{"id":78629,"date":"2024-03-13T20:54:55","date_gmt":"2024-03-13T20:54:55","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78629"},"modified":"2024-03-13T20:54:58","modified_gmt":"2024-03-13T20:54:58","slug":"rejeicao-ao-antropoceno-nao-nega-profundas-transformacoes-da-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/03\/13\/rejeicao-ao-antropoceno-nao-nega-profundas-transformacoes-da-terra\/","title":{"rendered":"Rejei\u00e7\u00e3o ao Antropoceno n\u00e3o nega profundas transforma\u00e7\u00f5es da Terra"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Jeferson Choma<\/p>\n\n\n\n<p>Pode a humanidade ter se constitu\u00eddo uma for\u00e7a geol\u00f3gica capaz de inaugurar uma nova \u00e9poca da hist\u00f3ria da Terra?\u00a0 Essa \u00e9 a discuss\u00e3o por tr\u00e1s do Antropoceno, uma nova \u00e9poca geol\u00f3gica, ou um evento geol\u00f3gico da hist\u00f3ria da Terra, definido pelo impacto da atividade humana nos sistemas naturais.<\/p>\n\n\n\n<p>O conceito de Antropoceno foi levantado pela primeira vez em um artigo publicado pelo qu\u00edmico atmosf\u00e9rico Paul&nbsp; Crutzen e pelo bi\u00f3logo marinho Eugene Stoermer no ano 2000. O termo \u201cantropoceno\u201d vem do grego&nbsp;<em>anthropos<\/em>, que quer dizer \u201chumano\u201d, e&nbsp;<em>kainos<\/em>&nbsp;que significa \u201cnovo\u201d. Desde ent\u00e3o, o Antropoceno ganhou for\u00e7a na comunidade cient\u00edfica, virou moda na academia, na m\u00eddia, mas tamb\u00e9m passou a ser discutido seriamente pelos ge\u00f3logos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 pouco mais de uma semana, um comit\u00ea de ge\u00f3logos votou contra declarar o Antropoceno como uma nova era geol\u00f3gica, sucessora do Holoceno. O Holoceno \u00e9 considerada a \u00e9poca geol\u00f3gica atual, que iniciou-se h\u00e1 11.700 com o fim da \u00faltima Era do Gelo. A estabilidade clim\u00e1tica do Holoceno, com a demarca\u00e7\u00e3o bem definida das esta\u00e7\u00f5es, permitiu \u00e0 humanidade criar a agricultura, obter excedentes de alimentos e construir as primeiras cidades. Foi no Holoceno que a humanidade prosperou.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas mudar essa classifica\u00e7\u00e3o e inserir uma nova \u00e9poca geol\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples. Seria como colocar um novo elemento qu\u00edmico na tabela peri\u00f3dica. Nenhum qu\u00edmico pode acrescentar um elemento sem um processo longo e complexo que passa por um grande debate entre todos os qu\u00edmicos do mundo. Com a geologia acontece algo semelhante. Mesmo que tivesse sido aprovada, a proposta do Antropoceno ainda teria que ser aprovada por outros comit\u00eas at\u00e9 seguir para um congresso da Uni\u00e3o Internacional de Ci\u00eancias Geol\u00f3gicas (IUGS), onde&nbsp; a palavra final seria dada.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Como se define uma Era geol\u00f3gica?<\/h4>\n\n\n\n<p>As unidades de tempo geol\u00f3gico s\u00e3o definidas a partir de evid\u00eancias contidas nos estratos geol\u00f3gicos da Terra, testemunhas do que ocorreu h\u00e1 milhares de anos. Os estratos geol\u00f3gicos s\u00e3o como as camadas de um bolo que, sobrepostas, estabelecem uma ordem cronol\u00f3gica do que ocorreu no passado. Isso permite identificar, por exemplo, a antiga exist\u00eancia&nbsp; de florestas no que \u00e9 hoje o continente da Ant\u00e1rtida; a exist\u00eancia de oceanos no que hoje \u00e9 a Cordilheira dos Andes; provar a liga\u00e7\u00e3o entre a Am\u00e9rica do Sul e \u00c1frica que existiu h\u00e1 mais de 200 milh\u00f5es, e por a\u00ed vai.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quais seriam as marcas do Antropoceno na estratigrafia? Em 2023, uma Comiss\u00e3o Internacional de Estratigrafia (CIE), escolheu o lago Crawford no Canad\u00e1 como um o local que melhor representa o in\u00edcio do que poderia ser uma nova era geol\u00f3gica. Os sedimentos encontrados no fundo desse lago forneceriam v\u00e1rios registros das mudan\u00e7as ambientais, o principal deles s\u00e3o os ind\u00edcios de plut\u00f4nio, muito acima dos n\u00edveis naturais, que foram produzidos pela detona\u00e7\u00e3o de armas nucleares.<\/p>\n\n\n\n<p>Para v\u00e1rios membros do comit\u00ea que rejeitou a proposta, essa defini\u00e7\u00e3o era muito limitada, recente e inadequada para ser um marco da remodela\u00e7\u00e3o do planeta Terra pelos humanos. \u201c<em>Isso restringe, confina, estreita toda a import\u00e2ncia do Antropoceno<\/em>\u201c, disse Jan A. Piotrowski, membro do comit\u00ea e ge\u00f3logo da Universidade de Aarhus, na Dinamarca.&nbsp;<em>\u201cO que estava acontecendo durante o in\u00edcio da agricultura? E a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial? E a coloniza\u00e7\u00e3o das Am\u00e9ricas, da Austr\u00e1lia?<\/em>\u201c, disse ele ao The New York Times.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, ao que tudo indica n\u00e3o se trata de uma completa rejei\u00e7\u00e3o. Tem mais a ver com a procura de maiores e s\u00f3lidas evid\u00eancias pelos guardi\u00f5es do tempo geol\u00f3gico da Terra, do que a simples rejei\u00e7\u00e3o de que os humanos seriam capazes de criar uma nova \u00e9poca geol\u00f3gica. Por isso, a proposta do Antropoceno segue v\u00e1lida e vai continuar na pauta de muitas pesquisas cient\u00edficas \u2013 em outros campos, para al\u00e9m da geologia \u2013 que v\u00e3o procurar substancializ\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao rejeitar o Antropoceno, os ge\u00f3logos tamb\u00e9m expressam os limites de sua ci\u00eancia e procedimentos. A impress\u00e3o \u00e9 que o paradigma puramente geol\u00f3gico n\u00e3o responde \u00e0 complexidade do problema. Sobram evid\u00eancias levantadas por in\u00fameras pesquisas&nbsp; de perturba\u00e7\u00f5es&nbsp; no sistema terrestre, tal como acelera\u00e7\u00e3o acentuada nas taxas de eros\u00e3o e sedimenta\u00e7\u00e3o, perturba\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas nos ciclos de carbono, nitrog\u00eanio, f\u00f3sforo e outros elementos, altera\u00e7\u00e3o e n\u00edveis sem precedentes de invas\u00f5es de esp\u00e9cies e extin\u00e7\u00e3o; e claro, de extrema import\u00e2ncia, o in\u00edcio de mudan\u00e7as significativas no clima global e no n\u00edvel do mar. Tudo isso leva a crer que o Antropoceno \u00e9, no m\u00ednimo, um grande evento geol\u00f3gico ainda muito recente, da escala de algumas centenas de anos e n\u00e3o dos milhares como trabalha a geologia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Quem \u00e9 o&nbsp;<em>Anthropos<\/em>&nbsp;do Antropoceno?<\/h4>\n\n\n\n<p>Se o Antropoceno fosse proclamado como uma nova \u00e9poca geol\u00f3gica, certamente chamaria aten\u00e7\u00e3o mundial para a imensa destrui\u00e7\u00e3o dos sistemas naturais da Terra pelas a\u00e7\u00f5es humanas. Seria um passo importante na conscientiza\u00e7\u00e3o a respeito da gravidade da situa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. Refor\u00e7aria os apelos para a necess\u00e1ria transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e contra a abertura de novas frentes de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo pelo mundo, como no caso do \u00c1rtico e da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas s\u00f3 porque o Antropoceno n\u00e3o foi formalmente declarado n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o estamos diante de uma grande mudan\u00e7a cujos efeitos de longo prazo afetar\u00e3o \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras.&nbsp; O fato \u00e9 que a estabilidade clim\u00e1tica do Holoceno est\u00e1 acabando com o recrudescimento do aquecimento do clima. A temperatura m\u00e9dia da Terra, em 2023, foi a maior j\u00e1 registrada em 125 mil anos. Estamos pr\u00f3ximos de atingir perigosos pontos de n\u00e3o retorno, e assistimos eventos extremos cada vez mais frequentes e intensos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas isso n\u00e3o nos exime de fazer uma cr\u00edtica \u00e0s limita\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio conceito de Antropoceno. Afinal quem \u00e9 o&nbsp;<em>Anthropos&nbsp;<\/em>do Antropoceno? \u00c9 toda a humanidade? O&nbsp;<em>Homo sapiens&nbsp;<\/em>seria intrinsecamente uma for\u00e7a destrutiva da natureza. Mas e popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e camponesas que preservam a biodiversidade para continuar existindo? E os trabalhadores pobres que s\u00e3o apartados das decis\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas da sociedade?<\/p>\n\n\n\n<p>Se por um lado, o conceito ilumina o fato do impacto das a\u00e7\u00f5es humanas passarem a ser uma for\u00e7a geol\u00f3gica, por outro lado obscurece de quem \u00e9 a responsabilidade por isso. Abstrai as rela\u00e7\u00f5es de poder, n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o como a sociedade organiza a produ\u00e7\u00e3o e como a desigualdade social \u00e9 produzida. Tudo isso produziu e produz impactos na biosfera.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o problema do Antropoceno. O conceito repousa na ideia de uma humanidade abstrata, como se os humanos&nbsp; n\u00e3o estivessem divididos em classes sociais, como se n\u00e3o houvesse racismo e xenofobia, ricos e pobres, opressores e oprimidos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">&nbsp;<strong>Uma parte bem pequena da humanidade<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 falso o argumento de que somos todos igualmente respons\u00e1veis pela cat\u00e1strofe clim\u00e1tica e da biosfera. Quem provoca a destrui\u00e7\u00e3o da natureza \u00e9 a classe dominante dos capitalistas, dos grandes propriet\u00e1rios de terras, os acionistas das corpora\u00e7\u00f5es e o pr\u00f3prio Estado capitalista. Na verdade \u00e9 s\u00f3 uma pequena parte da humanidade que \u00e9 respons\u00e1vel pela destrui\u00e7\u00e3o. Vejamos.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, os 45% mais pobres da humanidade geraram apenas 7% das emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono (CO2), enquanto os 7% mais ricos produziam&nbsp; 50% dessas emiss\u00f5es. Um \u00fanico cidad\u00e3o dos Estados Unidos emite sete vezes mais&nbsp; CO2 do que um cidad\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul, e quase nove vezes mais do que um cidad\u00e3o da \u00cdndia, o pa\u00eds mais populoso do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma outra pesquisa divulgada em 2023 pela Oxfam mostra que, em 2019, o 1% mais rico foi respons\u00e1vel pela mesma emiss\u00e3o de carbono do que os 66% mais pobres no mundo, ou seja, 5 bilh\u00f5es de pessoas.&nbsp; O estudo tamb\u00e9m mostra que essas emiss\u00f5es de carbono do 1% mais rico cancelam todo o benef\u00edcio que \u00e9 gerado por 1 milh\u00e3o de turbinas e\u00f3licas instaladas no mundo. Acrescente-se a isso o fato que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas afetam sobretudo a popula\u00e7\u00e3o mais pobre, n\u00e3o-branca e as mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas sombras do conceito de Antropoceno se oculta o ressurgimento de um tipo de neomalthusianismo, que&nbsp; abstrai todo o processo hist\u00f3rico sobre como o capitalismo global alterou profundamente os ciclos naturais. Nesse sentido, o conceito de Antropoceno \u00e9 reducionista e unilateral. Parte da velha dicotomia burguesa entre sociedade e natureza e responsabiliza toda a humanidade pela destrui\u00e7\u00e3o ambiental, sem fazer distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a, classe ou g\u00eanero. Assim, encobre as for\u00e7as do capital, as rela\u00e7\u00f5es sociais e de dom\u00ednio de classe que produziram os desequil\u00edbrios ecol\u00f3gicos, o aquecimento global e o enorme consumo de recursos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Mudan\u00e7as indicam ao \u2018Capitaloceno\u2019<\/h4>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista das ci\u00eancias naturais o Antropoceno \u00e9 um novo estado do sistema Terra, mas do ponto vista da Hist\u00f3ria o grande causador dessa transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 a acumula\u00e7\u00e3o capitalista e sua permanente autoexpans\u00e3o. Por esse motivo, outros autores prop\u00f5em um outro conceito alternativo, o&nbsp; de Capitaloceno, defendendo que a rela\u00e7\u00e3o humana com a natureza \u00e9 atravessada por rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f4micas e pelas desigualdades produzidas pelo capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Capitaloceno \u00e9 mais do que um conceito \u00fatil que permite denunciar a l\u00f3gica destrutiva do capital. Ele tamb\u00e9m coloca a hist\u00f3ria na centralidade para entendermos a rela\u00e7\u00e3o entre sociedade e natureza. Um dos principais defensores do conceito, Jason Moore, explica que: \u201c<em>[\u2026] o Capitaloceno significa o capitalismo como uma forma de organizar a natureza \u2013 como uma ecologia mundial capitalista [\u2026]. o capitalismo \u00e9 uma ecologia-mundo que une a acumula\u00e7\u00e3o de capital, a busca do poder e a coprodu\u00e7\u00e3o da natureza em sucessivas configura\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas<\/em>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Moore avalia que o Capitaloceno n\u00e3o come\u00e7ou apenas quando a ind\u00fastria passou a utilizar combust\u00edveis f\u00f3sseis, e passou a emitir toneladas de carbono na atmosfera. Para ele o \u201cregime ecol\u00f3gico capitalista\u201d come\u00e7ou l\u00e1 no s\u00e9culo XVI, com a expans\u00e3o geogr\u00e1fica proporcionada pelas grandes navega\u00e7\u00f5es e a cria\u00e7\u00e3o do mercado mundial, o que permitiu aos imp\u00e9rios europeus se apropriarem de quantidades sem precedentes de energia e de trabalho, transformando para sempre as rela\u00e7\u00f5es entre humanos e a natureza extra-humana e integrando v\u00e1rias partes do mundo nos circuitos de produ\u00e7\u00e3o e consumo.<\/p>\n\n\n\n<p>Pode-se argumentar que o capitalismo mercantilista n\u00e3o alterou substancialmente os ciclos biogeoqu\u00edmicos a ponto de aumentar a temperatura da Terra. De fato, isso ocorreu apenas quando se adotou energia f\u00f3ssil em um dado momento da revolu\u00e7\u00e3o industrial. Mas a revolu\u00e7\u00e3o industrial n\u00e3o teria ocorrido sem a forma\u00e7\u00e3o do mercado mundial, com a expans\u00e3o colonial que permitiu a conquista de novos recursos, o dom\u00ednio e aniquila\u00e7\u00e3o de outras civiliza\u00e7\u00f5es, a escravid\u00e3o negra e ind\u00edgena. Tudo isso foi realizado com&nbsp; viol\u00eancia, com o saque, com o roubo e o genoc\u00eddio. Esse processo \u00e9 chamado por Marx de acumula\u00e7\u00e3o primitiva do capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>As pr\u00f3prias formas como os humanos pensavam a natureza foram profundamente alteradas nessa \u00e9poca, tal como mostra Keith Thomas, no livro O Homem e o Mundo Natural, um cl\u00e1ssico. Se na Idade M\u00e9dia a natureza era deificada, santificada como a ess\u00eancia de Deus na Terra, no per\u00edodo do capitalismo mercantilista a natureza, as plantas e animais foram interpretados como a cria\u00e7\u00e3o de Deus para servir aos homens. Uma ideia antropoc\u00eantrica que tinha muito a ver com a expans\u00e3o do capitalismo colonial mercantilista e justificava ideologicamente a conquista das novas terras e recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o velho Marx j\u00e1 enfatizava, hist\u00f3ria e natureza n\u00e3o est\u00e3o separados. Portanto, uma an\u00e1lise cr\u00edtica da Hist\u00f3ria \u00e9 imprescind\u00edvel quando se coloca o ser humano como um agente dessa transforma\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel apenas se limitar aos m\u00e9todos das ci\u00eancias naturais.&nbsp; &nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O fim do Holoceno anuncia a cat\u00e1strofe produzida pelo capitalismo, cujos efeitos continuar\u00e3o alterando a trajet\u00f3ria do sistema terrestre&nbsp; por s\u00e9culos. Mas para n\u00e3o ter fim do mundo, precisamo dar fim ao capitalismo e revolucionar o metabolismo entre sociedade e natureza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jeferson Choma Pode a humanidade ter se constitu\u00eddo uma for\u00e7a geol\u00f3gica capaz de inaugurar uma nova \u00e9poca da hist\u00f3ria da Terra?\u00a0 Essa \u00e9 a discuss\u00e3o por tr\u00e1s do Antropoceno, uma nova \u00e9poca geol\u00f3gica, ou um evento geol\u00f3gico da hist\u00f3ria da Terra, definido pelo impacto da atividade humana nos sistemas naturais. 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