{"id":78918,"date":"2024-05-21T01:01:53","date_gmt":"2024-05-21T01:01:53","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78918"},"modified":"2024-05-21T01:02:36","modified_gmt":"2024-05-21T01:02:36","slug":"eleicoes-europeias-2024uma-saida-socialista-e-revolucionaria-para-a-europa-do-capital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/05\/21\/eleicoes-europeias-2024uma-saida-socialista-e-revolucionaria-para-a-europa-do-capital\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00f5es europeias 2024: Uma sa\u00edda socialista e revolucion\u00e1ria ante a Europa do capital"},"content":{"rendered":"\n<p><em>As elei\u00e7\u00f5es para o Parlamento Europeu v\u00e3o acontecer entre 6 e 9 de junho. V\u00eam marcadas pela ascens\u00e3o da extrema-direita e pela virada geral dos governos ao rearmamento e o militarismo; pelo o racismo institucional e a xenofobia; pelos ataques \u00e0s liberdades e pela retomada da ofensiva contra os direitos sociais e trabalhistas. Ocorrem em meio ao genoc\u00eddio sionista em Gaza e do terrorismo de colonos e soldados na Cisjord\u00e2nia, e diante do avan\u00e7o da ofensiva imperialista russa contra a Ucr\u00e2nia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: LIT- QI\/ Europa<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o elei\u00e7\u00f5es para um parlamento sem poderes, porque quem governa na Europa s\u00e3o organismos n\u00e3o eleitos, como a Comiss\u00e3o Europeia, que respondem aos governos alem\u00e3o e franc\u00eas e \u00e0s grandes associa\u00e7\u00f5es patronais europeias. Em muitos pa\u00edses, as condi\u00e7\u00f5es para que as for\u00e7as pol\u00edticas minorit\u00e1rias apresentem candidaturas s\u00e3o proibitivas. A UE \u00e9 a Europa do capital, um instrumento, antes de qualquer coisa, do capitalismo alem\u00e3o e franc\u00eas para dominar os pa\u00edses do Leste e do Sul e influenciar o mundo em escala mundial. As proclama\u00e7\u00f5es da UE sobre a democracia e os direitos humanos s\u00e3o uma farsa que contradiz cada vez mais abertamente as suas pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 tamb\u00e9m um outro lado da realidade, no qual podemos confiar, formado pelas mobiliza\u00e7\u00f5es estudantis em muitos pa\u00edses europeus em solidariedade internacionalista com a resist\u00eancia palestina e contra o genoc\u00eddio sionista. Temos tamb\u00e9m batalhas como as da classe trabalhadora alem\u00e3 por sal\u00e1rios, as das mulheres em defesa do direito ao aborto na It\u00e1lia ou as lutas em defesa do meio ambiente, que tamb\u00e9m s\u00e3o defendidas pelos jovens.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O decl\u00ednio da Uni\u00e3o Europeia (UE)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No pano de fundo est\u00e1 o decl\u00ednio da Uni\u00e3o Europeia (UE) e das suas grandes pot\u00eancias que, no meio da disputa interimperialista entre os EUA e a China, desempenham um papel cada vez mais subordinado na economia e na ordem mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>A Alemanha, grande pot\u00eancia da UE, est\u00e1 estagnada desde o colapso do acesso ao g\u00e1s russo e a guerra de agress\u00e3o de Putin contra a Ucr\u00e2nia. Sua produ\u00e7\u00e3o manufatureira est\u00e1 em decl\u00ednio e amea\u00e7ada pelas exporta\u00e7\u00f5es da China, de cujo mercado, ao mesmo tempo, depende. Atua como um an\u00e3o pol\u00edtico na arena mundial, totalmente subserviente aos EUA, como expresso no genoc\u00eddio em Gaza.<\/p>\n\n\n\n<p>A arrog\u00e2ncia viril de Macron n\u00e3o \u00e9 capaz de esconder o decl\u00ednio da Fran\u00e7a, expulsa de suas ex-col\u00f4nias africanas, com servi\u00e7os p\u00fablicos em queda livre, uma economia que n\u00e3o levanta a cabe\u00e7a e um regime pol\u00edtico em crise que, desde a luta dos Coletes Amarelos, \u00e9 vanguarda nos ataques \u00e0s liberdades e repress\u00e3o \u00e0 dissid\u00eancia. A verborragia de Macron sobre a &#8220;soberania nacional francesa&#8221; n\u00e3o esconde sua vassalagem ante os EUA no massacre de Gaza e nos principais assuntos internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>A UE concordou recentemente em abrir uma nova e muita incerta amplia\u00e7\u00e3o para o Leste, enquanto se acentuam as divis\u00f5es internas entre as diferentes burguesias e governos europeus. Estas divis\u00f5es tornam imposs\u00edvel a cria\u00e7\u00e3o de um macro-Estado europeu, que seria, de fato, a \u00fanica forma do capitalismo europeu n\u00e3o ser esmagado no conflito EUA-China.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Querem acabar com o chamado Estado de bem-estar social e, ao mesmo tempo, aumentar a repress\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O decl\u00ednio da Europa est\u00e1 constantemente reduzindo a margem de manobra da UE e os governos est\u00e3o atacando as conquistas hist\u00f3ricas que ainda restam do que conhecemos como o Estado de Bem Estar sScial. Se isso acontece na Fran\u00e7a ou na Alemanha, \u00e9 mais grave ainda no resto. A UE j\u00e1 concordou em voltar \u00e0s regras do chamado &#8220;pacto de estabilidade&#8221;, suspenso desde a pandemia, para for\u00e7ar cortes sociais e trabalhistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos casos mais extremos de agress\u00e3o social \u00e9 a Gr\u00e9cia (que se tornou, ap\u00f3s a trai\u00e7\u00e3o de Tsipras em 2015, uma verdadeira semi-col\u00f4nia), onde acaba de ser aprovada uma lei que estende a jornada de trabalho para 78 horas semanais e que promove contratos de semiescravatura e medidas antigreve. Portugal foi condenado a ser um destino tur\u00edstico e zona de extra\u00e7\u00e3o de l\u00edtio para empresas estrangeiras. Juntamente com os pa\u00edses do Leste, faz parte da periferia europeia semicolonizada. Pa\u00edses como o estado Espanhol, embora tenham capital financeiro significativo, s\u00e3o tamb\u00e9m, cada vez mais, pa\u00edses de <em>gar\u00e7ons <\/em>e empregos prec\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>A ofensiva contra as conquistas sociais que ainda perduram \u00e9 inevitavelmente acompanhada de medidas de repress\u00e3o policial e judicial e de controle social contra as diferentes formas de resist\u00eancia. Junto com Fran\u00e7a, It\u00e1lia e Hungria, campe\u00f5es europeus em mat\u00e9ria repressiva, os v\u00e1rios governos da UE reprimiram as mobiliza\u00e7\u00f5es em solidariedade \u00e0 Palestina, chamando-as de &#8220;antissemitas&#8221;. Os ju\u00edzes espanh\u00f3is, herdeiros do franquismo, acusam os separatistas catal\u00e3es de terrorismo por terem promovido a\u00e7\u00f5es em massa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pol\u00edtica da UE em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Palestina e \u00e0 Ucr\u00e2nia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica da UE em rela\u00e7\u00e3o ao genoc\u00eddio em Gaza e ao terrorismo israelita na Cisjord\u00e2nia \u00e9 uma total indec\u00eancia. A UE e seus governos, submissos aos EUA, d\u00e3o cobertura pol\u00edtica ao genoc\u00eddio, enquanto Alemanha e It\u00e1lia armam abertamente o Estado sionista. Ao mesmo tempo, o rep\u00fadio de uma n\u00edtida maioria dos povos europeus est\u00e1 criando certas fissuras entre os parceiros da UE. Governos como o espanhol, formalmente muito cr\u00edticos de Israel, continuaram a autorizar a venda de armas, justificando-a com o argumento de que os contratos foram previamente assinados. Josep Borrell, Alto Representante da UE, parece criticar o massacre, mas a UE n\u00e3o faz nada de eficaz para o deter. Por seu lado, as burocracias sindicais europeias condenam verbalmente as atrocidades sionistas, mas n\u00e3o tomam medidas consequentes contra as empresas envolvidas no genoc\u00eddio ou contra o apoio dos governos a Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito \u00e0 Ucr\u00e2nia, ao mesmo tempo que a Pol\u00f4nia e a Litu\u00e2nia retiram ajuda aos imigrantes, a UE e os seus governos continuam com a verborragia do apoio ao povo ucraniano. Mas na hora da verdade, n\u00e3o fornecem as armas necess\u00e1rias para parar e derrotar a agress\u00e3o russa e, quando o fazem, o fazem com conten\u00e7\u00e3o, tarde e mal. Os pa\u00edses da UE continuam a comprar g\u00e1s natural liquefeito da R\u00fassia em grandes quantidades, enquanto &#8211; atrav\u00e9s de esquemas triangulares &#8211; vendem material para uso militar.<\/p>\n\n\n\n<p>As for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o de Putin est\u00e3o aumentando drasticamente seus ataques. Soldados ucranianos est\u00e3o morrendo na linha de frente sem muni\u00e7\u00e3o e a infraestrutura do pa\u00eds est\u00e1 sendo devastada pela falta de defesa a\u00e9rea. Na verdade, as pot\u00eancias europeias, alinhadas com os EUA, n\u00e3o querem que a Ucr\u00e2nia ven\u00e7a, mas que a force um armist\u00edcio com Putin, no qual a R\u00fassia ficar\u00e1 com uma parte inteira da na\u00e7\u00e3o ucraniana, enquanto coloniza o resto. A subservi\u00eancia de Zelensky aos EUA e \u00e0 UE e sua pol\u00edtica aberta antioper\u00e1ria enfraquecem a resist\u00eancia, cuja espinha dorsal \u00e9 a classe trabalhadora ucraniana. Da mesma forma, o seu miser\u00e1vel apoio ao genoc\u00eddio israelita diminui a solidariedade internacional para com a justa causa do povo ucraniano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A ascens\u00e3o da <\/strong>ultradireita<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos vivendo uma ascens\u00e3o significativa da ultradireita. Nas elei\u00e7\u00f5es europeias anteriores, obteve 18% dos votos e agora, segundo as sondagens, pode chegar aos 25%. A extrema-direita preside o governo na It\u00e1lia (Meloni) e na Hungria (Orb\u00e1n) e participa em governos de coliga\u00e7\u00e3o em pa\u00edses como a Let\u00f4nia e a Finl\u00e2ndia e em governos regionais na Espanha. Nos Pa\u00edses Baixos foi a for\u00e7a mais votada, em Portugal quadruplicou os votos e atingiu os 18%. Macron (cuja pol\u00edtica \u00e9, em muitos aspectos, a mesma da extrema-direita) est\u00e1, segundo as sondagens, 10 pontos atr\u00e1s nas inten\u00e7\u00f5es de voto.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os dias, a direita europeia d\u00e1 legitimidade \u00e0 ultradireita, que imp\u00f5e, com o seu apoio, leis sobre quest\u00f5es fundamentais, como a pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o e asilo (que tamb\u00e9m foi votada pelos social-democratas). Caminham tamb\u00e9m de m\u00e3os dadas em quest\u00f5es como o rearmamento e os ataques \u00e0s liberdades. A candidata de direita para repetir a presid\u00eancia da Comiss\u00e3o Europeia, Von der Leyen, j\u00e1 anunciou a inten\u00e7\u00e3o de fazer um pacto com a extrema-direita a favor da OTAN e de Israel e contra Putin, como \u00e9 o caso de Meloni e do Vox.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa ascens\u00e3o da ultradireita \u00e9 apoiada socialmente por camadas m\u00e9dias descontentes e entre setores prec\u00e1rios de trabalhadores que absorvem a demagogia ultra contra imigrantes e &#8220;mu\u00e7ulmanos&#8221; como causas de seu infort\u00fanio, absolvendo o verdadeiro culpado: o grande capital e suas institui\u00e7\u00f5es. Sua ascens\u00e3o reflete a crise do capitalismo, que n\u00e3o sai do p\u00e2ntano desde 2008, e \u00e9 proporcional \u00e0 profundidade da crise social, ao fracasso dos atuais regimes pol\u00edticos e \u00e0 aus\u00eancia de uma alternativa \u00e0 esquerda que n\u00e3o seja vista como &#8220;mais do mesmo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m chamamos a aten\u00e7\u00e3o para o surgimento de partidos &#8220;vermelho-pardos&#8221;, como o BSW na Alemanha, liderado por Sahra Wagenknecht. Este partido, uma ruptura com o partido Die Linke, defende um programa xen\u00f3fobo, islamof\u00f3bico, pr\u00f3-sionista e pr\u00f3-Putin; reivindica o passado stalinista da RDA; \u00e9 a favor das energias f\u00f3sseis e op\u00f5e-se a medidas de pol\u00edtica ambiental. \u00c9, finalmente, antieuropeu.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Racismo institucional e xenofobia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Pacto sobre a Imigra\u00e7\u00e3o e o Asilo votado pelo Parlamento Europeu &#8211; um complemento \u00e0s leis xen\u00f3fobas dos Estados &#8211; \u00e9 um sinal de barb\u00e1rie. Os M\u00e9dicos Sem Fronteiras denunciaram que se trata de &#8220;<em>uma aboli\u00e7\u00e3o do direito de pedir asilo na UE<\/em>&#8221; que &#8220;<em>ter\u00e1 consequ\u00eancias catastr\u00f3ficas para a vida das pessoas que procuram seguran\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o na Europa<\/em>&#8221; porque &#8220;<em>endossa as rejei\u00e7\u00f5es na fronteira, dificulta o acesso ao asilo e criminaliza injustamente os migrantes e refugiados<\/em>&#8220;. Maria Sonnek, da ONG Seebr\u00fccke, afirmou: \u00ab<em>O pacote jur\u00eddico institucionaliza as pr\u00e1ticas mais brutais e repressivas nas fronteiras externas da UE<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>A migra\u00e7\u00e3o deve-se \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida catastr\u00f3ficas causadas pelo empobrecimento dos pa\u00edses semicoloniais, consequ\u00eancia da espolia\u00e7\u00e3o dos seus recursos naturais e da correspondente degrada\u00e7\u00e3o ambiental, das guerras provocadas pela gan\u00e2ncia das pot\u00eancias imperialistas e da destrui\u00e7\u00e3o das suas condi\u00e7\u00f5es de vida, todas agora agravadas pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. A resposta europeia \u00e9 o rastreio de pessoas, incluindo reconhecimento facial de crian\u00e7as a partir dos 6 anos de idade, rejei\u00e7\u00f5es de requerentes de asilo, gest\u00e3o de asilo em instala\u00e7\u00f5es fechadas, deten\u00e7\u00f5es por suspeita de entrada irregular e externaliza\u00e7\u00e3o de fronteiras. Enquanto os brit\u00e2nicos querem enviar requerentes de asilo para Ruanda, os pa\u00edses da UE externalizam suas fronteiras para o norte da \u00c1frica, Kosovo e S\u00e9rvia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rearmamento e militariza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os governos europeus, liderados pela UE, iniciaram uma pol\u00edtica maci\u00e7a de rearmamento e militariza\u00e7\u00e3o e lan\u00e7aram uma enorme campanha de propaganda (&#8220;Preparem-se para a guerra&#8221;). Alguns pa\u00edses do norte da Europa decidiram restabelecer o alistamento militar, algo defendido pelo pr\u00f3prio ministro da Defesa alem\u00e3o. O governo Scholz aprovou gastos de 100 bilh\u00f5es de euros com rearmamento. Na Fran\u00e7a, o governo abre caminho para o servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio ao alistar jovens de 15 a 17 anos no SNU.<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica de rearmamento agrava a ofensiva social do grande capital europeu. A primeira-ministra dinamarquesa, a social-democrata Mette Frederiksen, j\u00e1 avisou, para que ningu\u00e9m se engane, que as despesas com armas v\u00eam necessariamente em detrimento &nbsp;dos gastos sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os planos de armamento da UE procuram favorecer a ind\u00fastria europeia de armamento, mas durante muito tempo os principais benefici\u00e1rios continuar\u00e3o a ser os fabricantes de armas americanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os planos de rearmamento e militariza\u00e7\u00e3o andam de m\u00e3os dadas com o fortalecimento da hierarquia militar e a subjuga\u00e7\u00e3o dos povos. \u00c9 por isso que n\u00e3o s\u00f3 nos opomos ao rearmamento, como somos a favor de uma forma\u00e7\u00e3o militar universal baseada nos bairros e locais de trabalho e onde os oficiais devem ter a aprova\u00e7\u00e3o das tropas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Revers\u00e3o das poucas e insuficientes medidas clim\u00e1ticas aprovadas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Ag\u00eancia Europeia do Ambiente (AEA) publicou um relat\u00f3rio em 11 de mar\u00e7o afirmando que &#8220;<em>a Europa aqueceu uma taxa acima da m\u00e9dia global. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e3o acontecendo agora e v\u00e3o piorar no futuro<\/em>.&#8221; Denuncia a incapacidade das institui\u00e7\u00f5es e dos governos da UE para combater a taxa de aumento de eventos clim\u00e1ticos extremos, que ter\u00e3o consequ\u00eancias &#8220;<em>catastr\u00f3ficas<\/em>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, o consumo de energia f\u00f3ssil continua aumentando na Europa e no mundo, tal como a prospec\u00e7\u00e3o, que \u00e9 realizada em zonas mar\u00edtimas particularmente sens\u00edveis. Os planos de transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica da Europa n\u00e3o servem para enfrentar a cat\u00e1strofe ambiental, mas est\u00e3o a servi\u00e7o de uma nova reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva para aumentar a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores atrav\u00e9s da automatiza\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caso do carro el\u00e9trico. Por outro lado, a obten\u00e7\u00e3o dos materiais necess\u00e1rios para sua produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 causando enormes danos ambientais nos pa\u00edses da periferia semicolonial onde s\u00e3o obtidos, muitas vezes em condi\u00e7\u00f5es sub-humanas.<\/p>\n\n\n\n<p>A UE e seus governos, de m\u00e3os dadas com o agroneg\u00f3cio, tamb\u00e9m est\u00e3o for\u00e7ando um forte recuo nas j\u00e1 muito limitadas medidas ambientais aprovadas, agora usando mobiliza\u00e7\u00f5es agr\u00e1rias passadas como desculpa. A Lei de Recupera\u00e7\u00e3o da Natureza aprovada pelo Parlamento Europeu nada diz sobre novas \u00e1reas a proteger e deixa uma ampla margem de manobra aos Estados. N\u00e3o surpreende que tenha o apoio formal de multinacionais como Unilever, Coca Cola e Nestl\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 preciso promover a mobiliza\u00e7\u00e3o e a organiza\u00e7\u00e3o independente da classe trabalhadora e da juventude!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos vivemos v\u00e1rias grandes mobiliza\u00e7\u00f5es, como as da classe trabalhadora francesa contra a reforma da Previd\u00eancia. No entanto, sob o peso da burocracia sindical (e do sil\u00eancio da esquerda pol\u00edtica oficial), n\u00e3o conseguiram avan\u00e7ar na organiza\u00e7\u00e3o independente das bases, nem desafiaram as regras antidemocr\u00e1ticas da Quinta Rep\u00fablica. Por isso, apesar de terem ampla maioria de apoio social, foram derrotados e o governo e os patr\u00f5es acabaram impondo sua odiada reforma.<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, houve grandes mobiliza\u00e7\u00f5es salariais na Alemanha e temos lutas isoladas em muitos lugares. Com os jovens na vanguarda, temos vivido fortes mobiliza\u00e7\u00f5es a favor do meio ambiente, como a de Santa S\u00f3line, na Fran\u00e7a, barbaramente reprimida por Macron. A luta em solidariedade com a Palestina mobiliza faixas cada vez mais amplas da juventude, dando origem a grandes manifesta\u00e7\u00f5es e outras a\u00e7\u00f5es de rep\u00fadio ao massacre israelense, que muitas vezes foram reprimidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para enfrentar essa ofensiva do capital e dos diferentes governos a seu servi\u00e7o, s\u00f3 h\u00e1 um caminho: avan\u00e7ar na mobiliza\u00e7\u00e3o de massas, unificar as lutas e dar passos na organiza\u00e7\u00e3o independente dos explorados e oprimidos, na sua auto-organiza\u00e7\u00e3o, superando a fragmenta\u00e7\u00e3o, a resigna\u00e7\u00e3o e o des\u00e2nimo e superando as burocracias.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda na Europa do capital, da UE e do euro. Os partidos social-democratas e socialistas h\u00e1 muito fazem parte do sistema, no qual se apresentam como o &#8220;mal menor&#8221;. Este \u00e9 tamb\u00e9m o caso dos poucos partidos comunistas residuais que ainda existem. Por seu lado, os partidos que nos \u00faltimos anos apareceram \u00e0 esquerda da social-democracia, que falavam em &#8220;refundar a UE&#8221; e se apresentavam como alternativa, arrastando atr\u00e1s de si amplos setores populares, mostraram que, afinal, n\u00e3o passavam da quinta roda do sistema. \u00c9 o caso da Refundazione Comunista, Syriza e Podemos que, depois de fazerem parte de governos burgueses de colabora\u00e7\u00e3o de classes, est\u00e3o agora em avan\u00e7ado processo de decomposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos de avan\u00e7ar na constru\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a revolucion\u00e1ria alternativa cujo objetivo estrat\u00e9gico seja organizar a classe trabalhadora para tomar o poder e avan\u00e7ar para uma Europa dos trabalhadores e dos povos. Temos de dar passos na constru\u00e7\u00e3o de uma Internacional revolucion\u00e1ria e dos seus partidos em toda a Europa. Esta \u00e9 a tarefa central para a qual as se\u00e7\u00f5es europeias da LIT-QI est\u00e3o trabalhando.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Com o povo palestino!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Parem o genoc\u00eddio em Gaza!&nbsp; Fim imediato da venda de armas a Israel!<\/p>\n\n\n\n<p>Por uma Palestina livre, laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista, do rio ao mar!<\/p>\n\n\n\n<p>Rompimento das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas e comerciais com o Estado sionista!<\/p>\n\n\n\n<p>Apoio \u00e0 campanha de Boicote, Desinvestimento, San\u00e7\u00f5es (BDS)!<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e0 armadilha dos &#8220;dois Estados&#8221;, que legitima a ocupa\u00e7\u00e3o colonial!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Com a resist\u00eancia ucraniana!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apoio \u00e0 resist\u00eancia ucraniana diante da agress\u00e3o imperialista de Putin!<\/p>\n\n\n\n<p>Apoio militar efetivo \u00e0 Ucr\u00e2nia! Parar a venda triangular de equipamentos militares para a R\u00fassia!<\/p>\n\n\n\n<p>Cancelamento da d\u00edvida externa que escraviza a Ucr\u00e2nia!<\/p>\n\n\n\n<p>Confisco de bens russos na Europa para atender \u00e0s necessidades do povo ucraniano!<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e0 submiss\u00e3o de Zelensky aos EUA e \u00e0 UE! N\u00e3o aos seus planos antitrabalhadores!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o ao rearmamento e \u00e0 militariza\u00e7\u00e3o!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Redu\u00e7\u00e3o dos gastos militares! Gastos sociais, n\u00e3o militares!<\/p>\n\n\n\n<p>Fora a OTAN e as bases americanas em solo europeu!<\/p>\n\n\n\n<p>Treinamento militar universal, baseado no local onde se vive e trabalha e com os oficiais sujeitos \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o da tropa!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fora o pacto de imigra\u00e7\u00e3o e asilo e todas as leis xen\u00f3fobas de imigra\u00e7\u00e3o!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Regulariza\u00e7\u00e3o de migrantes! Desmantelamento da ag\u00eancia Frontex!<\/p>\n\n\n\n<p>Reconhecimento do direito \u00e0 nacionalidade para os nascidos em solo europeu e do direito ao ref\u00fagio para os que fogem de guerras, ditaduras e fome!<\/p>\n\n\n\n<p>Nativos ou estrangeiros, a mesma classe trabalhadora!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reorganizar toda a economia, combater a cat\u00e1strofe ambiental!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Expropria\u00e7\u00e3o de setores estrat\u00e9gicos, colocando-os sob controle dos trabalhadores!<\/p>\n\n\n\n<p>Reorganiza\u00e7\u00e3o geral da economia baseada nas necessidades sociais e na sustentabilidade ambiental!<\/p>\n\n\n\n<p>A UE \u00e9 a Europa do capital!<strong> Por uma Europa da classe oper\u00e1ria e dos povos! <\/strong>Por um Estados Unidos Socialista da Europa!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pela constru\u00e7\u00e3o da internacional revolucion\u00e1ria!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As elei\u00e7\u00f5es para o Parlamento Europeu v\u00e3o acontecer entre 6 e 9 de junho. 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