{"id":78773,"date":"2024-04-23T03:01:14","date_gmt":"2024-04-23T03:01:14","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78773"},"modified":"2024-04-23T03:01:18","modified_gmt":"2024-04-23T03:01:18","slug":"o-ultimo-combate-de-lenin-a-primeira-batalha-contra-o-stalinismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/04\/23\/o-ultimo-combate-de-lenin-a-primeira-batalha-contra-o-stalinismo\/","title":{"rendered":"O \u00faltimo combate de L\u00eanin, a primeira batalha contra o stalinismo"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Na reuni\u00e3o do Comit\u00ea Central de 6 de outubro de 1922, com Lenin ausente, Stalin aprovou um texto que limitava severamente o monop\u00f3lio estatal sobre o com\u00e9rcio exterior. Alguns dias depois, L\u00eanin enviou uma carta ao CC com uma dura cr\u00edtica a essa decis\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Francesco Ricci<\/p>\n\n\n\n<p>Em 13 de dezembro, L\u00eanin escreve a Trotsky e, percebendo que suas posi\u00e7\u00f5es sobre essa quest\u00e3o convergem, pede que ele d\u00ea uma batalha em nome de ambos na pr\u00f3xima reuni\u00e3o do organismo de dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas vamos dar um pequeno passo atr\u00e1s: Por que L\u00eanin n\u00e3o participa das reuni\u00f5es e se limita a escrever cartas? Porque ele est\u00e1 gravemente doente e acamado. Ele j\u00e1 havia sofrido um primeiro AVC. Mas j\u00e1 no \u00faltimo Congresso do Partido do qual participou, o XI, na primavera de 1922, iniciou uma batalha contra os males da burocratiza\u00e7\u00e3o que, segundo ele, estavam crescendo no Estado. Foi nesse Congresso, em seu discurso de 27 de mar\u00e7o, que ele afirma: &#8220;A m\u00e1quina escapa das m\u00e3os daqueles de quem a dirige&#8221; [1]. \u00c9 por isso que, alguns meses depois, em uma reuni\u00e3o particular, ele prop\u00f4s a Trotsky a forma\u00e7\u00e3o de um bloco &#8220;contra o burocratismo em geral e contra o <em>Orgbureau <\/em>em particular&#8221; [2]. E <em>o Orgbureau<\/em> significa Stalin.<\/p>\n\n\n\n<p>Na noite entre 12 e 13 de dezembro, outro AVC paralisou L\u00eanin. Ele n\u00e3o poder\u00e1 participar da reuni\u00e3o do CC dessa forma; tendo melhorado nesse per\u00edodo, em 16 de dezembro ele escreve ao CC informando aos seus membros que chegou a um acordo total com Trotsky, que defender\u00e1 o ponto de vista comum na pr\u00f3xima reuni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No CC de 18 de dezembro, a posi\u00e7\u00e3o de L\u00eanin e Trotsky \u00e9 aprovada, modificando a orienta\u00e7\u00e3o anterior. St\u00e1lin observou com preocupa\u00e7\u00e3o o movimento de um L\u00eanin que n\u00e3o havia sido completamente paralisado pela doen\u00e7a. \u00c9 por isso que ele fez com que o CC lhe confiasse, em 18 de dezembro, a responsabilidade total pelos cuidados de L\u00eanin. Ele queria isol\u00e1-lo e pediu aos m\u00e9dicos que limitassem sua atividade pol\u00edtica a alguns minutos por dia, durante os quais L\u00eanin s\u00f3 poderia ditar algumas linhas para suas secret\u00e1rias, mas n\u00e3o poderia receber respostas \u00e0s suas cartas ou discutir pol\u00edtica com os raros visitantes permitidos de ir ao seu leito.<\/p>\n\n\n\n<p>A proibi\u00e7\u00e3o, como bem observou o historiador Jean Jacques Marie, \u00e9 desprovida de qualquer fundamento m\u00e9dico: al\u00e9m disso, impedir que um revolucion\u00e1rio que passou toda a sua vida imerso em pol\u00edtica, ocupar-se com pol\u00edtica \u00e9, de fato, tentar destruir sua for\u00e7a, agravar sua doen\u00e7a. Na realidade, a verdadeira preocupa\u00e7\u00e3o de Stalin n\u00e3o \u00e9 a doen\u00e7a de L\u00eanin, mas, como Marie escreve: &#8220;Stalin quer ter em m\u00e3os o homem que decidiu iniciar uma batalha com Trotsky contra ele&#8221; [3].<\/p>\n\n\n\n<p>Sabendo da primeira vit\u00f3ria obtida no CC, em 21 de dezembro L\u00eanin ditou a Krupskaia uma carta a Trotsky: &#8220;Proponho n\u00e3o parar, mas continuar a ofensiva&#8221; [4]. A ofensiva da qual L\u00eanin fala \u00e9 aquela contra St\u00e1lin e os burocratas que o secret\u00e1rio do CC est\u00e1 organizando ao seu redor.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Stalin est\u00e1 no controle e \u00e9 rapidamente informado do fato de que Krupskaia deixou Lenin ditar uma mensagem para Trotsky; ent\u00e3o telefona para ela e a cobre de insultos, amea\u00e7ando envi\u00e1-la aos organismos disciplinares por comprometer o tratamento de Lenin. L\u00eanin tomar\u00e1 conhecimento desse epis\u00f3dio apenas tr\u00eas meses depois: essa precis\u00e3o \u00e9 importante porque significa que, (&#8230;) escreveram v\u00e1rios comentaristas, a diverg\u00eancia entre Stalin e a esposa n\u00e3o influenciou no Testamento que L\u00eanin come\u00e7ar\u00e1 a ditar naqueles dias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O ditado do Testamento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria da \u00faltima batalha de L\u00eanin (para recuperar a express\u00e3o com a qual Lewin intitulou seu livro sobre o assunto) \u00e9 geralmente desdenhada pelos historiadores, sejam eles de matriz stalinista, social-democratas ou burgueses. Por qu\u00ea? Porque \u00e9 um terreno pedregoso sobre a teoria da continuidade L\u00eanin-Stalin, por sua vez indispens\u00e1vel tanto aos burocratas de ontem para reivindicarem a L\u00eanin para justificar seus crimes, tal como \u00e9 \u00fatil \u00e0 burguesia e seus agentes para liquidar o comunismo com o stalinilismo e a qualquer projeto de destrui\u00e7\u00e3o da sociedade dividida em classes.<\/p>\n\n\n\n<p>O que mais tarde ficou conhecido como Testamento s\u00e3o elabora\u00e7\u00f5es que L\u00eanin queria enviar ao XII Congresso do Partido Bolchevique, previsto para os meses seguintes [5]. Inicia seu \u00faltimo ditado para as secret\u00e1rias, Maria Volodiceva e Lydia Fotieva, em 23 de dezembro de 1922 e o concluir\u00e1 em 4 de janeiro de 1923 com uma \u00faltima mensagem importante. No texto, Lenin inicia dando raz\u00e3o a Trotsky contra Stalin no debate sobre o Gosplan (a Comiss\u00e3o Estatal de Planejamento). Em seguida, passa a avaliar os principais dirigentes do partido.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin destaca &#8220;o enorme poder&#8221; que Stalin &#8220;concentrou em suas m\u00e3os&#8221;. Depois de dizer que Stalin e Trotsky s\u00e3o os dois membros &#8220;mais eminentes&#8221; do CC, acrescenta que Trotsky \u00e9 &#8220;o mais capaz entre os membros do atual CC&#8221;. Indica alguns limites do dirigente com quem levou adiante uma batalha contra a burocracia (&#8220;uma tend\u00eancia excessiva de considerar o lado puramente administrativo dos problemas&#8221; e &#8220;autoconfian\u00e7a excessiva&#8221;), mas esses s\u00e3o insignificantes em rela\u00e7\u00e3o ao julgamento implac\u00e1vel que ele faz de todos os outros expoentes do grupo dirigente do partido.<\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. Em 4 de janeiro, ditou mais uma nota sobre St\u00e1lin: &#8220;St\u00e1lin \u00e9 muito rude, e esse defeito, que \u00e9 toler\u00e1vel no ambiente e nas rela\u00e7\u00f5es entre n\u00f3s, comunistas, torna-se intoler\u00e1vel nas fun\u00e7\u00f5es de Secret\u00e1rio-Geral. \u00c9 por isso que proponho aos camaradas que pensem em uma maneira de remover Stalin dessa tarefa e nomear para esse cargo outro homem que, al\u00e9m de todos os outros aspectos, se distinga do camarada Stalin apenas por uma qualidade melhor, a de ser mais tolerante, mais leal, mais cort\u00eas e mais atencioso com os camaradas, menos caprichoso etc.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um golpe muito duro, prop\u00f5e a destitui\u00e7\u00e3o de Stalin. L\u00eanin n\u00e3o procura um acordo com Stalin, mas adverte Trotsky contra as manobras do secret\u00e1rio do partido. E a batalha continua. Agora L\u00eanin assume a defesa da quest\u00e3o georgiana, contra a pol\u00edtica chauvinista defendida por Stalin. \u00c9 assim que Trotsky retoma a hist\u00f3ria em sua autobiografia: &#8220;L\u00eanin cita apenas seis pessoas e as caracteriza com palavras comedidas. O objetivo indiscut\u00edvel do Testamento \u00e9 facilitar-me o trabalho de dire\u00e7\u00e3o. L\u00eanin quer realizar essa tarefa, obviamente, com um m\u00ednimo de tens\u00e3o pessoal. Fala de todos com a m\u00e1xima circunspec\u00e7\u00e3o e expressa com delicadeza at\u00e9 mesmo os julgamentos que de conte\u00fado condenam. Ao mesmo tempo, atenua com algumas reservas minha clara designa\u00e7\u00e3o para o cargo mais alto. Somente na avalia\u00e7\u00e3o de Stalin \u00e9 que se ouve um tom diferente, que, em uma nota agregada algum tempo depois, chega a ser uma verdadeira ruptura&#8221;. Em seguida, Trotsky acrescenta: &#8220;Dois meses se passaram, durante os quais a situa\u00e7\u00e3o ficou definitivamente mais clara. L\u00eanin j\u00e1 estava se preparando n\u00e3o apenas para destituir St\u00e1lin da secretaria geral, mas tamb\u00e9m para desacredit\u00e1-lo aos olhos do partido&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Para &#8220;desacreditar Stalin&#8221; e continuar a batalha, L\u00eanin ditou dois artigos: &#8220;Como organizar a inspe\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e camponesa&#8221; e, mais explicitamente, &#8220;Melhor menos, mas melhor&#8221;. Observe que a Inspe\u00e7\u00e3o que L\u00eanin prop\u00f4s reorganizar com urg\u00eancia havia sido chefiada h\u00e1 poucos dias por St\u00e1lin. Esse golpe tamb\u00e9m foi contra Stalin. O politburo do partido discutiu na oportunidade publicar <em>no Pravda<\/em> o segundo de seus dois artigos. Um dirigente pr\u00f3ximo havia proposto a publica\u00e7\u00e3o de apenas uma c\u00f3pia para mostrar a L\u00eanin&#8230; No final, o texto foi publicado no <em>Pravda <\/em>em 4 de mar\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin escreveu imediatamente aos dirigentes georgianos declarando-se solid\u00e1rio \u00e0 posi\u00e7\u00e3o deles e contra a posi\u00e7\u00e3o da &#8220;Grande R\u00fassia&#8221; de Stalin, ou seja, contra a nega\u00e7\u00e3o do direito de autodetermina\u00e7\u00e3o da Ge\u00f3rgia e a possibilidade de criar uma rep\u00fablica confederada \u00e0 R\u00fassia e n\u00e3o subordinada a ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo nessa ocasi\u00e3o, L\u00eanin recorre ao dirigente por quem tem maior estima, aquele que ele considera que deve substitu\u00ed-lo no caso de sua morte: Trotsky. Em 5 de mar\u00e7o, ele ditou uma carta a Trotsky pedindo-lhe que fizesse o que j\u00e1 havia feito por ocasi\u00e3o do debate sobre o monop\u00f3lio: &#8220;Se voc\u00ea concordar em assumir a defesa [da quest\u00e3o georgiana, ndr], poderei eu ficar tranquilo&#8221; [6]. Informa outra vez a Trotsky, sempre atrav\u00e9s de suas secret\u00e1rias, para atacar frontalmente a Stalin no iminente Congresso.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante esse per\u00edodo tamb\u00e9m foi informado sobre as ofensas de Stalin proferiu contra Krupskaia em dezembro passado. Naquela ocasi\u00e3o, ditou uma carta dirigida a Stalin, anunciando que esperava seu pedido pessoal de desculpas pelo ataque \u00e0 sua esposa, uma dirigente do partido, e que o considerava um ataque pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 9 de mar\u00e7o, quando a batalha estava apenas come\u00e7ando, L\u00eanin sofreu outro AVC, que o privou da fala. De mar\u00e7o de 1923 a janeiro de 1924 &#8211; meses antes de sua morte &#8211; L\u00eanin n\u00e3o ver\u00e1 mais Stalin. As rela\u00e7\u00f5es entre eles foram rompidas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O destino do Testamento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Qual foi o destino do Testamento de L\u00eanin? O texto n\u00e3o foi lido no XII Congresso (abril de 1923). Ap\u00f3s a morte de L\u00eanin (21 de janeiro de 1924), Krupskaia levou o documento ao CC e pediu que o texto fosse lido no XIII Congresso, que s\u00f3 ocorreria em maio de 1924. Mas os dirigentes &#8211; sob proposta de Stalin &#8211; Kamenev e Zinoviev (que formavam uma fra\u00e7\u00e3o secreta) prop\u00f5em que isso seja feito de forma reservada. Trotsky est\u00e1 em minoria. Ap\u00f3s a insist\u00eancia de Krupskaia, foi decidido que ele deveria ser lido apenas para os dirigentes-delegados, em uma reuni\u00e3o realizada em 22 de maio de 1924, com o compromisso de sigilo dos presentes e nem mesmo de fazer anota\u00e7\u00f5es: na plen\u00e1ria geral dos delegados, o texto n\u00e3o foi distribu\u00eddo nem lido.<\/p>\n\n\n\n<p>A publica\u00e7\u00e3o, primeiro em partes e depois na \u00edntegra, ser\u00e1 feita no exterior um ano depois por Max Eastman, um militante pr\u00f3ximo de Trotsky. Na R\u00fassia, o Testamento s\u00f3 foi publicado em 1956, por Krushev, como um instrumento na luta que se abriu entre as diversas fra\u00e7\u00f5es em disputa ap\u00f3s a morte de Stalin (1953), no curso da chamada &#8220;desestaliniza\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos textos foram escritos com base nas considera\u00e7\u00f5es de Deutscher, um dos mais importantes bi\u00f3grafos de Trotsky, por um per\u00edodo dirigente trotskista (contr\u00e1rio \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o da Quarta Internacional em 1938), que presumem uma hesita\u00e7\u00e3o por parte de Trotsky: Por que ele n\u00e3o protesta contra a publica\u00e7\u00e3o do texto? Por que ele n\u00e3o inicia rapidamente uma batalha contra Stalin?<\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, como documentaram todas as melhores biografias e os estudos mais recentes, Trotsky simplesmente acha que n\u00e3o \u00e9 taticamente oportuno, com L\u00eanin gravemente doente, muito menos depois de sua morte, lan\u00e7ar um ataque frontal para a destitui\u00e7\u00e3o de St\u00e1lin. Ele procura travar um combate pol\u00edtico preparat\u00f3rio, tentando acumular as for\u00e7as necess\u00e1rias. Da\u00ed sua aceita\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de compromissos na que ele entende ser uma batalha que n\u00e3o pode ser vencida somente por ele e em um \u00fanico golpe. Acima de tudo, espera que a revolu\u00e7\u00e3o na Europa, na Alemanha, possa romper o isolamento russo, a principal causa do avan\u00e7o da burocracia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em 1994, \u00e9 descoberta uma primeira falsifica\u00e7\u00e3o do Testamento.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 a abertura dos arquivos de Moscou ap\u00f3s a queda do stalinismo no final da d\u00e9cada de 1980, isso era tudo o que sab\u00edamos sobre o Testamento.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3prio Trotsky explicou como aquela \u00fanica frase do texto, na qual L\u00eanin se refere a ele em termos relativamente negativos, teria que ser considerada no contexto do racioc\u00ednio de L\u00eanin, que ent\u00e3o o indicava, de fato, como seu sucessor para a dire\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em particular, no artigo &#8220;Sobre o Testamento suprimido de L\u00eanin&#8221;, Trotsky insistia na interpreta\u00e7\u00e3o falsificada dessa frase pelos stalinistas, que a fizeram circular junto com a &#8220;s\u00edntese&#8221; do Testamento, n\u00e3o baseada na vers\u00e3o original.<\/p>\n\n\n\n<p>Qual \u00e9 a frase em quest\u00e3o? Daquela em que L\u00eanin, depois de j\u00e1 ter falado positivamente de Trotsky, chegando ent\u00e3o aos outros dirigentes do primeiro escal\u00e3o, Kamenev e Zinoviev, sublinha &#8220;n\u00e3o casualmente&#8221; os graves erros pol\u00edticos que eles cometeram no decorrer de 1917 (&#8230;). \u00c9 nesse ponto que L\u00eanin acrescenta que, de qualquer forma, esses erros n\u00e3o deveriam ser jogados na cara dos dois dirigentes, assim como n\u00e3o se poderia acusar Trotsky de seu passado n\u00e3o bolchevique.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa n\u00e3o \u00e9 a vers\u00e3o &#8220;original&#8221; &#8211; ou, pelo menos, a considerada original tamb\u00e9m por Trotsky. Stalin, ao contr\u00e1rio, fez circular leituras em que essa frase era invertida: tanto os erros de Kamenev e Zinoviev quanto o passado n\u00e3o bolchevique de Trotsky n\u00e3o poderiam ser subestimados ou esquecidos porque teriam reflexos no presente.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato \u00e9 que Trotsky nunca questionou publicamente essa frase (pelo menos na vers\u00e3o que ele acreditava ser a original), embora, sem d\u00favida, essas palavras fossem contradit\u00f3rias com o resto do texto e, especialmente com o contexto da \u00faltima batalha de L\u00eanin. Por que L\u00eanin deveria retornar, ainda mais enfaticamente, ao passado n\u00e3o bolchevique daquele que se tornou, depois de 1917, em suas pr\u00f3prias palavras, &#8220;o melhor dos bolcheviques&#8221;, o principal dirigente com L\u00eanin na revolu\u00e7\u00e3o? Por que ele entregaria nas m\u00e3os de Stalin uma arma contra Trotsky, enquanto Trotsky era seu principal aliado na batalha contra Stalin e a burocracia?<\/p>\n\n\n\n<p>Durante anos, esse ponto permaneceu obscuro. At\u00e9 que, com a abertura dos arquivos de Moscou, surgiram novos documentos. Vejamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1994, o historiador Jurij Buranov escreveu um livro intitulado <em>Lenin\u2019s will. <\/em><em>Falsified and forbidden; from the Secret Archives of the former Soviet Union<\/em>&nbsp;[O Testamento de L\u00eanin. [Falsificado e proibido; dos Arquivos Secretos da antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica]. No livro, ele desenvolve um tema que j\u00e1 havia abordado em sua revista russa em 1991, para o qual tamb\u00e9m recebeu espa\u00e7o no di\u00e1rio italiano <em>La Stampa,<\/em> em artigos de Giulietto Chiesa (durante anos, o enviado da <em>Unit\u00e1 <\/em>em Moscou).<\/p>\n\n\n\n<p>Nos artigos de 1991, e tamb\u00e9m no livro de 1994, Buranov explica ter encontrado nos arquivos sovi\u00e9ticos uma p\u00e1gina manuscrita datada de 23 de dezembro de 1922, que abre o texto de L\u00eanin mais tarde conhecido como Testamento, compilado (como confirmado por especialistas em caligrafia) por Nadiezhda Allilueva, uma das secret\u00e1rias de L\u00eanin e tamb\u00e9m esposa de Stalin.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 interessante por v\u00e1rios motivos: n\u00e3o era o turno de Allilueva com L\u00eanin naquele dia (como atestam os di\u00e1rios das secret\u00e1rias). Naquele dia, Volodiceva estava com a tarefa. Esta \u00faltima, como j\u00e1 havia aparecido nas entrevistas que permaneceram in\u00e9ditas at\u00e9 1989, realizadas em 1967 pelo historiador Aleksandr Bek com as secret\u00e1rias de L\u00eanin, admitiu que, como L\u00eanin ditou o Testamento, as secret\u00e1rias rapidamente levaram o texto a Stalin.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Volodiceva, sob as ordens de Fotieva &#8211; a respons\u00e1vel pelas secret\u00e1rias &#8211; levou o primeiro ditado de L\u00eanin ao escrit\u00f3rio de Stalin, ela encontrou Allilueva, Bukharin e outros dirigentes. Stalin leu o texto e, visivelmente assustado, deu a ordem para queim\u00e1-lo. Mas pede \u00e0 sua esposa que fa\u00e7a primeiro uma c\u00f3pia a ser guardada, enquanto ordenava a Volodiceva que inserisse na c\u00f3pia a ser mantida no arquivo algumas frases que L\u00eanin n\u00e3o havia ditado. E foi a partir dessa vers\u00e3o modificada que s\u00e3o feitas as cinco c\u00f3pias dos textos de L\u00eanin.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o texto encontrado nos arquivos por Buranov, escrito pela m\u00e3o da esposa de Stalin, \u00e9 uma c\u00f3pia do texto original realmente ditado por L\u00eanin. Essa p\u00e1gina difere em uma frase daquela publicada posteriormente nas <em>Obras <\/em>de L\u00eanin e considerada por todos, durante d\u00e9cadas, como o original: onde L\u00eanin diz que concorda com Trotsky sobre a quest\u00e3o do Gosplan (&#8220;na reuni\u00e3o, a esse respeito, com o camarada Trotsky&#8221;), por ordem de Stalin foi acrescentado: &#8220;at\u00e9 certo ponto e sob certas condi\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas poucas palavras, como se pode ver, distorcem o significado da frase: n\u00e3o apenas relativizam o acordo entre L\u00eanin e Trotsky sobre esse importante ponto (que constitui o in\u00edcio da batalha contra St\u00e1lin), mas fazem com que pare\u00e7a quase uma diferen\u00e7a entre os dois, que L\u00eanin resolveria com um compromisso parcial.<\/p>\n\n\n\n<p>Buranov demonstrou desse modo, inequivocamente, que Stalin falsificou o Testamento, pelo menos na p\u00e1gina em que a c\u00f3pia do original foi encontrada. Mas \u00e9 poss\u00edvel acreditar que no restante do texto, que foi pontualmente entregue pelas secret\u00e1rias a Stalin como L\u00eanin ditou, n\u00e3o haveria outras falsifica\u00e7\u00f5es?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A hip\u00f3tese de Canfora<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Muitos anos mais tarde, Luciano Canfora, um historiador com forma\u00e7\u00e3o stalinista e certamente sem nenhuma suspeita de simpatia por Trotsky, empenhado geralmente em descobrir alguma diferen\u00e7a inexistente entre Stalin e Togliatti, a fim de beatificar este \u00faltimo e a chamada &#8220;via italiana para o socialismo&#8221;, ou seja, o reformismo stalinista dirigido por um dos piores stalinistas da hist\u00f3ria, Togliatti, publica um livro dedicado \u00e0s falsifica\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios textos hist\u00f3ricos. No livro, ele tamb\u00e9m trata do Testamento de L\u00eanin.<\/p>\n\n\n\n<p>Recapitulando as descobertas feitas por Buranov, que provam incontestavelmente que pelo menos o ditado de 23 de dezembro foi adulterado por Stalin, Canfora se pergunta: e se a mesma coisa, usando o mesmo m\u00e9todo, ou seja, acrescentando uma frase para distorcer o significado, tivesse sido feita tamb\u00e9m em outras partes do texto?<\/p>\n\n\n\n<p>Relendo o Testamento, parece evidente que a frase mais contradit\u00f3ria \u00e9 a que mencionamos acima, aquela sobre o passado n\u00e3o bolchevique de Trotsky. Essa frase constituiu (seja na vers\u00e3o &#8220;original&#8221; ou em sua deforma\u00e7\u00e3o) na \u00e9poca, e por d\u00e9cadas, o cavalo de batalha dos stalinistas: a frase gra\u00e7as \u00e0 qual eles tentaram obscurecer o verdadeiro significado do Testamento.<\/p>\n\n\n\n<p>O racioc\u00ednio de Canfora a esse respeito \u00e9 muito simples: sabemos que Stalin mandou falsificar uma frase na parte inicial do ditado; sabemos que ele teve a possibilidade, por meio de suas secret\u00e1rias, de acrescentar outras &#8220;corre\u00e7\u00f5es&#8221; ao texto de L\u00eanin (que n\u00e3o sabia que suas p\u00e1ginas acabavam diretamente na mesa de Stalin); sabemos que aquela frase, fundamental, n\u00e3o est\u00e1 em sintonia com as inten\u00e7\u00f5es de L\u00eanin; sabemos que essa frase, mesmo do ponto de vista lingu\u00edstico, n\u00e3o concorda com o texto.<\/p>\n\n\n\n<p>Canfora n\u00e3o tem provas, porque n\u00e3o foram encontradas outras c\u00f3pias das outras p\u00e1ginas originais do Testamento. \u00c9 poss\u00edvel que Stalin n\u00e3o tenha mandado fazer c\u00f3pias, como fez com o ditado de 23 de dezembro. Ou \u00e9 poss\u00edvel, para n\u00e3o dizer prov\u00e1vel, que as c\u00f3pias feitas tenham se perdido nos arquivos ou destru\u00eddas. A conclus\u00e3o do historiador, repetimos, desprovido de simpatias pelo trotskismo, \u00e9, portanto, uma s\u00f3: a quase certeza, com base em todas as evid\u00eancias, de que L\u00eanin nunca ditou em seu Testamento qualquer frase sobre o passado n\u00e3o bolchevique de Trotsky.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabendo o que Stalin fez depois: a falsifica\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de toda a hist\u00f3ria revolucion\u00e1ria para reivindicar para si um papel fundamental que ele nunca desempenhou nos momentos cruciais; o exterm\u00ednio de todos os dirigentes bolcheviques; talvez tamb\u00e9m, como alguns historiadores suspeitam sem ter provas, o envenenamento de L\u00eanin; sabendo de tudo isso, seria estranho surpreender-nos se a hip\u00f3tese de Canfora coincidisse com a verdade dos fatos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 significativo que nem a descoberta de Buranov nem a hip\u00f3tese de Canfora tenham encontrado espa\u00e7o nos sucessivos estudos hist\u00f3ricos e suas publica\u00e7\u00f5es. Quanto a n\u00f3s, o assunto despertou apenas algum interesse jornal\u00edstico e, pelo menos na It\u00e1lia, tamb\u00e9m se seguiu uma amplia\u00e7\u00e3o dada por Canfora \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o de Buranov.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que a hip\u00f3tese de Canfora encontrasse confirma\u00e7\u00e3o documental, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o mudaria o curso da hist\u00f3ria nem acrescentaria muito aos crimes do stalinismo. Mas seria mais uma demonstra\u00e7\u00e3o, somando-se a in\u00fameras outras, de que entre L\u00eanin e St\u00e1lin havia uma diferen\u00e7a irrepar\u00e1vel. De um lado, a revolu\u00e7\u00e3o e o Partido Bolchevique, do qual o primeiro foi o autor; do outro, a contrarrevolu\u00e7\u00e3o e a burocracia stalinista, pela qual o segundo foi respons\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma curiosidade: o erro de Canfora<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para concluir, vale a pena observar o fato &#8211; que aparentemente tamb\u00e9m escapou a todos os que revisaram o livro de Canfora &#8211; de que &#8220;<em>A hist\u00f3ria falsa<\/em>&#8221; cont\u00e9m uma falsifica\u00e7\u00e3o involunt\u00e1ria, ou pelo menos um erro grosseiro, ainda mais imperdo\u00e1vel em um livro que desmascara as falsifica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na reconstru\u00e7\u00e3o do momento em que os dirigentes do partido foram conhecer o Testamento de L\u00eanin, Canfora se baseia na reconstitui\u00e7\u00e3o feita pelo escritor Emil Ludwig, que, citando Radek (na \u00e9poca um dirigente pr\u00f3ximo a St\u00e1lin), escreve sobre &#8220;um salto na cadeira&#8221; que Trotsky teria dado durante um CC no qual St\u00e1lin leu o Testamento e, em particular, no momento da leitura da frase sobre seu passado anti-bolchevique. De acordo com Ludwig, citado por Canfora, Trotsky teria pedido a Stalin para reler esse fragmento.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de apontar corretamente que a primeira leitura do Testamento foi, de fato, feita em uma plen\u00e1ria restrita do XIII Congresso, em maio de 1924, Canfora d\u00e1 como certo o resto da hist\u00f3ria de Ludwig e Radek, e arrisca em suposi\u00e7\u00f5es de que Trotsky pode ter achado a frase suspeita, mas n\u00e3o o suficiente para demostr\u00e1-lo. Provavelmente, acrescenta Canfora, Trotsky j\u00e1 conhecia o texto original (sem a frase criminosa), visto que uma das secret\u00e1rias de L\u00eanin, Marija Gljasser, era politicamente pr\u00f3xima a ele e poderia ter lhe dado essa informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Canfora comete um erro que poderia ter evitado se tivesse se dado ao trabalho de ler o artigo em que Trotsky, em 1932, dedica \u00e0 hist\u00f3ria do Testamento. Nele, Trotsky explica que Ludwig-Radek mentem para ampliar a lenda propagada pelos stalinistas de que o Testamento conteria duras acusa\u00e7\u00f5es de L\u00eanin ao passado n\u00e3o-bolchevique de Trotsky, quando, ao contr\u00e1rio, no texto original (ou melhor, podemos dizer hoje, o texto que Trotsky supunha ser o original) L\u00eanin diz que n\u00e3o imputaria a Trotsky seu passado n\u00e3o-bolchevique. Trotsky acrescenta que n\u00e3o deu nenhum &#8220;um salto na cadeira&#8221; e que toda a reconstru\u00e7\u00e3o de Ludwig \u00e9 falsa n\u00e3o apenas porque (como lembra tamb\u00e9m Canfora) o Testamento foi lido para os dirigentes em outro momento, sen\u00e3o porque que o leu foi Kamenev e n\u00e3o Stalin. Um &#8220;um salto na cadeira&#8221;, conclui Trotsky, efetivamente se deu, mas em outra ocasi\u00e3o. Foi em um plen\u00e1rio do Comit\u00ea Central em 1926 que v\u00e1rios textos at\u00e9 ent\u00e3o in\u00e9ditos de L\u00eanin foram lidos (dessa vez por Stalin). Foi nessa ocasi\u00e3o que Trotsky interrompeu Stalin durante a leitura da carta de 5 de mar\u00e7o de 1923 (citada acima), uma carta na qual L\u00eanin convidava Trotsky a defender a quest\u00e3o da Ge\u00f3rgia no CC. Essa carta terminava com palavras muito afetuosas,&nbsp; que eram raras para L\u00eanin: &#8220;Com as melhores sauda\u00e7\u00f5es comunistas&#8221;. Ao ler, Stalin pulou palavras e leu de forma mais sucinta &#8220;sauda\u00e7\u00f5es comunistas&#8221;, ent\u00e3o Trotsky (cuja mem\u00f3ria recordava desse detalhe significativo da carta recebida de L\u00eanin) o interrompe e pede que ele releia as palavras com precis\u00e3o. O que Stalin teve de fazer, irritado porque aquelas &#8220;melhores sauda\u00e7\u00f5es comunistas&#8221; eram dirigidas por L\u00eanin ao dirigente com quem ele havia decidido travar sua \u00faltima batalha, a primeira tarefa dos bolcheviques contra a degenera\u00e7\u00e3o stalinista.<\/p>\n\n\n\n<p>Notas:<\/p>\n\n\n\n<p>[1] LENIN, V. I., em Opere Complete, vol. 33, p. 253.<\/p>\n\n\n\n<p>[2] TROTSKY, La mia vita, p. 441.<\/p>\n\n\n\n<p>[3] MARIE, J. J. L\u00e9nine, p. 271 (nossa tradu\u00e7\u00e3o do franc\u00eas).<\/p>\n\n\n\n<p>[4] LENIN, V. I. op. cit., vol. 45.<\/p>\n\n\n\n<p>[5] Veja V.I. L\u00eanin, op. cit., vol. 36.<\/p>\n\n\n\n<p>[6] Citado em V. I. L\u00eanin, op. cit., vol. 45.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o para o espanhol: N\u00edvia Le\u00e3o e Natalia Estrada.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas: Rosangela Botelho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na reuni\u00e3o do Comit\u00ea Central de 6 de outubro de 1922, com Lenin ausente, Stalin aprovou um texto que limitava severamente o monop\u00f3lio estatal sobre o com\u00e9rcio exterior. Alguns dias depois, L\u00eanin enviou uma carta ao CC com uma dura cr\u00edtica a essa decis\u00e3o. Por: Francesco Ricci Em 13 de dezembro, L\u00eanin escreve a Trotsky [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":78774,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8806,8076],"tags":[8808,46],"class_list":["post-78773","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-100-anos-sem-lenin","category-especiais","tag-100-anos-sem-lenin","tag-francesco-ricci"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Lenin-1-1.jpg","categories_names":["100 anos sem L\u00eanin","Especiais"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78773","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78773"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78773\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78775,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78773\/revisions\/78775"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78773"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78773"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78773"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}