{"id":78617,"date":"2024-03-11T17:36:38","date_gmt":"2024-03-11T17:36:38","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78617"},"modified":"2024-03-11T17:36:42","modified_gmt":"2024-03-11T17:36:42","slug":"angola-trabalhadores-mostram-o-caminho-greve-geral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/03\/11\/angola-trabalhadores-mostram-o-caminho-greve-geral\/","title":{"rendered":"Angola | Trabalhadores mostram o caminho: greve geral"},"content":{"rendered":"\n<p>Por <em>Cesar Neto<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Depois de 48 anos no poder o Movimento Popular de Liberta\u00e7\u00e3o de Angola (MPLA) se transformou em uma ditadura pr\u00f3 imperialista e sanguin\u00e1ria. As pris\u00f5es de ativistas s\u00e3o frequentes. Tr\u00eas ativistas foram apoiar uma manifesta\u00e7\u00e3o de mototaxistas no dia 16 de setembro e est\u00e3o presos desde ent\u00e3o. Diga-se de passagem, presos por apoiar uma manifesta\u00e7\u00e3o que n\u00e3o teve. Tr\u00eas dirigentes do movimento hip hop III Divis\u00e3o foram presos por tentarem discutir a necessidade de elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas. Mas, agora, a ditadura do MPLA, vai sentir a for\u00e7a da entrada em cena da classe trabalhadora e a hist\u00f3ria poder\u00e1 come\u00e7ar a mudar.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<strong>Angola: uma economia dependente em meio a crise capitalista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Angola \u00e9 um dos maiores produtores de petr\u00f3leo do continente africano, contraditoriamente a produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel \u00e9 estrangeira. Desde os tempos de Eduardo Santos a estatal SONANGOL sofreu um processo de falta de investimentos e sucateamento. Dessa maneira abriu-se a possibilidade de privatiza\u00e7\u00e3o com a constru\u00e7\u00e3o da refinaria em Cabinda controlada pelo capital ingl\u00eas atrav\u00e9s da Gemcorpo Capital LLP que controla 80%, 10% s\u00e3o da Sonaref (subsidi\u00e1ria da Sonangol) e os outros 10% pulverizado entre acionistas privados. E a refinaria Soyo, essencialmente privado, sem a Sonangol, dever\u00e1 ser controlado pelo Consorcio Quanten, integrado por quatro empresas, sendo tr\u00eas norte-americanas (Quanten LLC, TGT INC e Aurum &amp; Sharp LLC) e uma angolana (ATIS Nebest). Assim, o petr\u00f3leo que custava 160 kwanzas pulou para 300, isto para que se aproxime dos pre\u00e7os internacionais. Na verdade, tem que chegar a acima de 500 kwanzas.<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00edvida externa \u00e9 outro elemento que aponta a fragilidade da economia angolana imposta pela sua localiza\u00e7\u00e3o como semi-colonia. Neste ano o governo vai pagar 4,4 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares da d\u00edvida comercial e outros 1,3 mil milh\u00f5es com bancos bilaterais e multilaterais. Uma outra parte da d\u00edvida total (48%) ser\u00e1 pago a China com a entrega de petr\u00f3leo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, com suas poucas divisas comprometidas com a d\u00edvida o governo trata de reduzir a importa\u00e7\u00e3o em geral e de alimentos em particular. Desse modo, a escassez leva a infla\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os. Por outro lado, a situa\u00e7\u00e3o se agrava com a desvaloriza\u00e7\u00e3o do Kwanza aumentando ainda mais a infla\u00e7\u00e3o. Se no ano anterior a infla\u00e7\u00e3o foi de 20% este ano se prev\u00ea um \u00edndice ainda maior. O desemprego est\u00e1 na casa de 31,9%. Os classificados como empregados, segundo os dados oficiais, 81% est\u00e3o no setor informal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A situa\u00e7\u00e3o se agrava. As lutas v\u00e3o aparecendo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A eleva\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o dos combust\u00edveis de 160 para 300 kwanzas significou de imediato o aumento do d\u00f3lar e dos pre\u00e7os de alimentos. O d\u00f3lar saltou 550 para 800 kzs. O saco de arroz que era 7.000 simplesmente dobrou o pre\u00e7o. O feij\u00e3o pulou de 18 mil para 27 mil kzs, o a\u00e7\u00facar saltou de 16 mil para 26 mil kzs. A rea\u00e7\u00e3o foi imediata. Jovens, profissionais de sa\u00fade, zungueiras (vendedores ambulantes), o povo dos bairros perif\u00e9ricos, que j\u00e1 vinham em luta, entre os dias 12 e 17 de junho, protestaram em v\u00e1rias cidades do pa\u00eds&nbsp; e o MPLA e seu ditador Jo\u00e3o Louren\u00e7o sentiram o impacto das mobiliza\u00e7\u00f5es e, desde a segunda-feira (12), autorizou a repress\u00e3o violenta contra os manifestantes. Foram 13 mortos, entre os assassinados est\u00e1 um menino de 12 anos. Uma selvageria.<\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro os mototaxistas se lan\u00e7aram \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o. Assustados pela repress\u00e3o e com o recuo de seus dirigentes, suspenderam a mobiliza\u00e7\u00e3o marcada para o 16 de setembro. Mesmo assim houve a tentativa de um ato de protesto. Tr\u00eas ativistas que apoiavam o movimento foram presos no s\u00e1bado e condenados na ter\u00e7a feira a dois anos de pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia primeiro de mar\u00e7o entraram em greve os magistrados do Minist\u00e9rio Publico exigindo melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e aumento salarial.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00faltimo dia 30 de mar\u00e7o, o ditador Jo\u00e3o Louren\u00e7o, a servi\u00e7o das empresas petroleiras e dos credores da d\u00edvida, resolveu retirar o subs\u00eddio dos combust\u00edveis para ve\u00edculos de carga e transporte de passageiros. Os taxistas, j\u00e1 falam em subir de 300 para 500 kwanzas o valor a ser cobrado. Isso significa um aumento de 66% na circula\u00e7\u00e3o de pessoas e mercadorias. Pode-se prever que haver\u00e1 novas mobiliza\u00e7\u00f5es e essas mobiliza\u00e7\u00f5es poder\u00e1 ser o combust\u00edvel necess\u00e1rio para a greve do funcionalismo<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os funcion\u00e1rios p\u00fablicos rumo a greve geral: um cap\u00edtulo a parte<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde setembro do ano passado os diferentes sindicatos que representam o funcionalismo publico entregaram uma pauta de reivindica\u00e7\u00f5es. Somente em janeiro o governo respondeu aos sindicatos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os representantes dos 800 mil funcion\u00e1rios p\u00fablicos reivindicam 250% de aumento e o governo ofereceu 5%<\/p>\n\n\n\n<p>Assim os sindicatos: SINPROF (Sindicato Nacional dos Professores), SINDEA (Sindicato Nacional dos Enfermeiros de Angola), SINMEA (Sindicato Nacional dos M\u00e9dicos de Angola), SINPES (Sindicato Nacional dos Professores do Ensino Superior), SINTEE (Sindicato dos Trabalhadores de Energia El\u00e9ctrica), SNMMP(Sindicato Nacional dos Magistrados do Minist\u00e9rio P\u00fablico) e SOJA (Sindicatos dos Oficiais de Justi\u00e7a Angolana) organizaram assembleias nas 17 prov\u00edncias e no s\u00e1bado 09 de mar\u00e7o foi realizada a assembleia final na capital Luanda que votou pela decreta\u00e7\u00e3o da greve geral.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>UNITA e MPLA juntos contra a greve geral<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o burguesa, representada pela UNITA, o principal partido de oposi\u00e7\u00e3o a ditadura mostra a sua cara de bem-comportada. Frente a emin\u00eancia da greve geral, no dia 12 de fevereiro chamou uma roda de imprensa para declarar que defende \u201cdi\u00e1logo entre o governo angolana e as centrais sindicais para busca de solu\u00e7\u00f5es que satisfa\u00e7am as partes para que n\u00e3o haja greve geral no pa\u00eds\u201d<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Para a UNITA, a oposi\u00e7\u00e3o burguesa e bem-comportada, a sa\u00edda n\u00e3o \u00e9 a greve geral, a sa\u00edda s\u00e3o as elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas. Isto \u00e9, n\u00e3o permitir que os trabalhadores tomem em suas m\u00e3os a hist\u00f3ria do pa\u00eds. N\u00e3o \u00e9 gratuito que esse partido junto com o MPLA tenha votado, no ano passado, a lei anti greve<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os funcion\u00e1rios p\u00fablicos mostram o caminho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A greve escalonada dever\u00e1 ter uma primeira fase de 20 a 22 de mar\u00e7o; uma segunda fase de 22 a 30 de abril e uma terceira fase de 3 a 14 de junho. Em todas essas fases \u00e9 necess\u00e1rio que a juventude, os movimentos culturais, as associa\u00e7\u00f5es de moradores e de zumgueiras, os sindicatos, apoiem ativamente essa greve. Esta n\u00e3o \u00e9 uma greve apenas do funcionalismo publico angolano \u00e9 uma greve contra a pol\u00edtica econ\u00f4mica da ditadura do MPLA e que \u00e9 apoiada atr\u00e1s das cortinas pela UNITA.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os trabalhadores est\u00e3o dispostos, resta saber se os sindicatos ir\u00e3o at\u00e9 o fim<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas que o povo angolano j\u00e1 n\u00e3o aguenta o sofrimento imposto pelo MPLA como agente dos patr\u00f5es nacionais e estrangeiros. H\u00e1 muita disposi\u00e7\u00e3o de luta. E nesses casos joga um papel fundamental as organiza\u00e7\u00f5es sindicais e seus dirigentes. A pergunta que fica \u00e9: ir\u00e3o at\u00e9 o final ou vamos negociar acordos rebaixados?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Novos caminhos para o pa\u00eds<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com a greve do funcionalismo podemos estar construindo novos caminhos. Ou como diria o rapper MCK: \u201cCaminhos de como os jovens podem construir pautas que n\u00e3o dependam da bipolaridade UNITA e MPLA&#8230; devemos ser n\u00f3s, os jovens, as nossas universidades, a nossa sociedade, a ditar o nosso futuro e n\u00e3o esperarmos ofertas pol\u00edticas que o fa\u00e7am\u201d.<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Caminhos que coloque fim a ditadura do MPLA, que rompa com o imperialismo, suspenda o pagamento da d\u00edvida externa, convoque uma assembleia constituinte que reconstrua o pa\u00eds, que aponte rumo a um governo dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> UNITA defende di\u00e1logo entre o governo angolano e as centrais sindicais para que n\u00e3o haja greve geral no pa\u00eds &#8211; https:\/\/rna.ao\/rna.ao\/2024\/02\/13\/unita-defende-dialogo-entre-o-governo-angolano-e-as-centrais-sindicais-para-que-nao-haja-greve-geral-no-pais\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> MCK: Nos dias que correm tornou-se mais dif\u00edcil ser artista de interven\u00e7\u00e3o &#8211; https:\/\/www.lilpastanews.net\/2024\/03\/mck-nos-dias-que-correm-tornou-se-mais.html?m=1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Cesar Neto Introdu\u00e7\u00e3o Depois de 48 anos no poder o Movimento Popular de Liberta\u00e7\u00e3o de Angola (MPLA) se transformou em uma ditadura pr\u00f3 imperialista e sanguin\u00e1ria. 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