{"id":78642,"date":"2024-03-18T18:48:12","date_gmt":"2024-03-18T18:48:12","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78642"},"modified":"2024-03-18T18:48:16","modified_gmt":"2024-03-18T18:48:16","slug":"debate-sobre-ucrania-contra-a-guerra-ou-pela-derrota-da-invasao-russa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/03\/18\/debate-sobre-ucrania-contra-a-guerra-ou-pela-derrota-da-invasao-russa\/","title":{"rendered":"Debate sobre Ucr\u00e2nia: Contra a guerra ou pela derrota da invas\u00e3o russa?"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Alicia Sagra<\/p>\n\n\n\n<p>Dois anos ap\u00f3s a invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia, foi lan\u00e7ado um apelo \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o contra as guerras do capital, assinado por v\u00e1rios intelectuais que se definem como &#8220;acad\u00eamicos marxistas (ou radicais)&#8221;<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O cerne do apelo \u00e9 definir-se &#8220;contra os dois lados da guerra na Ucr\u00e2nia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Perante o horror e o terr\u00edvel sofrimento causados pelos grandes conflitos militares, \u00e9 natural que, ao n\u00edvel do movimento de massas, surja um sentimento generalizado de rejei\u00e7\u00e3o de toda a guerra e pela paz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, L\u00eanin disse: <em>O anseio pela paz \u00e9 um dos<\/em> <em>sintomas mais importantes da incipiente desilus\u00e3o da mentira burguesa sobre os objetivos &#8220;libertadores&#8221; da guerra, sobre a &#8220;defesa da p\u00e1tria&#8221; e outros enganos da plebe pela classe capitalista&#8230;<\/em><a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Mas quando se trata das posi\u00e7\u00f5es de organiza\u00e7\u00f5es ou intelectuais que se definem como marxistas, nem todas as guerras podem ser tratadas igualmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste artigo vamos polemizar com os intelectuais que assinaram esse apelo. Para tanto, recorreremos a L\u00eanin, pois assumimos que ele \u00e9 uma refer\u00eancia para os signat\u00e1rios, j\u00e1 que eles citam o &#8220;derrotismo revolucion\u00e1rio&#8221;, que foi a pol\u00edtica de L\u00eanin, e n\u00e3o de Rosa Luxemburgo (como equivocadamente afirmam no Apelo), durante a Primeira Guerra Mundial. Rosa fez uma grande campanha contra a guerra, mas nunca aderiu ao &#8220;derrotismo revolucion\u00e1rio&#8221;, ou seja, transformar a guerra imperialista em uma guerra civil. L\u00eanin se baseou fortemente no grito de guerra de Liebknecht (que divergia de Rosa a esse respeito): &#8220;Vire seus bra\u00e7os contra seus pr\u00f3prios governos!<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a pol\u00edtica de L\u00eanin e o slogan de Liebknech estavam destinados a uma guerra, a Primeira Guerra Mundial, que eles definiram como uma guerra imperialista. Certamente, os &#8220;acad\u00eamicos marxistas&#8221; que assinam esse chamado devem saber que, em meio \u00e0 batalha furiosa de L\u00eanin contra a guerra imperialista, ele estava ao mesmo tempo dizendo: <em>&#8220;<\/em><em>\u00c9 absurdo renunciar por princ\u00edpio, de uma vez por todas, \u00e0 participa\u00e7\u00e3o na guerra&#8221;&#8230; &#8220;O esclarecimento do car\u00e1ter da guerra \u00e9, para um marxista, uma premissa indispens\u00e1vel para resolver o problema de sua atitude em rela\u00e7\u00e3o a ela. Mas, para esclarecer isso, \u00e9 necess\u00e1rio, antes de tudo, determinar quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es objetivas e a situa\u00e7\u00e3o concreta da guerra em quest\u00e3o. Esta guerra deve ser colocada nas condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas em que est\u00e1 a decorrer. S\u00f3 assim a atitude em rela\u00e7\u00e3o a ela pode ser determinada.&#8221;<\/em><a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\"><em><strong>[3]<\/strong><\/em><\/a><em> &#8220;Se, por exemplo, amanh\u00e3 Marrocos declarasse guerra \u00e0 Fran\u00e7a, \u00cdndia \u00e0 Inglaterra, P\u00e9rsia ou China \u00e0 R\u00fassia, etc., essas guerras seriam guerras &#8216;justas&#8217;, guerras &#8216;defensivas&#8217;, qualquer pa\u00eds que atacasse primeiro, e todo socialista desejaria a vit\u00f3ria dos Estados oprimidos, dependentes e com direitos diminu\u00eddos na luta contra as &#8216;grandes&#8217; pot\u00eancias opressoras.&nbsp; escravizadores, saqueadores&#8230; Diferenciamo-nos tanto dos pacifistas quanto dos anarquistas na medida em que n\u00f3s, marxistas, reconhecemos a necessidade de um estudo hist\u00f3rico (do ponto de vista do materialismo dial\u00e9tico de Marx) de cada guerra separadamente<\/em>.<em>&#8220;.<\/em><a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\"><em><strong>[4]<\/strong><\/em><\/a><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;<\/em>E a abordagem de L\u00eanin \u00e0s guerras de liberta\u00e7\u00e3o nacional estava diretamente ligada \u00e0 sua defesa do direito de autodetermina\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es oprimidas. Uma defesa que, para ele, independia do car\u00e1ter dos governos daquela na\u00e7\u00e3o oprimida. Ningu\u00e9m pode considerar, por exemplo, que L\u00eanin tenha defendido as monarquias ultrarreacion\u00e1rias do Marrocos, \u00cdndia, P\u00e9rsia e China.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E a posi\u00e7\u00e3o de L\u00eanin n\u00e3o ficou apenas em declara\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que do poder defendeu o direito \u00e0 independ\u00eancia da Finl\u00e2ndia e da Ucr\u00e2nia, independentemente da localiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que, em diferentes momentos, seus governos tivessem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual \u00e9 a natureza da guerra na Ucr\u00e2nia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 a atual guerra na Ucr\u00e2nia? \u00c0 Primeira Guerra Mundial, onde Inglaterra e Alemanha e seus respectivos aliados se enfrentaram, disputando col\u00f4nias e mercados? Ou as poss\u00edveis guerras de Marrocos contra a Fran\u00e7a; da \u00cdndia contra a Inglaterra; da P\u00e9rsia, da China, da Ucr\u00e2nia, contra a R\u00fassia, de que fala L\u00eanin?<\/p>\n\n\n\n<p>Olhemos para as condi\u00e7\u00f5es objetivas da realidade concreta, a fim de determinar o <strong>car\u00e1ter<\/strong> dessa guerra, que, segundo L\u00eanin,<em> \u00e9 &#8220;para um marxista uma premissa indispens\u00e1vel que permite resolver o problema de sua atitude em rela\u00e7\u00e3o a ela&#8221;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Desde 1914, a R\u00fassia tomou conta de uma parte da Ucr\u00e2nia e, nos \u00faltimos 2 anos, o ex\u00e9rcito russo, qualitativamente superior ao ex\u00e9rcito ucraniano, vem realizando um ataque brutal, uma invas\u00e3o terrestre, apoiada por bombardeios permanentes, com o objetivo declarado de chegar a Kiev e substituir o governo por outro que responda politicamente. Essa invas\u00e3o provocou forte resist\u00eancia, o que est\u00e1 dificultando alvos militares russos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, objetivamente, estamos lidando com um pa\u00eds, invadido por outro qualitativamente mais forte, com objetivos colonizadores. Portanto, estamos diante de uma guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional por parte da Ucr\u00e2nia, seria uma guerra &#8220;justa&#8221;, &#8220;necess\u00e1ria&#8221;, &#8220;progressista&#8221;<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a> segundo a defini\u00e7\u00e3o de L\u00eanin? Ou seja, o povo ucraniano tem ou n\u00e3o o direito de se defender do ataque militar da R\u00fassia?<\/p>\n\n\n\n<p>Ou, para reconhecer seu direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o nacional, devemos exigir que primeiro mudem de governo, como se entenderia daquele Chamado quando afirma: <em>&#8220;<\/em><em>Mas que &#8216;autodetermina\u00e7\u00e3o&#8217; pode ser proposta para a Ucr\u00e2nia, quando o amargo confronto entre duas alas da burguesia nacional mergulhou este pa\u00eds no tr\u00e1gico caminho da guerra e com Zelensky em absoluta submiss\u00e3o ao imperialismo ocidental&#8221;<\/em><a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\"><em><strong>[6]<\/strong><\/em><\/a><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, seria uma defesa condicional do &#8220;direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o nacional&#8221;, que nada tem a ver com L\u00eanin.<\/p>\n\n\n\n<p>O que estamos a dizer implica que a guerra na Ucr\u00e2nia \u00e9 uma guerra pura, que o \u00fanico elemento nela \u00e9 o da liberta\u00e7\u00e3o nacional?<\/p>\n\n\n\n<p>De forma alguma, essas situa\u00e7\u00f5es puras raramente existem. L\u00eanin, por exemplo, disse que, na Primeira Guerra Mundial, houve alguns elementos da guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional, referindo-se aos casos da B\u00e9lgica e da Pol\u00f4nia, mas que o decisivo foi o car\u00e1ter imperialista, dado pelo confronto das principais pot\u00eancias imperialistas europeias para a divis\u00e3o do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na guerra da Ucr\u00e2nia, tamb\u00e9m est\u00e3o em jogo interesses dos imperialismos norte-americano e europeu. Seria infantil esperar que o imperialismo ianque, o imperialismo hegem\u00f4nico, o mais poderoso do mundo, n\u00e3o interviesse em um conflito dessa magnitude. E algo semelhante pode ser dito das principais pot\u00eancias imperialistas europeias, da Alemanha, da Fran\u00e7a.&nbsp; Mas esse n\u00e3o \u00e9 o fator determinante. O que \u00e9 decisivo \u00e9 a resist\u00eancia de um povo \u00e0 invas\u00e3o de um poder qualitativamente mais poderoso.&nbsp; Esta n\u00e3o \u00e9 uma guerra entre a R\u00fassia e a NATO. Esta \u00e9 a agress\u00e3o da R\u00fassia contra a Ucr\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso se expressa, por um lado, no apoio popular \u00e0 resist\u00eancia e na rea\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio que, embora n\u00e3o tenha conseguido participa\u00e7\u00e3o independente, alistou-se em massa, voluntariamente, no ex\u00e9rcito ucraniano para resistir ao ex\u00e9rcito invasor.<\/p>\n\n\n\n<p>E, por outro lado, expressa-se tamb\u00e9m na atitude dos ianques e do imperialismo europeu, que, embora apoiem a Ucr\u00e2nia, fazem-no a dribles e drabs, como se v\u00ea na recusa de enviar avi\u00f5es de combate, elemento fundamental para combater uma invas\u00e3o terrestre.&nbsp; Ao contr\u00e1rio da resist\u00eancia ucraniana, que quer a derrota militar da R\u00fassia, o imperialismo quer uma solu\u00e7\u00e3o negociada, porque tem consci\u00eancia do que a derrota de um dos ex\u00e9rcitos mais poderosos pode significar para a classe trabalhadora e as massas do mundo, especialmente na Europa, pela a\u00e7\u00e3o de uma resist\u00eancia com o car\u00e1ter oper\u00e1rio e popular do ucraniano.<\/p>\n\n\n\n<p>O papel desempenhado pelo imperialismo n\u00e3o muda o car\u00e1ter de liberta\u00e7\u00e3o nacional da guerra na Ucr\u00e2nia. O imperialismo n\u00e3o age por ideologias, n\u00e3o tem escr\u00fapulos sobre onde e de que forma interv\u00e9m. L\u00eanin argumenta que o imperialismo brit\u00e2nico e franc\u00eas desempenhou um papel importante na Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro de 1917<em>.<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\"><strong>[7]<\/strong><\/a><\/em>, mas ele nunca argumentou que essa interven\u00e7\u00e3o mudou o car\u00e1ter oper\u00e1rio da revolu\u00e7\u00e3o russa<em>, <\/em>nem que definia a participa\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o nessa revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E o papel de Zelensky? Sem d\u00favida, ele \u00e9 um agente do imperialismo, e n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o pode ser confi\u00e1vel, mas deve ser confrontado por seus ataques \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e das massas populares, como os trabalhadores ucranianos est\u00e3o fazendo, ao mesmo tempo em que lutam contra o invasor russo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a verdadeira paz nunca ser\u00e1 alcan\u00e7ada, na Europa e no mundo, at\u00e9 que o imperialismo seja derrotado com o triunfo da revolu\u00e7\u00e3o socialista mundial. Mas para avan\u00e7ar nesse objetivo, para enfrentar o governo burgu\u00eas ucraniano, para avan\u00e7ar em uma organiza\u00e7\u00e3o independente dos trabalhadores que os conduza \u00e0 luta pelo poder dos trabalhadores, o que favorece o triunfo da invas\u00e3o russa ou sua derrota?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual deve ser a pol\u00edtica dos revolucion\u00e1rios, diante da guerra na Ucr\u00e2nia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em princ\u00edpio, n\u00e3o pode ser a mesma pol\u00edtica para a R\u00fassia e para a Ucr\u00e2nia, porque, como dissemos, n\u00e3o estamos perante uma guerra imperialista semelhante \u00e0 Primeira Guerra Mundial. Estamos numa guerra de agress\u00e3o colonialista por parte da R\u00fassia e uma guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional por parte da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Se houvesse um movimento na R\u00fassia pela &#8220;Paz&#8221;, pelo &#8220;N\u00e3o \u00e0 Guerra&#8221;, pelo &#8220;retorno das tropas&#8221;, semelhante ao que ocorreu nos Estados Unidos, haveria um movimento na R\u00fassia. Os militares dos EUA durante a Guerra do Vietn\u00e3 seriam muito progressistas, ajudariam a derrotar o ex\u00e9rcito invasor e levariam os trabalhadores e o povo russo a enfrentar Putin.<\/p>\n\n\n\n<p>Os revolucion\u00e1rios deveriam acrescentar &#8220;pelo triunfo da Ucr\u00e2nia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas essa pol\u00edtica na Ucr\u00e2nia \u00e9 totalmente reacion\u00e1ria. Porque chamar N\u00e3o \u00e0 Guerra!, num momento em que se desenrola a invas\u00e3o russa, \u00e9 apelar aos trabalhadores e ao povo ucraniano para que n\u00e3o resistam, aceitem com resigna\u00e7\u00e3o o triunfo da invas\u00e3o, se submetam a uma nova opress\u00e3o russa.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores do Recurso com o qual estamos argumentando defendem essa pol\u00edtica. Com base em sua defini\u00e7\u00e3o err\u00f4nea de guerra, prop\u00f5em: &#8220;contra ambos os lados&#8221;, &#8220;nem um nem outro&#8221;, para &#8220;derrotismo revolucion\u00e1rio&#8221;, &#8220;contra as guerras do capital&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Diante de afirma\u00e7\u00f5es semelhantes, Trotsky disse que o proletariado nem sempre luta contra seu pr\u00f3prio ex\u00e9rcito &#8220;nacional&#8221; e que o &#8220;derrotismo revolucion\u00e1rio&#8221; n\u00e3o pode ser usado como uma abstra\u00e7\u00e3o vazia<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os signat\u00e1rios do Apelo devem se perguntar por que a proposta de N\u00e3o \u00e0 Guerra \u00e9 a levantada por um setor do imperialismo para ir a uma negocia\u00e7\u00e3o em que a Ucr\u00e2nia aceita ceder uma parte de seu territ\u00f3rio, a fim de alcan\u00e7ar a &#8220;paz&#8221;. E por que essa proposta \u00e9 hoje rejeitada pelo setor mais progressista da realidade, os trabalhadores ucranianos, que n\u00e3o querem aceitar ser derrotados por seu hist\u00f3rico opressor russo?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o temos d\u00favidas, porque \u00e9 uma guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional diante do ataque colonialista da R\u00fassia, como diz L\u00eanin que as guerras de liberta\u00e7\u00e3o nacional s\u00e3o progressivas, s\u00e3o necess\u00e1rias, orientam-se para o lado certo da hist\u00f3ria, porque seu triunfo abre melhores condi\u00e7\u00f5es para a luta dos trabalhadores contra a burguesia, para a luta pelo poder. \u00c9 por isso que, nesta guerra, n\u00e3o somos NEETs, temos um lado.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Guerra das Malvinas, apesar da ditadura genocida, \u00e9ramos a favor do triunfo da Argentina e da derrota da Inglaterra. Na guerra na Ucr\u00e2nia, sem depositar qualquer confian\u00e7a em Zelensky e denunciar as suas capitula\u00e7\u00f5es e as suas pol\u00edticas anti-trabalhadores, hoje estamos ao lado dos trabalhadores ucranianos e pela derrota da invas\u00e3o russa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nossa posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas declamat\u00f3ria, nem rom\u00e2ntica. \u00c9 por isso que uma parte central de nossa pol\u00edtica \u00e9 a demanda por armas para a Ucr\u00e2nia, porque, como Trotsky, somos da opini\u00e3o de que n\u00e3o tem nada a ver com pol\u00edtica revolucion\u00e1ria recusar ver a necessidade da guerra.<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Signat\u00e1rios da Chamada: Ricardo Antunes \u2013 Professor de Sociologia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Brasil); Himani Bannerji \u2013 Professor Em\u00e9rito de Sociologia, Universidade de York, Canad\u00e1; Alain Bihr \u2013 Professor Honor\u00e1rio de Sociologia da Universidade de Bourgogne-Franche-Comt\u00e9 (Fran\u00e7a); Alex Callinicos \u2013 Professor Em\u00e9rito de Estudos Europeus, King&#8217;s College London, Reino Unido; Maurice Carrez \u2013 Professor Em\u00e9rito de Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea da Universidade de Estrasburgo (Fran\u00e7a); Aldo Casas \u2013 Antrop\u00f3logo, Conselho Editorial da Revista Herramenta (Argentina); Virginia Fontes \u2013 Professora de Hist\u00f3ria da Universidade Federal Fluminense (Brasil); Yassemine Mather \u2013 pesquisadora s\u00eanior da Universidade de Oxford, editora do Critique: Journal of Socialist Theory (Reino Unido); Roland Pfefferkorn \u2013 Professor Em\u00e9rito de Sociologia da Universidade de Estrasburgo (Fran\u00e7a); Lucia Pradella \u2013 Leitora em Economia Pol\u00edtica Internacional, Presidente da Filial UCU do King&#8217;s College London (Reino Unido); Vladimir Safatle \u2013 Professor de Filosofia, Psicanalista da Universidade de S\u00e3o Paulo (Brasil);&nbsp; Adrian Sotelo Valencia \u2013 Professor de Sociologia da Universidade Nacional Aut\u00f4noma do M\u00e9xico; Raquel Varela \u2013 Professora de Hist\u00f3ria do Trabalho da Universidade NOVA de Lisboa (Portugal); Renan Vega Cantor \u2013 Professor de Hist\u00f3ria da Universidade Nacional Pedag\u00f3gica de Bogot\u00e1 (Col\u00f4mbia).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> L\u00eanin, A Quest\u00e3o da Paz, outubro de 1915.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> L\u00eanin, Confer\u00eancia sobre a Guerra e o Proletariado, outubro de 1914<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> L\u00eanin, socialismo e guerra.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> Idem<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> Conclama\u00e7\u00e3o de um dia de mobiliza\u00e7\u00e3o internacional contra as guerras do capital. https:\/\/www.facebook.com\/share\/p\/f8p9yeChebBig17Q\/?mibextid=xfxF2i<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp; <em>Todo o curso dos acontecimentos da Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro-Mar\u00e7o mostra claramente que as embaixadas inglesa e francesa, com os seus agentes e as suas &#8220;influ\u00eancias&#8221;, que h\u00e1 muito vinham fazendo os esfor\u00e7os mais desesperados para impedir acordos &#8220;separados&#8221; e uma paz separada entre Nicolau II (esperamos e faremos o que for necess\u00e1rio para torn\u00e1-la a \u00faltima) e Guilherme II,&nbsp; Eles organizaram diretamente um compl\u00f4 com os Octobristas e os Constitucional-Democratas, com parte do generalato e os oficiais do ex\u00e9rcito, especialmente a guarni\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Petersburgo, para <\/em>depor <em>Nicolau Romanov. Se a revolu\u00e7\u00e3o triunfou t\u00e3o rapidamente e de forma t\u00e3o radical \u2013 na apar\u00eancia e \u00e0 primeira vista \u2013 \u00e9 apenas porque, devido a uma situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica extremamente original, <\/em>correntes absolutamente diferentes, interesses de classe absolutamente <em>heterog\u00eaneos<\/em>, <em>aspira\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais <\/em>absolutamente opostas <em>se fundiram <\/em>com not\u00e1vel &#8220;unanimidade&#8221;. <em>A saber, a conspira\u00e7\u00e3o dos imperialistas anglo-franceses, que pressionaram Miliukov, Guchkov e companhia a tomar o poder <\/em>para continuar a guerra imperialista, <em>para continuar com maior ferocidade e tenacidade, para <\/em>assassinar milh\u00f5es <em>de novos trabalhadores e camponeses da R\u00fassia a fim de dar Constantinopla&#8230; aos Guchkovs, \u00e0 S\u00edria&#8230; aos capitalistas franceses, \u00e0 Mesopot\u00e2mia&#8230; aos capitalistas ingleses, etc. Isso, por um lado. E, por outro lado, um profundo movimento prolet\u00e1rio e das massas populares (todas as camadas pobres da popula\u00e7\u00e3o da cidade e do campo), um movimento de car\u00e1ter revolucion\u00e1rio, pelo <\/em>p\u00e3o, pela paz e pela verdadeira liberdade. (L\u00eanin, Cartas de Longe, Primeira Carta, mar\u00e7o de 1917)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> Uma atitude irreconcili\u00e1vel contra o militarismo burgu\u00eas nunca significa que o proletariado, em todos os casos, entre em luta contra seu pr\u00f3prio ex\u00e9rcito &#8220;nacional&#8221;. Os escol\u00e1sticos ultraesquerdistas n\u00e3o pensam em termos concretos, mas em abstra\u00e7\u00f5es vazias. A ideia de derrotismo foi transformada em um v\u00e1cuo semelhante. Eles n\u00e3o conseguem ver claramente nem o processo de guerra nem o processo de revolu\u00e7\u00e3o. Eles est\u00e3o procurando uma f\u00f3rmula hermeticamente fechada que exclui o ar fresco. Mas tal f\u00f3rmula n\u00e3o pode oferecer qualquer orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 vanguarda do proletariado. (Aprenda a pensar)<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn9\" href=\"#_ftnref9\">[9]<\/a> &#8220;Suponhamos que amanh\u00e3 ecloda uma rebeli\u00e3o na col\u00f4nia francesa da Arg\u00e9lia sob a bandeira da independ\u00eancia nacional e que o governo italiano, motivado por seus pr\u00f3prios interesses imperialistas, se prepare para enviar armas aos rebeldes. Qual deve ser a atitude dos trabalhadores italianos neste caso? Tomei intencionalmente um exemplo de rebeli\u00e3o contra um\u00a0 imperialismo <em>democr\u00e1tico<\/em>\u00a0 com a interven\u00e7\u00e3o em favor dos rebeldes de um\u00a0 imperialismo <em>fascista<\/em>. Deveriam os trabalhadores italianos evitar o envio de armas para os argelinos? Que as ultraesquerdas ousem responder afirmativamente a essa pergunta. Qualquer revolucion\u00e1rio, juntamente com os trabalhadores italianos e os rebeldes argelinos, repudiaria tal resposta com indigna\u00e7\u00e3o. Mesmo que ao mesmo tempo uma greve geral mar\u00edtima eclodisse na It\u00e1lia fascista, os grevistas teriam que abrir uma exce\u00e7\u00e3o para os navios que transportavam ajuda aos escravos coloniais em rebeli\u00e3o; caso contr\u00e1rio, n\u00e3o passariam de sindicalistas vis, n\u00e3o revolucion\u00e1rios prolet\u00e1rios. Ao mesmo tempo, os trabalhadores mar\u00edtimos da Fran\u00e7a, mesmo que n\u00e3o enfrentem nenhuma greve, ser\u00e3o obrigados a envidar todos os esfor\u00e7os para bloquear o envio de muni\u00e7\u00f5es destinadas a serem usadas contra os rebeldes. S\u00f3 essa pol\u00edtica, por parte dos trabalhadores italianos e franceses, constitui a pol\u00edtica do internacionalismo revolucion\u00e1rio.&#8221; Trotsky, Aprenda a Pensar, 1938-Escritos de Leon Trotsky (1929-1940)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Alicia Sagra Dois anos ap\u00f3s a invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia, foi lan\u00e7ado um apelo \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o contra as guerras do capital, assinado por v\u00e1rios intelectuais que se definem como &#8220;acad\u00eamicos marxistas (ou radicais)&#8221;[1] O cerne do apelo \u00e9 definir-se &#8220;contra os dois lados da guerra na Ucr\u00e2nia&#8221;. 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