{"id":78923,"date":"2024-05-21T01:46:09","date_gmt":"2024-05-21T01:46:09","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78923"},"modified":"2024-05-21T01:46:12","modified_gmt":"2024-05-21T01:46:12","slug":"senegal-o-que-esperar-do-governo-faye-pastef","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/05\/21\/senegal-o-que-esperar-do-governo-faye-pastef\/","title":{"rendered":"SENEGAL: o que esperar do governo Faye-pastef?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A onda antifrancesa se alastra pelo Sahel. Golpes militares ou elei\u00e7\u00f5es tem servido para derrubar governos abertamente pr\u00f3 imperialismo franc\u00eas. Por\u00e9m \u00e9 bom lembrar que antes dos golpes de Estado no Mali, Burkina Faso e Niger houveram grandes mobiliza\u00e7\u00f5es de massas. Os golpes militares foram medidas preventivas para controlar as massas. No Senegal, as elei\u00e7\u00f5es realizadas no dia 24 de mar\u00e7o que deram a vit\u00f3ria a Bassirou Diomaye Faye foram precedidas por importantes mobiliza\u00e7\u00f5es desde 2020-2021 e pelos impactos das pol\u00edticas econ\u00f4micas no marco da crise econ\u00f4mica mundial de 2008-2009 e aprofundada pela pandemia. O governo bonapartista e pr\u00f3 franc\u00eas de Macky Sall acabou. Diante da vit\u00f3ria eleitoral do PASTEF e seu candidato Dionaye Faye se coloca a pergunta: o que realmente muda e o que se preserva da situa\u00e7\u00e3o anterior.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Cesar Neto<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A crise capitalista mundial aberta em 2008-2009, seu impacto da \u00c1frica e no Senegal em especial<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar \u00e9 preciso partir da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica mundial e dentro desse quadro localizar o Senegal e todos os pa\u00edses semi coloniais.<\/p>\n\n\n\n<p>A caracter\u00edstica maior da atual crise capitalista mundial, que teve seu ponto mais elevado em 2008-2009 e agravado com a pandemia, \u00e9 o aprofundamento das rela\u00e7\u00f5es de subordina\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses semi coloniais, em um claro retrocesso em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo anterior da crise mencionada.<\/p>\n\n\n\n<p>O que assistimos na \u00c1frica, Am\u00e9rica Latina e in\u00fameros pa\u00edses asi\u00e1ticos \u00e9 uma profunda transfer\u00eancia de capitais para a cadeia imperialista com o objetivo de criar uma nova (e pouco prov\u00e1vel) onda ascendente do capitalismo a curto prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>A transfer\u00eancia de capitais se d\u00e1 com a queda dos pre\u00e7os de exporta\u00e7\u00e3o das mat\u00e9rias primas exportadas; o profundo atraso tecnol\u00f3gico entre os pa\u00edses que leva ao incremento da importa\u00e7\u00e3o de bens e consumo por parte dos pa\u00edses coloniais; como consequ\u00eancia desse atraso tecnol\u00f3gico (fruto do colonialismo) o pouco que se produz \u00e9 com alta taxa de explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, fechamento de empresas e como consequ\u00eancia o aumento do desemprego; como se n\u00e3o bastasse os mecanismos da d\u00edvida externa estrangulam os or\u00e7amentos nacionais ao destinar em m\u00e9dia 50% do arrecadado para o pagamento de juros e taxas da d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, se no campo econ\u00f4mico vemos um retrocesso violento, por outro lado temos visto importantes ondas de lutas oper\u00e1rias, juvenis ou populares que colocaram em crise velhos partidos como \u00e9 o caso do CNA na \u00c1frica do Sul, FRELIMO de Mo\u00e7ambique, MPLA de Angola, etc. Como resultado desse processo de resist\u00eancia, v\u00e1rios governos ca\u00edram por golpes militares ou processos eleitorais. No Mali, Burkina Faso e Niger, os militares se anteciparam ao movimento de massas e trataram de controlar o movimento com discursos \u201cpela esquerda\u201d e desse modo tentar segurar a f\u00faria das massas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Senegal: o \u201cpa\u00eds est\u00e1vel\u201d e a queda de Macky Sall<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A imprensa burguesa mundial n\u00e3o se cansa de enaltecer o Senegal como o pa\u00eds mais est\u00e1vel da regi\u00e3o e sem golpes de Estado. Isso \u00e9 uma farsa, pois em 64 anos de hist\u00f3ria teve apenas quatro presidentes. Leopold Senghor (1960-1980); Abdou Diauf (1980-2000); Abdoulaye Wade (2002-12) e Macky Sall (2012-2024). O parlamento e o judici\u00e1rio n\u00e3o s\u00e3o independentes e sim uma extens\u00e3o do executivo. A longevidade desses governos foi constru\u00edda e alicer\u00e7ada pela presen\u00e7a de um sistema repressivo violento, paramilitares e pris\u00f5es que s\u00e3o verdadeiras masmorras medievais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2011, Abdoulaye Wade tentou mudar a Constitui\u00e7\u00e3o permitindo sua terceira elei\u00e7\u00e3o. J\u00e1 havia um desgaste importante do governo, em especial, por conta dos efeitos da crise econ\u00f4mica mundial de 2008-2009.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse per\u00edodo surge o movimento juvenil de rappers Y\u2019en a Marre (estamos fartos) que utilizando-se de uma linguagem contestaria logrou ganhar a simpatia da juventude e organizar grandes mobiliza\u00e7\u00f5es. Os principais dirigentes do Y\u2019en a Marre foram presos e espancados. Al\u00e9m das mobiliza\u00e7\u00f5es, o Y\u2019en a Marre chamou os jovens a se inscreverem nos padr\u00f5es eleitorais para derrotar eleitoralmente ao governo Wade.<\/p>\n\n\n\n<p>Conseguiram que 357 mil jovens se alistassem e dessem a vit\u00f3ria eleitoral a Macky Sall. O programa bastante limitado na medida que a sa\u00edda era via elei\u00e7\u00f5es, 2012 com a chegada de Macky Sall ao governo perderam o peso e quase desapareceram.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2023-2024 a hist\u00f3ria de Wade se repete agora com Macky Sall apresentando ao Congresso um projeto de adiamento das elei\u00e7\u00f5es. No dia da vota\u00e7\u00e3o a pol\u00edcia invadiu o Congresso, expulsou a oposi\u00e7\u00e3o e votou pelo adiamento. As mobiliza\u00e7\u00f5es que vinham crescendo e ganharam um salto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As mobiliza\u00e7\u00f5es contra o governo bonapartista de Macky Sall<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No Senegal, desde a pandemia temos presenciado importantes lutas. As lutas come\u00e7aram a ganhar import\u00e2ncia em 2021 com a greve dos correios (Poste Senegal).&nbsp; Na greve os carteiros acusavam o governo de Macky Sall reter os valores da estatal.<\/p>\n\n\n\n<p>No m\u00eas de janeiro de 2021, o presidente Macky Sall, decretou toque de recolher por conta do COVID 19 sem qualquer garantia de aux\u00edlio econ\u00f4mico \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, a rea\u00e7\u00e3o veio com as primeiras mobiliza\u00e7\u00f5es de jovens e moradores de bairros se enfrentando com as for\u00e7as de seguran\u00e7a, em Dakar. A popula\u00e7\u00e3o queimou pneus e ergueu barricadas enquanto a pol\u00edcia lan\u00e7ava g\u00e1s lacrimog\u00eaneo; no m\u00eas de fevereiro novas manifesta\u00e7\u00f5es contra o presidente Macky Sall que tentava utilizar os organismos do Estado para criminalizar o oposicionista Sonko, o que seria um protesto pac\u00edfico terminou com enfrentamentos com a pol\u00edcia; no m\u00eas de mar\u00e7o, v\u00e1rios dias de enfrentamentos com a pol\u00edcia, saques e inc\u00eandios de supermercados, destrui\u00e7\u00e3o de postos de gasolina de propriedade francesa uma clara demonstra\u00e7\u00e3o de ser contra o governo de Macky Sall e contra a domina\u00e7\u00e3o francesa em seus novos formatos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessas mobiliza\u00e7\u00f5es v\u00e1rios carros foram incendiados e delegacias de pol\u00edcia foram invadidas, destru\u00eddas e incendiadas. Uma parte importante da grande imprensa explicou a onda de protestos por causa da pris\u00e3o de Ousmane. N\u00f3s consideramos que essa \u00e9 uma vis\u00e3o parcial.&nbsp; Na verdade, consciente ou inconsciente muitas a\u00e7\u00f5es estavam estreitamente vinculadas as atividades econ\u00f4micas do imperialismo franc\u00eas no Senegal.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 2023 e 2024 o pa\u00eds viveu um novo clima de violentas mobiliza\u00e7\u00f5es de rua contra a tentativa de perman\u00eancia de Macky Sall no poder. Foram manifesta\u00e7\u00f5es populares contra o governo bonapartista de Sall e por elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas manifesta\u00e7\u00f5es extremamente radicalizadas, provocaram a paralisa\u00e7\u00e3o de muitas atividades e com graves consequ\u00eancias econ\u00f4micas. Entre 25% e 30% das atividades tur\u00edsticas foram canceladas. Os projetos de petr\u00f3leo entraram em compasso de espera e at\u00e9 mesmo a \u201cajuda\u201d de 1,8 milh\u00f5es de d\u00f3lares do FMI foi adiado.<\/p>\n\n\n\n<p>A importante solidariedade dos senegaleses na di\u00e1spora tamb\u00e9m deve ser destacada com as importantes manifesta\u00e7\u00f5es de apoio organizado pela di\u00e1spora senegalesa em Washington, Paris, Mil\u00e3o, entre outras cidades. V\u00e1rios consulados foram temporariamente fechados pelos senegaleses na di\u00e1spora.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese a luta pela derrubada \u2013 via elei\u00e7\u00f5es \u2013 do governo bonapartista de Macky Sall custou a vida de mais de 80 pessoas e 1.000 presos. Ao comparar a popula\u00e7\u00e3o do Senegal e a do Brasil e confrontando os n\u00fameros poder\u00edamos dizer que seriam mais de 1.000 mortos e 13.000 presos no pa\u00eds sul-americano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ousmane Sonko e Dionaye Faye: contra a Fran\u00e7a, mas n\u00e3o contra o imperialismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora o presidente eleito seja Dionaye Faye \u00e9 muito importante entender as posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de Ousmane Sonko, o principal l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o, impedido de concorrer \u00e0s elei\u00e7\u00f5es e padrinho da candidatura de Dionaye Faye.<\/p>\n\n\n\n<p>Ousmane Sonko, foi candidato nas elei\u00e7\u00f5es de 2019, conquistou 16% dos votos e ficou em terceiro lugar. Tem um perfil populista de den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o, da domina\u00e7\u00e3o colonial francesa e total silencio da explora\u00e7\u00e3o e roubo das riquezas naturais por parte dos outros pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sonko \u00e9 autor do livro \u201cP\u00e9trole et gaz au S\u00e9n\u00e9gal: Chronique d\u2019une spoliation\u201d. O livro \u00e9 uma bem sustentada e forte den\u00fancia contra a corrup\u00e7\u00e3o na explora\u00e7\u00e3o petroleira. Os principais acusados s\u00e3o o presidente Sall e seu irm\u00e3o.&nbsp; Mas nada que questione o imperialismo, ali\u00e1s ao contr\u00e1rio, os EUA e a Inglaterra veem com bons olhos essas den\u00fancias contra Sall, o aliado do imperialismo franc\u00eas. O pr\u00f3prio Sonko afirmou: \u201cEu pr\u00f3prio fui recebido duas vezes aqui na Embaixada dos Estados Unidos e fui amplamente ouvido pelo Procurador que esteve acompanhando o assunto\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PASTEF o partido de Ousmane Sonko e Diomaye Faye<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2014 foi criado o PASTEF \u2013 Les Patriotes: Patriotes du S\u00e9n\u00e9gal pour l\u2019\u00c9thique, le Travail et la Fraternit\u00e9 (PASTEF \u2013 Os Patriotas: \u201cPatriotas do Senegal pela \u00c9tica, Trabalho e Fraternidade). O PASTEF, \u201cOs Patriotas\u201d \u00e9 um partido composto por jovens pequenos burgueses, profissionais liberais e alguns dirigentes sindicais. O seu programa \u00e9 bastante limitado.<\/p>\n\n\n\n<p>O programa do PASTEF, os Patriotas, afirma que a \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma oportunidade se soubermos explorar suas imensas possibilidades, porque pode encurtar o tempo de renascimento (do pa\u00eds). Ser\u00e1 uma tumba se n\u00e3o formos capazes de nos adaptar aos seus imensos desafios, porque pode acelerar o tempo de decl\u00ednio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Simplificando, em uma \u00e9poca dominada pelo capitalismo imperialista. O PASTEF, os Patriotas \u2013 defendem que a globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma oportunidade de sair do atraso. Aquele que defende a globaliza\u00e7\u00e3o capitalista imperialista n\u00e3o pode ser chamado de patriota.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Governo Faye, nem anti-imperialista e nem anticapitalista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Somente os ing\u00eanuos na pol\u00edtica podem dizer que ainda \u00e9 cedo para analisar esse ou aquele governo. Para n\u00f3s, em primeiro lugar afirmamos que o governo Faye \u00e9 um governo burgu\u00eas e a servi\u00e7o de frear o \u00edmpeto de raiva e rebeldia das massas depois de mais de tr\u00eas anos de repress\u00e3o, mortes por a\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia e de para militares.<\/p>\n\n\n\n<p>Um governo burgu\u00eas que nasce com muita expectativa e esperan\u00e7a por parte das massas juvenis e empobrecidas do Senegal. Um pa\u00eds onde o desemprego gera a migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada e consequente destrui\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias; onde 80% da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem acesso a sa\u00fade, a expectativa de vida est\u00e1 abaixo dos 60 anos e a grande causa de morte \u00e9 por doen\u00e7as gastro intestinais, mal\u00e1ria, partos prematuros etc. A grande pergunta \u00e9: devemos alimentar essas expectativas e esperan\u00e7a no governo burgu\u00eas de Faye ou ajudar as massas a entenderem o projeto de governo dos partid\u00e1rios do PASTEF e acelerar a experiencia das massas com esse governo?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PASTEF: na oposi\u00e7\u00e3o era contra o franco CFA, no governo est\u00e1 mudando<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O PASTEF dentro do seu pragmatismo pol\u00edtico, que segundo eles \u00e9 para construir o patriotismo aberto(?) e voltado para a soberania, defendeu antes das elei\u00e7\u00f5es a sa\u00edda do franco CFA, entre seus principais pontos program\u00e1ticos. Em janeiro de 2023, Ousmane Sonko defendia: \u201cDevemos apropriar-nos autonomamente da nossa moeda, ter as nossas pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es, garanti-la por n\u00f3s pr\u00f3prios\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas opini\u00f5es foram antes da chegada ao poder. Faye nomeou como secret\u00e1rio de governo Ahmadou Al Aminou L\u00f4, um ex executivo do Banco Central dos Estados da \u00c1frica Ocidental e defensor do Franco CFA, segundo ele: &nbsp;\u201cO franco CFA \u00e9 uma moeda est\u00e1vel que cumpre todas as fun\u00e7\u00f5es da moeda, o que n\u00e3o \u00e9 o caso de muitas moedas para as quais somos empurrados (\u2026) Uma moeda com um equil\u00edbrio externo s\u00f3lido, ao contr\u00e1rio do que dizem as pessoas. O franco CFA n\u00e3o est\u00e1 sobrevalorizado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o h\u00e1 soberania nacional com a explora\u00e7\u00e3o mineira e petroleira nas m\u00e3os das transnacionais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de ouro, extremamente lucrativa, \u00e9 explorada pela canadense Teranga Gold Corporation. Em dez anos retiraram 60 toneladas de ouro. A produ\u00e7\u00e3o de fosfato para produ\u00e7\u00e3o de adubos foi incrementada ap\u00f3s o in\u00edcio da guerra na Ucrania, a principal empresa \u00e9 a indiana Indorama. A explora\u00e7\u00e3o de zirc\u00e3o \u00e9 feita pela australiana Mineral Deposits Limited e a indiana Arcelor Mital tem concess\u00e3o para explorar min\u00e9rio de ferro, ainda que n\u00e3o esteja em execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2014 foram encontrados importantes reservas de g\u00e1s e petr\u00f3leo. Os principais blocos de g\u00e1s, Saint Louis Offshore Profond e Cayar Offshore Profond s\u00e3o exploradas pela Kosmos Energy (60%), British Petroleun (30%) e a senegalesa Petrosen (10%). As explora\u00e7\u00f5es petroleiras Sangomar Offshore, Sangomar Offshore Profond e Rufisque Offshore s\u00e3o exploradas pelas Woodside (35%), Cairn Energy (40%), FAR Ltd. (15%) e Petrosen (10%).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 soberania, sem independ\u00eancia nacional, sem a nacionaliza\u00e7\u00e3o e estatiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o mineral e petrol\u00edfera.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo de Faye n\u00e3o defende que o petr\u00f3leo e os minerais sejam 100% senegal\u00eas. Defende renegociar. Assim, a Teranga Gold Co, Indorama e a Mineral Deposits Ltd. seguir\u00e3o sangrando o pa\u00eds juntamente com as empresas de petr\u00f3leo e g\u00e1s que admitem a participa\u00e7\u00e3o da senegalesa Petrosen com apenas 10% das a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os crimes praticados contra os manifestantes e a impunidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da imprensa burguesa repetir sempre que o Senegal \u00e9 um dos pa\u00edses mais est\u00e1veis da regi\u00e3o, omite que essa estabilidade desde o governo de Leopold Senghor foi conseguida com muita repress\u00e3o e viol\u00eancia contra os opositores e as lutas populares. Durante o governo de Macky Sall h\u00e1 in\u00fameros casos de tortura, assassinatos e deten\u00e7\u00f5es ilegais sofridos por opositores pol\u00edticos e cidad\u00e3os comuns nas principais cidades senegalesas como Dakar e Ziguinchor.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 6 de mar\u00e7o encurralado pelas manifesta\u00e7\u00f5es, Macky Sall e o congresso nacional decretaram a Lei de Anistia que cobre o per\u00edodo de mar\u00e7o de 2021 a fevereiro de 2024. A Lei de Anistia cobre \u201ctodos os atos suscet\u00edveis de serem classificados como infra\u00e7\u00f5es penais ou disciplinares cometidos tanto no Senegal como no estrangeiro, relacionados com manifesta\u00e7\u00f5es ou com motiva\u00e7\u00f5es pol\u00edticas\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A Anistia Internacional atrav\u00e9s de sua diretora Samira Daoud afirmou que: \u201cEste projeto de lei seria uma nega\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a para as v\u00edtimas, bem como para as suas fam\u00edlias, que aguardam por justi\u00e7a, verdade e repara\u00e7\u00f5es. Ao aprovar tal lei, o Estado senegal\u00eas n\u00e3o s\u00f3 falha nas suas obriga\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais, mas tamb\u00e9m promove a impunidade para crimes de sangue\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa lei de anistia permitiu que os presos pol\u00edticos Ousmane Sonko e Diomaye Faye, fossem colocados em liberdade e concorressem as elei\u00e7\u00f5es. O governo Faye ir\u00e1 revogar essa lei e garantir justi\u00e7a, verdade e repara\u00e7\u00e3o para os que lutaram contra a ditadura de Sall?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A ins\u00f3lita visita de Paul Kagam\u00e9, o Netanyahu da \u00c1frica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As ag\u00eancias de not\u00edcias informaram da visita do presidente de Ruanda, Paul Kagam\u00e9 \u00e0 Diomaye Faye, presidente do Senegal. Foi uma visita de 48 horas. A desculpa foi a partida final da liga africana de basquetebol, a Basketball \u00c1frica League (BAL).<\/p>\n\n\n\n<p>O convidado de Diomaye Faye, Paul Kagam\u00e9, \u00e9 considerado por muitos como o Benjamin Netanyahu da \u00c1frica. Um relat\u00f3rio da ONU, publicado h\u00e1 poucos meses, denuncia que Ruanda financia as milicias do M23 respons\u00e1vel pelo genoc\u00eddio praticado contra a popula\u00e7\u00e3o congolesa. Al\u00e9m das milhares de mortes, o ataque a cidade de Goma provocou a fuga de 180.000 pessoas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel a um africano que minimamente acompanhe a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do continente desconhecer o papel genocida de Paul Kagam\u00e9. A desculpa pela visita foi a semifinal do campeonato africano de basquetebol. N\u00e3o h\u00e1 relatos de quais temas foram abordados e muito menos dos acordos firmados. Somente fotos de ambos e a not\u00edcia de que entraram juntos ao est\u00e1dio e foram aplaudidos de p\u00e9 pelo p\u00fablico. Quer dizer, Faye levou seus eleitores a aplaudirem de p\u00e9 um genocida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pela organiza\u00e7\u00e3o independente dos que derrubaram nas ruas o governo Macky Sall<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A derrota do governo bonapartista de Macky Sall foi uma importante vit\u00f3ria das massas nesses anos de lutas nas ruas, universidades, bairros e locais de trabalho. A burguesia assustada via seus lucros ca\u00edrem com a paralisa\u00e7\u00e3o do turismo, do comercio e da paralisa\u00e7\u00e3o dos projetos petroleiros. Uma vez mais \u00e9 preciso dizer: foram as massas, em especial a juventude, nas lutas nas ruas quem derrotou Sall.<\/p>\n\n\n\n<p>A vit\u00f3ria eleitoral de Faye n\u00e3o veio para aprofundar essa luta, veio para frear o \u00edmpeto das massas e prometer pequenas mudan\u00e7as que n\u00e3o mudar\u00e3o a ess\u00eancia do capitalismo colonizado em tempos de crise mundial.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Trotsky aconselhava que: \u201c\u00c9 necess\u00e1rio ajudar as massas, no processo de suas lutas cotidianas a encontrar a ponte entre suas reivindica\u00e7\u00f5es atuais e o programa da revolu\u00e7\u00e3o socialista\u201d e isto se traduz em ajudar as massas a constru\u00edrem suas organiza\u00e7\u00f5es independentes dos patr\u00f5es e do governo PASTEF.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria dos trabalhadores e jovens desempregados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As massas que lutaram nas ruas necessitam de uma forte e bem estruturada organiza\u00e7\u00e3o que os oriente para as lutas futuras.<\/p>\n\n\n\n<p>A vanguarda lutadora, al\u00e9m da forte organiza\u00e7\u00e3o de massas, necessita tamb\u00e9m de uma organiza\u00e7\u00e3o que programaticamente se defina pela expuls\u00e3o do imperialismo, pelo fim do capitalismo e pela constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Nossos mortos n\u00e3o podem ser esquecidos. Puni\u00e7\u00e3o aos policias e paramilitares assassinos<\/li>\n\n\n\n<li>Pela nacionaliza\u00e7\u00e3o dos recursos naturais. Fora transnacionais imperialistas<\/li>\n\n\n\n<li>Por um governo dos trabalhadores, jovens e do povo pobre<\/li>\n\n\n\n<li>\u00c1frica unida, sem patr\u00f5es nacionais ou estrangeiros<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A onda antifrancesa se alastra pelo Sahel. Golpes militares ou elei\u00e7\u00f5es tem servido para derrubar governos abertamente pr\u00f3 imperialismo franc\u00eas. Por\u00e9m \u00e9 bom lembrar que antes dos golpes de Estado no Mali, Burkina Faso e Niger houveram grandes mobiliza\u00e7\u00f5es de massas. Os golpes militares foram medidas preventivas para controlar as massas. No Senegal, as elei\u00e7\u00f5es [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":78924,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[920],"tags":[8859,213,8670],"class_list":["post-78923","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-senegal","tag-bassirou-diomaye-faye","tag-cesar-neto","tag-senegal"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Faye-Senegal.jpg","categories_names":["Senegal"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78923","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78923"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78923\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78925,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78923\/revisions\/78925"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78924"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78923"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78923"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78923"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}