{"id":78899,"date":"2024-05-16T01:57:56","date_gmt":"2024-05-16T01:57:56","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78899"},"modified":"2024-12-07T19:15:52","modified_gmt":"2024-12-07T19:15:52","slug":"78899","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/05\/16\/78899\/","title":{"rendered":"50 Anos da Revolu\u00e7\u00e3o Portuguesa: Li\u00e7\u00f5es para a A\u00e7\u00e3o Revolucion\u00e1ria Hoje"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>No \u00e2mbito da campanha pelos 50 anos da Revolu\u00e7\u00e3o Portuguesa, no dia 30 de abril as se\u00e7\u00f5es da LIT na Europa realizaram uma LIVE para falar sobre a revolu\u00e7\u00e3o. Uma atividade que consideramos muito bem-sucedida e na qual tr\u00eas companheiros explicaram de \u00e2ngulos diferentes, o que foi a \u00faltima revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria na Europa no s\u00e9culo 20, quais foram suas conquistas e limita\u00e7\u00f5es e, sobretudo, que li\u00e7\u00f5es importantes ela nos deixa para o presente e o futuro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: LIT- Europa<\/p>\n\n\n\n<p>A LIVE contou com a presen\u00e7a de cerca de 70 companheiros\/as que se conectaram de Portugal, Espanha, It\u00e1lia, B\u00e9lgica, Fran\u00e7a, Turquia e outros lugares, e atrav\u00e9s do chat tiveram a possibilidade de enviar suas perguntas, algumas das quais tamb\u00e9m foram respondidas pelos palestrantes<\/p>\n\n\n\n<p>A seguir, a transcri\u00e7\u00e3o do conte\u00fado das tr\u00eas falas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>50 Anos de Abril: Na Luta por uma Nova Revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Flor Neves (<em>Em Luta<\/em>)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como revolucion\u00e1rios, estudamos e debatemos revolu\u00e7\u00f5es para aprender li\u00e7\u00f5es para hoje. No 25 de Abril, milhares de pessoas invadiram as ruas de Lisboa em resposta ao crescimento da extrema-direita nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, exigindo liberdades democr\u00e1ticas e avan\u00e7os da revolu\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m levantando as suas reivindica\u00e7\u00f5es de hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>O 25 de Abril de 1974, come\u00e7ou como um golpe de Estado militar, por parte dos oficiais m\u00e9dios \u2013 os capit\u00e3es \u2013 para derrubar a ditadura que travava uma guerra colonial desde 1961 \u2013 em Angola, Mo\u00e7ambique e Guin\u00e9-Bissau \u2013 contra as aspira\u00e7\u00f5es independentistas destes pa\u00edses. \u00c9 por isso que dizemos que o 25 de Abril nasceu na \u00c1frica. Nesse sentido, n\u00e3o \u00e9 verdade o que se costuma dizer que foi uma revolu\u00e7\u00e3o sem sangue, j\u00e1 que a base da revolu\u00e7\u00e3o foi o sangue derramado por milhares de combatentes africanos e pelos trabalhadores portugueses nessa guerra. Essa crise das For\u00e7as Armadas, produto da guerra, combinou-se com o crescimento da resist\u00eancia e da oposi\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e estudantil \u00e0 ditadura, particularmente nos \u00faltimos anos da ditadura, o que possibilitou uma reorganiza\u00e7\u00e3o nesses setores e um aprendizado pol\u00edtico de uma vanguarda que viria a desempenhar um papel central na revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 25 de abril, o Movimento das For\u00e7as Armadas (MFA) apelou a toda a popula\u00e7\u00e3o para ficar em casa. No entanto, a popula\u00e7\u00e3o saiu \u00e0 rua, n\u00e3o s\u00f3 mostrando o seu apoio \u00e0 derrubada da ditadura, mas tamb\u00e9m desempenhando um papel central no desmantelamento das estruturas repressivas do regime, como a pol\u00edcia pol\u00edtica \u2013 a PIDE\/DGS \u2013 ou a liberta\u00e7\u00e3o de presos pol\u00edticos. Assim, no 25 de Abril, o golpe de Estado transformou-se numa revolu\u00e7\u00e3o, que se confirmou em 1 de Maio, quando um milh\u00e3o de pessoas sa\u00edram \u00e0 rua, conjugando reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, contra a guerra colonial, mas tamb\u00e9m pelo direito ao p\u00e3o, aos sal\u00e1rios ou \u00e0 habita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos meses que se seguiram, o car\u00e1cter combinado e permanente da revolu\u00e7\u00e3o confirmou-se cada vez mais, em contraste com a vis\u00e3o estalinista de uma revolu\u00e7\u00e3o por etapas, primeiro democr\u00e1tica e depois socialista (defendida pelo Partido Comunista Portugu\u00eas). O m\u00eas de Maio ficou marcado por in\u00fameras greves por todo o pa\u00eds, com a oposi\u00e7\u00e3o do PCP que as considerava reacion\u00e1rias. Enfrentando o fascismo, as condi\u00e7\u00f5es miser\u00e1veis de vida e os patr\u00f5es que a ditadura protegia e apoiava, os trabalhadores come\u00e7aram a enfrentar diretamente o capitalismo. Al\u00e9m disso, os trabalhadores passaram a se organizar de forma aut\u00f4noma. Eles formaram comiss\u00f5es de trabalhadores em grandes empresas, comiss\u00f5es de soldados dentro do ex\u00e9rcito, comiss\u00f5es de camponeses no campo e comiss\u00f5es nos bairros para resolver os problemas mais urgentes de suas vidas, acreditando em suas pr\u00f3prias for\u00e7as e habilidades para tomar seu destino em suas pr\u00f3prias m\u00e3os. Se os governos provis\u00f3rios expressavam o poder institucional da burguesia, essas comiss\u00f5es expressavam o poder que os trabalhadores estavam construindo em paralelo: um duplo poder. Por isso, nesse per\u00edodo, foi levantada a possibilidade n\u00e3o s\u00f3 de construir uma democracia burguesa, mas de construir o socialismo em Portugal, uma sociedade sem explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse per\u00edodo, o general Sp\u00ednola, primeiro presidente da rep\u00fablica do novo regime, foi o grande representante da burguesia. Tinha um projeto oposto ao da revolu\u00e7\u00e3o que crescia nas ruas, nas empresas e nos bairros. Ele queria derrotar a revolu\u00e7\u00e3o anticolonial na \u00c1frica, defendendo um projeto neocolonial, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 independ\u00eancia imediata das col\u00f4nias. Tamb\u00e9m era contra a forma\u00e7\u00e3o de uma Assembleia Constituinte e defendia a prioridade da realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es presidenciais, em um regime com tra\u00e7os marcadamente bonapartistas, para derrotar a revolu\u00e7\u00e3o e suas conquistas. Sp\u00ednola foi derrotado pelo movimento de massas em 28 de setembro de 1974, quando pediu a constitui\u00e7\u00e3o da maioria silenciosa. Mas, em 11 de mar\u00e7o de 1975, organizou um golpe contrarrevolucion\u00e1rio que foi definitivamente derrotado pela mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, juntamente com o Partido Socialista, o Partido Comunista e o MFA, tendo posteriormente se exilado no Estado espanhol.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez derrotada a tentativa de golpe contrarrevolucion\u00e1rio, abriu-se o caminho para a independ\u00eancia nas ex-col\u00f4nias, enquanto em pa\u00edses como Timor-Leste, a pr\u00f3pria independ\u00eancia permaneceu por cumprir, como uma miragem, durante d\u00e9cadas. Mas tamb\u00e9m se abriu uma situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria que se radicalizava a cada momento com o aprofundamento das experi\u00eancias de controle oper\u00e1rio e crise nas For\u00e7as Armadas. Assim, a derrota do golpe colocou em pauta o projeto de pa\u00eds a seguir.<\/p>\n\n\n\n<p>As elei\u00e7\u00f5es para a Assembleia Constituinte foram realizadas em abril de 1975. O PS, integrado na social-democracia europeia que o financia, vence as elei\u00e7\u00f5es, o que dar\u00e1 mais for\u00e7a ao seu projeto de derrotar a revolu\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de uma democracia burguesa, assente no parlamento e nas elei\u00e7\u00f5es. \u00c9 tamb\u00e9m um projeto apoiado pelo imperialismo europeu, e a partir de certo ponto tamb\u00e9m pelos EUA, e que tem como horizonte a entrada na CEE: a Europa promete verbas para ajudar Portugal desde que o pa\u00eds se submeta a uma democracia liberal e a uma economia de mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>O Partido Comunista responde \u00e0s necessidades da URSS. Esta n\u00e3o era mais a URSS revolucion\u00e1ria do tempo de L\u00eanin, mas a URSS herdada de Stalin, que usurpou o poder dos trabalhadores nos sovietes e o entregou \u00e0 burocracia. Foi a URSS que, contra a revolu\u00e7\u00e3o mundial, desde os acordos de Yalta e Potsdam ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, fez um pacto com o imperialismo norte-americano para dividir o mundo em dois, ocupando e oprimindo militarmente o Oriente, enquanto impedia que os trabalhadores chegassem ao poder no Ocidente. Nesse sentido, o objetivo da URSS era fazer de Portugal um pa\u00eds neutro nas disputas da Guerra Fria, mas n\u00e3o um pa\u00eds &#8220;comunista&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O PCP, apoiado por amplos sectores do MFA, tinha assim um projeto bonapartista e autorit\u00e1rio de controle do movimento oper\u00e1rio e das suas liberdades democr\u00e1ticas, utilizando para o efeito, a &#8220;Alian\u00e7a Popular-MFA&#8221;. Esse perfil controlador e burocr\u00e1tico expressava-se, concretamente, no brutal ataque \u00e0s greves, que eram combatidas e at\u00e9 reprimidas, como foi o emblem\u00e1tico da TAP (setor da avia\u00e7\u00e3o) ou dos CTT (setor postal), ou na batalha pela produ\u00e7\u00e3o, porque o pa\u00eds j\u00e1 estaria no caminho do socialismo. Ou na tentativa de enquadrar as iniciativas de controle oper\u00e1rio das massas atrav\u00e9s do MFA e da sua institucionaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, apesar dos projetos opostos, tanto o PS como o PCP tinham um grande acordo: os trabalhadores e as suas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o tomariam o poder e governariam o Pa\u00eds, n\u00e3o constituiriam um Estado oper\u00e1rio, n\u00e3o construiriam um verdadeiro socialismo. O projeto do PS foi o que acabou por ganhar, mas o papel do PCP foi essencial para controlar a iniciativa das massas e at\u00e9 para orientar o processo revolucion\u00e1rio para o pacto social de estabiliza\u00e7\u00e3o da democracia.<\/p>\n\n\n\n<p>Havia at\u00e9 um terceiro campo, embora muito minorit\u00e1rio. A corrente trotskista, liderada por Nahuel Moreno, que na \u00e9poca fazia parte do Secretariado Unificado da Quarta Internacional, tinha fundado, no calor da revolu\u00e7\u00e3o, uma organiza\u00e7\u00e3o essencialmente jovem \u2013 o Partido Revolucion\u00e1rio dos Trabalhadores \u2013 nossa corrente. Em seu livro <em>Revolu\u00e7\u00e3o e Contrarrevolu\u00e7\u00e3o em Portugal<\/em>, Moreno expressa esse outro projeto. Um projeto que defendia que deveriam ser os trabalhadores a governar e por isso propunha um congresso nacional das comiss\u00f5es de trabalhadores, para tomar o poder, numa adapta\u00e7\u00e3o da proposta bolchevique de &#8220;Todo o poder aos sovietes&#8221;. Ao contr\u00e1rio da maioria da esquerda que tinha ilus\u00f5es no MFA (que eram, de fato, como bem assinalou Moreno, as for\u00e7as armadas de um pa\u00eds, na \u00e9poca, imperialista) e nos seus governos (de concilia\u00e7\u00e3o com a burguesia), Moreno e a nossa corrente defendiam que o centro era este congresso para unificar e permitir que os trabalhadores tomassem o poder e governassem atrav\u00e9s dos seus organismos. Por isso, faltava um partido revolucion\u00e1rio com peso de massas, com musculatura e for\u00e7a para defender esse projeto e o programa de um Estado oper\u00e1rio, de um Estado em que as organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias governassem e n\u00e3o os militares.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como a revolu\u00e7\u00e3o foi derrotada?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Normalmente, falamos do 25 de novembro de 1975, data em que um golpe dentro das For\u00e7as Armadas permitiu restaurar a hierarquia de comando, pondo fim ao duplo poder e permitindo que a burguesia recuperasse o controle da viol\u00eancia estatal, essencial para controlar o pa\u00eds. Esta data \u00e9 fundamental porque, na aus\u00eancia de um partido revolucion\u00e1rio com peso de massas, determina o encerramento do elemento mais radical da revolu\u00e7\u00e3o portuguesa: a crise e o duplo poder dentro das For\u00e7as Armadas. \u00c9 tamb\u00e9m a primeira derrota grave da revolu\u00e7\u00e3o, que garante a n\u00edvel do ex\u00e9rcito um novo equil\u00edbrio de for\u00e7as favor\u00e1vel \u00e0 burguesia. Embora seja o PS que est\u00e1 politicamente por detr\u00e1s do processo que conduzir\u00e1 ao 25 de Novembro, o PCP n\u00e3o apelar\u00e1 a uma rea\u00e7\u00e3o de massas contra o 25 de Novembro e, pelo contr\u00e1rio, desempenhar\u00e1 um papel central como pe\u00e7a-chave para o pacto de estabiliza\u00e7\u00e3o do regime, atrav\u00e9s dos sindicatos e autarquias.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, justamente porque a contrarrevolu\u00e7\u00e3o violenta tinha sido derrotada com Sp\u00ednola, esse golpe nas For\u00e7as Armadas \u00e9 um dos instrumentos da pol\u00edtica de rea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica para derrotar a revolu\u00e7\u00e3o, que tem seu pilar central na nova Constitui\u00e7\u00e3o de 1976. A nova Constitui\u00e7\u00e3o afirmava que Portugal estava empenhado na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade sem classes e no caminho para o socialismo, mas consagrava o parlamento burgu\u00eas como institui\u00e7\u00e3o central; protegia nacionaliza\u00e7\u00f5es, mas defendia a propriedade privada e as repara\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a Constitui\u00e7\u00e3o reconheceu e integrou as conquistas democr\u00e1ticas alcan\u00e7adas pela revolu\u00e7\u00e3o, mas seu cerne era derrotar e sufocar a democracia oper\u00e1ria nos corpos burgueses e suas institui\u00e7\u00f5es \u2013 sua ess\u00eancia \u00e9 tirar o poder dos trabalhadores e devolv\u00ea-lo \u00e0 democracia [burguesa]. Assim, a derrota da revolu\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser explicada pela conjun\u00e7\u00e3o do 25 de novembro com a constitui\u00e7\u00e3o, como dois instrumentos combinados para derrotar a revolu\u00e7\u00e3o com a democracia capitalista, sempre com a &#8220;Europa&#8221; como horizonte.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o podemos entender o pa\u00eds de hoje sem entender que, ao contr\u00e1rio do Estado espanhol, a transi\u00e7\u00e3o da ditadura para a democracia \u00e9 produto de uma revolu\u00e7\u00e3o e que algumas das conquistas democr\u00e1ticas persistiram. E nesse sentido h\u00e1 uma ruptura radical com o passado. A gigantesca manifesta\u00e7\u00e3o do 25 de Abril em Portugal \u00e9 tamb\u00e9m uma express\u00e3o disso.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel entender o pa\u00eds sem reconhecer que o regime de democracia dos ricos em que vivemos hoje \u00e9 produto da derrota dos trabalhadores, de suas organiza\u00e7\u00f5es e da possibilidade de constru\u00e7\u00e3o do socialismo. A crise social que Portugal atravessa \u00e9 herdeira da crise de 2008, onde a austeridade do tempo da troika n\u00e3o terminou, onde fomos obrigados a liberalizar todas as empresas estrat\u00e9gicas, onde o Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade e a educa\u00e7\u00e3o est\u00e3o sendo destru\u00eddos, onde cada vez mais gente vive nas ruas porque n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pagar casas com os sal\u00e1rios que s\u00e3o pagos aqui. 50 anos depois da revolu\u00e7\u00e3o, somos um pa\u00eds com m\u00e3o-de-obra barata para vender ao capital europeu, um pa\u00eds de servi\u00e7os e turismo, para a explora\u00e7\u00e3o de recursos como o l\u00edtio pelo capital internacional, com elevados custos de destrui\u00e7\u00e3o ambiental e social. N\u00e3o foi isso que os trabalhadores fizeram no 25 de Abril, porque esta democracia \u00e9 de fato a ditadura do capital e dos seus interesses, que n\u00e3o s\u00e3o nossos.<\/p>\n\n\n\n<p>Moreno, na \u00e9poca, acreditava que ou a revolu\u00e7\u00e3o socialista triunfaria ou Portugal, sem col\u00f4nias, avan\u00e7aria para uma submetr\u00f3pole do imperialismo europeu e, a longo prazo, uma semicol\u00f4nia, j\u00e1 que seu atraso n\u00e3o lhe permitiria competir com os grandes monop\u00f3lios europeus. A classe oper\u00e1ria portuguesa, como previu Moreno, est\u00e1 completamente sujeita aos interesses da UE do capital. Dentro dela, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel decidir ou mesmo investir no Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade, utilizar as empresas estrat\u00e9gicas do Pa\u00eds ou garantir uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica a servi\u00e7o dos trabalhadores e dos povos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 esta UE que afirma defender os &#8220;direitos humanos&#8221;, mas hoje apoia o genoc\u00eddio em Gaza, que mostra na televis\u00e3o, diante dos nossos olhos. \u00c9 esta UE que refor\u00e7a e estimula o racismo e a xenofobia, quando deixa morrer milhares de migrantes no Mediterr\u00e2neo. Foi esta UE que serviu para unir os grandes capitalistas de todo o continente para destruir os direitos dos trabalhadores e dos povos em todos os pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cinquenta anos depois, esgota-se o caminho que a democracia portuguesa para os ricos e a Europa do capital nos trouxeram<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A elei\u00e7\u00e3o de 50 deputados de extrema-direita no parlamento portugu\u00eas mostra nitidamente a incapacidade desta democracia para responder \u00e0s necessidades da maioria da popula\u00e7\u00e3o, alimentando o discurso populista e a sua pol\u00edtica de dividir os que est\u00e3o na base para fazer reinar os capitalistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tamb\u00e9m mostra o esgotamento da pol\u00edtica da esquerda reformista, que continua defendendo que \u00e9 atrav\u00e9s de reformas no parlamento que chegaremos ao socialismo. Esta proposta, que foi a do PS em 1975, \u00e9 a que, como vimos, nos trouxe at\u00e9 aqui. Al\u00e9m disso, a pol\u00edtica de d\u00e9cadas de concerta\u00e7\u00e3o social do PCP nos sindicatos ou mesmo a experi\u00eancia da Geringon\u00e7a, em que BE e PCP apoiaram o governo do PS, mostram que a concilia\u00e7\u00e3o de classes n\u00e3o \u00e9 o caminho. Nesse sentido, a esquerda parlamentar \u00e9 respons\u00e1vel por alimentar a ilus\u00e3o de que \u00e9 poss\u00edvel fazer diferente sem mudar o essencial. Foi o que fez, mesmo perante a crise da d\u00edvida entre 2011 e 2013, afogando as for\u00e7as dos trabalhadores no voto parlamentar e na Geringon\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo contr\u00e1rio, para n\u00f3s do Em Luta e da LIT, 50 anos depois de Abril \u00e9 preciso lutar por uma nova revolu\u00e7\u00e3o que, aprendendo com o passado, leve os trabalhadores ao poder, para que possam governar com os seus pr\u00f3prios organismos. Mas esta revolu\u00e7\u00e3o, hoje mais do que nunca, s\u00f3 pode ser internacional, contra esta Uni\u00e3o Europeia do capital. Para que seja vitorioso, e n\u00e3o derrotado como foi h\u00e1 50 anos, tamb\u00e9m precisa que este partido e o seu programa sejam internacionais, e \u00e9 por isso que estamos aqui construindo a LIT.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O impacto internacional da Revolu\u00e7\u00e3o Portuguesa: a exemplar &#8220;Transi\u00e7\u00e3o Espanhola&#8221;, foi um anti-25 de Abril<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>\u00c1ngel Luis Parras (Corriente Roja)<\/em><\/strong><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Para os liutadores\/as, apesar de serem muito jovens naquela \u00e9poca, a revolu\u00e7\u00e3o portuguesa marcou-nos e foi para n\u00f3s uma fonte crucial de aprendizagem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A conjuntura do final dos anos 1960 e in\u00edcio dos anos 1970 na Europa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Naqueles anos viv\u00edamos uma situa\u00e7\u00e3o marcada pelo <strong>Maio franc\u00eas de 68<\/strong>, a <strong>Primavera de Praga<\/strong> (5 de janeiro a 21 de agosto de 1968), o <strong>quente outono italiano<\/strong> (1969), a ascens\u00e3o da luta estudantil na <strong>Gr\u00e9cia contra a ditadura dos coron\u00e9is<\/strong> (1967-1974), as mobiliza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e estudantis contra a ditadura franquista na Espanha e especialmente contra o <em>Julgamento de Burgos <\/em>(realizado na sala de audi\u00eancias do Governo Militar daquela cidade, de 3 a 9 de dezembro de 1970).<\/p>\n\n\n\n<p>Foram anos marcados por um enorme surto revolucion\u00e1rio,<strong> de lutas oper\u00e1rias e estudantis<\/strong>, o in\u00edcio de uma crise econ\u00f4mica <strong>do capitalismo<\/strong> sem precedentes desde 1929 (a chamada <em>crise do petr\u00f3leo<\/em>) e a maior derrota militar do imperialismo norte-americano, a do <strong>Vietn\u00e3. <\/strong>Aquelas imagens ic\u00f4nicas da retirada americana em 29 de mar\u00e7o de 1973 ficaram marcadas na hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse quadro geral, houve um grave retrocesso: <strong>o golpe de Pinochet em 11 de setembro de 1973<\/strong>. A contrarrevolu\u00e7\u00e3o que, como sempre, apareceu como sombra para o corpo do processo revolucion\u00e1rio, colocou pela en\u00e9sima vez na hist\u00f3ria, o <strong>debate reforma ou revolu\u00e7\u00e3o <\/strong>na agenda de todo o ativismo oper\u00e1rio e estudantil e alertou as dire\u00e7\u00f5es das grandes organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias em oposi\u00e7\u00e3o ao regime, mas tamb\u00e9m, e muito, ao pr\u00f3prio regime franquista e a todos os setores burgueses.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>25 de Abril uma onda de entusiasmo pela revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O 25 de Abril transformou <strong>Portugal no ponto alto da luta de classes em escala internacional<\/strong>, gerou uma enorme onda de entusiasmo, sobretudo onde, como no Estado espanhol, a crise da ditadura prenunciava o seu fim e o debate sobre reforma ou revolu\u00e7\u00e3o, a <em>&#8220;reforma ou ruptura&#8221;<\/em> estava no centro das preocupa\u00e7\u00f5es sociais do debate no ativismo trabalhista e estudantil.<\/p>\n\n\n\n<p>Um texto que foi resenha e cart\u00e3o de visita na Europa da corrente precursora da IWL-FI: foi <em>Revolu\u00e7\u00e3o e Contrarrevolu\u00e7\u00e3o em Portugal, <\/em>escrito por Nahuel Moreno. Nele se abordava a revolu\u00e7\u00e3o portuguesa, sua explica\u00e7\u00e3o, sua din\u00e2mica, suas perspectivas poss\u00edveis <strong>em termos da luta de classes<\/strong>, o <strong>deslocamento das classes sociais<\/strong>, como elas se expressavam, como se moviam e como as forma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais expressavam esses deslocamentos de classe. Esse \u00e9 um problema crucial que as forma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e as an\u00e1lises da esquerda em geral omitiram. O texto, entre outras coisas, alertava para n\u00e3o perder de vista os movimentos de todas as classes sociais, n\u00e3o apenas os das duas grandes: a classe oper\u00e1ria e a burguesia, para n\u00e3o esquecer os setores da pequena burguesia, <strong>das chamadas classes m\u00e9dias modernas,<\/strong> que acabariam por desempenhar um papel decisivo no curso tanto da revolu\u00e7\u00e3o portuguesa como da transi\u00e7\u00e3o espanhola.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como foi a rea\u00e7\u00e3o das classes sociais e seus partidos no Estado espanhol \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o do 25 de Abril?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A primeira rea\u00e7\u00e3o no regime franquista foi tentar aplicar o <em>Pacto Ib\u00e9rico<\/em>, acordo assinado em fevereiro de 1942 entre Portugal e Espanha e assinado pessoalmente pelos dois ditadores, Francisco Franco e Antonio de Oliveira Salazar. Depois do 25 de Abril, o ent\u00e3o primeiro-ministro, Carlos Arias Navarro, se dirigiu aos EUA oferecendo o territ\u00f3rio e as For\u00e7as Armadas espanholas como base de apoio \u00e0 <em>&#8220;invas\u00e3o de Portugal&#8221;.<\/em> Madrid tornou-se o centro operacional da contrarrevolu\u00e7\u00e3o portuguesa e internacional, um ref\u00fagio para os PIDE que circulavam livremente pela Gran V\u00eda de Madrid e para os militares de Sp\u00ednola ap\u00f3s o golpe falido de 11 de Mar\u00e7o de 1975.<\/p>\n\n\n\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o Portuguesa<strong> abriu uma grande crise no ex\u00e9rcito franquista<\/strong>. Em agosto de 1974<strong>,<\/strong> menos de 4 meses ap\u00f3s o 25 de Abril, foi fundada a <strong>Uni\u00e3o Militar Democr\u00e1tica (UMD).<\/strong>&nbsp; Jovens capit\u00e3es, alguns comandantes dos 3 ex\u00e9rcitos e membros da Guarda Civil e da Pol\u00edcia Armada, promoveram esta organiza\u00e7\u00e3o e desde o primeiro momento estabeleceram liga\u00e7\u00f5es com <em>o Movimento das For\u00e7as Armadas<\/em> (MFA) de Portugal, que eram a sua refer\u00eancia militar e pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>A UMD foi a mais s\u00e9ria tentativa de abrir fissuras no ex\u00e9rcito de Franco. Conscientes da natureza do ex\u00e9rcito franquista, da sua g\u00eanese e da sua composi\u00e7\u00e3o que o tornava muito diferente do ex\u00e9rcito portugu\u00eas, o seu projeto era <em>molhar a p\u00f3lvora, <\/em>como diziam, se o regime sa\u00edsse \u00e0 rua para esmagar o crescente ascenso oper\u00e1rio e estudantil<em>. <\/em>A UMD era uma minoria dentro de um ex\u00e9rcito forjado a sangue e fogo como instrumento da ditadura. Um ex\u00e9rcito cujo papel foi definido em 1968 pelo almirante Carrero Blanco, enquanto entregava a faixa e o Diploma do Estado-Maior aos soldados daquela promo\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;\u2026 Preparem-se para estar no segundo escal\u00e3o atr\u00e1s dos aparatos policiais, porque o Ex\u00e9rcito n\u00e3o tem objetivo ou inimigo fora do pa\u00eds, em qualquer fronteira e em qualquer lugar, tudo \u00e9 paz e estabilidade, o \u00fanico inimigo que existe \u00e9 o inimigo interno, o povo&#8221;.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Essa crise dentro do Ex\u00e9rcito tamb\u00e9m se expressou na promo\u00e7\u00e3o dos <strong>Comit\u00eas de Soldados nos quart\u00e9is. <\/strong>Surgiram comit\u00eas, organiza\u00e7\u00f5es como a <strong><em>Uni\u00e3o Democr\u00e1tica dos Soldados <\/em><\/strong>(maio de 1975). Diante das condi\u00e7\u00f5es infames nos quart\u00e9is, do servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio e prolongado (<em>a mili<\/em>) (entre 15 e 18 meses dependendo da corpora\u00e7\u00e3o) e do medo crescente de ser usado contra as crescentes lutas oper\u00e1rias e estudantis, a revolu\u00e7\u00e3o portuguesa estimulou demandas nas tropas. Foi reivindicado o servi\u00e7o militar de 6 meses, no local de resid\u00eancia; melhoria das condi\u00e7\u00f5es nos quart\u00e9is \u2013 alimenta\u00e7\u00e3o, higiene, cuidados de sa\u00fade, alojamento; Liberdades democr\u00e1ticas; Liberdade dos objetores de consci\u00eancia; Abandono das col\u00f4nias&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa crise no Ex\u00e9rcito foi agravada pela decis\u00e3o da ditadura de militarizar o transporte em greves oper\u00e1rias. Foi o que aconteceu em Madri, em mar\u00e7o de 1976, com a militariza\u00e7\u00e3o da Companhia Municipal de Transportes (EMT), onde 300 militares e policiais foram colocados como motoristas em 28 das 80 linhas existentes na \u00e9poca. O mesmo tinha acontecido na RENFE (ferrovia) em Janeiro desse ano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Revolu\u00e7\u00e3o Portuguesa ajudou muito a impulsionar a luta oper\u00e1ria e estudantil. <\/strong>A queda da ditadura mais longeva da Europa Ocidental gerou enorme entusiasmo em uma classe trabalhadora rejuvenescida e muito combativa que liderou a oposi\u00e7\u00e3o ao franquismo e se organizou em torno das <em>Comiss\u00f5es de Trabalhadores<\/em> nas f\u00e1bricas e nos po\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>As medidas que a Revolu\u00e7\u00e3o Portuguesa adotou ap\u00f3s a derrota do golpe de Sp\u00ednola em 11 de Mar\u00e7o de 1975 (nacionaliza\u00e7\u00e3o dos bancos e das grandes empresas; expropria\u00e7\u00f5es dos terrenos, independ\u00eancia das col\u00f4nias) que obrigaram inclusive o <em>Conselho Portugu\u00eas da Revolu\u00e7\u00e3o<\/em> a ter que legaliz\u00e1-las e falar numa <em>&#8220;transi\u00e7\u00e3o para o socialismo&#8221;<\/em>, incentivou ainda mais essa luta e deu um enorme impulso \u00e0 convic\u00e7\u00e3o de que sustentar a revolu\u00e7\u00e3o contra a rea\u00e7\u00e3o exigia <strong>n\u00e3o dissociar as tarefas democr\u00e1ticas das anticapitalistas<\/strong>, que a luta para <strong>derrubar a ditadura franquista, para alcan\u00e7ar liberdades democr\u00e1ticas plenas,<\/strong> s\u00f3 poderia ser garantida pelo levante da classe oper\u00e1ria, sua organiza\u00e7\u00e3o em torno de um programa oper\u00e1rio e socialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a burguesia, assim como para as dire\u00e7\u00f5es dos partidos de oposi\u00e7\u00e3o ao regime, esse entusiasmo do Estado espanhol pela revolu\u00e7\u00e3o portuguesa acendeu todos os alarmes. Foi extremamente preocupante porque esse entusiasmo crescia a cada passo num movimento oper\u00e1rio e estudantil muito <strong>mais organizado e muito mais numeroso<\/strong> do que em Portugal antes do 25 de Abril.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O imperialismo norte-americano e europeu e a burguesia espanhola: evitando a todo custo o cont\u00e1gio, a exemplar <em>&#8220;transi\u00e7\u00e3o espanhola&#8221;&nbsp;<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Diferentes setores burgueses, os monarquistas de Don Juan de Borb\u00f3n (av\u00f4 do atual rei e pai do &#8220;Em\u00e9rito&#8221;), liberais, setores da igreja -Democrist\u00e3os- burguesias catal\u00e3 e basca, de acordo com o os aparatos social-democratas (PSOE), stalinista (PCE), a burocracia sindical e que (e infelizmente) arrastaram at\u00e9 grupos da chamada <em>extrema esquerda <\/em>(PTE, ORT, MCE) criaram a chamada <strong><em>Junta Democr\u00e1tica <\/em><\/strong>\u2013 29 de julho de 1974\u2013\u2013, primeiro, a <strong><em>Plataforma de Converg\u00eancia Democr\u00e1tica<\/em><\/strong>&nbsp; \u2013 11 de junho de 1975\u2013, e finalmente a unifica\u00e7\u00e3o de ambos na <strong>Coordena\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica em 26 de mar\u00e7o de 1976.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma parte substancial do regime franquista, incluindo um enorme setor do aparato pol\u00edtico, militar, judicial e eclesi\u00e1stico do regime, aliou-se aos diferentes setores burgueses e \u00e0s lideran\u00e7as do PSOE, PCE, CCOO e da rec\u00e9m-reincorporada UGT, base da chamada <strong><em>Transi\u00e7\u00e3o Espanhola<\/em><\/strong><em>,<\/em> a &#8220;reforma&#8221;, preservando as institui\u00e7\u00f5es centrais do regime franquista, seu ex\u00e9rcito, seus ju\u00edzes, sua pol\u00edcia, suas for\u00e7as especiais, garantindo-lhes a impunidade, tudo sob o sabre de um novo <em>Bonaparte, <\/em>nomeado por Franco e que seria coroado em sua morte, Juan Carlos de Borb\u00f3n.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dirigentes do PSOE, PCE, CCOO, especialmente este \u00faltimo que tinha mais autoridade na classe oper\u00e1ria, optaram por <strong>transformar a classe oper\u00e1ria em apoiadora do projeto burgu\u00eas<\/strong>, enterrar a &#8220;ruptura&#8221; expulsando de seus partidos toda a milit\u00e2ncia rebelde.<\/p>\n\n\n\n<p>E aqui \u00e9 preciso destacar o papel desse outro setor social que foi omitido nas an\u00e1lises tanto em Portugal, como aponta Moreno, quanto aqui, o <strong>da pequena burguesia<\/strong>, as <strong>chamadas classes m\u00e9dias modernas<\/strong>, o setor decisivo nesse movimento e no qual se apoiavam os &#8220;novos partidos&#8221; como a UCD e mesmo os chamados partidos de esquerda.<\/p>\n\n\n\n<p>O regime franquista n\u00e3o tinha de modo algum ignorado este setor. H\u00e1 uma conhecida est\u00f3ria contada pelo general Vernon Walters, militar e embaixador dos EUA, quando perguntou a Francisco Franco em 1971, durante sua visita a Madri, em uma entrevista no El Pardo, por ordem do ent\u00e3o presidente dos EUA, Richard Nixon, que estava preocupado com o que aconteceria na Espanha ap\u00f3s a morte de Franco. O pr\u00f3prio Franco respondeu da seguinte forma:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;<em>A Espanha vai longe no caminho que voc\u00eas querem, democracia, pornografia, drogas e sei l\u00e1 mais o qu\u00ea. Haver\u00e1 uma grande loucura, mas nada disso ser\u00e1 fatal para a Espanha&#8230; Porque vou deixar algo que n\u00e3o encontrei quando tomei posse neste pa\u00eds, h\u00e1 quarenta anos: a classe m\u00e9dia espanhola. Diga ao seu presidente para confiar no bom senso do povo espanhol, n\u00e3o haver\u00e1 outra guerra civil<\/em>.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O campesinato foi o grande benefici\u00e1rio do franquismo, especialmente do campesinato castelhano, das pequenas propriedades industriais, do com\u00e9rcio e do j\u00e1 incipiente fen\u00f4meno do turismo, estendeu a pequena propriedade, dando enorme peso \u00e0quela base social que em grande parte queria <strong>romper com o franquismo, mas temia, <em>como o diabo \u00e0 cruz<\/em>, os processos revolucion\u00e1rios e a classe oper\u00e1ria \u00e0 frente deles.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foi essa base social que essencialmente garantiu a solu\u00e7\u00e3o da &#8220;reforma&#8221; diante do perigo de &#8220;ruptura&#8221;. Foi nela que os setores burgueses e os aparelhos do PSOE, PCE, CCOO e UGT se apoiaram para garantir a&nbsp; preserva\u00e7\u00e3o do essencial do antigo regime franquista por meio de uma reforma. Queriam evitar que o processo portugu\u00eas se repetisse, corrigisse e aumentasse aqui<strong>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em ess\u00eancia, a <em>Transi\u00e7\u00e3o<\/em> Espanhola foi o modelo anti-25 de Abril<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se a revolu\u00e7\u00e3o portuguesa liquidou a odiada pol\u00edcia pol\u00edtica, a PIDE e estes foram perseguidos pela popula\u00e7\u00e3o, no Estado espanhol nenhum torturador e assassino da <em>Brigada Pol\u00edtica Social <\/em>pagou por alguns dos seus ultrajes, pior ainda, alguns como o famoso <em>Bylli, o Menino<\/em>, morreu a 6 de maio de 2020, na cama, condecorado, com uma pens\u00e3o vital\u00edcia que aumentava a cada nova condecora\u00e7\u00e3o que recebia. Ju\u00edzes e soldados franquistas circulam livres hoje, enquanto aqueles homens da UMD pagaram com pris\u00e3o e expuls\u00e3o do ex\u00e9rcito, sendo explicitamente exclu\u00eddos da anistia.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um dado, para concluir. Aqueles que se vangloriam de<em> uma transi\u00e7\u00e3o pac\u00edfica<\/em> face aos &#8220;perigos&#8221; colocados pela revolu\u00e7\u00e3o portuguesa omitem fatos ostensivos da realidade. Embora, como disse Flor no seu discurso, <strong>a revolu\u00e7\u00e3o portuguesa de 25 de Abril n\u00e3o tenha sido pac\u00edfica<\/strong>, dezenas de milhares de angolanos, mo\u00e7ambicanos ou guineenses e mais de 8.000 soldados portugueses perderam a vida nesses 13 longos anos de guerra colonial. Nos acontecimentos de 25 de Abril, morreram 6 pessoas, essencialmente devido ao entrincheiramento das PIDE. A <em>&#8221; pac\u00edfica transi\u00e7\u00e3o espanhola<\/em>&#8220;, de 20 de novembro de 1975 a 31 de dezembro de 1983, provocou 591 mortes, das quais <strong>oficialmente 188 se devem<\/strong> \u00e0 chamada <strong><em>viol\u00eancia pol\u00edtica de origem institucional. <\/em><\/strong>H\u00e1 exemplos disso, s\u00f3 para citar alguns, os <em>advogados de Atocha<\/em> ou a nossa companheira Yolanda.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Da It\u00e1lia a Portugal: o papel trai\u00e7oeiro dos partidos stalinistas e reformistas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Francesco Ricci (Pdac- It\u00e1lia)<\/em><\/strong><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O 25 de Abril, por coincid\u00eancia, \u00e9 um dia celebrado tanto em Portugal como na It\u00e1lia. \u00c9 a data do in\u00edcio da Revolu\u00e7\u00e3o Portuguesa e aqui na It\u00e1lia celebramos a queda do fascismo nas m\u00e3os da Resist\u00eancia partisana em 1945.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 v\u00e1rios pontos em comum entre os dois eventos hist\u00f3ricos, n\u00e3o apenas a data. Ambos os pa\u00edses sa\u00edam de uma longa ditadura: mais de 40 anos em Portugal, 20 anos na It\u00e1lia. Duas ditaduras que, para al\u00e9m de suas diferen\u00e7as, serviram para defender a domina\u00e7\u00e3o da burguesia capitalista contra o movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ambas as ditaduras foram, para usar a express\u00e3o de Trotsky, um ar\u00edete lan\u00e7ado contra as organiza\u00e7\u00f5es do movimento oper\u00e1rio. H\u00e1 tamb\u00e9m outro elemento comum: ambas as revolu\u00e7\u00f5es foram tra\u00eddas pelos partidos stalinistas e reformistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O papel do Partido Comunista na resist\u00eancia partisana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na It\u00e1lia falamos da resist\u00eancia partisana (que se desenvolveu a partir de 1943 e teve sua \u00faltima grande explos\u00e3o em julho de 1948, quando os oper\u00e1rios ocuparam as f\u00e1bricas) como de uma &#8220;revolu\u00e7\u00e3o tra\u00edda&#8221;. Isso porque 300 mil jovens armados lutaram n\u00e3o s\u00f3 para derrubar o fascismo, mas para derrubar o dom\u00ednio burgu\u00eas, para fazer uma revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Se n\u00e3o triunfaram, n\u00e3o foi pela for\u00e7a da burguesia (que havia sido expulsa das f\u00e1bricas) nem pela for\u00e7a do aparelho de Estado burgu\u00eas, que foi meio destru\u00eddo: foi pela interven\u00e7\u00e3o do stalinismo, do PCI.<\/p>\n\n\n\n<p>Togliatti retornou \u00e0 Europa de Moscou com as ordens de Stalin para bloquear a revolu\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a e na It\u00e1lia e desarmou os partisanos ideol\u00f3gica, pol\u00edtica e organizacionalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Como algumas organiza\u00e7\u00f5es de massa se opunham \u00e0 reduzir a Resist\u00eancia \u00e0 simples expuls\u00e3o dos fascistas de Mussolini e das tropas alem\u00e3s de Hitler, os l\u00edderes dessas organiza\u00e7\u00f5es foram caluniados e tamb\u00e9m, em v\u00e1rios casos, assassinados. <a><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Como ministro da Justi\u00e7a, ap\u00f3s a Liberta\u00e7\u00e3o, Togliatti apoiou a anistia aos fascistas, enquanto prendia partid\u00e1rios que n\u00e3o estavam dispostos a parar a revolu\u00e7\u00e3o. Foi o PCI stalinista que pediu aos patr\u00f5es que retomassem as f\u00e1bricas das quais os trabalhadores os haviam expulsado.<\/p>\n\n\n\n<p>O PCI atuou como agente direto da burocracia stalinista em Moscou, que havia feito um pacto com o imperialismo dito &#8220;democr\u00e1tico&#8221; (nas reuni\u00f5es em Yalta, Teer\u00e3 e Potsdam) de que a It\u00e1lia deveria permanecer na zona de influ\u00eancia do imperialismo. Por isso mesmo, a resist\u00eancia na Fran\u00e7a e na Gr\u00e9cia tamb\u00e9m foi desarmada. A burocracia stalinista temia novas revolu\u00e7\u00f5es porque elas poderiam colocar em xeque seu papel contrarrevolucion\u00e1rio na R\u00fassia e sua pol\u00edtica de coexist\u00eancia pac\u00edfica com o imperialismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 preciso construir outra dire\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo do s\u00e9culo 20 n\u00e3o faltaram lutas e revolu\u00e7\u00f5es na Europa. O que tem faltado \u00e9 uma lideran\u00e7a revolucion\u00e1ria forte o suficiente para combater as lideran\u00e7as traidoras do reformismo de origem social-democrata ou stalinista. Foi apenas gra\u00e7as ao stalinismo que a burguesia foi salva muitas vezes: pense-se, por exemplo, na extraordin\u00e1ria onda revolucion\u00e1ria de maio de 1968 na Fran\u00e7a, bloqueada pelo Partido Comunista, nas lutas oper\u00e1rias de 1969 e in\u00edcio dos anos 1970 na It\u00e1lia, mais uma vez usada pelo stalinismo como moeda de troca para colaborar com os governos burgueses.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Portugal, tanto o Partido Socialista de Soares como o Partido Comunista de Cunhal (ligado \u00e0 burocracia estalinista em Moscou) desempenharam esse papel. Foram eles, juntamente com o Movimento das For\u00e7as Armadas, que assumiram o controle da situa\u00e7\u00e3o em nome da burguesia, com o Partido Comunista comprometido em acabar com a onda grevista em nome do &#8220;interesse nacional&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os v\u00e1rios governos provis\u00f3rios que se sucederam ao longo de um ano e meio, em 1974-1975, defenderam o Estado burgu\u00eas. Governos burgueses baseados no Partido Comunista, no Partido Socialista e no MFA, todos eles respondendo \u00e0s diferentes &#8220;fases da marcha da revolu\u00e7\u00e3o e \u00e0s sucessivas formas como a burguesia, a classe m\u00e9dia e os reformistas que atuam como representantes do proletariado se adaptam a essa marcha para det\u00ea-la&#8221;, como resume Nahuel Moreno. O MFA trava a radicaliza\u00e7\u00e3o no Ex\u00e9rcito, o PC controla os trabalhadores atrav\u00e9s do seu peso nos sindicatos e o PS tem uma forte influ\u00eancia eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p>Um ascenso revolucion\u00e1rio n\u00e3o pode durar para sempre: ou termina com a tomada do poder (e &#8220;rompe&#8221; a m\u00e1quina estatal, como Marx resumiu a experi\u00eancia da Comuna de Paris) ou est\u00e1 condenado a recuar. Em novembro de 1975, uma poderosa manifesta\u00e7\u00e3o de trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil cercou o pr\u00e9dio do governo e os trabalhadores come\u00e7aram a se armar. Mas o Governo faz algumas concess\u00f5es na plataforma de reivindica\u00e7\u00f5es e \u2013 gra\u00e7as ao papel ativo do PCP \u2013 consegue apagar as chamas antes que estas engulissem o pal\u00e1cio, impondo um &#8220;estado de exce\u00e7\u00e3o&#8221;. Come\u00e7a o refluxo e a burguesia recupera as concess\u00f5es que lhe foram arrancadas atrav\u00e9s das lutas.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, pela aus\u00eancia do elemento subjetivo, as condi\u00e7\u00f5es objetivas \u2013 que estavam maduras \u2013 n\u00e3o levaram \u00e0 \u00fanica solu\u00e7\u00e3o l\u00f3gica e necess\u00e1ria: a tomada do poder pela classe oper\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tamb\u00e9m por isso, apesar da sua derrota, a revolu\u00e7\u00e3o portuguesa \u2013 a mais recente das revolu\u00e7\u00f5es na Europa \u2013 continua a ser um acontecimento cheio de li\u00e7\u00f5es sobre o papel nefasto do reformismo e as tarefas dos revolucion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje o 25 de Abril em Portugal e o 25 de Abril em It\u00e1lia s\u00e3o celebrados por todos, incluindo a burguesia, os seus governos e ministros. Mas estas n\u00e3o s\u00e3o datas de todos: nessa data celebramos a corajosa luta dos trabalhadores e da juventude que lutaram para construir um mundo diferente daquele em que vivemos, uma sociedade sem divis\u00f5es de classe, liberada da explora\u00e7\u00e3o e da opress\u00e3o. Foi esta necessidade de lutar por um mundo diferente que levou centenas de milhares de pessoas \u00e0s ruas aqui em It\u00e1lia h\u00e1 poucos dias, no 25 de Abril, e nas pra\u00e7as de Portugal no mesmo dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, nas manifesta\u00e7\u00f5es, as principais palavras de ordem eram a favor de outra luta heroica de resist\u00eancia: a do povo palestino, que hoje \u00e9 a vanguarda da luta mundial contra o imperialismo. Mesmo no caso da Palestina, encontramos a mesma atitude das lideran\u00e7as reformistas, sejam de origem stalinista ou social-democrata: elas s\u00f3 defendem a luta palestina com palavras, enquanto a traem com a mentira dos &#8220;dois Estados&#8221;, ou seja, de uma coexist\u00eancia imposs\u00edvel entre os palestinos oprimidos e os opressores coloniais, os sionistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Palestina de hoje, como em Portugal em 1974 e na It\u00e1lia em 1945, o reformismo, para defender os interesses das dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas, n\u00e3o p\u00f5e em causa os interesses fundamentais do imperialismo. Por isso, \u00e9 preciso construir outra dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Se olharmos para tr\u00e1s na hist\u00f3ria, o 25 de Abril de Portugal e o 25 de Abril de It\u00e1lia, n\u00e3o \u00e9 por nostalgia do passado. \u00c9 tentar completar o trabalho interrompido, construir os partidos e a Internacional revolucion\u00e1ria indispens\u00e1veis para o triunfo das pr\u00f3ximas revolu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o No \u00e2mbito da campanha pelos 50 anos da Revolu\u00e7\u00e3o Portuguesa, no dia 30 de abril as se\u00e7\u00f5es da LIT na Europa realizaram uma LIVE para falar sobre a revolu\u00e7\u00e3o. Uma atividade que consideramos muito bem-sucedida e na qual tr\u00eas companheiros explicaram de \u00e2ngulos diferentes, o que foi a \u00faltima revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria na Europa no [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":78900,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[140,3512,3677,218],"tags":[2498,8857],"class_list":["post-78899","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-portugal","category-estado-espanhol","category-europa-mundo","category-italia","tag-25-de-abril","tag-lit-europa"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/REV-CRAVOS-1.jpg","categories_names":["Estado Espanhol","Europa","It\u00e1lia","Portugal"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78899","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78899"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78899\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":80157,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78899\/revisions\/80157"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78900"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78899"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78899"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78899"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}