{"id":78779,"date":"2024-04-25T13:25:27","date_gmt":"2024-04-25T13:25:27","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78779"},"modified":"2024-04-25T13:25:30","modified_gmt":"2024-04-25T13:25:30","slug":"a-grandeza-de-nahuel-moreno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/04\/25\/a-grandeza-de-nahuel-moreno\/","title":{"rendered":"A grandeza de Nahuel Moreno"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Completam-se 100 anos do nascimento de Nahuel Moreno. Muitos nos reivindicamos \u201cmorenistas\u201d, a partir de diferentes \u00e2ngulos, e lhe estamos homenageando nesta data.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Alicia Sagra<\/p>\n\n\n\n<p>Ao completar-se 30 anos de sua morte, Ricardo Napur\u00ed manifestou: <em>O fato de que milhares e milhares de ativistas e militantes ainda se reivindicarem como pertencentes ao \u201cmorenismo\u201d, \u00e9 o aviso de sua vitalidade pol\u00edtica<\/em>.<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ter\u00edamos que acrescentar que outra indica\u00e7\u00e3o da vitalidade de seu pensamento, s\u00e3o os ataques que continuam at\u00e9 hoje, de organiza\u00e7\u00f5es como PO e PTS da Argentina.<\/p>\n\n\n\n<p>Ernest Mandel disse sobre ele: <em>\u201cFoi um dos \u00faltimos representantes do punhado de quadros de dirigentes trotskistas que, depois da II Guerra Mundial, manteve a continuidade da luta de L\u00e9on Trotsky, em circunst\u00e2ncias muito dif\u00edceis<\/em><em>\u00bb<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\"><strong>[2]<\/strong><\/a><\/em><em>.<\/em>E somos muitos os que opinamos que foi Moreno quem melhor cumpriu essa tarefa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quem foi Nahuel Moreno e o que o diferenciou dos trotskistas de sua \u00e9poca e explica sua perman\u00eancia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foi uma personalidade multifacetada, por isso para homenage\u00e1-lo podemos falar do extraordin\u00e1rio construtor na classe oper\u00e1ria que, \u201ctirando leite das pedras\u201d construiu, em pleno auge do peronismo e do guerrilheirismo foquista, o PST argentino, o maior partido trotskista da Am\u00e9rica Latina, com grande peso oper\u00e1rio. O construtor da corrente internacional que deu origem \u00e0 LIT-QI. Podemos nos referir ao seu papel na constru\u00e7\u00e3o dos partidos no Brasil, Peru, Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos destacar seu papel como formador de quadros e a import\u00e2ncia que dava \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de quadros mulheres. Podemos contar como nos maravilhavam seus cursos, suas palestras informais, onde, sem usar nenhum tom professoral, nos fazia avan\u00e7ar na compreens\u00e3o do marxismo e no conhecimento da cultura geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Para n\u00f3s que tivemos o privil\u00e9gio de militar com ele, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o lembrar seus aspectos humanos, sua grande capacidade de ouvir, sua compreens\u00e3o dos diferentes problemas pelos quais os camaradas passavam. Caracter\u00edsticas que fizeram com que fosse, n\u00e3o s\u00f3 muito respeitado, mas tamb\u00e9m querido e muitas vezes era procurado como confidente por diferentes companheiros e companheiras. Todos lembramos seu grande senso de humor, a capacidade para rir de si pr\u00f3prio. Suas piadas faziam com que reuni\u00f5es que, \u00e0s vezes tinha sido muito tensas pelas discuss\u00f5es pol\u00edticas, terminassem fraternalmente, entre gargalhadas.<\/p>\n\n\n\n<p>O otimismo revolucion\u00e1rio fazia parte de sua personalidade, entretanto, nunca o fez perder de vista nossa marginalidade, a debilidade que isso implicava e a necessidade de sair dela, n\u00e3o buscando atalhos, mas levando o programa revolucion\u00e1rio \u00e0 classe oper\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Poder\u00edamos desenvolver a revolu\u00e7\u00e3o camponesa-ind\u00edgena do Peru dos anos 60 e o papel de Hugo Blanco que sempre o reivindicou como seu grande mestre e dirigente. Ou poder\u00edamos falar de Moreno e da Brigada Sim\u00f3n Bol\u00edvar. Ou da Guerra das Malvinas e da grande campanha internacional pela derrota da Inglaterra e a vit\u00f3ria da Argentina, da elabora\u00e7\u00e3o da consigna do <em>N\u00e3o ao pagamento da D\u00edvida Externa<\/em>, que hoje \u00e9 patrim\u00f4nio da vanguarda anti-imperialista mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Provavelmente outros camaradas, se referir\u00e3o ao fato de que o PST argentino, foi o primeiro a defender publicamente a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto na d\u00e9cada de 70 e ao reconhecimento p\u00fablico dos fundadores do Movimento de Liberta\u00e7\u00e3o Homossexual de que foi o partido de Moreno, o \u00fanico que deu seu apoio, nos mesmos anos 70.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m se poderia desenvolver sua permanente defesa da moral revolucion\u00e1ria e da democracia partid\u00e1ria no marco do centralismo democr\u00e1tico. E de como essa moral se manifestou tragicamente com os mais de 200 militantes presos, desaparecidos e assassinados do PST argentino, que suportaram as mais terr\u00edveis torturas sem que o resto da organiza\u00e7\u00e3o fosse prejudicado.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto central na vida de Moreno \u00e9 a batalha pela constru\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o internacional, pela reconstru\u00e7\u00e3o da IV Internacional, defendendo o \u201ctrotskismo ortodoxo\u201d e combatendo permanentemente o revisionismo que se expressou em : sua luta contra o \u201cpablismo\u201d e sua capitula\u00e7\u00e3o ao estalinismo<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>; &nbsp;seu enfrentamento com Lora e seu apoio cr\u00edtico ao governo do MNR, verdadeira trai\u00e7\u00e3o \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o boliviana de 1952, sua proposta frente populista da FRA nos anos 70; o combate ao desvio guerrilheirista e vanguardista de Mandel na d\u00e9cada de 70, assim como a sua posi\u00e7\u00e3o democratista de capitula\u00e7\u00e3o ao eurocomunismo; o enfrentamento ao SU de conjunto e sua proibi\u00e7\u00e3o de construir partidos trotskistas em Cuba e Nicar\u00e1gua, o que o levou a romper com essa organiza\u00e7\u00e3o; a luta contra a capitula\u00e7\u00e3o \u00e0 Frente Popular de Lambert e contra sua metodologia de excluir os que questionavam sua pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa identifica\u00e7\u00e3o com o \u201ctrotskismo ortodoxo\u201d que tinha Moreno n\u00e3o implicava dogmatismo, nem idolatria. Por isso, n\u00e3o duvidou em marcar os erros que via em seus mestres, como o fez em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s Teses do Oriente<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a> votadas pelo IV Congresso da Terceira Internacional e \u00e0s Teses da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente.<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma que n\u00e3o duvidou em combater a posi\u00e7\u00e3o do SWP norte-americano em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o da mulher e seu chamado \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um movimento aut\u00f4nomo de mulheres.<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Todos estes aspectos identificam Moreno, e fazem com que o reivindiquemos como um grande dirigente. Mas quero destacar outra caracter\u00edstica de sua personalidade que, para mim, \u00e9 o aspecto central de sua grandeza, e que o diferencia e o faz superior aos dirigentes trotskistas de sua \u00e9poca e tamb\u00e9m aos posteriores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um permanente reconhecimento e corre\u00e7\u00e3o dos erros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Moreno era um homem apaixonado. Se apaixonava pela constru\u00e7\u00e3o na classe oper\u00e1ria, pelas lutas, pelas revolu\u00e7\u00f5es, pelo estudo do marxismo, pelos avan\u00e7os da ci\u00eancia, pelas competi\u00e7\u00f5es esportivas.&nbsp; Mas, nunca se apaixonava por suas ideias, nunca considerava um documento como o definitivo. Pelo contr\u00e1rio, era comum ouvi-lo dizer: <em>N\u00e3o sou um g\u00eanio; vivi toda minha vida cometendo erros<\/em><a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em janeiro de 1982, quando se fundava a LIT-QI, dizia: <em>\u201c&#8230;Os dirigentes do movimento trotskista se consideravam colossos que n\u00e3o se equivocavam nunca. Entretanto, o trotskismo dirigido por eles era lament\u00e1vel&#8230;\u201d \u201c&#8230;Essa experi\u00eancia de andar sempre entre \u201cg\u00eanios\u201d nos levou a fazer indiretamente propaganda sobre nossa base para convenc\u00ea-la de que nos equivocamos muito, que devem pensar por sua conta, j\u00e1 que nossa dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 garantia de genialidades. Queremos por todos os meios inculcar um esp\u00edrito autocr\u00edtico, marxista, e n\u00e3o uma f\u00e9 religiosa em uma modesta dire\u00e7\u00e3o, provinciana por sua forma\u00e7\u00e3o e b\u00e1rbara por sua cultura. Por isso, acreditamos na democracia interna e a vemos como uma necessidade imprescind\u00edvel&#8230;Avan\u00e7amos atrav\u00e9s dos erros e ataques e n\u00e3o temos vergonha de diz\u00ea-lo\u201d<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o eram declara\u00e7\u00f5es declarativas, mas que tinham a ver com a\u00e7\u00f5es, nas quais n\u00e3o s\u00f3 se reconhecia e corrigia os erros que via, mas os fazia p\u00fablicos. Alguns exemplos:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Autocr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica para Palestina<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No Avanzada Socialista 79, de 10-10-73, se coloca que na Guerra dos 6 dias (1967), a posi\u00e7\u00e3o do nosso partido teria sido reconhecer o direito de autodetermina\u00e7\u00e3o do povo judeu no marco de uma Federa\u00e7\u00e3o Socialista do Oriente M\u00e9dio, mas que <em>\u201cA dire\u00e7\u00e3o do nosso partido rediscutiu e revisou essa posi\u00e7\u00e3o no que se refere ao direito dos judeus \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o e a ter seu pr\u00f3prio estado na Palestina.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Entendemos que o mais correto \u00e9 apoiar a cria\u00e7\u00e3o \u2013 no territ\u00f3rio que hoje ocupa o Estado sionista &#8211; <\/em><em>de um \u00fanico <strong>Estado Palestino, laico, n\u00e3o racista<\/strong> e com amplos direitos democr\u00e1ticos para todos seus habitantes\u201d<\/em><a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\"><em><strong>[8]<\/strong><\/em><\/a> E, no mesmo artigo, se esclarece que a posi\u00e7\u00e3o anterior foi um erro importante, j\u00e1 que o direito de autodetermina\u00e7\u00e3o se aplica para as na\u00e7\u00f5es oprimidas e n\u00e3o para as opressoras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Autocr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o cubana e sua dire\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Nenhuma corrente do movimento trotskista soube responder com uma posi\u00e7\u00e3o principista ao novo e complexo fen\u00f4meno [a revolu\u00e7\u00e3o cubana]. Ningu\u00e9m foi capaz de fazer a seguinte an\u00e1lise global e principista: ao expropriar-se a burguesia, Cuba se transformou em um estado oper\u00e1rio; mas ao fazer esta revolu\u00e7\u00e3o sob uma dire\u00e7\u00e3o pequeno burguesa, profundamente nacionalista (embora seu nacionalismo tivesse aspectos progressivos naquele <\/em><em>momento por ser latinoamericanista),<\/em><strong><em> o novo estado oper\u00e1rio era burocr\u00e1tico desde seu nascimento e, portanto, era necess\u00e1ria uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e a constru\u00e7\u00e3o de um partido trotskista, <\/em><\/strong><em>j\u00e1 que o Movimento 26 de Julho primeiro, e o PC cubano depois, eram partidos pequeno burgueses ou burocr\u00e1ticos. Dito de outra forma, uma dire\u00e7\u00e3o pequeno burguesa n\u00e3o vai deixar de s\u00ea-lo porque n\u00e3o seja stalinista ou, mais ainda, embora seja antistalinista<\/em>. <a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Autocr\u00edtica sobre a reunifica\u00e7\u00e3o da IV Internacional de 1963<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Moreno aderiu criticamente a reunifica\u00e7\u00e3o que deu origem ao SU em 1964. Sua cr\u00edtica tinha a ver com o fato de n\u00e3o ter se realizado previamente um balan\u00e7o. Em 1980, declarou o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Para o pablismo e o mandelismo, a revolu\u00e7\u00e3o cubana foi uma magn\u00edfica oportunidade de fortalecer e reviver seu revisionismo, sua nega\u00e7\u00e3o da necessidade de construir partidos trotskistas. O revisionismo encontrou a oportunidade de transferir ao castrismo, a tarefa de dirigir a revolu\u00e7\u00e3o socialista que antes havia deixado nas m\u00e3os do stalinismo(&#8230;) O rompimento entre a URSS e China leva o <\/em><em>SI<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\"><strong>[10]<\/strong><\/a><\/em><em> durante um tempo a propor algo parecido em rela\u00e7\u00e3o ao mao\u00edsmo. O grave \u00e9 que o SWP aceita totalmente esta revis\u00e3o do programa e an\u00e1lise trotskista no que se refere ao castrismo, embora continue opondo-se ao mao\u00edsmo, com justa raz\u00e3o, como uma variante stalinista nacional.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00c9 assim que o SWP vai \u00e0 unifica\u00e7\u00e3o com o SI.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Com base em muitas afirma\u00e7\u00f5es program\u00e1ticas corretas e principistas, como o correto reconhecimento de Cuba como estado oper\u00e1rio, se esconde uma profunda capitula\u00e7\u00e3o ao castrismo e o abandono da raz\u00e3o de ser do trotskismo: a imperiosa necessidade de se construir um partido trotskista em Cuba e no resto da Am\u00e9rica Latina para combater essa corrente pequeno burguesa \u00e0 frente de um novo estado oper\u00e1rio, a castrista, at\u00e9 conseguir uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos oper\u00e1rios cubanos contraela.<strong> A base pol\u00edtica da reunifica\u00e7\u00e3o passava por um acordo revisionista: n\u00e3o combater a dire\u00e7\u00e3o castrista<\/strong><\/em><a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\"><strong><em><strong>[11]<\/strong><\/em><\/strong><\/a><strong><em>como inimiga do trotskismo e do movimento oper\u00e1rio.<\/em><\/strong><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Autocr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o ao sujeito social da revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;\u201cA esta altura da minha vida, estou convencido de que nosso \u201csectarismo&#8221;, no sentido de permanecer junto ao movimento oper\u00e1rio, \u00e9 inteiramente correto. N\u00e3o h\u00e1 forma de enganar o processo hist\u00f3rico e de classe. Se eu dirijo o movimento campon\u00eas \u00e0 conquista do poder, n\u00e3o posso construir uma democracia oper\u00e1ria. \u00c9 imposs\u00edvel chegar ao socialismo com democracia baseando-se no campesinato, \u00e9 algo que vai contra as leis descobertas pelo marxismo e confirmadas pela hist\u00f3ria. A superestrutura pol\u00edtica que surgir ser\u00e1 de acordo com a classe que tomar o poder (\u2026) Ao longo da minha vida pol\u00edtica, <strong>depois, por exemplo, de olhar com simpatia o regime que surgiu da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que \u00e9 necess\u00e1rio continuar com a pol\u00edtica revolucion\u00e1ria de classe, <\/strong>embora postergue a chegada ao poder para n\u00f3s em vinte ou trinta anos, ou o que for. N\u00f3s aspiramos que seja a classe oper\u00e1ria a que verdadeiramente chegue ao poder, por isso queremos dirigi-la.\u201d<\/em><a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\"><em><strong>[12]<\/strong><\/em><\/a><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Estes s\u00e3o s\u00f3 alguns poucos exemplos da grande quantidade de erros que Moreno viu, reconheceu publicamente e corrigiu. N\u00e3o viu outros, e a realidade os colocou em evid\u00eancia depois de sua morte, como seu progn\u00f3stico equivocado sobre a revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, n\u00e3o ter visto o processo de restaura\u00e7\u00e3o na China que ocorreu na d\u00e9cada de 70, ou o in\u00edcio do processo na R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suas \u00faltimas elabora\u00e7\u00f5es, Moreno chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que <em>\u201ca ess\u00eancia do trotskismo \u00e9 <strong>a revolu\u00e7\u00e3o socialista internacional<\/strong>\u201d <\/em>que \u00e9acompanhada por duas outras categorias: <strong><em>\u201ca<\/em><\/strong><em> <strong>democracia oper\u00e1ria<\/strong> (\u2026)queremos que a classe oper\u00e1ria se expresse democraticamente atrav\u00e9s de seus organismos e tome o poder exercendo essa democracia (\u2026)E um subproduto disso, \u00e9 que queremos que o partido que dirija e acaudilhe as organiza\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas da classe oper\u00e1ria, tamb\u00e9m seja democr\u00e1tico(\u2026)Digo isto porque toda esta teoria que hoje estou dizendo leva \u00e0 LIT uma quest\u00e3o muito importante: somos defensores incondicionais do regime da ditadura do proletariado que \u00e9 a favor da democracia oper\u00e1ria (\u2026) E o terceiro \u00e9 um fen\u00f4meno social: acreditamos que \u00e9 <strong>a classe oper\u00e1ria <\/strong>que tem que voltar a tomar, ser a vanguarda do processo\u201d.<\/em><a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\"><em><strong>[13]<\/strong><\/em><\/a><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Partindo dessa defini\u00e7\u00e3o e com essa perspectiva, \u00e9 que nos propomos a continuar com a luta de Moreno, devemos encarar a necess\u00e1ria tarefa de atualiza\u00e7\u00e3o program\u00e1tica. E devemos faz\u00ea-lo com este m\u00e9todo que nosso mestre nos deixou, que considero um de seus maiores legados: estudar profundamente, com esp\u00edrito cr\u00edtico, sem nenhum tipo de idolatria, as elabora\u00e7\u00f5es de nossos mestres e as nossas, contrast\u00e1-las com a realidade e, a partir da\u00ed, realizar as mudan\u00e7as e atualiza\u00e7\u00f5es que sejam necess\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Testemunho de Ricardo Napuri, na edi\u00e7\u00e3o de homenagem do livro &#8220;Conversa\u00e7\u00f5es com Nahuel Moreno&#8221;, p\u00e1g. 195. Editora Lorca, Edi\u00e7\u00f5es Marxismo Vivo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Declara\u00e7\u00e3o de Mandel ao saber da morte de Moreno, em 25 de janeiro de 1987.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Pablo e Mandel defenderam o entrismo \u201csui generis\u201d, a longo prazo, sustentando que uma terceira guerra mundial contra a URSS os levaria a desenvolver processos revolucion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> Moreno sustentou que as Teses do Oriente que a frente Anti-imperialista propunha com a burguesia nos pa\u00edses coloniais e semicoloniais, estavam equivocadas, e que eram a express\u00e3o da Frente Popular naqueles pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> Moreno prop\u00f4s a necessidade de atualizar essas Teses, j\u00e1 que elas n\u00e3o refletiam as revolu\u00e7\u00f5es p\u00f3s-segunda guerra mundial. Mas, esclarecia, que continuava defendendo a Teoria da Revolu\u00e7\u00e3o e inclusive as Teses, j\u00e1 que estas \u201cs\u00f3 se equivocaram em alguns pa\u00edses no ponto da esta\u00e7\u00e3o onde se parava o processo da revolu\u00e7\u00e3o permanente conduzida pelos partidos pequeno burgueses \u2013 ou estalinistas \u2013 mas acertava que o processo se detinha totalmente se estes partidos n\u00e3o fossem substitu\u00eddos por um partido leninista (Atualiza\u00e7\u00e3o P. de T, Teses XXXIX)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a>.Moreno sustentava que esse movimento n\u00e3o s\u00f3 era frentepopulista, mas, que a proposta geral implica uma revis\u00e3o da Teoria da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente pela quest\u00e3o dos m\u00faltiplos sujeitos da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> Escola de quadros da Venezuela 1982, pag 16, Crux Edi\u00e7\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> Avanzada Socialista, jornal do PST argentino. Negritos nossos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> Atualiza\u00e7\u00e3o do Programa de Transi\u00e7\u00e3o, Teses XI. 1980. Negrito nosso.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\"><\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\"><\/a>10 Em 1953, a IV rompeu dando origem ao <strong>SI<\/strong>, dirigido por Pablo e Mandel, que defendiam o entrismo \u201csui generis\u201d nos partidos comunistas. E o CI, liderado pelo SWP dos EUA, onde participavam as se\u00e7\u00f5es francesas, inglesas, a organiza\u00e7\u00e3o de Moreno, que enfrentavam essa pol\u00edtica do pablismo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[12]<\/a> Conversa\u00e7\u00f5es com Nahuel Moreno. Cap\u00edtulo 2. Negritos nossos<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn13\" href=\"#_ftnref13\">[13]<\/a> Escola de quadros da Argentina-1984. Pag 82. Edi\u00e7\u00f5es Crux<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Completam-se 100 anos do nascimento de Nahuel Moreno. Muitos nos reivindicamos \u201cmorenistas\u201d, a partir de diferentes \u00e2ngulos, e lhe estamos homenageando nesta data. Por: Alicia Sagra Ao completar-se 30 anos de sua morte, Ricardo Napur\u00ed manifestou: O fato de que milhares e milhares de ativistas e militantes ainda se reivindicarem como pertencentes ao \u201cmorenismo\u201d, \u00e9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":78771,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3145,4568],"tags":[8840,8570,918],"class_list":["post-78779","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nahuel-moreno","category-especial-nahuel-moreno","tag-100-anos-de-moreno","tag-alicia-sagra-3","tag-nahuel-moreno"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Moreno-2.jpg","categories_names":["Especial Nahuel Moreno","Nahuel Moreno"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78779","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78779"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78779\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78780,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78779\/revisions\/78780"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78771"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78779"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78779"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78779"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}