{"id":78947,"date":"2024-05-24T20:23:08","date_gmt":"2024-05-24T20:23:08","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78947"},"modified":"2024-05-24T20:35:58","modified_gmt":"2024-05-24T20:35:58","slug":"apelo-a-solidariedade-com-o-movimento-pelos-direitos-do-povo-de-jammu-caxemira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/05\/24\/apelo-a-solidariedade-com-o-movimento-pelos-direitos-do-povo-de-jammu-caxemira\/","title":{"rendered":"Apelo \u00e0 solidariedade com o movimento pelos direitos do povo de Jammu e Caxemira"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Apelamos \u00e0s nacionalidades oprimidas, aos estudantes, \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos, sindicais, \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es de mulheres, \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es de agricultores e aos socialistas internacionais no Paquist\u00e3o, na \u00cdndia e no mundo para que apoiem o Movimento pelos Direitos do Povo de Jammu Caxemira, na Caxemira administrada pelo Paquist\u00e3o. Suas reivindica\u00e7\u00f5es centrais s\u00e3o o fornecimento de eletricidade com base no custo de produ\u00e7\u00e3o das usinas hidrel\u00e9tricas, os subs\u00eddios \u00e0 farinha de trigo e a aboli\u00e7\u00e3o dos privil\u00e9gios da classe dominante.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Acreditamos que as formas como as massas populares expressaram sua interven\u00e7\u00e3o consciente nesse movimento s\u00e3o extraordin\u00e1rias. Definitivamente, este movimento n\u00e3o se limita \u00e0 \u00e1rea de Jammu e Caxemira, administrada pelo Paquist\u00e3o. Dada a natureza das reivindica\u00e7\u00f5es, trata-se de um movimento anti-imperialista. Isso porque o imperialismo \u00e9 o senhor pol\u00edtico e econ\u00f4mico do sistema. \u00c9 tamb\u00e9m um dos principais acionistas dos grandes projetos hidrel\u00e9tricos de Mangla e Neelum Jhelum, na produ\u00e7\u00e3o dos quais investiram empresas brit\u00e2nicas, americanas, francesas e chinesas. Por conseguinte, \u00e9 necess\u00e1rio ser solid\u00e1rio com este movimento de massas e apoiar o povo de Jammu Caxemira.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Detalhes e nossa posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 10 de maio, o Comit\u00ea Conjunto de A\u00e7\u00e3o de Massas (JAAC) convocou uma paralisa\u00e7\u00e3o total e um bloqueio de caminhos contra a repress\u00e3o policial e incurs\u00f5es noturnas em v\u00e1rias \u00e1reas das divis\u00f5es Muzaffarabad e Mirpure, onde v\u00e1rios de seus l\u00edderes e ativistas foram tinham sido pela pol\u00edcia. Aconteceu enfrentamentos quando a pol\u00edcia usou um intenso bombardeio de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo e atirou pedras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No m\u00eas passado, o Comit\u00ea anunciou que no s\u00e1bado, 11 de maio, pessoas de todo o estado empreenderiam uma longa marcha para Muzaffarabad, exigindo o fornecimento de eletricidade de acordo com o custo de produ\u00e7\u00e3o das usinas hidrel\u00e9tricas, subs\u00eddios para a farinha de trigo e a aboli\u00e7\u00e3o dos privil\u00e9gios da classe dominante.<\/p>\n\n\n\n<p>Como pano de fundo: o Comit\u00ea de A\u00e7\u00e3o Conjunta Awami realizou uma greve de lockout em agosto do ano passado com essas mesmas reivindica\u00e7\u00f5es. Desde ent\u00e3o, houve di\u00e1logos entre o governo e os dirigentes da JAAC. Em dezembro passado, o governo formou um comit\u00ea oficial de concilia\u00e7\u00e3o, que chegou a um acordo entre ambas as partes em 4 de fevereiro de 2024. Mas, embora o governo tenha emitido o aviso posteriormente, n\u00e3o deu continuidade ao acordo. O Comit\u00ea Conjunto de A\u00e7\u00e3o de Massas foi ent\u00e3o criticado pelos Comit\u00eas de A\u00e7\u00e3o de Massas subordinados por ser t\u00e3o indulgente com o governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Como consequ\u00eancia, em abril, o Comit\u00ea anunciou a longa marcha em 11 de maio para protestar contra o &#8220;n\u00e3o cumprimento dos compromissos escritos&#8221; do governo. Na capital do estado e em outros distritos, eclodiram confrontos entre a pol\u00edcia e os manifestantes, que depois se tornaram violentos: a pol\u00edcia disparou g\u00e1s lacrimog\u00eaneo contra manifestantes pac\u00edficos e a viol\u00eancia policial provocou repres\u00e1lias a pedradas. Manifesta\u00e7\u00f5es foram realizadas em v\u00e1rias cidades, onde as pessoas prometeram continuar a luta por seus direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e1bado (11), violentos confrontos eclodiram entre policiais e ativistas pelos direitos em toda a regi\u00e3o, em meio ao bloqueio de caminhos e a greve de lockdown, com um policial morto e mais de 90 feridos, segundo diversas fontes do governo. Milhares de manifestantes ficaram feridos. O policial e vice-inspetor Adnan Qureshi sucumbiu aos ferimentos ap\u00f3s ser baleado no peito na cidade de Islamgarh, onde estava estacionado junto com outros policiais para impedir que a manifesta\u00e7\u00e3o seguisse para Muzaffarabad via Kotli.<\/p>\n\n\n\n<p>Desta vez, os l\u00edderes e trabalhadores do Movimento dos Direitos do Povo parecem mais entusiasmados, corajosos e organizados do que nos dias anteriores. Os membros das caravanas cuidam uns dos outros. Em todas as cidades e bairros pobres, as caravanas s\u00e3o calorosamente recebidas e lhes s\u00e3o oferecidas comida e bebida. As pessoas usam a m\u00fasica e o Bhangra (dan\u00e7a) para inflamar seus sentimentos, emo\u00e7\u00f5es, pensamentos e coragem para participar do movimento sem medo do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Caxemira administrada pelo Paquist\u00e3o, a maioria das pessoas elogiava o Paquist\u00e3o por motivos culturais e religiosos at\u00e9 alguns anos atr\u00e1s. Acreditavam e seguiam a narrativa estabelecida pelo Estado paquistan\u00eas atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o, da arte e da m\u00eddia. Durante d\u00e9cadas, a cultura, a religi\u00e3o e o amor \u00e0 p\u00e1tria foram debatidos pela m\u00eddia a tal ponto que, se algu\u00e9m fizesse perguntas para entender essas quest\u00f5es, seria considerado um inimigo do Estado. At\u00e9 alguns anos atr\u00e1s, os trabalhadores sofriam uma lavagem cerebral t\u00e3o grande que a classe dominante n\u00e3o tinha problemas em perseguir seus interesses. O chauvinismo anti-indiano era o n\u00facleo do que se vendia \u00e0s massas. Mas a nova gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 sentiu o fedor do chauvinismo presenteado por seus ancestrais, mas tamb\u00e9m est\u00e1 vendo a mudan\u00e7a social como uma cura.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise econ\u00f4mica global de 2007-09, a guerra na Ucr\u00e2nia e a agress\u00e3o israelense contra a Palestina tamb\u00e9m desempenharam um papel importante. Quando o capitalismo mundial teve que lidar com a crise econ\u00f4mica, a condi\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds em desenvolvimento como o Paquist\u00e3o piorou muito. A classe dominante deste pa\u00eds sempre desempenhou o papel de Estado rentista para os EUA por causa de sua import\u00e2ncia estrat\u00e9gica. A estrutura social foi mantida de tal forma que todos os estratos do feudalismo, patriarcado religioso, capitalismo e capitalismo rural se misturavam, sempre liderados pelo establishment.<\/p>\n\n\n\n<p>A for\u00e7a com mais autoridade no Paquist\u00e3o depois do imperialismo \u00e9 a burguesia institucional, cujo capital est\u00e1 ligado ao capital imperial. \u00c9 essa burguesia que continua usando diferentes partidos como papel de seda, dependendo do momento e do humor do p\u00fablico. \u00c9 a burguesia que elege governantes que seguem pol\u00edticas neoliberais e pr\u00f3-imperialistas. Mas, nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, os interesses do imperialismo norte-americano se deslocaram para a \u00cdndia devido \u00e0 quest\u00e3o da Caxemira. Isso porque a \u00cdndia \u00e9 um mercado maior e mais importante para o imperialismo; n\u00e3o s\u00f3 desempenha um papel importante na divis\u00e3o do trabalho, mas tamb\u00e9m \u00e9 um importante fornecedor de m\u00e3o de obra barata, que abriu o mercado em termos e condi\u00e7\u00f5es muito baixos.<\/p>\n\n\n\n<p>No passado recente, o Estado paquistan\u00eas continuou a servir ao imperialismo norte-americano como um Estado subordinado. No entanto, como sua import\u00e2ncia agora diminuiu, o imperialismo dos EUA n\u00e3o se op\u00f4s \u00e0 \u00cdndia quanto a acabar com o status especial da Caxemira, mas formalmente permitiu que as elites governantes do Paquist\u00e3o continuassem a fazer discursos na ONU, a fim de continuar a enganar seu povo. Isso simplesmente derivou, em 5 de agosto de 2019, em que o governo Modi aboliu de sua Constitui\u00e7\u00e3o o status especial de Jammu e Caxemira. Por tr\u00e1s desse controle estava o asharbad imperialista (retaguarda), que havia avisado previamente o Paquist\u00e3o sobre esse desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O Paquist\u00e3o, que no passado continuou jurando hastear a bandeira paquistanesa no Forte Vermelho de Delhi, n\u00e3o apenas ficou em sil\u00eancio com o ato da \u00cdndia, mas tamb\u00e9m alertou o povo da Caxemira administrada pelo Paquist\u00e3o para ficar calado. Alguns de seus X-pros tentaram cruzar a linha e foram detidos perto da Linha de Controle. Finalmente, para salvar sua reputa\u00e7\u00e3o junto \u00e0s massas, a ONU voltou a colocar-se no meio. Os nacionalistas n\u00e3o sabem o que s\u00e3o as Na\u00e7\u00f5es Unidas? Ent\u00e3o, os nacionalistas e revolucion\u00e1rios restantes formaram outra coaliz\u00e3o chamada Alian\u00e7a Nacional do Povo (NPA), que discutiu abertamente a duplicidade do Estado paquistan\u00eas, alegando que o Paquist\u00e3o n\u00e3o era um parceiro do nosso movimento, mas um ocupante.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta foi uma a\u00e7\u00e3o muito correta, uma vez que ambos pa\u00edses est\u00e3o ocupando e detendo os caxemires tra\u00e7ando uma linha de ambos os lados. E, portanto, o povo da Caxemira ocupada pelo Paquist\u00e3o deve lutar contra a ocupa\u00e7\u00e3o direta pelo Estado paquistan\u00eas. Mas a lideran\u00e7a da AP continuou a usar linhas de fronteira confusas com centraliza\u00e7\u00e3o extrema sem apresentar um programa s\u00f3lido, \u00e0s vezes empoderando a Assembleia Legislativa, \u00e0s vezes combinando a Caxemira administrada pelo Paquist\u00e3o e Gilgit-Baltist\u00e3o na Assembleia Constituinte, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Grande parte da lideran\u00e7a dessa coaliz\u00e3o fugia dos debates e discuss\u00f5es entre os quadros. O principal motivo era a mesma l\u00f3gica para atender \u00e0s demandas de unidade, liberdade e revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica nacional junto aos l\u00edderes da Assembleia Legislativa. A ANP n\u00e3o conseguiu evacuar mais pessoas. Alguns milhares chegaram a Muzaffarabad; em 22 de outubro de 2019, o Estado os torturou severamente. Esse processo n\u00e3o s\u00f3 desmoralizou a juventude, como exp\u00f4s completamente as lideran\u00e7as e, depois disso, todos os partidos dessa alian\u00e7a continuaram a desmoronar.<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento atual \u00e9 liderado majoritariamente por jovens que de uma forma ou de outra t\u00eam associa\u00e7\u00f5es anteriores ou existentes com a resist\u00eancia. Inclui aqueles que h\u00e1 muito lutam na Caxemira administrada pelo Paquist\u00e3o contra o fim da ocupa\u00e7\u00e3o, a pilhagem de recursos, o desemprego e a infla\u00e7\u00e3o pelos dois pa\u00edses ocupantes, Paquist\u00e3o e \u00cdndia. A maioria s\u00e3o jovens que se juntaram a seus grupos nacionalistas ou progressistas e est\u00e3o fartos da pol\u00edtica oscilante. \u00c9 verdade que estes jovens n\u00e3o t\u00eam um caminho n\u00edtido, mas continuam a resistir. \u00c9 por isso que as massas est\u00e3o com eles. As massas anseiam vingar-se por d\u00e9cadas de priva\u00e7\u00e3o; querem curar suas dores e sofrimentos passados. Nunca antes se havia visto o grau de \u00f3dio que sentem em rela\u00e7\u00e3o aos governantes locais.<\/p>\n\n\n\n<p>Entendemos que h\u00e1 enormes falhas nessa agita\u00e7\u00e3o social. A debilidade mais importante diz respeito \u00e0 quest\u00e3o de quando a interven\u00e7\u00e3o p\u00fablica nos eventos hist\u00f3ricos deve ocorrer; para tanto, \u00e9 importante estudar as refer\u00eancias hist\u00f3ricas das \u00e9pocas em que as massas queriam lutar em bases militantes e revolucion\u00e1rias. Agora est\u00e3o passando de um movimento para conquistar direitos para outro com consignas de liberdade, independ\u00eancia e revolu\u00e7\u00e3o. Devemos lembrar que n\u00e3o s\u00e3o as priva\u00e7\u00f5es de hoje contra as quais o povo se levantou, mas d\u00e9cadas de priva\u00e7\u00f5es toleradas at\u00e9 hoje. Portanto, \u00e9 preciso lutar enquanto se avan\u00e7a no programa.<\/p>\n\n\n\n<p>A desobedi\u00eancia civil foi convocada h\u00e1 muito tempo pelas massas populares porque, embora o povo considere os governantes do Paquist\u00e3o como ocupantes, consideram os representantes da Assembleia Legislativa outorgada pelo Paquist\u00e3o como s\u00f3cios iguais. Esta \u00e9 a assembleia que at\u00e9 agora n\u00e3o deu liberdade de express\u00e3o e registro aos caxemires. Ao participarem nas elei\u00e7\u00f5es para a assembleia, n\u00e3o podem sequer apresentar documentos relativos \u00e0 independ\u00eancia de Jammu Caxemira, mas primeiro t\u00eam de jurar que Jammu Caxemira se converter\u00e1 no Paquist\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante 76 anos, a classe dominante do Paquist\u00e3o tem enganado o povo com que, usando sua Caxemira ocupada como acampamento base, lutar\u00e3o pela Caxemira por milhares de anos. A principal raz\u00e3o para manter viva a quest\u00e3o de Caxemira \u00e9 saquear os recursos do Paquist\u00e3o e, por outro lado, despertar os sentimentos das massas paquistanesas. Para isso, os meios de comunica\u00e7\u00e3o social paquistaneses e os programas de estudo desempenharam um papel importante. A burguesia institucional paquistanesa, que \u00e9 o principal ator no Paquist\u00e3o, manteve a maior parte dos recursos do Paquist\u00e3o sob seu controle, criando in\u00fameras institui\u00e7\u00f5es desde o nascimento do Paquist\u00e3o, mantendo um acordo com os Estados Unidos, mas em nome da defesa da Caxemira, usando uma parte significativa do or\u00e7amento do pa\u00eds, principalmente em nome da defesa. O Paquist\u00e3o esteve virtualmente sob lei marcial em quatro ocasi\u00f5es, e o resto do pa\u00eds permaneceu sob o controle do regime bonapartista, o que significa que historicamente os regimes pol\u00edticos fugitivos permaneceram com a elite militar.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta elite militar e a sua elite pol\u00edtica marginal nunca permitiram qualquer desenvolvimento dentro da Caxemira, sempre alegando a justifica\u00e7\u00e3o de que a Caxemira \u00e9 uma \u00e1rea remota\/dividida cujo futuro ainda est\u00e1 por decidir. Embora pudesse haver um bom turismo nesta terra de belas montanhas, florestas, rios e cachoeiras, isso n\u00e3o era permitido, porque se houvesse turismo, como as fam\u00edlias dos militares passariam suas f\u00e9rias de ver\u00e3o em um ambiente t\u00e3o tranquilo?<\/p>\n\n\n\n<p>A ind\u00fastria poderia ter sido instalada em Jammu Kashmir, mas n\u00e3o foi permitida porque, se a ind\u00fastria tivesse sido instalada, mais de 20 a 30 milh\u00f5es de pessoas que migraram para outros pa\u00edses em busca de emprego n\u00e3o estariam dispon\u00edveis para sua explora\u00e7\u00e3o l\u00e1. Usinas hidrel\u00e9tricas foram instaladas em Jammu Kashmir, gerando atualmente entre 4.000 e 5.000 megawatts de eletricidade, que atingir\u00e3o entre 8.000 e 10.000 megawatts nos pr\u00f3ximos tr\u00eas a cinco anos. A maioria dos trabalhadores que participam deste processo de produ\u00e7\u00e3o nem sequer pertencem \u00e0 Caxemira, por isso a demanda total de eletricidade na Caxemira (cerca de 385 megawatts) est\u00e1 sendo suprida de forma muito escassa. Os governantes da Caxemira administrada pelo Paquist\u00e3o atribuem toda a responsabilidade ao Paquist\u00e3o Wapda e o Paquist\u00e3o Wapda devolve-a a estes incompetentes governantes da Caxemira.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Acordo de Shimla baseado na divis\u00e3o da Caxemira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a divis\u00e3o prim\u00e1ria da Caxemira come\u00e7ou com a divis\u00e3o do subcontinente, quando o povo de Jammu Caxemira estava ocupado com impostos desnecess\u00e1rios e a luta pela liberdade, que j\u00e1 havia come\u00e7ado antes da divis\u00e3o do subcontinente. O movimento foi t\u00e3o intenso que o governante de Jammu Caxemira, o maraj\u00e1 Hari Singh, estava disposto a dar mais concess\u00f5es \u00e0s massas com toda a sua crueldade e opress\u00e3o, mas em outubro de 1948, o Paquist\u00e3o interveio a mando do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico e trouxe um grande n\u00famero de tribais. Isso justificou o maraj\u00e1 pedir ajuda \u00e0 \u00cdndia, para a qual a \u00cdndia j\u00e1 estava preparada. Como \u00e9 poss\u00edvel que, ap\u00f3s a divis\u00e3o do subcontinente, os governantes de ambos os pa\u00edses e do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico n\u00e3o estivessem a par da divis\u00e3o da Caxemira? Os ex\u00e9rcitos de ambos os pa\u00edses continuaram a ser treinados pelos comandantes imperialistas. Acreditamos que foi um movimento estrat\u00e9gico da antiga Gr\u00e3-Bretanha imperial e do imperialismo emergente, que tamb\u00e9m explorou a Caxemira. N\u00e3o s\u00f3 foi saqueado pelas elites de ambos os pa\u00edses, mas ao manter a quest\u00e3o da Caxemira na ONU, o imperialismo tamb\u00e9m defendeu seus interesses estrat\u00e9gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1971, houve uma guerra entre a \u00cdndia e o Paquist\u00e3o, na qual o Paquist\u00e3o ficou traumatizado e a \u00cdndia deteve cerca de 93.000 soldados paquistaneses. Ambos os pa\u00edses declararam que se tratava de um assunto privado, e as pot\u00eancias internacionais Am\u00e9rica e R\u00fassia tamb\u00e9m apoiaram significativamente este acordo, enquanto os herdeiros originais da quest\u00e3o, o povo da Caxemira, foram exclu\u00eddos desta decis\u00e3o. Assim, a quest\u00e3o da Caxemira foi exclu\u00edda das Na\u00e7\u00f5es Unidas e tornou-se um assunto privado para ambos os pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a \u00cdndia estava do lado sovi\u00e9tico, os EUA precisavam urgentemente do Paquist\u00e3o, n\u00e3o apenas com a ajuda do Paquist\u00e3o na guerra contra a R\u00fassia no Afeganist\u00e3o, mas tamb\u00e9m na Caxemira. Continuou ajudando nas atividades armadas contra a \u00cdndia, mas a R\u00fassia mudou para a economia de livre mercado. Ao faz\u00ea-lo, a situa\u00e7\u00e3o mudou. O imperialismo estadunidense, como \u00fanica superpot\u00eancia, mudou suas pol\u00edticas para muitos Estados em favor de seus objetivos econ\u00f4micos e estrat\u00e9gicos dentro de cada regi\u00e3o. Por um lado, a \u00cdndia \u00e9 um mercado de m\u00e3o-de-obra barata e demandada, que se tornou um estado metropolitano devido \u00e0 divis\u00e3o do trabalho. Por outro lado, os EUA precisavam de um aliado contra a emergente China imperialista, para a qual a vizinha \u00cdndia era a melhor op\u00e7\u00e3o para manter a China sob constante press\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O papel do movimento atual<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 explicamos os antecedentes desse movimento como uma continua\u00e7\u00e3o dos movimentos anteriores. Mas \u00e0s vezes o que pode levar d\u00e9cadas para se desenvolver pode ser realizado em dias. Isto est\u00e1 acontecendo n\u00e3o s\u00f3 na Caxemira administrada pelo Paquist\u00e3o; esse movimento tamb\u00e9m inspirou os trabalhadores do Paquist\u00e3o para converter a fome dada a eles pelos governantes e sua suposta liberdade em autonomia real. O movimento na Caxemira administrada pelo Paquist\u00e3o, em geral, \u00e9 um movimento geral contra o aumento dos pre\u00e7os ao consumidor e, especialmente, da eletricidade, e contra os governantes. O significado \u00e9 definitivamente n\u00e3o apenas desafiar os governantes do Paquist\u00e3o, mas tamb\u00e9m resistir aos governantes da Caxemira administrada pelo Paquist\u00e3o, que h\u00e1 muito saqueiam os recursos de Jammu Caxemira a mando da classe dominante paquistanesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de chegar ao poder, eles adquiriram in\u00fameras propriedades em Jammu Caxemira, Paquist\u00e3o e pa\u00edses estrangeiros, onde os filhos desses governantes recebem educa\u00e7\u00e3o superior em universidades nos Estados Unidos, Canad\u00e1 e Reino Unido. Eles tamb\u00e9m cuidam de seus pr\u00f3prios neg\u00f3cios l\u00e1 e depois voltam de uma maneira melhor e s\u00e3o eleitos para a Assembleia Legislativa mentindo para as massas, a fim de proteger a riqueza obtida por seus pais e obter mais fontes de riqueza. Para se ter uma no\u00e7\u00e3o desse espet\u00e1culo, veja os descendentes dos governantes da atual Assembleia, que venceram as elei\u00e7\u00f5es para a Assembleia Legislativa com as pol\u00edticas de laissez-faire do establishment e est\u00e3o sentados como ministros. Que prova a mais precisamos da \u00e2nsia de riqueza e gan\u00e2ncia desses governantes?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel confiar nesses governantes da Assembleia Legislativa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se analisarmos honestamente a evolu\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia pol\u00edtica dos atuais governantes, a maior li\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria de Jammu e Caxemira ser\u00e1 que nunca se deve confiar nesses governantes. O antigo partido pol\u00edtico de Jammu e Caxemira era conhecido como a Confer\u00eancia Mu\u00e7ulmana. Desde a sua cria\u00e7\u00e3o, tem sido leal&#8230; primeiro \u00e0 Liga Mu\u00e7ulmana e depois ao Paquist\u00e3o. A posi\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes da Confer\u00eancia Mu\u00e7ulmana foi criada de tal forma que o p\u00fablico desse exemplos da honestidade e simplicidade de seus l\u00edderes. Os governantes do Paquist\u00e3o foram apresentados como irm\u00e3os mais velhos. Baniga Caxemira (convertida) costumava dar import\u00e2ncia \u00e0 narrativa do Paquist\u00e3o para que, por um lado, aproveitassem a simplicidade do povo para usurpar recursos e, por outro, os governantes do Paquist\u00e3o, especialmente a burguesia institucional Asharbad (retaguarda).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas como as mudan\u00e7as que ocorrem na sociedade tamb\u00e9m est\u00e3o sujeitas \u00e0s leis da ci\u00eancia, \u00e0 medida que a consci\u00eancia humana se desenvolve, continua questionando o velho e buscando o novo. Quando as massas de Jammu e Caxemira come\u00e7aram uma s\u00e9rie de questionamentos, in\u00fameras f\u00f3rmulas surgiram em virtude das quais Gilgit-Baltistan e a chamada Caxemira Azad (Livre) se inclu\u00edam na posse do Paquist\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel que se acrescente territ\u00f3rio ao Paquist\u00e3o. Portanto, a f\u00f3rmula da lideran\u00e7a da Confer\u00eancia Mu\u00e7ulmana de incluir toda a Caxemira no Paquist\u00e3o era dif\u00edcil para a burguesia institucional. Por outro lado, a lideran\u00e7a da Confer\u00eancia Mu\u00e7ulmana girou em torno de Sardar Abdul Qayyum ap\u00f3s a sa\u00edda de Sardar Ibrahim Khan. Este cedeu a lideran\u00e7a de seu partido a seu filho, Sardar Atiq, a fim de estabelecer uma maior centraliza\u00e7\u00e3o ap\u00f3s ele. Como consequ\u00eancia, o resto da lideran\u00e7a do partido desconfiou dele e fundou o partido dos capitalistas do Paquist\u00e3o, a Liga Mu\u00e7ulmana-Nawaz.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo antes disso, o Partido Popular do Paquist\u00e3o foi lan\u00e7ado pelo l\u00edder do povo feudal, Zulfiqar Ali Bhutto. N\u00e3o s\u00f3 se uniu a lideran\u00e7a de primeiro n\u00edvel da Confer\u00eancia Mu\u00e7ulmana de Jammu Caxemira &nbsp;na forma de Sardar Ibrahim Khan, mas tamb\u00e9m numerosos nacionalistas, o importante l\u00edder que discutiu a quest\u00e3o de um referendo. KH Khurshid, ex-presidente de Jammu Caxemira, tamb\u00e9m mudou seu partido para o Partido Popular. Muitos stalinistas de Jammu Caxemira seguiram seus irm\u00e3os stalinistas paquistaneses e ca\u00edram aos p\u00e9s de Bhutto. Antes disso, foram os governantes liderados por Sardar Ibrahim Khan, que em outubro de 1949 assinou um acordo com os governantes do Paquist\u00e3o em Karachi para completar seu trabalho e entregou uma parte significativa de Jammu Caxemira (Gilgit-Baltistan) para que ficasse sob controle total do Paquist\u00e3o. Como a demografia da importante regi\u00e3o estrat\u00e9gica mudou, aproveitando-se disso, est\u00e3o sendo feitos planos para transformar a respectiva regi\u00e3o em uma prov\u00edncia do Paquist\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, \u00e9 importante n\u00e3o confiar nos representantes da Assembleia Legislativa, dadas as experi\u00eancias passadas. A principal raz\u00e3o \u00e9 que eles se tornaram t\u00e3o ricos que h\u00e1 uma enorme diferen\u00e7a entre seu padr\u00e3o de vida e o das pessoas comuns. Todas as provas da corrup\u00e7\u00e3o que cometeram para enriquecer s\u00e3o guardadas pela classe dirigente, de modo que nenhum deles pode exercer qualquer atividade econ\u00f4mica ou pol\u00edtica sem a aprova\u00e7\u00e3o da classe dirigente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que esses governantes usar\u00e3o os mesmos alimentos, os mesmos pre\u00e7os da eletricidade, o mesmo tratamento familiar e a mesma educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as para que algum tipo de alian\u00e7a possa ser feita com eles?<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, \u00e9 importante organizar o movimento nas camadas das massas populares sem confiar nesses governantes!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Papel da Classe M\u00e9dia\/Pequenos Empres\u00e1rios no Movimento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por classe m\u00e9dia queremos dizer pequenos empres\u00e1rios que administram seus neg\u00f3cios com poucos funcion\u00e1rios; tamb\u00e9m est\u00e3o inclu\u00eddos gerentes de bancos, m\u00e9dicos bem remunerados, advogados e funcion\u00e1rios de n\u00edvel m\u00e9dio. Atualmente, a classe m\u00e9dia em Jammu Kashmir, especialmente os pequenos comerciantes, est\u00e3o sofrendo com dificuldades extremas, por isso fazem parte do movimento. Os impostos est\u00e3o calculados. Devido \u00e0 infla\u00e7\u00e3o, as pessoas comuns s\u00e3o for\u00e7adas a ser regradas ao comprar e vender, o que tem causado dificuldades para os pequenos comerciantes. As lojas de departamento, onde tudo est\u00e1 dispon\u00edvel com descontos especiais, t\u00eam sido um grande inc\u00f4modo para os pequenos varejistas. Eles s\u00e3o for\u00e7ados a dar mercadorias a cr\u00e9dito, e onde nunca esperam dinheiro de volta dos clientes devido \u00e0 crise econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, h\u00e1 crises em todos os setores. As pessoas preferem passar dias inteiros em filas nos hospitais p\u00fablicos para evitar honor\u00e1rios de m\u00e9dicos privados, receitas pesadas e exames. As pessoas reduziram suas idas a delegacias e tribunais para n\u00e3o terem que enfrentar advogados e ju\u00edzes. As pessoas passaram a conhecer a realidade da justi\u00e7a educacional a tal ponto que at\u00e9 gastar um pouco com a educa\u00e7\u00e3o de seus filhos parece um desperd\u00edcio. Os trabalhadores est\u00e3o cansados de pagar impostos sobre seus sal\u00e1rios. A classe m\u00e9dia semicolonial est\u00e1 espremida pela infla\u00e7\u00e3o e seus encargos trabalhistas e, portanto, se op\u00f5e ao grande capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas essa oposi\u00e7\u00e3o tem sido ora maior, ora menor. A classe m\u00e9dia de Jammu Kashmir, liderada por comerciantes e transportadores, resistiu em muitos distritos com o povo no in\u00edcio do Movimento dos Direitos do Povo. Agora, muitos deles s\u00e3o soldados oportunistas e interesseiros do Estado, que clamam por paz, mas participam da estrat\u00e9gia do Estado para sabotar greves e protestos. Essa an\u00e1lise foi feita pelo comandante do Ex\u00e9rcito Vermelho, Leon Trotsky, o segundo l\u00edder mais importante da Grande Revolu\u00e7\u00e3o Bolchevique do s\u00e9culo 20, depois de ver as mesmas manobras da classe m\u00e9dia. \u00c0 medida que os movimentos revolucion\u00e1rios se intensificam, a classe m\u00e9dia, por covardia e medo de perder algo, controla o equil\u00edbrio de poder. Se a classe oper\u00e1ria tomar o poder pela for\u00e7a, a classe m\u00e9dia oferece seus servi\u00e7os \u00e0 classe oper\u00e1ria, e se a classe dominante mantiver seu dom\u00ednio pela for\u00e7a, a classe m\u00e9dia voltar\u00e1 a sentar-se em seu colo. Portanto, \u00e9 importante que o povo obtenha o poder de controle; a classe m\u00e9dia, ent\u00e3o, vir\u00e1 em seu apoio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O fracasso das tend\u00eancias nacionalistas e socialistas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas nacionalistas e socialistas desempenharam o mesmo papel que os partidos tradicionais em ambas as partes de Jammu Caxemira. Continuaram a desempenhar as mesmas responsabilidades at\u00e9 certo ponto e tentaram resolver a quest\u00e3o condicionalmente. Ningu\u00e9m ofereceu uma solu\u00e7\u00e3o completa. Alguns a subordinaram \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o liberal e progressista da \u00cdndia, enquanto outros falaram da ades\u00e3o do estado de maioria mu\u00e7ulmana de Jammu Caxemira ao Paquist\u00e3o. Continuaram a considerar a ocupa\u00e7\u00e3o como um mal menor e inclusive disseram que o Paquist\u00e3o n\u00e3o era o ocupante, mas um amigo na luta pela liberdade contra a \u00cdndia.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns justificaram a ocupa\u00e7\u00e3o da \u00cdndia dizendo que, por causa da rendi\u00e7\u00e3o do Paquist\u00e3o em outubro de 1948, a \u00cdndia chegou a um acordo com o maraj\u00e1 Hari Singh na Caxemira e, portanto, o Paquist\u00e3o \u00e9 o ocupante. A \u00cdndia n\u00e3o \u00e9 um ocupante, segundo eles Jammu Caxemira era um feudo do Maharaj, e quando o povo comum se rebelou contra os impostos cru\u00e9is de seu feudo, n\u00e3o foi uma rebeli\u00e3o, mas uma conspira\u00e7\u00e3o externa do Paquist\u00e3o. Ao simplesmente ignorarem a revolta e o movimento popular, inclinam-se para o chamado secularismo da \u00cdndia. \u00c9 poss\u00edvel combater outro usurpador sob o comando de um usurpador?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que dizemos que Caxemira est\u00e1 ocupada por ambos os pa\u00edses. De fato, o Paquist\u00e3o interveio e sabotou o movimento do povo contra o maraj\u00e1 do asharbad (retaguarda) do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico, mantendo um grupo especial em Muzaffarabad, 5135 milhas quadradas de Jammu Caxemira. Fundou o governo provis\u00f3rio de Jammu Caxemira, administrado pelo Paquist\u00e3o, consistindo nas divis\u00f5es de Poonch e Mirpur e, mais tarde, Gilgit-Baltistan, cujo controle foi cedido pelo Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico ao Maraj\u00e1. Ap\u00f3s a divis\u00e3o do subcontinente, o Paquist\u00e3o ocupou-o em 1949. E ent\u00e3o, para tornar essa ocupa\u00e7\u00e3o permanente, em 28 de abril de 1949, assinou o Acordo de Karachi com o governo interino de Jammu Kashmir, administrado pelo Paquist\u00e3o de sua pr\u00f3pria colheita.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste artigo tamb\u00e9m falaremos sobre alguns nacionalistas e revolucion\u00e1rios que falam sobre a independ\u00eancia e revolu\u00e7\u00e3o da Caxemira. Alguns deles falam de poder de massas com uma posi\u00e7\u00e3o muito confusa sobre as palavras de ordem da independ\u00eancia e da assembleia sempre existente. (Gilgit-Baltistan e a Caxemira administrada pelo Paquist\u00e3o receberiam uma assembleia constitucional.) Mas nunca apresentaram uma posi\u00e7\u00e3o n\u00edtida sobre como tudo isso acontecer\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>O resto dos revolucion\u00e1rios subordina a opress\u00e3o nacional \u00e0 explora\u00e7\u00e3o [de classe] e condiciona a pol\u00edtica das quest\u00f5es e a solu\u00e7\u00e3o do problema de Jammu Caxemira \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de uma federa\u00e7\u00e3o socialista do subcontinente; ou seja, solu\u00e7\u00f5es parciais e intermedi\u00e1rias n\u00e3o t\u00eam import\u00e2ncia para eles.<\/p>\n\n\n\n<p>O maior problema destas duas tend\u00eancias pol\u00edticas \u00e9 que veem as coisas de um ponto de vista muito centralizado, e nos seus partidos nunca \u00e9 dada import\u00e2ncia ao centralismo democr\u00e1tico. Por isso alguns quebram depois de cada ano e outros depois de d\u00e9cadas. A c\u00fapula vai criando adeptos entre suas fileiras, em grande medida por meio de longos discursos ou livros de l\u00edderes selecionados. Assim, evoluem de partidos para empresas, de modo que o elemento resistido desconfia delas e organiza comit\u00eas conjuntos de a\u00e7\u00e3o de massa de forma cr\u00edtica. Inclusive na situa\u00e7\u00e3o atual, o JAAC tamb\u00e9m precisa de um programa para avan\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A classe oper\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dado que o setor de servi\u00e7os tem demonstrado historicamente que desempenha um papel importante nos movimentos posteriores ao trabalho industrial, e devido \u00e0 aus\u00eancia de produ\u00e7\u00e3o industrial na Caxemira, a principal responsabilidade dos trabalhadores de servi\u00e7os \u00e9 proteger os direitos das massas populares, bem como os seus pr\u00f3prios. Na atual situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, devem obrigar as dire\u00e7\u00f5es dos seus sindicatos e associa\u00e7\u00f5es a levar adiante as reivindica\u00e7\u00f5es dos seus trabalhadores junto das massas populares e iniciar uma s\u00e9rie de protestos, j\u00e1 que h\u00e1 v\u00e1rios anos os sindicatos est\u00e3o sendo atacados. A Lei de 2016 e a Portaria de 2023 visam privar os trabalhadores do direito de greve, alterar as estruturas dos servi\u00e7os e a reforma da previd\u00eancia, e incluir v\u00e1rias t\u00e1ticas de direitiza\u00e7\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o de pessoal. \u00c9 preciso contra-atacar porque, se os trabalhadores se organizarem junto com as massas populares, poder\u00e3o recuperar seus direitos e interesses.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido \u00e0s crises globais do sistema capitalista, os trabalhadores est\u00e3o constantemente sob ataque em uma regi\u00e3o colonial como a nossa. Os muitos ganhos que ainda existem s\u00e3o facilmente arrebatados sob as pol\u00edticas neoliberais. Muitas vezes ouvimos nas conversas que a educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo privatizada; e isso \u00e9 verdade no Paquist\u00e3o, onde a privatiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 come\u00e7ou. Se a viol\u00eancia estatal foi usada contra as greves dos professores durante o processo de privatiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o acontecer\u00e1 o mesmo na Caxemira?<\/p>\n\n\n\n<p>Olhando para os ataques atuais, parece que a classe dominante de Jammu Kashmir est\u00e1 entrando definitivamente em um processo de privatiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, eletricidade, etc. Por isso, \u00e9 importante que os trabalhadores entendam esses ataques e protejam os interesses de suas organiza\u00e7\u00f5es, n\u00e3o individualmente, mas que iniciem uma luta conjunta em vez de manter as apar\u00eancias. Certamente que todos os dois setores acima elegeram conjuntamente um conselho para a federa\u00e7\u00e3o, mas a necessidade desse processo \u00e9 que, ao realizarem uma confer\u00eancia juntos, devem pedir a aboli\u00e7\u00e3o das leis antioper\u00e1rias da classe dominante e mais reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Os trabalhadores devem contribuir com sua lideran\u00e7a, criando press\u00e3o desde baixo para apoiar as organiza\u00e7\u00f5es cuja lideran\u00e7a est\u00e1 tentando construir uma federa\u00e7\u00e3o. Os \u00fanicos sindicatos oper\u00e1rios que podem ser dignos de men\u00e7\u00e3o s\u00e3o aqueles que envolvem democraticamente os trabalhadores. Ali\u00e1s, na pol\u00edtica sindical o povo sempre pensa. Os procedimentos variam. A natureza de suas responsabilidades \u00e9 diferente, suas afilia\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a s\u00e3o diferentes. A maior parte da dire\u00e7\u00e3o de alguns sindicatos e associa\u00e7\u00f5es gira em torno da solu\u00e7\u00e3o dos pequenos problemas de trabalhadores espec\u00edficos de seus setores. Esta \u00e9 a ideologia de Prabrajaman (dominar). Os sindicatos de todo o mundo zelam pelos interesses dos seus trabalhadores, mas em nosso pa\u00eds se recorre \u00e0 ajuda de funcion\u00e1rios p\u00fablicos e ministros para os interesses dos trabalhadores. H\u00e1 alguns anos, jovens trabalhadores e alguns l\u00edderes honestos v\u00eam intensificando a pol\u00edtica oper\u00e1ria, o que provocou ataques do Estado contra sindicatos e associa\u00e7\u00f5es. Por isso, \u00e9 preciso lan\u00e7ar as bases de uma federa\u00e7\u00e3o militante, democr\u00e1tica e popular, cujo programa inclua os trabalhadores de todas as institui\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m dos interesses dos trabalhadores, as reivindica\u00e7\u00f5es devem incluir todo tipo de explora\u00e7\u00e3o e coer\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Pol\u00edtica dos Comit\u00eas de A\u00e7\u00e3o de Massa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sem entrar no fundo da pol\u00edtica dos comit\u00eas de a\u00e7\u00e3o popular, todos os trabalhadores, das aldeias \u00e0s cidades, qualquer que seja o estrato a que perten\u00e7am, est\u00e3o de parab\u00e9ns, e talvez pare\u00e7a que esse foi o m\u00e9todo correto pelo qual os comit\u00eas de a\u00e7\u00e3o de massas foram formados. O movimento e a lideran\u00e7a chegaram a esse ponto. Prestamos homenagem a esses trabalhadores que arrebataram o controle da dire\u00e7\u00e3o tradicional e obrigaram a dire\u00e7\u00e3o nacionalista a acreditar que sua estrat\u00e9gia, metodologia e centralismo s\u00e3o obsoletos. Alguns ativistas despertaram as massas populares de tal forma que hoje quase 90% das massas entenderam que sua interven\u00e7\u00e3o direta na pol\u00edtica pode cuidar de seus interesses. \u00c0 medida que o movimento avan\u00e7a, na mesma propor\u00e7\u00e3o, aumenta tamb\u00e9m o moral das pessoas comuns. A juventude avan\u00e7a com novas cores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Debilidades dos comit\u00eas de a\u00e7\u00e3o de massas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Todos somos autocriticamente conscientes de que h\u00e1 imensas fragilidades na dire\u00e7\u00e3o dominante dos Comit\u00eas de A\u00e7\u00e3o de Massas. A maioria dos ativistas do comit\u00ea central permanece sect\u00e1ria, apesar de ter rompido com seus partidos nacionalistas. Devido \u00e0s suas diferentes origens, continuam evitando discutir abertamente o programa entre eles. Por medo da polariza\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o, n\u00e3o houve avan\u00e7o nas palavras de ordem, e agora s\u00e3o as massas que o fazem por si mesmas. Da plataforma dos comit\u00eas de a\u00e7\u00e3o p\u00fablica, h\u00e1 um apelo reiterado para deixar de lado a realidade do programa e limit\u00e1-lo apenas \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es. N\u00e3o deve haver di\u00e1logo de alternativas contra os respons\u00e1veis por todo esse desamparo durante d\u00e9cadas. N\u00e3o \u00e9 sensato n\u00e3o oferecer uma alternativa mesmo que os governantes sejam ineficazes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Que Fazer<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante, neste ponto, generalizar a quest\u00e3o do &#8220;o que precisa ser feito&#8221;, pois a intensidade dessa quest\u00e3o est\u00e1 presente em cada movimento: como e com quem deve ser realizado. Neste momento, \u00e9 necess\u00e1rio aproveitar a inefic\u00e1cia das elites governantes para convocar uma assembleia constituinte na Caxemira administrada pelo Paquist\u00e3o. Ao convocar a Assembleia Constituinte, \u00e9 importante exigir um governo revolucion\u00e1rio tempor\u00e1rio porque, devido \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o e da imensa riqueza da atual classe dominante, o povo perdeu a confian\u00e7a neles. O povo entendeu que s\u00e3o leais e marionetes das elites dominantes paquistanesas. Sua comida, sua bebida, sua casa, seu carro&#8230; Tudo \u00e9 diferente ao das massas populares. Sua casta e tribo s\u00e3o diferentes. Por sua causa, quantas m\u00e3es mandam seus filhos trabalhar no Paquist\u00e3o ou em pa\u00edses estrangeiros aos 18 anos? Quantos jovens que fugiram da estreiteza de suas casas se apaixonaram pela natureza atrav\u00e9s de pequenas rotas? Quantas fam\u00edlias entram em depress\u00e3o por falta de melhor educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade para seus filhos?<\/p>\n\n\n\n<p>70% da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 fora do pa\u00eds, dos quais 20% a 25% trabalham no Paquist\u00e3o, e 40% a 45% trabalham nos Estados Unidos, Reino Unido, pa\u00edses do Golfo, etc. Esses governantes imundos e seus senhores n\u00e3o sentem vergonha quando recebem remessas de divisas pertencentes a esses imigrantes. Servem a aqueles que n\u00e3o puderam oferecer oportunidades de emprego aqui. Olhe para essas tristezas, sofrimentos e estresse mental! Friedrich Nietzsche: lembre-se do ditado que diz que os ricos deixaram aos pobres apenas Deus!<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o lutamos sem confiar neles! Os governantes vinham e diziam ao povo todos os dias que o Paquist\u00e3o est\u00e1 fazendo uma injusti\u00e7a com eles, de acordo com suas promessas, nada lhes \u00e9 fornecido, etc. Houve obje\u00e7\u00f5es. Por isso, \u00e9 importante aproveitar sua espontaneidade. Mas agora \u00e9 importante que n\u00e3o s\u00f3 eles, mas todos os atores do Estado, incluindo representantes do p\u00fablico em geral, l\u00edderes da classe trabalhadora, da classe m\u00e9dia (advogados, professores, comerciantes e transportadores), mulheres e l\u00edderes de bairro e estudantis, formem um governo revolucion\u00e1rio provis\u00f3rio que ser\u00e1 respons\u00e1vel pela elabora\u00e7\u00e3o de uma constitui\u00e7\u00e3o para a Assembleia Constituinte.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apelamos \u00e0s nacionalidades oprimidas, aos estudantes, \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos, sindicais, \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es de mulheres, \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es de agricultores e aos socialistas internacionais no Paquist\u00e3o, na \u00cdndia e no mundo para que apoiem o Movimento pelos Direitos do Povo de Jammu Caxemira, na Caxemira administrada pelo Paquist\u00e3o. Suas reivindica\u00e7\u00f5es centrais s\u00e3o o fornecimento de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":78948,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[7366,7173],"tags":[7170,8168],"class_list":["post-78947","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-caxemira","category-paquistao","tag-caxemira","tag-paquistao"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Jammu.jpg","categories_names":["Caxemira","Paquist\u00e3o"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78947","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78947"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78947\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78951,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78947\/revisions\/78951"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78948"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78947"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78947"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78947"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}