{"id":78940,"date":"2024-05-22T02:53:13","date_gmt":"2024-05-22T02:53:13","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78940"},"modified":"2024-05-23T00:44:29","modified_gmt":"2024-05-23T00:44:29","slug":"estudantes-por-gaza-da-universidade-estadual-de-sao-francisco-se-organizam-para-uma-acao-massiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/05\/22\/estudantes-por-gaza-da-universidade-estadual-de-sao-francisco-se-organizam-para-uma-acao-massiva\/","title":{"rendered":"Estudantes por Gaza da Universidade Estadual de S\u00e3o Francisco se organizam para uma a\u00e7\u00e3o massiva"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Em todo o pa\u00eds, est\u00e1 ocorrendo uma nova onda hist\u00f3rica de mobiliza\u00e7\u00e3o de jovens contra o genoc\u00eddio de Israel em Gaza. O movimento universit\u00e1rio est\u00e1 florescendo em meio ao maior movimento popular cont\u00ednuo nos EUA desde o Occupy e o Black Lives Matter. As universidades podem estar entrando em f\u00e9rias de ver\u00e3o, mas \u00e9 evidente que o levante universit\u00e1rio apenas come\u00e7ou, e isso apesar da repress\u00e3o implac\u00e1vel contra esse poderoso movimento. Pelo menos 2.800 estudantes foram presos em campus universit\u00e1rios por participarem de acampamentos pedindo uma Palestina Livre, o fim do genoc\u00eddio em Gaza e o fim da ocupa\u00e7\u00e3o da Palestina<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: Blanca Le\u00f3n e Mar Reno<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que bilh\u00f5es de d\u00f3lares em armas continuam fluindo livremente para as for\u00e7as armadas de Israel, a pergunta na mente de cada um de n\u00f3s deve ser: o que \u00e9 necess\u00e1rio para acabar com isso? O que \u00e9 preciso para libertar a Palestina?<\/p>\n\n\n\n<p>De 1963 a 1973, o movimento contra a guerra dos EUA no Vietn\u00e3 demonstrou o poder de uma ampla e sustentada pol\u00edtica de massas para desafiar a m\u00e1quina de guerra imperialista dos EUA. Durante esses anos, houve manifesta\u00e7\u00f5es regulares e cont\u00ednuas de dezenas a centenas de milhares de pessoas. Trabalhadores organizados, estudantes e todos os demais participaram de a\u00e7\u00f5es p\u00fablicas para exigir que os EUA se retirassem do Vietn\u00e3 e do Camboja e, em 29 de mar\u00e7o de 1973, as \u00faltimas tropas deixaram o Vietn\u00e3 do Sul. O que podemos aprender sobre o papel do movimento estudantil naquela \u00e9poca e aplic\u00e1-lo \u00e0 nossa organiza\u00e7\u00e3o hoje?<\/p>\n\n\n\n<p>Em um discurso de 1970 sobre a retirada das tropas do Vietn\u00e3 e do Camboja, o socialista revolucion\u00e1rio Peter Camejo disse: &#8220;O poder decisivo n\u00e3o est\u00e1 no movimento estudantil (em si). O movimento estudantil \u00e9 um perigo direto porque pode atuar como catalisador, espalhando ideias e acionando outras for\u00e7as. Se olh\u00e1ssemos para os estudantes isoladamente, dir\u00edamos que eles n\u00e3o t\u00eam poder real. Mas coloque-os na verdadeira teia da sociedade \u2013 a interrela\u00e7\u00e3o com seus pais, a interrela\u00e7\u00e3o com a sociedade como um todo, a interrela\u00e7\u00e3o entre cada universidade e outras universidades e escolas e a comunidade ao seu redor \u2013 e a classe dirigente poder\u00e1 ver uma amea\u00e7a imediata.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os estudantes 4 Gaza se organizaram e marcaram um gol no primeiro avan\u00e7o do movimento!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na segunda-feira, 29 de abril de 2024, v\u00e1rias centenas de estudantes da Universidade Estadual de S\u00e3o Francisco (SFSU) com o grupo Students for Gaza (S4G) realizaram um com\u00edcio no Malcolm X Plaza da SFSU e, em seguida, montaram suas tendas no gramado do campus. N\u00e3o se tratou de uma a\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea ou aleat\u00f3ria; foi um plano intencional organizado atrav\u00e9s de assembleias democr\u00e1ticas abertas na semana anterior, com o apoio e lideran\u00e7a de v\u00e1rios grupos do campus. Entre esses grupos estavam a Uni\u00e3o Geral dos Estudantes Palestinos (GUPS), um dos primeiros grupos estudantis palestinos nos Estados Unidos, fundado em 1973, e a rec\u00e9m-formada SFSU Student Union, que organizou o apoio estudantil \u00e0s duas greves de professores da CFA no semestre passado. Um n\u00famero crescente de professores tamb\u00e9m foi envolvido. Todos esses grupos se uniram em uma nova coaliz\u00e3o de frente \u00fanica chamada SFSU Students for Gaza, aberta a organiza\u00e7\u00f5es estudantis e estudantes independentes que levantaram suas pr\u00f3prias demandas em linha com as delineadas pela Organiza\u00e7\u00e3o Nacional de Estudantes pela Justi\u00e7a na Palestina (NSJP):<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"1\">\n<li>Divulgar todos os gastos, a\u00e7\u00f5es e investimentos da CSU, bem como as finan\u00e7as de dota\u00e7\u00e3o da SFSU.<\/li>\n\n\n\n<li>Desinvestir todas as empresas e associa\u00e7\u00f5es que est\u00e3o ativamente envolvidas na coloniza\u00e7\u00e3o e limpeza \u00e9tnica do povo palestino, tanto no n\u00edvel da SFSU quanto da Universidade Estadual da Calif\u00f3rnia (CSU).<\/li>\n\n\n\n<li>Defender os direitos dos estudantes \u00e0 liberdade de express\u00e3o e protesto e convocar a universidade a se opor a toda a legisla\u00e7\u00e3o atual que busca criminalizar os protestos pr\u00f3-palestinos, incluindo a SB-1287 na Calif\u00f3rnia.<\/li>\n\n\n\n<li>Denunciar total e publicamente a ocupa\u00e7\u00e3o ilegal, a coloniza\u00e7\u00e3o e a limpeza \u00e9tnica do povo palestino e o genoc\u00eddio israelense-estadunidense em Gaza.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Desde a sua cria\u00e7\u00e3o e ao longo do desenvolvimento do acampamento e das negocia\u00e7\u00f5es com a universidade, os organizadores estudantis aderiram aos seguintes princ\u00edpios, que provaram ser a chave para o seu sucesso: Foco na Palestina e nas demandas da comunidade palestina dentro e fora do campus; preparar-se para a a\u00e7\u00e3o de massas; e desenvolver estruturas democr\u00e1ticas para seu campo e seu movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o firme dos estudantes obteve algumas vit\u00f3rias preliminares nas tr\u00eas semanas que faltam para o final do semestre. Em 13 de maio, a presidente da SFSU, Lynn Mahoney, divulgou um comunicado reconhecendo a legitimidade da luta do S4G. Se comprometeu especificamente a desinvestir na ind\u00fastria de fabrica\u00e7\u00e3o de armas, a criar novas diretrizes para o desinvestimento de empresas que violem &#8220;os direitos humanos&#8221; e &#8220;a capacidade de todos de viver uma vida digna e bem-estar, livre de viol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o&#8221;, com um cronograma preciso de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a presidente da SFSU se comprometeu a atender ao pedido de divulga\u00e7\u00e3o criando um site p\u00fablico. Por fim, a presidente se comprometeu publicamente a proteger &#8220;a liberdade acad\u00eamica, a liberdade de express\u00e3o e o ativismo estudantil pac\u00edfico&#8221; e a &#8220;encaminhar \u00e0 Reitoria da CSU uma carta p\u00fablica expondo [sua] preocupa\u00e7\u00e3o com toda e qualquer a\u00e7\u00e3o legislativa que possa inibir essas liberdades, incluindo a SB-1287, que facilitaria a criminaliza\u00e7\u00e3o dos acampamentos&#8221;. Argumentou que &#8220;essas liberdades formam a base do ensino superior e devem ser protegidas&#8221;. O que voc\u00ea acha!<\/p>\n\n\n\n<p>Os alunos sabem que esta \u00e9 apenas uma vit\u00f3ria parcial. Agora que eles venceram o primeiro turno, \u00e9 hora de levar a luta para o Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da CSU em 21 de maio. Mais importante ainda, os estudantes est\u00e3o trabalhando para fortalecer as ra\u00edzes do movimento, construindo uma rede mais forte e ampla de liberta\u00e7\u00e3o em seu campus e nas CSUs. Em sua declara\u00e7\u00e3o de 15 de maio, eles afirmaram: &#8220;Este \u00e9 o primeiro passo. Vamos continuar a organizar-nos e a lutar durante o ver\u00e3o e depois.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Acampamento: A Sede da A\u00e7\u00e3o de Massas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio do movimento, houve muito debate sobre o papel dos acampamentos. Ao montar acampamentos, os estudantes reviveram uma t\u00e1tica dos movimentos de desinvestimento e boicote da \u00c1frica do Sul em meados da d\u00e9cada de 1980, que contribu\u00edram para a queda do regime do apartheid.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o S4G, acampar \u00e9 apenas uma t\u00e1tica em batalha, e n\u00e3o a estrat\u00e9gia para a vit\u00f3ria em si mesma. Essa t\u00e1tica foi bem colocada, pois permitiu que eles se conectassem fisicamente com o resto da popula\u00e7\u00e3o estudantil na constru\u00e7\u00e3o da solidariedade com Gaza. Fez com que a terra da Palestina e o povo palestino fossem diretamente vis\u00edveis para a comunidade universit\u00e1ria. E o que \u00e9 mais importante, esta t\u00e1tica serviu a uma estrat\u00e9gia mais ampla para criar as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a revolu\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica: democracia de baixo para cima e a\u00e7\u00e3o de massas: &#8220;Desde o in\u00edcio deste acampamento, mantivemos consistentemente a transpar\u00eancia e a democracia como a estrutura a partir da qual nos organizamos. \u00c9 assim desde a vota\u00e7\u00e3o inicial para iniciar o acampamento. Isso continuar\u00e1 a ser assim nas futuras decis\u00f5es sobre este movimento&#8221; (declara\u00e7\u00e3o de 15 de maio, SFSU Students for Gaza).<\/p>\n\n\n\n<p>Em quest\u00e3o de dias, o acampamento da SFSU rapidamente se tornou a sede de recrutamento e treinamento para um movimento mais amplo. Como a log\u00edstica b\u00e1sica do acampamento foi montada no meio do p\u00e1tio do campus, os organizadores se concentraram em atrair mais estudantes. No primeiro dia, eles criaram comit\u00eas de trabalho abertos a todos no acampamento. Todos os estudantes que acampavam e apoiavam, tiveram que participar ativamente do acampamento.<\/p>\n\n\n\n<p>No segundo dia, a assembleia do acampamento concretizou as demandas ap\u00f3s analis\u00e1-las e discuti-las coletivamente. No terceiro dia, elegeram uma dire\u00e7\u00e3o de sete membros, com postos permanentes para representantes do GUPS, deixando n\u00edtido para todos que a luta pela liberta\u00e7\u00e3o palestina deve ser feita com a lideran\u00e7a dos estudantes palestinos. Um &#8220;c\u00edrculo comunit\u00e1rio&#8221; era realizado todos os dias, onde as principais decis\u00f5es pol\u00edticas eram discutidas e decididas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo destas semanas, a sua pr\u00e1tica na luta foi guiada pelas li\u00e7\u00f5es das gera\u00e7\u00f5es anteriores e dos militantes socialistas de hoje. Um dia, um contingente de grevistas do movimento de liberta\u00e7\u00e3o do Terceiro Mundo de 1968 visitou o acampamento para compartilhar suas experi\u00eancias e ensinamentos. Em duas ocasi\u00f5es, uma equipe de nossos companheiros de La Voz de los Trabajadores organizou palestras populares em estilo escolar sobre momentos-chave da hist\u00f3ria do movimento contra a Guerra do Vietn\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de toda a energia que o S4G investiu em seu desenvolvimento interno, &nbsp;demonstraram o mesmo vigor para tornar o acampamento um organismo voltado para o exterior que envolvia seus companheiros, que de outra forma teriam permanecido indiferentes ou mesmo assustados com o movimento, dado o constante discurso midi\u00e1tico que criminaliza a causa palestina. Come\u00e7avam cada dia com pequenas atividades como piquetes, coloca\u00e7\u00e3o de folhetos, cria\u00e7\u00e3o de obras de arte, pintura de murais com tinta lav\u00e1vel e eventos educativos como palestras ou apresenta\u00e7\u00f5es nas salas de aula.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a presidente da SFSU, Lynn Mahoney, entrou em contato com os estudantes em particular, eles imediatamente pediram &#8220;negocia\u00e7\u00f5es abertas&#8221; e a convidaram a ir pessoalmente ao acampamento em 6 de maio para ouvir e responder \u00e0s suas demandas. Essas negocia\u00e7\u00f5es abertas serviram como um dos eventos de recrutamento mais bem-sucedidos para atrair novos estudantes e educ\u00e1-los sobre como poderiam se opor ao genoc\u00eddio em curso na Palestina. A transmiss\u00e3o ao vivo e a publica\u00e7\u00e3o dos interc\u00e2mbios entre a gest\u00e3o do S4G e da SFSU inspiraram outros campos a come\u00e7ar a se mover em dire\u00e7\u00e3o a princ\u00edpios de organiza\u00e7\u00e3o mais democr\u00e1ticos e transparentes. Para alguns dos organizadores do S4G, a negocia\u00e7\u00e3o aberta e a democracia dos trabalhadores foram coisas que aprenderam com seus companheiros da Associa\u00e7\u00e3o de Professores da Calif\u00f3rnia (CFA) durante as greves de dezembro de 2023 e janeiro de 2024, demonstrando a maneira como um movimento sempre nutre e sustenta o pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na quarta-feira, 8 de maio, a S4G realizou uma greve e manifesta\u00e7\u00e3o com centenas de estudantes, seguida de uma marcha em torno do campus, \u00e0 qual se juntaram mais uma centena de estudantes, apesar da proximidade dos exames finais. A marcha culminou com um encerramento silencioso em frente ao pr\u00e9dio da administra\u00e7\u00e3o. Os estudantes deitaram-se no ch\u00e3o por 35 minutos para homenagear as 35.000 v\u00edtimas do genoc\u00eddio em curso na Palestina, exigindo que o presidente da universidade, Mahoney, nomeie e denuncie o genoc\u00eddio, como outros presidentes de universidades da Calif\u00f3rnia fizeram. At\u00e9 esta semana, eles continuam esperando que isso ocorra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como o professorado apoiou e se uniu ao movimento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Devido \u00e0s rela\u00e7\u00f5es pr\u00e9-existentes entre os estudantes e os organizadores da faculdade, os membros da SFSU foram capazes de estabelecer rapidamente um grupo da Faculdade de Justi\u00e7a na Palestina (FJP) na SFSU. A organiza\u00e7\u00e3o dos professores foi inicialmente liderada por professores de Estudos \u00c9tnicos, juntamente com os organizadores da greve da CFA e de membros do grupo palestino, \u00e1rabe e mu\u00e7ulmano (PAM) do sindicato. Rapidamente se alinharam \u00e0s demandas da S4G e tentaram apoiar o acampamento respeitando a lideran\u00e7a estudantil. Ajudavam quando os alunos pediam comida, recursos, seguran\u00e7a, desmantelamento e resolu\u00e7\u00e3o de conflitos, educa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e oficinas de poesia. Al\u00e9m disso, o corpo docente trabalhou com l\u00edderes estudantis eleitos para resolver suas preocupa\u00e7\u00f5es sobre t\u00e1ticas e estrat\u00e9gias.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 15 dias de interc\u00e2mbios horizontais, foram constru\u00eddas rela\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a e solidariedade. Assim como a experi\u00eancia de participa\u00e7\u00e3o estudantil nas greves do CFA alimentou a democracia no acampamento, as rela\u00e7\u00f5es que estudantes e professores constru\u00edram sustentar\u00e3o as lutas futuras.<\/p>\n\n\n\n<p>Os docentes da SFSU tamb\u00e9m se organizaram por meio da bancada do PAM para mobilizar seu sindicato estatal em apoio a esse movimento crescente. Antes do in\u00edcio do acampamento do SFSU em 26 de abril, o grupo PAM emitiu uma declara\u00e7\u00e3o de solidariedade \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es: &#8220;O movimento que est\u00e1 atualmente se materializando nas universidades de todo o pa\u00eds \u2013 a Universidade Popular de Gaza \u2013 \u00e9 a onda mais recente do esfor\u00e7o de organiza\u00e7\u00e3o que j\u00e1 dura sete meses impulsionado por uma coaliz\u00e3o multirracial, multi\u00e9tnica e multigeracional de organiza\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida, a bancada do PAM lan\u00e7ou uma peti\u00e7\u00e3o para &#8220;CFA Solidariedade com os Acampamentos e Contra a Repress\u00e3o Policial&#8221; para mobilizar a Associa\u00e7\u00e3o de Faculdades da Calif\u00f3rnia a favor de uma campanha de defesa dos alunos e professores reprimidos em Cal Poly Humboldt. A administra\u00e7\u00e3o de Cal Poly havia enviado a pol\u00edcia e ordenou que 100 manifestantes sa\u00edssem sob amea\u00e7a de viol\u00eancia. Na madrugada de 30 de abril, a pol\u00edcia deteve e prendeu os manifestantes, alegando supostos crimes de reuni\u00e3o ilegal, vandalismo, conspira\u00e7\u00e3o e agress\u00e3o a policiais. Os estudantes agora enfrentam acusa\u00e7\u00f5es criminais e a\u00e7\u00f5es disciplinares da universidade. Os professores que apoiavam seus alunos tamb\u00e9m foram detidos e agora enfrentam a\u00e7\u00f5es judiciais.<\/p>\n\n\n\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o do sindicato dos docentes do PAM segue o exemplo do UAW 4811 (o maior sindicato de trabalhadores acad\u00eamicos do sistema da Universidade da Calif\u00f3rnia, representando 48.000 assistentes t\u00e9cnicos, p\u00f3s-doutores e pesquisadores). No in\u00edcio deste m\u00eas, a brutalidade no campus da UCLA por manifestantes pr\u00f3-Israel e pela pol\u00edcia levou o Conselho Executivo da UAW 4811 a apresentar uma queixa de emerg\u00eancia por pr\u00e1ticas trabalhistas desleais contra a UC. A opera\u00e7\u00e3o policial completamente desarticulada no acampamento da UCLA &#8211; que incluiu espancamentos, balas de borracha, g\u00e1s lacrimog\u00eaneo e quase 45 minutos de constantes descargas de explosivos a\u00e9reos sobre o acampamento &#8211; foi uma viola\u00e7\u00e3o das prote\u00e7\u00f5es \u00e0 sa\u00fade, seguran\u00e7a e liberdade acad\u00eamica, bem como outros direitos garantidos em seu contrato de trabalho. Juntamente com as ULPs- Unfair Labor Practice-, o sindicato emitiu tamb\u00e9m um voto de autoriza\u00e7\u00e3o de greve para protestar contra a abdica\u00e7\u00e3o da UC da sua responsabilidade de proteger estudantes e trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>A peti\u00e7\u00e3o da bancada do PMA dizia: &#8220;N\u00f3s, abaixo assinados, membros da Associa\u00e7\u00e3o de Professores da Calif\u00f3rnia (CFA), nos solidarizamos com Gaza e com os estudantes que se manifestam online com a Justi\u00e7a para a Palestina em v\u00e1rios campus nos EUA, incluindo o sistema da Universidade Estadual da Calif\u00f3rnia. Nossa Assembleia de primavera da CFA adotou recentemente uma resolu\u00e7\u00e3o em apoio aos palestinos e seus aliados nas CSUs defendendo o direito de protesto, a liberdade de express\u00e3o e a liberdade acad\u00eamica, entre outras coisas. Estamos consternados com a brutalidade desencadeada pelas administra\u00e7\u00f5es dos campus, pela pol\u00edcia e pelos contra-manifestantes pr\u00f3-Israel contra estudantes, professores e a comunidade que est\u00e3o exercendo seu direito de protestar nos campus de todo o pa\u00eds contra as injusti\u00e7as que veem na Palestina, engajando-se na Universidade Popular de Gaza com o estabelecimento de acampamentos no campus\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Gostar\u00edamos que nosso sindicato tomasse medidas imediatas para defender nossa seguran\u00e7a, liberdade acad\u00eamica, liberdade de express\u00e3o e o direito de nos reunirmos pacificamente no campus&#8230;&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A criminaliza\u00e7\u00e3o desses manifestantes e o fechamento do campus de Humboldt foi desnecess\u00e1rio, excessivo e bastante brutal. N\u00e3o \u00e9 apenas um ataque \u00e0 nossa comunidade universit\u00e1ria, mas \u00e9 um ataque \u00e0 liberdade acad\u00eamica e \u00e0 liberdade de express\u00e3o dos manifestantes que desejam se manifestar contra o genoc\u00eddio em Gaza, a ocupa\u00e7\u00e3o sionista da Palestina e a desumanidade da m\u00e1quina de guerra israelense em manter o apartheid que \u00e9 financiado pelos impostos desta na\u00e7\u00e3o que matou quase 35.000 pessoas at\u00e9 o momento&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A peti\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi apoiada pela Faculdade SFSU para a Justi\u00e7a na Palestina e pelo Caucus of Rank and File Education Workers (CREW). Essa press\u00e3o consider\u00e1vel a partir de baixo levou a administra\u00e7\u00e3o da CFA a apresentar uma alega\u00e7\u00e3o de pr\u00e1tica trabalhista injusta ao PERB- Public Employment Relations Board- contra a CSU em 9 de maio, argumentando que &#8220;a administra\u00e7\u00e3o tomou a medida extraordin\u00e1ria de fechar o campus no m\u00eas passado em resposta aos estudantes que protestavam contra a guerra em Gaza, quando outros campus em todo o pa\u00eds permaneceram abertos apesar de a\u00e7\u00f5es e respostas policiais bastante grandes&#8221; e que &#8220;deveria ter negociado a decis\u00e3o de fechar o campus, especialmente \u00e0 luz do fato de que a comunidade Cal Poly Humboldt questiona a necessidade neste momento&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o sindicato CFA afirmou que &#8220;o dano de privar o corpo docente do acesso ao campus ser\u00e1 duradouro, afetando o corpo docente em seu desempenho profissional atual e futuro, em suas avalia\u00e7\u00f5es e em sua sensa\u00e7\u00e3o geral de seguran\u00e7a e liberdade acad\u00eamica&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A cria\u00e7\u00e3o de um movimento estadual de a\u00e7\u00e3o de massas em todo o estado da CSU<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando o S4G come\u00e7ou, eles j\u00e1 estavam se coordenando com outros acampamentos do campus para sua paralisa\u00e7\u00e3o estadual de 8 de maio, e continuam se coordenando para uma a\u00e7\u00e3o comum na pr\u00f3xima reuni\u00e3o do Conselho de Curadores do Estado da Calif\u00f3rnia. L\u00e1, eles apresentar\u00e3o sua demanda por desinvestimento na CSU e, o que \u00e9 mais importante, usar\u00e3o a reuni\u00e3o para realizar uma concentra\u00e7\u00e3o e uma oficina.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu objetivo \u00e9 come\u00e7ar a criar estruturas para coordenar o ativismo estudantil pela Palestina em todas as CSUs durante o ver\u00e3o e construir uma confer\u00eancia de organiza\u00e7\u00e3o em todo o estado. O objetivo da confer\u00eancia ser\u00e1 duplo: educar e organizar. Para a parte educacional, ativistas estudantis conduzir\u00e3o oficinas que re\u00fanam as li\u00e7\u00f5es comuns de movimentos passados, como o movimento antiguerra dos anos 1960, a Greve de Liberta\u00e7\u00e3o do Terceiro Mundo de 1968-69 na SFSU, a Primeira Intifada e o movimento de desinvestimento da \u00c1frica do Sul dos anos 1980.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma confer\u00eancia estadual da CSU tamb\u00e9m ser\u00e1 o lugar para avaliar e refletir criticamente sobre a intensa temporada de organiza\u00e7\u00e3o da primavera e avaliar a necessidade de defender alunos e professores que foram reprimidos. Para a parte organizadora da confer\u00eancia, haver\u00e1 uma oportunidade para os estudantes desenvolverem demandas comuns em todos os campus e uma estrat\u00e9gia e cronograma compartilhados para construir a\u00e7\u00f5es de poder em massa no campus no outono.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mais al\u00e9m do desinvestimento nos campus: Acabar com todo o apoio dos EUA a Israel!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com a pergunta na cabe\u00e7a: &#8220;O que \u00e9 preciso para libertar a Palestina?&#8221;, a luta estudantil continua. Em todos os acampamentos, especialmente aqueles com pequenas vit\u00f3rias, os estudantes j\u00e1 come\u00e7am a vislumbrar o pr\u00f3ximo passo na constru\u00e7\u00e3o de um movimento mais amplo para al\u00e9m dos campus universit\u00e1rios. Sabem que, mesmo que todas as institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas dos EUA desinvestissem totalmente de Israel e implementassem um boicote econ\u00f4mico total, Israel ainda poderia continuar seu genoc\u00eddio b\u00e1rbaro. Afinal, o principal apoiador econ\u00f4mico e militar de Israel desde 1946, e ainda hoje, \u00e9 o governo dos EUA. Entre 1946 e 2023, o governo americano enviou US$ 297 bilh\u00f5es a Israel. Joe Biden prometeu enviar mais US$ 26 bilh\u00f5es at\u00e9 o final de 2024 e enviar pelo menos US$ 4 bilh\u00f5es por ano at\u00e9 2028.<\/p>\n\n\n\n<p>O Estado colono e racista de Israel n\u00e3o poderia existir sem o apoio financeiro e militar do governo dos EUA. Esse dinheiro sai diretamente dos bolsos da classe trabalhadora dos EUA, cujo trabalho gera esses lucros e cujos impostos pagam as balas e bombas que fazem o inferno em Gaza hoje. A depend\u00eancia do genoc\u00eddio da m\u00e3o de obra dos EUA \u00e9 o motivo pelo qual o movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e San\u00e7\u00f5es) nas universidades deve se conectar absolutamente com iniciativas emergentes de boicote dos trabalhadores, especialmente redes como a Bay Area Labor for Palestine e a Labor for Palestine National Network, que t\u00eam trabalhado nos \u00faltimos meses para construir uma base que responda ao apelo dos sindicatos palestinos para acabar com o toda a ajuda dos EUA a Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>O crescimento do movimento BDS no campus \u00e9 um aspecto fundamental da luta pela liberta\u00e7\u00e3o total da Palestina. Poderia servir como um catalisador para uma a\u00e7\u00e3o de massa mais ampla de trabalhadores, jovens e organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, sob a lideran\u00e7a ativa de organiza\u00e7\u00f5es palestinas. Juntas, essas diferentes partes de nossa sociedade devem se unir em torno de demandas importantes, como &#8220;Acabem com toda a ajuda dos EUA a Israel!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Este ver\u00e3o ser\u00e1 um teste crucial para este movimento e para a sua capacidade de construir e coordenar uma ampla a\u00e7\u00e3o de massas. Que uma Palestina Livre permane\u00e7a em nossos cora\u00e7\u00f5es e mentes enquanto avan\u00e7amos juntos no movimento!<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fotos: negocia\u00e7\u00f5es abertas entre manifestantes estudantis e a administra\u00e7\u00e3o da universidade.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em todo o pa\u00eds, est\u00e1 ocorrendo uma nova onda hist\u00f3rica de mobiliza\u00e7\u00e3o de jovens contra o genoc\u00eddio de Israel em Gaza. O movimento universit\u00e1rio est\u00e1 florescendo em meio ao maior movimento popular cont\u00ednuo nos EUA desde o Occupy e o Black Lives Matter. 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