que foi substitu\u00eddo pelo governo conservador de Daladier, que tamb\u00e9m compunha a Frente Popular. Esquecem-se tamb\u00e9m que o pr\u00f3prio Mitterrand foi eleito em 1981 a partir de uma frente entre o PS e o PCF. Evidentemente a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Fran\u00e7a de hoje \u00e9 completamente distinta de 1936 e as pr\u00f3prias dire\u00e7\u00f5es que antes tinham muito peso nas organiza\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora, hoje t\u00eam muito menos, fazendo com esta Frente Popular de agora seja ainda mais burguesa e muito menos assente nas mobiliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Nitidamente n\u00e3o retiraram li\u00e7\u00f5es dos processos anteriores. O grande problema para a esquerda reformista \u00e9 que n\u00e3o v\u00ea horizonte para al\u00e9m das chamadas \u201cfor\u00e7as democr\u00e1ticas\u201d que, assim como o capitalismo, est\u00e3o cada vez mais decadentes, negando-se a apontar uma sa\u00edda independente para a classe trabalhadora. Ao mesmo tempo em que se negam a jogar peso na constru\u00e7\u00e3o da unidade nas lutas que possa de fato enfrentar os ataques dos governos e a extrema-direita. \u00c9 deste vazio que se alimenta a extrema-direita, que coincide com a decad\u00eancia cada vez maior do capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>A solu\u00e7\u00e3o passa por afirmar uma alternativa pol\u00edtica da classe trabalhadora, a \u00fanica que pode solucionar a crise social que vivemos, apresentando um programa para que ela seja a dirigente de um projeto social alternativo, para al\u00e9m do capitalismo falido. \u00c9 preciso construir a mobiliza\u00e7\u00e3o e a organiza\u00e7\u00e3o independente da classe trabalhadora e da juventude, chamar a unidade para lutar e combater a precariedade e os baixos sal\u00e1rios, enfrentando o pacto de imigra\u00e7\u00e3o e asilo, assim como a xenofobia e o racismo. Afirmar a necessidade da luta pela reorganiza\u00e7\u00e3o da economia para combater a desigualdade e a cat\u00e1strofe ambiental. \u00c9 preciso afirmar que dentro da UE dos ricos n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda, que a solu\u00e7\u00e3o passa pela constru\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a revolucion\u00e1ria e socialista alternativa, que defenda uma Europa dos trabalhadores e dos povos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito se tem falado sobre o resultado das elei\u00e7\u00f5es europeias. Que conclus\u00f5es retirar de uma elei\u00e7\u00e3o onde ganha a direita e a extrema-direita cresce em v\u00e1rios pa\u00edses e no pr\u00f3prio parlamento? Vale lembrar que desde as \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, em 2019, muita coisa se passou na Europa: a pandemia, a guerra na Ucr\u00e2nia, a volta da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":79066,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3677],"tags":[7494,1657],"class_list":["post-79065","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-europa-mundo","tag-eleicoes-europeias","tag-joana-salay"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Europa.jpg","categories_names":["Europa"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79065","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79065"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79065\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":79067,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79065\/revisions\/79067"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79066"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79065"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79065"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79065"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}