{"id":78838,"date":"2024-05-06T02:04:24","date_gmt":"2024-05-06T02:04:24","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78838"},"modified":"2024-05-06T02:04:27","modified_gmt":"2024-05-06T02:04:27","slug":"karl-marx-o-maior-teorico-e-lider-da-classe-trabalhadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/05\/06\/karl-marx-o-maior-teorico-e-lider-da-classe-trabalhadora\/","title":{"rendered":"Karl Marx: o maior te\u00f3rico e l\u00edder da classe trabalhadora"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Diante de um novo anivers\u00e1rio, publicamos este artigo retirado da revista Marxismo Vivo Nova \u00c9poca No. 11, escrito no 200\u00ba anivers\u00e1rio do nascimento de Karl Marx.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Alicia Sagra<\/p>\n\n\n\n<p>No momento de sua morte, em 14 de mar\u00e7o de 1883, foram recebidas notas de condol\u00eancias de organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias de diversas partes do mundo, mas apenas onze pessoas participaram da cerim\u00f4nia f\u00fanebre realizada no Cemit\u00e9rio de Highgate, em Londres.<\/p>\n\n\n\n<p>O New Daily, jornal daquela cidade, publicou:<\/p>\n\n\n\n<p><em>A morte do socialista alem\u00e3o foi anunciada. Ele viveu para ver extinguir-se as partes das suas teorias que um dia aterrorizaram a imperadores e chanceleres (\u2026) Os trabalhadores ingleses n\u00e3o se identificam com esses princ\u00edpios.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O fato \u00e9 que embora a classe oper\u00e1ria europeia tivesse come\u00e7ado a sua recupera\u00e7\u00e3o e os partidos oper\u00e1rios marxistas come\u00e7assem a ser constru\u00eddos em v\u00e1rios pa\u00edses, as consequ\u00eancias da d\u00e9cada de rea\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que come\u00e7ou com a derrota da Comuna de Paris ainda se faziam sentir. Nessa d\u00e9cada, a burguesia conseguiu desmoralizar e influenciar ideologicamente grande parte do movimento oper\u00e1rio, especialmente em Fran\u00e7a e Inglaterra.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas esta solid\u00e3o tempor\u00e1ria e indiferen\u00e7a do pa\u00eds onde Marx passou mais de metade da sua vida n\u00e3o deteve Engels, que fez um discurso de despedida vibrante e emocionante ao seu grande camarada e amigo. Ante esse pequeno cortejo f\u00fanebre, Engels disse:<\/p>\n\n\n\n<p><em>No dia 14 de mar\u00e7o, \u00e0s quinze para as tr\u00eas da tarde, o maior pensador dos nossos dias parou de pensar. (\u2026) \u00c9 absolutamente imposs\u00edvel calcular o que o proletariado militante da Europa e da Am\u00e9rica e a ci\u00eancia hist\u00f3rica perderam com este homem. O vazio criado pela morte desta figura gigantesca ser\u00e1 sentido em breve.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>(\u2026) N\u00e3o houve um \u00fanico campo que Marx n\u00e3o tivesse submetido \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o \u2013 e esses campos eram muitos, e ele n\u00e3o se limitou a tocar num s\u00f3 de passagem \u2013 incluindo a matem\u00e1tica, que n\u00e3o fizesse descobertas originais.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Tal era o homem da ci\u00eancia. Mas isso n\u00e3o era nem metade do homem.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>(\u2026) Bom, Marx foi, acima de tudo, um revolucion\u00e1rio. Cooperar, de uma forma ou de outra, na derrubada da sociedade capitalista e das institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas por ela criadas, contribuir para a emancipa\u00e7\u00e3o do proletariado moderno, em quem incutiu pela primeira vez a consci\u00eancia da sua pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o e necessidades, a consci\u00eancia das condi\u00e7\u00f5es da sua emancipa\u00e7\u00e3o: tal foi a verdadeira miss\u00e3o da sua vida.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A luta era seu elemento. E lutou com uma paix\u00e3o, uma tenacidade e um \u00eaxito como poucos (&#8230;) at\u00e9 que, finalmente, nasceu o culminar de tudo, a grande Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores, que foi, na verdade, uma obra que o seu autor p\u00f4de fazer parte. orgulhoso, ainda que n\u00e3o tivesse criado mais nada.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>(\u2026) Por esta raz\u00e3o, Marx foi o homem mais odiado e mais caluniado do seu tempo. Os governos, tanto absolutistas como republicanos, expulsaram-no. A burguesia, tanto os conservadores como os ultrademocratas, competiram para lan\u00e7ar difama\u00e7\u00f5es contra ele. Marx afastou tudo isso como se fossem teias de aranha, n\u00e3o lhes deu aten\u00e7\u00e3o; s\u00f3 respondia quando a necessidade imperiosa o exigia. E morreu venerado, amado, chorado por milh\u00f5es de trabalhadores da causa revolucion\u00e1ria, como ele, espalhados pela Europa e pela Am\u00e9rica, das minas da Sib\u00e9ria \u00e0 Calif\u00f3rnia (&#8230;) O seu nome viver\u00e1 atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, e com ele a sua obra.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Engels n\u00e3o estava errado, a obra de Marx sobrevive atrav\u00e9s dos s\u00e9culos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a sua morte, continuou o processo de constru\u00e7\u00e3o de partidos oper\u00e1rios marxistas, que teve a sua express\u00e3o m\u00e1xima no Partido Social Democrata Alem\u00e3o e na funda\u00e7\u00e3o da Segunda Internacional que, segundo Trotsky, n\u00e3o viveu em v\u00e3o, pois realizou um gigantesco trabalho de educa\u00e7\u00e3o no marxismo[1]. E, anos mais tarde, os bolcheviques, liderados por L\u00eanin, concretizaram a teoria e o programa de Marx, ao dirigir a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro de 1917 e estabelecer a Ditadura Revolucion\u00e1ria do Proletariado na R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, ap\u00f3s a eclos\u00e3o da crise capitalista (2007-2008), Marx tornou-se um best-seller mundial. <em>O capital<\/em> e todos os seus trabalhos sobre a economia estavam esgotados. As suas obras foram desesperadamente procuradas por todos aqueles que queriam encontrar uma explica\u00e7\u00e3o racional para a cat\u00e1strofe global que se desenvolvia.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, 200 anos ap\u00f3s o seu nascimento, n\u00e3o podemos dizer, como Engels, que Marx \u00e9 atacado e caluniado. Pelo contr\u00e1rio, em todas as universidades, na maior parte dos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa, Karl Marx \u00e9 reconhecido e respeitado como um grande fil\u00f3sofo, um economista, um grande cientista. Mas, como diria Engels, menos de metade do homem est\u00e1 a ser reivindicado. Ou seja, est\u00e3o mutilando-o, querem transform\u00e1-lo num intelectual acad\u00eamico. E isso n\u00e3o tem nada a ver com o verdadeiro Marx.<\/p>\n\n\n\n<p>Marx foi, como disse Engels, o maior pensador da sua \u00e9poca e at\u00e9 agora n\u00e3o foi superado. Ele foi um grande cientista. Um grande intelectual, mas um grande intelectual oper\u00e1rio, embora n\u00e3o tenha nascido numa fam\u00edlia prolet\u00e1ria. Ele adoptou a classe oper\u00e1ria como a sua classe, a partir do momento em que se convenceu de que s\u00f3 poderia acabar com o capitalismo e come\u00e7ar a constru\u00e7\u00e3o do socialismo se o proletariado dirigisse esse processo e assumisse o poder sobre toda a sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>A sua convic\u00e7\u00e3o sobre o papel da classe oper\u00e1ria era t\u00e3o profunda que esteve na base de muitas das rupturas com os seus antigos aliados. E essa confian\u00e7a na classe oper\u00e1ria n\u00e3o estava apenas em rela\u00e7\u00e3o ao seu papel na luta, mas tamb\u00e9m no papel que ela pode desempenhar no campo da teoria. Isto \u00e9 demonstrado pela admira\u00e7\u00e3o e orgulho com que ele e Engels se referiam a Joseph Dietzgen, um oper\u00e1rio alem\u00e3o que, de forma autodidata, desenvolveu uma concep\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica do mundo, pr\u00f3xima a de eles.[2]<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A doutrina<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Marx nasceu em Traveris, Ren\u00e2nia, num lar culto e pequeno-burgu\u00eas. Desde muito jovem esteve associado \u00e0queles que enfrentaram o regime totalit\u00e1rio prussiano. Dedicou-se ao estudo da filosofia, aproximando-se dos jovens hegelianos; participou ativamente nos debates que ocorreram contra as concep\u00e7\u00f5es religiosas, que era a forma como se expressavam principalmente os opositores ao regime.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse processo avan\u00e7ou no desenvolvimento do que seria sua doutrina. Para isso, foi de central import\u00e2ncia o seu encontro com Frederick Engels em 1843, que o aproximou da realidade da classe oper\u00e1ria. A partir desse momento, os dois jovens iniciaram um trabalho conjunto e uma amizade profunda, que s\u00f3 foi interrompida com a morte de Marx.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de Marx, Engels diz:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Assim como Darwin descobriu a lei do desenvolvimento da natureza org\u00e2nica, Marx descobriu a lei do desenvolvimento da hist\u00f3ria humana: o fato, t\u00e3o simples, mas escondido sob a maldade ideol\u00f3gica, de que o homem precisa, antes de tudo, comer, beber, ter um teto sobre suas cabe\u00e7as e se vestir antes de poder fazer pol\u00edtica, ci\u00eancia, arte, religi\u00e3o, etc.; que, portanto, a produ\u00e7\u00e3o dos meios de vida materiais imediatos e, consequentemente, a correspondente fase econ\u00f4mica de desenvolvimento de um povo ou de uma \u00e9poca \u00e9 a base a partir da qual se desenvolveram as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, os conceitos jur\u00eddicos, as ideias art\u00edsticas. as ideias religiosas dos homens e segundo as quais devem, portanto, ser explicadas, e n\u00e3o o contr\u00e1rio, como se fazia at\u00e9 ent\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. Marx tamb\u00e9m descobriu a lei espec\u00edfica que impulsiona o atual modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista e a sociedade burguesa por ele criada. A descoberta da mais-valia iluminou subitamente estes problemas, enquanto todas as investiga\u00e7\u00f5es anteriores, tanto as dos economistas burgueses como as dos cr\u00edticos socialistas, vagavam na escurid\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Duas descobertas como essas devem ter sido suficientes para toda a vida. Quem tiver a sorte de fazer apenas uma dessas descobertas j\u00e1 pode se considerar feliz.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Com estas frases curtas e sinceras, pronunciadas no seu discurso de despedida, Engels recorda-nos as duas grandes descobertas de Marx: <em>o materialismo hist\u00f3rico e a mais-valia.<\/em> A estas duas imensas contribui\u00e7\u00f5es devemos acrescentar o <em>materialismo dial\u00e9tico<\/em>. No esbo\u00e7o biogr\u00e1fico que acompanha o texto <em>As Tr\u00eas Fontes e as Tr\u00eas Partes Integrantes do Marxismo<\/em>, escrito em 1913, Lenin diz:<\/p>\n\n\n\n<p><em>A dial\u00e9tica hegeliana, isto \u00e9, a mais multilateral, a mais rica em conte\u00fado e a mais profunda doutrina do desenvolvimento, foi para Marx e Engels a maior conquista da filosofia cl\u00e1ssica alem\u00e3. Qualquer outra formula\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio do desenvolvimento, da evolu\u00e7\u00e3o, parecia-lhes unilateral e pobre, deformando e mutilando a verdadeira marcha do desenvolvimento na natureza e na sociedade (uma marcha que muitas vezes se realiza atrav\u00e9s de saltos, cataclismos e revolu\u00e7\u00f5es). &#8220;Marx e eu (diz Engels) fomos quase os \u00fanicos que nos propusemos a tarefa de salvar a dial\u00e9tica consciente [do descalabro do idealismo, incluindo o hegelianismo] e traz\u00ea-la para a concep\u00e7\u00e3o materialista da natureza.&#8221; \u00abA natureza \u00e9 a confirma\u00e7\u00e3o da dial\u00e9tica, e s\u00e3o precisamente as ci\u00eancias naturais modernas que nos deram uma extraordin\u00e1ria riqueza de dados [e isso foi escrito antes do r\u00e1dio, dos el\u00e9trons, da transforma\u00e7\u00e3o dos elementos, etc.!] e enriquecidos a cada dia que passa, demonstrando assim que a natureza se move, em \u00faltima inst\u00e2ncia, dialeticamente e n\u00e3o metafisicamente. (&#8230;) Assim, a dial\u00e9tica \u00e9, segundo Marx, \u201ca ci\u00eancia das leis gerais do movimento, tanto do mundo externo como do pensamento humano\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Mas Marx n\u00e3o se contentou em mostrar o mecanismo da hist\u00f3ria, as contradi\u00e7\u00f5es dial\u00e9ticas da realidade, o funcionamento da sociedade capitalista e a necessidade de substitu\u00ed-la pela sociedade socialista. A sua grande preocupa\u00e7\u00e3o era ajudar a classe oper\u00e1ria a cumprir esta tarefa hist\u00f3rica. Por isso, trabalhando em equipe com Engels, estava ligado \u00e0s lutas do seu tempo, preocupou-se com as t\u00e1ticas, e deixou-nos o programa revolucion\u00e1rio: <em>o Manifesto Comunista.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Manifesto Comunista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 se passaram 170 anos desde esse \u201cpanfleto genial\u201d, como o chamou Trotsky. E ningu\u00e9m melhor do que o grande dirigente russo para nos contar o significado do Manifesto. Em 1938, Trotsky escreveu:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00c9 dif\u00edcil acreditar que faltam apenas dez anos para o centen\u00e1rio do Manifesto do Partido Comunista! Este panfleto, mais brilhante do que qualquer outro na literatura mundial, ainda hoje nos surpreende pela sua frescura. Suas partes mais importantes parecem ter sido escritas ontem. \u00c9 certo que os jovens autores (Marx tinha 29 anos, Engels 27) tinham uma vis\u00e3o do futuro maior, n\u00e3o s\u00f3 do que a dos seus antecessores, mas nunca foram igualados.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>J\u00e1 no pref\u00e1cio que escreveram juntos para a edi\u00e7\u00e3o de 1872, Marx e Engels declararam que, apesar de certas passagens secund\u00e1rias do Manifesto estarem desatualizadas, consideravam que n\u00e3o tinham o direito de alterar o texto original, enquanto o Manifesto j\u00e1 tinha se convertido, no per\u00edodo de 25 anos que tinha transcorrido, em um documento hist\u00f3rico. Mais sessenta e cinco anos se passaram desde aquele momento. Passagens isoladas do Manifesto est\u00e3o ainda mais desatualizadas. Neste pref\u00e1cio tentaremos indicar sucintamente tanto as ideias do Manifesto que conservam toda a sua for\u00e7a como aquelas que requerem uma altera\u00e7\u00e3o ou amplia\u00e7\u00e3o importante (&#8230;).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Vemos assim que a produ\u00e7\u00e3o conjunta e relativamente breve de dois jovens autores continua a oferecer diretivas insubstitu\u00edveis sobre as quest\u00f5es mais importantes e candentes da luta pela emancipa\u00e7\u00e3o. Que outro livro poderia, mesmo remotamente, ser comparado ao Manifesto Comunista? Mas isto n\u00e3o significa que, ap\u00f3s noventa anos de desenvolvimento sem precedentes das for\u00e7as produtivas e de vastas lutas sociais, o Manifesto n\u00e3o necessite de corre\u00e7\u00f5es ou aditamentos. O pensamento revolucion\u00e1rio n\u00e3o tem nada em comum com a adora\u00e7\u00e3o de \u00eddolos.<\/em> <em>Os programas e as previs\u00f5es s\u00e3o testados e corrigidos \u00e0 luz da experi\u00eancia, que \u00e9 o crit\u00e9rio supremo da raz\u00e3o humana.<\/em> (\u2026)<\/p>\n\n\n\n<p><em>O Manifesto tamb\u00e9m requer corre\u00e7\u00f5es e acr\u00e9scimos. No entanto, como mostra a experi\u00eancia hist\u00f3rica, estas corre\u00e7\u00f5es e acr\u00e9scimos s\u00f3 podem ser feitos com sucesso se procederem de acordo com o m\u00e9todo que est\u00e1 na base do pr\u00f3prio Manifesto.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O militante profissional. O permanente defensor da independ\u00eancia pol\u00edtica dos trabalhadores<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Longe de ser o pensador erudito que os \u201cmarxistas\u201d acad\u00eamicos nos mostram, Marx era um homem de a\u00e7\u00e3o. Teve uma vida muito dif\u00edcil, perseguida pela rea\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios pa\u00edses e pela mis\u00e9ria que provocou a morte de dois dos seus filhos na inf\u00e2ncia, atacado durante muitos anos por infec\u00e7\u00f5es recorrentes e dolorosas que o incapacitavam por longos per\u00edodos. Mas essa realidade n\u00e3o diminuiu o seu optimismo revolucion\u00e1rio ou a sua milit\u00e2ncia permanente. Marx foi um ativista revolucion\u00e1rio profissional. Um militante cotidiano, que acompanhou e participou das mais diversas lutas de seu tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto foi verdade nos momentos de ascens\u00e3o, como demonstra a sua participa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m f\u00edsica, na revolu\u00e7\u00e3o de 1848 na Alemanha. E foi tamb\u00e9m nos momentos de retrocesso (1849-1859), quando acompanhou sistematicamente a classe oper\u00e1ria dos diferentes pa\u00edses e desenvolveu respostas de classe para a Guerra da Crimeia, para a guerra franco-austr\u00edaca, ao mesmo tempo que avan\u00e7ava na elabora\u00e7\u00e3o de sua obra principal, <em>O Capital.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A sua participa\u00e7\u00e3o cresceu com a recupera\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio europeu e deu um salto com a funda\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores, a Primeira Internacional, da qual n\u00e3o foi o seu fundador, mas o seu principal orientador e organizador. A partir do Conselho Geral da AIT, Marx desenvolveu intensa atividade, promovendo campanhas pela reforma eleitoral, pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, pelo apoio \u00e0 insurrei\u00e7\u00e3o polaca, pelo apoio \u00e0 luta contra a escravatura na guerra da sociedade civil dos Estados Unidos. Estados, organizando a solidariedade com as lutas e a ajuda aos lutadores perseguidos em diferentes partes do mundo e, obviamente, tudo isto teve um ponto culminante com a Comuna de Paris.<\/p>\n\n\n\n<p>Algo que hoje lhe prestam homenagem, ao mesmo tempo que defende a participa\u00e7\u00e3o em governos burgueses de alian\u00e7a de classes, esquece \u00e9 que desde 1848 uma constante na interven\u00e7\u00e3o e na pol\u00edtica de Marx foi a luta pelo poder pol\u00edtico da classe oper\u00e1ria, a defesa da independ\u00eancia pol\u00edtica dos trabalhadores e a rejei\u00e7\u00e3o categ\u00f3rica da participa\u00e7\u00e3o em governos com a burguesia[3]. Coerente com isto, o Manifesto Inaugural da Primeira Internacional (escrito por ele) afirma: \u00abPor esta raz\u00e3o, o primeiro dever da classe oper\u00e1ria consiste em conquistar o poder pol\u00edtico; por isso \u00e9 necess\u00e1rio organizar partidos oper\u00e1rios em todos os lugares.&#8221;[4]<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A confian\u00e7a e paix\u00e3o pela revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Queremos terminar esta nota com extratos de um texto de L\u00eanin sobre a pol\u00edtica revolucion\u00e1ria de Marx. Trata-se do pref\u00e1cio da edi\u00e7\u00e3o russa de <em>Cartas a Kugelmann<\/em>, escrita em 5 de fevereiro de 1907. Nesse texto, L\u00eanin contrasta a atitude de Marx em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o com a de intelectuais que se autodenominam marxistas, mas veem a revolu\u00e7\u00e3o como algo do passado, que teria agora de ser substitu\u00edda por solu\u00e7\u00f5es dentro do regime constitucional. Embora se trate de uma pol\u00eamica que tem a ver com a situa\u00e7\u00e3o russa em 1907, acreditamos que os nossos leitores encontrar\u00e3o algumas semelhan\u00e7as com os debates que surgem na nossa realidade atual.<\/p>\n\n\n\n<p><em>A concep\u00e7\u00e3o pequeno-burguesa do marxismo, segundo a qual o per\u00edodo revolucion\u00e1rio, com as suas formas particulares de luta e as tarefas especiais do proletariado, seria quase uma anomalia, enquanto o &#8220;regime constitucional&#8221; e a &#8220;oposi\u00e7\u00e3o extrema&#8221; seriam a regra, est\u00e1 extraordinariamente difundido entre os social-democratas da R\u00fassia<\/em> (\u2026).<\/p>\n\n\n\n<p><em>Como Marx denuncia, nas suas cartas a Kugelmann, a banalidade desta concep\u00e7\u00e3o do marxismo! (\u2026) Catorze anos antes, tinha dado um ju\u00edzo definitivo sobre a revolu\u00e7\u00e3o alem\u00e3 de 1848. Em 1850, tinha abandonado todas as ilus\u00f5es que ele pr\u00f3prio tinha formado em 1848 sobre a proximidade de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista (\u2026).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Marx n\u00e3o tinha ilus\u00f5es sobre a probabilidade de a pr\u00f3xima revolu\u00e7\u00e3o (que veio de cima, e n\u00e3o de baixo, como ele esperava) aniquilasse a burguesia e o capitalismo. Ele destacou nitidamente que esta revolu\u00e7\u00e3o apenas suprimiria as monarquias prussiana e austr\u00edaca. E que f\u00e9 nesta revolu\u00e7\u00e3o burguesa! Que paix\u00e3o revolucion\u00e1ria de um militante prolet\u00e1rio, consciente do imenso papel que a revolu\u00e7\u00e3o desempenha no avan\u00e7o do socialismo!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>(\u2026) <em>Isto \u00e9 o que deveriam aprender com Marx os intelectuais marxistas russos, relaxados pelo ceticismo, estupefatos pelo pedantismo, propensos a discursos de arrependimento, os que logo se cansam da revolu\u00e7\u00e3o e sonham com o seu enterro e a sua substitui\u00e7\u00e3o por uma prosa constitucional, como acontece com uma festa. (\u2026)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O julgamento de Marx sobre a Comuna \u00e9 o \u00e1pice de sua correspond\u00eancia com Kugelmann. (\u2026) Em Setembro de 1870, seis meses antes da Comuna, ele tinha avisado diretamente os oper\u00e1rios franceses, dizendo-lhes que a insurrei\u00e7\u00e3o seria uma loucura, no seu famoso chamado \u00e0 Internacional.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ele denunciou antecipadamente as ilus\u00f5es nacionalistas sobre a possibilidade de o movimento se desenvolver no esp\u00edrito de 1792.[5]<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>E que posi\u00e7\u00e3o tomou ele quando esta empresa desesperada, segundo a sua pr\u00f3pria declara\u00e7\u00e3o de Setembro, foi posta em pr\u00e1tica em Mar\u00e7o de 1871? Marx aproveitou a oportunidade em detrimento dos seus advers\u00e1rios, os Proudhonistas e Blanquistas que lideraram a Comuna?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7ou a rosnar como um bedel?: &#8220;J\u00e1 te disse, aqui est\u00e1 o fruto do seu romantismo, das suas quimeras revolucion\u00e1rias!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><em>N\u00e3o. Em 12 de abril de 1871, Marx escreveu a Kugelmann uma carta cheia de entusiasmo, uma carta que gostar\u00edamos de pendurar na parede, na casa de cada social-democrata russo, de cada oper\u00e1rio russo que sabe ler (&#8230; ).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00abQue flexibilidade \u2013 escreve \u2013 que iniciativa hist\u00f3rica, que capacidade de sacrif\u00edcio t\u00eam estes parisienses! [\u2026] Nunca antes a hist\u00f3ria conheceu um exemplo de hero\u00edsmo de tamanha magnitude \u00bb!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O que Marx valoriza acima de tudo \u00e9 a iniciativa hist\u00f3rica das massas (&#8230;)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>E como participante desta luta de massas, que viveu com todo o ardor e paix\u00e3o que lhe era pr\u00f3prio, desde o seu ex\u00edlio em Londres, Marx critica os passos imediatos dos parisienses, \u201ccorajosos at\u00e9 \u00e0 loucura\u201d e prontos para conquistar o c\u00e9u por assalto.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>(\u2026) Marx foi capaz de alertar os dirigentes contra uma insurrei\u00e7\u00e3o prematura. Mas falava como um conselheiro pr\u00e1tico do proletariado que toma o c\u00e9u de assalto, como um homem que participa na luta das massas que eleva todo o movimento a um n\u00edvel superior, apesar das falsas teorias e erros de Blanqui e Proudhon.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cSeja como for\u201d, escreve ele, \u201cmesmo que sucumbam ao ataque dos lobos, dos porcos e dos c\u00e3es vis da velha sociedade, a revolta de Paris \u00e9 o feito mais glorioso do nosso Partido depois da insurrei\u00e7\u00e3o de Junho &#8220;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Sem esconder ao proletariado um s\u00f3 dos erros da Comuna, Marx dedicou a esta fa\u00e7anha uma obra que permanece at\u00e9 hoje o melhor guia que podemos ter na luta pelo \u201cc\u00e9u\u201d, e o horror mais temido pelos \u201cporcos\u201d liberais e radicais.<\/p>\n\n\n\n<p>(&#8230;) <em>Kugelmann respondeu a Marx, expressando algumas d\u00favidas, indicando a desesperan\u00e7a do empreendimento, falando do realismo em oposi\u00e7\u00e3o ao romantismo; de qualquer forma, comparou a Comuna, que foi uma insurrei\u00e7\u00e3o, com a manifesta\u00e7\u00e3o pac\u00edfica de 13 de junho de 1849 em Paris. Imediatamente (em 17 de abril de 1871), Marx envia a Kugelmann uma severa resposta:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c\u00c9 claro que seria extremamente conveniente fazer hist\u00f3ria universal se a luta s\u00f3 fosse empreendida quando as probabilidades fossem infalivelmente favor\u00e1veis.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Marx disse em setembro de 1870 que a insurrei\u00e7\u00e3o seria uma loucura. Mas quando as massas se levantam, Marx quer marchar ao lado delas, educar-se ao mesmo tempo que elas, na luta, e n\u00e3o dar li\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas. Ele entende que qualquer tentativa de presumir antecipadamente, com total precis\u00e3o, as probabilidades da luta seria um charlatanismo ou pedantismo imperdo\u00e1vel. Ele valoriza, acima de tudo, o fato de a classe oper\u00e1ria, heroicamente, com abnega\u00e7\u00e3o, com esp\u00edrito de iniciativa, criar a hist\u00f3ria do mundo (\u2026).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Marx tamb\u00e9m soube ver que em certos momentos da hist\u00f3ria uma luta feroz das massas, mesmo que seja por uma causa desesperada, \u00e9 indispens\u00e1vel para a educa\u00e7\u00e3o posterior das pr\u00f3prias massas e a sua prepara\u00e7\u00e3o para a luta futura (&#8230;).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Mas Marx colocou precisamente este problema, sem esquecer que em Setembro de 1870 ele pr\u00f3prio reconheceu que uma insurrei\u00e7\u00e3o teria sido uma loucura:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00abOs canalhas burgueses de Versalhes [&#8230;] colocaram os parisienses diante da alternativa de aceitar o desafio de lutar ou render-se sem lutar. Neste \u00faltimo caso, a desmoraliza\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria teria sido uma desgra\u00e7a muito maior do que a perda de um n\u00famero qualquer de \u201cchefes\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Este Marx que Lenin afirma \u00e9 aquele que reivindicamos e, como j\u00e1 dissemos, nada tem a ver com o s\u00e1bio, o fil\u00f3sofo, que \u00e9 reivindicado por aqueles que entendem o marxismo apenas como uma interpreta\u00e7\u00e3o do mundo, como um m\u00e9todo de an\u00e1lise do passado, e n\u00e3o como um guia para a a\u00e7\u00e3o, como o programa para a revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u201cmarxismo\u201d acad\u00e9mico esquece que j\u00e1 em 1845 Marx e Engels afirmavam: Os fil\u00f3sofos limitaram-se a interpretar o mundo, a quest\u00e3o \u00e9 transform\u00e1-lo.[6]<\/p>\n\n\n\n<p>Notas:<\/p>\n\n\n\n<p>[1] TROTSKY, Le\u00e3o. &#8220;Guerra e a Internacional&#8221;, 1914.<\/p>\n\n\n\n<p>[2] \u00abVoc\u00ea tem o endere\u00e7o de Dietzgen? H\u00e1 algum tempo ele me enviou um fragmento de seu manuscrito sobre a \u201cfaculdade de pensar\u201d. Embora possa ser criticada por alguma confus\u00e3o e demasiadas repeti\u00e7\u00f5es, esta obra continha muitas ideias excelentes e at\u00e9 observa\u00e7\u00f5es admir\u00e1veis, tendo em conta que foi escrita pessoalmente por um oper\u00e1rio. Carta de Marx a Kugelmann, 5 de dezembro de 1868.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00abAnexo a carta (que pe\u00e7o que me devolva, de um oper\u00e1rio alem\u00e3o-russo, o curtidor Dietzgen). Engels tem raz\u00e3o quando diz que a filosofia autodidata \u2013 praticada pelos oper\u00e1rios \u2013 fez grandes progressos, se compararmos este curtidor ao sapateiro Jacob Bo\u00f6nhne, e que ningu\u00e9m, a n\u00e3o ser um oper\u00e1rio \u201calem\u00e3o\u201d, teria sido capaz de tal capacidade intelectual. Produ\u00e7\u00e3o. Carta de Marx a Kugelmann, 7 de dezembro de 1868.<\/p>\n\n\n\n<p>[3] Esta rejei\u00e7\u00e3o \u00e9 evidente na sua an\u00e1lise da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa de Fevereiro de 1848 e no seu forte questionamento da participa\u00e7\u00e3o do socialista Louis Blanc no Governo (A luta de classes em Fran\u00e7a &#8211; 1848-1849).<\/p>\n\n\n\n<p>[4] RIAZANOV, David. \u201cMarx e Engels\u201d, s\u00e9tima palestra (Curso sobre a vida e a\u00e7\u00e3o de Marx e Engels, resumido em nove palestras).<\/p>\n\n\n\n<p>[5] \u00abTentar derrubar o novo governo na crise atual, quando o inimigo est\u00e1 \u00e0s portas de Paris, seria um ato de pura loucura. Os oper\u00e1rios franceses devem cumprir o seu dever \u00fanico, mas, al\u00e9m disso, n\u00e3o devemos cometer um erro ao deixarmo-nos levar pelas mem\u00f3rias do Primeiro Imp\u00e9rio. \u201cOs oper\u00e1rios n\u00e3o devem regressar ao passado, mas sim construir o futuro.\u201d Mensagem do Conselho Geral da Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores, 9 de setembro de 1870.<\/p>\n\n\n\n<p>[6] MARX, Carlos. Tese sobre Feuerbach, n\u00ba 11.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diante de um novo anivers\u00e1rio, publicamos este artigo retirado da revista Marxismo Vivo Nova \u00c9poca No. 11, escrito no 200\u00ba anivers\u00e1rio do nascimento de Karl Marx. Por: Alicia Sagra No momento de sua morte, em 14 de mar\u00e7o de 1883, foram recebidas notas de condol\u00eancias de organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias de diversas partes do mundo, mas apenas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":78839,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8],"tags":[8570,58],"class_list":["post-78838","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia","tag-alicia-sagra-3","tag-marx"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/karl_marx.0.0.jpg","categories_names":["Hist\u00f3ria"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78838","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78838"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78838\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78840,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78838\/revisions\/78840"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78839"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78838"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78838"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78838"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}